Tania Evans é uma cantora do gênero Eurodance que está prestes a voltar ao Brasil, depois de quase 30 anos em que esteve por aqui pela última vez.
Ao contrário do que muitos pensam devido ao sucesso do grupo alemão, Tania Evans não é alemã, mas sim uma artista britânica. Ela nasceu em Edmonton, Londres, Reino Unido, no dia 28 de maio de 1967, no entanto seus pais são jamaicanos que imigraram para o Reino Unido, país onde ela cresceu com seus dois irmãos (Pauline e Paul). Tania descreve sua criação em um ambiente de muita fé (ela é muito religiosa), e sempre teve um temperamento muito artístico, sendo grande fã de divas como Diana Ross.
Tania Evans começou a cantar profissionalmente no início dos anos 90 (por volta dos 23 anos). Curiosamente, já com 20 anos de idade a artista pressentia que a música é que regeria a sua vida. Estava certa. Ela participou de sessões com artistas como Neneh Cherry, James Taylor Quartet e Nick Berry. Cantou em diversos estilos como R&B, Reggae, Funk e Rock, colaborando para aumentar mais ainda a sua habilidade em cantar. E antes de ser descoberta pelo Culture Beat, Tania Evans lançou ainda o single Monica De Luxe Featuring Tania Evans – "Can't Let Go", em 1992.
Nessa altura do campeonato, o Culture Beat já era um grande grupo de Eurodance na Alemanha, e tinha como vocalista principal a bela loira Lana Earl, mas o produtor Torsten Fenslau estava a favor de mudar não apenas a sonoridade, mas também a vocalista do grupo. A saída de Lana Earl do Culture Beat ocorreu em 1993, sendo uma decisão corporativa e artística do seu fundador, o que se caracteriza formalmente como uma demissão/substituição.
O INÍCIO DO CULTURE BEAT
O Culture Beat começou a ser fundado em 1984, nascendo de uma amizade entre Nosie Katzmann (lendário nome da Eurodance) e Tornsten Fenslau (colecionador e DJ). A dupla lançou um single em 1989 intitulado Culture Beat Featuring Jo Van Nelsen – "Der Erdbeermund", sendo o primeiro trabalho e bem diferente dos que vieram depois. Os vocais falados em alemão são do artista Jo Van Nelsen, que recita o poema de Francois Villon ao som de uma batida contagiante dos anos 80.
Em seguida, Katzmann começou a procurar por uma vocalista feminina para atuar no projeto, e Fenslau - que era DJ residente num clube de Frankfurt - avistou uma tecladista e vocalista de 17 anos, Lana Earl. A jovem foi recomendada para Nosie Katzmann, que acabou contratando-a. Jay Supreme, o icônico rapper do Culture Beat, chegou na Alemanha em 1988, na tentativa de levar adiante sua carreira musical.
O primeiro álbum do grupo, "Horizon" (1991), no qual Lana Earl cantava, também foi um trabalho ótimo e interessante, particularmente adoro essas músicas que vieram antes da chegada da Tania Evans. Eram singles que traziam uma pegada mais voltada para o R&B, Downtempo e aquele Eurohouse do início dos anos 90.
Foi em 1992, que Torsten Fenslau decidiu mudar radicalmente o rumo do projeto. Ele queria criar um som mais rápido, agressivo e puramente Eurodance para as pistas de dança, e para essa nova vertente mais enérgica, a produção avaliou que o tom de voz de Lana Earl era suave demais e não tinha a potência necessária para competir com as grandes divas que estavam surgindo na Eurodance. Fenslau queria uma cantora com um alcance vocal mais forte e marcante, então foi aí que entrou ela, a artista que se prepara para cantar os fãs brasileiros...
Nas buscas por essa nova voz em clubes de Londres, Torsten Fenslau descobriu Tania Evans, cujo vocal era exatamente o que procurava. Com a contratação de Tania, Lana Earl foi dispensada antes do início das gravações do álbum "Serenity".
