terça-feira, 21 de julho de 2026

MORRE JANUARY ORDU, ETERNA VOCAL DO DJ COMPANY

MORRE JANUARY ORDU, A VOCALISTA DO DJ COMPANY, PROJETO QUE NOS BRINDOU HITS COMO "RHYTHM OF LOVE" E "HEY EVERYBODY"

Adeus à January Ordu

A cantora alemã Angela Chinyere Ordu, conhecida entre os fãs da Eurodance como January Ordu, faleceu no último dia 27 de junho de 2026. Embora a causa exata de seu falecimento não tenha sido divulgada publicamente por sua família, sua morte foi amplamente lamentada pela comunidade musical de Berlim, onde seu grupo atual, Free Spiritz, estava sediado. 

January Ordu cantou no gênero Eurodance nos anos 90, onde foi muito admirada por seu talento vocal ao se apresentar, tanto nos palcos como nos estúdios de gravações. Como mencionado, não foi divulgada a causa de seu falecimento, mas o que sabemos é que ela teve grande resiliência diante de alguns problemas de saúde que havia enfrentado — como a lúpus e também a um acidente vascular cerebral (AVC) que sofreu quando tinha apenas 35 anos de idade. 

A Lúpus Eritematoso, que é uma doença autoimune, a forçou a interromper a carreira por vários anos. January Ordu era uma apoiadora ativa da Sociedade Alemã de Pesquisa de Lúpus.


DJ COMPANY - A HISTÓRIA E RELAÇÃO DE JANUARY ORDU COM A EURODANCE

DJ Company com January Ordu nos vocais: Uma Era de Ouro da Eurodance

DJ Company foi um grupo alemão de Eurodance que fez muito sucesso com músicas como "Rhythm Of Love" e "Hey Everybody", e que foram gravadas pela vocalista January Ordu, já os rappers eram dos mais variados conforme os singles. 

Os rap's nas faixas "Rhythm Of Love", "Hold Me Now Forever" e "Holiday In The Land Of Love" são de Carlos Cool-Rage. O rap em "Hey Everybody" foi interpretado por Soul SK. O canto ragga em "Fly Away" foi interpretado por Mark Jeffries, assim como em "Number One" foi interpretado por Michael Romeo, ex-membro do Le Click e que também colaborou com a Taleesa na faixa "I Found Luv"


DJ Company - "Hey Everybody" (1994)
O primeiro sucesso na voz de January Ordu

O DJ Company teve quatro hits nas paradas dos Estados Unidos. Esses singles de sucesso são "Rhythm of Love", "Forever Young", "Hey Everybody" e "I Can Be Your Lover". A música "Number One '97" também foi lançada como single, e o álbum de estreia do DJ Company, "Rhythm of Love", foi o único lançado pelo projeto alemão. 

Entre os destaques deste álbum está a canção "Wishing on the Same Star", composta por Dianne Warren, além dos hits já citados.


January Ordu emprestou seus fantásticos vocais para importantes faixas da Dance Music dos anos 90

O hit "Rhythm of Love" permaneceu 19 semanas na Billboard Hot 100, alcançando a 53ª posição. 

January Ordu fez um belo trabalho vocal representando o grupo de Eurodance, e sendo um sucesso na cena musical em 1994, quando o seu primeiro single de destaque, "Hey Everybody", chegou ao 1º lugar na parada canadense de Dance Music, e onde permaneceu por 3 semanas. 

Seu segundo single chegou no final de 1994, era a música "Rhythm of Love", que tem umas batidas bem semelhantes com as batidas do clássico do Culture Beat - "Mr. Vain". Sem dúvidas, "Rhythm Of Love" é o meu trabalho favorito dos alemães do DJ Company, e foi muito tocada nas danceterias brasileiras por volta de 1995.


DJ Company - "Rhythm Of Love" (Official Video) 1994
Esse som continua arrebatador, e essa é a imagem que guardarei para sempre de January Ordu.

