domingo, 26 de abril de 2026

ETTORE FORESTI, O INÍCIO DO GRUPO CAPPELLA

ETTORE FORESTI: LÁ NOS PRIMÓRDIOS DO CAPPELLA E NO AUGE DA ITALO DISCO
Ettore Foresti esteve a frente do Cappella nos anos 80, além de outros projetos que serviram de embrião para o Cappella


Ettore Foresti nasceu no dia 11 de maio de 1961 em Rovato (região de Lombardia, Itália) e foi o primeiro modelo inserido para representar as produções do Cappella nos vídeos, palcos e capas de discos. 

Ettore Foresti é dançarino até hoje, e devido ao seu talento nesta arte, foi convidado para atuar como modelo/dançarino para projetos de Gianfranco Bortolotti, como G.G. Near e Superbowl. Em seguida, ele também foi escalado para atuar dublando os diversos samples vocais masculinos da fase oitentista do Cappella - "Helyom Halib" (1988), embora o Cappella tenha sido fundado no ano anterior, em 1987. 


Ettore Foresti atualmente

Inicialmente, o grupo Cappella era um projeto de house com influências de Hi-NRG, da Media Records, com contribuições significativas dos produtores Stefano Lanzini, Diego Leoni e Pieradis Rossini. Em 1988, o grupo estreou nas paradas britânicas com a música "Bauhaus (Push the Beat)" e, no ano seguinte, com "Helyom Halib", que alcançou o 11º lugar. O primeiro álbum do Cappella também foi lançado em 1989, e trazia Ettori Foresti na capa como um marujo. O símbolo do Cappella nessa época também merece ser mencionado, nos lembrando muito o símbolo famoso do super herói Batman.


Símbolo criado para o Cappella, presente no primeiro álbum do projeto. Não lembra o Batman? Digamos que é um morcego com um lenço na cabeça, lembrando o estilo "marujo" de Ettore Foresti 

No trabalho seguinte do Cappella, Foresti ficou de fora e abriu espaço para outros rostos, como o de Kelly Overett, mulher que diz até hoje que gravou os grandes sucessos do Cappella, incluindo até os samples vocais que todo mundo sabe que eram retirados dos clássicos.

Atualmente Ettore Foresti continua atuando na dança, e hoje ele está registrado como instrutor/professor de Zumba em Brescia, Itália.

Veja abaixo outros registros do modelo em trabalhos também do produtor Bortolotti, em meados dos anos 80, durante a época de ouro da Italo Disco.


Superbowl – "Forever And A Day"

Ítalo Disco do ano de 1985, três anos antes do surgimento do primeiro single do Cappella. A música "Forever And A Day" tem sintetizadores alucinantes, além de uma pausa longa e maravilhosa no meio... Ah, e no site discogs consta que os vocais reais são do produtor Roberto Arduini. Na capa temos Ettore Foresti.


Superbowl – "Oé - Ooh"

Outro lançamento de 1985. Obra da dupla Arduini-Bortolotti, "pequena", especialmente se comparada ao que eles fizeram logo depois, mas acho interessante ouvir alguns sons e arranjos que me lembram "Living in a ROM" de GG Near (faixa em destaque no final desta postagem). Na capa temos apenas alguns desenhos de jogadores de futebol americano. Ettore ficou de fora da arte dessa vez. Já os vocais reais são de Luigi Vicini, um cantor italiano de Italo Disco e Eurobeat, nascido em 1962 em Brescia. Ele é conhecido por trabalhar com vários pseudônimos, incluindo Phil Jones, Phil & Stan, David R. Jones e G.G. Near.


Superbowl - "Dance On The Fire"

Esse som é de 1987, e segundo o discogs a voz é do produtor Roberto Arduini. Já na capa do disco há a informação de que o modelo Ettore Foresti foi também um dos produtores do disco. Quanto a música, o início me lembrou imediatamente a canção clássica de Tom Hooker - "Looking For Love". Provavelmente a minha favorita do "Superbowl". Ah, e a parte do sintetizador, que vem logo depois do refrão, soa incrível e é extremamente cativante... Italo-Disco de verdade!


