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quinta-feira, 27 de maio de 2021

DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE" (1997)

 DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE" (1997) - ENTREVISTA

Debra Michaels: "Sem você, não haveria sol no meu céu"


Tem músicas que ficam eternizadas em nossas vidas e não tem jeito. Por mais que o artista se ausente e não apresente novos materiais, ele ainda continua rendendo boas lembranças através de sua arte e da emoção que nos foi proporcionada em sua época de lançamento.

Assim podemos enquadrar "How Do I Live" de Debra Michaels, uma faixa que causa sensações nostálgicas em quem viveu e curtiu as baladas de 1998, tudo graças ao seu vocal que emociona, sua construção melódica e suas batidas, elementos que te levam direto àquela boa fase da adolescência... 

Cada caractserística sonora e grooves inseridos em "How Do I Live" estão em perfeita sintonia e no seu tempo correto, reativando e brincando com o nosso cérebro instantaneamente. É uma proposta parecida com Kriss Grekò - "Surrender", que também nos apresenta vocais quentes e poderosos, além de uma instrumental envolvente que se conecta de um jeito sensível com o ouvinte:


Debra Michaels - "How Do I Live" (1997) Live In USA
A música foi lançada em 1997 e se destacou no Brasil em 1998

Assim funciona e acontece a mágica em "How Do I Live", que é, na verdade, um cover "dance" de um sucesso romântico cantado por LeAnn Rimes, lançado também em 1997. A BMG distribuiu no Brasil a versão de Debra Michaels, que foi muito bem nas danceterias e rádios brasileiras, além de entrar para a trilha sonora de uma novela global chamada "Corpo Dourado". 

Houve uma compilação para essa novela com "How Do I Live" no repertório, mas tivemos também outras coletâneas trazendo esta linda track, como "Dancenet Hits", "As 14 + Do Brasil", "H - Love Hits", e etc.

Nessa época, além da versão original e da versão cantada por Debra Michaels, houve ainda uma outra interpretada pelo projeto britânico Rochelle (do selo Almighty Records), quem lembra? Saiu pela Paradoxx Music em vários CDs... mas aqui no Brasil - merecidamente - a versão da Debra foi a mais popular de todas, até mais mesmo que a original!!!

Muitas vezes o DJ estava tocando uma certa música que nem sequer estava agradando o público, mas quando ele colocava "How Do I Live" de Debra Michaels, você avistava o grande diferencial e sentia toda a empolgação na pista. Literalmente você assistia muitos braços sendo levantados, olhos brilhando ao reconhecer aquela harmonia sendo construída, e sorrisos eram lançados quando o DJ abaixava o volume, para que todos pudessem cantar juntos o vibrante refrão. Isso que era curtir uma noite nos anos 90! Isso que era se sentir dentro da música e fazer parte de uma festa!!!


Mas, e Debra Michaels? Quem é ela? 

Ela fez um grande sucesso em 1998, porém não tínhamos nenhum conhecimento sobre a imagem da artista, e também não sabíamos se ela tinha outras músicas, e tal... 

Quem era essa cantora, afinal?

Debra Michaels foi uma cantora de Dance Music dos anos 90, mais centrada na vertente Freestyle  um estilo que foi muito ouvido nos EUA (podemos citar outras estrelas do gênero que agradaram bastante os americanos, como Angelina, Laura Martinez, Lina Santiago, Katalina...). 

Não há muitas informações disponíveis sobre Debra, mas hoje finalmente vamos resolver essa questão e trazer aos leitores informações realmente relevantes sobre a trajetória desta talentosa artista. Sabía-se apenas que ela assinou um contrato com a gravadora americana Robbins Entertainment e lançou dois singles, um em 1997 e outro em 1998.

Bom, vamos lá. Em 1997, Debra lançou o seu primeiro single, "How Do I Live", que fez algum sucesso nos EUA, sendo que aqui no Brasil essa faixa alcançou uma popularidade ainda maior. Aqui no Brasil, como citado acima, foi a BMG que distribuiu "How Do I Live" aos DJs, programadores de rádios e diversas coletâneas, garantindo o seu auge perante ao público brasileiro.

No mesmo ano, Debra Michaels também gravou a música "Foolish Games" do projeto Jem. Essa segunda música foi lançada no Brasil pela Paradoxx Music, mas, apesar de entrar em algumas coletâneas (como "Special Reserve Vol.2"), não foi muito conhecida e, até hoje, segue sendo uma faixa bem obscura. 

"Foolish Games" foi produzida pelos mesmos produtores da bem sucedida "How Do I Live", embora não repetindo nem de longe o mesmo sucesso.


A partir do 2º single de Debra Michaels, descobrimos finalmente a sua imagem...

Em 1998, uma luz no fim do túnel foi lançada quando saiu um novo trabalho da cantora  -  "Don't You Wanna Fly?", um freestyle-eletro que trazia em sua capa o rosto de uma moça loira. Seria ela, a vocalista? 

A música tocou muito pouco nas noites e apenas em alguns programas de mixagens (lembro até hoje, quando estreou no "Super Pista" da Radio Educadora FM - Campinas SP-  sendo uma indicação do DJ Carlinhos), mas, depois do fraco desempenho de "Don't You Wanna Fly?" constatamos que a cantora desapareceu e não nos trouxe mais novidades...


ENTREVISTA COM DEBRA MICHAELS

Bom, nada melhor que a própria cantora para nos responder algumas dúvidas e dizer mais sobre a sua enigmática trajetória, certo? Então, fiquem com ela, a vocalista que causou fascínio e levou magia os clubs naquele ano de 1998:


"Como eu irei viver sem você?"


1) Rikardo: Em que cidade e país você nasceu, Debra?

Debra Michaels: Eu nasci na Filadélfia, PA, nos EUA.

2) Rikardo: Sua voz é muito contagiante e linda. Como você começou a cantar?

Debra Michaels: Tudo começou aos 4 anos de idade, eu sempre cantei com meus avós, tínhamos um grupo musical e viajávamos pela comunidade se apresentando em reuniões de idosos e asilos. Isso me ajudou muito a cantar como uma adulta, ao invés de soar como uma garotinha, e colaborou com que eu colocasse mais alma e emoção em meus vocais. 

3) Rikardo: Seus pais a incentivaram a seguir a carreira artística?

