SÃO PAULO — Mesmo residindo não muito distante ao local que sediou a última edição do Planet Pop Festival, realizado no último dia 23 de maio de 2026, um choque de datas na agenda de shows impediu a minha cobertura presencial do evento. Compromissos firmados previamente para o Festival Floripa 90's, em Santo Amaro da Imperatriz (SC), motivaram o meu embarque para o estado catarinense, pois o objetivo era de realizar o antigo desejo de assistir à apresentação de Andrew Sixty (e valeu a experiência pois Andrea Alberghi canta demais, além de ser uma pessoa fantástica pessoalmente).
A aquisição das passagens aéreas e dos ingressos ocorreu antes mesmo de a organização do Planet Pop anunciar a data da edição 2026. Havia a expectativa de que os cronogramas não coincidissem, o que permitiria a presença em ambos os festivais para prestigiar também os principais expoentes dos anos 2000. Contudo, o anúncio tardio fixou os dois eventos para o mesmo dia, forçando a minha escolha pelo sonho antigo de ver o show do projeto noventista.
ACLAMAÇÃO DA CRÍTICA AO DAYTONA
A cobertura da imprensa especializada destacou a performance do Daytona, projeto nacional liderado pelo vocalista Drico Mello. Descoberto inicialmente no circuito de rock acústico, o cantor foi convidado a transpor clássicos do gênero para as pistas de dança, fórmula que garantiu ao grupo projeção expressiva nos anos 2000 sob o selo da gravadora Building Records.
O sucesso atual da performance do vocalista no palco do Planet Pop 2026 estabelece um paralelo direto com o Dalimas, outro expoente brasileiro da mesma época e gravadora, célebre por suas apresentações totalmente ao vivo que fundiam a energia do rock às batidas eletrônicas. Chama a atenção como a história se repete: enquanto o Dalimas foi coroado pelos críticos como a melhor performance do Planet Pop Festival em 2004, o Daytona colhe elogios semelhantes na edição de 2026. Em ambas as ocasiões, o diferencial que encantou os especialistas foi o mesmo: o compromisso com a execução ao vivo, a entrega artística e a forte presença de palco dos artistas nacionais.
Inclusive, o site Correio Braziliense destacou em seu portal: "DAYTONA finalmente está de volta! Depois de um hiato de 17 anos, o projeto artístico de Drico Mello, voltou com tudo ao Planet Pop 2026. O evento reuniu os maiores nomes da Dance Music dos anos 2000, mas foi o show de DAYTONA que roubou a cena. Com sua presença de palco inconfundível, ele apresentou releituras dançantes de grandes clássicos do rock, levando o público ao delírio."
O mesmo site ainda afirmou que o projeto brasileiro está entrando em início de uma nova fase, pois se prepara para rodar o Brasil com o mesmo show empolgante que marcou época entre 2005 e 2008, quando o artista realizou mais de 100 apresentações pelo país.
PÚBLICO SE EMOCIONA FRENTE AOS ARTISTAS DOS ANOS 2000, MAS CRITICA O SOM DA CASA QUE SEDIOU O EVENTO
Embora ausente, consegui colher depoimentos de espectadores que compareceram ao festival em São Paulo. O amigo curitibano Lucas Hideki viajou até a capital paulista para prestigiar o evento nostálgico e relatou ter chegado ao local às 16h30, garantindo um lugar na primeira fileira do palco.
Apesar de classificar a experiência geral como "incrível", Hideki apontou problemas na execução técnica do evento. Segundo o nosso amigo, houve falhas severas no microfone de Trix, do projeto Magic Box, além de um desconforto visível por parte dos artistas com os equipamentos. O início das apresentações também registrou atrasos, o que estendeu o horário de encerramento além do previsto.
"De resto foi ótimo. Fiquei um pouco chateado por não conseguir tirar fotos com eles, mas só de ter ficado perto do palco já valeu a pena", concluiu Hideki.
Conversei também com Sônia Pires, minha conterrânea daqui de São Paulo, e ela também descreveu a experiência no Planet Pop Festival 2026 de forma positiva, mas apesar da forte nostalgia proporcionada pelas apresentações, ela também teceu críticas severas à estrutura de som. Sônia ressaltou que a platéia no geral reclamou do som da casa Terra SP, dizendo que teve muitas falhas e que em muitas músicas nem conseguia ouvir os artistas:
"É inadmissível que um local que realiza shows ao público ofereça um som tão ruím, foi constrangedor para o público e também para os artistas. Estava nítido em seus olhares o descontentamento. Jamais quero vivenciar isso novamente, era para ter sido um entretenimento mágico e saudável, mas no fim foi uma desilusão. Foi frustrante, e espero que, se tiver mais alguma edição do Planet Pop, que os realizadores escolham um local mais preparado e mais profissional... o que vivenciamos ali foi uma falta de respeito. Deu vontade de pedir o ressarcimento do meu dinheiro". - Sônia Pires
As principais reações e relatos do público nas redes sociais destacaram os mesmos pontos: a nostalgia e a emoção de estar ali, mas também a decepção em relação a estes problemas técnicos. O show do Daytona, que incluiu a participação especial do guitarrista prodígio Ben Zorza, de 13 anos, foi elogiado também por Sônia:
"Me surpreendi positivamente com a apresentação do Daytona, ele fez um show e tanto, tudo ao vivo. Ele levou também no palco um garoto guitarrista que é muito talentoso. Foi pura energia, e foi tudo sem perder o propósito do projeto, aquela coisa tradicional que segue fielmente até hoje: dance e rock misturado". -Sônia Pires
Sônia também elogiou as apresentações de DJs conhecidos da cena, como Tiko's Groove, Adriano Pagani e Tom Hopkins, que conseguiram segurar a energia de quem ficou até o final do evento.