G.G. Near - "Living In A Rom"

Quanto ao G.G. Near, este foi um projeto que resultou em apenas um lançamento. A imagem da capa contem, como de costume, a presença de Ettore Foresti (recorrentemente utilizado pelo produtor Gianfranco Bortolotti em seus outros projetos já citados), e o cantor contratado para a gravação vocal foi Luigi Vicini (daí o nome GG Near, em uma tradução livre para o inglês). Os membros do GG Near foram Gianfranco Bortolotti, Luigi Vicini e Roberto Arduini.

O ano de lançamento do único single do GG Near -  "Living In A Rom" é 1986. Atenção para o remix empolgante do mestre da Italo Disco, Flemming Dalum, que escolheu sabiamente o lendário sintetizador PPG, também marca registrada de Stefano Cundari e da gravadora Memory. Um clássico!

Fiquei muito feliz também em saber que a ZYX Records (Alemanha) lançou uma nova versão em vinil em 2023, em um belíssimo vinil colorido! Tal prensagem apresenta as duas mixagens originais, além das novas de Flemming DalumAlso Playable Mono. Ambas mixagens são excelentes, e se mantêm muito fiéis à versão original, sem exageros. 

Este single único do GG Near também se trata da primeira e última colaboração entre duas das principais duplas de produtores de Italo Disco de meados da década de 1980: Arduini & Bortolotti e Zanni & Cundari, e eles realmente fizeram um trabalho excepcional.


Luigi Vicini já havia gravado com a sua voz para o Superbowl - "Oé - Ooh" e retornou a trabalhar com a mesma equipe para o single de G.G. Near - "Living In A Rom" (1986)

O título do single já entrega: Como seria viver dentro de uma memória de leitura ROM? Como seria viver neste espaço tão pequeno e tão cheio de informações tecnológicas?

Como o nome sugere, não se trata de uma típica canção romântica da Italo Disco, mas sim de uma faixa com uma temática futurística para a sua época, englobando o hardware e a tecnologia. 

Os arranjos e a estrutura da música seguem os altos padrões da Memory Records. Há uma longa introdução instrumental que cria toda uma atmosfera perfeita para nos apresentar ao tema, uma grande pausa central para facilitar a mixagem do DJ e o refrão frenético em loop no final. Uma jóia absoluta da Italo-Disco!!

Quanto ao som, é puro estilo Arduini-Bortolotti. Na verdade, eles reutilizaram um efeito de teclado retirado de "Keep Your Love Alive", de Paul Sharada (lançada um ano antes). Os sintetizadores são simplesmente magníficos e têm muita presença em toda a música. Não menos importante é a voz grave e profunda do vocalista, Luigi Vicini, que combina perfeitamente. Aliás, também há semelhanças vagas, intencionalmente ou não, com "Looking For Love" de Tom Hooker, lançada pouco tempo antes.

O cara da capa é ninguém menos que Ettore Foresti, o mesmo que costumava ser a imagem do Superbowl e que se tornaria o primeiro Cappella alguns anos depois. O fotógrafo Emilio Tremolada fez um trabalho excelente, capturando a essência do tema principal ao projetar um PCI (placa de circuito impresso) no rosto de Ettore, resultando em um efeito muito peculiar e original.


Ettore Foresti atualmente, professor de zumba


Para ler mais sobre o Cappella e toda a saga "Procurando Os Vocais de Kelly Overett, clique aqui:


ALISON JORDAN DO CAPPELLA, POR ONDE ANDA?

ALISON JORDAN DO CAPPELLA - POR ONDE ELA ANDA?