Debra Michaels: Sim, eles me ajudaram desde cedo e estive até na Broadway, no Alvin Theatre, no musical “Annie”. Eu era um talento-mirim, desempenhei alguns papéis, especialmente no National Tour. Também fiz alguns programas de TV e filmes na minha juventude para obter experiência, assim como estive num programa chamado "The Al Albert's Show" (um programa divertido de variedades para a família). Foi onde passei grande parte da minha juventude atuando na TV. Todas as quartas-feiras à noite, filmávamos para as exibições na manhã de domingo. Foi uma ótima experiência. Também me apresentei no cruzeiro "Walt Disney Cruise Line - Premier Cruises", no navio Majestic, por 7 dias por semana durante meses. Eu também estive em “Star Search” e “Big Break” de Natalie Cole, e foi aí que então comecei a gravar demos para artistas novos e conhecidos. Eu realmente ganhei muita experiência até gravar “How Do I Live”, e estava preparada! 


Créditos da imagem: Facebook de Debra Michaels


4) Rikardo: Você cantou a regravação de “How Do I Live”, que foi muito bem nas FMs e Club's. Como você teve a ideia de regravar essa balada romântica de LeAnn Rimes?

Debra Michaels: Na verdade, eu fui escolhida para cantá-la como uma demo para a cantora de freestyle Rockell, mas acho que fiz um ótimo trabalho com essa demo, e Cory Robbins me contratou para a Robbins Entertainment, num contrato que dizia ter um possível segundo single. Não tive tempo nem para revisar meu contrato. Foi enviado por fax no mesmo dia em que gravei “How Do I Live” e tive que assiná-lo. Meu empresário, na época, estava na costa oeste, era uma bagunça! Tudo aconteceu tão rápido que não tive tempo nem de tirar uma foto para a capa do single, então alguns blocos coloridos e um ponto de interrogação (?) se tornaram a capa de "How Do I Live". A música foi lançada dois dias depois, e nas rádios após mais dois dias. 

5) Rikardo: No Brasil, “How Do I Live” também foi trilha sonora de uma famosa novela (“Corpo Dourado”). Você sabia desse sucesso aqui no Brasil?

Debra Michaels: Eu não estava nem um pouco ciente disso. Estou muito feliz em saber disso agora! 


Adam Marano foi um excelente produtor de Freestyle e produziu muitos singles do gênero... Ele está por trás dos singles de Debra Michaels, além do projeto Clueless, que foi conhecido aqui no Brasil com a regravação de "Don't Speak" (1996)... Lembra dessa?? 

Adam Marano produziu ainda em 2005 três faixas para o disco Crazy Frog – "Crazy Hits", além de uma enxurrada de lançamentos de Dance Music, Freestyles e etc...


6) Rikardo: Quais artistas você gosta de ouvir? E quais artistas te influenciaram a cantar?

Debra Michaels: Naquela época eu diria Donna Summer, Whitney Houston, Mariah Carey, Barbra Streisand, Cher, Judy Garland, Patti Labelle, Toni Braxton, Regina Belle, Teena Marie, Sheena Easton, Taylor Dayne e muito mais.

7) Rikardo: Na Dance Music, muitos vocalistas gravavam nos estúdios mas não mostravam seus rostos nas performances e nas capas dos discos ... Os produtores colocavam modelos para fazer sincronismo labial ... o que você acha dessa prática?

Debra Michaels: É horrível isso, mas infelizmente ainda continua...e é muito triste, sabe? O público é enganado por falsos cantores há muito tempo...

8) Rikardo: Qual é a sua maior lembrança de “How Do I Live”?

Debra Michaels: Foi quando eu abri o show para o *NSYNC para a estação de rádio de minha cidade natal (Q102), foi o grande show "Monster" de primavera, na frente de 25.000 pessoas!


Debra Michaels com o pessoal do *NSYNC, em 1998.

Nessa época, eles estavam no topo das paradas.

Crédito da imagem: Facebook de Debra Michaels


9) Rikardo: Nessa época, eu lembro que eles estavam super estourados com "I Want You Back", que tocava muito nos club's e rádios, e era o primeiro dos muitos sucessos do *NSYNC que vieram depois...retrata muito bem o ano de 1998. Mas você, depois de “How Do I Live” lançou um freestyle chamado “Don't You Wanna Fly?” ... Como foi o processo de produção desse single ??

Debra Michaels: Foi incrível! Os produtores eram mundialmente conhecidos e residiam na Inglaterra, eram chamados de Cosgrove/Clark Productions. Eles apoiaram muito a minha voz de 5 oitavas e também produziram para mim algumas dance musics que ficaram excelentes, mas que nunca foram lançadas porque a minha gravadora estava pagando para um outro produtor produzir minhas faixas, e essas depois também nunca viram a luz do dia. 

10) Rikardo: Você trabalhou com o produtor Adam Marano, como foi trabalhar com ele?

Debra Michaels: Ele era um compositor e produtor muito profissional de dance music naquela época. Honestamente, eu aprendi alguma coisa? Não, mas ele teve muitos sucessos, principalmente no gênero Freestyle. 


Debra Michaels com Rita Ora

Crédito da imagem: Facebook de Debra Michaels


11) Rikardo: Como foi trabalhar com o selo Robbins Entertainment? Eles sempre a apoiavam quando você precisava? Ou houve alguma música que eles não queriam lançar?

Debra Michaels: Hmm ... agora estamos chegando na parte mais particular da questão lol. A Robbins deu muito apoio para “How Do I Live” como para qualquer outra faixa... nessa época, quando “How Do I Live” de LeAnn Rimes foi um hit nacional, eu já tinha uma versão dance muito poderosa e muito amada que estava subindo rapidamente nas paradas, então a gravadora viu que eu ia fazer um verdadeiro hit e eles contrataram um remixer bem conhecido no mercado de dance. Eles conseguiram também um grande anúncio na rádio quando eu estava impactando. Essa foi a nossa corrida com "How Do I Live". Se a Robbins não tivesse lançado a sua versão dance, poderíamos estar tendo uma conversa muito diferente agora. Ainda sou muito orgulhosa da versão que gravei e ainda sou muito questionada sobre.

12) Rikardo: Debra, que música você lançou depois de “Don't You Wanna Fly?”? Por que demorou tanto para acontecer?

Debra Michaels: Hmm ... Chama-se “Voices” e é sobre a conscientização da nossa saúde mental e prevenção do suicídio. Eu tinha acabado de perder meu noivo naquela época para o suicídio. Ele não foi diagnosticado por 17 anos e, aos 44, foi diagnosticado com transtorno bipolar e transtorno depressivo. Ele literalmente ouviu vozes dizendo para se matar, e assim, infelizmente o fez depois de 30 tentativas anteriores. A música e o vídeo foram feitos para ajudar, a defender e a educar, mas também para PARAR o estigma referente à saúde mental. 


