domingo, 26 de abril de 2026

ALISON JORDAN DO CAPPELLA, POR ONDE ANDA?

ALISON JORDAN DO CAPPELLA - POR ONDE ELA ANDA?

Uma cantora que também atuou como modelo no Cappella

O projeto Cappella destacou alguns jovens nos anos 80 e 90, como os dançarinos Ettore Foresti, Kelly Overett, Rod Bishop e também a hoje médium (?) Alison Jordan - conhecida no meio Eurodance ainda como "Allison Jordan" (com dois L's)

Diferente dos três primeiros integrantes citados, Alison Jordan realmente teve uma experiência como vocalista e gravou o álbum "War In Heaven" do Cappella, mesmo não dando conta do recado e a produção tendo que chamar uma outra cantora mais preparada vocalmente (Katherine Ellis, que teve o seu vocal misturado ao de Alison).

Cantora do grupo Cappella de 1995 a 1998 (e substituta Kelly Overett), Alison Jordan resolveu deixar o grupo em 1998, e disse que ficou chocada ao ouvir o resultado da sua voz mixada com a de Katherine Ellis no álbum "War In Heaven", além de não ter gostado de ter sido apenas a modelo no disco seguinte, "The Cappella". A garota também ressaltou que estes foram alguns dos motivos que a fizeram deixar o grupo. Após se desligar do Cappella, a linda moça retornou ao seu país natal, o Reino Unido.


Alison Jordan trabalhou em 1992 com Simon Cowell, mas em 1993 já estava fora da BMG


Nascida em 1972, no Reino Unido, Alison Jordan frequentou a June Sandbrook School of Ballet, onde fez sua estreia no palco aos 5 anos, a Sylvia Young Theatre School e a Barbara Speake Stage School. Participou de programas infantis de televisão aos 10 anos e gravou um comercial para a Pepsi aos 13.

Aos 19 anos, Alison viu um anúncio no jornal "The Stage" em busca de uma estrela para o programa da BBC "That's Life". Venceu o concurso com mais de 40.000 votos, recebendo um contrato com a gravadora Arista BMG e indo trabalhar com os produtores conceituados Nigel Wright e Simon Cowell (que se tornou mais famoso ainda nos anos 2000 como jurado musical). 


Alison Jordan com Simon Cowell


Seu primeiro single, "Boy From New York City" (1992), alcançou a 21ª posição nas paradas britânicas. Logo depois, ela deixou a BMG. Seu segundo single, "Heart & Soul" (1993), foi financiado por seu pai.

Em 1995, Alison Jordan acabou entrando no grupo italiano Cappella, mas não antes sem ter que fazer diversas audições para conseguir tal vaga. A garota britânica deveria formar uma dupla com Patric Osborne, mas pouco antes do lançamento da música "Tell Me The Way", ele deixou o projeto. Os produtores então chamaram de volta o modelo Rod Bishop, que retornou para a formação e trabalhou ao lado de Alison como uma dupla.


No álbum "War In Heaven" do Cappella, Alison Jordan pode ser ouvida em alguns trechos das músicas, mas no álbum seguinte "The Cappella", ela não gravou nenhuma música e atuou apenas como uma modelo/figurante visual.

Naquele ano de 1996, o single de retorno do Cappella, "Tell Me the Way", alcançou o 17º lugar no Reino Unido. 

Em 1997 saíram as novas produções do Cappella, como "Be My Baby", mas Alison Jordan apenas foi a modelo visual nesta fase do projeto. Todas as músicas do novo disco foram gravadas pela excelente cantora escocesa Lorna Bannon, que já havia gravado para vários grupos de renome, como o Shakatak, além de alguns projetos de Eurodance com DJ Scott (feat Lorna B), o Sharada House Gang, com os produtores da Nicki French (Matt Aitken e Mike Stock), Anticappella, entre outros.

Após desfrutar de mais alguns anos de estrelato frente ao Cappella, Alison Jordan decidiu abandonar tudo, retornou ao seu país natal e não foi mais vista cantando nos estúdios/ palcos.

Ela disse ao site The Sun que se aposentou da cena musical para cuidar de seus dois filhos com o marido, Stephen Hedger, um conselheiro matrimonial especializado em "casais em crises". 


Alison Jordan atualmente: Partiu vender miçangas 

Em 2004, ela fundou uma revista mensal intitulada "The Paranormal News", voltado apenas a fenômenos e capacidades mentais que funcionam além das leis naturais e dos sentidos físicos, como a telepatia, a clarividência e a psicocinese. Música? Como dito anteriormente, jamais ela voltou a cantar ao público/comercialmente.

Alison Jordan então mudou seu nome para Cloé Hedger e agora trabalha como médium.