O leitor Marcos Ferreira Godoy disse que esperou muito por este momento, de viver uma noite no Planet Pop, mas que acabou se frustrando com a péssima qualidade do som. Marcos afirmou que não apenas ele, mas muitos fãs expressaram profunda decepção com a sonorização. Houve reclamações frequentes de que o "grave estava estourando" e de que a acústica do local prejudicou a experiência. Godoy apontou também o uso de playback de vários artistas internacionais, pois era perceptível que estavam com seus microfones desligados/baixos, quebrando o clima da pista.
"Quando a gente vai num show, espera-se que eles cantem ao vivo. Se for para ouvir playback eu fico em meu quarto ouvindo os CDs que tenho na minha coleção, achei chato da parte deles. Tá certo que desde a primeira edição há o uso do playback, mas acho que agora ficou mais acentuado ainda devido aos problemas técnicos que se somaram ao evento. Eu acho que poucos foram os cantores que se dedicaram aos fãs de verdade nesse dia 23 de maio" - Marcos Godoy
Nosso leitor também elogiou o show do Daytona, apesar de não criar expectativa nenhuma para o artista, e de confessar que o projeto jamais foi o seu favorito, mas reconhece que foi uma performance feita "com alma" e que o cantor tinha "muita vontade de estar ali e fez uma entrega vibrante".
Outro ponto positivo da noite, segundo Marcos Godoy, foi o set de Tiko's Groove com Gosha, que segundo ele, foi um dos poucos momentos em que o vocal ao vivo pôde ser ouvido com clareza.
"Gosha e Daytona fizeram apresentações realmente dignas de serem chamadas de shows, colocaram vozes ao vivo, e apesar dos problemas técnicos, eles se empenharam ao máximo para agradar a platéia" - Marcos Godoy
Diante das falhas técnicas na execução dos shows, alguns fãs presentes relataram ainda que o valor total investido (entre ingressos e consumo) não foi justificado pela entrega final do evento. Sônia Pires e Marcos Godoy disseram que "não compensou por tudo o que foi gasto e prometido pelos organizadores".
Nas redes sociais as reações foram as mesmas, muita gente gostou de sentir um pouco da nostalgia dos anos 2000, mas relataram que a magia poderia ter sido completa caso houvesse mais organização e profissionalismo por parte da casa e também dos realizadores do Planet Pop Festival 2006.
Hoje vamos falar sobre uma das primeiras loiras de Larry Pignagnoli, o produtor de Whigfield.
Ivana Spagna é uma cantora/compositora italiana que nasceu em 16 de dezembro de 1954, sendo mais conhecida simplesmente como Spagna. E sim, ela realmente é uma cantora. De verdade!
Spagna começou sua carreira cantando em italiano e depois em inglês. No início da década de 1980, forneceu seus vocais e escreveu para diversos projetos italianos até 1986, quando embarcou em uma carreira solo.
Na música Italo Disco, Spagna desempenhou vários papéis e um deles foi de ser a vocalista (e uma parte da força criativa) por trás do grupo italiano Baby's Gang.
Embora a imagem deste grupo fosse composta por treze adolescentes, Spagna apresentou seus arranjos vocais e fez grande participação nas composições. Aparentemente, o projeto também contou com o suporte vocal de outros jovens talentos, como a loirinha Denise Bonfanti, mas é estranho pesquisar e notar que ela não apareceu em mais nenhum outro disco em mais de 40 anos após este trabalho...
Baby's Gang - "Happy Song" (1983)
Na música "Happy Song" (1983), resumidamente, os vocais masculinos são do músico Al Musci, e os principais vocais femininos são, segundo dados históricos, de Denise Bonfanti. Contudo, como citado acima, a produção contou ainda com os vocais da cantora Ivana Spagna, além de um coro de vozes infantis.
A música foi um grande hit da Italo Disco em 1983 e ficou mais conhecida quando o grupo alemão Boney M. fez sua própria versão no ano seguinte, substituindo o coro infantil por vocais de apoio do trio La Mama (sinceramente prefiro a versão do Boney M, embora também goste da original).
Ivana Spagna foi uma das vozes principais do projeto oitentista Baby's Gang. Na capa do disco vemos a então jovem Denise Bonfanti, que tinha uma idade estimada entre 10 e 14 anos. Aparentemente a pré adolescente também colaborou com sua voz na gravação original de "Happy Song".
Para quem não sabe, Ivana Spagna foi produzida nos anos 80 por Larry Pignagnoli, o famoso produtor que trabalhou nos anos 90 com a cantora inglesa Annerley Gordon no projeto Whigfield.