"Rhythm Of Love" trouxe grande popularidade ao DJ Company, sendo também um enorme sucesso instantâneo no Canadá e chegando direto ao Top 5 nos charts Dance. A música se manteve em alta até julho/agosto de 1995, alcançando a 27ª posição na Billboard e o Top 10 na Europa.

O terceiro single, "Cybersex-Lovegame", foi lançado por volta de maio de 1995, mas não obteve (obviamente) o mesmo sucesso de "Rhythm Of Love", mas foi tocada e recebeu algum destaque por algumas semanas.

Os singles seguintes do DJ Company, "Holiday In The Land Of Love" e "Fly Away", foram lançados aproximadamente na mesma época. "Fly Away" foi incluída em algumas coletâneas de sucesso da Sony/Dance Pool, enquanto que "Holiday In The Land Of Love" recebeu atenção em diversos programas de rádio específicos de Eurodance, além de entrar para a trilha sonora da novelinha para adolescentes “Malhação”.

"Fly Away" chegou ao top 5 nos charts canadenses de Eurodance e alcançou aproximadamente a 2ª posição.


DJ Company - "Holiday In The Land Of Love" (1995)
"Holiday In The Land Of Love" fez sucesso também no Brasil, principalmente após ter sido inclusa na trilha sonora de "Malhação" (Volume 3)


Em meados de novembro de 1995, o álbum oficial do DJ Company foi lançado. Trouxe 10 músicas, uma introdução e um remix especial de "Rhythm Of Love". A gravação ocorreu principalmente no Northend 22, em Frankfurt, Alemanha.

1997 foi o ano em que a DJ Company alcançou grande sucesso nos Estados Unidos. Eles assinaram com a Crave, a gravadora de Mariah Carey, então uma nova versão de "Rhythm Of Love" foi criada com mais vocais e sem rap. Alcançou a 53ª posição na Billboard Hot 100 e a 8ª posição na parada Dance Maxi Single Sales (um grande sucesso para um artista de Dance Music com seu primeiro hit). 

O álbum deles também foi relançado como "Rhythm Of Love", que incluiu versões novas de "Hey Everybody", "Hold Me Now Forever", um remake de "Forever Young" do Alphaville e algumas músicas novas.


January Ordu escreveu sua história nas páginas da Eurodance e hoje nos despedimos dela

January Ordu faleceu no último de 26 de junho de 2026, e tinha 55 anos de idade. Ela era natural da cidade de Saarbrücken, Alemanha. Filha de pais nigerianos, a cantora cresceu transitando entre a Alemanha, os Estados Unidos, a Nigéria e a Grã-Bretanha.

Ao longo de sua carreira, Angela Chinyere Ordu utilizou diferentes nomes artísticos (como Chi Chi Ordu e o próprio January Ordu) e colaborou com diversos grupos, além do DJ Company. 

Ela também emprestou os seus belos vocais para B.G. The Prince of Rap, outro impactante grupo de Eurodance do início dos anos 1990, sob o nome de Chi Chi Ordu, e participando inclusive do álbum "The Time Is Now", do também já falecido rapper Bernard Greene


B.G. The Prince Of Rap - "Round and Round" (Live in Brasil Faustão) 1994
É a voz dela nessa sensacional faixa de Eurodance!

Sua voz levou emoção para a linda faixa "Round And Round" do B.G. The Prince Of Rap, mas é bom frisar que ela não esteve no Brasil durante essa passagem do grupo, já que muita gente se confunde com tal apresentação do B.G. The Prince Of Rap no Faustão (e onde o grupo também performou essa música que foi gravada originalmente por ela). 

Outra observação importante, é que se trata da própria January Ordu no antológico vídeo de "The Colour Of My Dreams" do B.G. Prince Of Rap (apesar dos vocais deste clássico serem da cantora Paris Red, a primeira vocalista do Masterboy).


