sábado, 3 de maio de 2025

CANTORA GALA: "FUI ENGANADA POR MAX MOROLDO"

Quem leu a entrevista que fizemos com Andrea Alberghi (do Andrew Sixty), conseguiu perceber que o produtor Max Moroldo não foi um sujeito muito legal com o vocalista de "Oh Carol" e "Diana". Outro sujeito que criticou o mesmo produtor foi Marcocram DJ, que alegou que Max Moroldo roubou a ideia de seu projeto Perfect Style e levou para o Andrew Sixty. 

E em entrevista recente para a página francesa Paris Match, a cantora Gala Rizzatto também teceu alguns comentários negativos sobre o produtor e dono da gravadora Do It Yourself:


CANTORA GALA, DO HIT "FREED FROM DESIRE"REVELA QUE FOI ENGANADA POR SEU PRODUTOR NA ÉPOCA

"Fui enganada por meu ex-produtor" - Gala Rizzatto

Ela fez uma geração inteira dançar com "Freed From Desire", um hino do Eurodance dos anos 90 que se tornou um clássico dos club's, rádios e também, mais recentemente, em estádios de futebol. Mas, por trás do sucesso, a realidade foi muito menos favorável para Gala Rizzatto. Aos 49 anos, a artista italiana disse ao site francês Paris Match que atualmente vive como uma "nômade", sem um endereço fixo: 

"As pessoas imaginam que eu vivo sob coqueiros nas Bahamas, tomando Martini em uma ilha caribenha, contando meus milhões. Bem, não! Não tenho o suficiente para comprar um apartamento. Vivo como uma nômade. Nas últimas seis semanas, mudei de endereço quatro vezes!"


Embate na Eurodance: A briga da cantora com o produtor

Voltando à Era de Ouro da Eurodance: Em 1996, a jovem cantora milanesa lançou seu single "Freed From Desire" e causou febre no mundo dos DJs e do público jovem. Depois vieram outras faixas que também estiveram no topo dos charts, como "Let A Boy Cry", "Come Into My Life" e "Suddenly", além é claro, de seu tão aguardado álbum "Come into My Life"   que se tornou um ícone da década de 1990. O disco vendeu mais de 6 milhões de cópias, no entanto, a artista não se beneficiou dos ganhos financeiros...

Quase trinta anos após o sucesso mundial de "Freed From Desire", a italiana Gala revelou que foi enganada por seu produtor e completou dizendo que mora atualmente no Brooklyn, EUA, em um apartamento alugado por amigos, pois não tem condições de comprar um lar próprio. Uma situação radicalmente diferente da imagem que temos do astro pop milionário. 


UM CONTRATO ASSINADO NA IGNORÂNCIA

"Eu escrevi as letras, fiz as melodias, trabalhei nos meus vídeos, meu nome de nascimento é Gala…"

Relembrando o início de sua carreira, Gala explicou que foi vítima de um contrato "absurdamente injusto" assinado em 1995 com Max Moroldo, então chefe da gravadora independente Do It Yourself. Inexperiente no mundo da música, ela se concentrou apenas em sua arte, e não se preocupou com as questões legais ou financeiras.

O site Paris Match publicou que Gala iniciou a entrevista com os olhos brilhando, e que ela não conseguia pronunciar o nome "desse homem" na frente da equipe de jornalistas. "Não sei se consigo", disse ela, desfazendo-se em lágrimas. 

"Assinei um contrato com ele que era absurdamente injusto, como era comum na época  principalmente na Dance Music. Tudo era vago no documento, os royalties baixíssimos. E ele fazia o que queria", explicou Gala. 

Pior ainda, Gala afirmou ter descoberto mais tarde a assinatura dele em documentos que ela nunca assinou: "Eu recebia o pagamento que ele achava adequado. E também descobri minha assinatura em contratos dos quais não me lembro."  Ela acrescentou ainda: "Eu não tinha conhecimento nenhum nesses assuntos, eu era uma ignorante".


Steve Fargnoli, o manager do Prince

O ponto de virada aconteceu em 1997, quando Gala conheceu Steve Fargnoli, o famoso empresário do cantor Prince. O homem ficou chocado com essa situação que envolvia a artista italiana.

"-Ele caiu da cadeira: perguntou-me onde estavam os direitos de transmissão – eu não sabia quais eram – e se eu era a intérprete ou a compositora. Respondi que era ambos. Ele concordou em me ajudar." - Gala Rizzatto

Esse apoio de Steve Fargnoli para a cantora Gala infelizmente terminou em 2001, pois ele veio a falecer nesse tempo. Depois, levou mais de vinte anos para Gala recomeçar uma nova batalha com seu antigo produtor, desta vez sendo apoiada pelo empresário Ben Mawson, que ela conheceu em 2023.


Max Moroldo atualmente. Lembra dele?
Max Moroldo veio ao Brasil duas vezes em 1995, quando o Andrew Sixty veio fazer turnês a convite da Paradoxx Music. Com o sucesso das músicas, e com a vontade de ser "estrela" aqui no Brasil, Max Moroldo resolveu fazer parte da "banda" com o outro produtor Gianluca Mensi, sendo que até aquele momento o Andrew Sixty era composto apenas pelo vocalista Andrea Alberghi. Recentemente Andrea Alberghi esteve no Brasil sozinho, depois de 30 anos, e disse estar feliz por finalmente poder cantar ao vivo. Ele também disse que não tinha poder de decisão nenhum sobre o projeto, e que recebeu apenas 100 dólares para gravar "Oh Carol", sendo que depois não recebeu nenhuma divisão de lucros com as vendagens de discos.
Leia mais aqui

Em 2024, quase trinta anos após o lançamento de "Freed From Desire", Gala finalmente venceu a batalha contra Max Moroldo, e obteve então o direito de regravar seu hit em uma nova versão. 

"O público trouxe essa música de volta à vida" -  Gala Rizzatto comemorou a recente vitória nos tribunais, no entanto, ficou quase 30 anos vendo suas obras enriquecendo Max Moroldo e sem poder usufruir destes seus frutos.

É realmente triste o que aconteceu com Gala, a cantora que no final dos anos 90 foi uma espécie de Lady Gaga da Dance Music: sempre cheia de estilo, presença marcante, fãs fervorosos, e sucessos que enlouqueciam as pistas e rádios. Contudo, sem Max Moroldo na vida dela, não acredito que seríamos contemplados com a sensacional Dance Music cantada pela vocalista, já que ela tinha uma preferência muito maior por outros gêneros musicais. Como artista, Gala ficar sem os seus direitos pelas músicas foi muito injusto, mas para o fã de Dance Music... a Gala deu certo porque justamente se uniu com Max Moroldo, Molella e Phil Jay.

