Um pouco de senso e consciência

Um pouco de senso e consciência
Eu não me importo que vocês levem conteúdos daqui para suas plataformas (ou outras redes), mas ao menos deem uma moral para quem realmente pesquisou tais informações, né?

sexta-feira, 3 de julho de 2020

CONNIE NICE - "DANCING IN THE NIGHT" (1995)

NÃO SÃO APENAS NOTAS MUSICAIS LANÇADAS AO AR,
SÃO 25 ANOS DE CONNIE NICE E SEU SUCESSO "DANCING IN THE NIGHT" (1995)

Dançando na noite!

A história já é conhecida: Em 1995, o dial das rádios e as pistas brasileiras estavam tomados pela Dance Music italiana. Entre as várias faixas do gênero que bombavam neste período, tínhamos ela: "Dancing In The Night" do projeto Connie Nice.
Este projeto foi composto pelos produtores italianos Alessandro del FabbroMarco Vincelli, Paolino Bova e Tiziano Grassi, sendo uma produção da Dig It International.

O lançamento da música ocorreu inicialmente em maio de 1995, apenas na Itália. Depois da boa repercussão, "Dancing In The Night" foi lançada internacionalmente no mês seguinte (junho / 1995), vindo a ser licenciada no Brasil pela Paradoxx Music. Ou seja, faz 25 anos que você conhece essa "pedrada" do Connie Nice:

Video Oficial Connie Nice - "Dancing In The Night"

CONNIE NICE - "DANCING IN THE NIGHT" (1995)

Rapidamente "Dancing In The Night" conquistou a preferência de vários DJ's e ouvintes brasileiros de eurodance, pois tem uma boa melodia, uma base forte e um vocal animalesco com muita atitude, algo que lembra o estilo de Taleesa e Jackie Bodimead (TH Express - "Missing In The Rain").

Apesar da verdadeira cantora ser muito bonita, quem aparece no video oficial é uma modelo, que dubla pessimamente! É nítido que ela não sabe nem a letra da música. Sannie Carlson do Whigfield (verdadeira voz: Annerley Gordon) também deixa muito a desejar em alguns vídeos, em especial no vídeo de "Another Day", onde temos uma sincronização labial nada convincente.
Sobre essa tal modelo do Connie Nice, segundo informações se chama Consuelo Pires, mas não encontrei nada sobre ela, pesquisando com este nome.

A vocalista verdadeira de "Dancing In The Night" é a talentosa italiana Melody Castellari. Sim, a mesma voz de Surama K ("Remember") e ADAM ("Zombie"), ambos também representados pelas modelos Surama de Castro e Sissi Zosi (respectivamente).

Mas você sabia que "Dancing In The Night" havia sido gravada inicialmente por uma outra talentosa cantora?? Eu conversei com Marco Vincelli sobre a minha intenção de criar esta publicação, então ele se reuniu com Alessandro del Fabbro e Tiziano Grassi e me enviaram várias informações exclusivas, que espero que vocês gostem.


DE VOLTA PARA AS
DANÇANTES NOITES DE 1995
Novas descobertas e as perspectivas com o quarteto de produtores do Connie Nice

A animada faixa "Dancing In The Night" foi totalmente inspirada nas melodias e sonoridades existentes naquela época, os divertidos anos 90. Quem criou a melodia da música foi Tiziano Grassi, que estava experimentando várias idéias, sozinho em seu estúdio e manipulando seus equipamentos de som. Nesse objetivo de criar um riff com um refrão cativante, ele conseguiu e foi bem-sucedido nas primeiras idéias.
Marco Vincelli, que era DJ em alguns dos principais clubs de Toscana, ficou responsável pela letra de "Dancing In The Night". Ele havia retornado recentemente de uma viagem dos EUA e estava inspirado com os momentos que ele vivenciou naquele país, quando vagava pelas noites e clubs americanos. Marco Vincelli disse que há muita paixão e amor pela Dance Music nas letras de "Dancing in the Night", pois ele absorveu muitas influências dos clubs e vendo as pessoas dançarem naquelas noites.

Após criados os primeiros arranjos, Marco Vincelli e Tiziano Grassi então contaram com o profissionalismo de Alessandro Del Fabbro, também conhecido como DJ Gomma, com quem passaram dias inteiros em seu estúdio para dar o som definitivo à "Dancing In The Night", que mais tarde seria finalizado no estúdio de Gianni Bini.

Gianni Bini

Um apoio importante nesta produção foi da cantora Petra Magoni, que foi, entre outras coisas, a cantora original de "Dancing in the Night". Isso mesmo, a vocalista de outros hits do eurodance, como "This Is The Night" (New System) havia sido a primeira vocalista deste sucesso, há 25 anos... 

Surpreso com esta declaração de Marco Vincelli, o indaguei sobre a substituição da vocalista, pois apesar de Melody Castellari ser uma cantora muito talentosa e de ter feito um grande trabalho, Petra Magoni também é fenomenal.
Marco disse que Petra Magoni era sua amiga desde os tempos de escola e que eles adoraram gravar com ela, mas foi o pessoal da gravadora que optou em regravar a música.

Petra Magoni

Tudo aconteceu após a promoção de "Dancing In The Night", que já estava concluída na voz de Petra Magoni. Paolino Bova apresentou a faixa à Dig It International, um dos principais selos de dance music dos anos 90, e eles gostaram muito da música. Na verdade foi mais que isso, a gravadora viu em "Dancing In The Night" uma resposta para um outro sucesso de verão promovido por eles: Playahitty - "The Summer is Magic" (1994)

Então, por decisão da Dig It, o material apresentado teve que ser gravado novamente e a voz foi confiada à Melody Castellari, recebendo também o nome de "Connie Nice". 
Devemos ressaltar que essa opção da gravadora foi uma surpresa para Marco Vincelli e Tiziano Grassi, pois eles estavam satisfeitos com o som criado no estúdio de Gianni Bini e também com a voz de Petra Magoni.


Marco Vincelli

Marco contou-me um pouco sobre a equipe por trás de "Dancing In The Night": 
"Eu e Tiziano Grassi somos amigos há muitos anos. Já Alessandro Del Fabbro foi o DJ das minhas primeiras noites de discotecas. Quanto a Paolino Bavo, na época ele tinha uma importante loja de DJs em Toscana, foi ele que ajudou na divulgação. Cada um teve o seu papel importante para o sucesso da música... Nós eramos um time chamado 4 Free. 
A versão original foi gravada com Petra, uma amiga minha da escola, mas infelizmente a Dig It queria a Melody. Eu acho que ainda tenho o vinil original com Petra..."

Este comentário de Marco Vincelli explica algumas dúvidas que eu tinha em relação ao nome "4 Free", pois existem algumas coletâneas que exibem este nome ao lado da faixa "Dancing In The Night" (ao invés de exibirem "Connie Nice") e achava que era um erro da gravadora. Mas então faz sentido, pois era um nome fantasia dos produtores.


O LANÇAMENTO DE
"DANCING IN THE NIGHT"
Junho de 1995, indicação na revista brasileira DJ Sound

A música "Dancing In the Night" foi lançada em 27 de maio de 1995, alcançando as paradas de verão na Itália e sendo inclusa em mais de 7 compilações. Depois, já era um dos singles mais dançados da Europa e um sucesso em outros países fora também, como o Canadá e Brasil.
Marco Vincelli tem grandes lembranças dessa vigorosa canção, ele conta que estava com Tiziano passando alguns dias na turística Riccione, naquele verão de 1995, e que foi surreal entrar na histórica Baía Imperiale e ouvir "Dancing in the Night" sendo executada.

