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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

TENESSEE - TELL ME (1995 - VOCAL: GIADA MASONI)

TENESSEE - "TELL ME" (1995) 30 ANOS

TENESSE - "TELL ME": Não tínhamos como ficar sem celebrar este 30º aniversário, não é mesmo?

Antes de começar devo confessar que é uma responsabilidade imensa e uma honra para mim escrever sobre esta música de Riccardo Menichetti e Federico Scavo. Isso porque Tenessee - "Tell Me" foi uma das faixas de Eurodance que mais ouvi em 1995, além de ser uma das mais marcantes daquela Era mágica. A paixão era tanta que cheguei a gravá-la em fita K7 e a ouvia todos os dias religiosamente, antes mesmo de ser adicionada no CD "TV Dance" (que comprei só depois).

Aliás, enquanto escrevia o artigo sobre 'TV Dance", decidi também terminar esta análise sobre Tenessee - "Tell Me" e apresentá-la à vocês, que assim como eu, sei que também amam essa pérola lançada pela Energy Productions – ou X-Energy, para os mais íntimos.


A HISTÓRIA DO TENESSEE & GIADA MASONI

A dupla de produtores do Tenessee: Riccardo Menichetti e Federico Scavo

O Tenessee foi um projeto arquitetado pelos produtores italianos Riccardo Menichetti e Federico Scavo, que na época já eram conhecidos por terem lançado alguns outros sucessos da Italo Dance, como Z.E.N."Fly Today" (1994) e New System"This Is The Night" (1995), ambos gravados com os vocais da cantora Petra Magoni. Nesse primeiro semestre de 1995, a dupla de produtores já havia criado também a versão "Ilusion Mix" para o single "Touch Me" do igualmente espetacular Digilove – um projeto de Claudio Mingardi, Riccardo Salani e Gianluca Vivaldi (DWA/DUE), inclusive, guardem bem estes nomes, pois eles aparecerão bastante nas próximas linhas.

"Tell Me" foi gravada no Black Recording Studio, um estúdio de Federico Scavo localizado em Pisa, na Itália, e que serviu também para editar os singles dos ótimos projetos Lunja - "Close Your Eyes" e Gilly B - "Tonight", ambos lançamentos do excepcional ano de 1995.

Por falar no projeto Gilly B, a sua música "Tonight" foi composta por Giada Masoni, que é simplesmente a dona da incrível voz que ouvimos em "Tell Me" do Tenessee.

Lançada no dia 22 de junho de 1995, "Tell Me" foi muito tocada nas FM's e danceterias no segundo semestre daquele ano, sendo adicionada também em algumas coletâneas brasileiras de Eurodance, como a já citada "TV Dance" (1995), além de "Dance Mix Vol.5", "Resumo da Ópera", "Difusora FM Balança Ribeirão 91,3", "100% Pure Dance (Vol. 2)", "Get Up And Dance", entre outros produtos da gravadora Paradoxx Music (empresa que licenciou exclusivamente a faixa para o mercado fonográfico brasileiro).


Tenessee - "Tell Me": Nem tudo é oque parece


Algo que é estranho, mas ao mesmo tempo comum na Italo Dance, é que, quem está na capa do single sueco do Tenessee não é a cantora Giada Masoni (como devia ser), mas sim uma modelo usada como figurante (tipo aquelas madames decorativas do Corona, Whigfield, Randy Bush...). 
Sobre a artista não mostrar a sua imagem, há uns quatro anos assisti a uma entrevista de Giada Masoni ao DJ italiano Peter Lozio, e pela tradução que fiz, era o pai de Giada que não queria que a filha aparecesse nestes seus primeiros trabalhos de gravação, dando a entender que ele tinha um cuidado com a imagem dela:


"Ouça, este é um ponto sensível do qual eu reclamo a vida toda. Não é minha culpa, nunca foi. Infelizmente dependeu do meu pai, que não está mais conosco. Lamentavelmente ele nos deixou há alguns anos e, na época, ele não queria que eu ficasse a amostra facilmente. Mesmo sendo toscano, meu pai era pior do que os sicilianos, como dizem hoje. Ele realmente tinha essa ideia do mundo do entretenimento... Sim, acho que ele tinha uma ideia negativa, porque ele não gostava, não queria, e eu me perdi no meio disso e tendo que me contentar em dar apenas a minha voz. Bom, para mim foi importante porque o meu negócio era mesmo cantar. Eu amava o palco, sempre me senti atraída por este negócio desde pequena." - GIADA MASONI


A voz original do Tenessee e de vários outros projetos da Eurodance

Giada Masoni é uma das cantoras mais talentosas da região de Toscana, Itália, sendo muito respeitada nos círculos do Blues, Jazz e Country, mas também com muito potencial de se destacar com classe e talento em outros gêneros, incluindo, é claro, a Eurodance, onde ela basicamente começou nos anos 90. 

Giada Masoni nasceu em Fucecchio, uma comuna italiana da região de Toscana, província de Florença, no dia 29 de janeiro de 1973. Autodidata, com três/quatro anos de idade brincava com um microfone de brinquedo feito por seu avô, onde ela, ainda muito pequena, já se sentia como uma cantora. 

 "Olho para o anel do meu avô que está em meu dedo e lembro-me de quando eu tinha três anos e ele fez o meu primeiro microfone com um pedaço de bambu e uma rolha de champanhe em cima...eu simplesmente ficava passando esse microfone de mão em mão, cantando tanto, e eu nem sabia o que isso significava, mas sei que isso continuou pra sempre comigo, permaneceu aqui dentro" - GIADA MASONI


Giada Masoni tem uma das vozes mais imponentes da Eurodance

Com uma voz poderosa e tocante, Giada Masoni (que também é conhecida como Jada Martin, Jade e Jodie Moore) iniciou a sua carreira musical em 1988, quando tinha 15 anos de idade, trabalhando para diversos estúdios de gravação e também emprestando o seu dom especial para comerciais. 

Mas, foi aos seus 22 anos que Giada Masoni criou o seu maior ato nos estúdios de gravação... Tudo aconteceu quando a jovem artista se juntou a Riccardo Menichetti e Federico Scavo, dois experientes produtores de Dance Music, e assim, escreveu a letra e gravou com o seu vocal a fantástica "Tell Me" do projeto Tenessee.

O single foi um sucesso absoluto na Itália, França, Alemanha, Suécia, Portugal, Brasil, além de se destacar bastante nas compilações asiáticas, russas, canadenses e até argentinas.


Tenessee - "Tell Me" (1995)
Apesar do sucesso, a música não ganhou um videoclipe oficial

Tenessee - "Tell Me" (1995) começou a aparecer nos charts dos clubs de São Paulo em setembro de 1995 e assumindo já a sua estréia no privilegiado #6 - TOP 30 São Paulo Club Tracks

No mês de outubro/95 já era a 3ª música mais tocada nos clubs paulistanos, só ficando abaixo das unanimidades "Space Cowboy" de Jamiroquai e "If You Wanna Party" do Molella. Hit total nas mãos dos DJs!!

Com o sucesso crescente nas noites, logo a track foi parar também na programação das rádios. Na Jovem Pan - a maior rede de rádios do Brasil - "Tell Me" estreou junto com "Vira-Vira" dos Mamonas Asssassinas, "Sexy Eyes" do Whigfield, "Missing" do Everything But The Girl"Macarena" do Los Del Rio e "Dub I Dub" do Me & My. Essa estreia na Jovem Pan também se deu em setembro/95, e apesar de competir com várias faixas lendárias, "Tell Me" ainda conseguiu ocupar logo de cara o #4 no TOP 30 Jovem Pan 2 Radio Tracks. Um feito muito positivo diante de tantas músicas arrebatadoras, no caso, outras 29 que também marcaram uma geração!! 

É definitivamente um single que ainda nos surpreende com sua melodia que sabe evocar emoções profundas, com arranjos envolventes, com um imponente vocal que transmite autoridade e presença, além de nos apresentar batidas e uma base sonora extremamente cativantes. Ah, e acho uma delícia quando a música dá uma desacelerada e entram os vocais "mais mansos" de Giada Masoni, que intimamente nos diz:


"You have to believe in passion

(Você precisa acreditar na paixão)

You have to know all the dreams

(Você precisa conhecer todos os sonhos)

You have to try your special

(Você precisa tentar o seu talento especial)

Can you feel my soul?

(Você consegue sentir a minha alma?)

Believe me!

(Acredite em mim!)"

Simplesmente fantástico!!!