LEIA MAIS SOBRE A CANTORA GALA E SEU LEGADO NA DANCE MUSIC DOS ANOS 90: https://rikardomusic.blogspot.com/2021/09/gala-de-freed-from-desire-nao-e-apenas.html


quarta-feira, 30 de abril de 2025

LARRY PIGNAGNOLI DA OFF LIMITS

LARRY PIGNAGNOLI DA OFF LIMITS: O CÉU É O LIMITE, E O TOPO É DO LARRY

Larry Pignagnoli é uma lenda da Eurodance dos anos 90 e 2000

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


Alfredo "Larry" Pignagnoli é um dos produtores e compositores mais importantes da Eurodance e da Italo Disco. Ele nasceu no dia 31 de julho de 1951, em Campagnola Emilia, na província de Reggio Emilia, Itália.

O italiano, que produziu J.K., Whigfield, Ally & Jo, Ann Lee, In-grid, Benny Benassi, e tantos outros artistas renomados da Eurodance, começou como músico nos anos 70, tocando em grupos locais da região de Reggio Emilia. Ele montou a banda Van Larry, na qual atuava como líder e vocalista, tocando em casas noturnas e salões de baile italianos durante a sua juventude.

Seu início oficial no estúdio ocorreu na transição para os anos 80. Entre seus primeiros trabalhos de destaque na produção e arranjo podemos citar o single de Italo Disco "Rainy Day" (1983), lançado sob o pseudônimo de Brando, além de colaborar diretamente no primeiro álbum do projeto Fun Fun ("Have Fun!", 1984).

Como produtor e arranjador principal, ele alcançou o estrelato mundial ao moldar a carreira da cantora Ivana Spagna (na época conhecida apenas como Spagna), e seus maiores hits da década de 80 foram: "Easy Lady" (1986) –  "Call Me" (1987) – "Every Girl and Boy" (1988) – todos produzidos para a citada cantora Spagna.


LARRY PIGNAGNOLI: FUNDANDO A OFF LIMITS 

Pignagnoli resolveu inaugurar a sua própria produtora e gravadora, a Off Limits Production, no início dos anos 90. A empresa foi criada para centralizar suas produções de música eletrônica e dance na Itália, tornando-se uma verdadeira fábrica de hits globais nas duas décadas seguintes.


A bela loira que foi a imagem do Whigfield

No início da década de 1990, a dinamarquesa Sannie Charlotte Carlson trabalhava como modelo e o produtor a descobriu em uma dessas ocasiões, percebendo que ela tinha a imagem perfeita para liderar um novo projeto de Eurodance que ele estava desenvolvendo no estúdio: o Whigfield.

Embora tenham mantido uma parceria profissional extremamente íntima e duradoura de quase uma década na Off Limits, Larry Pignagnoli e Sannie Carlson também foram casados, sendo ele vinte anos mais velho que ela. Eles se separaram e hoje a loira está casada com o músico Marco Marati (que produziu a Laura Pausini no início dos anos 90). Embora os dois estejam noivos e vivam juntos há muitos anos, Sannie declarou publicamente que oficializar o casamento tradicional não é uma prioridade para o casal.


Larry Pignagnoli em sua juventude. Todo fã de Eurodance conhece este nome…

Larry Pignagnoli tem atualmente 74 anos de idade, continua gozando de boa saúde e permanece ativo nos bastidores da indústria fonográfica. Sua ocupação atual segue sendo a direção geral da Off Limits SRL, onde gerencia catálogos de clássicos da dance music, supervisiona novos remixes e coordena o licenciamento de suas faixas icônicas ao redor do mundo.

A Off Limits Music & Publishing foi fundada como uma produtora de música dance por volta de 1992, lançando os primeiros híts da casa, como J.K. - "You Make Me Feel Good" e Whigfield - "Saturday Night", sendo dois estouros da dance music mundial cantados por duas grandes vocalistas : Jenny B (J.K.) e Annerley Gordon (Whigfield).

Quanto à vocalista real do Whigfield, seu encontro com o renomado produtor italiano Alfredo "Larry" Pignagnoli remonta uma das histórias mais fascinantes dos bastidores da Eurodance. A inglesa Annerley Gordon conheceu o italiano Larry Pignagnoli no início dos anos de 1990 na região da Emília-Romanha, Itália, unindo a mente empresarial e técnica de Larry ao talento vocal e composicional bruto de Annerley.

Tudo começou em 1989, quando Annerley Gordon, uma jovem nascida em Sheffield, Inglaterra, decidiu passar as férias de verão na Itália. Totalmente encantada pelo clima ensolarado, pela gastronomia local e pelo estilo de vida italiano, ela tomou uma decisão ousada: não voltar para o Reino Unido e se estabelecer na Itália permanentemente. Para se sustentar, ela começou a frequentar a vibrante cena noturna da região de Reggio Emilia e arredores. Dotada de um alcance vocal impressionante, Annerley costumava cantar por pura diversão em festas e pequenas discotecas locais com amigos, mas durante uma dessas noites de descontração em uma discoteca italiana, Annerley subiu ao palco/microfone para cantar e foi avistada por um olheiro que estava na plateia. Este caça-talentos (talent scout) era ligado aos estúdios locais e então Annerley Gordon foi levada aos principais produtores de Italo Dance, devido ao seu notável talento e a potência de sua voz, combinados com o fato de ela ser uma nativa da língua inglesa — um recurso extremamente escasso e valioso na Itália daquela época, onde o mercado de Italo Disco e Eurodance demandava letras em inglês sem sotaque estrangeiro. Ela foi convidada para fazer um teste de estúdio e rapidamente começou a trabalhar como cantora de sessão (session vocalist) e backing vocal para pequenas produções locais e para a gravadora A.Beat-C, a partir de 1990.


Annerley Gordon em 1991, quase tudo pronto para a estreia de Whigfield


Larry Pignagnoli já era um produtor consagrado na Itália graças ao sucesso estrondoso com a cantora Spagna nos anos 80. Na virada para os anos 90, Larry estava expandindo seus horizontes musicais e buscava vozes versáteis, dinâmicas e comerciais para novos projetos que se tornariam a base da Eurodance. Sabendo da existência de uma talentosa inglesa fazendo gravações de estúdio na região, Larry Pignagnoli e seu parceiro de produção e arranjador, Davide Riva, chamaram Annerley Gordon para uma audição formal em seu estúdio. Larry apresentou a Annerley uma demo instrumental na qual ele estava trabalhando. Larry queria ver como a voz de Annerley se encaixaria na estrutura pop/dance acelerada que ele criava, e aí veio a química imediata.

Ao entrar na cabine de gravação, Annerley não apenas entregou os vocais perfeitamente afinados, mas começou a improvisar linhas melódicas e sugerir ganchos comerciais com extrema facilidade devido à sua bagagem na música pop britânica. Larry Pignagnoli também percebeu instantaneamente que Annerley era muito mais do que uma voz bonita; ela tinha facilidade para escrever letras "chiclete" (catchy) que funcionavam perfeitamente nas pistas europeias.

