quinta-feira, 3 de junho de 2021
quinta-feira, 27 de maio de 2021
DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE" (1997)
DEBRA MICHAELS - "HOW DO I LIVE" (1997) - ENTREVISTA
Tem músicas que ficam eternizadas em nossas vidas e não tem jeito. Por mais que o artista se ausente e não apresente novos materiais, ele ainda continua rendendo boas lembranças através de sua arte e da emoção que nos foi proporcionada em sua época de lançamento.
Assim podemos enquadrar "How Do I Live" de Debra Michaels, uma faixa que causa sensações nostálgicas em quem viveu e curtiu as baladas de 1998, tudo graças ao seu vocal que emociona, sua construção melódica e suas batidas, elementos que te levam direto àquela boa fase da adolescência...
Cada caractserística sonora e grooves inseridos em "How Do I Live" estão em perfeita sintonia e no seu tempo correto, reativando e brincando com o nosso cérebro instantaneamente. É uma proposta parecida com Kriss Grekò - "Surrender", que também nos apresenta vocais quentes e poderosos, além de uma instrumental envolvente que se conecta de um jeito sensível com o ouvinte:
Assim funciona e acontece a mágica em "How Do I Live", que é, na verdade, um cover "dance" de um sucesso romântico cantado por LeAnn Rimes, lançado também em 1997. A BMG distribuiu no Brasil a versão de Debra Michaels, que foi muito bem nas danceterias e rádios brasileiras, além de entrar para a trilha sonora de uma novela global chamada "Corpo Dourado".
Houve uma compilação para essa novela com "How Do I Live" no repertório, mas tivemos também outras coletâneas trazendo esta linda track, como "Dancenet Hits", "As 14 + Do Brasil", "H - Love Hits", e etc.
Nessa época, além da versão original e da versão cantada por Debra Michaels, houve ainda uma outra interpretada pelo projeto britânico Rochelle (do selo Almighty Records), quem lembra? Saiu pela Paradoxx Music em vários CDs... mas aqui no Brasil - merecidamente - a versão da Debra foi a mais popular de todas, até mais mesmo que a original!!!
Muitas vezes o DJ estava tocando uma certa música que nem sequer estava agradando o público, mas quando ele colocava "How Do I Live" de Debra Michaels, você avistava o grande diferencial e sentia toda a empolgação na pista. Literalmente você assistia muitos braços sendo levantados, olhos brilhando ao reconhecer aquela harmonia sendo construída, e sorrisos eram lançados quando o DJ abaixava o volume, para que todos pudessem cantar juntos o vibrante refrão. Isso que era curtir uma noite nos anos 90! Isso que era se sentir dentro da música e fazer parte de uma festa!!!
Mas, e Debra Michaels? Quem é ela?
Ela fez um grande sucesso em 1998, porém não tínhamos nenhum conhecimento sobre a imagem da artista, e também não sabíamos se ela tinha outras músicas, e tal...
Quem era essa cantora, afinal?
Debra Michaels foi uma cantora de Dance Music dos anos 90, mais centrada na vertente Freestyle — um estilo que foi muito ouvido nos EUA (podemos citar outras estrelas do gênero que agradaram bastante os americanos, como Angelina, Laura Martinez, Lina Santiago, Katalina...).
Não há muitas informações disponíveis sobre Debra, mas hoje finalmente vamos resolver essa questão e trazer aos leitores informações realmente relevantes sobre a trajetória desta talentosa artista. Sabía-se apenas que ela assinou um contrato com a gravadora americana Robbins Entertainment e lançou dois singles, um em 1997 e outro em 1998.
Bom, vamos lá. Em 1997, Debra lançou o seu primeiro single, "How Do I Live", que fez algum sucesso nos EUA, sendo que aqui no Brasil essa faixa alcançou uma popularidade ainda maior. Aqui no Brasil, como citado acima, foi a BMG que distribuiu "How Do I Live" aos DJs, programadores de rádios e diversas coletâneas, garantindo o seu auge perante ao público brasileiro.
No mesmo ano, Debra Michaels também gravou a música "Foolish Games" do projeto Jem. Essa segunda música foi lançada no Brasil pela Paradoxx Music, mas, apesar de entrar em algumas coletâneas (como "Special Reserve Vol.2"), não foi muito conhecida e, até hoje, segue sendo uma faixa bem obscura.
