sábado, 13 de junho de 2026

QUEM É A CANTORA IVANA SPAGNA -"CALL ME"

IVANA SPAGNA - A LENDA DA ITALO DISCO

Hoje vamos falar sobre uma das primeiras loiras de Larry Pignagnoli, o produtor de Whigfield.

Ivana Spagna é uma cantora/compositora italiana que nasceu em 16 de dezembro de 1954, sendo mais conhecida simplesmente como Spagna. E sim, ela realmente é uma cantora. De verdade!

Spagna começou sua carreira cantando em inglês e, no início da década de 1980, forneceu seus vocais (com Angela Parisi) e escreveu singles para a famosa dupla Fun Fun, além de escrever para muitos outros projetos dançantes até 1986, quando embarcou em uma carreira solo.

Na música Italo Disco, Spagna ainda desempenhou vários papéis e um deles foi de ser a  vocalista e força criativa por trás do grupo italiano Baby's Gang. Embora a imagem do grupo fosse composta por treze adolescentes, Spagna foi quem conduziu os vocais, os arranjos vocais e fez grande parte das composições. O projeto também contou com o suporte vocal de outros jovens talentos, como Denise Bonfanti.

Para quem não sabe, Ivana Spagna foi produzida nos anos 80 por Larry Pignagnoli, o famoso produtor que trabalhou nos anos 90 com a cantora inglesa Annerley Gordon no projeto Whigfield

Como Ivana Spagna era a principal compositora e "voz fantasma" de vários projetos de estúdio da Itália nos anos 80 (como o grupo Fun Fun), o nome de Spagna frequentemente surge em debates de fãs e fóruns de música como a grande inspiração desse modelo de produção mascarada que deu vida à Whigfield.

Sua relação com a Eurodance tem mais um forte nome: Giorgio Spagna. Achou familiar? Totalmente! O cara é irmão dela, além de ser um dos produtores mais conhecidos da Eurodance. 

Giorgio Spagna, conhecido também como Theo Spagna, também esteve envolvido com Annerley Gordon e ajudou a compor o arrasa quarteirões "The Rhythm Of The Night" do projeto Corona, além de produzir a maravilhosa "Lady Don't Cry" do Red Velvet, que igualmente cantada pela talentosa Jenny B.

O single de estreia de Ivana Spagna, "Easy Lady", foi lançado em 1986 e se tornou um grande sucesso em toda a Europa, mas para chegar neste feito não foi nada fácil...

Em meados dos anos 80, Ivana Spagna e seu irmão Theo produziram "Easy Lady" de forma totalmente independente, em um estúdio minúsculo financiado por notas promissórias. Quando levaram a música para as grandes gravadoras italianas, ouviram o pior: os produtores riram e disseram que "uma cantora italiana que se chama Spagna (Espanha) e canta em inglês nunca faria sucesso".

Sem o apoio das rádios e gravadoras em seu próprio país, Spagna decidiu bancar a fabricação de uma tiragem baixíssima de vinis por conta própria. A magia aconteceu na hora de despachar essas cópias.

Uma pequena quantidade desses discos acabou sendo enviada de forma despretensiosa diretamente para a França, fazendo com que caíssem direto nas mãos de apenas dois DJs franceses influentes em uma rádio local. O que era para ser apenas um lote perdido virou uma febre instantânea. 

A música começou a tocar sem parar nas pistas e rádios francesas, gerando uma demanda absurda de 300 cópias por dia vindas da França para a pequena produtora da cantora. Quando o hit estourou naquele país e virou Disco de Platina, os mesmos executivos italianos que tinham fechado as portas ficaram desesperados! A CBS Records (atual Sony) correu para assinar um contrato internacional com ela. 

No verão de 1986, impulsionada pelo sucesso que "escapou" pelas fronteiras, Spagna voltou triunfante para a Itália, conquistando o topo das paradas e o famoso festival Festivalbar.

A música "Easy Love" foi definitivamente a que marcou a transição de Ivana Spagna de artista dos bastidores para estrela internacional, impulsionada por este erro de distribuição que transformou a faixa em uma febre européia em 1986. 

Já em 1987, foi a vez de Spagna lançar "Call Me", que foi muito mais popular ainda! A faixa alcançou o topo da parada European Hot 100 Singles, chegou ao segundo lugar na Itália e na parada de singles do Reino Unido, além de alcançar o 13º lugar na parada US Hot Dance Club Play

Sem dúvidas, "Call Me" é o seu maior hít comercial, sendo uma explosão instantânea de brilho e glamour até os dias de hoje. A canção começa com uma bateria de metais potente, antes de Spagna mergulhar no refrão, reproduzido com toda a sua força e empolgação. 

O verdadeiro charme de "Call Me" reside na instrumentação extravagante da faixa, combinada com os vocais suplicantes da estrela, resultando em um sucesso contagiante que faz você se mexer automaticamente!


OUTRAS MÚSICAS DE IVANA SPAGNA PARA VOCÊ "GARIMPAR"

"Dance Dance Dance" (1987): Canção que venceu o famoso festival de verão europeu Festivalbar.

"Il Cerchio della Vita" (1994): Versão oficial em italiano gravada pela Spagna a convite de Elton John para a sua trilha sonora do filme da Disney "O Rei Leão".

"Gente come noi" (1995): Música que marcou seu retorno triunfal cantando em italiano e conquistou o 3º lugar no prestigiado Festival de Sanremo.


17 ALBUNS E CARREIRA COM MAIS DE 50 ANOS

O álbum de estreia da loira ganhou o título de "Dedicated to the Moon" (1986) e vendeu mais de 500.000 cópias. 

Ao longo de sua trajetória, a artista lançou 17 álbuns de estúdio. Sua carreira profissional começou oficialmente em 1971 - o ano em que nascia a modelo Sannie Charlotte Carlson, acumulando exatamente 55 anos de carreira até o ano de 2026.

Além dos 17 álbuns de estúdio de sua carreira solo (que passeiam pelo pop, italo disco e baladas romanticas), sua discografia completa conta ainda com mais de 13 coletâneas no estilo "The Best of" e mais de 50 singles oficiais. Embora tenha competido em pequenos festivais locais desde o fim da década de 1960, seu primeiro registro profissional foi em 1971, quando assinou com a gravadora italiana Dischi Ricordi e lançou sua primeira música "Mamy Blue".


AS POLÊMICAS DE SPAGNA

A carreira da cantora Ivana Spagna foi marcada por muito sucesso, mas também por polêmicas intensas, que a envolveram desde alegações de plágio até visões sobrenaturais e batalhas judiciais com uma sósia.

As Acusações de Plágio 

Spagna participou várias vezes do prestigiado Festival de Sanremo, e em mais de uma ocasião suas músicas foram alvo de grandes debates midiáticos.

"Gente come noi" (1995): Em sua estreia no festival (onde conquistou o terceiro lugar), a imprensa e o programa satírico "Striscia la Notizia" apontaram uma forte semelhança entre a melodia de sua música e o clássico de Natal "Last Christmas" da dupla britânica Wham!. Embora Spagna tenha negado o plágio, o caso gerou enorme repercussão na Itália.

"Siamo noi" (1998) e "Con il tuo nome" (2000): Nessas edições, Spagna voltou a ser alvo de acusações parecidas por programas de TV que buscavam semelhanças com outras composições, tornando as discussões sobre direitos autorais um tema recorrente em suas participações.