A partir desse primeiro encontro bem-sucedido, Larry Pignagnoli integrou Annerley Gordon como peça fundamental de sua fábrica de hits (que logo se consolidaria com a criação da gravadora Off Limits). O entrosamento entre a dupla foi tão mágico e profundo que resultou em uma dinâmica de trabalho impressionante na primeira metade dos anos 90, nascendo então o projeto Whigfield, nome que a cantora "emprestou" para homenagear a sua mãe Gwendoline Wighfield.


Whigfield é uma homenagem dada pela própria vocalista/compositora Annerley Gordon à sua mãe

"Saturday Night" foi a primeira música produzida por Larry Pignagnoli para a Off Limits, um hit supremo que reinou nas primeiras posições das paradas de sucesso mundiais e permitiu que "Whigfield" entrasse para o Guinness Book of World Records, por ser a primeira artista não inglesa a chegar diretamente ao primeiro lugar na parada do Reino Unido. Bom, entrou no livro dos recordes de maneira enganosa, pois Annerley é inglesa sim. Ela foi a cantora real, mas o Guiness Book não sabia desse “esquema” e considerou este feito ao projeto italiano desmerecidamente. Basicamente, este reconhecimento foi fruto de uma mentira, uma fórmula secreta do projeto. Essa entrada no Guiness Book de “Whigfield” é algo equivalente ao grammy adquirido pela dupla do Milli Vanilli, trabalhado também em uma invenção/história falsa. 


HISTÓRICO DE FRONT-LADYS

Annerley Gordon era uma máquina de sucessos, mas disse que preferia não subir nos palcos para interpretar essas canções, por isso a modelo Sannie foi inserida, mas creio eu que, Sannie Carlson seria inserida da mesma forma, pois era assim que a máfia italiana trabalhava na época. O próprio produtor Larry Pignagnoli já fez algo muito parecido nos anos 80 com a dupla Fun Fun, que era nada mais que duas modelos loiras que dublavam as artistas reais Ivana Spagna e Antonella Parisi.


Larry Pignagnoli e Davide Riva (produtores do Whigfield) recebendo o disco de platina do mega sucesso "Saturday Night" na Alemanha (24 de outubro de 1994)

Annerley também afirmou em muitas entrevistas que gostava muito da parte da criação nos estúdios, que se sentia realizada nos bastidores, e que não se sentia muito segura com a sua imagem quando subia aos palcos, então Larry Pignagnoli não teve dúvidas em chamar a modelo dinamarquesa para fazer este papel de divulgação, enquanto que ele aproveitaria Annerley nos estúdios gravando com seu vocal e também escrevendo letras para diversos projetos (lembrando que a inglesa foi uma das coautoras do megahit "The Rhythm of the Night" do Corona, projeto associado ao produtor Lee Marrow e a DWA).

Depois da febre mundial de "Saturday Night", Larry Pignagnoli utilizou os vocais de estúdio de Annerley Gordon para gravar mais faixas do Whigfield, que foram parar no primeiro álbum do projeto.

Embora a modelo Sannie Charlotte Carlson tenha assumido a imagem pública do projeto e dublado nos shows e apresentações de TV, a voz original gravada em todos sucessos  — incluindo os hinos "Saturday Night", "Another Day" e "Think of You" — era, de forma não creditada, de Annerley Gordon. Foi um tratado entre Annerley Gordon, Larry Pignagnoli e Sannie Carlson, onde todos saíram ganhando. 

Annerley também participou do projeto Ally & Jo no ano de 1995, lançando singles dançantes pela Off Limits que se destacaram bastante no Brasil, como "The Lion Sleeps Tonight" (ela gravou junto com Antonella Pepe). Já em 1996, o projeto voltou com a faixa "Holding You" (Annerley repetiu o dueto com Antonella Pepe). Em 1997, gravou o single "Nasty Girl" (Annerley gravou junto com Dhany); e por último, gravou em 1998 "In The Zodiac" (junto com Samantha Boni). 

Ao todo, o Ally & Jo gravou quatro singles e Annerley Gordon era a "Ally", que aparecia realmente nas capas dos discos, enquanto que "Jo" era uma modelo alemã que servia de imagem provisória às cantoras que gravaram os duetos.


Grande Mr. Pignagnoli hoje aos 74 anos

O projeto italiano Whigfield lançou mais novos singles que se tornaram novas febres nos charts, como "Sexy Eyes", "Close To You", "Last Christmas", Gimme Gimme", "No Tears To Cry", entre outros, além de 5 álbuns completos, sendo o último intitulado de "W" e lançado em 2012. 

Todos estes álbuns do Whigfield possuem os vocais de Annerley Gordon, e apenas no último apresenta um mix de vocais incluindo alguns pequenos trechos na voz real de Sannie Carlson, porém, a voz de Annerley Gordon ainda é a mais predominante neste quinto e último disco do Whigfield. Depois de seu divórcio com Larry Pignagnoli, Sannie Carlson perdeu os direitos de usar o nome "Whigfield", então ela passou a se apresentar como "Sannie" e lançou alguns trabalhos (fora da Off Limits, é claro):

A partir de 2015, ela decidiu lançar um material voltado ao house music moderno e ao dance-pop, utilizando apenas seu primeiro nome real, e um destes seus primeiros trabalhos foi "How Long" (2016). Nessa música fica evidente a grande diferença nos vocais que ouvimos tanto no projetos Whigfield e Ally & Jo com este novo projeto. O lado cômico é que os fãs da loira diziam que todos estes projetos (incluindo TH Express - "I'm Your Side") eram com a voz dela, porém a ficha foi caindo a cada lançamento dos singles de "Sannie".

É tudo muito diferente, desde o tipo de voz até o sotaque. Outros singles vieram depois, como "In the Morning" (2016) e "Boys on Girls" (2018), sendo que o último gerou grande repercussão com a qual Sannie competiu no Dansk Melodi Grand Prix 2018 (a seletiva dinamarquesa para o Eurovision).

Posteriormente, os tribunais decidiram que Sannie poderia usar novamente a marca “Whigfield”, e assim então passou novamente a se apresentar como tal (mas ficou alguns anos aguardando essa decisão trabalhando apenas como “Sannie”).

Outro projeto bem sucedido da Off Limits foi o J.K., que trouxe Jenny B nos vocais em seu primeiro single "You Make Me Feel Good", além do segundo single "You and I" (1994), que também foi hiper executada (tanto nas pistas quanto nas FM's). Sandy Chambers foi a cantora do terceiro single "My Radio", faixa que se tornou em mais um trabalho de destaque entre DJs, rádios e fãs da Eurodance.