A troca provou-se certeira comercialmente: a primeira música gravada com a nova formação foi justamente o megahit "Mr. Vain", que catapultou o grupo ao topo do mundo. Tania tinha 25 anos quando gravou os vocais para este seu primeiro single do Culture Beat, que foi lançado no primeiro semestre de 1993, pouco antes de completar 26 anos. A música alcançou o #1 em 13 países e influenciou muitos outros produtores e projetos de Eurodance, sendo um grande marco para a cena dançante em meados dos anos 90. Ouça as canções "Run To Me" de Double You e "Where Is My Man" de Eartha Kitt (apenas dois exemplos) e sinta as mesmas batidas que foram sampleadas de "Mr Vain" do Culture Beat, além é claro, de "Everybody Needs Someby" do Masterboy, que também buscou os mesmos arranjos deste single matador do Culture Beat.
Mas, nem tudo foram flores ao Culture Beat, que vivia o seu auge nesse período. O produtor do grupo, Torsten Fenslau, faleceu no dia 6 de novembro de 1993, aos 29 anos, em decorrência de um trágico acidente de carro perto de Messel, na Alemanha.
Ele veio a falecer justamente no ápice absoluto e no momento de maior transição do Culture Beat. Sim, ele viu o grande sucesso de seu grupo, mas apenas o começo do fenômeno global. Meses antes de sua morte, em 1993, o grupo lançou seu maior sucesso comercial, "Mr. Vain", que já havia alcançado o #1 nas paradas de mais de 11 países e liderava as pistas de dança do mundo inteiro. Torsten presenciou a consagração do seu projeto e do álbum "Serenity", mas segundo dados históricos, ele não pode presenciar outras faixas se tornando hits.
No exato dia de sua morte (6 de novembro de 1993), o segundo single "Got to Get It" entrava oficialmente nas paradas musicais, consolidando a sequência de sucessos que ele não pôde acompanhar por completo. Abalados, Tania Evans e Jay Supreme expressaram que a perda parecia inacreditável. Eles haviam acabado de gravar entrevistas promocionais semanas antes com Torsten.
Após a sua morte prematura, seu irmão, Frank Fenslau, assumiu a gestão e a produção do Culture Beat para dar continuidade ao legado deixado por Torsten.
A maior resposta pública de Tania e Jay veio no início de 1994, durante a premiação alemã Echo Awards (o equivalente ao Grammy na Alemanha).
• O Culture Beat recebeu o prêmio de Performance de Exportação Mais Bem-Sucedida.
• Torsten Fenslau recebeu o prêmio póstumo de Produtor do Ano.
Ao subirem ao palco ao lado de Frank Fenslau para receber as estatuetas, os discursos de Tania e Jay foram focados em honrar o legado de Torsten. Eles dedicaram os prêmios diretamente à memória dele, reforçando que "continuariam a cantar e a se apresentar para manter o sonho e a música de Torsten vivos pelo mundo".
Anos mais tarde, em retrospectivas sobre os anos 90, Tania Evans relembrou que a perda foi um divisor de águas pesado. Ela descreveu a situação como um "enorme baque emocional" para uma banda que estava literalmente aprendendo a lidar com o sucesso global da noite para o dia.
ALÉM DE "MR VAIN"
Além de "Mr. Vain", a voz marcante de Tania Evans embalou outros hits mundiais do Culture Beat, como "Got to Get It", "Anything", "World in Your Hands", "Inside Out", "Crying in the Rain" (o qual ela orgulhosamente coescreveu) e "Take Me Away".
Segundo a crítica, sua poderosa voz foi a grande responsável pelo sucesso do grupo; e ao todo, o Culture Beat lançou 4 álbuns de estúdio:
- "Horizon" (1991)
-"Serenity" (1993)
-"Inside Out" (1995)
- "Metamorphosis" (1998)
Sem dúvidas nenhuma, Tania Evans foi a vocalista principal nos dois álbuns de maior sucesso comercial do grupo ("Serenity" e "Inside Out"), embora o primeiro e o quarto também sejam muito bons.