Visões de Fantasmas e Depressão

Ivana Spagna chocou o público e dividiu opiniões ao dar entrevistas extremamente sinceras na televisão italiana (como nos programas "Pomeriggio Cinque" e "Belve") revelando detalhes de sua vida espiritual. A cantora afirmou publicamente que vê fantasmas e conversa com os mortos, além de ter sonhos premonitórios muito claros.

Quanto a sua depressão, tudo teve início no ano de 1997, quando Spagna engravidou e em seguida sofreu um aborto espontâneo. Esse trauma ocorreu exatamente no mesmo período em que a cantora passava pelo luto da morte da mãe, sendo uma combinação de duas perdas e fazendo a artista mergulhar em uma depressão severa.

Após o ocorrido, ela não conseguiu engravidar novamente, portanto, a loira não tem filhos. Em entrevistas à imprensa italiana, Spagna já declarou que não ter tido filhos é uma dor que a acompanhou por toda a vida.


Amor aos Animais

Atualmente, Spagna canaliza muito do seu instinto de cuidado para os animais, declarando abertamente o seu amor por gatos e dedicando-se à causa da proteção de animais abandonados.

Spagna também revelou que, após a morte de sua mãe, chegou a planejar o próprio suicídio, sendo salva no último instante pelo choro de sua gata de estimação. A revelação chocou os fãs pela crueza dos detalhes.


Batalha Judicial de 20 Anos contra uma Sósia

Uma das histórias mais comentadas de sua carreira foi o processo contra uma cantora chamada "Wanda". 

Spagna descobriu que essa sósia estava se apresentando publicamente fingindo ser ela. O conflito escalou quando Spagna alegou que a mulher teria passado por cirurgias plásticas para se parecer intencionalmente com ela e fechar contratos de shows enganando o público. 

A briga na Justiça por danos de imagem durou quase duas décadas, terminando em um acordo de paz nos tribunais apenas em 2016.


 A Relação com a Cirurgia Plástica

Diferente de muitas celebridades que escondem seus procedimentos estéticos, Spagna causou polêmica pela honestidade brutal sobre suas intervenções. Ela admitiu abertamente ter feito inúmeras cirurgias faciais, incluindo uma rinoplastia ainda nos anos 80 porque detestava seu nariz original. 

Suas constantes mudanças no visual frequentemente atraem críticas duras da mídia conservadora italiana e dividem os fãs.


O Dueto em Protesto com Loredana Bertè (2008)

No Festival de Sanremo de 2008, Spagna se envolveu indiretamente em uma das maiores confusões da história do evento. 

Ela aceitou fazer um dueto com a cantora Loredana Bertè na música "Musica e parole". No entanto, a música de Bertè foi desclassificada do festival logo no início após a descoberta de que não era inédita.

Em sinal de protesto, Bertè subiu ao palco algemada para cantar ao lado de Spagna em uma apresentação memorável e altamente controversa que quebrou os protocolos da TV estatal Rai.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ivana Spagna moldou as pistas de dança, mas o que realmente solidifica seu legado é a sua postura sem filtros. Enquanto muitos artistas se escondem atrás de personagens, Spagna sempre optou pela sinceridade em suas falas e atitudes, encarando a fama e a indústria com uma transparência rara. Unir um talento composicional avassalador a uma personalidade tão real é o que faz suas músicas ecoarem até hoje. Ela não precisou de máscaras para reinar; bastou sua verdade.

domingo, 31 de maio de 2026

MESOPOTAMIA - "VAFFANCULO" (1994)

MESOPOTAMIA - "VAFFANCULO" (1994)

Mesopotamia - "Vaffanculo": A Eurodance sem filtro feita para lavar a alma na pista de dança!

Se você viveu a cultura clubber dos anos 90, é impossível não ter a mente invadida pelo eco de uma das expressões mais audaciosas da Dance Music daquele período. 

O ano era 1996, e o projeto Mesopotamia alcançava o topo das paradas com "Vaffanculo", uma releitura eletrônica que quebrou barreiras linguísticas e geográficas. Três décadas depois, trazemos algumas curiosidades sobre essa obra-prima das pistas. Conversamos também com a cantora por trás do microfone para entender o impacto, o mistério e o legado cultural de um projeto que marcou aquela geração. 

Boa leitura à todos!


O INÍCIO DO MESOPOTAMIA

Linda Ray foi o embrião para o Mesopotamia...

"Vaffanculo", do projeto Mesopotamia, é uma releitura em ritmo dance de um grande sucesso de 1993 do cantor italiano Marco Masini. Essa roupagem dançante foi desenvolvida pelo trio de produtores italianos Cristiano Trabujo, Giuliano Rame e Mr Pozzo, conhecidos pela alcunha de Hutenti. Originalmente, a faixa foi lançada em 1993 pelo selo DIG IT sob o nome de projeto Linda Ray, trazendo vocais em inglês e batizada com o título "I Don't Want You"

O refrão? Foi mantido em italiano:


Linda Ray - "I Don't Want You" (1993)

No ano seguinte, em 1994, os mesmos produtores decidiram retrabalhar a faixa. Dessa vez, a formação sofreu uma alteração: Mr Pozzo deixou o trio, dando lugar a Peter Valdi, enquanto a vocalista original do projeto "Linda Ray" foi mantida. 

Ocorreu também uma modificação crucial na letra, que foi reescrita em espanhol, preservando apenas o refrão em italiano. Lançada com o título original "Vaffanculo", a obra marcou a estreia do projeto Mesopotamia. Foi justamente a partir desse momento que a envolvente faixa desembarcou no mercado brasileiro, sob o selo da Building Records


Mesopotamia – "Vaffanculo" (1994)

Apesar de ser uma música de 1994, a versão do Mesopotamia começou a se destacar aqui no Brasil apenas em agosto de 1996, talvez devido ao atraso da Building Records em licenciá-la. Foi também neste mês de agosto que seu single foi indicado na coluna de lançamentos "Dance Floor" da revista brasileira DJ Sound (nª67, com a Lina Santiago na capa). 

Lembro ainda que "Vaffanculo" do Mesopotamia se tornou a primeira música da Building Records que me chamou a atenção nos anos 90, além de me fazer interessar pela primeira vez em comprar alguma coletânea da empresa (CD "Maxi Pan"). 

Sem dúvidas, Mesopotamia - "Vaffanculo" foi um marco para a gravadora Building Records, sendo um de seus primeiros sucessos comerciais.


Mesopotamia e sua "Vaffanculo" sendo indicada na coluna de lançamentos da revista brasileira DJ Sound (nº67, Agosto/1996)

Agradando aos DJ's e consequentemente o público jovem da época, "Vaffanculo" atingiu o seu pico de popularidade no Brasil em torno de setembro/novembro de 1996, sendo muito disputada nas pistas de dança e também nas estações de rádio. 

A rede Jovem Pan Sat foi uma das principais responsáveis por massificar a faixa no país, tocando-a exaustivamente em seus programas consagrados como "As Sete Melhores" e "Ritmo da Noite". No extinto "Torpedo da Pan", a música era uma espécie de jingle comercial nesta atração dominical (comandada por Adriane Galisteu e Luciano Huck). Outras rádios, como a 97 FM, Metropolitana FM e a Nova FM também promoveram esse hit do Mesopotamia com bastante força em suas programações. 