Lembrei-me nesse instante do vídeo clipe da música (que você pode conferir no topo deste artigo), e perguntei se ele sabe o nome da garota bonita do vídeo, ressaltando ainda que muito marmanjão brasileiro enlouqueceu com a beleza da jovem...
"-Hahaha !! Eu também, mas eu não a conheço. Pode parecer estranho, mas eu descobri o vídeo alguns meses, após o lançamento da música. A capa do single também tem uma bunda, mas eu também não sei de quem é hahaha!" - Marco Vincelli.
CONNIE NICE – "Dancing In The Night"
Selo: Dig It International ‎
País: Itália
Lançado: 1995
Gênero: Eletrônico, Dance Music, Eurodance

Lista de faixas
1 Dancing In The Night (Extended) 4:58
2 Dancing In The Night (Radio) 4:02
3 Dancing In The Night (XL Mix) 5:00
4 Turn Around 2:36

Gravado: Nonsense Studio
Mixado: Nonsense Studio
Letra: Marco Vincelli
Arranjos: Alessandro Del Fabbro, Paolino Bova
Produtores: Alessandro Del Fabbro, Marco Vincelli, Paolino Bova, Tiziano Grassi
Vocais: Melody Castellari

Connie Nice - "Dancing In The Night" foi super bem nas rádios e clubs, saindo também em várias coletâneas de alguns países. Aqui no Brasil, por exemplo, esteve presente em diversos discos famosos da Paradoxx Music, como "Master Hits", "As 7 Melhores Volume 3", "Loco Dance", entre outros.

Diante deste sucesso, a gravadora Dig It tratou-se de produzir um novo single para o Connie Nice, chamado "Heaven", mas se você verificar, perceberá que temos uma outra produção e sonoridades totalmente diferentes. Não são os mesmos idealizadores de "Dancing In The Night"
"-Não tem nada a ver conosco, foi uma tentativa estúpida da gravadora de repetir o sucesso. Nós não estamos nessa música. Connie Nice é somente "Dancing In The Night". 
- Marco Vincelli


A VOZ QUE DEU VIDA À 
"DANCING IN THE NIGHT":
 MELODY CASTELLARI

Melody Castellari é cantora, compositora e produtora italiana. Nascida em 10 de junho de 1975, em Bolonha (cidade que fica a 80km de Florença), ela herdou o talento de seus pais, os também cantores Corrado Castellari e Liana Castellari (Norina Piras). 

É bom ressaltar que o foco da cantora era os estúdios de gravação e não aparecer frente aos projetos. Melody Castellari apenas realizou negócios profissionais com os produtores do Connie Nice, "vendendo" a sua voz e não tendo relações mais próximas com estes músicos. Por isso, as gravadoras se viam obrigadas a recorrer às modelos, quando estas músicas faziam sucesso.


O INÍCIO DE MELODY CASTELLARI
Melody começou sua carreira nos anos 80 (quando criança), interpretando canções de desenhos animados. Aos 15 anos, ela começou a trabalhar como backing vocal, não demorando muito para que iniciasse sua carreira como cantora de estúdio, emprestando a sua voz para vários projetos de dance music. 

Com 20 anos de idade, Melody Castellari gravou Connie Nice - "Dancing In The Night", logo emendando outros trabalhos memoráveis, como ADAM - "Zombie", D.E.A.R. - "Talk To Me", Surama K - "Remember"D.E.E.P. "Gimme a Sign", entre outros...

Além de cantar eurodance para vários produtores, Melody Castellari também canta rock'n roll e tem também a sua própria banda, chamada Melody Squad

Eu tomei a liberdade e perguntei à Melody, quais lembranças que ela guarda de "Dancing In The Night". Simpática como sempre, a vocalista não deixou de nos responder e de saciar a nossa curiosidade:

"Oi Rikardo!
'Dancing In The Night' foi uma das primeiras canções de Dance Music que eu cantei, então eu era muito jovem e vou ter que buscar isso em minhas memórias...
Lembro que gravei em um estúdio de gravação localizado em Genova, aqui na Itália; a parte mais difícil foi o "OH OH" do refrão.
O produtor os queria muito "secos", eles tinham que ser "OH" e não simplesmente "Uohh ohh", que é muito mais fácil de cantar. Então eu tive que gravar essa parte repetidas vezes para fazê-lo perfeitamente.
Naquela época, os softwares não eram eficientes e avançados como estão agora, então tive que cantar até a "perfeição" que o produtor queria.
Bem, eu sei que não é muito, mas espero que seja bom para você.
😊
Um grande beijo!"
- Melody Castellari
Melody Castellari - "Dancing In The Night"

Sobre outras produções do quarteto 4 Free, Marco Vincelli finalizou o nosso bate-papo citando que, infelizmente, eles não se juntaram novamente para produzir mais singles após ao sucesso de "Dancing In The Night", pois eventos pessoais os forçaram a interromper a colaboração. Mas eles estão sempre em contato e com o desejo de criar novos sons:

"Algum tempo depois eu abri meu club e não tinha mais tempo. Quem sabe não lançamos, em breve, algo novo?... Pois nós temos muita paixão nisso, e também colocamos muito desta paixão em 'Dancing In The Night'. E obrigado à vocês, pelo interesse e por ajudar a tornar estas lembranças mais duradouras". 
- Marco Vincelli



Considerações Finais:
Sinceramente achei fascinante essa história sobre a primeira vocalista, as perspectivas e as expectativas da gravadora, os detalhes no estúdio contados pela cantora...pois o eurodance é tão carente de informações que quando descobrimos algum detalhe, é como se tivéssemos voltando àquela época de ouro dos grandes lançamentos. É um turbilhão de emoções ao descobrir histórias antes não reveladas.

"Dancing In The Night" permanecerá viva em nossos pensamentos e iremos dança-la ainda por muitas noites, durante muitos anos...
OH-OH-OH-OH!!



Agradecimentos:
À Marco Vincelli, Tiziano Grassi, Alessandro Del Fabbro e Melody Castellari por colaborarem com seus depoimentos. 
Muito obrigado pela gentileza de todos e parabéns pelos 25 anos deste sucesso.

terça-feira, 30 de junho de 2020

PENELOPE - "TAKE A CHANCE" (1995)

"Take a chance, take a chance
Are you ready for romance?"

Esta é mais uma daquelas Dance-Pop que ouvíamos muito na nossa adolescência, mas que ninguém sabe informar quem é a cantora.
Algumas pessoas me perguntam porque eu quero sempre descobrir quem canta estas faixas enigmáticas, bom...eu acho que certas perguntas não necessitam nem de explicações, mas para quem ainda insiste, um dos motivos é poder ouvir também outras músicas dos tais vocalistas misteriosos. Se estes cantores de estúdio souberam nos encantar com alguns de seus sucessos, possivelmente iremos gostar também de outros de seus trabalhos... Como é o caso de Annerley Gordon, a verdadeira vocalista de Whigfield, que cantou várias músicas excepcionais... imagine que desperdício seria, não se aprofundar e não conhecer outros projetos que também levam a sua voz? Annerley está também em Ally & Jo, TH Express ("I'm Your Side"), Ann Lee, Charme, Texture, Fruit Of Juice, Jenny J, Ella G, Housecream...e tantos outros projetos que marcaram as nossas vidas. Hoje aquela modelo canta, mas qualquer "panaca" consegue perceber que se trata de uma outra voz, além do estilo ser mais vulgar, quase uma cópia podre do funk brasileiro.

Bom, essa é a idéia principal. Saber quem canta as músicas que marcaram as nossas vidas e conhecer outros trabalhos de seus verdadeiros vocalistas. Leia a matéria abaixo e conheça a talentosa "Penelope" - que gravou há 25 anos - o seu hit "Take A Chance".

Good Trip!

PENELOPE - "TAKE A CHANCE"
OS 25 ANOS DE UMA MÚSICA QUE REMETE A ADOLESCÊNCIA NOVENTISTA!

Há muitos anos que eu tinha essa curiosidade, de saber quem é a vocalista que eu tanto ouvia em 1995, quando eu tinha 14 anos de idade e acompanhava os lançamentos do eurodance comercial. Como bom fã de Whigfield que sempre fui, logo de primeira me deixei levar por "Take A Chance" de Penelope, que tentava seguir esta mesma linha "fofinha" do projeto italiano.

Naquela época de ingenuidade, eu acreditava que a modelo do Whigfield realmente cantava, assim como também acreditava que o nome "Penelope" fosse a identidade real da cantora de "Take A Chance", mas este na verdade, é apenas o nome fantasia do projeto.