A Off Limits lançou também ótimos singles do J.K. (minha coleção pessoal)

Cantora do J.K.? Assim como vimos no Whigfield, a prática de apresentar uma modelo loira dublando nos palcos também foi muito presente no J.K., e a modelo que o mundo conheceu frente ao projeto era a polonesa Marta Simlat. Aos poucos os fãs da Eurodance foram percebendo que a loira apenas dublava (e muito mal, inclusive), e que os fundadores da Off Limits contrataram as mesmas vocalistas reais do Corona para trabalhar no J.K., dando a entender que Larry Pignagnoli queria produzir o seu próprio "Corona" (projeto oficial da DWA). 

A cantora caribenha Zeeteah Massiah (nascida em Barbados e radicada no Reino Unido) também assumiu os vocais principais em duas músicas específicas do J.K.: os singles "Sweet Lady Night" (1996) e "Go On" (1998), que não se tornaram tão conhecidas do grande público.


J.K.: Quem acha que esse projeto merece um especial aqui no Blog?

Este produto liderado por Marta Limlat continuou lançando músicas até o início dos anos 2000, e a voz real do Whigfield também trabalhou escrevendo letras para o J.K., que foi perdendo força conforme a febre do eurodance diminuía mundialmente. 

Recentemente, impulsionada pela nostalgia dos anos 90, Marta Simlat voltou a fazer apresentações ao vivo utilizando o nome do projeto em festivais retrô pela Europa, inclusive, ela esteve no Brasil em 2024 e fez dois shows no norte do país.

Quanto à Annerley Gordon, depois de anos trabalhando nos bastidores sob diversos pseudônimos e projetos (como Whigfield, Ally & Jo e compondo também para o J.K.), Larry Pignagnoli decidiu que era hora de dar a Annerley o seu próprio e merecido protagonismo. 

Em 1998, durante uma sessão de testes no estúdio de Larry, eles finalizaram uma faixa baseada em um som de sintetizador saltitante e um vocal cativante. Pignagnoli batizou o projeto solo de Annerley como Ann Lee. A música era "2 Times", foi lançada globalmente em 1999 e alcançou o Top 10 em quase toda a Europa e o número 2 no Reino Unido (terra natal de Annerley), coroando de forma definitiva o encontro casual que começou anos antes em uma noite qualquer na Itália.


LARRY PIGNAGNOLI: DEPOIS DOS ANOS 90

Larry Pignagnoli e In-Grid, um de seus grandes sucessos dos anos 2000

Se os anos 90 foram mágicos e incríveis para Larry Pignagnoli, os anos 2000 não ficaram muito para trás; Larry também foi o produtor de "Satisfaction" de Benny Benassi e "Tu es foutu" de In-Grid, bem como das faixas "Illusion" e "Hit My Heart" dos Benassi Bros. Todos estrondos nas pistas de dança e tendências mundiais na cultura Pop-Dance.

O projeto In-Grid é um exemplo de destaque no cenário da eurodance dos anos 2000, liderado pela cantora e compositora Ingrid Alberini, que nos anos 2000, eu jurava que era francesa (pois as letras de suas canções são francesas). 

O projeto ganhou notoriedade global por volta de 2002/2003 com o sucesso de "Tu Es Foutu". Ingrid Alberini, nascida em Guastalla, Itália, adotou o nome artístico em homenagem à famosa atriz Ingrid Bergman. A sua transição para uma carreira profissional consolidada ocorreu por volta do ano 2000, impulsionada por uma busca de autoexpressão musical.

O projeto é uma parceria da cantora com os produtores italianos Larry Pignagnoli e Marco Soncini, que foram responsáveis pela produção, composição e arranjos que definiram a sonoridade da artista, misturando elementos de dance-pop com toques ecléticos. Seus principais trabalhos que chamaram a atenção do público e DJs foram: "Tu Es Foutu" (2002/2003), "In-Tango" (2003) e "La Vie En Rose" (2004). O projeto continua ativo, com lançamentos bem recentes como "Madame Risque" (2026).


Benny Benassi mudou a tendência da dance music nos anos 2000, uma época em que o Trance dominava as pistas, trazendo a nova sonoridade do Electro-house

Quanto ao Benny Benassi, ele é uma das figuras mais influentes da música eletrônica mundial, consolidando de vez o estilo electro-house no início dos anos 2000. O "projeto" que envolve o DJ e produtor italiano de mesmo nome artístico, surgiu com o lançamento do potente single "Satisfaction" (2002). Este estouro mundial foi tão expressivo que Benny Benassi se tornou um dos pioneiros ao fundir elementos do house com uma sonoridade mais crua e tecnológica, definindo o som da época.

O projeto é liderado pelo DJ e produtor Marco "Benny" Benassi, que colabora frequentemente com seu primo, Alessandro "Alle" Benassi, na composição e produção das faixas. Além disso, o projeto é conhecido por trabalhar com o grupo vocal The Biz, que deu a voz a muitos de seus hits iniciais.

"Satisfaction" (2002) foi a faixa que lançou o produtor à fama internacional, alcançando o topo das paradas em vários países do mundo e tornando-se um hino das pistas. Em seguida, foi lançado o álbum "Hypnotica" (2003), que consolidou o estilo "eletro" e que apresentou também outros sucessos como "Able to Love" e "No Matter What You Do", singles de trabalho que deram continuidade à popularidade do projeto e ajudaram a influenciar projetos como Global Deejays, Royal Gigolos, Tomcraft, entre outros.


Benassi Bros - "Hit My Heart"

A Off Limits, de Larry Pignagnoli, ainda investiu em um outro projeto envolvendo a família Benassi. Era o Benassi Bros, tratando-se de um empreendimento musical criado pelos primos Benny Benassi e Alle Benassi. Essa parceria foi formada entre 2003 e 2004 após o "boom" de "Satisfaction" (que ecoou em todos os continentes do planeta), e tinha o objetivo de explorar sonoridades que complementassem a carreira solo de Benny Benassi.

O núcleo do Benassi Bros consistia nos primos Marco "Benny" Benassi e Alessandro "Alle" Benassi, e conseguiu se destacar ao utilizar talentos vocais recorrentes, principalmente da cantora Dhany (Daniella Galli), que gravou com sua voz os fantásticos singles "Hit My Heart" e "Every Single Day". Vale destacar que Sandy Chambers também gravou com os produtores, e a sua icônica voz pode ser apreciada em "Illusion" (2003), além de outras faixas.

Em 2004, a modelo Sannie Carlson sofreu um aborto e isso a afetou psicologicamente entre 2004 e 2007, pois também recebeu a informação médica de que não poderia ter filhos. A presença física do Whigfield estava querendo ingressar de verdade no mundo artístico e conseguiu o apoio da Off Limits, que lhe abriu espaço para compor e cantar para outros projetos. Foi aí que ela participou da faixa do Benassi Bros - "Rocket In The Sky", mas sob o pseudônimo de Naan.