A ex-estrela do Cappella hoje tem 54 anos de idade, é dona de sua própria loja e também uma designer de joias. Ela lançou tutoriais de miçangas e criação de joias, entre outros produtos....além, é claro, de fazer leituras de tarô ao público - um hobby que ela tinha desde a sua época de Cappella (ela fazia leitura para seus dançarinos e amigos).

No Youtube você poderá encontrá-la falando sobre o mundo místico, lendo cartas e comentando sobre este universo.

Canal de Cloé Hedger no Youtube (Leitura de Tarôs): @bittervampire

Canal sobre suas bijuterias/ miçanças: @CloeHedgerBeadingTutorials

[Este último canal com mais de 549 mil inscritos]

E aqui neste pequeno vídeo, ela fala rapidamente sobre essa sua passagem no grupo de Eurodance:


"Ei, você sabia que eu era cantora antes de me tornar designer de joias e
YouTuber? 
Eu era a vocalista principal do grupo de eurodance Cappella. 
Depois de fazer turnês pelo mundo e alcançar o topo das paradas, comecei um novo capítulo:
lancei uma revista sobre o paranormal, que se tornou um sucesso global. Mas minha
jornada criativa não parou por aí. 
Hoje em dia, me dedico ao design e às joias, compartilhando meu amor por miçangas e pela criação de joias com mais de 400 mil inscritos no YouTube.
De música a revistas e joias, quem disse que você só pode ter uma paixão? Obrigada por fazer parte da minha jornada." - Cloé Hedger


Para ler mais sobre o grupo Cappella e ter acesso a sua história completa (ou quase): 

https://rikardomusic.blogspot.com/2026/04/cappella-gianfranco-bortolotti-detona.html


quinta-feira, 23 de abril de 2026

VICKI SHEPARD EM ENTREVISTA SOBRE O CAPPELLA

 VICKI SHEPARD, A CANTORA POR TRÁS DO SINGLE "U & ME" DO CAPPELLA

O que Vicki Shepard tem a dizer sobre o Cappella e o “roubo” de sua voz??

Vicky Shepherd não é nenhuma novata na indústria da música eletrônica. Infelizmente, junto com seu incrível talento, vieram terríveis injustiças na sua vida (conforme comentamos aqui no artigo especial sobre o projeto Cappella). 

Vicki Shepard não é uma cantora européia como vemos com frequência na Dance Music. Ela nasceu nos Estados Unidos e tem uma voz única e visceral, lançando alguns álbuns como "Somewhere", "All I Ask Of You" e "Never In A Million Years", que alcançaram o Top 10 nos EUA e o 1º lugar no Reino Unido em 1991 e 1992. 

Vicky concedeu uma entrevista ao site NAJM e falou publicamente (e pela primeira vez) sobre o que aconteceu com um sample contendo a sua voz que foi parar em “U & Me” do projeto italiano Cappella. A música em questão se tornou um sucesso internacional (alcançou excelentes posições nas paradas) e Vicky nunca recebeu qualquer reconhecimento ou compensação financeira.

Ao que entendi, essa entrevista foi publicada em 2022, mas não sei de fato quando foi concedida.Veja o link original disponível no final deste conteúdo.

Lembrando que o Blog não tem a intenção de prejudicar a imagem da modelo Kelly Overett, pois sabemos que ela fez um trabalho fascinante na representação das músicas do Cappella, porém, está havendo muita desinformação atualmente, especulações falsas que estão confundindo os novos fãs, então o Blog resolveu recapitular essa história cheia de segredos com a finalidade de colocar os definitivos “pingos nos is”. 

Respeitamos todos os modelos e suas importantes funções na Dance Music, mas sobretudo respeitamos a verdade, porque ela é ABSOLUTA e precisa ser enviada para as próximas gerações.

Boa leitura!

ENTREVISTA COM VICKI SHEPARD

NAJM: Pode nos contar um pouco sobre a sua experiência trabalhando com o grupo Cappella e a música "U & Me"?

Vicki Shepard: Esse é um negócio onde não existem leis. Acho que é isso que o torna tão aberto a coisas boas, mas também a tantas coisas ruins. As gravadoras raramente são transparentes. Talvez haja exceções. Mas comigo foi assim, não foram transparentes. Essa foi a minha experiência com a música "U & Me" do Cappella.

NAJM: Conte-nos com suas próprias palavras o que aconteceu?

Vicky Shepherd: Basicamente, o que aconteceu foi que paguei para produzirem uma música que foi escrita e produzida para mim. A música foi escrita em 1992, e eu a gravei em Nova York. Chamava-se "Love Has Changed My Mind". Levei essa música para a Inglaterra na minha última turnê com o Loading Bay. Eles me perguntaram se eu queria fazer algo com a música, e eu disse que não. Então, entrei em contato com a 3 Beat Music, e eles licenciaram a faixa por três anos. Íamos lançá-la como nosso primeiro single com eles. Cerca de um ano depois, um cara de Londres me ligou e disse: "Ouvi seu novo single, é incrível!"