Penelope é um projeto alemão que, apesar do sucesso que alcançou com "Take A Chance", não lançou mais músicas. Este é o seu único single de trabalho, então essa misteriosa voz permaneceu viva em meu imaginário por 25 anos... 
Se você é um leitor assíduo deste simplório Blog, com certeza deve ter também essa bela voz em sua memória, além de uma leve curiosidade em relação à verdadeira vocalista.

OS DONOS DO 
"PENELOPE"

Consta na capa do single que o projeto Penelope foi uma produção dos produtores alemães Nikolaus Esche e Oliver Fahrenheit, mas também teve as participações importantes da dupla Peer Jalowietzki Ravin Mehta.
Sobre a politicamente correta letra de "Take A Chance", esta foi escrita pelo produtor Oliver Fahrenheit, mas apenas nos trechos femininos. No trechos em "rap", a letra é do próprio rapper da música: Tikiman.
Repare no conteúdo da letra, sem apelações, sem vulgaridades, sem exaltações às drogas ou criminalidades, tanto no vocal feminino quanto no masculino:

Penelope - "Take A Chance" (1995)

"Dê uma chance, dê uma chance
Você está pronto para o romance?
É agora ou nunca
Dê uma chance, dê uma chance
Você está pronto para o romance?
Talvez para sempre
Esta é a noite, você vai me abraçar forte
Eu mal posso esperar, não hesite
Aqui está meu coração, agora podemos começar
Até o amor se tornar realidade, como fazem os apaixonados..."


DETALHES DO
RAPPER
Paul St. Hilaire

Assim como muitas produções da época, este hit apresenta um vocal feminino e um rapper para dar um entusiasmo maior para a música, e isso sempre funcionava! 
No início de 2020 falamos à respeito de Asher Senator, que gravou muitos rap's em várias produções da Time Records, como Taleesa - "Let Me Be". Aqui é outro rapper, mas ele segue esse mesmo formato, fazendo uma aparente fusão de hip-hop com reggae.

O tal rapper era conhecido nesse período como Tikiman, mas por problemas judiciais ele teve que alterar o seu nome, hoje sendo mais conhecido como Paul St. Hilaire.
Ele é um vocalista de reggae nascido em Grandbay, na ilha caribenha da Dominica. Em 1995, ele produziu uma série de lançamentos apresentando seus vocais em seu próprio selo Burial Mix, que inspirou ouvintes e outros produtores desde então. Paul St. Hilaire teve inúmeras participações especiais em lançamentos eletrônicos da Stereotype, The Bug, Deadbeat, Beat Pharmacy, Modeselektor, entre outros. Ele diz: "Minha filosofia não é manter um estilo, mas estar aberto à todas as boas músicas".

Neste mesmo ano de 1995, seu famoso trecho "rap" foi adicionado em "Take A Chance", do projeto Penelope.
Ele também produziu dois álbuns solos e ainda continua gravando seus raps. St. Hilaire se apresenta também regularmente em vários locais e festivais de música por todo o mundo.


Martinez feat Paul St Hilarie - "Grandma" (2004)
Ouça e reconheça a sua voz nesta outra produção!



DETALHES DE
PRODUÇÃO

PENELOPE - "TAKE A CHANCE"
Letras: Paul St Hilaire
Letras e Música: Nikolaus Esche
Música: Peer Jalowietzki e Ravin Mehta
Produtores: Oliver Fahrenheit, Nikolaus Esche
Remixado: Team 33 / Bülo Aris 

"Take A Chance" de Penelope teve uma distribuição bem ampla, chegando em muitos países europeus como Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Suíça, Finlândia... e lógico, como o Brasil estava tocando muito eurodance em 1995, também chegou na América do Sul graças à Paradoxx Music. 
A saudosa gravadora brasileira licenciou a faixa e a incluiu em algumas coletâneas, como "Hot Nine Seven Volume 2" da 97 FM, sendo um sucesso também na Jovem Pan Sat, além de várias outras FMs e principalmente nos clubs brasileiros.

O single foi gravado no estúdio White Wedding Studio, em Berlim, e distribuído pelo importante selo Edel, que era uma companhia responsável também pelos lançamentos de Fun Factory, DJ Bobo, 2 Eivissa, entre muitos outros que você também deve conhecer.
Aliás, o respeitado produtor Bülent Aris e a equipe Team 33 também colaboraram neste single de Penelope. Eles contribuíram nas versões "single mix" e "club mix", por isso muitas pessoas encontram similaridades de "Take A Chance" com as produções de Fun Factory, Darkness e principalmente Chak, com o hit "Summer Party":

Chak - "Summer Party" (1995)
Os cantores eram os integrantes do Fun Factory, estes três modelos não cantavam nada.

A POSSÍVEL VOCALISTA

Eu havia perguntado há alguns anos para Peer Jalowietzki, sobre a verdadeira vocalista, mas ele então informou-me que não se lembra de sua identidade, apenas complementou que era uma cantora de estúdio da cidade de Berlim. Então, nesse primeiro passo eu não obtive sucesso.
Já Ravin Mehta, atualmente não é mais produtor musical e quase nem acessa mais suas redes sociais. Mehta agora é diretor-gerente de uma empresa relacionada à computação (ele a fundou, na verdade), sendo um cientista da computação e totalmente fora da música.
Oliver Fahrenheit continua com suas produções, mas visualizou e não respondeu nenhuma das minhas mensagens. Já esperava essa "ignorada" da parte dele, pois ele é meio "recluso" e nem suas imagens encontramos pelos websites. Uma simples mensagem enviada seria um milagre. 
Segundo o produtor Peer Jalowietzki, ele não se lembra do nome da vocalista. 

Vestígios da cantora começaram a aparecer quando eu resolvi conhecer o acervo musical dos produtores do Penelope, onde conferi outras excelentes músicas, aparentemente não lançadas no Brasil. São produções que merecem a nossa atenção, apesar de totalmente desconhecidas. O mais legal nessas descobertas, é que pude reconhecer a voz da cantora em alguns destes outros trabalhos, como a vigorosa "I Can Fly" do projeto Sonic Beat. 
Ouça, é a mesmíssima e estridente voz da vocalista do "Penelope":

Sonic Beat - "I Can Fly" (1995)

Mas fiquei praticamente na mesma situação, pois em nenhum destes singles a intérprete estava sendo creditada. 
Além destas músicas com este mesmo time de produtores, fui reconhecendo outros vocais semelhantes em outras produções, gerando então uma coleção de várias músicas, só faltando mesmo o nome da artista. A dificuldade estava em encontrar o nome da vocalista, já que nunca era creditada.
Ouça mais uma possível música na sua voz:

Mark Oh- "Tell Me" (1996)

Dois anos se passaram e a investigação estava pausada por falta de evidências. Mas eis que encontro no encarte do projeto Savannah, um pequeno crédito vocal para uma tal de Gebi Cooper, que me fez ficar animado novamente, pois aparentemente é a mesma voz nas músicas anteriores. Mas quando eu fazia alguma busca utilizando esse nome, mais uma vez não encontrava nenhuma informação e a investigação ficava mais uma vez estagnada. 
O vocal lembra o mesmo de Penelope - "Take A Chance" e o crédito é para essa "Gebi Cooper", mas não encontrava nenhum registro com este nome. Nesse instante lembrei-me do caso Randy Bush, pois eu também havia chegado na compositora Emanuela Berti, mas com este nome eu não conseguia nenhuma outra informação adicional. Na verdade, iria conseguir uma vasta lista de informações caso procurasse por Emy Berti.

Este projeto Savannah lançou apenas uma música ("I'll Be There") e teve a produção de Stefan Knauthe em parceria com Peer Jalowietzki e Oliver Fahrenheit, ambos do Penelope.
Perguntei à ele, mas também disse que não se lembra do nome completo da cantora, mas que era conhecida como "Gabi". Na capa deste single tinha uma modelo, então ele reforçou isso, que a moça da capa não é a verdadeira cantora, finalizando com "foram tempos estranhos":

"Eu lembro que seu nome era Gabi e seu sobrenome holandês"
- Stefan Knauthe

Savannah - "I'll Be There" (1998)
Ouça outra música na possível voz de Penelope. Agora estamos chegando perto. Seu nome parece ser Gebi, ou Gabi... 