Quanto às compilações que esquentavam as lojas de CDs, a faixa esteve presente nos CDs "Maxi Pan", "Moinho Santo Antonio" e "Sucesso Das Pistas", todos lançados exclusivamente pela Building Records.


Sucesso total nas rádios em outubro de 1996

Ainda que o sucesso fosse visível no mercado brasileiro, o single do Mesopotamia - "Vaffanculo" só saiu em um vinil lançado na Espanha, pela Boy Records. Nesta mesma edição há ainda aquela primeira versão em inglês que ficou conhecida como Linda Ray - "I Don't Want You", que apesar de interessante, não soa tão legal quanto a espanhola.

O grande charme de "Vaffanculo" está exatamente no contraste de sua base alegre e dançante com a entrega dramática do vocal, porém, a versão em inglês me parece mais "engessada". Já a em espanhol é ótima, tem mais brilho, soa mais à vontade, a letra se encaixa perfeitamente com a melodia e o ritmo da música.


Os hits que tocavam na Nova FM... 
E claro, Mesopotamia também estava lá...(outubro/1996)


'VAFFANCULO': O PALAVRÃO QUE NEM TODOS ENTENDERAM

Na época do sucesso de "Vaffanculo", eu nem imaginava que se tratava de uma regravação, muito menos o real significado do seu refrão em italiano. Para mim, era apenas uma eurodance que soava agradável e com atmosfera romântica. No entanto, o refrão carrega um palavrão pesado na Itália (equivalente ao "f*ck you"). Chega a ser insólito, pois a melodia é linda e a vibe da canção é emocionante, tornando imperceptível que há uma ofensa ali no meio, onde a vocalista manda alguém para "aquele lugar" (hahaha). De qualquer forma, a produção como um todo é magnífica, envolvente e conta com vocais maduros e eficientes. A cantora inicia em um tom mais baixo e, gradualmente, ganha força até atingir um ápice carregado de exaltação e fúria.

A faixa transborda qualidade sonora, instrumentais cativantes e elementos harmoniosos, coroada pelo vocal simplesmente deslumbrante da artista. Fica evidente que ela possui um dom genuíno e domina a arte de cantar, distanciando-se de intérpretes pop genéricas que dependem de polêmicas ou letras vulgares para atrair holofotes. Quem dera se as músicas atuais que usam profanidades fossem musicalmente agradáveis como essa, né?


Limelight - SP: Só dava "Vaffanculo"! (outubro/1996)

"Vaffanculo" começa com uma introdução melódica de sintetizadores e nos segundos seguintes transmite a sensação de alguém que está "chutando o balde". A letra dessa versão em espanhol é também diferente da original, pois o cantor Marco Masini fez um desabafo sobre a indústria musical em sua letra em italiano, citando também o preconceito dos executivos que ditavam as regras do mercado, então ele expôs a sua recusa em se submeter às expectativas da indústria e da mídia. 

Já a versão do Mesopotamia foi alterada e é voltada mais sobre uma desilusão amorosa, um relacionamento onde há dúvidas, desconfiança e o sentimento de estar preso a uma dinâmica artificial. 


Marco Masini - "Vaffanculo" (1993)
"Somos todos conformistas disfarçados de rebeldes."
A energia caótica e libertadora de cantar do hino original italiano de 1993

Resumindo: O termo "Vaffanculo" é um palavrão italiano que foi usado como um grito de libertação e revolta em ambas as versões, contudo, na original o eu-lírico canta contra seus críticos e detratores. Já na versão do Mesopotamia, a vocalista canta também como um desabafo, mas colocando um "basta definitivo" em seu relacionamento amoroso.

Sobre a mulher que gravou com sua voz emocionante para o Mesopotamia, ela sempre foi um mistério aos amantes da Eurodance, pois, assim como em muitas produções do gênero, infelizmente ela não foi creditada no projeto. Mas, podemos dizer que isso já é passado, visto que o nosso amigo DJ Nill Rogger conseguiu desvendar esse "quebra-cabeça" e nos trouxe a identidade desta fantástica intérprete:


TIZIANA NEGRELLO - A VOCALISTA DE "VAFFANCULO" (MESOPOTAMIA)

Soltando o verbo (e o "Vaffanculo") direto do túnel do tempo! 

O nome dela é Tiziana Negrello e nasceu em Rovigo, Itália, em 7 de fevereiro de 1963. Antes de gravar para o Linda Ray/Mesopotamia, a cantora já havia gravado outros discos e compartilhava uma certa experiência nos estúdios e palcos. Seu primeiro álbum foi lançado em 1975 - "Nuda è la terra", quando tinha apenas 12 anos de idade. 

Em 1986, aos 23 anos, ela teve o seu maior sucesso na Europa com o clássico cult da Italo Disco "Tell Me Why", lançado com o pseudônimo de Virgin

Hoje aos seus 63 anos, Tiziana continua gravando e também é uma professora de canto. Tive a honra de conversar com essa maravilhosa artista sobre o clássico "Vaffanculo", então ela generosamente compartilhou com o Blog alguns detalhes sobre esse hit que nos encantou em 1996, exatamente há três décadas:


Anos 90, um microfone e a coragem de cantar o que todo mundo queria dizer

Oi Tiziana, o DJ Nill Rogger descobriu que você gravou a faixa "Vaffanculo" do Mesopotamia, então achei muito válido informar também aos demais fãs brasileiros da Eurodance sobre a sua colaboração na música. É verdade que você é a cantora deste sucesso dos anos 90? Você se lembra dos bastidores?

Oi, Rikardo! Sim, eu gravei. Muitos anos se passaram, lembro que ela foi encomendada por três caras e foi gravada por mim. Desculpe, mas não me lembro dos nomes deles. Lembro que a gravadora era a DIG IT INTERNATIONAL, em Milão. Mas eu nunca ouvi falar no nome "Mesopotamia". Suponho que tenha sido dado depois, para outros fins.


Tiziana Negrello: "Os produtores cancelaram a minha existência completamente..."

Você sabia que essa música foi um sucesso aqui no Brasil? Tocava muito nas rádios, clubs, entrou em CDs de coletâneas, sempre estava nos charts daqui...

Eu realmente não sabia dessas informações, não sabia que essa música tinha feito sucesso aí! E ninguém me disse nada a respeito. Eu tinha me esquecido completamente de ter gravado a versão em espanhol!!!! Não lembrava dessa versão. Inacreditável! 'Vaffanculo' foi ideia de três pessoas de Vicenza, Itália. Tudo era tão rápido e frio naquela época. Eu estava tentando alcançar meu futuro como uma boa cantora, mas... Eles não permitiram, né?


Tiziana Negrello com Gazebo, dois ícones da Italo Disco

Você se lembra de mais detalhes em torno dessa música?

Lembro que gravei em dois lugares diferentes. Uma versão foi em Vicenza, com o Borrillo (Roby Borillo, do grupo Los Locos), e a outra versão foi no estúdio do Nicolosi (grupo Novecento) em Milão.

As duas faixas foram gravadas em 1993, ou a versão em espanhol foi gravada em 1994?

Acho que foi em 1993. Todas as versões, eu acho. Porque fui a Milão para gravar a versão em inglês e, pouco tempo depois, gravei outra com o Borrillo em Vicenza, por recomendação da DIG IT Int. Difícil de lembrar, Rik! 