"Foolish Games" foi produzida pelos mesmos produtores da bem sucedida "How Do I Live", embora não repetindo nem de longe o mesmo sucesso.
Em 1998, uma luz no fim do túnel foi lançada quando saiu um novo trabalho da cantora - "Don't You Wanna Fly?", um freestyle-eletro que trazia em sua capa o rosto de uma moça loira. Seria ela, a vocalista?
A música tocou muito pouco nas noites e apenas em alguns programas de mixagens (lembro até hoje, quando estreou no "Super Pista" da Radio Educadora FM - Campinas SP- sendo uma indicação do DJ Carlinhos), mas, depois do fraco desempenho de "Don't You Wanna Fly?" constatamos que a cantora desapareceu e não nos trouxe mais novidades...
ENTREVISTA COM DEBRA MICHAELS
Bom, nada melhor que a própria cantora para nos responder algumas dúvidas e dizer mais sobre a sua enigmática trajetória, certo? Então, fiquem com ela, a vocalista que causou fascínio e levou magia os clubs naquele ano de 1998:
"Como eu irei viver sem você?"
1) Rikardo: Em que cidade e país você nasceu, Debra?
Debra Michaels: Eu nasci na Filadélfia, PA, nos EUA.
2) Rikardo: Sua voz é muito contagiante e linda. Como você começou a cantar?
Debra Michaels: Tudo começou aos 4 anos de idade, eu sempre cantei com meus avós, tínhamos um grupo musical e viajávamos pela comunidade se apresentando em reuniões de idosos e asilos. Isso me ajudou muito a cantar como uma adulta, ao invés de soar como uma garotinha, e colaborou com que eu colocasse mais alma e emoção em meus vocais.
3) Rikardo: Seus pais a incentivaram a seguir a carreira artística?
Debra Michaels: Sim, eles me ajudaram desde cedo e estive até na Broadway, no Alvin Theatre, no musical “Annie”. Eu era um talento-mirim, desempenhei alguns papéis, especialmente no National Tour. Também fiz alguns programas de TV e filmes na minha juventude para obter experiência, assim como estive num programa chamado "The Al Albert's Show" (um programa divertido de variedades para a família). Foi onde passei grande parte da minha juventude atuando na TV. Todas as quartas-feiras à noite, filmávamos para as exibições na manhã de domingo. Foi uma ótima experiência. Também me apresentei no cruzeiro "Walt Disney Cruise Line - Premier Cruises", no navio Majestic, por 7 dias por semana durante meses. Eu também estive em “Star Search” e “Big Break” de Natalie Cole, e foi aí que então comecei a gravar demos para artistas novos e conhecidos. Eu realmente ganhei muita experiência até gravar “How Do I Live”, e estava preparada!
4) Rikardo: Você cantou a regravação de “How Do I Live”, que foi muito bem nas FMs e Club's. Como você teve a ideia de regravar essa balada romântica de LeAnn Rimes?
Debra Michaels: Na verdade, eu fui escolhida para cantá-la como uma demo para a cantora de freestyle Rockell, mas acho que fiz um ótimo trabalho com essa demo, e Cory Robbins me contratou para a Robbins Entertainment, num contrato que dizia ter um possível segundo single. Não tive tempo nem para revisar meu contrato. Foi enviado por fax no mesmo dia em que gravei “How Do I Live” e tive que assiná-lo. Meu empresário, na época, estava na costa oeste, era uma bagunça! Tudo aconteceu tão rápido que não tive tempo nem de tirar uma foto para a capa do single, então alguns blocos coloridos e um ponto de interrogação (?) se tornaram a capa de "How Do I Live". A música foi lançada dois dias depois, e nas rádios após mais dois dias.
5) Rikardo: No Brasil, “How Do I Live” também foi trilha sonora de uma famosa novela (“Corpo Dourado”). Você sabia desse sucesso aqui no Brasil?
Debra Michaels: Eu não estava nem um pouco ciente disso. Estou muito feliz em saber disso agora!
Adam Marano produziu ainda em 2005 três faixas para o disco Crazy Frog – "Crazy Hits", além de uma enxurrada de lançamentos de Dance Music, Freestyles e etc...