AS VOZES LENDÁRIAS DO CULTURE BEAT
Lana Earl (conhecida também como Lana E.): Foi a primeira vocalista oficial do grupo (de 1989 a 1993). Ela gravou o primeiro álbum, "Horizon", e deu voz a sucessos iniciais como "I Like You" e "No Deeper Meaning";
Tania Evans: A mais famosa do grupo, integrou a chamada "fase de ouro" (de 1993 a 1997). É a voz por trás do mega-hit "Mr. Vain", além de "Got to Get It", "Anything", "Inside Out", entre outros;
Kim Sanders: Assumiu os vocais em 1998 para o álbum "Metamorphosis". Outra cantora fantástica e muito conhecida na cena por sua carreira solo e diversas colaborações valiosas na Eurodance;
Jacky Sangster: Mais uma vocalista talentosa e de voz potente para integrar o grupo. Jacky foi contratada em 2001, e depois gravou a nova versão "Mr. Vain recall", que foi licenciada aqui no Brasil pela Building Records. Jacky Sangster gravou ainda o single "Your Love" em 2008, embora algumas páginas deêm esse crédito equivocadamente para Jenny B. A própria Jackie confirmou que ela é a cantora da música e que fica sempre muito chateada quando encontra páginas sobre o estilo Eurodance dando este crédito à Jenny B. Jackie Sangster permanece como a vocalista oficial do Culture Beat até os dias atuais em shows e festivais retrô (embora Tania Evans seja a voz original e também faça seus shows).
Jay Supreme: O rapper norte-americano foi o principal e mais duradouro integrante masculino (de 1990 a 1998). Ele dividiu os holofotes tanto com Lana Earl quanto com Tania Evans, sendo dele os icônicos raps de "Mr. Vain", "Got to Get It" e "Anything".
MC 4T (Terminator): É o rapper que acompanha Jacky Sangster nas apresentações atuais do grupo pelo mundo, mantendo viva a energia das rimas originais nos palcos.
Jo Van Nelsen: Antes de ser uma dupla fixa, o Culture Beat apresentou o primeiro single em 1989, "Der Erdbeermund", que trouxe vocais falados em alemão pelo artista Jo Van Nelsen
Tania Evans deixou o Culture Beat em 1997 de forma amigável. O motivo principal foi o desejo de expressar lados diferentes de sua musicalidade e focar em sua carreira solo após passar quase quatro anos em turnês intensas na liderança do grupo. Logo após sua saída, Tania Evans lançou a faixa solo "Prisoner of Love" pelo selo Dance Pool (Sony Music) e fez um grande sucesso em alguns países, como o Brasil (lembro que tocava muito nas pistas e rádios paulistas).
TURNÊS NO BRASIL
Durante os anos 90 - no auge da Eurodance - o Culture Beat esteve em várias turnês mundiais (passando por mais de 70 países), fazendo com que o Brasil também estivesse no seu mapa de shows, mais precisamente no ano de 1993.
Cinco anos depois, Tania Evans voltou ao Brasil (pela segunda vez) com a turnê promocional do single "Prisoner Of Love", mais precisamente em São Paulo/SP, em março de 1998. A cantora se apresentou no dia 02 de março de 1998 junto com outros artistas do selo Dance Pool (como a Plavka do projeto Jam & Spoon) no evento VI Taça Soho. Tania Evans até apareceu na TV; se apresentou cantando "Prisoner Of Love" no programa "Quem Sabe Sábado", da TV Record.
QUASE TRINTA ANOS DEPOIS, TANIA EVANS ESTARÁ DE VOLTA AO BRASIL
A cantora confirmou um retorno oficial ao país com a agência Festival Anos 90 do produtor DJ Kica, que trouxe recentemente outros grandes nome da cena, como Ann Lee, Andrea Alberghi (Andrew Sixty) e Taleesa. Os shows confirmados e detalhes divulgados até o momento incluem as cidades de São Paulo (SP), Santo André (SP), Belém (PA) e Manaus (MA):
• O show em São Paulo acontecerá na casa noturna Komplexo Tempo (uma festa da radio Energia 97), no dia 14 de novembro. Em seguida, Tania Evans seguirá para Santo André/SP, no club Aramaçan. Os dois shows pauslistas serão na mesma noite, e ambas as festas serão no tema Halloween;
• O show em Belém está agendado para o dia 15 de novembro de 2026 (um domingo), no espaço NaBêra (Cidade Velha), a partir das 11h da manhã;
• O show em Manaus está agendado para o dia 21 de novembro de 2026, e a produção do evento na capital amazonense conta com a atuação do DJ Raidi Rebello, reconhecido como referência em eventos de flashback na região.
• O repertório: As apresentações serão focadas inteiramente na performance ao vivo de todos os grandes clássicos do Culture Beat que Tania Evans imortalizou nos anos 90, mas seria fantástico se ela cantasse também "Prisoner Of Love"... não é mesmo?
Quem sabe...