Além do projeto Baby's Gang, este produtor também produzia o grupo Fun Fun, que visualmente mostrava duas loiras fotogênicas nos clipes e nas capas dos discos, mas no estúdio contava secretamente com as vozes de Ivana Spagna e Angela Parisi. Juntas, elas participaram das músicas do álbum de estreia, "Have Fun!" (1984), que incluía "Happy Station" (1983) — um dos maiores sucessos do grupo.
A imagem do Fun Fun era formada por duas belas modelos, assim como ocorreu depois nos anos 90 com Whigfield
O Fun Fun teve ainda outros trabalhos bem sucedidos entre 1983 e 1989, como "Colour My Love", "Living In Japan", "Give Me Your Love" e "Baila Bolero", mas "Happy Station" foi seu primeiro grande single de trabalho, alcançando o 11º lugar na Alemanha, o 1º lugar na Bélgica, o 4º lugar na Holanda e o 1º lugar na África do Sul.
Em 1985, houve também uma parceria com o produtor Lee Marrow, da qual Ivana Spagna emprestou seus respeitados vocais. Um destes trabalhos foi a faixa "Sayonara (Don't Stop)"(apesar de vermos uma outra loira a dublando nos vídeos).
Lee Marrow - "Sayonara (Don't Stop)"
Francesco Bontempi (Lee Marrow) aparece no vídeo, oito anos antes de criar o seu projeto de maior expressão na Eurodance: Corona. A modelo que também vemos é desconhecida.
Em 1986 o Fun Fun retornou às paradas com um novo álbum intitulado "Baila Bolero", mas desta vez sem o apoio vocal de Ivana, que deixou o grupo após o primeiro álbum para focar em sua carreira solo. Angela Parisi continuou no projeto para os discos seguintes, colaborando então com Antonella Pepe (que substituiu Spagna).
Fun Fun era uma dupla pop italiana, originalmente formada pelas vocalistas Ivana Spagna e Angela Parisi, mas a apresentação ao público era liderada por uma dupla de modelos, que às vezes variavam.
Esta gravação da Toppop foi feita em 18 de novembro de 1983.
Com essa trajetória de emprestar sua voz para vários projetos, Ivana Spagna ganhou fama de "voz fantasma" nos anos 80, e seu nome frequentemente surge em debates de fãs e fóruns de música como a grande inspiração desse modelo de produção mascarada que deu vida depois à Whigfield e J.K. (ambos produzidos anos depois pelo mesmo Larry Pignagnoli).
A relação de Ivana Spagna com a Eurodance tem mais um forte nome: Giorgio Spagna. Achou familiar? Totalmente! O cara é irmão dela, além de ser um dos produtores mais conhecidos da Eurodance.
Giorgio Spagna, Larry Pignagnoli e Ivana Spagna nos anos 80
Crédito: Foto pessoal de Giorgio Spagna
Giorgio Spagna, conhecido ainda como Theo Spagna, também esteve envolvido com a cantora/compositora Annerley Gordon e ajudou a compor o arrasa-quarteirões "The Rhythm Of The Night" do projeto Corona, além de produzir a maravilhosa "Lady Don't Cry" do Red Velvet, que é igualmente cantada pela talentosacantora Jenny B. Aliás, ao lado de seu brother, Ivana Spagna foi a Produtora Executiva de Red Velvet- “Lady Don’t Cry”.
Em 1994, Theo Spagna produziu com Davide Marsilio a faixa "Melody" do Black Rose, fazendo com que fãs brasileiros explanassem pelos fóruns de Eurodance que a vocalista deste single fosse a Ivana Spagna, mas tudo não passou de uma informação equivocada entre os entusiastas brasileiros... O single foi apenas produzido pelo irmão de Ivana (Leia mais aqui sobre a cantora verdadeira do Black Rose e seu estouro de 1994 - "Melody").
"EASY LADY": SINGLE COMPLETA 40 ANOS, MAS NÃO FOI ACEITO FACILMENTE...
Ivana Spagna lançou seu primeiro single "Mamy Blue" em 1971, mas o estrelato só chegou quando ela lançou "Easy Lady", em 1986, single que se tornou um grande hít em toda a Europa, mas alcançar esse feito não foi nada fácil...
Em meados dos anos 80, Ivana Spagna e seu irmão Theo produziram "Easy Lady" de forma totalmente independente, em um estúdio minúsculo financiado por notas promissórias. Quando levaram a música para as grandes gravadoras italianas, os produtores riram e disseram duramente que "uma cantora italiana que se chama Spagna (Espanha) e canta em inglês nunca faria sucesso".
Sem o apoio das rádios e gravadoras em seu próprio país, Spagna decidiu bancar a fabricação de uma tiragem baixíssima de vinis por conta própria. A magia aconteceu na hora de despachar essas cópias.
Uma pequena quantidade desses discos acabou sendo enviada de forma despretensiosa diretamente para a França, fazendo com que caíssem nas mãos de dois DJs franceses influentes em uma rádio local. O que era para ser apenas um lote perdido virou uma febre instantânea.
A música começou a tocar sem parar nas pistas e rádios francesas, gerando uma demanda absurda de 300 cópias por dia vindas da França para a pequena produtora da cantora. Quando a faixa estourou naquele país e ganhou Disco de Platina, os mesmos executivos italianos que tinham fechado as portas ficaram desesperados! A CBS Records (atual Sony) correu para assinar um contrato internacional com Spagna.