Uma cantora que também atuou como modelo no Cappella

O projeto Cappella destacou alguns jovens nos anos 80 e 90, como os dançarinos Ettore Foresti, Kelly Overett, Rod Bishop e também a hoje médium (?) Alison Jordan - conhecida no meio Eurodance ainda como "Allison Jordan" (com dois L's)

Diferente dos três primeiros integrantes citados, Alison Jordan realmente teve uma experiência como vocalista e gravou o álbum "War In Heaven" do Cappella, mesmo não dando conta do recado e a produção tendo que chamar uma outra cantora mais preparada vocalmente (Katherine Ellis, que teve o seu vocal misturado ao de Alison).

Cantora do grupo Cappella de 1995 a 1998 (e substituta Kelly Overett), Alison Jordan resolveu deixar o grupo em 1998, e disse que ficou chocada ao ouvir o resultado da sua voz mixada com a de Katherine Ellis no álbum "War In Heaven", além de não ter gostado de ter sido apenas a modelo no disco seguinte, "The Cappella". A garota também ressaltou que estes foram alguns dos motivos que a fizeram deixar o grupo. Após se desligar do Cappella, a linda moça retornou ao seu país natal, o Reino Unido.


Alison Jordan trabalhou em 1992 com Simon Cowell, mas em 1993 já estava fora da BMG


Nascida em 1972, no Reino Unido, Alison Jordan frequentou a June Sandbrook School of Ballet, onde fez sua estreia no palco aos 5 anos, a Sylvia Young Theatre School e a Barbara Speake Stage School. Participou de programas infantis de televisão aos 10 anos e gravou um comercial para a Pepsi aos 13.

Aos 19 anos, Alison viu um anúncio no jornal "The Stage" em busca de uma estrela para o programa da BBC "That's Life". Venceu o concurso com mais de 40.000 votos, recebendo um contrato com a gravadora Arista BMG e indo trabalhar com os produtores conceituados Nigel Wright e Simon Cowell (que se tornou mais famoso ainda nos anos 2000 como jurado musical). 


Alison Jordan com Simon Cowell


Seu primeiro single, "Boy From New York City" (1992), alcançou a 21ª posição nas paradas britânicas. Logo depois, ela deixou a BMG. Seu segundo single, "Heart & Soul" (1993), foi financiado por seu pai.

Em 1995, Alison Jordan acabou entrando no grupo italiano Cappella, mas não antes sem ter que fazer diversas audições para conseguir tal vaga. A garota britânica deveria formar uma dupla com Patric Osborne, mas pouco antes do lançamento da música "Tell Me The Way", ele deixou o projeto. Os produtores então chamaram de volta o modelo Rod Bishop, que retornou para a formação e trabalhou ao lado de Alison como uma dupla.


No álbum "War In Heaven" do Cappella, Alison Jordan pode ser ouvida em alguns trechos das músicas, mas no álbum seguinte "The Cappella", ela não gravou nenhuma música e atuou apenas como uma modelo/figurante visual.

Naquele ano de 1996, o single de retorno do Cappella, "Tell Me the Way", alcançou o 17º lugar no Reino Unido. 

Em 1997 saíram as novas produções do Cappella, como "Be My Baby", mas Alison Jordan apenas foi a modelo visual nesta fase do projeto. Todas as músicas do novo disco foram gravadas pela excelente cantora escocesa Lorna Bannon, que já havia gravado para vários grupos de renome, como o Shakatak, além de alguns projetos de Eurodance com DJ Scott (feat Lorna B), o Sharada House Gang, com os produtores da Nicki French (Matt Aitken e Mike Stock), Anticappella, entre outros.

Após desfrutar de mais alguns anos de estrelato frente ao Cappella, Alison Jordan decidiu abandonar tudo, retornou ao seu país natal e não foi mais vista cantando nos estúdios/ palcos.

Ela disse ao site The Sun que se aposentou da cena musical para cuidar de seus dois filhos com o marido, Stephen Hedger, um conselheiro matrimonial especializado em "casais em crises". 


