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domingo, 17 de maio de 2026

DWA/EXTRAVAGANZA - A HISTÓRIA DA EURODANCE

 O INÍCIO DA DWA E A RECENTE VENDA DE SEU CATÁLOGO DE EURODANCE PARA A WARNER

Roberto Zanetti foi o fundador da DWA e criador de inúmeros híts 

Roberto Zanetti nasceu em Massa, no dia 28 de novembro de 1956. Aos quatorze anos, começou a estudar piano e logo se apaixonou pela música. Naquele momento, percebeu que a música seria o foco de sua futura carreira.

Durante o ensino médio, Roberto tocou em grupos musicais antes de entrar para a universidade. O trabalho com diferentes grupos tornou-se tão importante para ele que Roberto decidiu seguir carreira musical. Como resultado, ele formou um grupo profissional chamado Taxi, no qual Zucchero Fornaciari tocava guitarra.

Foi nessa época que Roberto começou a compor músicas – inicialmente em um estilo melódico e comercial – e mais tarde mudou para a “Italo Disco”.

Em 1983, ele gravou o primeiro single de seu grupo Taxi, chamado "To Miami". A música se tornou um sucesso local (foi lançada apenas na Itália central) e abriu caminho para uma outra canção, chamada "Angelica", de Joey Moon.

Após essas experiências, Roberto foi contatado por dois DJs e juntos produziram “Incantation” de Gang.

Esta música – uma versão cover de uma canção de Mike Oldfield – fez sucesso na Itália e foi o início de uma colaboração com a Discomagic de Severo Lombardoni, que a distribuiu e se tornou parceira de Roberto Zanetti em seus lançamentos iniciais. 

De outubro a novembro de 1983, Roberto produziu mais quatro músicas: “Buenas Noches”, de Kamillo; “Starman”, de Claudio Mingardi; “Magic Carillon”, de Rose; e “Don't Cry Tonight”, lançada no final de 1983 com o pseudônimo de Savage, e que marcou a sua carreira. Essa música foi o primeiro grande sucesso de Roberto. Nesse meio tempo, ele decidiu adotar o nome artístico “ROBYX”, utilizando-o como produtor (ele achou melhor organizar suas carreiras, já que era um cantor e também produtor para outros cantarem).

"Don't Cry Tonight" de Savage tornou-se um grande sucesso em toda a Europa e foi remixada inúmeras vezes. A popularidade deste single foi tão grande que Savage decidiu seguir com outros singles para o projeto, e no mesmo ano de 1983, gravou sua próxima faixa, que seguia o mesmo estilo da anterior…. Era "Only You"

Esse segundo single do Savage tornou-se um clássico da Italo Disco (de batida mais lenta), resultando no lançamento de seu primeiro álbum, "Tonight".

Quanto a este seu nome artístico, surgiu na escola, quando Roberto desenhava histórias em quadrinhos com seu amigo Fabrizio Bonini. Um de seus personagens desenhados era um roqueiro rico, famoso, e levava esse nome: "Savage".


Savage é o projeto onde Roberto Zanetti compõe e canta

Nos anos seguintes (1984-1986), Roberto continuou dedicando-se ao seu projeto Savage, então trabalhou na divulgação do seu álbum "Tonight" e fez os lançamentos de seus outros singles, como "Celebration", "Radio", "A Love Again", "Love Is Death", "Loosing You" e "Goodbye". Nessa época, sua única produção (além do álbum "Savage") foi "Life Is Life", de Stargo. Essa música era uma versão dance do famoso grupo Opus. A versão de Roberto alcançou o topo das paradas francesas, conquistando um disco de ouro por 250.000 cópias vendidas.

Como era o intérprete do Savage, cantando todas as músicas, Roberto começou a concentrar seu trabalho em shows e turnês por toda a Europa, tornando-se uma estrela conhecida em alguns países do Leste Europeu, como Polônia e Rússia.

No final de 1986, Roberto decidiu criar seu próprio estúdio de gravação, chamado Casa Blanca Recordings, onde também ficava a sede de sua produtora, denominada “Robyx” (Todos os discos anteriores foram gravados em um estúdio italiano chamado Scacomatto)

Roberto começou sua carreira como produtor autodidata. Como tecladista, aprendeu rapidamente a utilizar computadores e equipamentos digitais, que logo se tornaram a base da música eletrônica.

Uma das etapas mais significativas desse progresso tecnológico foi marcada pelo fato de sua empresa ter sido uma das pioneiras no uso das baterias eletrônicas Linn Drums em 1984, do sintetizador Yamaha DX7 em 1984 e dos computadores Roland MC 700/500 em 1985.

Entre os primeiros projetos realizados no novo estúdio de gravação, está o House-Fever. Pois é, o gênero House Music começava a invadir o mundo com suas produções altamente dançantes, causando grande sensação no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas ainda não havia chegado à Itália. Nesse percurso, Roberto conheceu a música “The Party” do grupo Craze e decidiu fazer uma versão cover em italiano com uma letra espirituosa, nascendo então a canção “Non Toccarmi Il Culo Dai”, que imediatamente se tornou um sucesso imitado por Salvi com “A Car Needs To Be Moved”. Este foi, sem dúvidas, um período de transição no mundo da música, então sai a Italo Disco e a Eurodance começa a dar seus primeiros passos…

Em apenas alguns meses, Roberto lançou cerca de 10 discos desse gênero. O sucesso foi tão grande que ele vendeu 200 mil cópias. Um número enorme para o mercado italiano!


O INÍCIO DOS PROJETOS 'DANCE': ICE MC, CORONA, DOUBLE YOU

Em 1988, Robyx iniciou um novo projeto, da qual se previa que se tornaria um grande sucesso internacional. Era o “ICE MC”

A origem deste projeto foi um tanto peculiar: Roberto compôs uma música para si mesmo, que também cantava. Posteriormente, decidiu eliminar a letra dos versos e substituí-la por rap. Para isso, convidou Ian Campbell, um britânico de origem jamaicana, para ser o rapper, que antes trabalhava como dançarino de discoteca. Dessa forma, Roberto compôs a música “Easy”, que se tornou um grande sucesso em toda a Europa.


Ice MC foi destaque em toda a Europa e sua fama chegou também ao Brasil

Apesar de cantar todas as partes vocais, com exceção do rap, Roberto decidiu não participar ativamente do grupo, mas a sua voz continuou num pequeno trecho dessa música, na parte que ouvimos no refrão “Easy To Remember”. Sim, essa voz é dele, apesar de estar sem os créditos no disco. O grupo passou então a existir oficialmente como conhecemos: Ice Mc.

Além disso, os singles “Scream” e “Cinema” se tornaram grandes sucessos, assim como o álbum que incluía essas duas músicas. Os gritos femininos que ouvimos em “Scream” são de Vivianne Zanetti, a irmã do próprio Roberto. Na época, Vivianne trabalhava no escritório da DWA, mas também era uma boa cantora e, às vezes, era gravada pelo irmão. Já alguns vocais masculinos são de Roberto, enquanto que os backing vocals são de Alessia Aquilani, que se tornaria conhecida futuramente como Alexia. Aliás,Vivianne Zanetti foi quem conheceu a Alexia primeiramente, e depois acabou apresentando-a ao irmão. 

A demanda por Ice MC começou a crescer em todo o mundo, e o grupo decidiu sair em turnê. Enquanto Ian Campbell viajava, fazendo shows e promovendo sua imagem, Roberto cuidava da organização e da composição de novas músicas. Robyx dedicou toda a sua energia ao projeto Ice MC, pois podia considerá-lo seu.

Por volta de 1990, Robyx lançou apenas alguns discos, além dos materiais do Ice MC. O mais significativos foram: “Pianonegro” de Pianonegro, “Party Children” de Wareband Feat. Tad Robinson e “Vocalize” de Scatt.

Em 1990, o Robyx conheceu por acaso o grupo Double You e uma colaboração emocionante começou, resultando no single “Please Don't Go”.

Nessa ocasião também, a intuição de Roberto provou que ele estava certo, quando lançou um novo estilo chamado “Covermania”, posteriormente seguido e copiado por muitos outros na Europa.