Chica Bahia - "Paradise Mi Amor" (1995)

Este ano de 1995 foi muito produtivo para Giada Masoni e ela gravou vários outros singles, como o projeto Chica Bahia - "Paradise Mi Amor", sendo uma regravação diretamente do ano de 1984 do grupo francês Lune De Miel

Este trabalho foi também um dos primeiros envolvimentos de Giada Masoni na área da Eurodance, no caso, produzida pela equipe da DWA (Claudio Mingardi, Riccardo Salani e Gianluca Vivaldi), mas, estranhamente não sendo lançado na Itália por este famoso selo. Apenas a gravadora francesa CNR que a distribuiu em território francês, dando à ela ao menos um lugar de destaque na França. Outra curiosidade em torno de "Paradise Mi Amor", é que ouvimos a voz de Giada Masoni apenas na versão "Original Long Version", sendo que na "Original Version" ouvimos a voz de uma outra cantora, no caso a voz da francesa Jane Fostin.

Há muitos anos, li também que Giada Masoni colaborou com Alexia, Ice Mc e Corona, mas não sei se isso é verídico. O que é sabido realmente, é que a vocalista tinha relações bem próximas com a equipe da DWA/DUE, assim como Laurent Thierry N’Diaye (o cantor do projeto Lorenz D) também tinha, e em entrevista ao Blog ele mencionou que ajudou a escrever algumas letras para o primeiro álbum de Alexia, então, pode ser que Giada Masoni colaborou com estes e outros mais artistas da DWA (seria algo mais nos bastidores).


Giada Masoni, um importante nome no Hall das vocalistas da Eurodance

No geral, Giada Masoni trabalhou como cantora de estúdio para diversas gravadoras, a pedido de empresas como a Sony, DWA, Warner e BMG France, e sempre chamando a atenção por ser uma compositora e cantora de Eurodance com nuances calorosas e melancólicas.

"Giada" apareceu creditada no projeto The Sun Company"Looking For Love" (1995) da Domino Records (um subselo da conhecida Dig It International), embora os vocais nesta gravação em nada lembram a cantora de "Tell Me"

No mesmo ano de 1995 o projeto retornou com o single "In The Name Of Love", onde mais uma vez nos traz uma voz diferente da que conhecemos no Tenessee, porém, constando impresso no vinil a seguinte informação "Vocal Leader: Giada"

Tenho certeza que se trata de uma outra cantora com o nome de Giada, embora muitos sites especializados em Eurodance correlacionam estes dois singles à voz da grandiosa Giada Masoni. Ouçam e sintam o óbvio: Não é Giada Masoni, apesar de serem também boas produções. 

1995 ainda foi o ano do projeto Prime e sua faixa "To Be Free" (1995), e aqui sim, os vocais de Giada Masoni estão super reconhecíveis, aliás, ela tem uma voz que agrada facilmente quem curte também os trabalhos vocais de Maria Caprì, Jenny B, Sandy Chambers Gottsha, todas classificadas na categoria mais próxima da magnificência vocal.


Prime - "To Be Free" (1995)

Prime - "To Be Free" é simplesmente um dos trabalhos mais famosos de Giada Masoni na cena Euro. A produção é a mesma de "Tell Me", ou seja, estamos falando novamente da dupla de produtores Riccardo Menichetti e Federico Scavo. Já a distribuição da música, desta vez ficou a cargo da excelente Italian Style Production (formidável subselo da Time). Giada escreveu a letra de "To Be Free" e a gravou no mesmo estúdio Black Recording, contudo, não se tornou uma canção tão popular quanto Tenessee - "Tell Me" (embora tenha sido tocada por DJs brasileiros e entrado em algumas coletâneas da Paradoxx Music - como a raríssima "All Night Dance"). 

A título de curiosidade, o vinil do Prime só foi lançado na Espanha em 2006, pelo selo Panic Records. Infelizmente, "To Be Free" foi o único single do projeto.

Com essa mesma equipe do Prime, Giada Masoni ainda colaborou para o projeto Gilly B - "Tonight" (1995), mas apenas escrevendo a sua letra. A voz aqui é bem diferente, tratando-se da mesma vocalista do Randy Bush: Emy Berti (Emanuela Berti)


Gilly B - "Tonight" (1995)

Para ser mais pontual, o Gilly B foi um projeto do italiano Carlo Gozzi e supervisionado por seu amigo de longa data Simone Scavo (que também supervisionou a produção de Prime - "To Be Free"). No Youtube, eu lembro que Carlo Gozzi disse que havia financiado todo o projeto e que enxergou talento na vocalista, por isso escolheu gravar com Emanuela Berti, mas também não disse o nome dela (apenas se referiu a ela como "Gilly B"). Os produtores por trás do Gilly B foram Ricardo Menichetti e Federico Scavo, que praticamente foram contratados para produzir um projeto que não era deles. Foi também o único single lançado pelo Gilly B.

1996 chegou e com ele novos projetos para Giada Masoni. 

Com Riccardo Menichetti ela compôs e gravou a dançante "Set Me Free" (1996) do projeto Havana. Infelizmente é bem obscura, mas é boa. Lamentavelmente aqui no Brasil não saiu em nenhuma compilação, e na Itália só foi liberada ao público em 1999, entrando no CD "Dance Dream" (1999).

Giada Masoni também embarcou no projeto T-Move Experience, que lançou em 1996 o single "Running in Real Time", um cover dançante de uma música de 1985 do grupo alemão Passport. Apesar do sucesso que alcançou na Europa, infelizmente não foi licenciada aqui no Brasil, e assim, muitos brasileiros não chegaram a conhecer este requintado projeto. Aliás, recomendo!


T-Move Experience - "Running In Real Time" (1996)

O T-Move Experience tinha Paolo Bova como seu produtor e Giada Masoni como sua vocalista, porém, creditada como Jody Moore.

Como a talentosa intérprete não mostrava a sua imagem, um "rosto" então precisou ser acrescentado ao projeto, visto que "Running in Real Time" começou a se destacar na Europa (principalmente na Itália e na França). Foi aí que a performer Stefania di Stefano foi inserida na equipe para dublar as partes vocais de Giada Masoni. Stefania, para quem não sabe, era esposa do produtor Mario Piu, e ela apareceu também em um outro projeto de seu marido: More -"4 Ever With Me" (1999).

"Eu vou te dizer a verdade, outro dia pesquisando sobre meus trabalhos gravados nas últimas décadas, encontrei no YouTube um vídeo do T-Move Experience fazendo uma performance num evento, mas eu não estava lá no palco, tinha uma outra mulher, e isso me pareceu tão estranho....sabe, era como se a outra pessoa tivesse captado a minha voz" - GIADA MASONI


Giada Masoni - "É como se outra pessoa tivesse captado a minha voz"

O projeto T-Move Experience lançou três faixas nos anos 90, todos com Giada Masoni nos vocais. A música seguinte foi "My Baby My", lançada também em 1996 e sendo um outro cover, desta vez de Sue Ann. Muito parecida com a anterior, e ainda muito agradável de se ouvir.

A terceira faixa do T-Move Experience foi "Let Me Love You Now" (1997), que aparenta ser mais um xerox do primeiro e bem sucedido single, no entanto, agradou os ouvintes. Essa faixa também finalizaria a trilogia de canções noventistas editadas pelo projeto, mas quem diria... Depois de 25 anos, eles resolveram se reunir e voltaram para uma nova música... a quarta.

Em 2021 foi disponibilizada a quarta música do projeto, "Pass This Time" (2021), retomando o trabalho de onde o T-Move Experience havia parado em 1997. Esta nova canção traz Paolo Bova como produtor, arranjador e engenheiro de som, e Giada Masoni como vocalista original e coautora da letra. Foi uma das músicas planejadas pelo projeto nos anos 90, mas era também a única que não havia sido desenvolvida na época. 25 anos depois, a produção foi finalizada e enriquecida com um elemento que faltava: os vocais. A letra, em sua simplicidade, refletia fielmente o estado de espírito do produtor e da vocalista no período crítico vivenciado na pandemia.


Giada Masoni é cantora, compositora, violonista e treinadora vocal

Quanto ao Tenessee, este foi um dos maiores sucessos de Riccardo Menichetti e Federico Scavo, então a dupla resolveu reativá-lo e convidou Giada Masoni para gravar um novo trabalho. 

O 2º single do Tenessee - "Let Me Love You For Tonight" (1997) foi lançado pela X-Energy e é um cover de 1988 de Kariya. A "Euro Version" deste som é simplesmente mais um belo estrondo na mesma linhagem de "Tell Me", com arranjos delirantes e um vocal pra lá de epopeico! Sem sombra de dúvidas, merecia muito mais reconhecimento em sua época de lançamento. 

Há ainda uma versão intitulada de "Mix Version", que é uma produção interessante que seguiu a tendência trance da época, igualmente ao alemão General Base que retornava às pistas com seu single cheio de teclados hipnotizantes  – "On & On" (1997). 