Alison Jordan atualmente: Partiu vender miçangas 

Em 2004, ela fundou uma revista mensal intitulada "The Paranormal News", voltado apenas a fenômenos e capacidades mentais que funcionam além das leis naturais e dos sentidos físicos, como a telepatia, a clarividência e a psicocinese. Música? Como dito anteriormente, jamais ela voltou a cantar ao público/comercialmente.

Alison Jordan então mudou seu nome para Cloé Hedger e agora trabalha como médium.

A ex-estrela do Cappella hoje tem 54 anos de idade, é dona de sua própria loja e também uma designer de joias. Ela lançou tutoriais de miçangas e criação de joias, entre outros produtos....além, é claro, de fazer leituras de tarô ao público - um hobby que ela tinha desde a sua época de Cappella (ela fazia leitura para seus dançarinos e amigos).

No Youtube você poderá encontrá-la falando sobre o mundo místico, lendo cartas e comentando sobre este universo.

Canal de Cloé Hedger no Youtube (Leitura de Tarôs): @bittervampire

Canal sobre suas bijuterias/ miçanças: @CloeHedgerBeadingTutorials

[Este último canal com mais de 549 mil inscritos]

E aqui neste pequeno vídeo, ela fala rapidamente sobre essa sua passagem no grupo de Eurodance:


"Ei, você sabia que eu era cantora antes de me tornar designer de joias e
YouTuber? 
Eu era a vocalista principal do grupo de eurodance Cappella. 
Depois de fazer turnês pelo mundo e alcançar o topo das paradas, comecei um novo capítulo:
lancei uma revista sobre o paranormal, que se tornou um sucesso global. Mas minha
jornada criativa não parou por aí. 
Hoje em dia, me dedico ao design e às joias, compartilhando meu amor por miçangas e pela criação de joias com mais de 400 mil inscritos no YouTube.
De música a revistas e joias, quem disse que você só pode ter uma paixão? Obrigada por fazer parte da minha jornada." - Cloé Hedger


Para ler mais sobre o grupo Cappella e ter acesso a sua história completa (ou quase): 

https://rikardomusic.blogspot.com/2026/04/cappella-gianfranco-bortolotti-detona.html


quinta-feira, 23 de abril de 2026

VICKI SHEPARD EM ENTREVISTA SOBRE O CAPPELLA

 VICKI SHEPARD, A CANTORA POR TRÁS DO SINGLE "U & ME" DO CAPPELLA

O que Vicki Shepard tem a dizer sobre o Cappella e o “roubo” de sua voz??

Vicky Shepherd não é nenhuma novata na indústria da música eletrônica. Infelizmente, junto com seu incrível talento, vieram terríveis injustiças na sua vida (conforme comentamos aqui no artigo especial sobre o projeto Cappella). 

Vicki Shepard não é uma cantora européia como vemos com frequência na Dance Music. Ela nasceu nos Estados Unidos e tem uma voz única e visceral, lançando alguns álbuns como "Somewhere", "All I Ask Of You" e "Never In A Million Years", que alcançaram o Top 10 nos EUA e o 1º lugar no Reino Unido em 1991 e 1992. 

Vicky concedeu uma entrevista ao site NAJM e falou publicamente (e pela primeira vez) sobre o que aconteceu com um sample contendo a sua voz que foi parar em “U & Me” do projeto italiano Cappella. A música em questão se tornou um sucesso internacional (alcançou excelentes posições nas paradas) e Vicky nunca recebeu qualquer reconhecimento ou compensação financeira.

Ao que entendi, essa entrevista foi publicada em 2022, mas não sei de fato quando foi concedida.Veja o link original disponível no final deste conteúdo.

Lembrando que o Blog não tem a intenção de prejudicar a imagem da modelo Kelly Overett, pois sabemos que ela fez um trabalho fascinante na representação das músicas do Cappella, porém, está havendo muita desinformação atualmente, especulações falsas que estão confundindo os novos fãs, então o Blog resolveu recapitular essa história cheia de segredos com a finalidade de colocar os definitivos “pingos nos is”. 