Debra Michaels em radio norte-americana

Crédio da imagem: Facebook de Debra Michaels


13) Rikardo: No Brasil sempre ouvíamos a sua voz em rádios e club’s em 1998, mas era difícil conseguir qualquer informação sobre você. O que aconteceu com a cantora Debra Michaels nos últimos anos?

Debra Michaels: Por onde começo??? Já que minha gravadora não apoiou totalmente o segundo single “Don't You Wanna Fly?”, minha gravação naquela época foi completamente interrompida. Minha mãe morreu de câncer no cérebro depois de uma batalha de quase 8 anos e meu pai morreu de um forte derrame. A vida real me atingiu com força, então tive que me virar e cuidar do meu irmão e da minha família. Eu peguei um emprego na área de hospedagem e no ramo de restaurantes, mas continuei cantando e me apresentando por todo o país em eventos corporativos e cassinos com minha banda chamada “The Debra Michaels Project”. Praticamente fiz isso até que gravei "Voices". Depois disso, continuei me apresentando e comecei a trabalhar como treinadora de desempenho vocal em tempo integral. 

Em 2017, eu fui diagnosticada com câncer de ovário em estágio inicial e os últimos 3 anos tratei com cirurgias, quimio, medicamentos e fisioterapia. Eu passei também a administrar meu estúdio e minha fundação para saúde mental chamada “Yo Cuz kidz4Cuz Foundation”. Nossa missão é conscientizar sobre a saúde mental, e também enviar sempre uma mensagem positiva através da plataforma de vozes infantis, Kidz4Cuz! É uma vitrine onde dou aos meus alunos a oportunidade de mostrar os seus vocais em diferentes temas e é sempre por uma grande causa. 


Debra Michaels com Backstreet Boys

Crédito da imagem: Facebook pessoal de Debra Michaels


14) Rikardo: Você tem algum sonho que ainda não se tornou realidade?

Debra Michaels: Sim! Eu adoraria voltar a fazer TV e cinema algum dia, e cantar no Apollo Theatre no Harlem, NY. Também quero fazer minha agência de talentos crescer mais ainda, na qual estou trabalhando agora. 

15) Rikardo: Quais são seus planos para o futuro?

Debra Michaels: Quero continuar cantando, atuando nos palcos, treinando jovens talentos e representar o talento fenomenal, quando eu o encontrar. Eu ainda fico animada e sei o quanto EU AMO ser mentora de nossas futuras estrelinhas! Eu também ADORARIA fazer uma turnê no Brasil e agradecer à todos vocês por todo o amor e apoio! 


Crédito da imagem: Facebook pessoal de Debra Michaels


16) Rikardo: Muitos DJs brasileiros tocaram “How Do I Live” e “Don't You Wanna Fly?” em Clubs e FMs ... Você poderia deixar um recado para esses profissionais, que acreditaram na força da sua voz?

Debra Michaels: Eu quero enviar um MUITO OBRIGADO de coração!! Sem TODOS VOCÊS, eu não estaria fazendo o que estou fazendo hoje. Eu realmente aprecio todo o amor e apoio de vocês em “How Do I Live”. Tenho muito orgulho da minha voz e dessa oportunidade que me foi dada. Desejo tudo de melhor em saúde, sucesso e prosperidade à vocês! Fiquem protegidos, saudáveis e que Deus os abençoe sempre.



AGRADECIMENTOS:

Espero que vocês tenham gostado de mais um conteúdo exclusivo, com outro artista da cena dance dos anos 90. Debra Michaels foi uma artista representada aqui no Brasil pela gravadora BMG, e seu estilo estava mais próximo do freestyle, um estilo de Dance Music que se destacava bastante nos EUA, até mais que o Eurodance.

Debra Michaels trabalhou com o produtor Adam Marano em outros projetos também, como Jem – "Foolish Games" (faixa com a mesma base de "How Do I Live", porém, licenciada desta vez pela Paradoxx Music).

O meu Muito Obrigado à Debra Michaels, por seu tempo cedido, à sua atenção e toda a sua imensa gentileza!! Foi emocionante conhecer a sua história de superação e toda a sua trajetória dentro da música. Obrigado, Debra!

Abraços à todos!


Para ler matéria sobre JACKIE RAWE, clique no link abaixo:

https://rikardomusic.blogspot.com/2025/12/jackie-rawe-i-believe-in-dreams-historia.html

sábado, 27 de junho de 2026

DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE" (1997)

DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE?" (1997)
Como eu vivo sem você, baby??

O que se sabe sobre a vida pessoal e a trajetória da cantora Debra Michaels? Infelizmente, são bastante limitadas as informações. Ela foi uma cantora de dance music nos anos 90, e a maior parte de sua história fora da música permanecia um mistério, já que ela acabou se afastando dos holofotes, e na época de seu sucesso, a internet ainda estava começando...
Por conta dessa escassez de informações, há alguns anos consegui localizar a cantora de "How Do I Live", e assim, muito prontamente ela nos concedeu uma entrevista esclarecedora. 
E você, se lembra da versão dance dela para "How Do I Live"? Fez sucesso aí na sua cidade??
Aqui em São Paulo foi uma música muito tocada nas rádios, com excessão da Jovem Pan, que estava meio "perdida" ali em 1998 (estava mergulhada na música popular, e até Padre Marcelo Rossi estava sendo tocado na emissora).

A CARREIRA DE DEBRA MICHAELS
Nos anos 90, Debra Michaels assinou um contrato com o selo fonográfico independente Robbins Entertainment, bastante conhecido por lançar faixas de dance music nos Estados Unidos, sendo uma vertente mais puxada para o Freestyle (uma especialidade que os americanos adoram!). 
A música "How Do I Live" é uma versão dance de LeAnn Rimes, um sucesso pop romântico de 1997, mas que não teve grande fama no Brasil. Foi gravada por Debra Michaels também em 1997, e apenas no início de 1998 que a versão dela chegou ao Brasil. Foi um considerável sucesso e muitos ainda julgaram que era uma música original, pois como mencionado, a versão da LeAnn Rimes não se tornou conhecida por aqui.
Além deste seu trabalho solo, que se destacou bastante nas FMs, danceterias, e até foi inclusa em uma novela da TV Globo, Debra Michaels ainda emprestou seus vocais para o single "Foolish Games" do projeto Jem, lançado pelo selo Street Beat Records.
No ano de 1998, ela lançou também um segundo single solo chamado "Don't You Wanna Fly?", que teve foco nas pistas de dança, mas falhou em entrar nas paradas musicais.
Apesar de ter desaparecido da cena mainstream, a artista americana informou ao Blog que fez colaborações mais recentes no gênero eletrônico, como o single "Voices", feito com Mr. Mig (entre 2012 e 2013), além de uma participação na música "Daydreaming" (2012), do produtor Mike Rizzo. Debra Michaels é americana e tem uma carreira artística desde seus tempos de infância, quando já se apresentava nos palcos, mesmo ainda muito pequena.