"Let Me Love You For Tonight" (1997) do Tenessee foi licenciada aqui pela Paradoxx Music e pode ser encontrada em uma única coletânea brasileira da época: "Radio Dance Vol.3” - neste CD consta a versão trance (Mix Version). 

Aliás, vale a pena conhecer ou revisitar este trabalho do Tenessee (faça isso em volume máximo, por favor):


Tenessee - "Let Me Love You For Tonight" (1997) (Euro Version)

Já em 2021 foi lançado digitalmente a música "Up And Down" do Tenessee, mais uma produção da X-Energy, somente com Riccardo Menichetti na produção e Giada Masoni nos vocais (como de costume, ela também compôs a letra). 

Trata-se de um trabalho gravado em 1998 e lançado em poucas coletâneas gringas (ao que parece, aqui no Brasil não foi licenciada pela Paradoxx). 

Depois de mais de 20 anos, a X-Energy Records disponibilizou-a digitalmente, mas antes praticamente ninguém a conhecia, sendo quase uma música "inédita" aos fãs. 

Foi a 3ª e última música do Tenessee, infelizmente:


Tenessee - "Up And Down" (1998) (Radio Edit)

Outro nome conhecido aqui no Brasil (e que teve a participação de Giada Masoni) é o Elena Becker, um projeto que nasceu com Sandy Chambers cantando em "Woman" (1996). Masoni compôs e gravou dois singles para o Elena Becker: "Here We Are At Last" (1997) e "All Right" (1999). 

Algumas versões da segunda música estão com os vocais um pouco acelerados, então pode ser que isso dificulte o reconhecimento vocal aos seus fãs, mas é a própria compositora da faixa, Giada Masoni, que está cantando. Mesmo acelerado, você ainda percebe que há algumas particularidades vocais que são de fato da cantora (principalmente as vozes de fundo), no entanto, há uma outra versão de "All Right" sem alteração nenhuma, deixando claro que realmente é Giada Masoni na composição e também na gravação. Se querer ouvir "All Right", recomendo justamente esta versão: "Motor Radio Edit". 

Infelizmente "All Right" não esteve em nenhuma coletânea brasileira, já "Here We Are At Last", esta produção de 1997 do projeto Elena Becker foi inserida no CD "Pop Parade - 18 Sucessos" da Spotlight Records.


"Pop Parade" - Coletânea da Spotlight Records

Quanto a essa coletânea da Spotlight, há ainda nela uma outra faixa na voz de Giada Masoni... Bom, pelo menos no refrão é ela! Trata-se do hip-hop dançante De Marco - "No One Sleeps Tonight" (1998), que até entrou na programação da Jovem Pan em 1998. Lembra-se dela?

De Marco foi um projeto do trio Claudio Malatesti, Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani (sim, eles mais uma vez!) e nos lembra um pouco a vibe do francês Roman Photo - "Sounds Of Summer" (1995). Quem não se lembra dessa canção, ao ouví-la se lembrará...pois, além de ser executada na rádio, ela ainda esteve em um CD da revista Jovem Pan (#11, Janeiro de 1999). Um trabalho interessante!!

Nos últimos anos da década de 1990 a Eurodance estava sendo pouco difundida aqui no Brasil, mas Giada Masoni continuava a gravar e a compor para vários projetos conhecidos do gênero. O que se sabe, é que ela gravou mais ou menos 30 músicas, sendo uma boa parte de Eurodance (23 títulos ao todo). 


Fourteen 14 - "A Night In Paradise" (1999)

Vocês se lembram do icônico Fourteen 14? É óbvio que sim, não é mesmo?! Pois é... Giada Masoni gravou com a sua respeitável voz o single "A Night In Paradise" (1999) deste projeto que já teve Alexia e Alessandra Fazio como vocalistas em seus primeiros singles.

A faixa gravada por Giada Masoni foi produzida pelo trio MVS (que são eles, é claro: Claudio Malatesti, Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani), mas saiu apenas em um single 12” e, infelizmente, não consta em nenhuma coletânea.

Ainda com a DUE Records, e se inspirando totalmente em Vengaboys, Giada Masoni compôs e gravou a divertida e alto astral "Shake Your Bum" (1999) para o projeto de uma música só: Jo-Jo Club. Incrível como ela compôs quase todas as músicas que gravou! Os fãs de Bubblegum Dance e afins poderão gostar muito! Tinha potencial para ser lançada e ainda virar hit aqui...


M.T.J. Feat Jade - "Now Or Never" (2000)

Apesar de alguns sites antigos terem apontado que é a vocalista Giada Masoni que está na capa do single "Now Or Never" do projeto M.T.J, a cantora nos informou que não é ela "mais jovem" que aparece ali, mesmo a moça apresentando alguns traços bem similares com os dela:

"Não, não sou eu. Mas, a letra da música foi escrita e cantada por mim. Eu apenas forneci a voz. As imagens eram sempre de outras pessoas" - GIADA MASONI

Quanto ao single, Giada está creditada como Jade. Inclusive, este é um som dance-pop bem típico da época, já apresentando grooves e elementos característicos dos anos 2000. Suas batidas de fundo na versão "Dreaming Mix" me remetem a subsequente Kylie Minogue - "Can't Get You Out Of My Head" (2001). 

Com o M.T.J. (produtor Marco Talini), Giada ainda gravou a vibrante Italo Dance "Life" (1998). Vale a pena garimpar tudo isso! 

E à quem possa interessar, das 23 músicas de Eurodance gravadas por Giada Masoni, estou deixando uma relação nos comentários com 20 títulos, sendo que muitas nem foram citadas aqui neste artigo. Junto a esta relação há também um endereço disponível, onde vocês poderão obtê-las digitalmente. Lembrando que são músicas raras e algumas não estão com qualidade 100%, mas estão boas o suficiente para serem ouvidas, conhecidas e contempladas pelos fãs dos vocais sensacionais de Giada Masoni.


TENESSEE ATUALMENTE

Giada Masoni segue na carreira musical

30 anos após o sucesso de "Tell Me", Giada Masoni segue firmemente cantando e fazendo suas turnês na Itália, mas infelizmente ela não está mais conectada à Dance Music como nos velhos tempos... Prestes a completar 53 anos de idade, a cantora está mais dedicada ao gênero Blues e em canções cantadas em italiano. Ela também fez várias turnês cantando Janis Joplin, e uma porção de outros artistas renomados do Rock e do Blues, bem como colaborou com vários artistas italianos.

Giada Masoni se encontra casada oficialmente desde junho de 2024 com Antonio Minissale, que é um pizzaiolo na comuna de Santa Croce Sull' Arno (região de Pisa), e juntos eles tem um filho chamado Michelle de 14 anos de idade. 

Seu pai Valerio Masoni, ou "Babbone", como gostava de ser chamado, era um empresário no ramo de curtumes e faleceu há oito anos, deixando Giada e sua mãe Giovanna Francalanci. Ele teria hoje 86 anos de idade.

Já o produtor Riccardo Menichetti, deixou sua carreira de produtor musical e hoje é dono de uma empresa de chocolates chamada Menichetti Artisan Chocolate. Federico Scavo segue na indústria da música, sendo um DJ na Itália.


O TENESSEE PARA O FÃ DE EURODANCE

YOU GONNA FEEL TELL ME, TELL ME!

“Tell Me” (1995) do Tenessee é um tesouro que entrou para a memória afetiva de quem cresceu ouvindo a Jovem Pan e comprando os discos da Paradoxx Music.

E quando você ouve essa faixa cantada bravamente por Giada Masoni, existe um capítulo inteiro de saudade pulsando. São registros que não desbloqueiam apenas memórias, mas emoções, brilhos, gestos e a essência de uma época que marcou para sempre a história da Eurodance e o coração dos fãs.

Tenessee - "Tell Me" é um lembrete vivo de que certos momentos não passam, eles permanecem ecoando, iluminando o presente com a força de tudo o que a Eurodance foi, tudo o que ela representou e tudo o que ela ainda inspira.

Muito Obrigado à Giada Masoni, aos produtores, e aos adoradores do Tenessee que o cultivaram até aqui. Até os próximos 30 anos!!!




domingo, 18 de setembro de 2022

CURIOSIDADE: ALINA DO REAL SYSTEM ESCREVE AO BLOG

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


CURIOSIDADE AOS FÃS DO REAL SYSTEM:

ALINA SE APRESENTA AO BLOG

Alina no Brasil em 1996, e atualmente

Alina, ex integrante da turnê do Real System (1996), nos escreveu depois de encontrar a matéria sobre os 25 anos do hit "There Is No More Love", aqui do Blog...