Spagna - "Easy Lady" (1986)
E assim, no verão de 1986, impulsionada pelo sucesso que "escapou" pelas fronteiras, Spagna voltou triunfante para a Itália, conquistando o topo das paradas e o famoso evento Festivalbar.
A música "Easy Lady" foi definitivamente a que marcou a transição de Ivana Spagna de artista dos bastidores para uma estrela internacional, impulsionada por este erro de distribuição que transformou a faixa em uma febre européia em 1986.
A cantora disse recentemente à imprensa italiana: "Tenho um carinho especial por essa música que me trouxe tanto sucesso e me permitiu conquistar o público, depois de tantos anos de trabalho árduo. Naquela época, eu morava em Salvarano di Quattro Castella, numa casa branca com um estúdio de gravação anexo. Éramos um trio incrível: eu, meu irmão Teo e Larry Pignagnoli, meu ex-parceiro e produtor. Minhas lembranças mais queridas e divertidas estão ligadas àquele período. Lembra do meu cabelo? Eu era um pouco maluca, admito, mas me sentia normal. Tanto no meu visual quanto na minha música, sempre fui espontâneo. Sempre fiz as coisas de coração." (Ivana Spagna, março/2026)
Ivana Spagna - "Call Me" é lançada em 1987
Já em 1987, foi a vez de Spagna lançar "Call Me", que foi muito mais popular! A faixa alcançou o topo da parada European Hot 100 Singles, chegou ao segundo lugar na Itália e na parada de singles do Reino Unido, além de alcançar o 13º lugar na parada US Hot Dance Club Play.
Sem dúvidas, "Call Me" é o seu maior hít comercial, sendo uma explosão instantânea de brilho e glamour até os dias de hoje. A canção começa com uma bateria de metais potente, antes de Spagna mergulhar no refrão, que é reproduzido com toda a sua força e entusiasmo.
Aqui no Brasil, o estrelato de "Call Me" também pôde ser sentido, mas de uma forma um pouco diferente. A música fez parte da trilha sonora internacional da novela "Sassaricando" (1987–1988), exibida pela TV Globo no horário das 19h. Na trama de Silvio de Abreu, a canção era utilizada como tema de locação da Escola Femina, que foi aberta pelas personagens Penélope (Eva Wilma), Leonora (Irene Ravache) e Rebeca (Tônia Carrero) para ensinar etiqueta a mulheres. A presença de "Call Me" nessa trilha (que trazia na capa a atriz Claudia Raia como a personagem Tancinha) impulsionou fortemente a popularidade da música e da artista nas pistas de dança e rádios brasileiras daquela época.
Apesar de toda essa popularidade em torno da novela, o verdadeiro charme de "Call Me" reside principalmente na instrumentação extravagante da faixa combinada com os vocais suplicantes da estrela, sendo atributos que fazem você se mexer e cantar junto automaticamente!
Spagna - "Call Me" (1987)
OUTRAS MÚSICAS DE IVANA SPAGNA PARA VOCÊ "GARIMPAR"
"Dance Dance Dance" (1987): Canção que venceu o famoso festival de verão europeu Festivalbar.
"Il Cerchio della Vita" (1994): Versão oficial em italiano gravada pela Spagna a convite de Elton John para a sua trilha sonora do filme da Disney "O Rei Leão".
"Gente come noi" (1995): Música que marcou seu retorno triunfal cantando em italiano e que conquistou o 3º lugar no prestigiado Festival de Sanremo.
17 ALBUNS E MAIS DE 50 ANOS DE CARREIRA
-O álbum de estreia da loira ganhou o título de "Dedicated to the Moon" (1986) e vendeu naquela data de estreia mais de 500.000 cópias;
-Ao longo de sua trajetória, a artista lançou 17 álbuns de estúdio, e sua carreira profissional começou oficialmente em 1971 - o ano em que nascia a modelo do Whigfield - Sannie Charlotte Carlson, acumulando exatamente 55 anos de carreira até o ano de 2026;
-Conforme registros de relançamentos da gravadora Cherry Red Records, a cantora de Italo Disco acumula mais de 10 milhões de cópias vendidas globalmente ao somar os singles e álbuns de sua carreira;
Spagna é considerada uma das rainhas da Italo Disco
-Além dos 17 álbuns de estúdio (que passeiam pelo pop, italo disco e baladas romanticas), sua discografia conta ainda com 13 coletâneas no estilo "The Best of" e mais de 50 singles oficiais;
-Embora tenha competido em pequenos festivais locais desde o fim da década de 1960, seu primeiro registro profissional foi em 1971, quando assinou com a gravadora italiana Dischi Ricordi e lançou sua primeira música "Mamy Blue".
NOVO SINGLE - 2026: "ESTOU VOLTANDO ÀS MINHAS RAÍZES NA MÚSICA DANCE"
Esse seu primeiro registro de 1971 está sendo relançado agora na Itália, em pleno 2026, em uma versão mais atual, e que fez Ivana Spagna dizer à mídia italiana: "Estou voltando às minhas raízes na Música Dance".