DEBRA MICHAELS E A VERSÃO DANCE DE "HOW DO I LIVE"
Essa é a misteriosa Debra Michaels

Sobre como exatamente surgiu a ideia para gravar o cover de "How Do I Live" em versão dance, não existiam entrevistas ou artigos de bastidores que detalhassem a produção. No entanto, o Blog conseguiu esta exclusividade com a misteriosa vocalista! 
Lembrando que sempre é muito interessante saber como que nascem essas relíquias que tomaram conta das rádios, clubs e coletâneas noventistas, visto que também era muito comum que selos de dance music encomendassem regravações aceleradas de grandes baladas pop, como é o caso deste projeto aqui.
"How Do I Live" foi o primeiro single da carreira de Debra Michaels. Ele foi lançado oficialmente no dia 26 de novembro de 1997 em diversos formatos físicos, como Vinil (12 polegadas), CD e fita cassete. 
Na entrevista cedida ao Blog, Debra conta que não teve nem tempo para tirar uma foto para a capa de seu single, que fez um sucesso da noite para o dia e que os produtores correram para lançá-lo. Na verdade, Debra contou-nos que nem o contrato ela ainda havia assinado com eles, fazendo tudo de última hora.
O disco promocional e o vinil contam com vários remixes focados para que os DJs tocassem a "How Do I Live" nas baladas de 1997/1998, como as versões "1:00 AM Club Mix" e o "5:00 AM Club Mix", além da versão rádio e uma acappela. 
Ai meu Deus do céu.... como eu ouvi essa música tocar naquele ano de 1998...
Na entrevista, Debra Michaels contou-nos ainda que não sabia que a versão dela para "How Do I Live" havia feito tanto sucesso no Brasil, e muito menos que tinha sido trilha sonora de uma novela. Ela ficou contente de saber sobre estes feitos no Brasil, além de detalhar que passou por uns "perrengues" bem desagradáveis nas últimas décadas, como problemas familiares e até com um câncer que a atingiu. 
Hoje, Debra Michaels está bem de saúde, continua trabalhando com música, tem uma família, e profissionalmente atua como mentora/professora de crianças que nasceram com a aptidão para o canto.
Não deixe de ler a entrevista no Blog, que em breve será republicada após um problema resolvido com o Html.
Abraços!
Rikardo

domingo, 3 de maio de 2026

ENTREVISTA MARIA RUBIA (FRAGMA) 2001

ENTREVISTA DE 2001 

REVISTA OK! - MARIA RUBIA



Tradução: Rikardo Rocha


Como você conheceu o Fragma

MARIA RUBIA: Eles ouviram minha demo e me perguntaram se eu poderia participar da música deles. Foi ótimo porque eu queria conhecê-los e teria sido uma bobagem recusar. No começo foi meio intimidante, mas logo nos tornamos amigos e eu estava fazendo chá e dando bronca neles por não terem guardado o leite na geladeira!


Há tanta gente tentando entrar na indústria da música. Você se sente com sorte por ter conseguido? 

MARIA RUBIA: Não. Sorte não é a palavra. Meus pais e meus amigos podem confirmar: assim que eu acordava, já estava ligando para as gravadoras. Comecei aos 18 anos, tocando campainhas e ligando para todo mundo. Gastei meu último centavo para vir a Londres de trem. Eu estava determinada.


Foi difícil chamar a atenção das pessoas? 

MARIA RUBIA: Comecei fazendo alguns trabalhos como modelo na escola e, depois de três anos, acabei com um monte de contatos. Me ofereceram um contrato com uma gravadora se eu fingisse tocar guitarra e eu pensei: 'Vocês estão brincando comigo?' Tem muita criança por aí que toca guitarra de verdade.


Ouvi dizer que você recusou um filme do Terry Gilliam... 

MARIA RUBIA: Eu tinha 15 anos e estava fazendo meus exames do GCSE (exames nacionais do Reino Unido). Comecei a fazer trabalhos como modelo. Comprei muitas roupas e saí para muitas festas. Tudo deslanchou e o telefone não parava de tocar. Aí meus pais disseram: "Não, você tem que priorizar seus estudos. No fim das contas, se não der certo para você, pelo menos você consegue um bom emprego."


Conte-nos um pouco sobre seu primeiro single solo... 

MARIA RUBIA: Chama-se "Say It" e eu o escrevi há alguns meses. Meu produtor fez a música. É basicamente sobre uma garota que gosta de um cara, mas ela é muito tímida em relação a isso. Mas não é uma balada romântica. Quando faço meus shows ao vivo, todo mundo dança ao som dela. Os seguranças cantam junto e depois dizem: "Por que estamos cantando essa música? Nem a conhecemos!"


Você co-escreveu essa música? 

MARIA RUBIA: Eu tinha "Say It" na cabeça, mas não sei tocar nenhum instrumento. Gravei minha voz em uma fita e entreguei para o meu produtor, que já sabia como eu queria que a faixa soasse antes mesmo de eu dizer a ele - e ele criou a música três dias depois. Levou 15 minutos para gravar a versão final. Às vezes acontece assim.


Fale-me sobre o álbum... (Esse álbum não chegou a ser lançado)

MARIA RUBIA: Espero que seja lançado neste verão. O seu sabor é misto, como um tutti-frutti. Tem uma balada, um pouco de R&B, garage/dance. Acho importante ter variedade, porque quando você ouve alguns álbuns, eles começam a soar iguais. Muitas bandas, quando descobrem que uma fórmula funciona, lançam todas as faixas da mesma maneira.


Você fica nervosa quando faz trabalhos solo? 

MARIA RUBIA: Fiquei nervosa na semana passada na minha primeira premiação, porque havia muitas celebridades e elas são as mais críticas. Mas o Suggs, do Madness, foi muito gentil comigo. Ele disse: "Muito bem, cara, você se saiu muito bem".