Na época, o produtor Marcello Catalano nos disse que Alina veio ao Brasil apenas para reforçar os shows, e que a voz gravada nas músicas são todas de Antonella Mare. Alina confirma a informação, mas ainda acrescenta que gravou com a sua voz para outros músicos, inclusive para Marcello Catalano em alguns de seus projetos, e que atualmente é uma jornalista e escritora...:

Olá, Rikardo, Eu sou Alina J. Di Mattia, ex-Real System, prazer em conhecê-lo... 25 anos depois 🙂

Olá Alina! Como você está? Prazer em conhecê-la! Agora eu sei seu sobrenome... Na época só sabíamos o seu primeiro nome...É um prazer falar com você!

O prazer é meu, obrigada! Li no blog que não cantei em "There Is No More Love", correto, quando cheguei na banda a canção já estava gravada, mas acho importante acrescentar que fui a voz do Telex News, uma banda que virou cult na Europa, e também com Marcello Catalano. Além disso trabalhei como vocalista com muitos cantores italianos.


Telex News - "Forever" (1985)
Alina Di Mattia aparece no video e foi a vocalista deste projeto da Discomagic

Atualmente eu sou jornalista e escritora. Escrevo para "La voce di New York" e dirijo um jornal online "La Regione" que fala sobre Cultura e História, mas a música é meu primeiro amor, para sempre.

Sobre Marcello Catalano, não o vejo desde a turnê no Brasil.

Aqui neste link contem um artigo que fala sobre mim e alguns prêmios que ganhei com meu trabalho no jornalismo:

https://www.virtuquotidiane.it/cronaca/alina-di-mattia-9-premi-in-pochi-mesi-portano-la-giornalista-abruzzese-alla-ribalta-delle-cronache.html

Só para esclarecer, pois apareço no blog como uma desaparecida...

A turnê pelo Brasil foi para mim uma experiência extraordinária, muito emocionante. Lugares lindos (Lembro-me de Santos), comida excelente, pessoas adoráveis.

Não quero que me esqueçam, porque tenho o Brasil no meu coração. 🤗

Alina, muito obrigado por compartilhar suas belas recordações! Realmente não sabíamos de sua identidade completa... somente o seu primeiro nome "Alina". Isso é muito comum acontecer com os artistas da Dance Music... geralmente não há muitas informações sobre estes músicos. Também foi muito difícil rastrear a cantora de "There Is No More Love" , a Antonella Mare... Mas finalmente agora você também foi encontrada e irei avisar aos leitores sobre o seu paradeiro e sobre suas informações - antes desconhecidas.


Em seu facebook, Alina Di Mattia ainda diz:

Quando adolescente e graças ao produtor Bruno Tavernese, tive a oportunidade de cantar, como a voz solo do projeto Telex News, duas músicas intituladas "Forever" e "Flashback". A minha voz naquela altura ainda não era experiente, o meu inglês improvável, porém as músicas tornaram-se colecionáveis (os vinis foram leiloados no eBay por cerca de 300 euros).

Por detrás desta tendência hoje existe um movimento interessante e cult que inclui não só nomes famosos, como Den Harrow, Gazebo, Baltimora, Gary Low, Sabrina Salerno etc, mas também todo aquele mundo submerso e sem fim de bandas que bailaram nos anos 80... os chamados artistas da Italo disco...  incluindo o Telex News.

A web também está me devolvendo doces lembranças, como a experiência que tive com a Frank Raya Band e uma turnê extraordinariamente bem-sucedida no Brasil com uma banda que tinha uma música em #1, além de centenas de fãs procurando pela gente para autografar (selfies ainda não existiam).

Alina - “Stai Con Me”
Single de 1999

Fica aqui então as nossas atualizações de Alina J. Di Mattia, 26 anos após a turnê do Real System pelo Brasil.

Obrigado pela leitura e até a próxima!

segunda-feira, 25 de abril de 2022

A GRAVADORA PARADOXX MUSIC

Todo fã de Dance Music que se preze conhece um pouco da história da Paradoxx Music, uma das principais gravadoras que melhor representou o gênero aqui no Brasil. 

Não que a Paradoxx investisse apenas em Dance Music, afinal, a gravadora também se aventurou em vários lançamentos de Rock, Rap, Reggae, Country, entre outros... mas a música Dance dos anos 90 virou o símbolo e a cara da saudosa gravadora paulistana.

Quem não conhece - ou ignora -  a trajetória da Paradoxx Music certamente não é fã de Eurodance, ou ainda tem muito o que aprender sobre o legado do gênero no país...

 

A HISTÓRIA DA PARADOXX MUSIC, UMA DAS PRINCIPAIS GRAVADORAS DE DANCE MUSIC DO BRASIL

Para uma melhor visualização das imagens, clique sobre elas para dar o zoom

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


A história da Paradoxx Music começa com o empresário Silvio Arnaldo Calligaris, que criou a sua pequena empresa inicialmente com o nome de Bullet Comercial de Discos e Licenciamentos LTDA - num apartamento em São Paulo em 1991. 

Com a ajuda de sua esposa Mara Lucia Comim, Silvio Arnaldo conseguiu manter o seu modesto negócio e depois resolveu se juntar com os sócios Nilton Ribeiro Luiz Domingos Rodrigues (o Luizão), oficializando em julho de 1993 a conhecida Paradoxx Music Comércio de Discos Ltda

Outro nome muito usado pela gravadora era House Records, então também lançaram muitas coletâneas com essa marca. Nos versos destes CDs você podia ver que a empresa usava o mesmo endereço da Paradoxx Music, e logo, se você era um adolescente atento entre os discos de Eurodance, já começava a suspeitar que tratava-se do mesmo grupo de negócios destes empresários:


A Paradoxx Music também lançava discos sob o nome House Records e se manteve na Rua Dr. Pinto Ferraz, nº58, na Vila Mariana - São Paulo- SP até 2001

Com o tempo alguns CDs começaram a trazer os dois logos (Paradoxx Music e House Records), como a ótima coletânea “Ritmo das Pistas” (1995). Logo não demorou muito e a House Records foi totalmente dissolvida, com o trio de sócios focando apenas na gravadora Paradoxx Music.

Bem, para ser mais exato, a companhia não era em si uma gravadora, mas praticamente um escritório com uma grande equipe licenciando fonogramas, amarrando contratos com vários selos, e negociando o seu catálogo com outras empresas (como as rádios FMs e Clubs). Era mais correto designar a Paradoxx de selo também, justamente pelo fato de ser uma empresa pequena e que externalizava seus serviços de gravações em estabelecimentos especializados na área, como a Videolar, Sony, Sonopress (BMG) e Microservice. O CD de Whigfield lançado em 1995, por exemplo, foi fabricado na Sony Music Entertainment (Brasil), assim como a coletânea "100% Pure Dance", entre outros. Já a Sonopress (BMG Ariola) foi responsável por fabricar outros inúmeros discos, como as coletâneas "Flash Hits", "Dance Xplosion Vol 2", "As 7 Melhores" e "Hot Nine Seven Vol.2", enquanto a Videolar fabricava outros discos relevantes, como o álbum "Secrets" de Nicki French, e por aí vai...


AS PRIMEIRAS COLETÂNEAS DA PARADOXX

A coletânea "Ritmo da Noite Volume 1" - da rádio Jovem Pan 2  - foi a primeira parceria da Paradoxx Music com uma emissora de rádio e rapidamente se tornou num imenso sucesso de vendas. Veja abaixo uma publicidade da época, contendo estas primeiras preciosidades da Paradoxx Music: 


Os primeiros discos de Eurodance da Paradoxx Music: A gravadora lançou, além das coletâneas acima,  o single de Jenny J - "What Is Love", que é um cover de Haddaway na voz da vocalista do Whigfield (Annerley Gordon)

Podemos dizer que, de 1993 à 1997, a Paradoxx Music apresentou um grande número de coletâneas de Dance Music ao seu público, mas também investiu em álbuns de Rock, Country e Samba. Era nítido que o forte mesmo era a Dance Music, então Silvio Arnaldo transformou a sua empresa numa grande referência ao gênero, ainda hoje sendo muito lembrada por isso.

Em relação aos outros estilos musicais, houve um aumento significativo nos discos voltados ao segmento popular no decorrer dos anos, como o sertanejo da cantora Jayne e a MPB de Benito di Paula e Peninha. Tivemos ainda coisas mais pitorescas sendo distribuídas pela Paradoxx, como os artistas de pagode, forró e paródias; Entre esses estilos podemos citar Genival Lacerda, Tirullipa Jr. e Discoteca do Kiko.