6) Rikardo: Quais artistas você gosta de ouvir? E quais artistas te influenciaram a cantar?
Debra Michaels: Naquela época eu diria Donna Summer, Whitney Houston, Mariah Carey, Barbra Streisand, Cher, Judy Garland, Patti Labelle, Toni Braxton, Regina Belle, Teena Marie, Sheena Easton, Taylor Dayne e muito mais.
7) Rikardo: Na Dance Music, muitos vocalistas gravavam nos estúdios mas não mostravam seus rostos nas performances e nas capas dos discos ... Os produtores colocavam modelos para fazer sincronismo labial ... o que você acha dessa prática?
Debra Michaels: É horrível isso, mas infelizmente ainda continua...e é muito triste, sabe? O público é enganado por falsos cantores há muito tempo...
8) Rikardo: Qual é a sua maior lembrança de “How Do I Live”?
Debra Michaels: Foi quando eu abri o show para o *NSYNC para a estação de rádio de minha cidade natal (Q102), foi o grande show "Monster" de primavera, na frente de 25.000 pessoas!
Nessa época, eles estavam no topo das paradas.
Crédito da imagem: Facebook de Debra Michaels
9) Rikardo: Nessa época, eu lembro que eles estavam super estourados com "I Want You Back", que tocava muito nos club's e rádios, e era o primeiro dos muitos sucessos do *NSYNC que vieram depois...retrata muito bem o ano de 1998. Mas você, depois de “How Do I Live” lançou um freestyle chamado “Don't You Wanna Fly?” ... Como foi o processo de produção desse single ??
Debra Michaels: Foi incrível! Os produtores eram mundialmente conhecidos e residiam na Inglaterra, eram chamados de Cosgrove/Clark Productions. Eles apoiaram muito a minha voz de 5 oitavas e também produziram para mim algumas dance musics que ficaram excelentes, mas que nunca foram lançadas porque a minha gravadora estava pagando para um outro produtor produzir minhas faixas, e essas depois também nunca viram a luz do dia.
10) Rikardo: Você trabalhou com o produtor Adam Marano, como foi trabalhar com ele?
Debra Michaels: Ele era um compositor e produtor muito profissional de dance music naquela época. Honestamente, eu aprendi alguma coisa? Não, mas ele teve muitos sucessos, principalmente no gênero Freestyle.
Crédito da imagem: Facebook de Debra Michaels
11) Rikardo: Como foi trabalhar com o selo Robbins Entertainment? Eles sempre a apoiavam quando você precisava? Ou houve alguma música que eles não queriam lançar?
Debra Michaels: Hmm ... agora estamos chegando na parte mais particular da questão lol. A Robbins deu muito apoio para “How Do I Live” como para qualquer outra faixa... nessa época, quando “How Do I Live” de LeAnn Rimes foi um hit nacional, eu já tinha uma versão dance muito poderosa e muito amada que estava subindo rapidamente nas paradas, então a gravadora viu que eu ia fazer um verdadeiro hit e eles contrataram um remixer bem conhecido no mercado de dance. Eles conseguiram também um grande anúncio na rádio quando eu estava impactando. Essa foi a nossa corrida com "How Do I Live". Se a Robbins não tivesse lançado a sua versão dance, poderíamos estar tendo uma conversa muito diferente agora. Ainda sou muito orgulhosa da versão que gravei e ainda sou muito questionada sobre.
12) Rikardo: Debra, que música você lançou depois de “Don't You Wanna Fly?”? Por que demorou tanto para acontecer?
Debra Michaels: Hmm ... Chama-se “Voices” e é sobre a conscientização da nossa saúde mental e prevenção do suicídio. Eu tinha acabado de perder meu noivo naquela época para o suicídio. Ele não foi diagnosticado por 17 anos e, aos 44, foi diagnosticado com transtorno bipolar e transtorno depressivo. Ele literalmente ouviu vozes dizendo para se matar, e assim, infelizmente o fez depois de 30 tentativas anteriores. A música e o vídeo foram feitos para ajudar, a defender e a educar, mas também para PARAR o estigma referente à saúde mental.
Crédio da imagem: Facebook de Debra Michaels
13) Rikardo: No Brasil sempre ouvíamos a sua voz em rádios e club’s em 1998, mas era difícil conseguir qualquer informação sobre você. O que aconteceu com a cantora Debra Michaels nos últimos anos?