Que tipo de música você curte? 

MARIA RUBIA: Vários estilos. Eu ouço Destiny's Child, Coldplay, Feeder, e também gosto de Andrea Bocelli. Espero um dia gravar uma música com ele, pois eu acho que ele é um cara muito legal. Eu o conheci em Maiorca. Eu estava em um restaurante comendo lagosta, mas estava cozida. Andrea estava na mesa ao lado. Como eu falo francês fluentemente, ele conseguiu me entender e tentou me ajudar. No fim, tudo correu bem e acabamos conversando sobre gravar uma música juntos. 


O que você faz no seu tempo livre? 

MARIA RUBIA: Eu adoro festas de celebridades e, como sou solteira, tenho uma boa desculpa para sair e festejar. Também gosto de sair e fazer compras. Adoro nadar, andar de jet ski e mergulhar.


Você se preocupa muito com moda? 

MARIA RUBIA: Compro roupas em brechós, na TopShop, na Morgan e também algumas peças caras. Não me importo muito com frescuras e mimos, mas tenho meu próprio estilo. Sou mais do tipo que usa jeans e blusas estilosas. 

Você já recebeu algum conselho de celebridades? 

MARIA RUBIA: Pergunto à Gail Porter sobre roupas para sair e o que vestir. Conversamos sobre essas coisas com a Celena, do Honeyz. É preciso ouvir quem já passou por isso.


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Para mim, o projeto Fragma foi um dos melhores projetos de Vocal Trance da história, e apesar de apreciar cada single lançado, a faixa "Everytime You Need Me" é a minha favorita deles. Marcou uma época incrível da minha vida e tem uma estrutura harmoniosa que acho magnífica. 

O meu irmão, que não pegou essa fase do Vocal Trance, ouviu essa música tocando no meu celular e me perguntou quem cantava, pois ele também se impressionou com a melodia, com os vocais e com toda a sonoridade envolvente do hit. É aquela coisa, passam-se anos, mas a qualidade continua, algo realmente A-TEM-PO-RAL!

Para ler mais sobre a vocalista Maria Rubia e o seu retorno ao estúdio com o Fragma, 25 anos depois, clique no link abaixo:

https://rikardomusic.blogspot.com/2026/05/maria-rubia-do-hit-everytime-you-need.html


Para ler a Entrevista com a cantora Debra Michaels - do hit "How Do I Live", clique no link abaixo:

https://rikardomusic.blogspot.com/2021/05/o-que-aconteceu-com-debra-michaels-do.html


sábado, 12 de maio de 2018

PAULINA RUBIO - "DON'T SAY GOODBYE" (2002)

PAULINA RUBIO - "DON'T SAY GOODBYE"

UMA DAS MAIS POPULARES MÚSICAS DA CANTORA, QUE JÁ HAVIA FEITO SUCESSO EM 1996 COM O HIT "TE DARIA ME VIDA":

Paulina Rubio e a sua música mais conhecida no Brasil: "Don't Say Goodbye" (2002)

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


“Border Girl” é o sexto álbum de estúdio e primeiro álbum de língua inglesa da artista mexicana Paulina Rubio, lançado em 18 de junho de 2002 pela Universal Music
As faixas deste disco incorporam estilos como o pop latino, rock, R&B, dance music e elementos mariachi. O single principal do álbum, "Don't Say Goodbye", se tornou sua música de maior sucesso em inglês.

Outros singles lançados do "Border Girl" foram "The One You Love""Casanova" e "I'll Be Right Here (Sexual Lover)", e cada um destes singles também tiveram suas versões em língua espanhola, estas que se tornaram sucessos na Billboard. 

Paulima Rubio ainda regravou a música "I Was Made For Lovin' You" da banda de Hard Rock KISS, que autorizou a faixa ser cantada em outra versão pela cantora mexicana. 


Peça publicitária da Universal Music para Paulina Rubio e seu álbum “Border Girl”, que trazia o sucesso “Don’t Say Goodbye”, hiper executada nas pistas e FMs em 2002.
Aliás, a cantora já era conhecida por nossas praias através da track latina “Te Daria Mi Vida” (hit em 1996).
Impulsionada pelo excelente resultado de Shakira no mercado americano (em 2001), a cantora mexicana também resolveu explorar o inglês, e assim, se lançou pela primeira vez para o público dos EUA... 



TUDO COMEÇOU...
Após o sucesso de seu álbum anterior "Paulina" (2000), e também vendo o resultado de Shakira nos charts americanos, a Universal Music decidiu então lançar a carreira de Paulina Rubio no mercado musical dos EUA. Consequentemente, o álbum "Border Girl" foi lançado e gerou cinco singles, dando ainda a Paulina um sucesso #1 na rádio espanhola com “Baila Casanova”

Além disso, sua primeira música em inglês "Don't Say Goodbye" ainda é o seu trabalho mais conhecido em inglês. Este single foi tão bem recebido que recebeu uma versão exclusiva no Reino Unido.

Todas as versões em espanhol dos singles também entraram no Top 10 da Billboard Hot Latin.

"BORDER GIRL" E SUAS CRÍTICAS:
Ken Micallef, da Rolling Stone, fez uma crítica mista dizendo que "o gosto dela por combinar os sabores techno, pop e mexicano rapidamente confirma o seu potencial único".

Jose F. Promis, da Allmusic, afirmou que "é uma combinação vencedora de diferentes estilos musicais, com sucesso pop, dance, hip-hop, rock, baladas, latim e até mesmo ranchera em um pacote delicioso".

O álbum estreou em 11º lugar na Billboard 200 e se tornou o álbum de maior sucesso de Paulina Rubio nos EUA. Foi também certificado como ouro, indicando vendas de mais de 500.000 unidades. 


Paulina Rubio em cena no Video Oficial de "Don't Say Goodbye" (2002)


"Border Girl" também foi certificado de ouro na Espanha, além de ter se tornado um dos dez melhores sucessos na lista de álbuns do Canadá, chegando ao 9º lugar.

O disco conseguiu ser lançado em países como Nova Zelândia, Holanda, Alemanha, Áustria, Grécia, Irlanda, Rússia, além de ter sido adicionado nas paradas de álbuns suecas - onde Paulina não havia mapeado antes. "Border Girl" foi também #1 em vendas no México. 

Resumindo: Com este álbum, Paulina é apresentada ao resto do mundo e também visita países, como o Reino Unido e Japão, para promover o novo disco. 