Spagna também reforçou “Foi a primeira música que gravei na vida, em 1971. Eu tinha 15 anos e meio e já havia começado minha carreira. É uma reedição de “Mamy Blue”, que foi escrita para mim por Herbert Pagani. Na época, eu era uma garota desconhecida, mas com uma grande paixão pela música. Meu sucesso internacional veio muitos anos depois. Essa música foi regravada por muitos outros artistas, de Dalida a Johnny Dorelli.”
Ivana Spagna, NUZZLE - “Mamy Blue” (2026)
O eu lírico de "Mamy Blue" reconta o momento em que decidiu deixar a casa da mãe ainda jovem, sem se despedir ou olhar para trás. Ao voltar anos depois para o lar de sua infância, ele narra que encontra o lugar totalmente vazio, frio e sem vida.
A música é pura emoção; é sobre a ausência da mãe, e expressa o desejo desesperado de segurar a mão dela, de pedir perdão pelos erros do passado e preencher o vazio deixado pela separação.
Sobre a ideia da criação desta nova versão, a cantora informou que estava num programa chamado 'Domenica in', como convidada, e um produtor chamado Nuzzle teve a ideia de refazer 'Mamy Blue' após os apresentadores mostrarem a capa desse raro disco.
Obviamente que a versão 2026 apresenta uma sonoridade completamente nova, mas é boa e respeita os ouvidos da galera que cresceu ouvindo os sons clássicos dos anos 70, 80 e 90.
AS POLÊMICAS DE SPAGNA
Ivana Spagna além do talento
A carreira da cantora Ivana Spagna foi marcada por muito sucesso, mas também por polêmicas intensas, que a envolveram desde alegações de plágio até visões sobrenaturais e batalhas judiciais com uma sósia.
As Acusações de Plágio
Spagna participou várias vezes do prestigiado Festival de Sanremo, e em mais de uma ocasião suas músicas foram alvo de grandes debates midiáticos.
"Gente come noi" (1995): Em sua estreia no festival (onde conquistou o terceiro lugar), a imprensa e o programa satírico "Striscia la Notizia" apontaram uma forte semelhança entre a melodia de sua música e o clássico de Natal "Last Christmas" da dupla britânica Wham!. Embora Spagna tenha negado o plágio, o caso gerou enorme repercussão na Itália.
"Siamo noi" (1998) e "Con il tuo nome" (2000): Nessas edições, Spagna voltou a ser alvo de acusações parecidas por programas de TV que buscavam semelhanças com outras composições, tornando as discussões sobre direitos autorais um tema recorrente em suas participações.
Ivana Spagna foi acusada de plágio, mas negou
Casamento que durou uma semana
A cantora italiana foi casada apenas uma vez. Em 1992, ela se casou em Las Vegas com o modelo e arranjador francês Patrick Debort. O casamento foi um "matrimônio relâmpago" e terminou em divórcio após apenas uma semana.
Visões de Fantasmas e Depressão
Ivana Spagna chocou o público e dividiu opiniões ao dar entrevistas extremamente sinceras na televisão italiana (como nos programas "Pomeriggio Cinque" e "Belve") revelando detalhes de sua vida espiritual. A cantora afirmou publicamente que vê fantasmas e que conversa com os mortos, além de ter sonhos premonitórios muito claros.
Quanto a sua depressão, tudo teve início no ano de 1997, quando Spagna engravidou e em seguida sofreu um aborto espontâneo. Esse trauma ocorreu exatamente no mesmo período em que a cantora passava pelo luto da morte da mãe, sendo uma combinação de duas perdas e fazendo a artista mergulhar em uma depressão severa.
Após o ocorrido, ela não conseguiu engravidar novamente, portanto, a loira não tem filhos. Em entrevistas à imprensa italiana, Spagna já declarou que não ter tido filhos é uma dor que a acompanhou por toda a vida.
Spagna: "Eu vejo gente morta"
Amor aos Animais
Atualmente, Spagna canaliza muito do seu instinto de cuidado para os animais, declarando abertamente o seu amor por gatos e dedicando-se à causa da proteção de animais abandonados.
Spagna também revelou que, após a morte de sua mãe, chegou a planejar o próprio suicídio, sendo salva no último instante pelo choro de sua gata de estimação. A revelação chocou os fãs pela crueza dos detalhes.
Batalha Judicial de 20 Anos contra uma Sósia
Uma das histórias mais comentadas de sua carreira foi o processo contra uma cantora chamada "Wanda".
Spagna descobriu que essa sósia estava se apresentando publicamente fingindo ser ela. O conflito escalou quando Spagna alegou que a mulher teria passado por cirurgias plásticas para se parecer intencionalmente com ela e fechar contratos de shows enganando o público.
A briga na Justiça por danos de imagem durou quase duas décadas, terminando em um acordo de paz nos tribunais apenas em 2016.
Spagna não tem vergonha de falar sobre suas cirurgias plásticas
A Relação com a Cirurgia Plástica
Diferente de muitas celebridades que escondem seus procedimentos estéticos, Spagna causou polêmica pela honestidade brutal sobre suas intervenções. Ela admitiu abertamente ter feito inúmeras cirurgias faciais, incluindo uma rinoplastia ainda nos anos 80 porque detestava seu nariz original.
Suas constantes mudanças no visual frequentemente atraem críticas duras da mídia italiana e dividem os fãs.