Você gravou "Tell Me Why" (1986) para o projeto Virgin, que é um clássico da Ítalo Disco, mas na capa do disco... é você ou uma outra pessoa?

Sim, eu gravei no estúdio, e a letra de "Tell Me Why" também é minha. Na capa não sou eu, é uma modelo. Sabe, aos 23 anos eu não era feia, mas era a tendência daquela época, então eles colocavam essas modelos nas capas dos discos.


A primeira vez no palco de Tiziana Negrello, quando ela tinha apenas 11 anos de idade (setembro de 1974)

Você tem uma voz encantadora que nos prende e nos emociona... Você já gravou para mais projetos similares ao Mesopotamia?

MUITO OBRIGADO!!! Nasci com essa voz. É um dom maravilhoso que foi me dado. Eu lancei também algumas músicas com meu nome verdadeiro, mas quanto as músicas gravadas para produtores dance, eu nunca ouvi falar nada sobre o rumo desses discos. Foi uma enorme ilusão para mim. Sabe? Eles cancelaram minha existência completamente (talvez por causa da minha extrema confiabilidade??), então busquei outros caminhos. Gravei em 2023, na Holanda (com I Venti d'azzurro), o álbum "Let's Dance", sob o nome de Virgin. E agora estou aguardando o lançamento do novo disco, produzido na Finlândia por Kimmo Salo. 

É uma pena... você tem tanto potencial...

É, esse foi o grande sofrimento da minha vida.

Para terminar, você gravou "Vaffanculo" e essa música fez sucesso aqui no Brasil. Trinta anos depois, para quem você diria "Vaffanculo"??

Hahaha, a todos aqueles que me fizeram sofrer ao longo de todos esses anos, sobretudo na música. Um grande abraço para todos vocês, de todo o meu coração!!!




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de ser considerada um clássico do tipo "Lado B", "Vaffanculo" do Mesopotamia marcou profundamente a nossa geração que ouvia as novidades nas FM's e frequentava as danceterias em meados dos anos 90. 

Quando pensamos na obra original de Marco Masini, lembramos de seu manifesto visceral contra os engravatados da indústria que tentaram domesticar sua arte. A canção é a catarse do artista que se recusa a ser um mero produto, mas, ironicamente, a vida meio que imita a arte quando traçamos esse paralelo marcante com a história da cantora Tiziana Negrello. Até na versão cantada por ela, há um trecho em que o eu lírico não está mais disposto em aceitar "ilusões e mentiras" e "quer outras dimensões", algo muito semelhante que ficou evidenciado na entrevista, quando a intérprete afirma que foi uma grande ilusão trabalhar com estes produtores de "Vaffanculo" e que ainda "teve que buscar por outros caminhos".

Todas as sensações que a música nos causou (e continua nos causando) e grande parte de seu sucesso se devem muito ao talento vocal desta grande artista, mas seu nome foi excluído da versão dance, e em todos estes anos ela não obteve nenhum reconhecimento por este seu fascinante trabalho que marcou nossas juventudes. 

Irônico e injusto são as palavras.


AGRADECIMENTOS

Muito obrigado à Tiziana Negrello pela rápida conversa; e também ao Nill Rogger, por descobrir a identidade da cantora de "Vaffanculo".

                                                                            

domingo, 17 de maio de 2026

DWA/EXTRAVAGANZA - A HISTÓRIA DA EURODANCE

 O INÍCIO DA DWA E A RECENTE VENDA DE SEU CATÁLOGO DE EURODANCE PARA A WARNER

Roberto Zanetti foi o fundador da DWA e criador de inúmeros híts 

Roberto Zanetti nasceu em Massa, no dia 28 de novembro de 1956. Aos quatorze anos, começou a estudar piano e logo se apaixonou pela música. Naquele momento, percebeu que a música seria o foco de sua futura carreira.

Durante o ensino médio, Roberto tocou em grupos musicais antes de entrar para a universidade. O trabalho com diferentes grupos tornou-se tão importante para ele que Roberto decidiu seguir carreira musical. Como resultado, ele formou um grupo profissional chamado Taxi, no qual Zucchero Fornaciari tocava guitarra.

Foi nessa época que Roberto começou a compor músicas – inicialmente em um estilo melódico e comercial – e mais tarde mudou para a “Italo Disco”.

Em 1983, ele gravou o primeiro single de seu grupo Taxi, chamado "To Miami". A música se tornou um sucesso local (foi lançada apenas na Itália central) e abriu caminho para uma outra canção, chamada "Angelica", de Joey Moon.

Após essas experiências, Roberto foi contatado por dois DJs e juntos produziram “Incantation” de Gang.

Esta música – uma versão cover de uma canção de Mike Oldfield – fez sucesso na Itália e foi o início de uma colaboração com a Discomagic de Severo Lombardoni, que a distribuiu e se tornou parceira de Roberto Zanetti em seus lançamentos iniciais. 

De outubro a novembro de 1983, Roberto produziu mais quatro músicas: “Buenas Noches”, de Kamillo; “Starman”, de Claudio Mingardi; “Magic Carillon”, de Rose; e “Don't Cry Tonight”, lançada no final de 1983 com o pseudônimo de Savage, e que marcou a sua carreira. Essa música foi o primeiro grande sucesso de Roberto. Nesse meio tempo, ele decidiu adotar o nome artístico “ROBYX”, utilizando-o como produtor (ele achou melhor organizar suas carreiras, já que era um cantor e também produtor para outros cantarem).

"Don't Cry Tonight" de Savage tornou-se um grande sucesso em toda a Europa e foi remixada inúmeras vezes. A popularidade deste single foi tão grande que Savage decidiu seguir com outros singles para o projeto, e no mesmo ano de 1983, gravou sua próxima faixa, que seguia o mesmo estilo da anterior…. Era "Only You"

Esse segundo single do Savage tornou-se um clássico da Italo Disco (de batida mais lenta), resultando no lançamento de seu primeiro álbum, "Tonight".

Quanto a este seu nome artístico, surgiu na escola, quando Roberto desenhava histórias em quadrinhos com seu amigo Fabrizio Bonini. Um de seus personagens desenhados era um roqueiro rico, famoso, e levava esse nome: "Savage".


Savage é o projeto onde Roberto Zanetti compõe e canta

Nos anos seguintes (1984-1986), Roberto continuou dedicando-se ao seu projeto Savage, então trabalhou na divulgação do seu álbum "Tonight" e fez os lançamentos de seus outros singles, como "Celebration", "Radio", "A Love Again", "Love Is Death", "Loosing You" e "Goodbye". Nessa época, sua única produção (além do álbum "Savage") foi "Life Is Life", de Stargo. Essa música era uma versão dance do famoso grupo Opus. A versão de Roberto alcançou o topo das paradas francesas, conquistando um disco de ouro por 250.000 cópias vendidas.

Como era o intérprete do Savage, cantando todas as músicas, Roberto começou a concentrar seu trabalho em shows e turnês por toda a Europa, tornando-se uma estrela conhecida em alguns países do Leste Europeu, como Polônia e Rússia.

No final de 1986, Roberto decidiu criar seu próprio estúdio de gravação, chamado Casa Blanca Recordings, onde também ficava a sede de sua produtora, denominada “Robyx” (Todos os discos anteriores foram gravados em um estúdio italiano chamado Scacomatto)

Roberto começou sua carreira como produtor autodidata. Como tecladista, aprendeu rapidamente a utilizar computadores e equipamentos digitais, que logo se tornaram a base da música eletrônica.