Debra Michaels: Por onde começo??? Já que minha gravadora não apoiou totalmente o segundo single “Don't You Wanna Fly?”, minha gravação naquela época foi completamente interrompida. Minha mãe morreu de câncer no cérebro depois de uma batalha de quase 8 anos e meu pai morreu de um forte derrame. A vida real me atingiu com força, então tive que me virar e cuidar do meu irmão e da minha família. Eu peguei um emprego na área de hospedagem e no ramo de restaurantes, mas continuei cantando e me apresentando por todo o país em eventos corporativos e cassinos com minha banda chamada “The Debra Michaels Project”. Praticamente fiz isso até que gravei "Voices". Depois disso, continuei me apresentando e comecei a trabalhar como treinadora de desempenho vocal em tempo integral.
Em 2017, eu fui diagnosticada com câncer de ovário em estágio inicial e os últimos 3 anos tratei com cirurgias, quimio, medicamentos e fisioterapia. Eu passei também a administrar meu estúdio e minha fundação para saúde mental chamada “Yo Cuz kidz4Cuz Foundation”. Nossa missão é conscientizar sobre a saúde mental, e também enviar sempre uma mensagem positiva através da plataforma de vozes infantis, Kidz4Cuz! É uma vitrine onde dou aos meus alunos a oportunidade de mostrar os seus vocais em diferentes temas e é sempre por uma grande causa.
Crédito da imagem: Facebook pessoal de Debra Michaels
14) Rikardo: Você tem algum sonho que ainda não se tornou realidade?
Debra Michaels: Sim! Eu adoraria voltar a fazer TV e cinema algum dia, e cantar no Apollo Theatre no Harlem, NY. Também quero fazer minha agência de talentos crescer mais ainda, na qual estou trabalhando agora.
15) Rikardo: Quais são seus planos para o futuro?
Debra Michaels: Quero continuar cantando, atuando nos palcos, treinando jovens talentos e representar o talento fenomenal, quando eu o encontrar. Eu ainda fico animada e sei o quanto EU AMO ser mentora de nossas futuras estrelinhas! Eu também ADORARIA fazer uma turnê no Brasil e agradecer à todos vocês por todo o amor e apoio!
16) Rikardo: Muitos DJs brasileiros tocaram “How Do I Live” e “Don't You Wanna Fly?” em Clubs e FMs ... Você poderia deixar um recado para esses profissionais, que acreditaram na força da sua voz?
Debra Michaels: Eu quero enviar um MUITO OBRIGADO de coração!! Sem TODOS VOCÊS, eu não estaria fazendo o que estou fazendo hoje. Eu realmente aprecio todo o amor e apoio de vocês em “How Do I Live”. Tenho muito orgulho da minha voz e dessa oportunidade que me foi dada. Desejo tudo de melhor em saúde, sucesso e prosperidade à vocês! Fiquem protegidos, saudáveis e que Deus os abençoe sempre.
AGRADECIMENTOS:
Espero que vocês tenham gostado de mais um conteúdo exclusivo, com outro artista da cena dance dos anos 90. Debra Michaels foi uma artista representada aqui no Brasil pela gravadora BMG, e seu estilo estava mais próximo do freestyle, um estilo de Dance Music que se destacava bastante nos EUA, até mais que o Eurodance.
Debra Michaels trabalhou com o produtor Adam Marano em outros projetos também, como Jem – "Foolish Games" (faixa com a mesma base de "How Do I Live", porém, licenciada desta vez pela Paradoxx Music).
O meu Muito Obrigado à Debra Michaels, por seu tempo cedido, à sua atenção e toda a sua imensa gentileza!! Foi emocionante conhecer a sua história de superação e toda a sua trajetória dentro da música. Obrigado, Debra!
Abraços à todos!
Para ler matéria sobre JACKIE RAWE, clique no link abaixo:
https://rikardomusic.blogspot.com/2025/12/jackie-rawe-i-believe-in-dreams-historia.html
terça-feira, 25 de maio de 2021
MORRE JOHN DAVIS DO MILLI VANILLI, UM DOS VOCALISTAS REAIS
Todo mundo conhece um pouco da história do grupo Milli Vanilli, famoso por ser uma das maiores farsas da música mundial.