O Dueto em Protesto com Loredana Bertè (2008)
No Festival de Sanremo de 2008, Spagna se envolveu indiretamente em uma das maiores confusões da história do evento.
Ela aceitou fazer um dueto com a cantora Loredana Bertè na música "Musica e parole". No entanto, a música de Bertè foi desclassificada do festival logo no início após a descoberta de que não era inédita.
Em sinal de protesto, Bertè subiu ao palco algemada para cantar ao lado de Spagna em uma apresentação memorável e altamente controversa que quebrou os protocolos da TV estatal Rai.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prestes a completar seus 72 anos de idade, Ivana Spagna moldou as pistas de dança, mas o que realmente solidifica seu legado é a sua postura sem filtros.
Enquanto muitos artistas se escondem atrás de personagens, fingem que cantam, mentem que seus nomes artísticos foram criados para homenagear seus professores (sendo que a realidade é totalmente diferente), Spagna sempre optou pela sinceridade em suas falas e atitudes, encarando a fama e a indústria com uma transparência rara. Esse é o grande diferencial da loira Spagna destes outros projetos de Alfredo "Larry" Pignagnoli: Talento e Autenticidade.
Unir um talento composicional avassalador a uma personalidade tão real é o que faz suas músicas ecoarem até hoje. Ela não precisou de máscaras para reinar; bastou sua verdade.
Mesopotamia - "Vaffanculo": A Eurodance sem filtro feita para lavar a alma na pista de dança!
Se você viveu a cultura clubber dos anos 90, é impossível não ter a mente invadida pelo eco de uma das expressões mais audaciosas da Dance Music daquele período.
O ano era 1996, e o projeto Mesopotamia alcançava o topo das paradas com "Vaffanculo", uma releitura eletrônica que quebrou barreiras linguísticas e geográficas. Três décadas depois, trazemos algumas curiosidades sobre essa obra-prima das pistas. Conversamos também com a cantora por trás do microfone para entender o impacto, o mistério e o legado cultural de um projeto que marcou aquela geração.
Boa leitura à todos!
O INÍCIO DO MESOPOTAMIA
Linda Ray foi o embrião para o Mesopotamia...
"Vaffanculo", do projeto Mesopotamia, é uma releitura em ritmo dance de um grande sucesso de 1993 do cantor italiano Marco Masini. Essa roupagem dançante foi desenvolvida pelo trio de produtores italianos Cristiano Trabujo, Giuliano Rame e Mr Pozzo, conhecidos pela alcunha de Hutenti. Originalmente, a faixa foi lançada em 1993 pelo selo DIG IT sob o nome de projeto Linda Ray, trazendo vocais em inglês e batizada com o título "I Don't Want You".
O refrão? Foi mantido em italiano:
Linda Ray - "I Don't Want You" (1993)
No ano seguinte, em 1994, os mesmos produtores decidiram retrabalhar a faixa. Dessa vez, a formação sofreu uma alteração: Mr Pozzo deixou o trio, dando lugar a Peter Valdi, enquanto a vocalista original do projeto "Linda Ray" foi mantida.
Ocorreu também uma modificação crucial na letra, que foi reescrita em espanhol, preservando apenas o refrão em italiano. Lançada com o título original "Vaffanculo", a obra marcou a estreia do projeto Mesopotamia. Foi justamente a partir desse momento que a envolvente faixa desembarcou no mercado brasileiro, sob o selo da Building Records.
Mesopotamia – "Vaffanculo" (1994)
Apesar de ser uma música de 1994, a versão do Mesopotamia começou a se destacar aqui no Brasil apenas em agosto de 1996, talvez devido ao atraso da Building Records em licenciá-la. Foi também neste mês de agosto que seu single foi indicado na coluna de lançamentos "Dance Floor" da revista brasileira DJ Sound (nª67, com a Lina Santiago na capa).
Lembro ainda que "Vaffanculo" do Mesopotamia se tornou a primeira música da Building Records que me chamou a atenção nos anos 90, além de me fazer interessar pela primeira vez em comprar alguma coletânea da empresa (CD "Maxi Pan").
Sem dúvidas, Mesopotamia - "Vaffanculo" foi um marco para a gravadora Building Records, sendo um de seus primeiros sucessos comerciais.
Mesopotamia e sua "Vaffanculo" sendo indicada na coluna de lançamentos da revista brasileira DJ Sound (nº67, Agosto/1996)
Agradando aos DJ's e consequentemente o público jovem da época, "Vaffanculo" atingiu o seu pico de popularidade no Brasil em torno de setembro/novembro de 1996, sendo muito disputada nas pistas de dança e também nas estações de rádio.
A rede Jovem Pan Sat foi uma das principais responsáveis por massificar a faixa no país, tocando-a exaustivamente em seus programas consagrados como "As Sete Melhores" e "Ritmo da Noite". No extinto "Torpedo da Pan", a música era uma espécie de jingle comercial nesta atração dominical (comandada por Adriane Galisteu e Luciano Huck). Outras rádios, como a 97 FM, Metropolitana FM e a Nova FM também promoveram esse hit do Mesopotamia com bastante força em suas programações.