NAJM: E a música era "U & Me" do Cappella ? Não foi negocioado com você?

Vicky Shepherd: Foi assim que conheci "U & Me". Liguei para a 3 Beat Music e perguntei se eles licenciaram a música. Eles insistiram que não tinham licenciado a faixa para a Media Records, a gravadora italiana que acabou produzindo "U & Me" do Cappella. Eles, por sua vez, tinham licenciado minha voz para a Inglaterra através da London Records, então fui até eles e disse: "Escutem! A) Esta é a minha voz ; B) Gostaria de promover esta música para vocês. Vamos trabalhar nisso juntos" Eles disseram: "Não, não é a sua voz".

NAJM: Uau!


"Trabalhei duro a vida inteira, mas quando finalmente a minha voz chega ao mundo, quem ganha os créditos é outra pessoa” - Vicki Shepard 


Vicki Shepherd: Meu marido é especialista em processamento digital de sinais, e eu posso mostrar o gráfico para vocês. Eu disse que posso provar, sem sombra de dúvida, que sou eu. Aí eles disseram: "Ok, é você ". Depois, disseram que me dariam os créditos de backing vocal, e só. Eu fiquei tipo: "Créditos de backing vocal? De jeito nenhum!" Essa é a minha voz. Pelo que eu sei, existem outras versões, das 12 ou 13 versões que eu ouvi da música, há outra voz, mas a maior parte da voz e todo o refrão são meus. 

NAJM: Você tem uma voz realmente singular.

Vicki Shepherd: É impossível não perceber. É tão típico. Se você já ouviu "Love Has Changed My Mind", sabe do que estou falando. Eles me deixaram completamente perplexa, eu fiquei furiosa. Contratei um advogado, o que foi outro fiasco! A indenização que me ofereceram era ridícula! Meu advogado disse: "Vou dar um jeito de você conseguir". Ele não conseguiu e me disse: "Não vá à imprensa", e essa foi a pior coisa que já fiz. Foi o meu maior erro. Quem quer que estivesse no vídeo, claramente não era eu. Se você ouvir a boca dela, vai saber que não era ela! (Ela se referiu a Kelly Overett). Tentei processá-los, mas as leis na Europa são péssimas. Eu não tinha direitos. Ainda estou tentando processá-los. Por um tempo, eu simplesmente desisti e disse: "Que se dane". Isso me deixou arrasada. Estou dedicando minha vida inteira a isso, e alguém rouba meu disco. Gravam uma música com a minha voz e ela chega ao top 10 em mais de 15 países. Se isso já não fosse de partir o coração!


Os modelos do Cappella e o single "U & Me": Clássico da Italo House!


NAJM: Tenho certeza de que você sabe que algo semelhante aconteceu com Martha Wash…

Vicki Shepard: Conversei com Stephen Brown, o advogado dela, que conseguiu todo o dinheiro e os contratos com as gravadoras para ela. O problema é que o single nunca foi lançado aqui nos Estados Unidos.

NAJM: Então, as leis de direitos autorais dos EUA não foram violadas porque nunca houve o lançamento deste single por aqui. Vocês não tinham poder de ação porque foi apenas um lançamento europeu?

Vicki Shepard: Correto.

NAJM: Lemos algo recentemente que dizia que, se você flagrar alguém copiando seu material no exterior, é quase impossível processar, porque as leis não cruzam fronteiras; as leis de direitos autorais são completamente diferentes de país para país.

Vicky Shepherd: Com certeza, e [a mulher que se fez passar pela cantora no disco] teve a audácia de ir ao Top of Pops em Londres! Isso me deixou arrasada. Era a oportunidade que eu buscava na Inglaterra, e ela chegou ao topo com a minha música e a minha voz.

NAJM: Então, claramente, ela estava fazendo playback?

Vicky Shepherd: Com certeza! Quando você está no auge da sua carreira, você tem que cantar ao vivo, mas você pode cantar por cima da sua própria faixa! Eu também a ouvi na Radio 1 tentando cantar uma música – e foi terrível, a voz dela era horrível. Me senti violada, completamente assassinada. Eles estão por aí trabalhando com a minha voz, ganhando muito dinheiro. Dá para ver que estou infeliz! Não é ridículo? É só olhar para o que aconteceu comigo (e o que continua acontecendo). As pessoas ouviram a minha voz não sabem quem sou eu. Elas nem fazem ideia. Isso me mata. A renda que perdi por si só já é crucial, mas o que realmente importa é pelo que trabalhei a vida toda – para ter um sucesso comercial. Eu tive, mas não leva meu nome, e eu nunca recebi um centavo da 3 Beat Music, nem mesmo pelo licenciamento original! Sim, eu paguei por toda a produção e pela composição da música original. Eu só licenciei a faixa para a 3 Beat por três anos. Isso foi em 1992. A 3 Beat lançou um vinil de 12 polegadas de "Love Has Changed My Mind ", aí eles licenciaram a faixa para a Media Records, na Itália. Eles tinham o direito legal de licenciá-la — só que me deviam passar 50% do valor, de acordo com o nosso contrato original. Além disso, quando você licencia uma faixa, precisa dar o nome da pessoa ou os créditos. Mais tarde, descobri que a 3 Beat Music tinha licenciado a música legalmente, mas eu nunca recebi o dinheiro. Não se trata apenas de eu ser anônimo; é como ser um cantor invisível. É muito frustrante.