A título de curiosidade, as músicas interpretadas por "Naan" eram cantadas com a voz real de Sannie Carlson, e também seguiam essa pegada "electro-house" criada lá em 2002 por Benny Benassi. Foi em 2005 que ela, usando novamente o nome de Naan, gravou a faixa "Feel Alive" (um de seus melhores trabalhos com sua voz real). Em 2006 Sandy Chambers gravou essa mesma música, mas confesso que prefiro a primeira versão com Naan...

No ano de 2007, a Off Limits lançou o tão aguardado segundo álbum de Ann Lee - "So Alive", além do álbum "E-Motions" de Dhany. Quanto aos singles, tivemos "Play My Music" de Sandy Chambers. 

Um super lançamento deste ano foi a compilação "All In One" do projeto Whigfield, com suas faixas revisitadas e produzidas por DJ Favretto. Neste disco, as músicas foram totalmente regravadas por Annerley Gordon com novos vocais de estúdio.

Em 2008, a Off Limits produziu o remix de "Bring the Noise" do Public Enemy, feito por Alle e Benny Benassi e assim venceu o Grammy.

Em seguida foram criados novos selos pela Off Limits, que vieram para abranger um fluxo de produção variado e multifacetado: Off Limits (dance), Q-Lab (club), Flat frog (electro-funk), Minimoff (minimal), J-Digital (jazz), Labelle (pop internacional) e Mito (pop italiano).


PRINCIPAIS SUCESSOS DA OFF LIMITS

A seguir, um relato parcial dos resultados alcançados nas paradas musicais nas últimas duas décadas. Muitas posições e prêmios foram omitidos por uma questão de brevidade.


Fun Fun -  "Happy Station" (single)

Disco de Ouro na Escandinávia, Disco de Ouro Duplo na África do Sul.


Fun Fun - "Colour My Love" (single)

Disco de Ouro na Holanda e na Escandinávia


Spagna - "Dedicated to the Moon" (LP)

Mais de 500.000 discos vendidos


Spagna - "Easy Lady" (single)

Mais de 2 milhões de discos vendidos em todo o mundo. O single mais vendido na Itália em 1986, alcançou o primeiro lugar no país. Chegou ao 2º lugar na parada de singles da Suíça, ao 4º lugar na parada francesa SNEP, ao 12º lugar na parada alemã, ao 30º lugar na parada austríaca e ao 62º lugar na parada britânica.


Spagna - "Call Me" (single)

Mais de 3 milhões de discos vendidos em todo o mundo, número 2 no Reino Unido e na Itália, e no top 75 do Reino Unido por 12 semanas consecutivas.


Spagna - "Every girl and boy" (single)

Alcançou o 3º lugar na Itália e o top 20 no Reino Unido.


Whigfield - "Whigfield 1" (LP)

Disco de Ouro no Canadá, Filipinas e Índia; Disco de Platina na África do Sul.


Whigfield - "Saturday Night" (single)

Disco de platina na Alemanha e no Reino Unido; Disco de ouro no Canadá, na Escandinávia e em muitos outros países!

"Saturday Night" alcançou o primeiro lugar no Reino Unido em 1994 e permaneceu lá por quatro semanas, vendendo mais de um milhão de cópias. Whigfield entrou no Guinness Book como o primeiro artista pop não inglês a alcançar o primeiro lugar no Reino Unido com um single de estreia, como citado acima, mas Annerley era a verdadeira cantora, e inglesa (!). 

"Saturday Night" foi o segundo single mais vendido no Reino Unido em 1994, atrás apenas de "Love is all around us" do Wet Wet Wet. Também alcançou o primeiro lugar na Espanha por 11 semanas consecutivas e na Alemanha, Itália e em diversos outros países.


Whigfield - "Another Day" (single)

Top 10 do Reino Unido e de outros países


Whigfield - "Think Of You" (single)

Top 10 do Reino Unido e de outros países


Whigfield - "Sexy Eyes" (single)

Número 1 na Austrália, além de alcançar o topo em paradas musicais de muitos territórios.


JK - "You Make Me Feel Good" (single)

Número 1 no Canadá


KMC feat Dhany - "I Feel So Fine" (single)

Top 30 singles no Reino Unido + número 1 no Reino Unido e top 10 nas paradas de música dance dos EUA


Ann Lee - "Dreams" (LP)

Sucesso absoluto: "2 Times"

Disco de platina na Austrália, Dinamarca, Bélgica e Nova Zelândia; Disco de ouro no Reino Unido, Áustria, Holanda, Alemanha, Portugal, Suécia e França.


GambaFreaks - "Down Down Down" (single)

Nº 1 nas paradas de música dance do Reino Unido


In-Grid - "Rendez-vous" (LP)

Número 1 na África do Sul


In-Grid - "Tu es Foutu/You Promised me" (single)

Nº 1 na Grécia, Nº 1 na Suécia, Nº 2 na Holanda, Nº 4 na Bélgica, Top 10 na Itália, Nº 1 nas rádios da Rússia, Top 10 na Espanha e na Alemanha; mais de quarenta semanas nas paradas oficiais de vendas alemãs. A versão em inglês (You Promised Me) alcançou o Top 10 na Austrália e a parada Billboard Club nos EUA.


Benny Benassi presents The Biz "Hypnotica" (LP)

Dupla medalha de ouro na França


Benny Benassi presents The Biz "Satisfaction" (single)

5º lugar na França e entre os 20 mais vendidos por 20 semanas, Disco de Ouro; 2º lugar no Reino Unido, entre os 20 mais vendidos por 6 semanas; excelentes vendas e resultados nas paradas musicais na Alemanha, Austrália e muitos outros países.


LARRY PIGNAGNOLI VENDE A OFF LIMITS PARA A BMG

Larry Pignagnoli não produz mais como antigamente...

Em outubro de 2015, um marco dentro da Off Limits acontece: A BMG adquire todo o catálogo da gravadora de Larry Pignagnoli.

A BMG adquiriu os direitos de sucessos clássicos do dance pop dos anos 90 com a compra do catálogo editorial da Off Limits, especialista italiana absoluta em Dance Music.

Os títulos reforçam ainda mais o catálogo de sucessos de Dance Music da BMG, que já incluía os catálogos de gravações da Strictly Rhythm ( "I Like To Move It", "King Of My Castle" ) e da Skint/Loaded (Fatboy Slim, X-Press 2), além do catálogo editorial da Talpa (Afrojack, Fedde Le Grand).

O diretor-geral da BMG Itália, Dino Stewart, disse na época: “Estamos muito felizes em receber o catálogo da Off Limits na BMG. Larry Pignagnoli é um dos mestres do pop italiano e músicas como 'Saturday Night' fazem parte do DNA divertido de toda uma geração. Após as recentes aquisições da Strictly Rhythm, Skint/Loaded e Talpa Music, temos orgulho de adicionar vários clássicos internacionais da música dance da Itália ao crescente repertório de dance/EDM da BMG.”