O lançamento da música “Please Don't Go” tornou-se um sucesso instantâneo, sendo uma daquelas canções que sobem nas paradas sem a ajuda de qualquer publicidade específica. Na Inglaterra, essa música chamou a atenção de uma gravadora de música eletrônica, conhecida como Network. Eles solicitaram a licença para lançar a música no Reino Unido. A resposta de Robyx foi negativa, porque outra empresa naquele país já possuía a permissão. Mesmo assim, isso não impediu a Network de fazer uma cópia de “Please Don't Go”.


Double You sofre golpe dos ingleses

A versão cantada pelo projeto inglês KWS alcançou o topo das paradas musicais inglesas, graças à conduta incorreta do distribuidor (Ele era o editor de ambas as versões do grupo, Double You e KWS, apoiando apenas a última).

Mais tarde, a DWA venceu um processo judicial contra a Network, que foi condenada a pagar uma indenização. Foi impossível avaliar o valor da multa, considerando o sucesso da KWS tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. No entanto, o Double You triunfou no resto do mundo.

Depois disso, a empresa Robyx produziu outros grandes sucessos, enquanto o grupo KWS e a gravadora Network desapareceram do mercado.

Naquela época, o KC & The Sunshine Band, da original “Please Don't Go”, também estava interessado na empresa de Robyx e de firmar uma parceria.

Certo dia, ele decidiu visitar a Itália para gravar um álbum, que foi produzido por Robyx.


KC & The Sunchine Band grava com Double You, e a DWA também fez novos remixes para “Give It Up”, que foi lançado em vinil com 4 versões, em 1993.

Quanto ao Netzwerk, muitos pensam que foi produzido pessoalmente também por Robyx, mas na verdade, ele era apenas o dono da gravadora, e não necessariamente assinava tal produção musical. O time de produção oficial era composto pelos produtores e músicos Fulvio Perniola, Gianni Bini, Marco Galeotti e Maurizio Tognarelli, mas todos grandes parceiros da DWA, além de possuir até hoje um vínculo de amizade com Zanetti. A marca DWA estava impressa no Netzwerk pois foi lançado e gerenciado pela empresa de Robyx, então compartilhava a mesma estrutura de estúdio e as mesmas vocalistas que Robyx utilizava em suas próprias produções.

Entre 1992 e 1993, Roberto mudou-se para uma nova sede e, com seu novo estúdio, ele inaugurou uma série interminável de sucessos, como os de Ice MC e Corona. Foi também no novo estúdio que ele criou o som único “DWA”, que foi copiado por muitas outras gravadoras nos anos seguintes.

O primeiro sucesso dessa leva foi “The Rhythm Of The Night” (1993) de Corona. Nessa música, Robyx deu algumas sugestões ao produtor Francesco Bontempi e foi somente a partir do segundo single, “Baby Baby” (1995), que Roberto se tornou uma parte muito importante do projeto, fazendo mixagens e contribuindo ativamente na criação de todas as músicas. 


DJ BoBo e Robyx (ao fundo)

O caso do DJ BoBo é um pouco semelhante com o caso do Netzwerk, ou seja, não era um grupo produzido por Robyx, mas seus primeiros singles (que eram produzidos pela Fresh Records) passaram também a serem representados pela DWA.

Tudo começou quando DJ BoBo conheceu o produtor Robyx durante a edição de 1993 da MIDEM, a famosa feira e convenção internacional de música realizada anualmente em Cannes, na França. Na feira, a equipe do DJ BoBo (que incluía o gerente Oliver Imfeld e o produtor suíço Gutze Gautschi) estava promovendo uma faixa dançante recém-lançada chamada "Somebody Dance With Me". Robyx ouviu a música, adorou a pegada e viu um enorme potencial comercial, então ele abordou a equipe do DJ BoBo para negociar o seu licenciamento e lançá-la na Itália e em vários outros territórios ao redor do mundo, e assim, o lançamento internacional ocorreu e estourou conforme sua previsão. 

A partir desse primeiro contato de sucesso com a DWA, Robyx e sua equipe lançaram outros primeiros híts de DJ BoBo, como “Take Control”, “Everybody” e “There Is A Party”

Inclusive, por volta de 1994, eu achava que DJ BoBo era italiano e integrante oficial da DWA, ao lado de Double You, Corona e Ice MC, por vê-lo sempre nas coletâneas da Spotlight ao lado destes artistas e projetos italianos. Aqui no Brasil, por exemplo, o artista suíço ficou conhecido nessa época pois seus fonogramas estavam nas mãos da DWA/Robyx, que trouxe na mesma mala, para a gravadora brasileira Spotlight, seus singles juntamente com os singles de Double You, Corona e Ice Mc.

Em uma entrevista ao fan-site húngaro de DJ Bobo, o produtor suíço Gutze Gautschi rasgou elogios para Roberto Zanetti/Robyx, e explicou melhor como a parceria entre eles aconteceu:

“Como isso aconteceu? Em 1993, estávamos na feira de música em Cannes (França). Todos os anos, a cena musical do mundo todo se encontra lá. Conhecemos o Robyx lá também. Ele veio até a nós, demonstrou interesse na nossa música ("Somebody Dance With Me") e nos perguntou sobre a licença para o lançamento na Itália e em outros países. Como resultado, negociamos um contrato. Naquela época, eu também queria fazer um remix de "Somebody Dance With Me" e "Keep On Dancing" e perguntei ao Robyx se ele estaria interessado. Ele concordou e, então, passamos de três a quatro dias na Itália, no estúdio dele, onde os remixes foram produzidos. Além disso, acho que ele é um dos produtores mais brilhantes e, apesar de tudo, continua humilde. Ele não tem nenhuma pretensão e, acima de tudo, é uma pessoa muito tranquila. Nos encontramos algumas vezes em Lugano a negócios. Hoje não nos vemos mais, mas nunca se sabe.”

A foto acima (com Robyx e DJ BoBo juntos) foi justamente tirada nessa época, em 1993, durante uma apresentação em Cannes. 


Ice Mc e sua backing vocal (Alexia) vendo se vai chover (só se for chuva de sucessos)


Em suas produções próprias que estavam sendo criadas em 1994, como “Think About The Away” e “It's A Rainy Day” de Ice MC, Roberto Zanetti buscava uma nova sonoridade. Novos sons e elementos então passaram a caracterizar a Eurodance, sendo utilizados pela primeira vez nessas músicas. A vocalista Simone Jackson, que mais tarde se tornaria conhecida na Eurodance como Simone Jay, também trabalhou com Ice Mc (além de Alexia) e gravou a agitada “Take Away The Colour”, sendo mais um single bem sucedido do rapper.

Em 1994, houve também o lançamento de "Run To Me" do Double You, um estouro nas pistas de dança e rádios que tocavam a legítima Eurodance! 

"Run to Me" foi lançada oficialmente no dia 13 de maio de 1994, ou seja: está completando seus 32 anos! 

O single foi um dos grandes sucessos do Double You e fez parte de seu álbum "The Blue Album", além de consolidar a popularidade do grupo nos charts dos melhores clubs mundiais.


Os 32 anos de "Run To Me" de Double You

A brasileira Spotlight Records - que licenciava as faixas da italiana DWA nos anos 90 - nos inundou de coletâneas com "Run To Me", além de ceder o fonograma para a super compilação da Som Livre - "Disco 95". 

Ah, e uma curiosidade interessante, é que o rap que ouvimos aqui em "Run To Me" é de Ice Mc, e numa entrevista há algum tempo, o vocalista William Naraine comentou que o rap nessa música era originalmente para a música "I Just Died In Your Arms Tonight" regravada pelo Savage, mas que acabou não sendo lançado nesse projeto. 

Não podemos nos esquecer também que, em "Run To Me" há o famoso sample da oitentista e clássica "Don't Go" do Yazoo, além de apresentar as batidas idênticas de Culture Beat e sua obra-prima “Mr.Vain”, que tecnicamente é conhecida como a batida Four-on-the-Floor, destacando o bumbo que bate forte nos 4 tempos do compasso (1, 2, 3, 4).

Que produção caprichada e incrivelmente dançante ficou, né?