Este é o primeiro prédio onde funcionou nos anos 90 a Paradoxx Music; No local hoje funciona uma Auto Escola

Sobre os fonogramas internacionais de Eurodance - que são os que chamaram a nossa atenção - estes foram licenciados em parceria com vários selos ilustres do gênero, como a X-Energy Records, XL Recordings, Strictly Rhythm, Dig It, Love This Records, Time, Do It Yourself, DFC, Bliss Corporation, Blow Up, Intercord, Edel, Mute RecordsS.A.I.F.A.M., Upstairs Records, Media Records, Zyx, PIAS, Propio Records, Countdown, New Meal Power, Positiva, Ministry Of Sound, entre muitos outros. Essas negociações eram concretizadas, na maioria das vezes, através de exposições e feiras internacionais de músicas que aconteciam na Europa, como a famosa feira francesa Midem (Marché International du Disque et de l'Edition Musicale)


O trio Paradoxx Music na importante MIDEM (Edição de 1996), com o propósito de abastecer o seu cast de Dance Music. Eles também estiveram nas edições anteriores, em 1994 e 1995.

Os sócios Silvio Arnaldo, Nilton Ribeiro, Luizão costumavam frequentar anualmente este evento (Midem) com a finalidade de levar mais novidades para a sua empresa, então visitavam os stands desses selos e assim conheciam / negociavam estas produções de Eurodance. Foi dessa forma que a Paradoxx Music nos trouxe os sucessos de Nicki French, Whigfield, General Base, Newton, Serena, Antares, J.K., Co.Ro., Red Velvet, Playahitty, Fun Factory, Black RoseGala, Angelina, entre outras centenas de artistas e projetos que fizeram parte do cast clássico da gravadora paulistana. Estes licenciamentos aconteciam com a importante assessoria de Filippo Croso, na época contratado da Paradoxx Music e responsável pela área Label International.


A Paradoxx Music na Feira MIDEM, em 1995: Filippo Croso é o que está de casaco pardo, ele foi um dos grandes responsáveis pelos licenciamentos das consideradas, atualmente, grandes faixas clássicas da Eurodance

Raríssima imagem do ingresso para o evento Midem'95 que contava ainda com diversas apresentações de artistas de Eurodance. Era como uma vitrine aos diversos empresários que visitavam a feira... 
O pessoal da Paradoxx Music esteve também nessa edição - realizada no dia 31 de janeiro de 1995 - e licenciou os fonogramas de Newton, Nicki French, Co.Ro feat Lyen, Nina...
 Uma observação: Olhem só o nome de David Guetta - hoje um nome muito popular - entre os feras dos anos 90!!!


Como já citado acima, o catálogo da Paradoxx Music não era destinado apenas à Dance Music europeia, portanto existiu também diversos contratos com grupos nacionais, como Uforia (projeto que regravou em eurodance o hit "Estoy Enamorado", além de algumas músicas em português); Lady Lu (uma cantora que se aventurava mais nas "modinhas", cantando o dance-latino "Eres Tu", depois partindo para o pop, funk, forró, e agora num gênero que eu não conhecia denominado como "pisadinha"...); Dominó (boyband nacional lançada por Gugu Liberato que em sua formação de 1997 assinou com a Paradoxx Music e lançou "Baila, Baila Comigo", estourando na França, Espanha, Argentina, Polônia e Bulgária); além de Ivo Meirelles & Funk ‘N LataMarion K, Michelle Winter, SectDJ MP3, entre muito mais.

Podemos citar ainda Carlos Oliva & Los Sobrinos (uma banda latina que tinha uma cover de "Macarena", além de gravar outras faixas em castelhano inclusas em coletâneas da Paradoxx); o rock nacional do Ira!, Nenhum de NósSkuba, Ratos de Porão, Garotos Podres, Inocentes; a mpb e o rap de Tim Maia, Toquinho, Pavilhão 9Rap SensationFilosofia de Rua, e etc.


Stand da italiana DiscoMagic - com o lendário Severo Lombardoni, na Midem'95. Provavelmente o trio Paradoxx passou por aí...


Os fãs de Rock certamente também tiveram muita consideração e apreço pela Paradoxx Music, visto que a empresa distribuiu em terras brasileiras vários álbuns de bandas internacionalmente conhecidas, como Bad Religion, Slayer, Marky Ramone (do Ramones), 10CC, Pennywise, Rancid, NOFX, The Cramps, Nick Cave & The Bad Seeds, Helloween, Bruce Dickinson (do Iron Maiden), Judas Priest, Dead Kennedys, Bauhaus, Gary Numan / Tubeway Army, Angra, Green DayOffspring, e etc. Após ao grande sucesso dessas bandas entre o público brasileiro, então as gravadoras multinacionais "acordavam" e fechavam contratos com estes músicos, mas foi a pequena Paradoxx Music que acreditou neles inicialmente e servindo-se também como um "termômetro" ou "cobaia" para essas gravadoras mais endinheiradas.


PARADOXX MUSIC E JOVEM PAN - INJETANDO DANCE MUSIC NO BRASIL!

Silvio Arnaldo (Paradoxx Music) com Emilio Zurita (Gerente de Sonoplastia - Jovem Pan) e Augusto Bataglia (diretor - Jovem Pan)


Em relação as emissoras de rádios parceiras da Paradoxx Music, com certeza nos vem em mente imediatamente a Jovem Pan 2 FM, certo? Sim, é inevitável não nos lembrarmos dessa grande cooperação.... Porém, a Paradoxx teve excelentes resultados também com a 97 FM (Energia 97)Nova FMTransamérica FMRPC FMMetropolitana FM, Studio 96 FM, Cidade FM, Extra FM, Caiobá FM, 98 FM, Folha FM, Universal FM, Liberal FM, e etc.

E para os fãs das coletâneas de eurodance, sem sombra de dúvidas que a série de discos "As 7 Melhores Jovem Pan" foi a mais bem sucedida de todas! Sempre apresentando as melhores vendagens entre os lançamentos da Paradoxx Music, esta coleção clássica com 8 discos foi distribuída entre os anos de 1994 e 1998.


Informativo RARO com muitos dados sobre a Paradoxx Music - Divulgados em Abril de 1996
As grandes parcerias, as vendagens das coletâneas, os selos licenciados, os artistas recém contratados e muitos outros detalhes a respeito da gravadora. Até aquele momento, os Cds "As 7 Melhores Vol.1,2,3 e 4" haviam vendido mais de 1 milhão de cópias;


Sobre o início dessa parceria entre a Paradoxx Music e a Jovem Pan, há rumores que se deu devido a um desacordo entre a rádio e algumas majors (grandes gravadoras), mas não existem evidências claras sobre o ocorrido. Vale lembrar que a Jovem Pan sempre foi muito antenada com o melhor da música internacional e buscava constantemente por novidades aos seus ouvintes, então, com o "boom" da Dance Music na Europa, a rádio - que já tocava House Music e Pop Dance desde os anos 80 - também acrescentou Eurodance aos seus ouvintes por volta de 1993. Os ouvintes também não estranharam a inserção do Eurodance na programação, justamente porque a emissora já era uma especialista em "Pop Dance", diferente do que aconteceu no final da década de 90 - quando a rádio mudou drasticamente o seu estilo e adicionou o "pagode" e o "axé" em seu dial. 

A Jovem Pan sempre foi sinônimo de rádio "descolada" e "cool" aos seus ouvintes, e desde os anos 80 a emissora seguia fielmente as principais tendências mundiais lançando em primeira mão os grandes sucessos dançantes ao jovem brasileiro, então, a aceitação do Eurodance foi imediata entre os ouvintes.


Nicki French, Whigfield e Taleesa foram algumas das artistas femininas que tiveram vários hits nos anos 90 através da Paradoxx Music

É importante lembrar que a rádio tocava também artistas de outras gravadoras, como Ice Mc, Masterboy, 20 Fingers, Twenty 4 Seven, Alexia, Culture Beat, Scatman John, La Bouche, Gottsha, Haddaway, Double You, E-rotic, entre muitos outros, então não houve uma parceria exclusiva da rádio com a Paradoxx Music. No geral, era uma parceria da Pan com as gravadoras que apoiavam o estilo Eurodance, sobretudo as menores.

Tutinha (dono da Jovem Pan) tinha essa visão do que estava explodindo musicalmente no mundo e do que poderia fazer sucesso por aqui, então a gravadora paulistana também foi muito beneficiada com todo este espaço dado pela Jovem Pan ao Eurodance, assim como a rádio também lucrou muito com os inúmeros CDs lançados, sempre com excelentes vendagens como a citada coletânea "As 7 Melhores" (1994). 


Jovem Pan fazendo jabá?