BG The Prince Of Rap - "The Colour Of My Dreams" (1994)

Nos anos 2000, a artista colaborou com diferentes formações musicais, incluindo o octeto da famosa atriz e cantora alemã Katja Riemann

Seu projeto mais recente e duradouro, Free Spiritz, fundado por ela em 2020 em Berlim, era uma formação multicultural feminina focada em misturar Afrobeat, Reggae e ritmos tradicionais de países como Nigéria, Gana e Brasil. Os músicos do grupo informaram que continuarão a se apresentar em memória de Angela Chinyere Ordu.


Descanse em paz, January Ordu.

sábado, 27 de junho de 2026

DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE" (1997)

DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE?" (1997)
Como eu vivo sem você, baby??

O que se sabe sobre a vida pessoal e a trajetória da cantora Debra Michaels? Infelizmente, são bastante limitadas as informações. Ela foi uma cantora de dance music nos anos 90, e a maior parte de sua história fora da música permanecia um mistério, já que ela acabou se afastando dos holofotes, e na época de seu sucesso, a internet ainda estava começando...
Por conta dessa escassez de informações, há alguns anos consegui localizar a cantora de "How Do I Live", e assim, muito prontamente ela nos concedeu uma entrevista esclarecedora. 
E você, se lembra da versão dance dela para "How Do I Live"? Fez sucesso aí na sua cidade??
Aqui em São Paulo foi uma música muito tocada nas rádios, com excessão da Jovem Pan, que estava meio "perdida" ali em 1998 (estava mergulhada na música popular, e até Padre Marcelo Rossi estava sendo tocado na emissora).

A CARREIRA DE DEBRA MICHAELS
Nos anos 90, Debra Michaels assinou um contrato com o selo fonográfico independente Robbins Entertainment, bastante conhecido por lançar faixas de dance music nos Estados Unidos, sendo uma vertente mais puxada para o Freestyle (uma especialidade que os americanos adoram!). 
A música "How Do I Live" é uma versão dance de LeAnn Rimes, um sucesso pop romântico de 1997, mas que não teve grande fama no Brasil. Foi gravada por Debra Michaels também em 1997, e apenas no início de 1998 que a versão dela chegou ao Brasil. Foi um considerável sucesso e muitos ainda julgaram que era uma música original, pois como mencionado, a versão da LeAnn Rimes não se tornou conhecida por aqui.
Além deste seu trabalho solo, que se destacou bastante nas FMs, danceterias, e até foi inclusa em uma novela da TV Globo, Debra Michaels ainda emprestou seus vocais para o single "Foolish Games" do projeto Jem, lançado pelo selo Street Beat Records.
No ano de 1998, ela lançou também um segundo single solo chamado "Don't You Wanna Fly?", que teve foco nas pistas de dança, mas falhou em entrar nas paradas musicais.
Apesar de ter desaparecido da cena mainstream, a artista americana informou ao Blog que fez colaborações mais recentes no gênero eletrônico, como o single "Voices", feito com Mr. Mig (entre 2012 e 2013), além de uma participação na música "Daydreaming" (2012), do produtor Mike Rizzo. Debra Michaels é americana e tem uma carreira artística desde seus tempos de infância, quando já se apresentava nos palcos, mesmo ainda muito pequena.