Uma das etapas mais significativas desse progresso tecnológico foi marcada pelo fato de sua empresa ter sido uma das pioneiras no uso das baterias eletrônicas Linn Drums em 1984, do sintetizador Yamaha DX7 em 1984 e dos computadores Roland MC 700/500 em 1985.

Entre os primeiros projetos realizados no novo estúdio de gravação, está o House-Fever. Pois é, o gênero House Music começava a invadir o mundo com suas produções altamente dançantes, causando grande sensação no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas ainda não havia chegado à Itália. Nesse percurso, Roberto conheceu a música “The Party” do grupo Craze e decidiu fazer uma versão cover em italiano com uma letra espirituosa, nascendo então a canção “Non Toccarmi Il Culo Dai”, que imediatamente se tornou um sucesso imitado por Salvi com “A Car Needs To Be Moved”. Este foi, sem dúvidas, um período de transição no mundo da música, então sai a Italo Disco e a Eurodance começa a dar seus primeiros passos…

Em apenas alguns meses, Roberto lançou cerca de 10 discos desse gênero. O sucesso foi tão grande que ele vendeu 200 mil cópias. Um número enorme para o mercado italiano!


O INÍCIO DOS PROJETOS 'DANCE': ICE MC, CORONA, DOUBLE YOU

Em 1988, Robyx iniciou um novo projeto, da qual se previa que se tornaria um grande sucesso internacional. Era o “ICE MC”

A origem deste projeto foi um tanto peculiar: Roberto compôs uma música para si mesmo, que também cantava. Posteriormente, decidiu eliminar a letra dos versos e substituí-la por rap. Para isso, convidou Ian Campbell, um britânico de origem jamaicana, para ser o rapper, que antes trabalhava como dançarino de discoteca. Dessa forma, Roberto compôs a música “Easy”, que se tornou um grande sucesso em toda a Europa.


Ice MC foi destaque em toda a Europa e sua fama chegou também ao Brasil

Apesar de cantar todas as partes vocais, com exceção do rap, Roberto decidiu não participar ativamente do grupo, mas a sua voz continuou num pequeno trecho dessa música, na parte que ouvimos no refrão “Easy To Remember”. Sim, essa voz é dele, apesar de estar sem os créditos no disco. O grupo passou então a existir oficialmente como conhecemos: Ice Mc.

Além disso, os singles “Scream” e “Cinema” se tornaram grandes sucessos, assim como o álbum que incluía essas duas músicas. Os gritos femininos que ouvimos em “Scream” são de Vivianne Zanetti, a irmã do próprio Roberto. Na época, Vivianne trabalhava no escritório da DWA, mas também era uma boa cantora e, às vezes, era gravada pelo irmão. Já alguns vocais masculinos são de Roberto, enquanto que os backing vocals são de Alessia Aquilani, que se tornaria conhecida futuramente como Alexia. Aliás,Vivianne Zanetti foi quem conheceu a Alexia primeiramente, e depois acabou apresentando-a ao irmão. 

A demanda por Ice MC começou a crescer em todo o mundo, e o grupo decidiu sair em turnê. Enquanto Ian Campbell viajava, fazendo shows e promovendo sua imagem, Roberto cuidava da organização e da composição de novas músicas. Robyx dedicou toda a sua energia ao projeto Ice MC, pois podia considerá-lo seu.

Por volta de 1990, Robyx lançou apenas alguns discos, além dos materiais do Ice MC. O mais significativos foram: “Pianonegro” de Pianonegro, “Party Children” de Wareband Feat. Tad Robinson e “Vocalize” de Scatt.

Em 1990, o Robyx conheceu por acaso o grupo Double You e uma colaboração emocionante começou, resultando no single “Please Don't Go”.

Nessa ocasião também, a intuição de Roberto provou que ele estava certo, quando lançou um novo estilo chamado “Covermania”, posteriormente seguido e copiado por muitos outros na Europa.

O lançamento da música “Please Don't Go” tornou-se um sucesso instantâneo, sendo uma daquelas canções que sobem nas paradas sem a ajuda de qualquer publicidade específica. Na Inglaterra, essa música chamou a atenção de uma gravadora de música eletrônica, conhecida como Network. Eles solicitaram a licença para lançar a música no Reino Unido. A resposta de Robyx foi negativa, porque outra empresa naquele país já possuía a permissão. Mesmo assim, isso não impediu a Network de fazer uma cópia de “Please Don't Go”.


Double You sofre golpe dos ingleses

A versão cantada pelo projeto inglês KWS alcançou o topo das paradas musicais inglesas, graças à conduta incorreta do distribuidor (Ele era o editor de ambas as versões do grupo, Double You e KWS, apoiando apenas a última).

Mais tarde, a DWA venceu um processo judicial contra a Network, que foi condenada a pagar uma indenização. Foi impossível avaliar o valor da multa, considerando o sucesso da KWS tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. No entanto, o Double You triunfou no resto do mundo.

Depois disso, a empresa Robyx produziu outros grandes sucessos, enquanto o grupo KWS e a gravadora Network desapareceram do mercado.

Naquela época, o KC & The Sunshine Band, da original “Please Don't Go”, também estava interessado na empresa de Robyx e de firmar uma parceria.

Certo dia, ele decidiu visitar a Itália para gravar um álbum, que foi produzido por Robyx.


KC & The Sunchine Band grava com Double You, e a DWA também fez novos remixes para “Give It Up”, que foi lançado em vinil com 4 versões, em 1993.

Quanto ao Netzwerk, muitos pensam que foi produzido pessoalmente também por Robyx, mas na verdade, ele era apenas o dono da gravadora, e não necessariamente assinava tal produção musical. O time de produção oficial era composto pelos produtores e músicos Fulvio Perniola, Gianni Bini, Marco Galeotti e Maurizio Tognarelli, mas todos grandes parceiros da DWA, além de possuir até hoje um vínculo de amizade com Zanetti. A marca DWA estava impressa no Netzwerk pois foi lançado e gerenciado pela empresa de Robyx, então compartilhava a mesma estrutura de estúdio e as mesmas vocalistas que Robyx utilizava em suas próprias produções.

Entre 1992 e 1993, Roberto mudou-se para uma nova sede e, com seu novo estúdio, ele inaugurou uma série interminável de sucessos, como os de Ice MC e Corona. Foi também no novo estúdio que ele criou o som único “DWA”, que foi copiado por muitas outras gravadoras nos anos seguintes.

O primeiro sucesso dessa leva foi “The Rhythm Of The Night” (1993) de Corona. Nessa música, Robyx deu algumas sugestões ao produtor Francesco Bontempi e foi somente a partir do segundo single, “Baby Baby” (1995), que Roberto se tornou uma parte muito importante do projeto, fazendo mixagens e contribuindo ativamente na criação de todas as músicas. 


DJ BoBo e Robyx (ao fundo)

O caso do DJ BoBo é um pouco semelhante com o caso do Netzwerk, ou seja, não era um grupo produzido por Robyx, mas seus primeiros singles (que eram produzidos pela Fresh Records) passaram também a serem representados pela DWA.