Larry Pignagnoli marcou os fãs da Eurodance, mas, infelizmente hoje não produz com a mesma intensidade...

O que mudou para a Off Limits após 2015? 

Antes da venda, a Off Limits precisava administrar e policiar os direitos autorais de hits massivos como "Saturday Night" (Whigfield), "Tu es foutu" (In-Grid) e "Satisfaction" (Benny Benassi) no mundo inteiro de forma independente. Em 2015, a gigante BMG Rights Management assumiu o controle dessas obras. Ou seja, a BMG passou a licenciar os clássicos da produtora para grandes campanhas publicitárias globais, trilhas sonoras de Hollywood, videogames e séries de streaming. Isso garantiu uma injeção financeira contínua e massiva para os fundadores através de royalties.

No geral, a Off Limits deixou de operar como uma gravadora tradicional de lançamentos em massa e se transformou em uma "boutique" de serviços musicais altamente especializada. Larry Pignagnoli mantem a marca ativa, mas reestruturaram a empresa sob um modelo híbrido de estúdio e agência, onde o foco está mais em gerar receita através de royalties, além de ajudar artistas independentes italianos a coletar os direitos de execução de suas vozes e instrumentos.

Larry Pignagnoli atua hoje como um mentor de estúdio e Diretor Geral. Ele não passa mais madrugadas operando mesas de som para criar dezenas de músicas por semana, mas supervisiona a qualidade técnica de tudo o que sai dos estúdios da Off Limits, atuando no controle criativo e no direcionamento estratégico de novos projetos. O trabalho atual é muito mais voltado à manutenção do legado da Eurodance e ao suporte técnico para a nova geração de produtores europeus do que à busca frenética pelo topo das paradas de rádio pop.


A Larry Pignagnoli, expressamos nosso desejo mais profundo de saúde, caminhos repletos de novas conquistas e uma felicidade tão vibrante quanto os hinos que ele criou. Obrigado, maestro, por fazer o mundo dançar e por nos ensinar que os sonhos mais altos sempre ganham ritmo!


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terça-feira, 29 de abril de 2025

A.D.A.M. FEAT AMY - "ZOMBIE" (1995) - MELODY CASTELLARI

A.D.A.M. FEAT. AMY - "ZOMBIE" (1995) 

30º ANIVERSÁRIO

A.D.A.M. feat AMY - "Zombie" (O'Riordan)


Esta é outra "pauleira" que tocou muito nas FM's e pistas de dança de todo Brasil, e que agora completa o seu aniversário de 30 anos!!! 

É isso aí, galera! Estamos falando "Zombie" do A.D.A.M., uma regravação da banda The Cranberries  famoso grupo irlandês de rock / pop de grande qualidade, e que teve, infelizmente, a sua talentosíssima vocalista Dolores O'Riordan falecida no início de 2018. 

Quanto aos italianos do A.D.A.M., este time de produtores fizeram a referida versão de "Zombie" para ser tocada nas discotecas, no entanto, logo adentrou também em vários charts e acabou ganhando inúmeros admiradores no Brasil e em outros países pelo mundo. Mas, você sabia que, na época, muitas pessoas também desaprovaram essa versão? 

Entenda o porquê:


O PROJETO A.D.A.M FOI INFELIZ?

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado neste artigo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA

A.D.A.M. FEAT AMY - "ZOMBIE" (1995)
CD-Single australiano

Aqui no Brasil todo mundo amou a faixa, tocava direto nas rádios, discotecas, playcenter e tava tudo certo. No entanto, na Europa estava claro que uma versão "dance" para essa música estava longe de ser apropriada. Passou uma impressão de que os produtores estavam se divertindo com uma música sobre crianças assassinadas (!). 

Sim, a letra de "Zombie" não tem nada de alegre. Sua letra é uma resposta à morte de dois meninos que foram vítimas fatais em um bombardeio politicamente motivado pelo grupo armado IRA (Exército Republicano Irlandês), em 20 de março de 1993, na cidade de Warrington, na Inglaterra. 

Além das mortes das crianças, o ataque terrorista ainda deixou mais de 50 pessoas feridas. A própria compositora da música (Dolores O'Riordan) já disse que essa é a música mais pesada que eles fizeram, então, realmente é estranho colocar uma galera para dançar ao som de uma música com uma mensagem tão séria e triste. Isso ainda consegue piorar, se você assistir ao video da canção, que nos mostra uma modelo "gostosona" sensualizando num lava-car (???). 

Ou seja, bem compreensível esta enxurradas de críticas que esta versão italiana recebeu.

Venha para o meu lava-car...


O SUCESSO DO A.D.A.M.
Mesmo com a polêmica, esta versão "Dance" foi muito bem nas paradas e alcançou o #5 na Austrália, enquanto a original alcançou o #1 por 8 semanas. 
Além da Austrália, outro país que deu destaque para essa versão do A.D.A.M. foi o Reino Unido, onde "Zombie" alcançou o Top 20 e atingiu o pico máximo na posição #16. Ainda no Top 100 britânico, ficou por 11 semanas entre 01/07 e 09/09/1995.

A banda The Cranberries  que possuía os direitos autorais  também deve ter permitido o lançamento desta versão e com certeza recolheu parte dos lucros. Se eles não se importaram muito com a versão "feliz" para a sua música "triste", então... vamos dançá-la! 

Além da Austrália e Reino Unido, outros países como a França, Itália, Canadá, Alemanha, Suíça, Bélgica e o Brasil também dançaram muito com essa versão do A.D.A.M., embora ainda houvesse uma outra versão dançante para "Zombie" feita pelo projeto espanhol Ororo (versão legal, mas que não causou no público o mesmo agrado que o A.D.A.M. conseguiu).


"In your head, in your head
Zombie, zombie, zombie!!"

Quanto ao início do sucesso de "Zombie" do A.D.A.M., se deu primeiramente em abril de 1995 a partir do lançamento do vinil italiano, mas foi a partir do mês de maio que foi se tornando realmente popular na Itália. Aos poucos, a faixa foi se destacando também pelos países vizinhos e ganhando edições em CDs e discos de vinil de outras nacionalidades. Junho e Julho de 1995 foram os meses do Verão Europeu / Norteamericano, e "Zombie" conseguiu então se popularizar mundialmente. No Brasil, a música chegou através da Paradoxx Music na primavera de 1995 (setembro).

Eu tenho um carinho muito especial por esta faixa, pois a primeira vez que ouvi "Zombie" foi a partir desta produção. Só depois de uns dois anos que fui conhecer a obra original do The Cranberries... então, como eu poderia agora, desaprová-la? Foi praticamente a minha ponte para conhecer a banda irlandesa!