Respeitamos todos os modelos e suas importantes funções na Dance Music, mas sobretudo respeitamos a verdade, porque ela é ABSOLUTA e precisa ser enviada para as próximas gerações.

Boa leitura!

ENTREVISTA COM VICKI SHEPARD

NAJM: Pode nos contar um pouco sobre a sua experiência trabalhando com o grupo Cappella e a música "U & Me"?

Vicki Shepard: Esse é um negócio onde não existem leis. Acho que é isso que o torna tão aberto a coisas boas, mas também a tantas coisas ruins. As gravadoras raramente são transparentes. Talvez haja exceções. Mas comigo foi assim, não foram transparentes. Essa foi a minha experiência com a música "U & Me" do Cappella.

NAJM: Conte-nos com suas próprias palavras o que aconteceu?

Vicky Shepherd: Basicamente, o que aconteceu foi que paguei para produzirem uma música que foi escrita e produzida para mim. A música foi escrita em 1992, e eu a gravei em Nova York. Chamava-se "Love Has Changed My Mind". Levei essa música para a Inglaterra na minha última turnê com o Loading Bay. Eles me perguntaram se eu queria fazer algo com a música, e eu disse que não. Então, entrei em contato com a 3 Beat Music, e eles licenciaram a faixa por três anos. Íamos lançá-la como nosso primeiro single com eles. Cerca de um ano depois, um cara de Londres me ligou e disse: "Ouvi seu novo single, é incrível!"

NAJM: E a música era "U & Me" do Cappella ? Não foi negocioado com você?

Vicky Shepherd: Foi assim que conheci "U & Me". Liguei para a 3 Beat Music e perguntei se eles licenciaram a música. Eles insistiram que não tinham licenciado a faixa para a Media Records, a gravadora italiana que acabou produzindo "U & Me" do Cappella. Eles, por sua vez, tinham licenciado minha voz para a Inglaterra através da London Records, então fui até eles e disse: "Escutem! A) Esta é a minha voz ; B) Gostaria de promover esta música para vocês. Vamos trabalhar nisso juntos" Eles disseram: "Não, não é a sua voz".

NAJM: Uau!


"Trabalhei duro a vida inteira, mas quando finalmente a minha voz chega ao mundo, quem ganha os créditos é outra pessoa” - Vicki Shepard 


Vicki Shepherd: Meu marido é especialista em processamento digital de sinais, e eu posso mostrar o gráfico para vocês. Eu disse que posso provar, sem sombra de dúvida, que sou eu. Aí eles disseram: "Ok, é você ". Depois, disseram que me dariam os créditos de backing vocal, e só. Eu fiquei tipo: "Créditos de backing vocal? De jeito nenhum!" Essa é a minha voz. Pelo que eu sei, existem outras versões, das 12 ou 13 versões que eu ouvi da música, há outra voz, mas a maior parte da voz e todo o refrão são meus. 

NAJM: Você tem uma voz realmente singular.

Vicki Shepherd: É impossível não perceber. É tão típico. Se você já ouviu "Love Has Changed My Mind", sabe do que estou falando. Eles me deixaram completamente perplexa, eu fiquei furiosa. Contratei um advogado, o que foi outro fiasco! A indenização que me ofereceram era ridícula! Meu advogado disse: "Vou dar um jeito de você conseguir". Ele não conseguiu e me disse: "Não vá à imprensa", e essa foi a pior coisa que já fiz. Foi o meu maior erro. Quem quer que estivesse no vídeo, claramente não era eu. Se você ouvir a boca dela, vai saber que não era ela! (Ela se referiu a Kelly Overett). Tentei processá-los, mas as leis na Europa são péssimas. Eu não tinha direitos. Ainda estou tentando processá-los. Por um tempo, eu simplesmente desisti e disse: "Que se dane". Isso me deixou arrasada. Estou dedicando minha vida inteira a isso, e alguém rouba meu disco. Gravam uma música com a minha voz e ela chega ao top 10 em mais de 15 países. Se isso já não fosse de partir o coração!