O chefão da Jovem Pan até foi acusado de fazer jabá nessa época, fato que ele negou dizendo que sua prioridade era apenas fazer promoção com as músicas tocadas e podendo usá-las com a marca de sua rádio... Ou seja, digamos que foi uma parceria perfeita, com coletâneas que até ultrapassavam a marca de cem mil cópias vendidas. 


Iraí Campos (Fieldzz Discos) com Tutinha (Jovem Pan)


Tutinha era realmente amigo de Silvio Arnaldo (Paradoxx), mas também era amigo dos donos da Spotlight Records e Fieldzz Discos, inclusive, essas duas gravadoras também foram muito favorecidas e amparadas pela rádio, com direito a muitas coletâneas lançadas e várias músicas tocadas na programação - só ressaltando novamente que não foi uma parceria exclusiva entre a rádio e a Paradoxx Music. Era o gênero Dance Music que estava em alta, dando destaque e retorno financeiro à todas estas empresas e diversas outras rádios, além da Jovem Pan.


AS IDEIAS GENIAIS DA PARADOXX MUSIC NA FORMULAÇÃO DE SEUS DISCOS

A gravadora de Silvio Arnaldo, Nilton Ribeiro e Luizão também foi muito inovadora em suas convicções, concepções, peças publicitárias, artes gráficas e, além de tudo, foi muito feliz em pesquisar sempre com as melhores empresas do ramo para realizar estes trabalhos terceirizados, como a Quarto Mundo e a Dazz Comunicações. Por este motivo os discos da Paradoxx sempre apresentavam capas muito atrativas, desenhos convidativos e um visual que falava a linguagem do jovem dos anos 90. 


A sempre bela e notável publicidade by Paradoxx Music

Entre os CDs que marcaram essa década... Quem não se lembra das latinhas do "Projeto Lata"? A Paradoxx Music iniciou essa concepção personalizada no final de 1996 e conseguiu obter um grande apelo popular com diversos destes produtos. 

Já no final dos anos 90, a Som Livre "copiou" essa ideia e lançou vários de seus itens num projeto chamado "Arte na Lata", no entanto a Paradoxx Music foi a pioneira nesse ramo e distribuiu essas latinhas em muitos CDs, como "As 7 Melhores Volume 6", "Jovem Guarda - O Novo de Novo Ao Vivo", "Aiwa Milo Som", "Samba Enredo Gaviões da Fiel" e "Special Reserve -  The Best Of Dance Music":


O projeto "Na Lata" da Paradoxx Music revolucionou as embalagens de CDs 


Luizão disse em 1997 para a revista DJ Sound: "Partindo de nossa área de projetos especiais, solicitamos à Sonopress dois profissionais que pudessem trabalhar ao nosso lado para transformar em realidade as ideias que tínhamos a respeito de novas embalagens. Assim surgiram as latinhas, que depois de 8 meses de pesquisa e testes se mostraram perfeitas para dar esse diferencial. O sucesso foi imediato, as vendas se tornaram ainda mais significativas e o público aprovou a ideia". - Luizão

A Paradoxx Music foi muito inovadora também em seus outros registros, como a série "Mixed Mode", que trazia em seus CDs a primeira faixa em CD-ROM, lembram-se disso? 


A Paradoxx Music, junto com a Quarto Mundo e a Midianova criaram os famosos CDs com faixas interativas: "Cuidado: Não toque a 1ª faixa em seu equipamento de áudio"

Pois é, e uma das coletâneas mais famosas nessa caracterização foi "TV Dance" -  que em parceria com a empresa Midianova  -  trouxe aos brasileiros em dezembro de 1995 (e em primeira mão) o videoclipe da cantora Tatjana - "Santa Maria". Isso foi um ato revolucionário para a época, ver um clipe no computador e de quebra ainda poder ouvir as demais faixas no aparelho de som.

Outras coletâneas marcantes da gravadora também seguiram esse formato multimídia, como "Só Se For Dance", "Flash Hits" e “Love Songs”; além dos álbuns de Carlos Oliva Y Los Sobrinos - "Caribbean Dance", Paula Santoro - "Santo", e da banda de rock nacional Ira! - "7" (todos estes CDs com a primeira faixa interativa).

Uma curiosidade, é que a conhecida filha de Nilton Ribeiro, Joyce Ribeiro, também trabalhou na Paradoxx Music nesta época, sendo provavelmente o primeiro emprego da jovem. Você com certeza a reconhece através da televisão, certo? 


Joyce Ribeiro e seu pai Nilton Ribeiro
Esta foto não pertence aos meus arquivos pessoais, os créditos são da página Portal Afro


Formada em jornalismo, Joyce foi âncora do SBT por muitos anos, trabalhando em vários telejornais da emissora de 2005 até 2017. Hoje ela se encontra na TV Cultura apresentando o “Jornal da Tarde”. 

Abaixo temos uma foto rara da jornalista, que aos seus 17 anos de idade está ao lado de seu pai no show da cantora Angelina, realizado em 1996:


Será que a adolescente Joyce Ribeiro foi ao show só à trabalho, ou aproveitou também a ocasião para ver a Angelina de perto?


Em novembro de 1996, mais uma cartada certeira foi dada pela implacável Paradoxx Music. A empresa fechou um dos contratos mais importantes de seu legado, trazendo para o seu catálogo grandes artistas da música eletrônica e do synth-pop mainstream, como os conceituados Erasure Depeche Mode. O contrato era com a Mute Records, que permaneceu vigente até 1998.

Outra boa sacada da empresa? Bom, podemos citar que aconteceu no início de 1997, quando a Paradoxx surgiu com uma ideia bem diferente mas que tinha tudo a ver com o povo brasileiro, que sempre gostou de música e de ... futebol! 

Pois é, a gravadora patrocinou o time Jr. do Corinthians, levando ao campo a marca "Paradoxx Music" em suas camisetas. Que demais isso, né? Pensa aí, você torcendo para o seu time e de repente se depara com aquele emblema icônico que representa as suas músicas favoritas... É emoção ao dobro!!!


A Paradoxx Music marcava vários golaços em seus marketings e crescia no mercado fonográfico


Em 1997 ocorreu também a ascensão da cantora Gala, então a Paradoxx Music, que já tinha lançado álbuns importantes ao seu público em anos anteriores, como Nicki French, Angelina, Whigfield, Rebeca... lançou o álbum "Come Into My Life" exclusivamente em terras brasileiras. 

Este foi ainda o ano que a Paradoxx Music entrou para a internet através de sua homepage www.paradoxx.com.br. Apesar da companhia ter anunciado a inauguração de seu site para abril de 1996, o mesmo ficou online pela primeira vez apenas um ano depois... E mesmo com esse atraso, a Paradoxx revolucionou em sua estreia, visto que outras empresas - como a Spotlight Records - só tinham um endereço de e-mail disponibilizado aos seus consumidores. E vamos combinar, né?...Naqueles meados de anos 90 a internet ainda estava engatinhando... Com isso, a Paradoxx Music nos surpreendeu positivamente mais uma vez.


Feira Internacional de Música MIDEM'1996. Aqui é onde a magia começava...


Outro grande acerto da gravadora foi licenciar com a XL Recordings as músicas do The Prodigy, grupo britânico que fez história com as tracks mais radicais e absurdas da música eletrônica. 

Lá nos primórdios da gravadora, em 1993, a Paradoxx já havia representado alguns singles do grupo aqui no Brasil, como "Out Of Space", "Rhythm Of Life" e "One Love", mas em 1997 chegaram as tão aguardadas novidades desse grande quarteto...  Era o fantástico álbum "The Fat Of The Land", que virou uma grande sensação na cena musical. E em 1998, a Paradoxx Music continuou servindo aos brasileiros com um outro álbum dos britânicos: "Music For The Jilted Generation". 

Como se não bastasse estes grandes abastecimentos importantes para o Brasil, a Paradoxx Music também foi a responsável por lançar estes dois álbuns do The Prodigy no México e também na Argentina:


Paradoxx Music lançou discos do Prodigy na Argentina e México


Mais especificamente no segundo semestre de 1997, foi a vez da Paradoxx voltar a empreender no mercado, criando então um selo destinado ao público gay chamado simplesmente de “GLS” - que talvez se chamaria hoje de "LGBTQI+" (devido às constantes alterações que a sigla vem sofrendo com o decorrer dos anos). 

As músicas? Praticamente as mesmas encontradas em variadas coletâneas dance da Paradoxx Music... porém, como a Almighty Records era um selo popularmente conhecido entre os gays da Inglaterra, então era comum encontrarmos múltiplas faixas do tal estúdio nestas compilações.