OS PRODUTORES E SEUS ENVOLVIDOS
Sobre a polêmica versão "dance", temos quatro produtores italianos que trabalharam e lançaram "Zombie", em 1995. 

São eles, Andrea Morando, Davide Gaddia, Angelo De Robertis e Maurinaz, que juntando suas iniciais formam o nome deste projeto italiano de eurodance.

Estes produtores criaram várias versões para “Zombie”, além de terem convidado um outro produtor, mais conhecido que os próprios, para participar deste single: Mauro Marcolin (que foi o arranjador, programador e responsável pela mixagem de “Zombie”.

Teknol O.G - "I Want You" (1995)
Os produtores do A.D.A.M. olharam para Mauro Marcolin e falaram: "Nós queremos você"


Marcolin teve um papel muito importante na realização de "Zombie", pois ele pegou as ideias "rascunhadas" dos produtores do A.D.A.M. e as aperfeiçoou, resultando nas versões finais que conhecemos. A propósito, no mesmo ano de 1995 Marcolin também lançou o projeto Teknol O.G. - "I Want You", faixa perceptivelmente semelhante a sonoridade de "Zombie"

Resumindo: Marcolin produziu "Zombie" e apresentou muitos elementos que ele já usava na época, dando ao single muito mais características pessoais suas que os próprios produtores oficiais do A.D.A.M.

Marcolin já era muito experiente em 1995 e tinha em seu currículo trabalhos conhecidos na Time Records, como os renomados projetos Humanize, AntaresAladino, Mr. Signo (aquele de "Loverboy") além de ter sido o compositor de “I Want Your Love” do Corona (DWA).

Os produtores do A.D.A.M. criaram as ideias, mas depois chamaram o experiente Mauro Marcolin para dar o toque final ao cover de "Zombie"


AS VERSÕES DE "ZOMBIE" (A.D.A.M.)

"Zombie" foi gravada em Brescia, Itália, mais precisamente no estúdio Cross Studio (BS), e licenciada pela Reflex / Dig It International.

Praticamente todas as versões presentes no single são ótimas, mas nem todas ficaram conhecidas pelo público brasileiro... A versão “Rockin’ With Zombie Club Mix” brinca com os nossos ouvidos ao trazer algumas inserções bem animadas de guitarras. Aliás, essa versão contem samples retirados da música “Cuddly Toy” do grupo Roachford. Bem interessante (e bem-vinda) essa mistura de dance music com rock que ouvimos aqui, afinal, a versão original do The Cranberries é um rock, né?

Há ainda no single a versão “Eternal Airplay Mix”, que é excelente e extremamente dançante! É aquela mesma versão que está presente no vídeo oficial. Uma das minhas favoritas!

E claro, há aquela versão que fez muito sucesso aqui no Brasil, a “Dancin’ With Zombie”. Essa foi arrebatadora nas rádios e nas coletâneas da Paradoxx Music!!! 


OUTROS SINGLES DO A.D.A.M.

Devido ao grande sucesso de "Zombie", os quatro produtores voltaram a produzir mais duas músicas para o projeto A.D.A.M., sendo "Memories And Dreams" (1995) e "Nothing Sacred" (1996), mas que não chamaram muito a atenção dos DJs e do público na época, o que é uma pena...

Estes quatro produtores não produziram mais nenhum outro single de sucesso comparável à "Zombie", nestes 30 anos que se passaram.


A VOCALISTA E A PRODUÇÃO DE "ZOMBIE"
Quem é Amy? Este é mais um nome fictício inventado pela Dance Music...


Apesar do vídeo de "Zombie" trazer uma outra moça para os nossos olhos  —  e do single creditar uma tal de Amy  —  o nome real da vocalista deste imponente single é Melody Castellari (imagem acima), uma cantora de estúdio italiana que gravou muitas músicas de eurodance, e que você  possivelmente — já deve ter ouvido em outros sucessos, como "Remember" (Surama K.) e "Dancing in the Night" (Connie Nice). 

Na internet, as pessoas se sentem a vontade para criar diversas teorias com seus achismos, não é mesmo? Pois atente-se, já que a "Amy" deste projeto é apenas um pseudônimo inventado pelos produtores de Dance Music, e não tem relação alguma com a cantora Amy Winehouse, como já cheguei a ler por aí. Sim, alguns acham que a artista falecida gravou "Zombie" para o A.D.A.M. no início de sua carreira... mas, é claro que essa é apenas uma mentira ridícula! Agora, um fato pouquíssimo comentado por aí: Você sabia que o refrão de "Zombie" não contem os vocais de Melody Castellari? Neste caso, trata-se de uma outra voz que ouvimos!!

Na verdade, Melody Castellari realizava muitas gravações nos estúdios da gravadora DIG IT, e um destes singles gravados como cantora "freelancer" foi "Zombie", quando ela tinha apenas 20 anos de idade. Era um trabalho sem maiores conexões com os donos do projeto, que também não tinham muitas pretensões e não esperavam muito sucesso de seus discos. Por essa situação, sempre quando uma música destes produtores se destacava nas paradas, alguma modelo era contratada para fazer a sua divulgação nos programas de TV, dar entrevistas para a imprensa e realizar turnês, assim como fez a brasileira Surama de Castro (projeto Surama K.  que também foi uma destas modelos que dublou a talentosa italiana Melody Castellari (hit "Remember - 1997).


A modelo do A.D.A.M.: Sissi Zosi

Para se ter uma ideia, de como realmente não havia muitos laços entre a cantora de estúdio e os produtores, cheguei a conversar com Maurinaz (um dos "cabeças" do A.D.A.M.), e ele parecia nem saber o nome de Melody Castellari, se referindo a ela apenas como "vocalista".

Talvez ele tivesse mais afinidades com a modelo que representou o projeto A.D.A.M.  — a garota que vimos dublando em "Zombie". Ela é a italiana Sissi Zosi, natural de Roma e quem conduziu comercialmente o projeto devidamente aos seus atributos físicos. Além de aparecer no vídeo oficial, Sissi Zosi também participou de algumas performances do A.D.A.M, como esta:

Sissi Zosi: linda, mas apenas dublava...

Melody Castellari concede ao projeto um super vocal, este sendo um dos grandes responsáveis pela consagração da música. Sua voz potente dá um extremo vigor para "Zombie", e sem ela, duvido que faria tanto sucesso. 

Os versos cantados ficam claros que são de Melody Castellari, mas... e o refrão? Para mim, sempre foi muito diferente, e parece se tratar de um sample vocal retirado da voz original de Dolores O'Riordan... Você não acha? Pode ser ainda, que este refrão tenha sido gravado por uma outra cantora de estúdio da Dig It (com voz similar à de Dolores)... Existe essa possibilidade! Ou melhor: Na Eurodance, existem diversas possibilidades!!!