Um belo dia, sem planejar nada, eu estava ouvindo o grupo alemão Real McCoy e não é que percebi a mesma voz de "Gebi Cooper", numa das músicas???
Pois é, em 1999 o grupo Real McCoy ressurgiu com uma nova formação, e uma das integrantes parecia ser a vocalista do Penelope. Como eu tenho certeza disso?? Meus ouvidos estavam acostumados à voz dela, então senti aquele "estalo" quando ouvi a música "Hey Now" (além dos créditos de produção que obtive acesso depois...). Ouça:

Real McCoy - "Hey Now" (1999)
Aí você vai colando alguns detalhes, como a nacionalidade do Real McCoy, que também é alemão...

O Real McCoy relançou em 1999 uma nova versão para um de seus primeiros hits: "Its On You". Essa atualização da antiga faixa lembra muito as produções do Vengaboys, que era muito popular naquele fim de anos 90. Os vocais também foram substituídos pelos novos vocalistas, então mais uma vez pude ouvir e reconhecer a voz de "Gebi Cooper":

Real McCoy - "It's On You" (1999)
Não sei quanto aos outros integrantes, mas aparentemente a moça de vestido branco realmente cantava.

Os créditos da produção depois confirmaram seu nome completo:

Finalmente pudemos encontrar os créditos que informam a identidade real da vocalista de "It's On You" (1999). A outra moça (Ginger Kanphuis) provavelmente não cantava, parece que apenas performava.

GEBI COOPER 
GEBY KOOPMANS:
A VOCALISTA DE INÚMEROS PROJETOS

O nome real da vocalista é Gabriele Koopmans e um de seus pseudônimos era Gebi Cooper, mas como quase nunca era creditada, nada conseguíamos encontrar sobre ela.
Ela atende hoje como Geby Koopmans, e mesmo com este nome, ainda encontramos poucos trabalhos creditados na sua voz.
Numa das poucas páginas que falam sobre Geby, ela se apresenta como:

"Olá, meu nome é Geby. Sou cantora, compositora (Warner Chappel), palestrante e vocalista com sede em Berlim. Eu sou a voz de muitas músicas, mas quase não apareci nestes trabalhos. Eu amo música de todos os tipos e ensino canto também. Sou mais próxima do Jazz, canções pop, R&B ou até Dance, como você pode me ouvir em muitas produções."
- Geby Koopmans



Geby Koopmans emprestou a sua voz, no início dos anos 2000, para uma música que cheguei a ouvir bastante nos clubs: DJ SPUD - "Set It Off":


DJ S.P.U.D. ‎– "Set It Off" (2002)

Suas raízes são holandesas (lembra do sobrenome que o produtor Stephan disse ser holandês?), indonésias, portuguesas e armênias, que segundo ela, permitem uma abordagem muito natural da música e dos ritmos. Geby vem de uma grande família de músicos, portanto cantar, dançar e atuar sempre foram parte integrante da sua infância e da sua educação.

A mãe de Geby tinha uma banda nos anos 90, juntamente com seus dois tios. Seu amor pela música começou aí, ela diz que veio da sua família e que os gêneros Soul e R&B logo se tornaram as suas preferências musicais. 
Como já deu para perceber, ela fez muitos trabalhos exclusivamente em estúdios, ou seja, "nos bastidores" de artistas conhecidos. Ela também diz: 


"É mais provável que você conheça a minha voz do que meu rosto".
- Geby Koopmans

Geby Koopmans é bem versátil e também se sente em casa cantando Jazz. Ela gravou com artistas deste gênero também, como a Orquestra RIAS de Berlim, Jocelyn B. Smith, Katja Riemann e Jazzanova.
A voz de Geby não é muito difícil de ser reconhecida, é bem estridente, principalmente quando pronuncia algumas palavras com términos em "Ai", como "Fly", "High", "Sky", entre outras que soam como agudos penetrantes.

Geby também foi backing vocal para grandes artistas como Celine Dion e Lionel Richie, onde definiu estes trabalhos como: "obviamente grandes honras!"



Como compositora, ela é contratada da Warner Chappel e também é treinadora de canto, tendo a sua própria sede de treinamentos chamada Koopmans Coachins.
"Como tenho prática em cantar no estúdio e também sou uma cantora de palco, decidi ensinar canto. É ótimo ver a autoconfiança dos meus alunos aumentar com as aulas de canto."

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Gabriele Koopmans é muito discreta, não tem redes sociais e prefere trabalhar longe dos holofotes. Mandei algumas mensagens à ela, perguntando se existem mais músicas na sua voz em parceria com os produtores de "Take A Chance" (Penelope), mas não teve interesse em responder. Depois de algumas semanas criei um e-mail falso e entrei em contato novamente, mas agora dando a entender que queria me matricular em suas aulas de canto. Traduzi em alemão e enviei. O contato dela veio imediatamente.

Penelope - "Take A Chance" me remete muito ao Ensino Médio, hormônios em ebulição, Mamonas Assassinas (sim, eles estavam no auge), matinês, verão de 1995, muitas amizades e diversão! 

Edit: Geby Koopmans está dizendo que não é sua voz em Penelope - "Take A Chance", embora o dono do estúdio confirmou que ela gravou essa e outras músicas com eles. 


Tivemos outras cantoras que também negaram ter cantado "dance music", mas depois elas me enviaram mensagens privadas confirmando que sim, e disseram ainda que hoje estão fazendo outros trabalhos totalmente diferentes. 
Não estou afirmando que é o mesmo caso do projeto Penelope, mas foi muita coincidência chegar nessa vocalista e ver que ela trabalhou com os mesmos produtores do Penelope. 
Infelizmente não existem videos de Geby Koopmans cantando ao vivo - para analisarmos melhor os seus vocais -  então com essa negação da cantora, não dá para ter certeza se é ela. Eu até havia perguntado se ela tem algum canal no Youtube para que pudéssemos assistir suas "Lives", mas ela não respondeu.
O que eu posso dizer é que ela trabalhou sim com os produtores do Penelope em várias músicas, mas não tenho nenhuma apresentação ao vivo da vocalista para analisar com mais clareza, se é a sua voz em "Take A Chance".
Hoje ela é professora de canto /  treinadora vocal e tem orgulho de ter gravado algumas músicas, como exemplo ter colaborado com Celine Dion e Lionel Richie (um grande cartão de visitas para o seu atual trabalho).
Nós gostamos muito de "Take A Chance", mas é visível também que várias pessoas "ridicularizam" muito a música hoje em dia. Existe um artigo que fala sobre o rapper Tikiman e refere-se a este trabalho como "trash" e "eletro eslameado", numa definição próxima de "medíocre": 
"Tikiman foi convidado em "Take a Chance", um trash de eletro-euro-eslameado, de uma certa Penelope. Começos estranhos, de fato, e muito distantes dos lançamentos dos sons que o influenciaram inicialmente."


Talvez esse seja o motivo de Tikiman nunca citar seu sucesso de 1995... Além do artista ter sido o rapper da canção, ele foi também um dos compositores de "Take A Chance", mas curiosamente nunca menciona o single. 
A impressão que dá, é que muitos destes artistas não tem muito orgulho de "Take A Chance"...

SEGUE O VÍDEO COM TRECHOS DE ALGUMAS MÚSICAS QUE ME LEVARAM AO NOME DE GEBY KOOPMANS:
No aguardo dos próximos capítulos...
Só espero que não demorem mais 25 anos.




sexta-feira, 29 de maio de 2020

SERENA - "RIDIN' HIGH" (1995): 25th ANNIVERSARY

Hoje é um dia muito importante para mim, pois finalmente consegui concluir esta investigação sobre "Ridin' High" de Serena. Eu sempre quis saber quem era essa vocalista (e ouvir outras músicas na sua linda voz) e esse dia finalmente chegou! Pois é meus amigos, QUEM PROCURA, ACHA!

E, coincidentemente, "Ridin' High" está completando o seu 25º aniversário de lançamento, ou seja, nada melhor que uma comemoração bem especial, não é mesmo? Motivos para isso, não nos faltam!