Os modelos do Cappella e o single "U & Me": Clássico da Italo House!


NAJM: Tenho certeza de que você sabe que algo semelhante aconteceu com Martha Wash…

Vicki Shepard: Conversei com Stephen Brown, o advogado dela, que conseguiu todo o dinheiro e os contratos com as gravadoras para ela. O problema é que o single nunca foi lançado aqui nos Estados Unidos.

NAJM: Então, as leis de direitos autorais dos EUA não foram violadas porque nunca houve o lançamento deste single por aqui. Vocês não tinham poder de ação porque foi apenas um lançamento europeu?

Vicki Shepard: Correto.

NAJM: Lemos algo recentemente que dizia que, se você flagrar alguém copiando seu material no exterior, é quase impossível processar, porque as leis não cruzam fronteiras; as leis de direitos autorais são completamente diferentes de país para país.

Vicky Shepherd: Com certeza, e [a mulher que se fez passar pela cantora no disco] teve a audácia de ir ao Top of Pops em Londres! Isso me deixou arrasada. Era a oportunidade que eu buscava na Inglaterra, e ela chegou ao topo com a minha música e a minha voz.

NAJM: Então, claramente, ela estava fazendo playback?

Vicky Shepherd: Com certeza! Quando você está no auge da sua carreira, você tem que cantar ao vivo, mas você pode cantar por cima da sua própria faixa! Eu também a ouvi na Radio 1 tentando cantar uma música – e foi terrível, a voz dela era horrível. Me senti violada, completamente assassinada. Eles estão por aí trabalhando com a minha voz, ganhando muito dinheiro. Dá para ver que estou infeliz! Não é ridículo? É só olhar para o que aconteceu comigo (e o que continua acontecendo). As pessoas ouviram a minha voz não sabem quem sou eu. Elas nem fazem ideia. Isso me mata. A renda que perdi por si só já é crucial, mas o que realmente importa é pelo que trabalhei a vida toda – para ter um sucesso comercial. Eu tive, mas não leva meu nome, e eu nunca recebi um centavo da 3 Beat Music, nem mesmo pelo licenciamento original! Sim, eu paguei por toda a produção e pela composição da música original. Eu só licenciei a faixa para a 3 Beat por três anos. Isso foi em 1992. A 3 Beat lançou um vinil de 12 polegadas de "Love Has Changed My Mind ", aí eles licenciaram a faixa para a Media Records, na Itália. Eles tinham o direito legal de licenciá-la — só que me deviam passar 50% do valor, de acordo com o nosso contrato original. Além disso, quando você licencia uma faixa, precisa dar o nome da pessoa ou os créditos. Mais tarde, descobri que a 3 Beat Music tinha licenciado a música legalmente, mas eu nunca recebi o dinheiro. Não se trata apenas de eu ser anônimo; é como ser um cantor invisível. É muito frustrante.


Vicki Shepard com sua banda em registro um pouco mais recente


NAJM: Então, o que pode ser feito agora?

Vicki Shepard: Stephen Brown priorizou Loleatta Holloway e Martha Wash em seus cálculos . Agora ele está passando para outros artistas que escreveram músicas anos atrás, como Frankie Lemon.

NAJM: Isso é muito admirável, mas parece que as leis de direitos autorais dos EUA precisam ser alteradas para proteger o artista em territórios fora dos EUA .

Vicky Shepard: Há tantas pessoas talentosas em nosso ramo que estão perdendo seus tempos, porque suas músicas são plagiadas ou porque simplesmente nunca recebem a atenção musical que merecem... O que você achava que era "Cappella", na verdade sou eu, pelo menos em "U & Me".


FONTE: https://vk.com/@cappella-you-and-me