Corona e seu álbum "The Rhythm Of The Night" (1995)

No dia 10 de abril de 1995 foi lançado pela primeira vez o aguardado álbum "The Rhythm Of The Night" do projeto italiano Corona.

As vocalistas deste álbum são Jenny B e Sandy Chambers, duas das maiores vozes da Dance Music européia, enquanto que na parte da divulgação tivemos a modelo brasileira Olga de Souza, que fez decoração e viajou o mundo promovendo o "merchan" do disco.

Aqui no Brasil o produto foi licenciado pela gravadora brasileira Spotlight Records, assim como todo o material produzido pela gravadora italiana.

Em poucos anos, Robyx se catapultou para o grupo dos produtores mais importantes, vendendo só com Ice Mc e Corona mais de 6 milhões de singles e 2 milhões de álbuns em todo o mundo.


Alexia e Ice Mc: Mudanças e promoções à vista

Em 1995, Alexia lançou o seu primeiro single solo: "Me And You". Depois de colaborar com Double You em alguns singles fazendo o seu backing vocal, agora foi a vez do vocalista William Naraine retribuir e emprestar o seu vocal para a sua grande companheira de estúdio. Nascia ali um novo hít para a DWA, assim como também houve no mesmo período uma tentativa de dar uma carreira solo para Sandy Chambers, com sua faixa "Bad Boy"

A música de Sandy foi bem nas paradas, mas a cantora tinha que cuidar de vários outros projetos, inclusive ela estava gravando e saindo em turnês com Double You, então a sua carreira solo não vingou, como a carreira solo de sua colega Alexia.


Sandy Chambers fez aniversário de 59 anos no dia 11 de abril de 2026. Definitivamente, ela foi um dos maiores talentos que já passaram pela DWA.


No final de 1995, Robyx decidiu reorganizar suas atividades. Começou com a conversão de seus escritórios em instalações novas e mobiliadas, além de reformular sua equipe artística.

Foi durante esse período que surgiram algumas divergências com Ian Campbell, o rapper do projeto Ice MC, que, sem avisar ninguém, assinou um contrato com outro empresário, ignorando o contrato com Robyx, que ainda estava em vigor. A justificativa dada por ele foi que queria mudar seu estilo.

Essa divergência surgiu porque Ian queria usar o nome “ICE MC”, que é uma marca registrada da empresa Robyx. Roberto foi, por muito tempo, o vocalista do projeto, além de compositor de todas as músicas. Ele também tocava todos os instrumentos em todas as gravações que compôs.

Ian assinou um contrato com uma gravadora alemã, a conhecida Polydor, e Roberto foi forçado a romper todas as relações com o artista, que continuava a usar sem direitos o nome “ICE MC” com a Polydor. O single novo do rapper veio em 06 de maio de 1996, mas não chamou tanto a atenção dos DJs e programadores de FM's.


Ian Campbell abandona Robyx e a DWA para trabalhar com o grupo alemão Masterboy e a Polydor

O single "Give Me The Light" do Ice MC foi lançado exatamente há 30 anos, no dia 06 de maio de 1996, marcando uma nova transição na carreira do rapper, um dos mais icônicos da Eurodance dos anos 90. 

"Give Me The Light" foi o primeiro single de seu quarto álbum de estúdio, intitulado "Dreadatour". A canção conta com os vocais femininos da cantora italiana Valentina Ducros, que substituiu a dance-star Alexia.

Produzido por Enrico Zabler (do Masterboy), "Give Me The Light" seguiu o auge da Eurodance dos anos 90, misturando batidas eletrônicas aceleradas com rimas de influência raggamuffin. Apesar de ser uma boa música, é perceptível também que a Polydor tentou fazer um som muito semelhante ao que Ian Campbell já fazia com Robyx, ou seja, o rapper não queria mudar de estilo??

O novo álbum de Ice MC também chegou, e apesar de ser um item muito esperado pelos fãs, toda a produção foi um grande fracasso, pondo fim a um projeto tão importante. 

Enquanto isso, a DWA lançava o single de Alexia - "Summer Is Crazy", a vocalista feminina dos maiores sucessos de Ice MC. 

Durante o tempo em que Ice MC experimentava o amargo do fracasso, Alexia e Roberto Zanetti conseguiam sucesso garantido com o single "Summer Is Crazy", que, coincidentemente ou não, foi lançado exatamente no mesmo dia de lançamento de "Give Me The Light" de Ice MC. Parece até que foi coisa pensada por Roberto Zanetti.


Ice Mc foi embora para a Polydor, e Alexia assume de vez a sua carreira solo com um hít que é a cara do verão

Foi no outono europeu de 1996 que Alexia e seu produtor Robyx lançaram o clássico da Eurodance - "Summer Is Crazy", pensando nos resultados que a música poderia alcançar no verão que se aproximava. 

"Summer Is Crazy" foi lançado oficialmente em 6 de maio de 1996, ou seja, está celembrando o seu 30º aniversário! Foi também o segundo single da carreira solo de Alexia e causou um enorme sucesso, chegando ao primeiro lugar nas paradas da Itália e o Top 5 em países como Finlândia e Espanha.

A letra de "Summer Is Crazy" foi escrita pela Alexia (ela escreveu todos os seus híts) e foi produzida por Roberto Zanetti, sob o selo DWA Records.

O reconhecimento e a popularidade de Alexia foram garantidos e a cantora embarcou em uma bem-sucedida carreira solo, que resultou na distribuição de seu 3º single ainda no ano de 1996: "Number One" (finalzinho daquele ano); além do lançamento de seu primeiro álbum, "Fan Club" (1997), que nos trouxe o seu novo explosivo single: "Uh La La la" (1997).

Depois, em 1998, Alexia foi trabalhar com a Sony Music, e lançou poucas faixas no estilo Eurodance, até assumir de vez o Pop italiano que em nada lembrava as produções da DWA.


A Era de Ouro da Eurodance aconteceu com estes protagonistas da cena: os projetos da DWA

Estes foram os mais importantes projetos e artistas da DWA, durante estas décadas de glória e criatividade da Italo Dance. Obviamente que faltaram outros projetos que ficaram de fora, como aqueles menores com a Alexia fazendo os vocais (mas não mostrando o seu rosto, como o Due, Fourteen 14, e etc), tratando-se do mesmo caso do Netzwerk, com produtores terceirizados e amigos de Zanetti trabalhando na DWA em produções que não levavam a assinatura do “The Boss”. Quem sabe, não detalhemos sobre estes numa possível "Parte 2"?

O lendário músico também conta em algumas entrevistas que nunca quis transformar a sua empresa numa fábrica de inúmeros lançamentos, e que sempre prezou por produções onde ele tivesse total controle, envolvimento e contato pessoal, ou seja, diferente de suas contemporâneas, como a Time Records, a Discomagic e a S.A.I.F.A.M., que sempre lançavam centenas de singles simultaneamente e com a assinatura de muitos produtores/colaboradores. 

Zanetti fazia questão de lançar poucas produções, mas desde que tivessem seu dedo ali (embora o Netzwerk, o Po.Lo, o Black And White, o Digilove, e muitos outros projetos tenham sido produzidos por outras pessoas ligadas à ele nos anos 90, e não exatamente por ele).

Inclusive, em 2023 Zanetti montou uma lista de suas 10 canções favoritas que foram produzidas e lançadas pelo estúdio, e ele apenas escolheu as produções onde realmente esteve focado, dedicado e envolvido:


TOP 10 HITS DWA - BY ROBYX


 1) SAVAGE – "Don't Cry Tonight"

Tudo começou ali… Foi meu primeiro sucesso como produtor e artista.


2) ICE MC – "Easy"

O primeiro sucesso com o logotipo DWA e a primeira música produzida para o artista ICE MC.


3) PIANONEGRO – "Pianonegro"

O primeiro sucesso nas pistas de dança do Reino Unido. Não foi um grande sucesso comercial, mas fez muito sucesso nas paradas de música eletrônica.


4) Double You - "Please Don't Go"

O primeiro sucesso pop, que alcançou as paradas musicais em todo o mundo e transformou a DWA em uma grande gravadora de música dance.


5) CORONA – "The Rhythm Of The Night"

Sem dúvida, um dos 10 maiores sucessos da história da música dance. Ainda é tocado e dançado hoje em dia, mais de 30 anos depois.