Depois de 31 anos que o grupo ganhou o Grammy de "Melhor Artista Revelação" (tendo que devolvê-lo após a descoberta de fraude), um de seus verdadeiros vocalistas, John Davis, infelizmente veio a falecer nessa noite (24/05/2021).
Sua filha, Jasmin, informou o triste ocorrido através de uma postagem no facebook do cantor:
"Aqui é a Jasmin, filha de John. Infelizmente meu pai faleceu nesta noite por causa do coronavírus. Ele fez muita gente feliz com seu sorriso, espírito alegre, amor e principalmente através de sua música. Ele deu tanto para o mundo! Por favor, dê a ele a última salva de palmas. Sentiremos muita falta dele ♥ ️ ♥ ️"
Johnny Davis Lewis foi um grande vocalista, além de compositor e baixista. Nascido nos Estados Unidos, na Carolina do Sul, ele se destacou musicalmente na Alemanha quando começou a cantar por trás do Milli Vanilli. Antes ainda, ele chegou a gravar vários discos sob diferentes nomes e em muitos grupos.
John Davis também tocou e cantou com diversas estrelas do showbusiness, como Luther Vandross, Babyface (produtor de Toni Braxton), Eric Burdon, Robin Beck, Uwe Ochsenknecht, Marianne Rosenberg, Sasha e muitos outros.
RELEMBRE A HISTÓRIA DO MILLI VANILLI - A MAIOR FARSA DA MÚSICA
A ideia de colocar modelos para dublar as músicas cantadas por John Davis, Charles Shaw e Brad Howell (os verdadeiros artistas do Milli Vanilli) partiu do próprio produtor Frank Farian, que gostou do visual da dupla Robert Pilatus e Fabrice Morvan, transformando-os em componentes visuais do polêmico grupo de pop-dance.
Mas.. se eles cantavam alguma coisa?? Não cantavam uma nota sequer! Eram como Sannie Carlson do Whigfield, ou Olga de Souza do Corona, que vieram anos depois com esse mesmo propósito: fingir aos fãs e decorar palcos e capas de CDs.
O MAIOR CULPADO É FRANK FARIAN
O controverso produtor Frank Farian já havia feito sucesso com um outro grupo dançante nos anos 70: Boney M. Ele era experiente nessa prática de "enganar" o público com falsos cantores, e o próprio Boney M era interpretado por artistas nos estúdios, porém, nos palcos eram os modelos performáticos que faziam o show acontecer.
Boney M lucrou com 100 milhões de discos vendidos, graças a boa qualidade das músicas e também pelo físico e gingado dos membros decorativos, os “cantores” que o público tanto se simpatizou.
Devido à este grande sucesso de Boney M, Frank Farian continuou apostando nessa prática, nascendo então, anos depois, o Milli Vanilli (embora ele tenha produzido, ao longo de sua carreira, gente também talentosa, como La Bouche, No Mercy, Jayne Collins...)
"GIRL YOU KNOW IT'S TRUE" FOI O PRIMEIRO SUCESSO MUNDIAL DO MILLI VANILLI
Os performáticos Fab Morvan e Rob Pilatus já eram conhecidos nos clubs em Munique, por seu estilo chamativo e por seguirem a tendência fashion da época, além de serem dançarinos oficiais da cantora Sabrina (simbolo sexual da Italo Disco dos anos 80).
Então Frank Farian viu uma dessas apresentações e se interessou pela dupla. O produtor pediu à eles que fizessem algumas performances em discotecas com a finalidade de apresentar ao público a sua mais recente produção...
A música? "Girl You Know It’s True"!!
Sim, um hino até hoje, e que já estava pronta e gravada, apenas esperando por alguém com uma boa imagem para representá-la:
A dupla de modelos passou o ano de 1988 promovendo a canção em discotecas e casas de shows, até levá-la ao topo dos charts de 14 países, além de atingir o #1 na Alemanha, Áustria e Espanha.
Frank Farian, o idealizador da farsa, ganhou milhões com o Milli Vanilli, e a canção "Girl You Know It’s True" foi lançada nos Estados Unidos em janeiro de 1989, tendo um grande sucesso comercial. Pronto, não tinha mais como voltar atrás e desmentir, pois todos já estavam encantados com os talentos vocais e com as performances da dupla.