Vicki Shepard com sua banda em registro um pouco mais recente


NAJM: Então, o que pode ser feito agora?

Vicki Shepard: Stephen Brown priorizou Loleatta Holloway e Martha Wash em seus cálculos . Agora ele está passando para outros artistas que escreveram músicas anos atrás, como Frankie Lemon.

NAJM: Isso é muito admirável, mas parece que as leis de direitos autorais dos EUA precisam ser alteradas para proteger o artista em territórios fora dos EUA .

Vicky Shepard: Há tantas pessoas talentosas em nosso ramo que estão perdendo seus tempos, porque suas músicas são plagiadas ou porque simplesmente nunca recebem a atenção musical que merecem... O que você achava que era "Cappella", na verdade sou eu, pelo menos em "U & Me".


FONTE: https://vk.com/@cappella-you-and-me

domingo, 19 de abril de 2026

JACKIE 'O' - "WONDERWALL" (1996) 30 ANOS!

JACKIE 'O' - "WONDERWALL" (1996)
"TODAY IS GONNA BE THE DAY..." - 30 ANOS!

Jackie 'O' - “Wonderwall”- 30º aniversário: "Today is gonna be the day..."


Hoje vamos comemorar os 30 anos de um super single Dance. É o som de Jackie 'O' - "Wonderwall"!!

Vamos começar? 

O Jackie 'O' não foi exatamente um artista, como pensávamos quando víamos o seu nome impresso nas coletâneas de CDs... Era apenas um projeto de Eurodance criado pelos produtores do selo Almighty Records... 

A equipe, a vocalista, o projeto em si, são todos britânicos. O Jackie 'O' foi inaugurado oficialmente através deste seu primeiro single (e também muito longe de ser o último!) no dia 19 de abril de 1996.

Ao contrário da maioria dos projetos da Almighty, este teve apenas uma única vocalista que cantou todas as músicas lançadas, e o seu nome é Jill Saywood — mais conhecida como Jill Saward, e que também é a principal vocalista do Shakatak, um grupo musical muito popular no Reino Unido.

Nas antigas biografias do Jackie 'O', havia a informação sobre ele ter sido criado como uma resposta da Almighty à uma artista de covers de alguns dos maiores sucessos do rock dos anos 70, 80 e 90. Quem seria ela?? Até hoje carrego comigo essa dúvida!


Jill Saward - a voz do projeto Jackie 'O'

Quanto ao nome do projeto —  Jackie 'O—  se trata de uma homenagem a Jacqueline Kennedy-Onassis, falecida em 1994, e que no caso, foi a esposa do 35º presidente dos Estados Unidos - John F. Kennedy.

Quando a versão dance do Oasis foi distribuída, em 19 de abril de 1996, ninguém poderia imaginar o quão popular aquele lançamento se tornaria. A música impulsionou não só a construção de um novo selo da Almighty Euphoric Records, mas também encorajou seus produtores para que lançassem muitos outros singles, que desde então desfrutou de uma sequência constante de sucessos. 

A letra de "Wonderwall" é muito admirada até hoje, inclusive sendo descoberta pelos jovens da geração Z, estes que ficaram empolgados com o retorno do Oasis aos palcos e passaram então a mergulhar no catálogo da banda. A letra é sobre uma pessoa que veio para ser a salvação de alguém, numa espécie de poesia crua e honesta, além de apresentar um refrão icônico: 

"I said, maybe / You're gonna be the one that saves me / And after all / You're my wonderwall". 

O termo 'wonderwall' refere-se a uma pessoa especial, um porto seguro, não tendo tradução literal direta para o português, mas basicamente é essa pessoa que chega e te fortalece, que muda o seu mundo.


O produtor e empresário Martyn Norris (ele completa 73 anos no próximo 23 de abril)

Martyn Norris, o produtor responsável pela gravação e lançamento do Jackie 'O' disse ao site The Guardian

"Aquele disco fez um sucesso fenomenal. Nunca entendemos por que algumas músicas faziam tanto sucesso, mas essa foi uma delas". Ele também era o fundador da Almighty Records e ainda tocava nos clubs gays britânicos, então complementou: "Não foi só a comunidade gay que gostou. Foi um público muito mais amplo".