6) CORONA – "Baby Baby" + "Try Me Out"

Os melhores singles que deram sequência a The Rhythm of the Night.


7) ICE MC – "Think About The Away"

A criação do estilo Eurodance e o início do Europop.


8) DOUBLE YOU – "Dancing With An Angel"

Um grande sucesso do verão e um momento de grande destaque para o artista Double You.


9) ALEXIA – "Me And You"

O primeiro sucesso Dance da artista Alexia. Seu primeiro single solo após a carreira com ICE MC.


10) ALEXIA – "Uh la la la"

O primeiro sucesso pop da artista Alexia, e seu primeiro hit no top 10 do Reino Unido.


Snap! e Taleesa: Uma curiosidade, é que em 2021 durante uma entrevista ao brasileiro Erik Rizzatto, Roberto Zanetti informou que, dos artistas que não pertenceram ao seu cast ele adoraria ter trabalhado com o alemão Snap!, além de ter elogiado a sua conterrânea Taleesa e citado que adoraria de ter trabalhado com ela.

Outra curiosidade: O vocalista do Po.Lo nos disse em uma entrevista que seus antigos produtores tentaram "manchar" a sua reputação depois que ele saiu da DWA, mas eu não acredito muito nessa versão dele, visto que Roberto Zanetti e sua equipe sempre foram bem tranquilos e compreensíveis com seus artistas e colaboradores. Zanetti até voltou a trabalhar com Ice MC, em 2004, após o rapper romper contrato com ele em 1996 e ir embora trabalhar na Polydor, então, creio que algo mais sério possa ter ocorrido nessa história... 

Zanetti é o tipo de pessoa que não guarda rancor, é aquele indivíduo raro que sempre procura ver algo de positivo nas pessoas. Você só encontra pessoas que falam bem dele, como profissional e como ser humano também. Já o vocalista do Po.Lo. agiu de má fé com uma fã brasileira em 2024. A pedido do próprio artista, ela escreveu a letra de 'You Don't Let Me Go', mas acabou ficando de fora dos créditos de composição da música. Como se não bastasse, o sujeito citou em entrevistas outros nomes que compuseram a letra. Ou seja, eu tenho muito mais motivos para ficar do lado do grande Zanetti/Savage/Robyx e da sua DWA. Me parece muito mais íntegro.

Leia aqui sobre o projeto Po.Lo e toda essa situação triste envolvendo a fã brasileira.


Savage - "Eternity" (2026)
Novo álbum de Savage

Outra curiosidade, é que Savage lançou recentemente o seu mais novo álbum "Eternity" (2026), que marca o retorno do mestre da Italo Disco aos holofotes da música eletrônica melódica, resgatando a essência e a atmosfera nostálgica dos anos 80.

O álbum "Eternity" foi lançado digitalmente no dia 30 de janeiro de 2026, mas no dia 06 de fevereiro chegaram ao mercado as versões em CD e vinil, sendo itens indispensáveis aos colecionadores da mídia física.

Neste novo disco, Zanetti assume (mais uma vez) o papel principal como compositor, arranjador e produtor da grande maioria das faixas, mas Elisa Gaiotto (Eliza G) também atua como letrista e fornece vocais de apoio em faixas importantes, como na música-título "Eternity"Thomas McAleese e William Campbell assinam como compositores e letristas especificamente na faixa "Reflections Of My Life" (que é uma releitura que acabou sendo incluída). Há ainda letras escritas pelos ícones Sandy Chambers e William Naraine: William compôs "Symphony" e "The End", enquanto que Sandy Chambers colaborou em "The Reason Of My Life", "Over The Rain", "Take Me" e "Talk To Me".

A mixagem ficou sob a responsabilidade do renomado engenheiro de som Marco Canepa, que também atuou como tecladista e arranjador no projeto. A masterização foi finalizada por Stefan Noltemeyer; e embora a base do álbum seja eletrônica (sintetizadores e baterias programadas), os bastidores contaram com instrumentistas orgânicos para dar mais profundidade às músicas. 

"Eternity" foi lançado pela Warner Music Italy, já que todas as produções (antigas e atuais) da DWA foram vendidas para o mercado da Warner no ano passado.


DWA FOI VENDIDA PARA A WARNER EM 2025

À esquerda: Renato Tanchis, Raffaele Razzini, Pico Cibelli, Roberto Zanetti, Francesco Bontempi, Santiago Menéndez Pidal, Luca Gentili e Filippo Pardini. Os fundadores da mitológica DWA repassam para a Warner Italy todo o seu catálogo de Italo Disco e Italo Dance.

Foi anunciado publicamente no dia 07 de janeiro de 2025, que a icônica gravadora italiana DWA (Dance World Attack) e sua divisão de publicidade Extravaganza tiveram seus extensos catálogos adquiridos pela Warner Music.

A Warner Music e a Warner Chappell Music (ambas da Itália) compraram todo o catálogo da DWA numa transação que incluiu mais de 250 gravações originais ("masters") de grandes clássicos da Italo Disco e Eurodance, incluindo sucessos como "The Rhythm of the Night" (Corona), "Happy" e "Uh La La La" (Alexia), "Baila" (Zucchero), além de muitos outros.

O lendário selo independente foi fundado em 1989 pelo produtor italiano Roberto Zanetti (também conhecido como Robyx, ou como cantor Savage) com a ajuda de Francesco Bontempi (produtor Lee Marrow), mas com o recente acordo de aquisição, a propriedade total da DWA Records e de seu braço editorial, a Extravaganza, foram transferidos para as mãos da Warner Music Italy e da Warner Chappell Music Italy.


"Adeus, DWA"

A marca "DWA Records" e seu logotipo agora pertencem legalmente à Warner, que detém os direitos exclusivos de comercialização e exploração do nome da gravadora, e Zanetti só poderá usá-lo em contextos históricos, biográficos ou promocionais autorizados (como ao dar entrevistas sobre o seu passado na empresa).

Zanetti vendeu o controle comercial, mas ainda mantém alguns direitos essenciais, por exemplo, ele continuará recebendo sua fatia de compositor por todas as faixas que escreveu ou coescreveu (como "Baila" de Zucchero). A Warner Chappell agora administra essas composições globais, mas repassa a parte correspondente ao autor de forma obrigatória.

No direito europeu e italiano, Zanetti mantém o direito de ser creditado como criador e produtor das obras originais, bem como o direito de contestar modificações que possam prejudicar sua integridade artística.

Roberto Zanetti e seu sócio Francesco Bontempi provavelmente receberam uma boa "bolada" (um pagamento financeiro irrecusável) pela venda definitiva de todo o ativo, valor este não divulgado. O seu catálogo extenso, com mais de 250 híts, também deixou os executivos da Warner bem satisfeitos:

Pico Cibelli acrescentou: “Estamos muito satisfeitos por Roberto e Francesco terem depositado sua confiança em nós como guardiões de seu catálogo e esperamos retribuir essa confiança nos próximos anos. Gostaríamos de agradecer aos nossos diretores financeiros, Raffaelle Razzini e Luca Gentili, pelo apoio e trabalho árduo para concretizar este negócio.”


Catálogo da DWA, que era de Roberto Zanetti, agora pertence à Warner

O gênero, que surgiu na Itália no final da década de 1970 e atingiu seu auge na década de 1980, é caracterizado por bateria eletrônica, sintetizadores e letras em inglês. Embora sua proeminência como gênero distinto tenha diminuído no final da década de 1990, sua influência continua presente nos estilos contemporâneos da música eletrônica.

“A Italo Disco é a essência da cena musical italiana e a DWA está no centro dessa cena há mais de três décadas”, afirmou Pico Cibelli, presidente da Warner Music Itália.

“Nossa equipe global está agora empenhada em aproveitar as oportunidades para levar esse incrível repertório a novos patamares e ajudar a garantir que uma nova geração de fãs em todo o mundo possa se conectar com essa música que celebra a vida.” - Guy Moot e Carianne Marshall , Warner Chappell Music

E se você, leitor, verificar os lançamentos digitais atuais, como os singles do Netzwerk ("Memories" e "Passion"), notará que os créditos de direitos fonográficos (P) nas plataformas como Apple Music e Amazon Music já constam oficialmente sob a etiqueta: "℗ a Warner Music Italy Release, DWA - Warner Music Italy". Portanto, todo o legado do Netzwerk agora também é gerido e distribuído globalmente pela divisão italiana da Warner Music.