Mesmo com algumas desconfianças vindo à tona (devido ao sotaque da dupla, além de nunca cantarem ao vivo), os novos singles foram sendo lançados, como "Baby Don’t Forget My Number", "Girl I’m Gonna Miss You" e "Blame It On The Rain".
Eram poucas as pessoas que estavam se atentando à essas pequenas divergências...a maioria estava embalada no sucesso e no visual da dupla, que conseguia convencer a grande massa.
E é aí que eles foram impulsionados a iniciar uma turnê americana, onde ocorreu o grande e fatal erro...
MILLI VANILLI: DA ASCENSÃO À QUEDA
Enquanto a dupla performava a gravação de "Girl You Know It’s True", o CD enroscou e começou a tocar repetidamente apenas o trecho “Girl, you know it’s”. Desesperado e sem saber o que fazer, Rob deixou o palco correndo, diante de um público de 80.000 pessoas, numa ironia perfeita: o CD enroscou justamente antes da palavra “true” (verdade):
Depois dessa "tragédia", Charles Shaw (um dos artistas reais do Milli Vanilli) começou a espalhar entre os jornalistas que ele era o rapper original de "Girl You Know It’s True", com isso, depois desse playback desastroso, ainda tiveram que enfrentar essas acusações de Charles Shaw... Iniciava então, o pesadelo na vida dos modelos do Milli Vanilli.
Logo depois de pagar 140.000 euros para esse rapper manter a boca fechada, Farian deu uma entrevista coletiva e resolveu contar toda a verdade, que Pilatus e Morvan eram somente os modelos que dublavam no Milli Vanilli, e que os cantores reais não apareciam.
Frank Farian ainda tentou justificar (de maneira desleal e incoerente), dizendo que Madonna, Janet Jackson, Village People, entre outros popstars também faziam playback e que isso era normal, mas todos esses artistas citados usavam de suas vozes nos estúdios...podiam fazer playback nos shows sim, com a finalidade de entregar coreografias impecáveis à plateia, mas estes artistas cantavam de verdade em seus discos, ao contrário de Pilatus e Morvan.
A verdade é que Frank Farian tentou ser fraudulento até em suas justificativas! Apresentou um argumento de má fé, duvidoso, e acusando até mesmo outros artistas, que nada tinham a ver com aquele escândalo que ele próprio criou.
Outro fato que chamou a atenção na época, é que muitos fãs processaram o Milli Vanilli nos tribunais, exigindo a devolução de seu dinheiro gasto com discos, ingressos de shows e produtos de merchandising (e aqui no Brasil vemos fãs de modelos ameaçando de processar cidadãos honestos, rsrs literamente, o famoso "poste mijando no cachorro", rs).
Pilatus e Morvan ficaram com a eterna fama de mentirosos e enganadores, mas havia todo um esquema por de trás envolvendo muitas pessoas, não somente a dupla. Os dois afirmavam que, além de Frank Farian, todos da gravadora Arista sabiam da mentira, incluindo o seu presidente, Clive Davis.
Depois de tanto vexame e de carregarem toda a culpa sozinhos, a dupla de dançarinos tentou voltar à música, e desta vez cantando de verdade sob o nome artístico de Rob e Fab. O disco foi lançado em 1993, mas foi um grande fracasso, vendendo apenas 2.000 cópias. Afinal, quem iria acreditar neles depois de tudo? (aqui no Brasil sim, existem fãs de modelos, mas lá fora o pessoal é mais exigente...).
Já o produtor Frank Farian, ele também quis continuar lucrando e trouxe ao público The Real Milli Vanilli, com os vocalistas originais (Brad Howell e John Davis) mas que também foram super rejeitados pelo público.
É aquela velha história de "Pedro E O Lobo"... justo quando as pessoas se cansam de acreditar nas mentiras de Pedrinho, o Lobo resolve aparecer de verdade... E aí? Como Pedrinho faz para convencer as pessoas, que agora ele está dizendo a verdade??
E no caso de Frank Farian? Será que ele ainda continuava com algumas mentiras? Surpreendentemente sim... Acontece que as capas dos discos do "Real Milli Vanilli", e até no relançamento do 1º álbum, informavam que a backing vocal das músicas era Gina Mohammed, mas essa garota não cantou uma nota sequer nestas gravações.