Em dezembro de 2002, o álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo.


Paulina Rubio - "Don't Say Goodbye" (2002)
Video Official

O vídeo de "Don't Say Goodbye" foi bastante transmitido nas MTVs de todo o mundo, além dos canais Much Music e HTV, sendo este último, uma emissora exclusiva de clipes latinos, então era muito comum nos depararmos com a sua versão latina: "Si Tu Te Vas".


PAULINA ENTRE OS DJ'S E CLUBS
A faixa "Don't Say Goodbye" tocou muito nas rádios e clubs do Brasil em meados de 2002, ao lado de vários hits "dance" de projetos e artistas da época, como Lasgo, Ian Van Dahl, Kylie Minogue, Iio, Jan Wayne, Gigi D'Agostino, Astroline, Dee Dee, entre outros. A versão original já tem algumas batidas no estilo dançante, mas mesmo assim ganhou alguns remixes, e com isso recebeu mais força ainda nas pistas de dança.


Boa melodia, vocal quente (como Kriss Grekò, Debra Michaels...) e uma produção de primeira linha, que hoje, só ficou na saudades!!


quinta-feira, 31 de julho de 2025

TEEKI - COLOURS IN MY EYES (1997) - A HISTÓRIA

TEEKI - "COLOURS IN MY EYES" (1997)

AS CORES AINDA ESTÃO VIVAS EM NOSSA MEMÓRIA


Chegou o momento de exaltar mais um vocal "dance" dos anos 90!! É o hit "Colours In My Eyes" do projeto Teeki, lembram-se dele?

Pois é... Essa música foi originalmente lançada em 1997, porém, começou a fazer sucesso aqui no Brasil no primeiro semestre de 1998, onde se destacou ao lado de outros clássicos da Eurodance, vide "Suddenly" da Gala, "You And Me" da Taleesa, "You're Not Alone" do Olive, "When I Fall In Love" do Ken Laszlo, e etc. 

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


É importante dizer que "Colours In My Eyes" não foi uma produção voltada para o eurodance (termo popular que abrange o Euro-House alemão e o Dance italiano, principalmente).

Trata-se de um sub-estilo gerado com a mescla do "house clássico" norte-americano com alguns synths genéricos de guitarras distorcidas. Algo que lembra muito também a cantora Gala e o projeto Gaya com as suas produções; dois nomes que deram o ponta-pé inicial neste sub-estilo pós italodance (1993/1997). Algo similar aconteceu com a "You And Me" da Taleesa que, evidentemente, preserva as nuances sonoras das guitarras. Todd Terry foi o grande precursor dessa geração 'pós-eurodance' quando trabalhou no remix de "Missing" do EBTG.


OS COLABORADORES PRODUTIVOS

Há sete anos, quando conversei com Matteo Cremolini (um dos principais idealizadores do projeto Teeki), observei que ele ficou muito feliz pela minha lembrança a este seu trabalho. Cremolini ainda foi gentil em revelar em primeira mão o nome da vocalista — Sara Grimaldi — que, até então, era uma grande incógnita para nós, os fãs da Eurodance. 


A vocalista Sara Grimaldi

A letra de "Colours In My Eyes" foi, na verdade, escrita pela irmã de Matteo Cremolini, Chiara Cremolini, que hoje é uma oncologista de renome internacional. Naquela época, Chiara tinha apenas 13 anos de idade e Matteo pediu que ela imaginasse uma letra simples para a sua futura "Colours In My Eyes"

A música foi construída por Matteo Cremolini em parceria com seu amigo Davide D'Ambrosio.


Dra. Chiara Cremolini 

Chiara Cremolini graduou-se em Medicina em 2008, e em 2011 concluiu um mestrado em Desenvolvimento de Medicamentos. Em 2014 especializou-se em Oncologia Médica. 

Dra. Chiara Cremolini é especialista em oncologia gastrointestinal e já escreveu mais de 200 artigos sobre câncer colorretal. 


INSPIRAÇÕES COLORIDAS

A poeta Wisława Szymborska

Matteo Cremolini tinha lido o poema "Lovers" de Wisława Szymborska, onde é mencionado um arco-íris na noite, então pediu à sua pequena irmã que incluísse essa ideia na letra. 

Cremolini também contou ao blog que o refrão da música foi inspirado em um fragmento da canção "I Don't Know How to Love Him" ​​do musical Jesus Cristo Superstar (1972).


Jesus Christ Superstar - "I Don't Know How to Love Him" (1972)

Como Matteo Cremolini e a cantora Sara Grimaldi moravam na mesma cidade, isso facilitou para que se conhecessem pessoalmente e fossem trabalhar juntos. Ele ainda disse que, na época, também conheceu a professora de canto de Sara, e como a cantora já havia gravado em outros projetos de Dance dos anos 90, então acabou envolvendo-a no projeto Teeki.


Sara Grimaldi 

"Colours In My Eyes" do Teeki foi lançada na Itália e, acredita-se que em outros países europeus também, mas, como Cremolini mencionou, ele não tinha nenhuma evidência de sua distribuição comercial.

"Tive algumas noites de trabalho em estúdio, e depois não recebi nenhuma novidade sobre a música... até me encontrar com você na internet. Obrigado!"  (Matteo Cremolini)


A HISTÓRIA DE TEEKI NO BRASIL

A música “Colours In My Eyes” brilhou no primeiro semestre de 1998, principalmente no mês de fevereiro/98. Em agosto de 1998 (mês referente ao chart da imagem acima), ainda era tocada nos principais clubs de São Paulo.

Cremolini ficou sabendo do lançamento de "Colours In My Eyes" aqui no Brasil através do primeiro contato que tive com ele, em 2018. A partir daí, o músico me solicitou mais detalhes dos feitos de sua obra conquistados em terras brasileiras, incluindo as posições alcançadas nos charts, os nomes dos clubs que tocaram-na, os títulos das coletâneas de discos em que foi inserida... entre outros dados interessantes ao seu criador, pois segundo Cremolini, foi uma grande surpresa descobrir que a música havia sido tocada por aqui.

"Olá Rikardo, espero que tudo esteja bem!!