Para colocarmos um fim a essa dúvida, perguntei à Melody Castellari sobre essa voz:
Rikardo: "Oi, Melody! Sou do Brasil e sou fã da sua poderosa e linda voz. Sobre a música 'Zombie' (A.D.A.M.) que você gravou nos estúdios Dig It, reconheço facilmente a sua voz nos versos, mas no refrão também é você? Parece ser a voz original de Dolores O'Riordan... Abraço do Brasil!"

Melody Castellari: "Pelo que me lembro, gravei a música inteira, mas acho que os produtores deixaram a minha voz mais 'grossa' de alguma forma. Provavelmente mudando os formantes por meio de um plugin.
O mesmo aconteceu com a música 'Love in December', do projeto Axia, também cantada por mim." 


Um dos produtores do A.D.A.M.: MAURINAZ

 
Falei também com Maurinaz, um dos caras que produziu o hit, mas ele me deu uma outra resposta. Confira:

Rikardo: "Olá, Maurinaz! Sou do Brasil e, assim como muitos brasileiros, eu adoro a música 'Zombie' que você produziu no projeto A.D.A.M. Sinceramente, acho que essa versão é muito melhor que a original, e aqui no Brasil ela fez um grande sucesso em 1995 (saiu aqui através do selo Paradoxx Music). Depois de alguns anos de seu lançamento, descobrimos que 'Zombie' foi gravada pela cantora italiana Melody Castellari, mas você se lembra se ela também gravou o refrão? Pois sempre acreditei ser uma outra cantora nessa parte da música, até mesmo pensei na possibilidade do refrão conter uma amostra vocal retirada da música original (cantada por Dolores O'Riordan). Você se lembra se o refrão está na voz da Dolores??? Muito obrigado pela sua atenção. Deus te abençoe por tudo!

Maurinaz: "Oi! Muito obrigado pelas suas gentis palavras e apoio — significam muito para mim!
Sobre o A.D.A.M., na versão dance de 'Zombie', o refrão não foi sampleado de Dolores O'Riordan. Na verdade, você está correto sobre essa voz estar diferente da voz que está nos versos, pois o refrão foi de fato cantado por uma segunda vocalista, porque a voz dela combinava melhor com o refrão. Infelizmente, não me lembro mais do nome dela — foi há muito tempo! Tudo de bom, e que Deus te abençoe também!"


MELODY CASTELLARI ONTEM E HOJE
Ela é atualmente cantora, compositora, produtora italiana e está prestes a completar seus 50 anos de idade. 
Nascida em 10 de junho de 1975, em Bolonha (cidade que fica a 80km de Florença), ela herdou o talento de seus pais, que também vieram do meio artístico: Corrado Castellari e Norina Piras.

A talentosa Melody Castellari: 
Melody Castellari apenas realizou negócios profissionais com os produtores do A.D.A.M., já que trabalhava como cantora de estúdio da gravadora DIG IT, ou seja, acabou "vendendo" a sua voz e não teve relações mais próximas com estes produtores. Por isso, os projetos se viam obrigados a recorrer às modelos, quando estas músicas faziam sucesso...

Melody começou sua carreira ainda nos anos 80 (quando criança), interpretando canções de desenhos animados. Aos 15 anos, ela começou a trabalhar como backing vocal para alguns músicos e obteve experiência nos variados processos de gravação.
 
A jovem artista também iniciou sua carreira como uma cantora de estúdio e emprestou a sua voz para vários produtores de dance music, aliás, a sua primeira canção gravada neste gênero foi a estupenda cover de La Bouche “Sweet Dreams”, que foi lançado como Sasha Feat. Melody (faixa também licenciada aqui pela Paradoxx Music em 1995). Um single que veio a seguir foi Connie Nice - "Dancing In The Night" (1995), sendo mais uma sensação nas pistas brasileiras.

Infelizmente, como ocorre em quase todo este gênero, suas contribuições vocais foram em grande parte sem créditos, e Melody na época não aparecia em público dando entrevistas sobre estes trabalhos. Ainda em 1995, houve o segundo single do A.D.A.M. Feat Amy - "Memories And Dreams", mas sem a participação vocal de Melody Castellari, que retornou apenas no terceiro e último single do projeto: "Nothing Sacred" (1996). 

Aqui no Brasil, mais uma eurodance se destacou na voz de Melody Castellari... era "Remember" do projeto Surama K, que chegou em 1997 e rapidamente caiu nas graças dos DJs e das rádios dance.

Com o passar dos anos, Melody Castellari engatou outros variados trabalhos na Dance Music, como a sua contribuição vocal à música "Talk to Me" do projeto DEAR, além de "Inside to Outside" do Lady Violet"Love In December" do Axia, "Take On Me" do Katty B., "My Sunshine" do Captain Joy, "My Macho" do Jessica Jay, foi a backing vocal do projeto de italo-house Malina (canção "Reach Out"), e por aí vai...

Como compositora, Melody Castellari escreveu ainda músicas para vários artistas italianos, como Fabrizio De André, Mina, Milva e Ornella Vanoni

Como artista solo, ela lançou um álbum chamado “Vorrei” no gênero pop (em 1998) e singles em vários gêneros. Em 2002, interpretou “Princesa Nefertari” no musical “Os Dez Mandamentos”. No dia 4 de agosto do mesmo ano, ela se apresentou em memória dPapa João Paulo II

Nos últimos anos, ela também começou a trabalhar como produtora, ao mesmo tempo em que continuou trabalhando como backing vocal de artistas italianos e internacionais.

Além de ter sua carreira solo (pop italiano) e de cantar eurodance para vários produtores, Melody Castellari ainda canta rock'n roll e tem a sua própria banda Melody Squad. Simplesmente, uma artista talentosa, versátil e de muito bom gosto!

Melody Squad - "Closer" (2005)
Assim como Clara Moroni, Max Senzioni, Andrea Alberghi, Jackie Bodimead, entre outros vocalistas de eurodance, Melody Castellari também se dedica ao Rock ...
Uma cantora para fazer bonito com um cover de "Zombie", tinha que ser realmente do rock!!

Melody Castellari improvisando um de seus maiores sucessos AO VIVO:
 "Dancing In The Night"

Sublime!

Melody Castellari atualmente


Você era apaixonado pela modelo que aparece no clipe e quer saber como ela está atualmente?
Eis ela...

Sissi Zosi em foto de 2024

Falando no clipe da música, aqui está "Zombie", na mesma versão que consta no CD "TV Dance" (inclusive, é também a mesma versão que tocava nas rádios). Vamos recordar?

A.D.A.M. FEAT AMY - "Zombie" (1995)

Com certeza, A.D.A.M. Feat. AMY — "Zombie" foi uma das minhas músicas favoritas no finalzinho de 1995, e nesta época, não havia quem não se entregasse à este extasiante hit...Trinta anos atrás!!!