No Brasil, essa versão dance de "Wonderwall" foi rapidamente licenciada pela Paradoxx Music e adicionada em várias coletâneas da gravadora paulistana, como "As 7 Melhores Volume 5", além de se tornar um hít em rádios como a Jovem Pan 2 e 97 FM

Logicamente que a original do Oasis é uma música atemporal, sentimental, e de muito valor para a cultura pop/rock, mas essa versão agitada do Jackie ‘O’  também tem o seu brilho próprio e lugar de destaque na história dos anos 90, pois nasceu perfeitamente para ser dançada, ser extravasada. Jackie ‘O’ trouxe uma energia surreal, sinths envolventes (e característicos da Almighty), sendo peculiaridades muito bem aliadas a um vocal que canta com uma certa fúria, e o melhor: sem perder o poder da melancolia no refrão.

Olhando nos gráficos da época, notamos que "Wonderwall" de Jackie 'O' começou a entrar no TOP 30 dos Clubs brasileiros em julho de 1996, e por lá permaneceu assumindo boas posições, chegando até o #5 (pico máximo) nas mais tocadas das noites paulistanas. 

E uma observação: no single britânico de "Wonderwall" há ainda uma outra cover do Oasis - "Live Forever", além de "Give Me Your Love" (única faixa original composta pela Almighty neste single).

Em seguida, e no mesmo ano de 1996, foi a vez de um novo single do Jackie 'O' chegar e abalar as estruturas: "Breakfast At Tiffany's".

Com a enorme popularidade da versão original do Deep Blue Something, a versão enérgica de Jackie 'O' levou "Breakfast At Tiffany's" a um novo patamar nas pistas de dança. 

Aqui no Brasil, "Breakfast At Tiffany's" esteve em coletâneas que marcaram a adolescência noventista de muitos jovens, como "As 7 Melhores Volume 6", além de seu auge em nosso território ter sido muito parecido com o de "Wonderwall". Definitivamente, duas tracks muito disputadas nos clubs e rádios brasileiros! 

Olhando nos gráficos antigos, nota-se que este single começou a despontar nos charts brasileiros em janeiro de 1997, mas a música deve ter sido introduzida nos clubs entre novembro e dezembro de 1996 pelos DJs mais antenados. E diferente do single anterior (que durou meses nos charts), também percebemos que “Breakfast At Tiffany’s” não teve uma longevidade parecida, permanecendo por um curto período nas paradas (apesar do sucesso que obteve enquanto esteve por lá).

Ainda no single físico de "Breakfast At Tiffany's" há uma versão cover para "One Of Us" (Joan Osborn) e uma faixa original composta pelos produtores da Almighty, intitulada de "Love Found Me".


Jackie 'O' ganha indicação na revista DJ Sound, em agosto de 1997. A foto da cantora não foi inserida pela revista, tratando-se de uma edição feita exclusivamente para este blog.

No verão europeu de 1997, o Jackie 'O' voltou com mais um single resgatado de um roqueiro. Era a cativante e poderosa "Bitch", do grupo Meredith Brooks, que ganhou também uma versão dance cantada pela vocalista Jill Saward, embora nos discos ela nunca aparecesse creditada...

Morris também explicou um pouco sobre essa questão, de deixar os cantores sem crédito: "Quando começamos, usávamos cantores que possivelmente não queriam ser associados ao nosso trabalho. Sempre trabalhamos com cantores de renome, e alguns nem sequer consideravam fazer esse tipo de música. Alguns simplesmente diziam: 'Ah, não, não, não, eu faço backing vocals para vocês – mas não vou cantar como vocalista principal". 

Não sei se é o caso de Jill Saward, mas alguns cantores não queriam ter seus nomes associados aos singles Dance. A cantora Jackie Rawe —  que também trabalhou em muitas produções da Almighty —  não parecia estar desconfortável quanto a isso, mas como alguns não queriam seus nomes nos discos, então acredito que foi algo que se tornou um padrão dentro da gravadora (não creditar nenhum vocalista). 

Em consequência disso, apesar do sucesso que o Jackie 'O' alcançou, pouco foi divulgado sobre tal "artista". Algo assim também acontecia com a maioria dos projetos da Almighty (Obsession, Natalie Browne, Déjà Vu, Belle Lawrence, entre outros), pois nenhuma foto real destes cantores estampou as capas dos discos e nenhum show jamais foi realizado para promover estes lançamentos, gerando essa incógnita que perdura até hoje. 

Jill Saywood (conhecida também como Jill Saward) nasceu no dia 9 de dezembro de 1953 em Tooting, Londres, Reino Unido, e tem atuais 72 anos de idade. Nunca houve dúvidas de que ela seria uma artista, pois sempre se exibiu e tentou entrar em cena nos eventos e nas festas quando ainda era muito jovem. 