DEBRA MICHAELS E A VERSÃO DANCE DE "HOW DO I LIVE"
Essa é a misteriosa Debra Michaels

Sobre como exatamente surgiu a ideia para gravar o cover de "How Do I Live" em versão dance, não existiam entrevistas ou artigos de bastidores que detalhassem a produção. No entanto, o Blog conseguiu esta exclusividade com a misteriosa vocalista! 
Lembrando que sempre é muito interessante saber como que nascem essas relíquias que tomaram conta das rádios, clubs e coletâneas noventistas, visto que também era muito comum que selos de dance music encomendassem regravações aceleradas de grandes baladas pop, como é o caso deste projeto aqui.
"How Do I Live" foi o primeiro single da carreira de Debra Michaels. Ele foi lançado oficialmente no dia 26 de novembro de 1997 em diversos formatos físicos, como Vinil (12 polegadas), CD e fita cassete. 
Na entrevista cedida ao Blog, Debra conta que não teve nem tempo para tirar uma foto para a capa de seu single, que fez um sucesso da noite para o dia e que os produtores correram para lançá-lo. Na verdade, Debra contou-nos que nem o contrato ela ainda havia assinado com eles, fazendo tudo de última hora.
O disco promocional e o vinil contam com vários remixes focados para que os DJs tocassem a "How Do I Live" nas baladas de 1997/1998, como as versões "1:00 AM Club Mix" e o "5:00 AM Club Mix", além da versão rádio e uma acappela. 
Ai meu Deus do céu.... como eu ouvi essa música tocar naquele ano de 1998...
Na entrevista, Debra Michaels contou-nos ainda que não sabia que a versão dela para "How Do I Live" havia feito tanto sucesso no Brasil, e muito menos que tinha sido trilha sonora de uma novela. Ela ficou contente de saber sobre estes feitos no Brasil, além de detalhar que passou por uns "perrengues" bem desagradáveis nas últimas décadas, como problemas familiares e até com um câncer que a atingiu. 
Hoje, Debra Michaels está bem de saúde, continua trabalhando com música, tem uma família, e profissionalmente atua como mentora/professora de crianças que nasceram com a aptidão para o canto.
Não deixe de ler a entrevista no Blog, que em breve será republicada após um problema resolvido com o Html.
Abraços!
Rikardo

PLANET POP FESTIVAL 2026. COMO FOI?

 PLANET POP 2026: NOSTALGIA, LÁGRIMAS E PROBLEMAS TÉCNICOS

Planet Pop Festival: 17 anos depois, o Festival mais amado dos anos 2000 retornou

SÃO PAULO — Mesmo residindo não muito distante ao local que sediou a última edição do Planet Pop Festival, realizado no dia 23 de maio de 2026, um choque de datas na agenda de shows impediu a minha cobertura presencial do evento. Compromissos firmados previamente para o Festival Floripa 90's, em Santo Amaro da Imperatriz (SC), motivaram o meu embarque para o estado catarinense, pois o objetivo era de realizar o antigo desejo de assistir à apresentação de Andrew Sixty (e valeu a experiência pois Andrea Alberghi canta demais, além de ser uma pessoa fantástica pessoalmente).

A aquisição das passagens aéreas e dos ingressos ocorreu antes mesmo de a organização do Planet Pop anunciar a data da edição 2026. Havia a expectativa de que os cronogramas não coincidissem, o que permitiria a presença em ambos os festivais para prestigiar também os principais expoentes dos anos 2000. Contudo, o anúncio tardio fixou os dois eventos para o mesmo dia, forçando a minha escolha pelo sonho antigo de ver o show do projeto noventista.


PÚBLICO SE EMOCIONOU, MAS TAMBÉM CRITICOU O SOM DA CASA

Artistas e DJs que se apresentaram na edição 2026 do "Planet Pop Festival"

Embora ausente, consegui colher depoimentos de espectadores que compareceram ao festival em São Paulo. O amigo curitibano Lucas Hideki viajou até a capital paulista para prestigiar o evento nostálgico e relatou ter chegado ao local às 16h30, garantindo um lugar na primeira fileira do palco. 

Apesar de classificar a experiência geral como "incrível", Hideki apontou problemas na execução técnica do evento. Segundo o nosso amigo, houve falhas severas no microfone de Trix, do projeto Magic Box, além de um desconforto visível por parte dos artistas com os equipamentos. O início das apresentações também registrou atrasos, o que estendeu o horário de encerramento além do previsto.