Mas, quais serão os planos dos novos donos, afinal? Fazer novos remakes? Aproveitar samples? Ficaram deslumbrados com o sucesso de Black Eyed Peas e sua música "Ritmo", e agora querem investir em resgates de outros clássicos? Ou apenas seguirão desfrutando do amplo catálogo nos serviços de streaming?

“A seguir, cenas dos próximos capítulos”.


Você pode conferir mais detalhes sobre a venda da DWA apartir do link abaixo:

https://www.musicbusinessworldwide.com/warner-music-group-acquires-dwa-records-expanding-italian/


Leia também a história sobre Larry Pignagnoli e sua empresa Off Limits (que foi vendida para a BMG EM 2015):

https://rikardomusic.blogspot.com/2025/04/east-side-beat-feat-max-back-for-good.html






segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

DANZEL - "PUMP IT UP" (2004)

DANZEL - "PUMP IT UP" (2004) É UMA TRACK DOS ANOS 2000 QUE VOLTOU AOS HOLOFOTES
 APÓS 20 ANOS 
Danzel - "Pump It Up" foi hit em 2004, e aqui no Brasil o sucesso se estendeu em 2005 graças a coletânea "Summer Eletrohits", lançada há exatos 20 anos!


Os fãs de cinema devem estar muito ansiosos para o Oscar 2025, que deverá ser transmitido no próximo dia 02 de março de 2025...

Pois é, e uma das produções que concorrerá a estatueta de Melhor Filme é o 'terror' "A Substância" (2024), longametragem com Demi Moore e que empolgou alguns ouvintes de Dance Music com a sua animada trilha sonora, incluindo um certo Danzel - "Pump It Up", lembram-se dele??

Quando eu assisti ao filme tive essa agradável surpresa ao ouvir o clássico dos anos 2000, e pensei comigo: "Por onde será que anda esse cara?? Independente de onde estiver, tenho certeza que está muito feliz com a inclusão de sua música neste filme viral!"


Prepare o gel no cabelo, ouça o seu CD Summer Eletrohits e planeje a balada de seu próximo fim-de-semana! Como era boa essa vida!!!

O artista da Bélgica, Danzel, marcou os clubs e FMs em 2004 (há pouco mais de 20 anos) com este single "Pump It Up". Lembro que foi muito bem nos charts dos clubs de São Paulo junto com DJ Ross, Erika, Magic Box, dentre outros dance-hits da época, porém, foi relançada em 2019 numa versão mais atualizada, sendo esta a versão adicionada ao filme do momento.


NOS PRIMÓRDIOS -  JUVENTUDE DOS ANOS 2000:

Lançado inicialmente em 2003, apenas na Bélgica, "Pump It Up" logo se transformou numa febre em diversos países europeus. Aqui no Brasil, a faixa ainda foi inclusa na coletânea de maior sucesso das últimas décadas, "Summer EletroHits" (2005), que está comemorando neste exato momento 20 anos de lançamento! Nada mal para um jovem cantor que havia sido um dos 20 finalistas do programa "Idolos" (da TV belga), não acham?

"Pump It Up", na verdade, foi lançada originalmente em 1998 pelo projeto Black & White Brothers, mas sinceramente eu não me recordo desta primeira versão tocar aqui no Brasil, então, quando comecei a ouvir a versão do Danzel, em 2004, eu pensava que essa era a original! 

Da dupla Black & White Brothers eu me lembro apenas de "Put Your Hands Up" - essa sim - muito executada por aqui em 1999 (apesar de seu lançamento original ter sido em 1998).

Além de ser uma regravação do Black & White, a faixa “Pump It Up” trouxe batidas de um outro clássico que eu não conhecia em 2004… Ouçam Mixmasters - “In the Mix”, que é de 1990, vocês notarão que essa produção noventista contém a origem deste “sequestro”!


"A Substância" foi um dos campeões de bilheteria de 2024, ou seja, uma enorme plateia ouviu novamente, 20 anos depois, o grande hit "Pump It Up" de Danzel

Devo admitir que "Pump It Up" nunca foi meu single favorito de todos os tempos (pois acho a música um pouco repetitiva), mas é claro que a dancei muito, tem uma vibe feliz, cativante, marcou muitas juventudes e merece o seu posto de hino dos anos 2000. Lembro-me que fazíamos alguns churrascos com o pessoal da empresa, e todos piravam quando chegava a vez do CD "Summer Eletrohits" tocar essa do Danzel...

Johan Waem, mais conhecido por seu nome artístico Danzel, nasceu na Bélgica, em 9 de novembro de 1976. Ele deu os seus primeiros passos na indústria musical aos 15 anos de idade, fundando a banda de pop-rock Scherp Op Snee como vocalista. Como multi-instrumentista autodidata que ele é, logo também se tornou o baixista da banda. Além disso, Danzel foi o backing vocal na The La Band, uma banda que acompanhava grandes artistas na Bélgica.

Sua carreira profissional começou a se deslanchar em 2003, ano em que esteve competindo na versão belga de “Ídolos”, e como citado acima, chegou aos 20 finalistas do programa.

Logo depois, Danzel entrou em contato com Jaco van Rijswijk, um produtor que havia produzido e remixado alguns projetos belgas (como o Sylver e a cantora Kate Ryen), e assim Danzel foi apresentado à Dance Music (já que o artista só havia feito Rock). 


Danzel: Provando por A+B que o verdadeiro clássico nunca sai de moda

No final de 2003, a gravadora NEWS propôs que eles fizessem um remake de uma música do Black & White Brothers (que também era da mesma gravadora)...e sim... foi assim que tudo começou.

"Pump It Up" se tornou um sucesso estrondoso e foi assinado por todas as gravadoras do mundo, resultando em mais de 4 milhões de cópias vendidas. Aqui no Brasil, Danzel foi representado pela saudosa Building Records e teve a sua faixa distribuída por diversas coletâneas brasileiras, como "As 7 Melhores 2005", "Na Balada 10", "Vibe 97 Vol. 4", "Pista Máxima 2004", entre muitas outras... além é claro, da mega conhecida e já mencionada "Summer EletroHits" da Som Livre (a faixa foi cedida através da Building). 


Este CD foi um sucesso há 20 anos, mas penso que hoje em dia faz muito mais sucesso ainda que naquela época... Era apenas uma coletânea comum em 2005, um CD muito bom sim, mas comum como tantos da época. Hoje já virou um título cult...

"Pump It Up" ficou no Top 10 em praticamente todos os países do planeta, resultando em vários discos de ouro e platina. Os vocais de Danzel ainda foram usados ​​em milhares de remixes, inclusive, usados ​​até mesmo pelo Black Eyed Peas em 2009 (bem antes de usarem os vocais de Jenny B - "Rhythm Of The Night"), além de Endor em 2019 e Dimitri Vegas, Like Mike & Steve Aoki em 2022.

Depois de “Pump It Up”, Danzel - que também é um compositor -  resolveu escrever o seu segundo single "You Are All Of That", que não fez o mesmo sucesso, porém entrou nos charts das casas noturnas por aqui em 2004 / 2005.

O cantor depois tornou a regravar um outro sucesso dos Black & White Brothers “Put Your Hands Up In The Air”, e apesar da música original estar ainda "fresca" na memória dos brasileiros, foi bem tocada nas noites paulistanas e em rádios especializadas em Dance Music. Mais uma vez, tínhamos em nossos ouvidos uma música com uma letra simples, um ritmo repetitivo, mas ao mesmo tempo era uma música despretensiosa, alegre, divertida, harmônica, com voz forte e cheia de personalidade, suas batidas e grooves corretamente sincronizados, tudo combinando... Bem improvável que a geração atual entenda tudo isso, já que a maioria das produções atuais é de uma "bagunça" total, sem coesão, sem contraste, e intencionalmente feitas apenas para bombar no "tiktok".