Então, orgulhosamente apresento-lhes:

OS 25 ANOS DE "RIDIN' HIGH" E O ACORDO SECRETO ENTRE A VERDADEIRA SERENA E SEUS PRODUTORES

"ME SINTO COMO
SE PUDESSE VOAR"
Foram necessários dois anos pesquisando, entrando em contato com vários músicos, juntando inúmeras informações e ouvindo diversos vocais para finalmente poder fechar este quebra-cabeça chamado "SERENA". Bom, mas o que eu posso dizer sobre "Ridin' High"? Essa canção fez parte da minha adolescência, eu ouvia direto na coletânea "TV Dance", dancei muito nos clubs, além de ouvi-la assiduamente na programação da Jovem Pan, 97 FM, Metropolitana e tantas outras rádios que se dedicavam no gênero eurodance. É um hit supremo, bem produzido, com vocais encantadores e uma melodia extremamente harmoniosa!

Podemos encaixar "Ridin' High" facilmente no estilo de músicas do "Whigfield", pois sua letra é bem simples, a voz da cantora é bem "fofinha", contém arranjos cativantes e uma base pop-dance bem envolvente.
Sobre a letra, a vocalista diz na música que está se sentindo muito bem e compara isso com a sensação de poder voar, então no refrão você ouve: "Voando Alto, Oh Sim!""Voando alto no ritmo""Voando alto no sentimento" e "Voando alto numa coisa boa". É, "Ridin' High" apresenta pouquíssimas palavras e são repetidas numerosas vezes, mas tudo com muita sintonia, charme e sutileza. Outro diferencial são os doces vocais, que fazem o seu ouvinte "viajar" numa vibe muito positiva e radiante.

Um fato curioso, é que algumas pessoas interpretam a letra da música com um duplo sentido, pois "ficar alto" também pode significar "se embebedar" ou "ficar de fogo", mas eu prefiro acreditar na inocência e na pureza da música, pois a carga emocional que construí ao longo destes anos (e também influenciado pela voz delicada da cantora) não combina com este outro conceito, que é mais pesado e negativo.
Creio que atualmente existe muito mais malícia do que antigamente, então as pessoas enxergam "maldade" onde não tem, ficam apenas procurando brechas para poderem destrinchar suas teorias maliciosas.

Enfim, "Ridin' High" é uma "babinha" de respeito e que tem muitos fãs ainda hoje, além de ter sido um dos hits de 1995 que mais invadiu as famigeradas coletâneas da Paradoxx Music, como exemplo "TV Dance Vol 1", "As 7 Melhores da Jovem Pan Vol.3", "DJ Express", "Mega Dance Non Stop", "Flash Hits", "Mid Back", e etc.

O INÍCIO 
DO SERENA
Os produtores de "Ridin' High" são os talentosos britânicos Mike Stock e Matt Aitken, que escreveram e produziram este sucesso em 1994, logo no início da gravadora Love This Records.
Na verdade, essa dupla já era consolidada no cenário musical há muitos anos, pois fundaram na década de 80 a famosa PWL (ao lado de Peter Waterman), produzindo e lançando muitas power tracks oitentistas de Kylie Minogue, Jason Donovan, Lonnie Gordon, SinittaRick Astley, Sybil, Sonia, e muitos outros artistas da cena euro-pop.
Na nova empreitada da dupla, Aitken e Stock então criaram a Love This Records com a finalidade de produzir novos sucessos para os meados dos anos 90, e seus primeiros artistas desta geração eram praticamente Nicki French, Newton, Tatjana e Serena.

Os produtores e empresários Mike Stock e Matt Aitken

"Ridin' High" foi gravada em 1994, porém lançada oficialmente apenas em junho de 1995 e sendo um grande sucesso nas rádios e clubs do Brasil. Por falar nisso, o nosso país foi onde "Ridin' High" conseguiu alcançar mais sucesso do que em qualquer outro lugar do mundo.
Depois do Brasil, podemos dizer que o Reino Unido foi o 2º país que mais deu destaque à esta linda faixa, que segundo registros da época, atingiu a posição #8 no The British D.J. Chart e permaneceu no Club TOP 40 por várias semanas.
O curioso de tudo, é que este single britânico foi retirado às pressas das lojas após o seu lançamento, como se a gravadora tivesse recebido alguma ordem judicial, o proibindo de ser comercializado. É um mistério que ninguém sabe explicar...aliás, outro mistério, né? Pois o maior de todos mesmo, é saber que rumo levou a tal "Serena"...

O rapper Einstein

Quem ouve a música, logo sente a presença de uma voz masculina também. Temos um rapper aqui, e isso era praticamente um padrão para os eurodances dos anos 90. Além do ótimo desempenho da cantora, encontramos em "Ridin' High" a não menos importante participação de Einstein, que já colaborou em outras produções de Stock, Aitken, Waterman ("Roadblock"), além de ter trabalhado com Technotronic ("Turn It Up"), Snap! ("The Power' 96"), entre outros.
Ou seja, o cara tinha muita competência e trabalhou em grandes grupos, um especialista em misturar rap com dance music. E sem dúvidas, as rimas de Einstein ofereceram ainda mais animação e energia para "Ridin' High".

"OH YEAAHHH!"
OUÇA "RIDIN' HIGH":

Apertem os cintos para esta viagem e cantem comigo:
"Feels so good (Oh Yeah!)
I feel like I could fly...
Ridin' high on the rhythm"

O ACORDO SECRETO DA GRAVADORA
Alguns fãs gringos de "Ridin' High" tem muitas dúvidas em relação a cantora "Serena", aliás, alguns até acham que a vocalista é brasileira, pois tem vários videos do projeto no Youtube e sempre com muitos comentários do povo brasileiro.
No ano passado (em 2019), eu fiz um artigo especial sobre a coletânea "TV Dance" e comentei um pouco sobre cada faixa deste fantástico CD, mas fiquei frustrado por não conseguir revelar aos leitores quem seria a misteriosa Serena. A moça que vocês podem ver na capa do single não é a vocalista, mas sim uma modelo nos mesmos moldes de Sannie Carlson (Whigfield), Patrizia Cavaliere (Randy Bush), Olga de Souza (Corona), Serena Volpini (New System), e tantas outras que só enfeitavam os discos, palcos e videos. Serena foi apenas um projeto, onde a cantora real não aparecia.

"Serena é brasileira?"

Este projeto foi inspirado totalmente em Whigfield, pois Mike Stock e Matt Aitken estavam maravilhados com o sucesso de "Saturday Night" em todo o continente europeu, principalmente no Reino Unido (a música quebrou recordes por lá e até entrou no Guiness Book), então eles queriam produzir a sua própria Whigfield, com as mesmas características do projeto italiano.

Com "Ridin' High" sendo lançada, Stock e Aitken puderam oferecer ao público o mesmo teor pop dançante de Whigfield, assim como uma letra fácil de ser cantada, e sem que saibamos, também a mesma prática de colocar uma cantora no estúdio e uma modelo na capa dos discos.
Sobre a verdadeira cantora, sim os produtores já tinham há muito tempo a sua própria 'Annerley Gordon', e guardada a sete chaves nos estúdios...

Essas são as duas únicas imagens da "Serena" que conheço

Os produtores contrataram então uma modelo, que de rosto era até muito parecida com Sannie Carlson, e essa moça com seus cabelos negros foi apenas a front-lady do Serena.
A única informação que sabemos a seu respeito, é que ela durou muito pouco no Serena, e não existem muitas imagens dela (no projeto) disponíveis na internet.

Interessante que, numa destas tentativas de descobrir quem foi Serena, eu acabei descobrindo uma informação que eu não esperava. Eu tive acesso a uma descrição publicada no site da gravadora italiana S.A.I.F.A.M., que dizia que a vocalista de seu projeto Lisa Milton havia cantado antes em Serena - "Ridin' High". Seria verdade o que eu estava lendo??


Esta biografia misteriosamente não está mais disponível no site da S.A.I.F.A.M.
Realizei um "print" antes de publicar o artigo sobre "TV Dance".