Detalhe que Luizão saiu para conhecer as noites GLS's da época com o propósito de estudar melhor o conceito do selo, antes de inaugurá-lo. Algo parecido foi feito quando o country estourou no ano anterior (1996), e como o cantor Garth Brooks estava atingindo o topo de todas as paradas dos EUA, então o trio Silvio, Nilton e Luizão se mandou para a terra do Tio Sam com a finalidade de pesquisar e trazer alguma nova ideia para a Paradoxx.

Outro capricho da Paradoxx para com o seu público era em relação as suas coletâneas específicas a determinados selos. A empresa, que tinha contratos exclusivos com a Time, X-Energy e S.A.I.F.A.M., colocou nas prateleiras das lojas algumas coletâneas maravilhosas dedicadas apenas a esses selos:


"Get Up And Dance" - Só com músicas da  X-Energy, como Whigfield, New System, J.K., Tenessee...
"All Night Dance" - Só com músicas da Time, como Jinny, Taleesa, Antares, Molella, Aladino...
"Alien Dance" e "Italian Dance"- Só com músicas da  S.A.I.F.A.M., como Delegation, Ken Laszlo, Radiorama, Orlando, Kate's Project…
...
Eram músicas dos principais estúdios italianos em CD's únicos, exclusivos e com a qualidade Paradoxx Music


Já em 1998 a coletânea "TV Dance" chegava ao seu 3º volume, e novamente, a Paradoxx soube modernizar ao fazer este lançamento...

Foi colocado no mercado um "kit" que trazia um CD com 14 faixas de Dance Music e uma fita VHS com os vídeos oficiais dessas músicas. Apesar da PolyGram ter lançado uma ou duas VHSs com clipes “dance” no ano anterior, não me lembro de ver um CD e uma VHS com o mesmíssimo conteúdo sequencial.

Quanto a coleção anterior da Paradoxx (conteúdo multimídia - CD-ROM), a Spotlight Records copiou a ideia vista nessas faixas interativas e em 1997 inseriu os clipes de Alexia - "Uh La la la" e "Number One" no CD do programa "Perfil" (SBT). Entretanto, nessa época a Paradoxx Music já estava com outras premissas e criando uma outra caracterização, oferecendo então ao seu público (no ano seguinte) o tal CD + fita VHS:


Gala, Whigfield (Annerley Gordon), Regina, Erasure, Angelina, Simone Jay, Ultra Naté, Carol Bailey... grandes destaques deste excepcional produto da Paradoxx Music: "TV Dance Vol.3"


AS PEDRAS NO CAMINHO DA PARADOXX MUSIC

A Paradoxx Music - que sempre foi uma empresa pequena - teve ainda que lutar contra as gigantes do segmento, que andavam bem incomodadas com seus ótimos resultados alcançados no setor fonográfico.

A PolyGram chegou, inclusive, a acusar a Paradoxx de pirataria em 1994, pois a empresa de Silvio Arnaldo também tinha um contrato com os grupos alemães Maxx e Intermission - e como era típico da Paradoxx - eles lançaram as faixas "Get A Way""Piece Of My Heart" em suas coletâneas, causando logo um certo desconforto na PolyGram (detentora também dos direitos). 

Apesar da tentativa por parte da outra corporação, a Paradoxx Music não teve maiores problemas e conseguiu provar que tinha um contrato legítimo com esses grupos alemães (embora não exclusivo)"Foi uma precipitação. Um caso do grande querer comer o pequeno. Fizeram todo esse escândalo para quebrar a gente", disse Filippo Croso na época (Para mais informações sobre esse caso, clique aqui).

A imprensa também pegou muito no pé da Paradoxx e da Dance Music nos anos 90. Na verdade, a Eurodance sofreu muito preconceito por parte de muitos jornalistas e críticos musicais.

A revista Veja, por exemplo, sempre escrevia artigos negativos e com toneladas de críticas ao gênero. Era nítido o incômodo que a Dance Music causava nos grandes empresários e nos diversos jornalistas. O curioso é que, se você ler a revista atualmente, não encontrará nenhuma crítica aos gêneros nacionais que fazem sucesso hoje em dia, como o funk e o sertanejo. Inacreditavelmente hoje tudo ficou muito lindo e maravilhoso... O funk é manifestação cultural para a Revista Veja, já a Dance Music era "bate-estaca irritante""canções descartáveis""músicas sem alma""produtos ruins""sem criatividade" e por aí vai. Até a cantora colombiana Shakira foi alvo da Veja e teve o seu talento questionado em uma de suas edições, é mole? E como dar credibilidade para esse tipo de jornalismo, já que nos anos seguintes a estrela da música latina recebeu 10 prêmios Grammys?

Hoje os redatores não tocam uma palavra sequer sobre o grandioso "talento" das cantoras de funk, tão pouco citam a qualidade nos arranjos, as instrumentais, as danças que simulam o sexo, a apologia às drogas, e a banalização da verdadeira cultura funk (já que a revista adorava rebaixar os artistas da eurodance os comparando com Donna Summer e outros da Disco Music), etc. 

Enfim, hipocritamente não há nenhum pio sobre estes cantores e músicas nacionais, mas sobre os artistas internacionais, incluindo os premiados e reconhecidos pelas grandes Academias, estes impiedosamente não eram poupados pela tendenciosa Veja.


Em 1997 até a revista DJ Sound comentou sobre o incomodo que a Dance Music estaria causando


Num desses ataques, mais precisamente em 1997, a mesma revista resolveu apedrejar mais uma vez a Paradoxx Music, agora alegando de maneira denunciativa que a empresa oferecia fonogramas piratas aos seus consumidores, mencionando ainda os covers de Ricky Martin ("Roby Cheloz"), Shakira ("Shaquille"), Shania Twain ("Shanaia T."), entre outros. Acontece que muitas outras organizações, como a conhecida Som Livre, também recorriam aos covers quando não possuíam os direitos das faixas originais. Isso sempre foi muito corriqueiro no mercado fonográfico entre as gravadoras, mas nessa ocasião era visível que o importante para a Veja era poder criticar gratuitamente a Paradoxx Music e o Eurodance. Era muito rotineiro ver esse tipo de "matéria jornalística", e as críticas eram sempre muito pesadas e gratuitas. Atualmente parece que estes jornalistas estão em paz, pois agora podem dominar bem o mercado brasileiro com seus ritmos favoritos, lucrar com seus próprios artistas e usufruir de todo o espaço abocanhado.


O DEFINHAMENTO DA PARADOXX MUSIC

Foi entre 1998 / 1999 que a gravadora foi entrando em declínio e com lançamentos pífios ao seu consumidor, e isso aconteceu porque a Dance Music de rádio estava perdendo o seu espaço para o axé, forró e o pop internacional (Hanson, Spice Girls e Backstreet Boys eram os novos queridinhos dos jovens). 

Nas compilações da gravadora, por exemplo, começaram a surgir muitas faixas que nem eram conhecidas pelo público, além de vários covers de qualidade duvidosa, como os fonogramas presentes nas coletâneas sofríveis "FM Sucesso", "Zapping Sem Parar", "Tempo de Alegria Vol.2", "Top 18 Vol.2", "Só Se For Dance Vol.4"e muito mais...

Em 1999 teve também o fim do contrato da Paradoxx Music com a empresa de design Quarto Mundo. Agora, além dos CDs enfraquecidos, as artes também não eram mais tão atrativas (com exceção de alguns títulos, como a esperta capa do CD  "Na Balada", de 1999). 


CD Mega Dance Vol.3: Arte gráfica deixa a desejar... (provavelmente nem o Celso Portiolli quis aparecer neste 3º volume)


E essa ainda foi a época que a Building Records começou a crescer no campo da música eletrônica, embora também não tivesse um projeto gráfico tão bonito e instigante quanto ao apresentado pela Quarto Mundo. Inclusive, as capas dos discos da Building Records eram sempre feias, empobrecidas e monótonas, mas com o passar dos anos o seu catálogo, ao menos, foi ficando cada vez mais interessante... 

No final dos anos 90 (e início de 2000) a Paradoxx tacou também diversos CDs de flashbacks aos fãs de música eletrônica, talvez devido a escassez de novos fonogramas... Então tivemos "Power Flash", "As Melhores das 7 Melhores", "The Best Of 90's Hits", "As Melhores Da Década", "As Melhores Da Década - Volume 2", entre muitas outras.

Quanto a Building Records, o seu catálogo não parava de surpreender aos fãs da Dance Music, e quando o CD "As 7 Melhores do Milênio" foi lançado por esta gravadora em 1999, percebemos imediatamente que a situação estava cada vez mais crítica para a Paradoxx Music, que havia lançado oficialmente os 8 volumes anteriores da coleção "As 7 Melhores" e que agora estava perdendo o seu favoritismo para as rádios, clubs, fãs de Dance Music e dirigentes da época.