Quanto às compilações que esquentavam as lojas de CDs, a faixa esteve presente nos CDs "Maxi Pan", "Moinho Santo Antonio" e "Sucesso Das Pistas", todos lançados exclusivamente pela Building Records.
Sucesso total nas rádios em outubro de 1996
Ainda que o sucesso fosse visível no mercado brasileiro, o single do Mesopotamia - "Vaffanculo" só saiu em um vinil lançado na Espanha, pela Boy Records. Nesta mesma edição há ainda aquela primeira versão em inglês que ficou conhecida como Linda Ray - "I Don't Want You", que apesar de interessante, não soa tão legal quanto a espanhola.
O grande charme de "Vaffanculo" está exatamente no contraste de sua base alegre e dançante com a entrega dramática do vocal, porém, a versão em inglês me parece mais "engessada". Já a em espanhol é ótima, tem mais brilho, soa mais à vontade, a letra se encaixa perfeitamente com a melodia e o ritmo da música.
Os hits que tocavam na Nova FM...
E claro, Mesopotamia também estava lá...(outubro/1996)
'VAFFANCULO': O PALAVRÃO QUE NEM TODOS ENTENDERAM
Na época do sucesso de "Vaffanculo", eu nem imaginava que se tratava de uma regravação, muito menos o real significado do seu refrão em italiano. Para mim, era apenas uma eurodance que soava agradável e com atmosfera romântica. No entanto, o refrão carrega um palavrão pesado na Itália (equivalente ao "f*ck you"). Chega a ser insólito, pois a melodia é linda e a vibe da canção é emocionante, tornando imperceptível que há uma ofensa ali no meio, onde a vocalista manda alguém para "aquele lugar" (hahaha). De qualquer forma, a produção como um todo é magnífica, envolvente e conta com vocais maduros e eficientes. A cantora inicia em um tom mais baixo e, gradualmente, ganha força até atingir um ápice carregado de exaltação e fúria.
A faixa transborda qualidade sonora, instrumentais cativantes e elementos harmoniosos, coroada pelo vocal simplesmente deslumbrante da artista. Fica evidente que ela possui um dom genuíno e domina a arte de cantar, distanciando-se de intérpretes pop genéricas que dependem de polêmicas ou letras vulgares para atrair holofotes. Quem dera se as músicas atuais que usam profanidades fossem musicalmente agradáveis como essa, né?
Limelight - SP: Só dava "Vaffanculo"! (outubro/1996)
"Vaffanculo" começa com uma introdução melódica de sintetizadores e nos segundos seguintes transmite a sensação de alguém que está "chutando o balde". A letra dessa versão em espanhol é também diferente da original, pois o cantor Marco Masini fez um desabafo sobre a indústria musical em sua letra em italiano, citando também o preconceito dos executivos que ditavam as regras do mercado, então ele expôs a sua recusa em se submeter às expectativas da indústria e da mídia.
Já a versão do Mesopotamia foi alterada e é voltada mais sobre uma desilusão amorosa, um relacionamento onde há dúvidas, desconfiança e o sentimento de estar preso a uma dinâmica artificial.
Marco Masini - "Vaffanculo" (1993)
"Somos todos conformistas disfarçados de rebeldes."
A energia caótica e libertadora de cantar do hino original italiano de 1993
Resumindo: O termo "Vaffanculo" é um palavrão italiano que foi usado como um grito de libertação e revolta em ambas as versões, contudo, na original o eu-lírico canta contra seus críticos e detratores. Já na versão do Mesopotamia, a vocalista canta também como um desabafo, mas colocando um "basta definitivo" em seu relacionamento amoroso.
Sobre a mulher que gravou com sua voz emocionante para o Mesopotamia, ela sempre foi um mistério aos amantes da Eurodance, pois, assim como em muitas produções do gênero, infelizmente ela não foi creditada no projeto. Mas, podemos dizer que isso já é passado, visto que o nosso amigo DJ Nill Rogger conseguiu desvendar esse "quebra-cabeça" e nos trouxe a identidade desta fantástica intérprete:
TIZIANA NEGRELLO - A VOCALISTA DE "VAFFANCULO" (MESOPOTAMIA)
Soltando o verbo (e o "Vaffanculo") direto do túnel do tempo!
O nome dela é Tiziana Negrello e nasceu em Rovigo, Itália, em 7 de fevereiro de 1963. Antes de gravar para o Linda Ray/Mesopotamia, a cantora já havia gravado outros discos e compartilhava uma certa experiência nos estúdios e palcos. Seu primeiro álbum foi lançado em 1975 - "Nuda è la terra", quando tinha apenas 12 anos de idade.
Em 1986, aos 23 anos, ela teve o seu maior sucesso na Europa com o clássico cult da Italo Disco "Tell Me Why", lançado com o pseudônimo de Virgin.
Hoje aos seus 63 anos, Tiziana continua gravando e também é uma professora de canto. Tive a honra de conversar com essa maravilhosa artista sobre o clássico "Vaffanculo", então ela generosamente compartilhou com o Blog alguns detalhes sobre esse hit que nos encantou em 1996, exatamente há três décadas:
Anos 90, um microfone e a coragem de cantar o que todo mundo queria dizer
Oi Tiziana, o DJ Nill Rogger descobriu que você gravou a faixa "Vaffanculo" do Mesopotamia, então achei muito válido informar também aos demais fãs brasileiros da Eurodance sobre a sua colaboração na música. É verdade que você é a cantora deste sucesso dos anos 90? Você se lembra dos bastidores?