Como vocês podem ver, esta é uma biografia de Lisa Milton (música "Ai No Corrida"), mas em suas últimas linhas fica claro que ela havia cantado anteriormente no projeto Serena, e ainda especifica que é a mesma vocalista de "Ridin' High" e que seus produtores eram Mike Stock e Matt Aitken. O problema é que, apesar de serem vozes espetaculares, os vocais de Serena e Lisa Milton são diferentes...
Ou seja, é uma biografia "fake" inventada para a personagem "Lisa Milton". Não sei qual é o nome real da modelo, mas posso afirmar que ela não gravou nos estúdios as músicas dos projetos Serena e Lisa Milton. A italiana S.A.I.F.A.M quis apenas utilizar da trajetória do Serena para o seu projeto Lisa Milton, a fim de ganhar o público que já conhecia "Ridin' High" (eles tinham relações amigáveis com a Love This Records, possibilitando esta troca de informações entre seus artistas), mas isso acabou impactando também nesta investigação, pois é uma "fake news" que não ajudou em nada, pelo contrário, só atrapalhou nessa minha pesquisa. Os produtores italianos criaram este elo de ligação com o projeto britânico e com isso favoreceu os dois estúdios, pois assim ajudaram a ocultar mais ainda as duas verdadeiras vocalistas dos dois projetos.

Mas vocês querem saber a verdade? A voz de Lisa Milton é a mesma voz de Jenny, a garota que canta com Ken Laszlo os hits "Whatever Love", "Video Killed The Radio Star", "When I Falling In Love" , entre outros, que ironicamente também era representada por uma modelo, a russa "Tatiana", que já veio ao Brasil dublar com Ken Laszlo, em 1997. A verdadeira "Jenny" era uma cantora de estúdio fixa da S.A.I.F.A.M já há alguns anos e gravou muitas tracks conhecidas por nós.

ACERVO DE 
INFORMAÇÕES
Eu fui colecionando várias informações que conseguia com os produtores, assistentes e engenheiros de som, mas eles se recusavam em dizer o nome da verdadeira cantora, mas o pouco que me informavam eu fui agregando, para poder concluir este ato.
Um certo dia procurei pela cantora Nicki French no twitter, e fiz o mesmo questionamento à ela. Sempre simpática, ela me respondeu dizendo que se lembra sim da "Serena", mas disse-me que perdeu o contato no decorrer dos anos. Óbvio que Nicki não queria se comprometer falando a respeito desta farsa:

Nicki French falando sobre Serena

Então, devido ao modo como Nicki falou, eu pude perceber que a cantora Serena nunca havia existido de verdade... Era só um projeto com uma cantora de estúdio.
Eu já havia perguntado antes ao produtor Mike Stock, a respeito da vocalista e seu nome real, mas ele apenas me enrolou e não disse o nome verdadeiro da artista. Tornei a lhe perguntar, mas Stock me ignorou. Então, como eu tinha encontrado muitas similaridades entre o vocal do projeto Les Deuxs com o vocal de Serena, eu fui no twitter e perguntei à ele sobre quem seria a voz na música "Since Yesterday" (Les Deuxs), que não sei como, mas respondeu-me tranquilamente: Mae Mckenna e Miriam Stockley.
(Lembro-me que, uma certa vez, Mike Stock foi bem chato com um fã que fez essa mesma pergunta há uns anos antes. Você pode conferir isso no artigo sobre "TV Dance").

Mas quando ele citou os nomes das vocalistas, neste momento me lembrei novamente da Nicki French, pois ela disse que conheceu a verdadeira "Serena", e quando você verifica os nomes dos colaboradores do seu álbum "Secrets"... Quem estão lá como backing vocals? Elas novamente, Miriam Stockley e Mae Mackenna!

Já existia uma pergunta de alguém para Mike Stock, sobre essa mesma dúvida, mas o produtor não havia respondido à tal pessoa. Então o que eu fiz foi apenas "ressuscitar" este assunto, quatro anos depois...só aí que Mike Stock apareceu:


Mas pera aí, eu consigo ouvir uma destas vozes em "Ridin' High", então eu disse isso ao Mike também, que surpreendentemente curtiu e retuitou o meu comentário. Acredito que ele não pode confirmar em palavras para não levantar provas contra si, mas fez isso para confirmar o meu raciocínio. É obvio que não devemos acreditar 100% nestes produtores, mas neste caso, fazia todo o sentido pela semelhança nos vocais, e é sabido também que uma pessoa só retuíta aquilo que ela concorda, ninguém retuíta algo que desaprova ou discorda.


Eu já conhecia alguns trabalhos da dupla Miriam Stockley e Mae Mckenna, mas a maioria apenas em suas funções de backing vocals, em singles de Kylie Minogue, Nicki French, Tatjana, Jason Donovan... poucas músicas propriamente delas, então tive que recorrer aos seus trabalhos solos para confirmar se o produtor estava brincando, ou assumindo a verdade nas entrelinhas.
Então, após diversas audições, agora eu posso afirmar com toda a certeza à vocês que... o Serena é cantado de fato por Miriam Stockley e Mae Mckenna. E complemento mais ainda: O Serena foi um projeto britânico que surgiu para pegar carona no sucesso do italiano Whigfield, e seu nome "Serena" tem uma relação direta com os sobrenomes de suas duas vocalistas, sendo uma junção de Stockley + McKenna.



Outra informação importante, quando perguntei à Mike Stock sobre quem seria a vocalista, ele me disse que ela era de Surrey, que era muito talentosa, e até se demonstrou muito grato de ter trabalhado com ela. Stock não citou nenhum nome, mas neste caso ele estava se referindo a Mae McKenna, pois ela mora em Surrey, como diz esta reportagem com o seu filho (Jamie Woon, que também é músico).

Essa é uma demo rara de "Especially For You", que ficou conhecida nas vozes de Kylie Minogue e Jason Donovan. 
A versão aqui é cantada por Mae Mckenna e Mike Stock (sim, ele também cantava e gravava de vez em quando).

Mas sabem de uma coisa? Minha dificuldade era conseguir encontrar a voz de Mae McKenna em "Ridin' High", pois eu não conseguia sentir a sua voz neste hit de 1995... Eu só conseguia me conectar com os vibratos de Miriam Stockley. Onde Mae McKenna está encaixada neste projeto, afinal??

A resposta vem na faixa "Denis". Esta foi a 2ª e última música de Serena, publicada em 1996 (também pela Love This Records), sendo uma regravação do Blondie e saindo apenas em poucas compilações. Esta faixa foi lançada de maneira tímida, mas você pode encontra-la nas coletâneas "As Borbulhantes da Pepsi Vol. 2" e "Hot Nine Seven Vol. 4".

Este trabalho de Serena não tocou nas rádios e nem nos clubs, justamente por não ter tido uma divulgação bacana como o single anterior, aliás, nem single essa música ganhou.
Então, procedendo nesta realidade, fica claro que Mae McKenna e Miriam Stockley eram as vocalistas reais do Serena. A equipe de Mike Stock se esquivou o tempo todo pois não podiam dizer os nomes reais das vocalistas - sabiam que iriam entregar a farsa. Mas algumas palavras ditas colaboraram muito com essa investigação, e me induziram a ouvir mais as vozes de ambas para constatar o que já estava como suspeito.

COMO É BOM SABER QUEM ERAM OS ARTISTAS QUE FAZIAM A GENTE SUAR NAS PISTAS
d
A verdadeira vocalista de Serena

O projeto Serena, como dito anteriormente, nasceu influenciado pela voz e sucesso de Annerley Gordon (Whigfield), então Mike Stock e Matt Aitken resolveram explorar uma de suas backing vocals mais talentosas neste projeto: MIRIAM STOCKLEY. 
É dela a verdadeira voz em "Ridin' High"!!!

Depois de anos pesquisando, finalmente posso dizer que o projeto Serena foi composto não por uma cantora, mas sim por duas grandes cantoras: Miriam Stockley e Mae McKenna.
Recapitulando: Ambas foram backing vocals para Nicki French, Tatjana, Suzann Rye, Sybil, Deuce, Kym Mazelle & Jocelyn Brown, entre outros inúmeros artistas "dance" da gravadora.

Mas, por que apenas em Serena que estas duas fantásticas artistas não marcam presença?? Por que aqui neste single elas não foram creditadas como backing vocals também????
Justamente pelo motivo do projeto Serena ser com elas no comando.