Tudo começou quando DJ BoBo conheceu o produtor Robyx durante a edição de 1993 da MIDEM, a famosa feira e convenção internacional de música realizada anualmente em Cannes, na França. Na feira, a equipe do DJ BoBo (que incluía o gerente Oliver Imfeld e o produtor suíço Gutze Gautschi) estava promovendo uma faixa dançante recém-lançada chamada "Somebody Dance With Me". Robyx ouviu a música, adorou a pegada e viu um enorme potencial comercial, então ele abordou a equipe do DJ BoBo para negociar o seu licenciamento e lançá-la na Itália e em vários outros territórios ao redor do mundo, e assim, o lançamento internacional ocorreu e estourou conforme sua previsão. 

A partir desse primeiro contato de sucesso com a DWA, Robyx e sua equipe lançaram outros primeiros híts de DJ BoBo, como “Take Control”, “Everybody” e “There Is A Party”

Inclusive, por volta de 1994, eu achava que DJ BoBo era italiano e integrante oficial da DWA, ao lado de Double You, Corona e Ice MC, por vê-lo sempre nas coletâneas da Spotlight ao lado destes artistas e projetos italianos. Aqui no Brasil, por exemplo, o artista suíço ficou conhecido nessa época pois seus fonogramas estavam nas mãos da DWA/Robyx, que trouxe na mesma mala, para a gravadora brasileira Spotlight, seus singles juntamente com os singles de Double You, Corona e Ice Mc.

Em uma entrevista ao fan-site húngaro de DJ Bobo, o produtor suíço Gutze Gautschi rasgou elogios para Roberto Zanetti/Robyx, e explicou melhor como a parceria entre eles aconteceu:

“Como isso aconteceu? Em 1993, estávamos na feira de música em Cannes (França). Todos os anos, a cena musical do mundo todo se encontra lá. Conhecemos o Robyx lá também. Ele veio até a nós, demonstrou interesse na nossa música ("Somebody Dance With Me") e nos perguntou sobre a licença para o lançamento na Itália e em outros países. Como resultado, negociamos um contrato. Naquela época, eu também queria fazer um remix de "Somebody Dance With Me" e "Keep On Dancing" e perguntei ao Robyx se ele estaria interessado. Ele concordou e, então, passamos de três a quatro dias na Itália, no estúdio dele, onde os remixes foram produzidos. Além disso, acho que ele é um dos produtores mais brilhantes e, apesar de tudo, continua humilde. Ele não tem nenhuma pretensão e, acima de tudo, é uma pessoa muito tranquila. Nos encontramos algumas vezes em Lugano a negócios. Hoje não nos vemos mais, mas nunca se sabe.”

A foto acima (com Robyx e DJ BoBo juntos) foi justamente tirada nessa época, em 1993, durante uma apresentação em Cannes. 


Ice Mc e sua backing vocal (Alexia) vendo se vai chover (só se for chuva de sucessos)


Em suas produções próprias que estavam sendo criadas em 1994, como “Think About The Away” e “It's A Rainy Day” de Ice MC, Roberto Zanetti buscava uma nova sonoridade. Novos sons e elementos então passaram a caracterizar a Eurodance, sendo utilizados pela primeira vez nessas músicas. A vocalista Simone Jackson, que mais tarde se tornaria conhecida na Eurodance como Simone Jay, também trabalhou com Ice Mc (além de Alexia) e gravou a agitada “Take Away The Colour”, sendo mais um single bem sucedido do rapper.

Em 1994, houve também o lançamento de "Run To Me" do Double You, um estouro nas pistas de dança e rádios que tocavam a legítima Eurodance! 

"Run to Me" foi lançada oficialmente no dia 13 de maio de 1994, ou seja: está completando seus 32 anos! 

O single foi um dos grandes sucessos do Double You e fez parte de seu álbum "The Blue Album", além de consolidar a popularidade do grupo nos charts dos melhores clubs mundiais.


Os 32 anos de "Run To Me" de Double You

A brasileira Spotlight Records - que licenciava as faixas da italiana DWA nos anos 90 - nos inundou de coletâneas com "Run To Me", além de ceder o fonograma para a super compilação da Som Livre - "Disco 95". 

Ah, e uma curiosidade interessante, é que o rap que ouvimos aqui em "Run To Me" é de Ice Mc, e numa entrevista há algum tempo, o vocalista William Naraine comentou que o rap nessa música era originalmente para a música "I Just Died In Your Arms Tonight" regravada pelo Savage, mas que acabou não sendo lançado nesse projeto. 

Não podemos nos esquecer também que, em "Run To Me" há o famoso sample da oitentista e clássica "Don't Go" do Yazoo, além de apresentar as batidas idênticas de Culture Beat e sua obra-prima “Mr.Vain”, que tecnicamente é conhecida como a batida Four-on-the-Floor, destacando o bumbo que bate forte nos 4 tempos do compasso (1, 2, 3, 4).

Que produção caprichada e incrivelmente dançante ficou, né?


Corona e seu álbum "The Rhythm Of The Night" (1995)

No dia 10 de abril de 1995 foi lançado pela primeira vez o aguardado álbum "The Rhythm Of The Night" do projeto italiano Corona.

As vocalistas deste álbum são Jenny B e Sandy Chambers, duas das maiores vozes da Dance Music européia, enquanto que na parte da divulgação tivemos a modelo brasileira Olga de Souza, que fez decoração e viajou o mundo promovendo o "merchan" do disco.

Aqui no Brasil o produto foi licenciado pela gravadora brasileira Spotlight Records, assim como todo o material produzido pela gravadora italiana.

Em poucos anos, Robyx se catapultou para o grupo dos produtores mais importantes, vendendo só com Ice Mc e Corona mais de 6 milhões de singles e 2 milhões de álbuns em todo o mundo.


Alexia e Ice Mc: Mudanças e promoções à vista

Em 1995, Alexia lançou o seu primeiro single solo: "Me And You". Depois de colaborar com Double You em alguns singles fazendo o seu backing vocal, agora foi a vez do vocalista William Naraine retribuir e emprestar o seu vocal para a sua grande companheira de estúdio. Nascia ali um novo hít para a DWA, assim como também houve no mesmo período uma tentativa de dar uma carreira solo para Sandy Chambers, com sua faixa "Bad Boy"

A música de Sandy foi bem nas paradas, mas a cantora tinha que cuidar de vários outros projetos, inclusive ela estava gravando e saindo em turnês com Double You, então a sua carreira solo não vingou, como a carreira solo de sua colega Alexia.


Sandy Chambers fez aniversário de 59 anos no dia 11 de abril de 2026. Definitivamente, ela foi um dos maiores talentos que já passaram pela DWA.


No final de 1995, Robyx decidiu reorganizar suas atividades. Começou com a conversão de seus escritórios em instalações novas e mobiliadas, além de reformular sua equipe artística.

Foi durante esse período que surgiram algumas divergências com Ian Campbell, o rapper do projeto Ice MC, que, sem avisar ninguém, assinou um contrato com outro empresário, ignorando o contrato com Robyx, que ainda estava em vigor. A justificativa dada por ele foi que queria mudar seu estilo.

Essa divergência surgiu porque Ian queria usar o nome “ICE MC”, que é uma marca registrada da empresa Robyx. Roberto foi, por muito tempo, o vocalista do projeto, além de compositor de todas as músicas. Ele também tocava todos os instrumentos em todas as gravações que compôs.