A coletânea "Summer Eletrohits" foi lançada em janeiro de 2005 e marcou o verão daquele ano! Dentre os artistas que integraram o repertório estava ele: Danzel!!

Danzel ainda apresentou outras regravações em seu currículo, como“You Spin Me Round” do Dead Or Alive, “My Arms Keep Missing You” do inglês Rick Astley (que Danzel fez em parceria com DJ Frank do Underdog Project), entre outros.

Na minha humilde opinião, a melhor música do Danzel é uma composição própria dele intitulada de "What Is Life", um trance fantástico de 2007 feito em parceria com Regi Penxten do Milk Inc.

Danzel lançou ao todo dois álbuns em sua carreira, "The Name Of The Jam!" (2004) e "Unlocked" (2008). Ele também ganhou vários prêmios e muito reconhecimento na Polônia, além de um prêmio da MTV Rússia, vários discos de ouro/platina pelas vendas de singles/álbuns, mais de 100.000.000 de visualizações no youtube, mais de 60.000.000 de streams no spotify, e etc...


Danzel está atualmente com 48 anos de idade e seu sucesso continua!!

DENZEL ATUALMENTE

Como a Polônia é um dos maiores mercados para Danzel, ele se estabeleceu por lá, assim como fez aqui no Brasil o Double You, e está em turnê fixa com uma banda completa desde 2009.

Em 2022, ele foi convidado pela TV polonesa “Polsat” para competir no popular programa “Your Face Sounds Familiar” e se tornou o primeiro artista internacional a participar. Depois de se apresentar como Seal, Tina Turner, Joe Cocker, Lenny Kravitz e etc... ele venceu a temporada.


Denzel está casado há 30 anos, e aqui ele aparece com sua esposa aproveitando o sol em foto recente postada em seu facebook 

Em 2024, 20 anos após o lançamento de "Pump It Up", Danzel voltou a ser evidenciado de maneira mundial, agora com o seu grande sucesso sendo incluso na trilha sonora de "A Substância" (2024). E lógico, quando isso acontece, significa que vem aí um novo fôlego ao artista, e novos lançamentos provavelmente também estão à caminho… para fazer ferver ainda muitos outros verões escaldantes...


Parabéns Danzel!



sexta-feira, 15 de novembro de 2024

TIME RECORDS COMPLETA 40 ANOS!

TIME RECORDS, UMA DAS MAIS IMPORTANTES GRAVADORAS DA ITALODANCE, COMPLETA 40 ANOS DE HISTÓRIA


HÁ 40 ANOS, NASCIA UMA DAS MELHORES DA DANCE!!

Tudo começou no dia das bruxas, 31 de outubro de 1984, quando o produtor e empresário italiano Giacomo Maiolini fundou o seu selo TIME Records, uma empresa independente que marcou de forma indelével a história da Dance Music feita na Itália e distribuída no mundo.

Foi na cidade de Bréscia, na sede da Time, que nasceram as músicas mais icônicas, os grandes híts internacionais, os remixes, os contratos, e os licenciamentos que fizeram o delírio dos milhares de fãs da Dance Music Mundial, sobretudo a Eurodance tocada no rádio, nos clubs e distribuída nas coletâneas.

Giacomo Maiolini no início da Time

Aqui no Brasil, a Time começou a ganhar reconhecimento dos notívagos em meados dos anos 90, graças justamente às coletâneas de Eurodance da Paradoxx Music e Spotlight Records, além das transmissões dessas músicas em rádios como a Jovem Pan 2, 97 FM, Nova FM, Cidade FM, Metro FM, e claro, não podemos nos esquecer da força dos DJ's, que as executaram nos inesquecíveis clubs Kripton, Ilha de Capri, Toco, OverNight, Rivage, Atlanta, Resumo da Ópera, Limelight, Pacha, Broadway, entre muitos outros.

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado neste artigo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


MUITA ITALO DISCO EM 1984:

Giacomo Maiolini nasceu no dia 08 de março de 1963 e sempre foi um menino apaixonado por música, de frequentar às discotecas só para ouvi-las. Quando ele ouviu pela primeira vez uma música que gostou sendo tocada, foi perguntar ao DJ qual era o seu título e quem cantava, e na semana seguinte já foi comprar o tal disco. Ele sempre estava nas discotecas e levava também consigo um bloco de notas para anotar as canções que mais chamavam a sua atenção. Noite após noite, ele criou a sua playlist perfeita de "Dance Matadora", assim dando início na sua carreira como Produtor executivo e empresário do ramo fonográfico.

Não, em seu início ele não virou DJ, mas pensou nisso. O desejo que se instalou forte no italiano era em produzir, e Giacomo Maiolini consequentemente ficou alimentando essa ideia, até que perguntou à um amigo: "Porque não gravamos um disco?" 

Em Brescia, cidade onde Giacomo Maiolini nasceu, tinha um pessoal que havia acabado de gravar um disco, então o jovem Maiolini se uniu a dois deles (em 1984), e juntos fizeram dois discos. Estou falando de ninguém mais que a lendária dupla da S.A.I.F.A.M. - Mauro Farina e Giuliano Crivellente - que ajudaram a produzir as primeiras músicas da Time, produções estas, mais voltadas à italo disco. 

Iniciando nessa experiência, o novato produtor disse a si mesmo que, se ele quisesse seguir em frente com este sonho, precisaria criar um logotipo próprio, algo que fosse a sua marca. Então, Giacomo Maiolini olhou para o relógio e disse: 'Vamos de gravadora Time Records. Quatro letras, fáceis e compreensíveis na Itália e no resto do mundo'.

Mauro Farina, Giacomo Maiolini e Giuliano Crivellente

Com muito trabalho, viagens, colaborações, e visão de mercado, Giacomo Maiolini transformou a Time Records num dos selos mais proeminentes da Italo Disco dos anos 80, lançando artistas / projetos como Atrium, Danny Keith, Riky Maltese, Aleph, Alan Barry, Virgin, Gipsy & Queen, De Niro e Sophie. O selo foi responsável ainda por lançar alguns nomes clássicos da Italo Disco, como Fred Ventura, Albert One, Jock Hattle, Stylóo, Rudy & Co., Max Coveri, Rose, Topo & Roby e Silver Pozzoli.

Mauro Farina, além de ser conhecido pelos fãs da Eurodance como um excelente produtor, é também um eficiente cantor e fez vários vocais masculinos para a Time em muitos projetos, até que chegou um dia que ele resolveu se desligar da gravadora (juntamente com Giuliano Crivellente, no final de 1988) para começar a sua Asia Records

Já a cantora Clara Moroni (que se juntou à Time no final de 1986), foi uma das principais vozes femininas do selo, fazendo muitos backing vocals e cantando refrões harmoniosos em muitos singles do estúdio.

Clara Moroni gravou inúmeros singles para a TIME

DE OLHO NO EUROBEAT / HIGH-ENERGY:

Giacomo Maiolini sempre foi visionário e praticamente inventou um gênero musical na segunda metade dos anos 80. Tudo começou quando ele sentiu o potencial de um mercado ainda a ser descoberto e compreendido: O mercado japonês - que adorava as músicas no estilo dançante, cantado e "acelerado". 

O produtor executivo então investiu altamente em produções neste formato e vendeu aos japoneses várias compilações com centenas de faixas criadas em Bréscia. Foram 100 mil cópias vendidas por mês em variadas coletâneas, e assim, catapultando de vez o nome de Giacomo Maiolini como uma forte referência ao estilo "High-Energy". 

O mercado japonês foi inundado com produções da Time até 2002, com ao todo 1954 produções no estilo, e com cinco prêmios Grammy concedidos à três compilações “Super Eurobeat apresenta Initial D – D Non stop Megamix”, “Super Eurobeat vol.100” “Super Eurobeat vol.110”

Ann Sinclar - "Help Me" (1993)
 Annerley Gordon na Time Records

A EURODANCE CHEGA NO INÍCIO DOS ANOS 90:

Com o nascimento da House Music no final dos anos 80, Maiolini decidiu embarcar nesta nova onda, fazendo da Time uma das melhores no segmento da Euro-House, Eurodance e Italo Dance. 