"De resto foi ótimo. Fiquei um pouco chateado por não conseguir tirar fotos com eles, mas só de ter ficado perto do palco já valeu a pena", concluiu Hideki.

Conversei também com Sônia Pires, minha conterrânea daqui de São Paulo, e ela descreveu a experiência no Planet Pop Festival 2026 de forma não tão positiva, ressaltando que apesar da forte nostalgia proporcionada pelas apresentações, se incomodou muito com a estrutura de som. Sônia ressaltou que a platéia no geral reclamou do som da casa Terra SP, dizendo que teve diversas falhas e que em muitas músicas nem se conseguia ouvir os artistas:

"É inadmissível que um local que realiza shows ao público ofereça um som tão ruím, foi constrangedor para o público e também para os artistas. Estava nítido em seus olhares o descontentamento. Jamais quero vivenciar isso novamente, era para ter sido um entretenimento mágico e saudável, mas no fim foi uma desilusão com misto de estresse. Foi frustrante, e espero que, se tiver mais alguma edição do Planet Pop, que os realizadores escolham um local mais preparado e mais profissional... o que vivenciamos ali foi uma falta de respeito. Deu vontade de pedir o ressarcimento do meu dinheiro". - Sônia Pires

As principais reações e relatos do público nas redes sociais destacaram os mesmos pontos, a nostalgia e a emoção de estar ali, mas também a decepção em relação a estes problemas. 

O show do Daytona, que incluiu a participação especial do guitarrista prodígio Ben Zorza, de 13 anos, foi elogiado também por Sônia: 

"Me surpreendi positivamente com a apresentação do Daytona, ele fez um show e tanto, tudo ao vivo. Ele levou também ao palco um garoto guitarrista que é muito talentoso. Foi pura energia, e foi tudo sem perder o propósito do projeto, aquela coisa tradicional que segue fielmente até hoje: dance e rock misturado". -Sônia Pires

Sônia também elogiou as apresentações de DJs conhecidos da cena, como Tiko's Groove, Adriano Pagani e Tom Hopkins, que conseguiram segurar a energia de quem ficou até o final do evento.

O leitor Marcos Ferreira Godoy disse que esperou muito por este momento, de viver uma noite no Planet Pop, mas que acabou se frustrando com a péssima qualidade do som. Marcos afirmou que não apenas ele, mas muitos fãs expressaram profunda decepção com a sonorização. Houve reclamações frequentes de que o "grave estava estourando" e de que a acústica do local prejudicou a experiência. Godoy apontou também o uso de playback de vários artistas internacionais, pois era perceptível que estavam com seus microfones desligados/baixos, quebrando o clima da pista. 

"Quando a gente vai num show, espera-se que eles cantem ao vivo. Se for para ouvir playback eu fico em meu quarto ouvindo os CDs que tenho na minha coleção, achei chato da parte deles. Tá certo que desde a primeira edição há o uso do playback, mas acho que agora ficou mais acentuado devido aos problemas técnicos que se somaram. Eu acho que poucos foram os cantores que se dedicaram aos fãs de verdade nesse dia 23 de maio" - Marcos Godoy

Nosso leitor também elogiou o show do Daytona, apesar de não ter criado expectativa nenhuma para o artista, e de confessar que o projeto nunca foi o seu favorito, mas reconhece que foi uma performance feita "com alma" e que o cantor tinha "muita vontade de estar ali e fez uma entrega vibrante"

Outro ponto positivo da noite, segundo Marcos Godoy, foi o set de Tiko's Groove com Gosha, que segundo ele, foi um dos poucos momentos em que o vocal ao vivo pôde ser ouvido com clareza.