COMPROVEM COM SEUS OUVIDOS: 
A DONA DA VOZ EM 
SERENA - "RIDIN' HIGH"
Assistam este vídeo comparativo com muitas músicas na voz de Miriam Stockley, que revelam o seu agudo e a sua doçura tão característica.

Miriam Stockley é uma conceituada cantora 
que gravou com muitos artistas e em diversos gêneros musicais

Miriam Arlene Stockley (15 de abril de 1962) é uma cantora e compositora sul-africana. Ela nasceu em Johannesburgo, na África do Sul, e começou a cantar aos 11 anos de idade, quando formou uma dupla com sua irmã chamada Avryl, as Stockley Sisters. Elas tiveram um sucesso com a música "Venus" em 1976, que entrou no Top 30 da África do Sul, dez anos antes da versão de Bananarama. Logo depois disso, ela foi convidada para gravar um jingle para um comercial, então aí começou a sua fantástica carreira solo no mundo da música. Ela gravou um LP em 1979 - "Miriam Stockley", quando tinha seus 17 anos de idade.

Quando completou 18 anos, Miriam se mudou para Londres, onde conheceu muitas pessoas, cantores, produtores, compositores e demais profissionais ligados à arte musical.
Desde que se mudou para o Reino Unido, trabalhou como backing vocal de muitos artistas conhecidos.
Durante o final dos anos 80 e o começo dos anos 90, Miriam Stockley trabalhou como cantora de estúdio para o trio de compositores e produtores britânico Stock, Aitken e Waterman. A cantora foi destaque em faixas de Kylie Minogue, Jason Donovan e Sonia. Juntamente com a cantora Mae McKenna, Stockley é creditada por ser parcialmente responsável pelo som distinto de Stock, Aitken e Waterman dos anos 80 / 90.
Com sua imensa versatilidade, ela se adequou ao pop, ao rock, ao reggae, à dance music, à música indiana e também à new age.

Alguns artistas do cast da PWL
Em muitos destes trabalhos, Miriam Stockley colaborou como backing vocal

Em 1991, Stockley se tornou parte do grupo Praise, cujo single "Only You" alcançou o #4 na parada de singles do Reino Unido. Um ano depois, a banda (com Miriam Stockley novamente nos vocais) lançou seu segundo single, "Dream On".  O álbum de nome "Praise", saiu em 1992.

Em 1994, quando tinha 32 anos de idade, Miriam Stockley gravou "Ridin' High" para o projeto Serena, uma das primeiras produções da Love This Records. Em 1995, e ao lado de Mae McKenna, ela foi backing vocal no álbum "Secrets" de Nicki French. Em 1996, exerceu a mesma função com a sua colega McKenna no álbum "New Look" de Tatjana Simic, além de outras diversas participações e trabalhos como cantora de estúdio.

A cantora sul-africana recebeu grande reconhecimento em 1995, quando se tornou parte do projeto Adiemus do músico Karl Jenkins (ex-membro da banda de jazz Soft Machine). Jenkins estava gravando uma música para um comercial de uma empresa de aviões e contratou Miriam Stockley para cantar os vocais principais. A cantora se apresentou em todos os álbuns do Adiemus desde então. Em 1999, ela lançou seu primeiro álbum solo, que foi simplesmente intitulado de "Miriam". Seu trabalho é bem influenciado pela música africana de seu país de origem.

Em 2001, Miriam lançou seu 2º álbum "Second Nature";
Em 2006, ela retornou com seu 3º álbum intitulado de "Eternal". Estes três álbuns da cantora seguiam um estilo mais modern classical, ou new age.

Além de cantora e compositora, Miriam Stockley também é consultora musical, arranjadora vocal e produtora. Ela tem o seu nome registrado em produções de vários artistas já citados aqui, e isso inclui também a banda (de rock) Queen, George Michael, Alphaville, Sarah Brightman, Montserrat Caballé, Tina Turner, Bonnie Tyler, além de muitos outros. Cantou também algumas trilhas sonoras para filmes bem populares, como "Moulin Rouge: Amor em Vermelho" (2001) e "O Senhor dos Anéis: Sociedade do Anel" (2001).

Eu entrei em contato com Miriam Stockley e perguntei se é dela a voz em "Ridin' High" (Serena), mas como eu já imaginava, ela negou. Fez exatamente igual a Emy Berti (Randy Bush), Annerley Gordon (Whigfield) e tantas outras.

Com uma voz cheia de técnica e versatilidade, 
Miriam Stockley deu vida à "Ridin' High"

Depois de algumas semanas, perguntei à Miriam se ela havia cantado em Les Deuxs - "Since Yesterday", mas negou mais uma vez. Ou seja, até nas músicas já confirmadas pelo próprio produtor, ela continua informando que não contem a sua voz. Mas nós entendemos o seu ponto de vista e o seu lado profissional, afinal, este era um acordo secreto da época, entre vocalistas e produtores. Sem falar que ninguém tem orgulho daquilo que não é autêntico, daquilo que é envolvido em esquemas ou manipulações, e a carreira solo dela não visa isso, então ela prefere não ter vínculos com esses projetos...

"Sinto muito, mas não sou eu"...e ainda elogiou a música (que ela cantou, rs)


A talentosa artista que visitou vários gêneros e 
possui inúmeras técnicas vocais

Stockley cantou em muitos projetos da Dance Music ao longo destes anos, e podemos incluir músicas conhecidas por nós (brasileiros), pois algumas destas faixas entraram em coletâneas, rádios e clubs do Brasil.
É dela também a voz nestas músicas:

Chimira - "Show Me Heaven"
Chimira - "You're So Vain"
Les Deuxs - "Since Yesterday"
Obsession - "Never Ending Story" (a versão de 2006, pois existe uma versão de 1990 com Amanda Abbs nos vocais)
Obsession - "State of the Nation"
Obsession - "Without You"
Obsession - "The Crying Game"
Just Hal - "Creation"
Erick E - "The Beat Is Rockin'"
Atlantis vs. Avatar - "Fiji"

A própria Almight Records credita a nossa vocalista em seu website

Miriam Stockley também colocou a sua poderosa voz no álbum "Song Of Zoo Meets House Style" do projeto Band Of the Gypsies, nas 10 músicas presentes no disco.
Além é claro, de outras produções eletrônicas pelo mundo afora, e ainda desconhecidas por nós.

Ela trabalhou em muitos estúdios, mas na área "Dance" podemos citar a Energise, a Almight Records, e lógico, a Love This Records.
Na Love This - onde ela gravou Serena "Ridin' High" -  ficou como cantora de estúdio até 1996.


Serena ‎– "Ridin' High"
Love This Records (Reino Unido) ‎
Paradoxx Music (Brasil)

País de origem: Reino Unido
Lançamento: Junho de 1995
Gênero: Eurodance/ Dance Music/ Dance-Pop
Compositores: Mike Stock e Matt Aitken
Produtores: Mike Stock e Matt Aitken
Vocalista não creditada: Miriam Stockley

Tracklist
1 Ridin' High (Ride As You Like Mix) 5:50
2 Ridin' High (Like How You Ride Mix) 5:04
3 Ridin' High (Radio Edit) 3:03  

Em 2012, a Love This Records relançou o single digitalmente numa versão Deluxe,
 contendo novas versões:

Tracklist
1 Ridin' High (Mike Stock & Matt Aitken Radio Edit) 3:03
2 Ridin' High (Ride As You Like Mix) 5:50
3 Ridin' High (Like How You Ride Mix) 5:04
4 Ridin' High (7 Inch Instrumental) 3:23
5 Ridin' High (Milano Mix) 4:32


CURIOSIDADES
A estréia de "Ridin High" no Brasil

"Ridin' High" estreou no Brasil em seu mês de lançamento mundial: Junho de 1995. Diferentemente das outras eurodances que faziam sucesso primeiro nos clubs, essa música contrariou as demais e chegou ao topo primeiro nas FM's. A danceteria Krypton (que tinha o DJ Ronaldinho comandando as pickups) foi uma das primeiras casas a tocar a música em todo o Brasil, em junho de 1995. A maioria das danceterias começou a tocar após se tornar popular nas rádios;