Dessa tendência que abria os anos 90, nasceu um novo subselo da Time em 1990, intitulado de Italian Style e que foi, sem dúvidas, um dos melhores ”labels” italianos no que diz respeito à Italo-house e Italo-dance. Você ficaria surpreso com quantos hits saíram deste selo, sendo produções inesquecíveis de projetos como USURA, Aladino, Ruffcut Feat. Carol Jones, Silvia Coleman, Copernico, Andromeda, Quasimodo, Nevada, Jinny, Carol Bailey, Antares, Discover, Orange Blue, Lullaby, Gorky, Humanize, Trivial Voice, Kina, Phase Generator, entre muitos outros.

O primeiro single lançado pelo selo Italian Style foi DJ Pierre - "Move Your Body" (1990), uma ótima produção e muito inspirada em Technotronic - "Pump Up The Jam" (1989). Os singles seguintes foram House Corporation "Jammin On The Dance Floor" (1991) e Jinny"Keep Warm" (1991), com este último conseguindo um bom destaque nos charts das pistas de dança e ganhando outros futuros singles pelos próximos anos.

Já em 1997 Maiolini criou o selo Rise Records, que tinha um objetivo de mostrar outras sonoridades dos clubs, além do famoso ítalo. Este selo logo foi inaugurado e um de seus primeiros registros foi a faixa "Feel It" do The Tamperer, que ficou pronta em dezembro de 1997.

Giacomo Maiolini afirmou na época que os produtores ficaram 3 meses trabalhando no single "Feel It", e enfatizou: "foram dias e noites trabalhando nesta façanha". Fora o fato que ele teve que enfrentar vários problemas relacionados a direitos autorais, todos referentes aos samples que foram retirados (aparentemente sem autorização) de outras produções alheias e incluídos em "Feel It".

The Tamperer featuring Maya -  "Feel It" (1997)
Selo: Rise Records

Na verdade, "Feel It" nasceu de uma mescla da instrumental de "Can You Feel It" dos Jacksons com o vocal gravado de 1995 da cantora americana Heather Leigh West. Ouça aqui essa música original - "Drop a House (on that bitch)" para o projeto inglês Urban Discharge feat. She

Neste single há também um pequeno trecho masculino que fica repetindo "Is It Sex, Or Is It Love", que no caso foi retirado de uma obra de Danny Vitale And Family - "Sex Or Love" (1995).

O resultado disso tudo? Surreal!! The Tamperer com sua "Feel It" detonou nos charts mundiais e ficou 6 semanas em 1º lugar na Inglaterra. Aliás, Giacomo Maiolini foi o único produtor italiano a conseguir este feito, com quatro músicas no topo dos charts ingleses:

The Outhere Brothers - "Don't Stop" (1994)

The Outhere Brothers - "Boom Boom Boom" (1995)

The Tamperer - "Feel It" (1998)

Black Legend - "You See The Trouble With Me" (2000)

CD "ALL NIGHT DANCE" (1995)
Uma das coletâneas da brasileira Paradoxx Music dedicada apenas às músicas da Time

Além da Clara Moroni (que acompanhou a Time desde os tempos da Italo Disco até a Italo Dance), tivemos muitos outros artistas que participaram vocalmente nas produções da gravadora, como Asher Senator, Taleesa, Melanie Thornton, Jenny B, Sandy Chambers, Debby French, Simone Jay, Annerley Gordon, Maria Capri, Nancy Sexton, Nathalie Aarts, Ken Laszlo (Gianni Coraini), e etc.

Confira aqui uma lista quase completa, contendo os nomes de quem gravou nos gêneros Italo Disco e Eurobeat da Time.

Sandy Chambers de volta no Brasil, depois de 18 anos (10/08/2024)
Sandy Chambers também atuou na Time Records e um de seus sucessos foi com Aladino - "Stay With Me". Mas, engana-se quem pensa que Sandy não gravou mais na gravadora de Giacomo Maiolini... A estrela da DWA e do projeto Corona ainda gravou para os excelentes Jinny - "Wanna B With You", Dream Project - "Take A Chance", entre outros...

Com o nome "Time", houve ainda um departamento que licenciava as produções de outros estúdios para o mercado italiano, embora a Style Italian também tenha distribuído alguns singles de terceiros, como “Cannibal” do Black 4 White (em 1995 - a produção era 100% da DWA), “To Be Free” do Prime (também em 1995 - a produção era de Riccardo Menichetti) e “Dreaming” do Ruffdrivers (em 1998 - a produção era do selo britânico Inferno).
Outras distribuições realizadas pela Time (para produtos que não eram deles) continuaram acontecendo, como os petardos do 20 Fingers, Vengaboys, O-Zone, ATC, Bob Sinclar, Chris Willis, Deal ("Maybe One Day" e "Shine"), Alice DeejayRihanna ("Disturbia" e "Don't Stop The Music"), Lady Gaga ("Just Dance"), Robyn With Kleerup ("With Every Heartbeat") entre centenas de outros, além da brasileira Luka com seu mega-hit "Tô Nem Aí"

Inclui-se ainda nesse mesmo selo os grandes artistas próprios e que se tornaram sucessos europeus, como DJ Dado, Taleesa, Molella, Billy More, Magic Box, Erika, DJ Ross, Prezioso Feat. Marvin, e etc... sendo literalmente produções que "moraram" nos nossos clubs e FMs dos anos 90 e 2000. 


Taleesa na festa de Halloween da rádio Energia 97 (02/11/2024)
 Taleesa - assim como Sandy Chambers - também cantou com Aladino, e seu vozeirão magnífico se encontra em faixas clássicas como "Brothers In The Space", "Make It Right Now" e "Call My Name", além de muitos outros projetos. Fora isso, a vocalista ainda fez carreira solo na Time com seus hits "I Found Luv", "Let Me Be" e "Burning Up".


MEU TOP 10 DE SINGLES DA TIME

40 ANOS DA TIME
Prontos para um passeio num meteorito?

Quanto aos singles citados abaixo, são clássicos atemporais que nunca deixarei de ouvir, e sempre quando coloco algum CD contendo essas canções dá aquela vontade de ligar os alto-falantes no volume máximo para que toda a vizinhança possa ouvir e dançar também! 

São hinos avassaladores que não devem ficar confinados a um canal do YouTube! É um dever social compartilhar todos estes tesouros dos anos 90, mas, como temos que respeitar a lei do silêncio e a privacidade alheia, venho até aqui então para subdividir este TOP 10 com vocês:

1- ALADINO - "Make It Right Now" (1993)

Música muito atmosférica, dá até para sentir aquela fumaça artificial da boate chegando ao seu rosto enquanto você ouve "Make It Right Now" do Aladino... Um dos pontos fortes é o vocal grave e belo da cantora Taleesa imperando sobre a instrumental, porém, infelizmente é uma faixa não muito conhecida do público brasileiro, tanto é que a cantora, apesar de gostar muito da música (é a favorita dela), prefere não cantá-la em seus shows aqui no Brasil e dar prioridade às suas outras canções mais populares.

2- NEVADA - "Take Me To Heaven" (1994)

Aqui já se trata de um grande hit na voz de Giovana Bersola, a Jenny B. Aliás, se um dia ela vier ao Brasil, tem que interpretar "Take Me To Heaven" ao vivo e nos levar, finalmente, a tão aguardada "morada dos bem-aventurados"! "Take Me To Heaven" é sem dúvidas uma música perfeita para ser dançada num sábado à noite, rodeado dos bons e verdadeiros amigos numa discoteca -ambiente mágico que cura a inércia. O Nevada depois seguiu com outras cantoras, todas talentosas e com músicas também excelentes. Indico todas!

3- NEVADA - "Feels Like Heaven" (1995)

E o Nevada quer, de qualquer jeito, que seus ouvintes sintam-se no paraíso! Neste 2º trabalho eles vieram com uma outra incrível e adorável vocalista, a Deborah French. É uma música extremamente envolvente, base que aguça as boas lembranças dos anos 90 e um vocal doce e carismático que, pode parecer exagero, mas tem a capacidade de fazer muito marmanjão chorar (sim, experiência própria)!