Estou tentando reconstruir a história da nossa querida canção 'Colours In My Eyes' e minha agência (SIAE) me perguntou se eu sei os lugares (os mais importantes) onde a música foi tocada. Você acha que pode me ajudar? (Matteo Cremolini)


TEEKI: UM SUCESSO DA DANCE MUSIC QUE MERECIA TER IDO MUITO MAIS LONGE

Pelos registros buscados, não encontrei nenhuma evidência da música ter sido trabalhada em outros países (além do Brasil), mas sei que na Romênia "Colours In My Eyes" tem alguns fãs, e se tem fãs, é possível que tenha chegado por lá também. Na Itália, a música foi distribuída em dois vinis 12": um white label e posteriormente em um single de capa azul  —  ambos com três versões e pelo selo Volumex.

O que podemos afirmar, é que na década de 90 as informações não eram registradas pontualmente como hoje, então, pode ser que a música tenha sido tocada em mais países, no entanto, seguiu com pouco deste histórico registrado. 

Também já é sabido com absolutismo que nenhum outro país do mundo destacou tanto Teeki - "Colours In My Eyes" como o Brasil. Aqui tocava-se muito nas boates e nas FMs, além da faixa ter sido inserida em seis compilações oficiais (fora os piratinhas que também traziam a track).

Quando a ouvi pela primeira vez, eu tinha 16 anos de idade e no ato reconheci a beleza e a qualidade de "Colours In My Eyes" do Teeki. Acredito que foi no programa "Ritmo da Noite" da Jovem Pan 2, no final de 1997 ou início de 1998 — um período que dava início a saturação das produções da Eurodance e também onde crescia com força a onda da Axé Music e seus derivados. 


TEEKI - "COLOURS IN MY EYES" (1997) 
Imaginem agora os adolescentes de 1998 descobrindo essa preciosidade nas rádios ...  Involuntariamente de boca aberta e olhos brilhando!!

Lembro ainda que, a Paradoxx Music publicou um TOP 10 de músicas novas licenciadas em uma das páginas da revista DJ Sound. Ou seja, muito provavelmente a gravadora paulistana estava negociando com o selo Volumex para licenciar a faixa aqui no Brasil, porém, algo deve ter acontecido no meio desse caminho e a negociação não se concretizou. Na sequência, a carioca Spotlight Records acabou licenciando Teeki - "Colours In My Eyes" com eles. Esta foi a primeira vez que vimos Teeki entrar num chart brasileiro, numa divulgação da Paradoxx Music em novembro de 1997:

Novembro de 1997 na Paradoxx Music. 
Há exatos 28 anos…

Outra recordação marcante: Quando o DJ tocou "Colours In My Eyes" na abertura do show da Taleesa, em Itatiba /SP, ao lado de outras canções que marcaram aquela época, como Alexia "Gimme Love"Dario G - "Sunchyme"Gala -"Suddenly"O.M.C - "How Bizarre"Debra Michaels - "How Do I Live?", e etc. Não tem como se esquecer da energia do público itatibense ao dançar e cantar essa música! Uma vibe positiva e contagiante sem igual!!

"Colours In My Eyes" de Teeki também foi muito executada em outras rádios além da Jovem Pan 2, como a 97 FM (São Paulo-SP), Metropolitana (São Paulo-SP), Educadora FM (Campinas-SP), Dumont FM (Jundiaí-SP), e etc. Uma curiosidade é que, quando os locutores informavam o nome do projeto, eu logo imaginava que se tratava de uma cantora coreana — devido a pronúncia do nome ("tiqui"), mas às vezes também idealizava uma cantora negra  devido a voz ser bem característica, potente, forte, daquelas que chamam a atenção logo na primeira ouvida.

Nos charts anexados à revista DJ Sound é possível presenciar também o sucesso que a música atingiu entre dezembro-97/ maio-98, sendo tocada nos mais conhecidos clubs do Brasil, como os icônicos Moinho Santo Antonio, Krypton, Atlanta, Queop's, Florestta, Shampoo, Ilha de Capri, Ludovico, e etc...

No endereço abaixo você pode visualizar todos estes charts, além dos vídeos e fotos da cantora Sara Grimaldi:

https://rikardomusic.blogspot.com/2018/12/a-vocalista-do-projeto-teeki-e-seu-hit.html (copie e cole pois essa url não está linkada).

Mesmo com o crescimento do Axé Music no cenário brasileiro, essa música do Teeki se destacou bastante por aqui em 1998, mas, em muitos países não obteve a mesma sorte... 

Teeki - "Colours Im My Eyes" - Em fevereiro de 1998 foi uma das mais tocadas das noites brasileiras

Mundialmente, "Colours In My Eyes" foi ofuscada por um mar de produções de Techno e Trance que começaram a emergir em 1997/1998, o que é uma grande pena pois a faixa tinha muito potencial para explodir mundo a fora, justamente por ser uma produção classuda, original, envolvente, e por nos apresentar uma linha melódica profunda e uma vibe misteriosa, tudo isso combinado a um vocal pra lá de poderoso. 

Para completar, Teeki teve o azar de ter sido lançada por uma gravadora que não fazia marketing nenhum de suas produções, dando a "Colours In My Eyes" uma divulgação totalmente inexistente e, consequentemente, fazendo com que a faixa nunca ganhasse uma exposição realmente merecida. 

A música não ganhou um vídeo-clipe, uma performance ao vivo, e nem uma edição em CD-Single sequer! 

No Spotify??? Nada também, até hoje!!!

Definitivamente, um completo descaso e uma infeliz subestimação por parte da gravadora para com Teeki e sua fantástica, mas desvalorizada, "Colours In My Eyes".


TEEKI - "COLOURS IN MY EYES"

VOCAIS NÃO CREDITADOS: SARA GRIMALDI

ANO DE PRODUÇÃO: 1997

ANO DE LANÇAMENTO: FINAL DE 1997

ATINGIU AS PARADAS DE SUCESSO: 1998

LABEL: VOLUMEX (ITALY) - SPOTLIGHT RECORDS (BRASIL)

PRODUTORES: A. KASERER, G. VIGNALI

COMPOSITORES: M. CREMOLINI, D'AMBROSIO, RANEAR

LETRA: CHIARA CREMOLINI


Chiara Cremolini e Matteo Cremolini: Com 13 anos de idade ela escreveu a letra de “Colours In My Eyes” para o projeto de seu irmão
(Foto de Carlo Antonio Carcangiu)


A GRAVADORA SPOTLIGHT RECORDS AJUDOU A ESPALHAR AS CORES DE TEEKI PELO BRASIL

Em suas redes sociais, Matteo Cremolini disse: "Essa é a minha faixa de estreia no mundo da Dance dos anos 90 e não vi nenhum centavo de retorno. Teeki: 'Colours in my eyes' teve uma colaboração de meu amigo Davide D'Ambrosio e depois recebeu alguma divulgação no Brasil. 