 "Gosha e Daytona fizeram apresentações realmente dignas de serem chamadas de shows, colocaram vozes ao vivo, e apesar dos problemas técnicos, eles se empenharam ao máximo para agradar a platéia" - Marcos Godoy

Diante das falhas técnicas na execução dos shows, alguns fãs presentes relataram ainda que o valor total investido (entre ingressos e consumo) não foi justificado pela entrega final do evento. Sônia Pires e Marcos Godoy disseram que "não compensou por tudo o que foi gasto e prometido pelos organizadores". 

Com outros fãs as reações foram as mesmas, muita gente gostou de sentir um pouco da nostalgia dos anos 2000, mas pontuaram que a magia poderia ter sido completa caso houvesse mais organização e profissionalismo por parte da casa e também dos realizadores do Planet Pop Festival 2006.


DAYTONA

Drico Mello detonou no palco do Terra SP com seu projeto nacional Daytona

A cobertura da imprensa especializada destacou a performance do Daytona, projeto nacional liderado pelo vocalista Drico Mello, como uma das melhores atrações de todo o Festival. Descoberto inicialmente no circuito de rock, o cantor foi convidado a transpor clássicos do gênero para as pistas de dança, fórmula que garantiu ao grupo projeção expressiva nos anos 2000 sob a gravadora Building Records

A performance elogiada do vocalista neste palco estabelece um paralelo direto com o Dalimas, outro expoente brasileiro da mesma época e célebre por suas apresentações totalmente ao vivo que fundiam a energia do rock às batidas eletrônicas. Chama a atenção como a história se repete: enquanto o Dalimas foi coroado pelos críticos como a melhor performance do Planet Pop Festival 2004, o Daytona colhe elogios semelhantes na edição de 2026. Em ambas as ocasiões, o diferencial que encantou os especialistas foi o mesmo: o compromisso com a execução ao vivo, a entrega artística e a forte presença de palco dos artistas nacionais. 

Inclusive, o site Correio Braziliense destacou em seu portal: "O evento reuniu os maiores nomes da Dance Music dos anos 2000, mas foi o show de DAYTONA que roubou a cena. Com sua presença de palco inconfundível, ele apresentou releituras dançantes de grandes clássicos do rock, levando o público ao delírio."

Fonte: Correio Braziliense

O mesmo site ainda afirmou que o projeto brasileiro está entrando em início de uma nova fase, pois se prepara para rodar o Brasil com o mesmo show empolgante que marcou época entre 2005 e 2008, quando o artista realizou mais de 100 apresentações pelo país.


TIKO'S GROOVE FEAT. GOSHA

 Gosha mostrou competência ao cantar seu hit "I Don't Know What To Do" (uma parceria com o DJ brasileiro Tiko's Groove)

O festival também contou com outras grandes estreias e parcerias da cena eletrônica na mesma noite, como a apresentação surpresa do DJ Alok dividindo o palco com Tiko's Groove

Alok revelou ao público, em primeira mão, que havia acabado de produzir um remix inédito e oficial do clássico "I Don't Know What To Do". A pista do Terra SP vibrou intensamente com o anúncio, embora que, quem estivesse ali não fazia muita questão desse remix, já que pra eles a Dance Music dos anos 2000 é a que importa de verdade. Por falar nisso, o vocalista Gosha (que é russo) cantou a original ao vivo, e teve sua performance muito elogiada por todos.

Além de suas próprias músicas, o set list de Tiko's Groove passeou por grandes hinos eletrônicos mundiais, incluindo clássicos como "One More Time" do Daft Punk


DAMAE (EX-FRAGMA)

Damae representou o Vocal Trance dos anos 2000 no Planet Pop Festival 2026

O show da cantora alemã Damae (ex-vocalista do projeto Fragma) no Planet Pop Festival 2026 foi descrito pelo público como um dos momentos mais emocionantes da noite. E se eu estivesse no evento, esta, com certeza, seria a minha atração mais aguardada.