Ian assinou um contrato com uma gravadora alemã, a conhecida Polydor, e Roberto foi forçado a romper todas as relações com o artista, que continuava a usar sem direitos o nome “ICE MC” com a Polydor. O single novo do rapper veio em 06 de maio de 1996, mas não chamou tanto a atenção dos DJs e programadores de FM's.


Ian Campbell abandona Robyx e a DWA para trabalhar com o grupo alemão Masterboy e a Polydor

O single "Give Me The Light" do Ice MC foi lançado exatamente há 30 anos, no dia 06 de maio de 1996, marcando uma nova transição na carreira do rapper, um dos mais icônicos da Eurodance dos anos 90. 

"Give Me The Light" foi o primeiro single de seu quarto álbum de estúdio, intitulado "Dreadatour". A canção conta com os vocais femininos da cantora italiana Valentina Ducros, que substituiu a dance-star Alexia.

Produzido por Enrico Zabler (do Masterboy), "Give Me The Light" seguiu o auge da Eurodance dos anos 90, misturando batidas eletrônicas aceleradas com rimas de influência raggamuffin. Apesar de ser uma boa música, é perceptível também que a Polydor tentou fazer um som muito semelhante ao que Ian Campbell já fazia com Robyx, ou seja, o rapper não queria mudar de estilo??

O novo álbum de Ice MC também chegou, e apesar de ser um item muito esperado pelos fãs, toda a produção foi um grande fracasso, pondo fim a um projeto tão importante. 

Enquanto isso, a DWA lançava o single de Alexia - "Summer Is Crazy", a vocalista feminina dos maiores sucessos de Ice MC. 

Durante o tempo em que Ice MC experimentava o amargo do fracasso, Alexia e Roberto Zanetti conseguiam sucesso garantido com o single "Summer Is Crazy", que, coincidentemente ou não, foi lançado exatamente no mesmo dia de lançamento de "Give Me The Light" de Ice MC. Parece até que foi coisa pensada por Roberto Zanetti.


Ice Mc foi embora para a Polydor, e Alexia assume de vez a sua carreira solo com um hít que é a cara do verão

Foi no outono europeu de 1996 que Alexia e seu produtor Robyx lançaram o clássico da Eurodance - "Summer Is Crazy", pensando nos resultados que a música poderia alcançar no verão que se aproximava. 

"Summer Is Crazy" foi lançado oficialmente em 6 de maio de 1996, ou seja, está celembrando o seu 30º aniversário! Foi também o segundo single da carreira solo de Alexia e causou um enorme sucesso, chegando ao primeiro lugar nas paradas da Itália e o Top 5 em países como Finlândia e Espanha.

A letra de "Summer Is Crazy" foi escrita pela Alexia (ela escreveu todos os seus híts) e foi produzida por Roberto Zanetti, sob o selo DWA Records.

O reconhecimento e a popularidade de Alexia foram garantidos e a cantora embarcou em uma bem-sucedida carreira solo, que resultou na distribuição de seu 3º single ainda no ano de 1996: "Number One" (finalzinho daquele ano); além do lançamento de seu primeiro álbum, "Fan Club" (1997), que nos trouxe o seu novo explosivo single: "Uh La La la" (1997).

Depois, em 1998, Alexia foi trabalhar com a Sony Music, e lançou poucas faixas no estilo Eurodance, até assumir de vez o Pop italiano que em nada lembrava as produções da DWA.


A Era de Ouro da Eurodance aconteceu com estes protagonistas da cena: os projetos da DWA

Estes foram os mais importantes projetos e artistas da DWA, durante estas décadas de glória e criatividade da Italo Dance. Obviamente que faltaram outros projetos que ficaram de fora, como aqueles menores com a Alexia fazendo os vocais (mas não mostrando o seu rosto, como o Due, Fourteen 14, e etc), tratando-se do mesmo caso do Netzwerk, com produtores terceirizados e amigos de Zanetti trabalhando na DWA em produções que não levavam a assinatura do “The Boss”. Quem sabe, não detalhemos sobre estes numa possível "Parte 2"?

O lendário músico também conta em algumas entrevistas que nunca quis transformar a sua empresa numa fábrica de inúmeros lançamentos, e que sempre prezou por produções onde ele tivesse total controle, envolvimento e contato pessoal, ou seja, diferente de suas contemporâneas, como a Time Records, a Discomagic e a S.A.I.F.A.M., que sempre lançavam centenas de singles simultaneamente e com a assinatura de muitos produtores/colaboradores. 

Zanetti fazia questão de lançar poucas produções, mas desde que tivessem seu dedo ali (embora o Netzwerk, o Po.Lo, o Black And White, o Digilove, e muitos outros projetos tenham sido produzidos por outras pessoas ligadas à ele nos anos 90, e não exatamente por ele).

Inclusive, em 2023 Zanetti montou uma lista de suas 10 canções favoritas que foram produzidas e lançadas pelo estúdio, e ele apenas escolheu as produções onde realmente esteve focado, dedicado e envolvido:


TOP 10 HITS DWA - BY ROBYX


 1) SAVAGE – "Don't Cry Tonight"

Tudo começou ali… Foi meu primeiro sucesso como produtor e artista.


2) ICE MC – "Easy"

O primeiro sucesso com o logotipo DWA e a primeira música produzida para o artista ICE MC.


3) PIANONEGRO – "Pianonegro"

O primeiro sucesso nas pistas de dança do Reino Unido. Não foi um grande sucesso comercial, mas fez muito sucesso nas paradas de música eletrônica.


4) Double You - "Please Don't Go"

O primeiro sucesso pop, que alcançou as paradas musicais em todo o mundo e transformou a DWA em uma grande gravadora de música dance.


5) CORONA – "The Rhythm Of The Night"

Sem dúvida, um dos 10 maiores sucessos da história da música dance. Ainda é tocado e dançado hoje em dia, mais de 30 anos depois.


6) CORONA – "Baby Baby" + "Try Me Out"

Os melhores singles que deram sequência a The Rhythm of the Night.


7) ICE MC – "Think About The Away"

A criação do estilo Eurodance e o início do Europop.


8) DOUBLE YOU – "Dancing With An Angel"

Um grande sucesso do verão e um momento de grande destaque para o artista Double You.


9) ALEXIA – "Me And You"

O primeiro sucesso Dance da artista Alexia. Seu primeiro single solo após a carreira com ICE MC.


10) ALEXIA – "Uh la la la"

O primeiro sucesso pop da artista Alexia, e seu primeiro hit no top 10 do Reino Unido.


Snap! e Taleesa: Uma curiosidade, é que em 2021 durante uma entrevista ao brasileiro Erik Rizzatto, Roberto Zanetti informou que, dos artistas que não pertenceram ao seu cast ele adoraria ter trabalhado com o alemão Snap!, além de ter elogiado a sua conterrânea Taleesa e citado que adoraria de ter trabalhado com ela.

Outra curiosidade: O vocalista do Po.Lo nos disse em uma entrevista que seus antigos produtores tentaram "manchar" a sua reputação depois que ele saiu da DWA, mas eu não acredito muito nessa versão dele, visto que Roberto Zanetti e sua equipe sempre foram bem tranquilos e compreensíveis com seus artistas e colaboradores. Zanetti até voltou a trabalhar com Ice MC, em 2004, após o rapper romper contrato com ele em 1996 e ir embora trabalhar na Polydor, então, creio que algo mais sério possa ter ocorrido nessa história... 