4- JINNY - "Wanna B With You" (1995)

Olha aí o projeto Jinny de volta! Este foi o primeiro projeto da Style Italian a fazer um grande sucesso comercial, lá em 1991, com o single "Keep Warm". Já o single "Wanna B With You" foi lançado no segundo semestre de 1995, na voz inconfundível da Sandy Chambers, a cantora que é um dos maiores patrimônios da Eurodance dos anos 90. Tocou muito, tanto nas pistas como nas rádios! Com a vinda da Sandy Chambers no Brasil em agosto deste ano (para duas apresentações), é claro que ela teve que incluí-la em seu vasto e impecável setlist.

5- MOLELLA - "I's a Real World" (1997)

Espetacular trabalho de Molella e Phil Jay que chegou em 1997 e foi muito bem tocado nas danceterias e FM's daquele ano. Não tem uma vibe "alegrezinha", pois era um outro momento que a música dance atravessava... No entanto, sentíamos algo reflexivo que pairava sobre a sua sonoridade e sobre os vocais circunspectos da bela Nancy Sexton. Foi um dos frescores da rádio Jovem Pan, que buscava exclusividade para a sua programação, e assim, sempre tocava os grandes lançamentos antes de todas as outras rádios. Que época!

Os charts da Billboard com as mais tocadas da Time!!
Ano: 1995

6- ANTARES - "Ride On A Meteorite" (1995)

O teclado vibrante e os vocais irresistíveis dão vida à este acelerado Italodance de 1995. Taleesa escreveu a letra, mas também gravou a faixa em estúdio com sua amiga Clara Moroni (os vocais principais são da Clara). O rap é do britânico Asher Senator, que também abrilhantou em vários outros hits da Time, inclusive é dele a voz no rap em "Let Me Be" da Taleesa. "Ride On A Metorite" é uma das músicas que sonho um dia ver voltando às paradas, tipo aquela redescoberta recente da geração atual pela Kate Bush, sabem? 

7- THE TAMPERER - "Feel It" (1997)

Essa música tem um valor sentimental muito grande para mim. A primeira vez que a ouvi foi no programa "Super Pista" da rádio Educadora FM, comecinho de 1998, e naquele momento senti que seria uma das mais tocadas nas rádios e clubs do Brasil. Não demorou muito e a invasão do The Tamperer deu-se início. A dançante "Feel It" era uma das mais aguardadas da noite, e quando o DJ iniciava a sua introdução com "Is it sex, Or is it love" a galera simplesmente entrava em êxtase!! Encontrei-a depois em sua versão estendida no CD "Hot Nine Seven 7" (Paradoxx Music) e se tornou o meu vício por longos meses. A cantora Maya Days, que representava o projeto, era muito talentosa mas ela não gravou este primeiro single do projeto, visto que os produtores Mario Fargetta e Alex Farolfi samplearam vários sons de diversas produções, incluindo o vocal de Heather Leigh West, uma cantora e compositora americana que gravou a sua parte vocal em 1994 (!).

8- MOLELLA - "If You Wanna Party" (1995)

Mega executada no Brasil no final de 1995. Chego até me lembrar agora do meu primeiro minisystem, recém comprado no Carrefour, double deck, onde gravava várias modas dance que bombavam na Jovem Pan, inclusive gravei "If You Wanna Party" numa dessas fitas K7 (em dezembro de 1995). Os vocais animados da dupla The Outhere Brothers e a produção contagiante do Molella colocavam todos para dançar numa época que fervia criatividade e talento nas produções.

9- TALEESA - "I Found Luv" (1994)

Taleesa foi uma das artistas que mais emprestou o seu talento às produções da Time, mas aqui a cantora italiana foi colaborar com os produtores alemães do La Bouche - a equipe Le Click Productions. Apesar disso, o single foi distribuído na Itália pela empresa de Giacomo Maiolini, que permaneceu sendo o "Produtor Executivo" deste trabalho. "I Found Luv" foi uma faixa bem disputada pelos DJ's e entrou, é claro, na programação de muitas rádios. Vale lembrar ainda que Taleesa gravou "I Found Luv" em Frankfurt, nos incríveis estúdios que produziram o Milli Vanilli; além de trazer a participação do ótimo rapper Michael Romeo (do Le Click - "Tonight Is The Night"). Um clássico!

10- ORANGE BLUE - "If You Wanna Be (My Only)" (1994)

Mais uma track fantástica da Time / Style Italian que fez parte das nossas adolescências!! Interessante que, no single "I Found Luv" da Taleesa, a italiana foi produzida pela mesma equipe que produzia o La Bouche, enquanto que, no mesmo ano de 1994, a cantora do La Bouche foi trabalhar com quem? Com os produtores da Taleesa! Melanie Thornton gravou "If You Wanna Be (My Only)" para o projeto Orange Blue, que inclusive traz os raps de Gianfranco Randone, o super vocalista do Bliss Team e Eiffel 65. Taleesa ainda relatou: "Melanie foi uma boa amiga, e nós ajudamos ela com seus shows na Itália". "If You Wanna Be (My Only)" é de fato uma Eurodance fascinante, e muito de suas qualidades se deve ao talento da inesquecível Melanie Thornton.


AS VISÕES DE GIACOMO:

GIACOMO MAIOLINI
Um visionário, ligado em moda, e louco por música

A grande capacidade de Maiolini em compreender o sucesso comercial de um produto - antes de outros profissionais  - foi reforçada em 2004, quando o fundador da Time decidiu adquirir os direitos autorais de "Dragostea Din Tei" dos garotos romenos do O-Zone. Com essa negociação, a Time vendeu mais de dez milhões de singles e dois milhões de álbuns, fora ainda os resultados alcançados no Japão e que não foram contabilizados nestes números. 

O single "Dragostea Din Tei" atingiu o topo das paradas mundiais de maneira grandiosa, porém, infelizmente não fez o devido sucesso aqui no Brasil, talvez pela falta de compreensão e visão de algum empreendedor fonográfico brasileiro (características enfatizadas acima em Maiolini). Na verdade, "Dragostea Din Tei" chamou a atenção de uma pessoa errada aqui no Brasil, e que quis aproveitar a sua melodia para fazer uma versão em português: Latino - "Festa no Apê" (2005). Tristemente, a maioria dos brasileiros conheceram antes a versão do Latino, e assim, muitos deduziram erroneamente que a original é que era a cópia.

O-Zone foi febre total com "Dragostea Din Tei" (2004)

O sucesso global do O-Zone levou ainda, em 2008, o rapper americano T.I. a solicitar à empresa sediada em Brescia, os direitos para gravar "Live Your Life" com a cantora barbadiana Rihanna. A versão da dupla foi número 1 nos Estados Unidos com cinco milhões de singles vendidos. 

Os híts mundiais da Dance Music continuavam. Através do selo Rise, foi lançado o single de Alex Gaudino"Destination Calabria" (2006) que foi um marco na cultura clubber em meados dos anos 2000, trazendo uma letra escrita pela cantora Sharon May Linn (a vocal do Blizzard), mas gravada pela icônica voz de Crystal Waters. O resultado de "Destination Calabria" foi enorme (principalmente na Europa), além de vencer um disco de ouro na Inglaterra e outro na França.

Parabéns TIME!!

A Time seguiu apostando em novos produtos Dance, como Yolanda Be Cool - “We No Speak Americano” (2010) e Dynoro & Gigi D'Agostino -“In My Mind” (2018), e este último ganhou até uma platina dupla! 

Mas, infelizmente, muitos dos singles produzidos e apoiados pela Time de uns anos para cá não tem se destacado no Brasil, como acontecia antigamente. Ficam conosco as boas lembranças que essas trilhas sonoras nos trouxeram, toda a dança, a despreocupação juvenil, as risadas, os amigos... Foram anos maravilhosos que nunca mais voltarão. 

Contudo, a gravadora que "quarentou" segue firme na Itália, trabalhando e apostando as suas fichas em produções voltadas à Dance Music atual.

Parabéns à Giacomo Maiolini pelo 40º aniversário da Time Records, um dos maiores símbolos da Italo Dance de todos os tempos! 

Para àqueles que também contribuíram, principalmente cantando os grandes sucessos da gravadora, o nosso muito obrigado por tantas alegrias e emoções propiciadas!

Assinado: Todos os fãs do Brasil.



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