A Paradoxx Music recebeu a novidade "Bitch" de Jackie 'O' por volta de agosto de 1997, mas a EMI Brasil também divulgou bastante os remixes da música original...

Mas, voltando ao 3º single de Jackie 'O' ("Bitch"), aqui no Brasil não repetiu o sucesso dos dois primeiros trabalhos, talvez porque a gravadora da banda Meredith Brooks (Capitol/EMI) contratou Todd Terry para fazer os remixes da faixa original, e assim, distribuiu seus promos para que os DJs brasileiros a tocassem. Mas, mesmo assim, algumas casas noturnas de São Paulo (como a Krypton) ainda optaram pela versão de Jackie 'O', conforme vemos nos gráficos das mais tocadas impressos na revista DJ Sound.

Já no Reino Unido, instantaneamente se tornou um dos covers mais tocados por lá naquele ano. 

Alguns meses depois, ainda em 1997, veio uma outra versão dance dos irmãos que deram sorte ao projeto: Oasis - "Whatever". Infelizmente o sucesso do Jackie 'O' aqui no Brasil ficou restrito apenas aos dois primeiros singles, mas em muitos países da Europa, principalmente no Reino Unido, essa nova versão provou que o Jackie 'O' era um dos projetos britânicos mais bem sucedidos dos últimos anos.


I don't believe that-that
I don't believe that-that
♬⋆

Em 1998, Jackie 'O' retornou com uma ótima versão do grande sucesso do Eagle Eye Cherry"Save Tonight". A música ficou famosa por integrar uma trilha sonora da série "Queer as Folk". E os novos singles também não paravam de chegar...

Em seguida, veio "When You're Gone" , seu remake da música de Bryan Adams & Mel C, além de "That Don't Impress Me Much" "Don't Be Stupid (You Know I Love You)", ambos da canadense Shania Twain.

Em 2000, o projeto Jackie 'O' lançou até um álbum no Reino Unido, intitulado de "Bitch" e com 11 faixas. Era um momento que a Eurodance estava passando por diversas modificações e tentando se ajustar com a sonoridade atual, porém, os singles do Jackie 'O' continuavam chegando e abusando da mesma fórmula já conhecida (o que é muito bom para o fã).


O álbum "Bitch" de Jackie 'O' (2000) -  Euphoric
No encarte só há figuras animadas e nenhuma foto dos artistas/produtores...

O público britânico acabou conhecendo outras versões de Jackie 'O', como "Glorious", canção original de Andreas Johnson, e "It's My Life", hino do rock do Bon Jovi.

Já no verão de 2001 foi lançado "Sing", um cover do Travis (a versão original tocou muito no Brasil nesse mesmo ano, e era uma das minhas favoritas), porém, as chances destas versões do Jackie 'O' entrarem nas paradas brasileiras estavam cada vez mais distantes, pois aqui a Eurodance estava seguindo mais os passos do Vocal Trance e da repaginada Ítalo Dance.

Em novembro de 2002, Jackie 'O' lançou mais um cover de Shania Twain, "I'm Gonna Getcha Good" (o terceiro sucesso da Shania que Jill Saward regravava). 

Três anos depois, Jackie 'O' gravou um cover de "Don't Cha , de Tori Alamaze. Sim, a versão das Pussycat Dolls também é uma cover de Tori Alamaze  uma cantora que assinou brevemente com a Universal Music como artista solo, e depois acabou sendo desligada da corporação.

No ano de 2006, Jackie 'O' busca inspirações mais uma vez no rock....e o projeto lança um cover de "I Don't Feel Like Dancin'", da banda Scissor Sisters. No ano seguinte, em outubro de 2007um novo álbum chamado "Handbag Heaven" foi lançado e nele incluía nada menos que 4 CDs com músicas mais recentes de Jackie 'O'.

"Tentamos tratar as músicas da melhor maneira possível, e acho que conseguimos entregar o que é artisticamente aceitável." - Martyn Norris

O Jackie 'O' era um produto apenas de regravações, assim como a maioria das criações da Almighty Records, mas, o que será que pensavam os artistas das músicas originais quando ouviam estas versões Dance??

Quanto a opinião destes artistas, as informações são frustrantemente escassas. Nunca que o Oasis (que naturalmente são um "nojo"), iriam soltar alguma nota positiva ou negativa sobre a versão dance de "Wonderwall". Isso daria mais visibilidade ainda para os produtores responsáveis pelo remake, e estes artistas não queriam isso. Na verdade, são poucos os artistas que oferecem algum apoio quando se trata de um cover dance. Há todo um preconceito também. Muitos acham "fofinho" quando um artista pega uma música bem agitada e a transforma num pop acústico, mais lento, feito no violão ou no piano, mas quando é o inverso, quando alguém refaz uma música mais lenta e a deixa mais acelerada, parece que as reações são bem opostas e repletas de ignorância.