Zanetti é o tipo de pessoa que não guarda rancor, é aquele indivíduo raro que sempre procura ver algo de positivo nas pessoas. Você só encontra pessoas que falam bem dele, como profissional e como ser humano também. Já o vocalista do Po.Lo. agiu de má fé com uma fã brasileira em 2024. A pedido do próprio artista, ela escreveu a letra de 'You Don't Let Me Go', mas acabou ficando de fora dos créditos de composição da música. Como se não bastasse, o sujeito citou em entrevistas outros nomes que compuseram a letra. Ou seja, eu tenho muito mais motivos para ficar do lado do grande Zanetti/Savage/Robyx e da sua DWA. Me parece muito mais íntegro.

Leia aqui sobre o projeto Po.Lo e toda essa situação triste envolvendo a fã brasileira.


Savage - "Eternity" (2026)
Novo álbum de Savage

Outra curiosidade, é que Savage lançou recentemente o seu mais novo álbum "Eternity" (2026), que marca o retorno do mestre da Italo Disco aos holofotes da música eletrônica melódica, resgatando a essência e a atmosfera nostálgica dos anos 80.

O álbum "Eternity" foi lançado digitalmente no dia 30 de janeiro de 2026, mas no dia 06 de fevereiro chegaram ao mercado as versões em CD e vinil, sendo itens indispensáveis aos colecionadores da mídia física.

Neste novo disco, Zanetti assume (mais uma vez) o papel principal como compositor, arranjador e produtor da grande maioria das faixas, mas Elisa Gaiotto (Eliza G) também atua como letrista e fornece vocais de apoio em faixas importantes, como na música-título "Eternity"Thomas McAleese e William Campbell assinam como compositores e letristas especificamente na faixa "Reflections Of My Life" (que é uma releitura que acabou sendo incluída). Há ainda letras escritas pelos ícones Sandy Chambers e William Naraine: William compôs "Symphony" e "The End", enquanto que Sandy Chambers colaborou em "The Reason Of My Life", "Over The Rain", "Take Me" e "Talk To Me".

A mixagem ficou sob a responsabilidade do renomado engenheiro de som Marco Canepa, que também atuou como tecladista e arranjador no projeto. A masterização foi finalizada por Stefan Noltemeyer; e embora a base do álbum seja eletrônica (sintetizadores e baterias programadas), os bastidores contaram com instrumentistas orgânicos para dar mais profundidade às músicas. 

"Eternity" foi lançado pela Warner Music Italy, já que todas as produções (antigas e atuais) da DWA foram vendidas para o mercado da Warner no ano passado.


DWA FOI VENDIDA PARA A WARNER EM 2025

À esquerda: Renato Tanchis, Raffaele Razzini, Pico Cibelli, Roberto Zanetti, Francesco Bontempi, Santiago Menéndez Pidal, Luca Gentili e Filippo Pardini. Os fundadores da mitológica DWA repassam para a Warner Italy todo o seu catálogo de Italo Disco e Italo Dance.

Foi anunciado publicamente no dia 07 de janeiro de 2025, que a icônica gravadora italiana DWA (Dance World Attack) e sua divisão de publicidade Extravaganza tiveram seus extensos catálogos adquiridos pela Warner Music.

A Warner Music e a Warner Chappell Music (ambas da Itália) compraram todo o catálogo da DWA numa transação que incluiu mais de 250 gravações originais ("masters") de grandes clássicos da Italo Disco e Eurodance, incluindo sucessos como "The Rhythm of the Night" (Corona), "Happy" e "Uh La La La" (Alexia), "Baila" (Zucchero), além de muitos outros.

O lendário selo independente foi fundado em 1989 pelo produtor italiano Roberto Zanetti (também conhecido como Robyx, ou como cantor Savage) com a ajuda de Francesco Bontempi (produtor Lee Marrow), mas com o recente acordo de aquisição, a propriedade total da DWA Records e de seu braço editorial, a Extravaganza, foram transferidos para as mãos da Warner Music Italy e da Warner Chappell Music Italy.


"Adeus, DWA"

A marca "DWA Records" e seu logotipo agora pertencem legalmente à Warner, que detém os direitos exclusivos de comercialização e exploração do nome da gravadora, e Zanetti só poderá usá-lo em contextos históricos, biográficos ou promocionais autorizados (como ao dar entrevistas sobre o seu passado na empresa).

Zanetti vendeu o controle comercial, mas ainda mantém alguns direitos essenciais, por exemplo, ele continuará recebendo sua fatia de compositor por todas as faixas que escreveu ou coescreveu (como "Baila" de Zucchero). A Warner Chappell agora administra essas composições globais, mas repassa a parte correspondente ao autor de forma obrigatória.

No direito europeu e italiano, Zanetti mantém o direito de ser creditado como criador e produtor das obras originais, bem como o direito de contestar modificações que possam prejudicar sua integridade artística.

Roberto Zanetti e seu sócio Francesco Bontempi provavelmente receberam uma boa "bolada" (um pagamento financeiro irrecusável) pela venda definitiva de todo o ativo, valor este não divulgado. O seu catálogo extenso, com mais de 250 híts, também deixou os executivos da Warner bem satisfeitos:

Pico Cibelli acrescentou: “Estamos muito satisfeitos por Roberto e Francesco terem depositado sua confiança em nós como guardiões de seu catálogo e esperamos retribuir essa confiança nos próximos anos. Gostaríamos de agradecer aos nossos diretores financeiros, Raffaelle Razzini e Luca Gentili, pelo apoio e trabalho árduo para concretizar este negócio.”


Catálogo da DWA, que era de Roberto Zanetti, agora pertence à Warner

O gênero, que surgiu na Itália no final da década de 1970 e atingiu seu auge na década de 1980, é caracterizado por bateria eletrônica, sintetizadores e letras em inglês. Embora sua proeminência como gênero distinto tenha diminuído no final da década de 1990, sua influência continua presente nos estilos contemporâneos da música eletrônica.

“A Italo Disco é a essência da cena musical italiana e a DWA está no centro dessa cena há mais de três décadas”, afirmou Pico Cibelli, presidente da Warner Music Itália.

“Nossa equipe global está agora empenhada em aproveitar as oportunidades para levar esse incrível repertório a novos patamares e ajudar a garantir que uma nova geração de fãs em todo o mundo possa se conectar com essa música que celebra a vida.” - Guy Moot e Carianne Marshall , Warner Chappell Music

E se você, leitor, verificar os lançamentos digitais atuais, como os singles do Netzwerk ("Memories" e "Passion"), notará que os créditos de direitos fonográficos (P) nas plataformas como Apple Music e Amazon Music já constam oficialmente sob a etiqueta: "℗ a Warner Music Italy Release, DWA - Warner Music Italy". Portanto, todo o legado do Netzwerk agora também é gerido e distribuído globalmente pela divisão italiana da Warner Music.

Mas, quais serão os planos dos novos donos, afinal? Fazer novos remakes? Aproveitar samples? Ficaram deslumbrados com o sucesso de Black Eyed Peas e sua música "Ritmo", e agora querem investir em resgates de outros clássicos? Ou apenas seguirão desfrutando do amplo catálogo nos serviços de streaming?

“A seguir, cenas dos próximos capítulos”.


Você pode conferir mais detalhes sobre a venda da DWA apartir do link abaixo:

https://www.musicbusinessworldwide.com/warner-music-group-acquires-dwa-records-expanding-italian/