Oi, Rikardo! Sim, eu gravei. Muitos anos se passaram, lembro que ela foi encomendada por três caras e foi gravada por mim. Desculpe, mas não me lembro dos nomes deles. Lembro que a gravadora era a DIG IT INTERNATIONAL, em Milão. Mas eu nunca ouvi falar no nome "Mesopotamia". Suponho que tenha sido dado depois, para outros fins.
Tiziana Negrello: "Os produtores cancelaram a minha existência completamente..."
Você sabia que essa música foi um sucesso aqui no Brasil? Tocava muito nas rádios, clubs, entrou em CDs de coletâneas, sempre estava nos charts daqui...
Eu realmente não sabia dessas informações, não sabia que essa música tinha feito sucesso aí! E ninguém me disse nada a respeito. Eu tinha me esquecido completamente de ter gravado a versão em espanhol!!!! Não lembrava dessa versão. Inacreditável! 'Vaffanculo' foi ideia de três pessoas de Vicenza, Itália. Tudo era tão rápido e frio naquela época. Eu estava tentando alcançar meu futuro como uma boa cantora, mas... Eles não permitiram, né?
Tiziana Negrello com Gazebo, dois ícones da Italo Disco
Você se lembra de mais detalhes em torno dessa música?
Lembro que gravei em dois lugares diferentes. Uma versão foi em Vicenza, com o Borrillo (Roby Borillo, do grupo Los Locos), e a outra versão foi no estúdio do Nicolosi (grupo Novecento) em Milão.
As duas faixas foram gravadas em 1993, ou a versão em espanhol foi gravada em 1994?
Acho que foi em 1993. Todas as versões, eu acho. Porque fui a Milão para gravar a versão em inglês e, pouco tempo depois, gravei outra com o Borrillo em Vicenza, por recomendação da DIG IT Int. Difícil de lembrar, Rik!
Você gravou "Tell Me Why" (1986) para o projeto Virgin, que é um clássico da Ítalo Disco, mas na capa do disco... é você ou uma outra pessoa?
Sim, eu gravei no estúdio, e a letra de "Tell Me Why" também é minha. Na capa não sou eu, é uma modelo. Sabe, aos 23 anos eu não era feia, mas era a tendência daquela época, então eles colocavam essas modelos nas capas dos discos.
A primeira vez no palco de Tiziana Negrello, quando ela tinha apenas 11 anos de idade (setembro de 1974)
Você tem uma voz encantadora que nos prende e nos emociona... Você já gravou para mais projetos similares ao Mesopotamia?
MUITO OBRIGADO!!! Nasci com essa voz. É um dom maravilhoso que foi me dado. Eu lancei também algumas músicas com meu nome verdadeiro, mas quanto as músicas gravadas para produtores dance, eu nunca ouvi falar nada sobre o rumo desses discos. Foi uma enorme ilusão para mim. Sabe? Eles cancelaram minha existência completamente (talvez por causa da minha extrema confiabilidade??), então busquei outros caminhos. Gravei em 2023, na Holanda (com I Venti d'azzurro), o álbum "Let's Dance", sob o nome de Virgin. E agora estou aguardando o lançamento do novo disco, produzido na Finlândia por Kimmo Salo.
É uma pena... você tem tanto potencial...
É, esse foi o grande sofrimento da minha vida.
Para terminar, você gravou "Vaffanculo" e essa música fez sucesso aqui no Brasil. Trinta anos depois, para quem você diria "Vaffanculo"??
Hahaha, a todos aqueles que me fizeram sofrer ao longo de todos esses anos, sobretudo na música. Um grande abraço para todos vocês, de todo o meu coração!!!
Apesar de ser considerada um clássico do tipo "Lado B", "Vaffanculo" do Mesopotamia marcou profundamente a nossa geração que ouvia as novidades nas FM's e frequentava as danceterias em meados dos anos 90.
Quando pensamos na obra original de Marco Masini, lembramos de seu manifesto visceral contra os engravatados da indústria que tentaram domesticar sua arte. A canção é a catarse do artista que se recusa a ser um mero produto, mas, ironicamente, a vida meio que imita a arte quando traçamos esse paralelo marcante com a história da cantora Tiziana Negrello. Até na versão cantada por ela, há um trecho em que o eu lírico não está mais disposto em aceitar "ilusões e mentiras" e "quer outras dimensões", algo muito semelhante que ficou evidenciado na entrevista, quando a intérprete afirma que foi uma grande ilusão trabalhar com estes produtores de "Vaffanculo" e que ainda "teve que buscar por outros caminhos".
Todas as sensações que a música nos causou (e continua nos causando) e grande parte de seu sucesso se devem muito ao talento vocal desta grande artista, mas seu nome foi excluído da versão dance, e em todos estes anos ela não obteve nenhum reconhecimento por este seu fascinante trabalho que marcou nossas juventudes.
Irônico e injusto são as palavras.
AGRADECIMENTOS
Muito obrigado à Tiziana Negrello pela rápida conversa; e também ao Nill Rogger, por descobrir a identidade da cantora de "Vaffanculo".