A Almighty continuou fazendo inúmeras versões de sucessos do Rock e Indie nos anos 2000, e eles enfrentaram um outro dilema: Quando a gravadora do artista quer barrar tal cover, como aconteceu com "You're Beautiful" de James Blunt, e também com "Life on Mars" de David Bowie, feitos pela Almighty e que foram impedidos de serem lançados na íntegra.

Quanto aos remakes feitos pela Almighty de "Everybody's Changing" e "Somewhere Only We Know", lançados pelo projeto Deja Vu, os integrantes da banda Keane também não falaram nada a respeito. 

Aliás, muitas destas versões dos anos 2000 pendem para um Indie mainstream, como Coldplay, The Killers, Snow Patrol... e isso permite que uma certa melancolia seja refeita ou que ganhe uma vibração bem diferente da original, sendo algo que também pode desagradar aos fãs dessa abordagem ou até mesmo os artistas originais.

Para Martyn Norris, essas considerações são irrelevantes: "Já irritamos os esnobes do indie há anos". 

Mas, na maior parte das vezes, Norris busca simplesmente canções memoráveis, cujos pontos fortes intrínsecos resistam à transição, como "Viva La Vida" do Coldplay, que surgiu como um cover da Almighty muito antes da dupla do Pet Shop Boys adicioná-la no repertório de suas turnês.

"Essas são as músicas perfeitas para fazer covers. É o mesmo com o Arctic Monkeys. Mas, basicamente, é a música em si. Tem uma melodia forte? Tem um refrão marcante? Vai funcionar bem na pista de dança? É simples? E as músicas do Coldplay são muito bem escritas. Não são complicadas demais, como as músicas de décadas passadas – como algumas músicas do Elton John, que são bem complexas. Descobrimos que as que funcionam para nós são as músicas mais contemporâneas. E se não houver versões dançantes, melhor ainda." - Martyn Norris


JILL SAWARD - A HISTÓRIA

Jill Saward está com 72 anos e longe de se aposentar da música....

Quando Jill Saward completou 16 anos, soube que esta era a hora de entrar para o ramo da música. Na época, as mulheres desempenhavam um papel pequeno na cena musical britânica; havia as garotas bonitas do pop, os trios de soul americanos e as roqueiras agressivas com pouca ou nenhuma feminilidade. Jill era uma grande fã de Jazz Rock Progressivo e decidiu que este deveria ser o estilo de banda que procuraria para atuar.

Foi quando Jill viu um anúncio numa revista procurando por um vocalista masculino "com atitude", e pensou que a vaga deveria ser dela! Desnecessário dizer que ela conseguiu a vaga com muita audácia e determinação. A banda se chamava Fusion Orchestra, que então iniciou um trabalho com a pequena vocalista.


Jill Saward: Ela estava destinada a ser uma cantora

Jill tinha apenas 16 anos em 1969, mas mentiu sobre a idade para que os outros membros não a achassem muito jovem. Ela provou ser muito competente vocalmente, e logo revelou outros talentos, além de vocalista principal se tornou flautista e multi-instrumentista da banda — tocando teclados, sintetizador e guitarra —  e se tornando rapidamente uma figura central e contribuindo com composições originais e performances dinâmicas que ajudaram a definir o som do grupo. 

A banda se dissolveu em maio de 1975 devido a pressões financeiras e mudanças na formação, então Jill Saward buscou oportunidades como cantora freelancer em meados da década de 1970, contribuindo com vocais para várias gravações sem se comprometer com a participação efetiva em uma banda (característica que se manteve nos anos 90 quando gravou Eurodance para vários projetos, onde não se fixou a nenhum em específico).

A vocalista envolveu-se num novo grupo totalmente feminino chamado Brandy, e depois se juntou ao Cats Whiskers, um grupo proeminente de Soul/Funk, onde ela forneceu seus vocais como cantora de estúdio para álbuns de covers, adquirindo daí, talvez, um pouco da experiência que ela levaria para a Almighty Records, sendo uma cantora de estúdio e gravando versões dance de rock.

No final da década de 1970, Saward teve uma breve passagem pelo Citizen Gang, um grupo formado exclusivamente por mulheres, criado em 1979. 

Mas o grande ato na carreira de Jill Saward aconteceu quando ela juntou-se ao Shakatak, no início dos anos 80. Ela foi a vocalista principal e multi-instrumentista da banda, contribuindo com congas e flauta para o seu som. Formado em Londres, em 1980, o Shakatak inicialmente contou com vocalistas convidados em seu álbum de estreia "Drivin' Hard" (1981), onde Saward forneceu vocais de apoio ao lado de Jackie Rawe (outro talento que foi levado anos depois para a Almighty Records e também para a música do Cappella - "Move It Up").