Segundo os depoimentos, a apresentação de Damae se destacou com a performance ao vivo de "Toca's Miracle". O público (especialmente na faixa dos 30 e 40 anos) cantou em coro absoluto, criando uma atmosfera descrita pelos fãs como "surreal", além de detalharem que o show dela trouxe de volta memórias marcantes da juventude, das primeiras baladas e dos antigos CDs de eurodance (“Celso Portiolli Faz A Festa Vol.2” by Paradoxx Music). 

Além de "Toca's Miracle" (gravada originalmente pela vocalista Coco Star), fãs afirmaram que Damae cantou o sucesso de 2001 "Everytime You Need Me" (gravada originalmente pela vocalista Maria Rubia) e "You Are Alive" (gravada originalmente pela própria Damae).

Damae compartilhou seu carinho pelo país em seu perfil oficial no Instagram, recebendo centenas de comentários de fãs que agradeceram a ela pela oportunidade de reviver "os velhos tempos" com uma das vozes originais do Fragma. 

Resumindo: O show da alemã Damae cumpriu com exatidão a proposta do festival: entregar a "viagem" do trance das pistas dos anos 2000 em uma noite histórica para os órfãos da vertente.

Damae cantou ao vivo em cima de uma base pré-gravada, então houve relatos de playback também, assim como todas as atrações (exceto o Daytona e o Gosha).

Para ler sobre Maria Rubia, a vocalista de "Everytime You Need Me" do Fragma, clique aqui.


THE UNDERDOG PROJECT

Vai Brasil, vai The Underdog Project!

O show do The Underdog Project ficou marcado pela euforia que seus clássicos causaram. Os fãs disseram que foi emocionante rever o vocalista Vic Krishna no palco, e que isso resgatou a essência dos tempos de "Summer Eletrohits" (a música "Saturday Night" do projeto fez parte da tracklist do Volume 1, lançado em janeiro de 2005). 

O auge da apresentação, segundo quem estava no evento, foi a execução de "Summer Jam" - o maior hit do projeto. Recebi vídeos da galera pulando e cantando o refrão em uníssono, criando uma atmosfera descrita como histórica. Em um desses vídeos, notei alguns fãs que chegaram a chorar durante a performance. Mas nem tudo foi emoção... 

Houve também algumas queixas pontuais sobre a organização dos horários, que a transição da atração anterior demorou demais, principalmente o set do DJ Frank (que acompanhou a atração) que se estendeu por cerca de duas horas antes da entrada principal do The Underdog Project, tornando a espera um pouco cansativa. O show foi cantado ao vivo em cima de uma base pré-gravada, então os mais exigentes também relataram o uso do playback.


DJ ROSS + ERIKA + MAGIC BOX (BLOCO DE APRESENTAÇÕES)

Erika, DJ Ross e Magic Box: A força da Italo Dance dos anos 2000

O show do trio "itália" (ou trio "família", também chamado assim por muitos) foi apontado como um dos mais aguardados da noite. A plateia respondeu com muita vibe na pista de dança, cantando do início ao fim os clássicos da eurodance executados por DJ Ross e a dupla de irmãos Erika e Trix (Magic Box). 

Quanto a apresentação de DJ Ross, fãs relataram que a atmosfera criada pelo DJ/Produtor foi "de arrepiar a alma", revivendo fielmente a era de ouro dos CDs e DVDs da Building Records


DJ Ross feliz no palco do Planet Pop Festival 2026

O ápice do show contou com a execução ao vivo de hinos atemporais como "Emotion", que incendiou o público com jogos de luzes marcantes. Algumas pessoas na plateia disseram que ele foi o único do trio que cantou de verdade, entregando mais sua emoção e voz real ao espetáculo. Curioso isso, visto que o DJ Ross não é o cantor verdadeiro de suas músicas, então provavelmente ele planejou que sua voz se sobressaísse, algo intencional para ocultar a voz do cantor original que também estava na base;

O show da italiana Erika dividiu a opinião do público. Se por um lado ela entregou altas doses de emoção, por outro foi alvo de duras reclamações devido ao playback e falhas técnicas graves no sistema de som da casa. Fãs relataram que ouvir hits grandiosos como "Relations" (minha favorita dela), e "I Don't Know" transportou a pista de volta aos anos 2000, e que a artista tentou fazer o melhor para a sua plateia, embora também foi muito notado que o microfone da cantora estava extremamente baixo ou simplesmente desligado em diversos momentos.