"Frank Farian havia contratado Gina Mohammed para substituir Linda Rocco e Jodie Rocco, pela etnia. Frank queria fazer um grupo inteiro de negros apenas. Porém, o segundo álbum já estava pronto quando Gina se juntou ao projeto. Tudo o que ela fez foi dublar as vozes da Linda e Jodie, ou cantar sobre as vozes delas e receber os créditos por algo que ela nunca fez parte. Não sabemos porque creditaram ela no CD, sendo que no primeiro lançamento do álbum (em 1988) o nome dela não aparece nos créditos dos vocais, no entanto o nome de Linda e Jodie estão presentes. Gina nem era parte do grupo quando o primeiro álbum foi gravado e ela ainda recebeu créditos como uma das vocalistas...isso é ridículo".
Informou o fã, Miguel Santos.
Devemos ressaltar que Gina Mohammed é cantora realmente, não só uma modelo como Pilatus, Fab, Olga de Souza, Sannie e tantos outros que não gravavam nada na Euro-pop. Gina é uma boa artista, gravou alguns singles famosos e que são bem conhecidos pelos fãs de eurodance... O problema é ela mentir sobre isso até os dias atuais e confirmar que gravou no Milli Vanilli, sendo que não é verdade (provavelmente faz isso para pegar carona e visibilidade no meio dessa polêmica, que é uma verdadeira vitrine para ela). Você pode ouvir a voz real de Gina Mohammed no projeto de eurodance Loft, por exemplo.
No Milli Vanilli, Gina Mohammed não gravou nenhuma música embora tenha sido creditada por ser "a negra do grupo". A cantora também gravou em sua carreira solo, procure e ouça: Gina Mohammed - "Love Is All I See".
LINDA ROCCO SOBRE JOHN DAVIS
Linda Rocco, que também fez inúmeros trabalhos musicais (e até foi vocalista do Masterboy entre 1996/1998), escreveu em seu facebook um triste pesar sobre o falecimento de John Davis:
"Hoje acordei com a triste notícia de que meu amigo e colega Johnny Davis havia morrido. Estou chocada e profundamente triste com esta notícia. Minhas sinceras condolências para a sua filha Jasmin e toda a família. Conheci Johnny muito antes de fazermos Milli Vanilli juntos. Sempre achei que ele era o cara mais legal. A última vez que o vi foi quando fomos entrevistados por Oprah Winfrey, sobre nossos papéis no Milli Vanilli, há alguns anos. Ele deixou a sua marca na história da música "Girl I´m Gonna Miss You" que fizemos juntos com a minha irmã gêmea Jodie. Descanse em paz Johnny." - Linda Rocco
O DESTINO DOS MODELOS
Sobre os modelos do grupo, depois de tantas decepções e de carreiras arruinadas, uma fatalidade acontecia com um dos personagens centrais desta instigante história.
Pilatus morreu em abril de 1998, aos seus 32 anos de idade, num hotel de Frankfurt por uma overdose de tranquilizantes misturados com álcool. Aparentemente Pilatus não soube lidar com o fracasso e com o desprezo que recebeu após o escândalo se tornar público... Deve ter sido doloroso e traumatizante para ele, sair do mundo do glamour e da fama para se tornar numa das maiores piadas mundiais. Ele, inclusive, já havia se autoproclamado à revista Time como mais talentoso que os astros Bob Dylan, Mick Jagger e Elvis Presley. Então, imaginem a cobrança e a vergonha em cima do modelo depois que toda a verdade veio à tona...
Já Fab Morvan se aprimorou no canto e atualmente canta muito bem, além de atuar também como DJ. Ele ainda fez shows (ao vivo) em parceria com John Davis, com o nome de "Face Meets Voice: A True Milli Vanilli Experience" ("O Rosto se encontra com a Voz: uma autêntica experiência Milli Vanilli").
Morvan soube conduzir muito bem a sua carreira - apesar das dificuldades- , usando de toda essa fama negativa como aprendizado. Ele até deu palestras motivacionais para as pessoas "não desistirem, apesar de seus problemas".
Confiram o belo espetáculo "Face Meets Voice: A True Milli Vanilli Experience" (realizado em janeiro de 2020), com a dupla John Davis e Fab Morvan:





