A música atingiu o #6 das mais tocadas da Jovem Pan, no mês julho de 1995. Em agosto, quando já havia caído para o #30, estreava em #3 nos clubs paulistanos e em #16 nos clubs cariocas. Uma estréia em #3 era algo de prestígio, ainda mais se considerarmos a quantidade de eurodances que tinha naquele ano de 1995;


Apesar do sucesso de "Ridin' High", é bem provável que esta música não deva ter ganho um video oficial. A Love This Records tem um canal oficial no Youtube e constantemente tem publicado alguns de seus videos antigos. Quem sabe, eles não tem este video perdido em seus arquivos e resolvem postar? (sonhando alto)

Eu fazia parte de um Fã-Clube de Eurodance nos anos 90 e muitos membros associados diziam que a Serena, na verdade, era a cantora mexicana Selena, assassinada por um fã no ano de 1995. Como não havia nenhum registro de dados sobre a intérprete de "Ridin' High", alguns acreditavam que essa escassez de informações era devido ao falecimento precoce da cantora. Mas estavam apenas confundindo os nomes, que são bem similares;

Em 1998, Mike Stock re-lançou "Ridin' High" cantada agora pela atriz, modelo e cantora Tracy Shaw. Na música, ouve-se alguns samples da música original. Percebam que nessa nova versão excluíram totalmente a parte do rapper Einstein, mas aumentaram - em compensação - a letra em que a vocalista canta;

O projeto Serena não teve uma vida longa. Apesar do sucesso da primeira faixa "Ridin' High", eles pararam em 1996, em sua segunda música ("Denis"). Nesta mesma época, teve um projeto Serena de nacionalidade italiana que lançou a música "Stop it" (1995) e um Serena, também britânico, que lançou "Crazy" (1995) e "Never Give It Up" (1996). As veteranas Annerley Gordon (Whigfield) e Emanuela Gubinelli (Taleesa) também cantaram em um projeto chamado Serena nos anos 90, mas todos estes nada tem a ver com o Serena desta publicação.

MIRIAM STOCKLEY 
ATUALMENTE
Miriam Stockley hoje está com 58 anos

Eu acho super excitante, saber que Miriam Stockley continua ainda atuando com bastante fervor na música... Isso não é o máximo?
Miriam está em sua carreira solo apresentando o melhor da sua new age, mas também colabora ainda com seus vocais para outras produções.
Você pode ouvir a sua encantadora voz em Rubra - "Mamma Mia" (cover do ABBA), lançado em 2018 e cantando com outros cantores. A loira foi também backing vocal em Tom Bailey - "Science Fiction" (um rock-pop-eletrônico) do mesmo ano de 2018.
No ano de 2019, ela foi ainda backing vocal de The Chemical Brothers, no seu eletrônico "Got To Keep On".

E esperamos ouvir por muito tempo a suprema voz de Miriam Stockley, seja em seus discos solos ou em suas parcerias com outros músicos e produtores, pois seu instrumento de trabalho é impressionante e sempre provoca emoções nas pessoas.


COMPROVEM COM SEUS OUVIDOS: 
A DONA DA VOZ EM 
SERENA - "DENIS"
É claramente a voz da cantora Mae McKenna em "Denis", mas eu preferi reduzir a velocidade da música para facilitar o reconhecimento e não haver dúvidas nenhuma sobre isso. Percebam que ela sempre canta como se estivesse utilizando a ponta dos lábios.



Mae McKenna (23 de outubro de 1955) é natural de Coatbridge, Escócia. Ela é conhecida por diversos trabalhos vocais, inclusive, ela foi backing vocal também de Michael Jackson. Mae McKenna participou também em trilhas sonoras de filmes, como "Harry Potter e o Cálice de Fogo" (2005), "Nanny McPhee, Baba Encantada" (2005) e "Uma Vida Sem Limites" (2004).
A cantora escocesa tem atualmente 64 anos de idade e também continua em atividades, gravando suas músicas no estilo celta e subindo em alguns palcos.

A voz em Serena - "Denis" 
Eu perguntei à ela, se cantou "Denis", pois é bom ter uma confirmação do artista, mas ela visualizou e nem deu o trabalho em responder, rs. Mas se isso significasse alguma coisa, né? Poderíamos considerar Sannie Carlson e outras "modeletes" como as verdadeiras cantoras até hoje....

Por falar em modelos, alguns fãs da Tatjana (mesma gravadora de Serena) me questionaram sobre a voz no refrão de "Santa Maria", que eu informei não ser da Tatjana Simic, mas sim da norueguesa Kirsti Johansen.
Eles estavam duvidando dessa informação, afirmando que o vocal é da Tatjana no refrão também, mas eu queria dizer à eles que a voz é clara na música, e no encarte a Kirsti foi creditada como "vocal adicional".
Há algum tempo atrás eu mandei uma mensagem à Kirsti, perguntando se era a sua voz em "Santa Maria", e como eu não tinha nenhuma suspeita ainda sobre o vocal em "Ridin' High" de Serena, aproveitei e perguntei também na mesma mensagem. Mas olha só que coincidência, depois de muito tempo, essa semana a Kirsti me respondeu, dizendo que cantou sim no refrão de "Santa Maria", mas não em "Ridin' High" de Serena. Então fica aqui a resposta da própria cantora, para aqueles que ainda tem alguma dúvida em relação à estes vocais:

"Oi Rikardo! É a minha voz nos refrões de "Santa Maria", mas Tatjana cantou nos versos. A outra música 'Ridin' High' não sou eu cantando... Desculpe-me pela resposta tardia! Eu espero que você esteja bem no Brasil" - Kirsti Johansen. 
Ela fala sobre isso tranquilamente pois os produtores a creditaram (na época) nos singles e álbum de Tatjana. Já Stockley nega pois não foi creditada, o acordo é não revelar.

* O Brasil virou o centro das atenções lá fora, devido a crise do coronavirus, por isso alguns gringos tem falado com uma certa comoção... *

CONSIDERAÇÕES FINAIS
STOCKLEY + MCKENNA

A parceria de Mae McKenna e Miriam Stockley chamou muito a atenção nos anos 90, pois elas complementaram e harmonizaram muitas produções musicais daqueles anos. Miriam Stockley, por exemplo, tem uma doçura enorme em sua voz, ela canta pra fora e seu som vibra nos agudos. Já Mae McKenna emociona com uma voz mais intimista, é uma voz mais interna e sem a doçura de Stockley, mas sentimos uma maturidade muito aconchegante em seus vocais, principalmente nos graves.

A adição destas duas vozes tão diferentes - mas igualmente belas - valorizaram muito as produções da PWL, e conseqüentemente também as produções da Love This Records. As duas vocalistas trabalharam como backing vocals para muitas estrelas da música, mas seus próprios produtores e críticos especializados admitiam que as duas eram melhores que muitos desses, considerados, grandes artistas. Mike Stock também foi muito questionado sobre não ter gravado músicas apenas com elas... Mas quem disse que ele não fez isso? O projeto Serena é um clássico exemplo de que ele fez isso sim, o único porém, é que elas não apareciam.

Nessa época, as duas já tinham suas carreiras solos e seus discos próprios, embora os seus estilos musicais nada tinham a ver com o mundo da PWL / Love This, então elas tinham que conciliar estes trabalhos pessoais com seus diversos trabalhos de estúdio.
As duas cantoras são muito amigas ainda hoje, sempre trocando assuntos, recordando trabalhos, dialogando sobre suas famílias e mantendo uma grande proximidade.

Montei uma compilação incluindo alguns trechos de grandes sucessos cantados por Miriam Stockley e Mae McKenna e espero que gostem. Ouçam o tanto de trabalhos que elas colaboraram, sendo vocalistas ou backing vocals... Vale a pena conhecer o vasto material que elas gravaram, tudo com muita qualidade e requinte:

Isso é apenas um pouco do que Miriam Stockley e Mae McKenna contribuíram para o euro-pop. 
Elas cantaram em muito mais músicas!
Observem com atenção a doçura tão característica na voz de Miriam Stockley e o grave sutil tão evidente na voz de Mae McKenna.

 **Elas são um verdadeiro tesouro da música pop-dance, e não tem quem possa duvidar dessas minhas palavras**


FIM