Alguns anos atrás um blogueiro brasileiro (nostálgico) se lembrou deste trabalho como uma música mágica de um verão que marcou as noites (e que noites... ).

Graças a web também achei uma coletânea brasileira que continha a faixa, comprei e meses depois chegou.

Então, recapitulando, este foi um projeto de dance music antigo, mas que, mesmo depois de todos estes anos, ainda causa emoções nas pessoas, traz sonhos e descobertas, ou seja: isso é algo que não tem preço. Posso dizer que eu participei disso!" Matteo Cremolini em seu facebook.


Matteo Cremolini comprou o CD brasileiro "Ritmo da Noite Volume 7". Ele mesmo tirou a foto do CD e postou em seu facebook

"Colours In My Eyes" do projeto Teeki marcou presença em algumas coletâneas brasileiras de Dance Music, e abaixo estão elas, num total de seis títulos — todos lançados no mercado no ano de 1998 (via Spotlight Records):

-Spotlight Project - "Radio/DJ": Na verdade, este é um CD Promo distribuído aos DJs, não teve venda direta para o público. No CD encontram-se duas versões de "Colours In My Eyes": Radio Vocal Mix (Radio Edit) e Long Mix. Como não existe o CD Single oficial da música (saiu apenas em vinil 12"), vale a pena ter esse promo lançado pela Spotlight;

-Spotlight Dance Hits: Coletânea com 14 faixas variadas, incluindo "Colours In My Eyes" na "Long Mix" de 6 minutos;

-Ritmo da Noite Volume 7: Mais um CD muito bom da Spotlight que traz diversos hits da Dance Music, e é claro, entre as dezenas de faixas, lá está ela: "Colours In My Eyes" ("Radio Vocal Mix");

-Dance Hits: Esta é mais uma compilação nota 10 que foi lançada nas lojas brasileiras, mais precisamente no início de 1998. "Colours In My Eyes" é a faixa #8 ("Radio Vocal Mix");

Terceiro Milênio Vol. 2: Este é um CD bem raro...creio que a Spotlight lançou em tiragem reduzida. Teeki com sua implacável "Colours In My Eyes" está presente na versão "Radio Vocal Mix" de 3 minutos e 42 segundos.

Teeki - "Colours In My Eyes" sendo indicada na coluna "Dance Floor" (quadro de lançamentos) da Revista DJ Sound (Fevereiro / 1998). Este belo Dance marcou  também os melhores anos do programa “Super Pista” da Educadora FM, comandado na época por Lui Mazini e DJ Carlinhos… Que saudades!!


SARA GRIMALDI - A VOCALISTA DO TEEKI 

Aqui está ela: Sara Grimaldi, conhecida também como Sarah Gee

Sara é cantora / compositora, além de ser uma treinadora vocal. Sara nasceu em 20 de novembro de 1966, ou seja, completará seus 59 anos de idade nos próximos dias. 

A artista nasceu na cidade de La Spezia (a mesma em que nasceu Alexia) e sua poderosa voz está classificada como soprano, se estendendo em 4 oitavas. Quando criança, Sara começou a cantar no coral da igreja e seguiu aulas de piano e dança em sua cidade natal. Com apenas 14 anos de idade, começou a praticar como DJ e poucos meses depois, passou a colaborar em algumas rádios regionais, gravando jingles publicitários.


Sara Grimaldi gravou muitas faixas de Eurodance


Sara Grimaldi trabalhou ainda para uma produtora de vídeos na área de filmagem e edição, e assim apareceu em alguns vídeos de artistas italianos e internacionais, como KC & Sunshine Band, Pino Daniele, Gianni Morandi, e etc.

Em 1994, Sara lançou um single solo chamado "Did You Love Me" sob o nome Sarah e em ritmo de Dance Music, a grande moda da época. A canção foi escrita por S. Tubelli, M. Franciosa e Sarah (a própria). Ela também gravou para diversos outros projetos de Eurodance, como XL"Fluxland" (1994), Wild $"Forever Love" (1995), Sinny"Give Me Your Love" (1995) e Queen Of Heart "All Of Your Love" (1997).

Depois, Sara Grimaldi se tornou backing vocal de alguns artistas conhecidos da Dance Music, como Jenny B, Tony Di Bart e Double You, além de contribuir como compositora em diversos trabalhos. 

Mas, se você pensa que Sara Grimaldi só trabalhou na Dance Music, está enganado. Sara também cantou Pop, Blues, Ópera, e participou de shows Gospel com artistas como Leona Laviscount.

Nestes diversos trabalhos no segmento da Eurodance, está o projeto Teeki com a nossa aclamada "Colours In My Eyes", talvez o único hit da cantora aqui no Brasil, embora não tenha sido creditada (estamos aqui para isso).

Sara Grimaldi apenas gravou um single para o projeto Teeki...

No início dos anos 2000 ela gravou para os projetos Sarah Nelson - "The One" (2000) e Valery Verga - "Higher" (2001). Foi em 2004 que Sara Grimaldi fez os vocais para os novos singles de Ice MC, "It's A Miracle" e "My World", além de contribuir nas demais faixas do novo álbum deste veterano da Eurodance.

Sara Grimaldi ainda colaborou em um disco com renda destinada às crianças do Paquistão e também gravou um single solidário para uma associação italiana contra a leucemia.

A talentosa Sara continua até hoje em atividades. Atualmente ele segue realizando performances ao vivo e gravando novas músicas de Eurodance, como as últimas Sarah & Sbeng Allstars"Heart Of Fire" (2024) e Sarah & Sbeng Allstars"Je T'Adore" (2025), que são dois lançamentos da Revamp (gravadora nova que está investindo em Italo Dance).


Matteo Cremolini continua como músico, mas criando sons e trilhas sonoras para a área do cinema e TV:

"Hoje em dia eu componho músicas para filmes e televisão, e esse projeto Teeki é apenas uma lembrança querida que ainda me encanta!!!" (Matteo Cremolini)

 Matteo Cremolini Atualmente - Insolito Stage Live (Novembro / 2025)


AGRADECIMENTOS:

Ao italiano Matteo Cremolini por ter colaborado com seus relatos e por ter cedido o nome da vocalista aqui nesta singela homenagem. 

Grazie!



Para ler sonre Mesopotamia - "Vaffanculo" (1994), clique no link abaixo:

https://rikardomusic.blogspot.com/2026/05/tiziana-negrello-e-vocalista-de.html