Jackie Rawe e Jill Saward foram integrantes do Shakatak, muito antes de colaborarem nas produções da Almighty

No álbum "Night Birds" (1982), ela forneceu seus vocais principais na faixa-título, juntamente com as contribuições de apoio de Jackie Rawe e Lorna Bannon (outra cantora que foi para a Eurodance nos anos 90 e também atuou no Cappella). Com o single "Night Birds", o grupo alcançou o número 9 na parada de singles do Reino Unido, e o estilo vocal de Saward ajudou a adicionar uma dimensão emotiva aos arranjos de jazz-funk. 

Com este trabalho, Jill Saward aprimorou suas habilidades versáteis, que preparou-a para atuar também nos estúdios da Eurodance, que ocorreu em meados dos anos 90.

A banda Shakatak é extremamente prolífica e estão sempre lançando novos álbuns de estúdio, muitos dos quais são focados no mercado japonês. Durante o auge do Shakatak, de meados da década de 1980 até a década de 2010, Saward foi a vocalista principal na maioria dos mais de 40 álbuns de estúdio e ao vivo da banda. Singles notáveis ​​deste período, como "Day by Day" (1985), alcançaram sucesso internacional, com as harmonias de Saward aprimorando colaborações que expandiram o alcance global da banda.

A talentosa artista sempre estava trabalhando em algum disco para o Shakatak, inclusive, quando os dois primeiros singles do projeto Jackie 'O' foram lançados, Jill Saward também estava focada na produção do álbum "Let's Start Over Again" do Shakatak, disco lançado no mesmo ano de 1996.

Além dos singles do Jackie 'O' que chegaram aos clubs, rádios e coletâneas, houve outras colaborações interessantes de Jill Saward com a Almighty nos anos 90... Por exemplo, é dela também a voz que ouvimos no hít "Anytime" do projeto Obsession

Sim, no CD "As 7 Melhores Volume 5" tem duas faixas na voz dela, "Wonderwall" do Jackie 'O' e também "Anytime" do Obsession (que, diferente das músicas do Jackie 'O', não é um cover).


Obsession - "Anytime" (1996) 
Power Track que lembra o estilo e a força vocal de Sandy Chambers!!!

Falando nisso, é bom registrar que Jill Saward trabalhou com diversos pseudônimos na música em seus mais variados gêneros, como os nomes registrados: Carol Kay, Connie Laverne, Dee Dee Martin, Diana Dee, Desiderata, Diana Foster, Miss Dee Dee, Ruth Swann, e etc (além de Jackie 'O', é claro!).

Jill Saward casou-se com George Anderson, baixista do Shakatak, e com ele ficou casada durante 13 anos. O casal teve dois filhos, Luis (nascido por volta de 1990) e James (nascido por volta de 1994), cuja criação coincidiu com a agenda ativa da cantora, que atuava no Shalatak e também nos estúdios da Almighty Records, exigindo que Jill Saward conciliasse as demandas da maternidade com seus compromissos musicais. O casal se separou em 2001, mas o divórcio foi finalizado apenas no final de 2011, após uma longa batalha judicial sobre os bens, marcando o fim de um período difícil para a família.

Um fato curioso, é que em 2008, Jill Saward assumiu um papel de destaque no reality show "Pop Goes The Band", que acompanhava ex-integrantes de bandas pop dos anos 80 — incluindo representantes do Bucks Fizz, Bananarama e Visage — enquanto estes se submetiam a procedimentos estéticos e se preparavam para apresentações. O programa ofereceu a Saward a oportunidade de refletir sobre sua trajetória profissional e interagir com uma nova geração de telespectadores por meio de uma abordagem multimídia.

Após o seu divórcio de 2011, Jill Saward iniciou um relacionamento com o empresário Chris Johnson e se casaram em 2025. Hoje, Jill Saward e seu marido moram na Itália (Sardenha), onde a cantora concilia suas atividades musicais com uma vida familiar mais estável e tranquila. Ah, e em 2025 ela também se tornou avó.

Jill Saward mantem um envolvimento ativo na música sem se aposentar completamente, operando um pequeno estúdio de gravação em sua casa, para colaborações locais e projetos pessoais. 


Jill Saward> You Rock!!

Para mim, a voz de Jill Saward estará sempre associada ao CD "As 7 Melhores Volume 5", coletânea que me deu a oportunidade de explorar a sua voz, ali ainda nos meus 15 anos de idade. Lembro-me também que ganhei este ítem de "amigo secreto", no Ensino Médio, e desde então circulam por mim memórias afetivas que me transportam de volta à um momento genuíno, uma adolescência pura e amigos que nunca mais encontrei. Além é claro, pelos motivos de "Wonderwall" e "Anytime" se tornarem imediatamente as minhas favoritas naquele período. 

A adolescência acabou, mas a trilha sonora daquela época ainda dita o ritmo de quem somos hoje.

Obrigado, Jill!