A italiana Erika em seu belo vestido vermelho, 22 anos após sua primeira apresentação no Planet Pop (2004)

O público considerou desrespeitosa a qualidade técnica da transmissão e captação do áudio, que afetou todos os shows, principalmente os de Erika, Magic Box e DJ Ross. Os artistas tentavam interagir com a plateia, mas o som sofria com microfonias ("apitava"). Li diversos comentários que diziam que a cantora saiu do palco com expressão de "estresse" em seu rosto, e que nem se despediu do público.

O show do Magic Box foi também marcado pelo forte sentimento clubber dos anos 2000. Quem viveu a experiência destacou o repertório de hits do cantor Trix, que entregou exatamente o que se esperava, muitos clássicos das pistas, como o hino máximo "If You", que causou lágrimas, gritos e muita dança entre os fãs do Dance 2000. 


Tristano De Bonis (Trix) do Magic Box interagindo com a plateia brasileira

Como Erika, DJ Ross e Magic Box se apresentaram em um bloco conjunto (eles compartilham juntos o palco do Planet Pop desde a primeira edição), a sinergia entre eles foi um dos pontos altos destacados pelo festival. Mas, é aquilo, ficou nítido nos artistas que eles não gostaram da produção precária envolvendo o som.

Ao contrário de Damae, o trio que já veio ao Brasil inúmeras vezes, não postou nada em suas redes sociais sobre esse evento, nenhum storie ou um simples agradecimento sequer! Será que foram embora chateados?


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fãs que não puderam ir às edições históricas do Planet Pop destacaram o sentimento de "sonho realizado" ao ver finalmente (e pessoalmente) as performances entregues no palco desta edição de 2026, mas as falhas gritantes foram bem observadas e também incomodaram muito. Os organizadores precisam agora analisar tudo isso com bastante atenção, para que tal situação não torne a se repetir num evento futuro. 

Willian Bernardino, um fã da Dance 2000 e principalmente do Planet Pop, confirmou em nosso instagram a desorganização do evento: "Som abafado, grave ao extremo, microfonia, telão com delay… time técnico no fundo que parecia ignorar tudo isso durante o evento todo". Um relato muito desanimador, dando a entender que o público de Eurodance não é levado a sério no Brasil. Os responsáveis estavam presentes, enquanto ao mesmo tempo faziam vista grossa para o festival em ruínas. Completo desrespeito num visível "dane-se o público!"

Detalhe que Willian Bernardino disse ainda que seus comentários sobre os problemas técnicos foram todos apagados do perfil oficial do Planet Pop, sendo este mais um retrato do descaso.

Quem acompanhou o festival notou também o uso nítido de bases vocais pré-gravadas e dublagens (o famoso lip sync), o que gerou algumas críticas pontuais de puristas, que estão em seu direito de reclamar e se decepcionar, mas é bom lembrar que o playback sempre esteve presente no festival, desde a sua primeira edição de 2004. No entanto, os artistas ainda cantaram trechos por cima e puxavam os refrões para o público cantar junto, criando uma atmosfera de uma "celebração compartilhada".

No fim, para a imensa maioria dos clubbers veteranos presentes, o uso de playback não estragou a noite, o que estragou foi o problema técnico no som, a microfonia, o grave, a falta de profissionalismo em geral no ambiente. 


Agradecimentos: Lucas Hideki (as fotos são dele também), Sônia Pires e Marcos Godoy por seus relatos e opiniões.