A Paradoxx Music tenta se levantar nos anos 2000

Maaaas, aparentemente a Paradoxx resolveu se mexer no início dos anos 2000... Tentando dar uma nova guinada no mercado fonográfico, a gravadora finalmente licenciou novos artistas da Dance Music, como Fragma, Mumm. Vs Dhany, SoundloversFloorfillaThe Underdog Project, Love Connection… 

Já em 2001 a companhia se instalou em um novo endereço: Rua Conde de São Joaquim, 57, Bairro Liberdade - São Paulo - SP.


Este é o segundo prédio onde funcionou nos anos 2000 a Paradoxx Music; O local hoje se encontra completamente abandonado, como vemos na imagem acima.


A empresa seguiu apostando em novidades para o seu crescimento, assinando então com novos artistas que ainda eram desconhecidos na época, como Magic Box, Erika, S.M.S., Groove Coverage Ian Van Dahl. Hoje, com toda a certeza, são projetos que você conhece, não é mesmo? Então, mas foi a Paradoxx que os licenciou primeiramente...

Percebíamos claramente que a empresa queria reconquistar o seu lugar de destaque - perdido para a Building Records - e representou ainda por aqui o hit de Daniel Bedingfield – "Gotta Get Thru This", que tinha o seu videoclipe muito executado na MTV Brasil; além de trazer as belas e promissoras DJ Encore feat Engelina – "I See Right Trough To You" e Carola –"I Believe In Love" . 

Apesar de fazer um bom negócio com esses novos licenciamentos, a gravadora não deu sequência a esse trabalho, então mais uma vez viu as suas fontes secarem em poucos meses... E como se não bastasse, não demorou muito e a Bulding contratou a maioria desses artistas, deixando a Paradoxx totalmente de mãos vazias.


O ENCERRAMENTO DA MITOLÓGICA PARADOXX MUSIC 

O triste fim de uma magnífica Era

Infelizmente a Paradoxx Music encerrou as suas atividades em 2006 (e não em 2005, como consta em alguns sites). Um de seus últimos CDs lançados foi o álbum "No País De Laura Roitman" (2006) da banda brasileira de pop eletrônico Que Fim Levou o Robin?. 

O que gerou o fechamento da Paradoxx Music? Bem, muitas pessoas afirmam que o principal fator foi a pirataria de discos, que estava bem desenfreada no início dos anos 2000, mas apesar disso ser um dos reais motivos, não foi só a pirataria que fez o selo decretar falência...

Algumas bandas também processaram a empresa alegando que não estavam sendo remuneradas devidamente, assim como muitos selos internacionais - que lhes forneciam as famosas faixas de eurodance - também não estavam sendo pagos... Então muitos contratos foram desfeitos com a companhia, resultando na sua escassez de lançamentos e na perda de sua confiabilidade dentro do mercado fonográfico.

A Building Records também enfrentou a pirataria nos anos 2000, mas soube conduzir muito bem seus negócios, inclusive, essa foi a década mais produtiva e rentável da Building, que ainda nos trouxe nesse mesmo período diversas músicas de artistas do Vocal Trance, Italo Dance e Techno

O caso da Paradoxx Music vai além da atribulação com a pirataria... Apesar da empresa saber inovar com seus belos produtos, de ser original e de trazer material de qualidade ao Brasil (e não falo apenas no que se diz respeito ao Eurodance, mas também ao seu impecável catálogo de Rock), houve ainda uma ausência de planejamento, uma administração falha, e a falta de pagamento aos seus contratados. 

E para a fábula da Paradoxx Music finalizar de maneira mais triste ainda, em 12 de setembro de 2014, infelizmente faleceu em Curitiba-PR, no Hospital Vita (na Rodovia BR 116), o seu ex-dono e criador: Silvio Arnaldo Calligaris. O empresário tinha 58 anos de idade e deixou sua esposa Mara Lucia Comim e filhos Ana Carolina Calligaris e Billy Calligaris.

Luizão, seu antigo colega e ex-sócio, também já havia falecido, restando dessa importante história apenas Nilton Ribeiro, que hoje cuida de seus negócios pessoais -  como a Obi Music.


A “PARADOXX” CONTINUA NAS MÍDIAS DIGITAIS 

"Os sucessos de sempre, mas de cara nova"

No início desse ano (2022), percebi que criaram uma página no Facebook com o título de “Nova Paradoxx Music”, contudo, não dei muita importância a este fato visto que existem diversas páginas e grupos não oficiais que usufruem da identidade da antiga gravadora.

Porém, Milton Oliver - também fã e seguidor de Dance/House Music - entrou em contato comigo e garantiu que, segundo suas fontes, trata-se de uma empresa real que está usando a logomarca da Paradoxx Music.

Com a confirmação vinda do nosso amigo, resolvi então averiguar e tentar obter alguma informação sobre este possível “retorno” da antológica Paradoxx Music... Seria essa, a sua volta à cena musical?

Entrei em contato com os responsáveis e logo perguntei: 

-A Nova Paradoxx Music por acaso tem alguma relação com a antiga empresa Paradoxx Music? 

E dentro de duas semanas obtive um retorno:

-Olá Ricardo, obrigado pelo contato! A resposta é sim e não... Calma, vamos explicar! A Nova Paradoxx Music é atualmente detentora de parte do catálogo da antiga Paradoxx Music, inclusive o direito de uso da marca. No entanto, são empresas distintas e não detemos a íntegra do catálogo da antiga Paradoxx mas, centenas de antigos sucessos da famosa gravadora serão disponibilizados nas plataformas digitais. 😊

Respondi com outra mensagem:

-A antiga gravadora tinha um catálogo enorme de Dance Music, e depois que a empresa fechou, o Brasil ficou meio que órfão nesse segmento…(embora tivéssemos ainda o apoio da Building Records). Vocês pensam em licenciar músicas com novos selos internacionais, ou isso não está nos planos? 

Então responderam: 

-Muito em breve você terá a oportunidade de desfrutar tudo o que havia de bom e também de novidades. Só aguardar. Grato pelo contato.

Fiz uma última pergunta: 

-Terão músicas apenas em mídias digitais ou em mídias físicas também?

Então veio a resposta (já esperada):

-Só mídias digitais.


Com tudo isso, acho que fica claro que a Nova Paradoxx Music exercerá a mesma função da atual Spottlight Record (antiga Spotlight Records) e trabalhará apenas focada nas plataformas digitais. 

Já podemos encontrar em seu canal oficial no YouTube, por exemplo, os antigos trabalhos de sertanejo, forró, pagode e até de Eurodance, como Jayne, Ira!, Discoteca do Kiko, Genival Lacerda, KMC Feat. Dhany, Carlos Oliva & Los Sobrinos, Orlando Johnson, e etc. 

Não sou especialista na área, mas acredito que estes fonogramas disponibilizados no momento se referem a contratos vitalícios, e quanto a maioria dos sucessos antigos da Dance Music creio que já tiveram seus contratos expirados há muitos anos. Mas, como dito pela própria marca, vamos aguardar pelo o que ainda pode vir por aí...

EDIT: Estranhamente, a "NOVA PARADOXX" mudou de nome. Após a publicação dessa matéria, a empresa passou a se intitular comercialmente de "NOVA MUSIC" (provavelmente algum detentor dos direitos autorais barrou o uso da marca). 

Leia mais aqui.


CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Apesar de seus altos e baixos, a gravadora Paradoxx Music fez um excelente trabalho na divulgação da Dance Music em nosso país, sempre enaltecendo o gênero e dando espaço à muitos artistas que antes não tinham credibilidade com as grandes gravadoras. 

É lógico que também lucraram muito com isso, afinal nenhuma empresa trabalha de graça, mas o mais importante nisso tudo é que a Paradoxx prestou um ótimo serviço, foi muito empenhada com a Dance Music e deu muita atenção ao seu consumidor, ouvindo sugestões, apoiando fã-clubes de seus artistas - e até os enviando singles gratuitamente. Era um atendimento diferenciado, único, próximo e com muita acessibilidade, diferente do oferecido por muitas majors da época. 

Mas acima de tudo, a pequena Paradoxx Music fez algo que não acontece mais: colocou sorrisos de orelha a orelha em milhares de adolescentes brasileiros que se deliciavam com suas inigualáveis coletâneas de Eurodance. 

Aliás, se nos anos 90 você não teve nenhum produto da empresa você viveu sua juventude de maneira "errada", e com certeza desconhece a mágica sensação de segurar em mãos um CD novo com a qualidade Paradoxx.

A palavra que fica é Saudades. Muitas Saudades de tuuuuuuudo isso aí.