sábado, 18 de abril de 2026

CAPPELLA - GIANFRANCO BORTOLOTTI DETONA KELLY OVERETT

 CAPPELLA - A HISTÓRIA DO POLÊMICO PROJETO ITALIANO DE DANCE/HOUSE 


Hoje vamos dissertar sobre o projeto Cappella, um dos nomes mais emblemáticos e conhecidos da indústria da Dance Music dos anos 90. Seu nome é sinônimo de sucesso, popularidade e de muita música dançante de qualidade, por isso creio que não há nenhum fã de Dance Music que não conheça ou não goste deste grande ato do gênero. O propósito deste artigo não é apenas exaltar o ótimo trabalho do Cappella (pois muitas páginas já fazem/fizeram isso), mas também em ressaltar o outro lado mais obscuro, sem denegrir, sem inventar fatos e sem querer causar sensacionalismo. Apenas os fatos. Apenas a imparcialidade. Apenas o que não está escrito "por aí". Boa leitura para quem fica!

O produtor/fundador do Cappella é Gianfranco Bortolotti, um músico italiano que fundou em 1986 a icônica Media Records   uma gravadora importante do segmento House/Eurodance e que popularizou diversos singles deste gênero, como as produções dos ícones Club House49ersGigi D'AGostino, e claro, o fenômeno Cappella.

Sobre o Cappella, este é um dos projetos italianos mais conhecidos e controversos da Eurodance, sempre lembrado principalmente por seus hits poderosos — como "U Got 2 Know" e "U Got 2 Let The Music"  mas, também por seu método "Milli Vanilli" em suas apresentações ao vivo.

Pois é, o verdadeiro seguidor da Eurodance já conhece essa prática duvidosa envolvendo o Cappella há muitos anos, no entanto, só agora que o projeto assumiu isso oficialmente. Tudo foi parar no "ventilador" devido a um atrito interno envolvendo os direitos autorais da marca, que vem sendo utilizado de maneira indevida pela modelo Kelly Overett. O produtor e criador do Cappella, Gianfranco Bortolotti, veio a público e se pronunciou dizendo que Kelly Overett só foi uma modelo contratada para atuar nos palcos, e que ela está desrespeitando todos os envolvidos que contribuíram com a marca enquanto ainda se apresenta como uma "vocalista" que ela nunca foi.

O Cappella (assim como Whigfield, Corona, J.K. e tantos outros projetos) trazia uma bela frontlady em suas apresentações ao vivo, videoclipes e capas de discos, mas "por debaixo dos panos" continha sempre vozes de outras pessoas, ou até mesmo vozes retiradas de outras músicas já existentes. Dá para acreditar nisso? Essa loira não apenas dublava os cantores de estúdio, mas também samples vocais (!). [Isso que é gostar de subestimar o seu público...]

Enquanto Kurt Cobain do Nirvana, Eddie Vedder do Pearl Jam, e as garotas do L7 botavam pra quebrar no Rock dos anos 90, a Kelly Overett fazia playback junto com Sannie do Whigfield e Olga de Souza do Corona, representando a Eurodance como fraude e fazendo os críticos detestarem ainda mais o gênero (que já nunca foi muito querido pela imprensa).

Nos bastidores era aquele velho procedimento: Gianfranco Bortolotti chamava sempre cantores profissionais para gravar suas famosas produções, enquanto que Kelly Overett foi contratada apenas "enfeitar" visualmente o projeto, e assim ela esteve atuando de 1993 até 1995. A surpresa maior foi saber que Kelly retornou recentemente a se apresentar "cantando" as músicas do Cappella sem nenhuma autorização, e assim, causando atuais dores de cabeça no "the boss". 

Apenas para ficar claro, Kelly Overett não tem a permissão para continuar se apresentando como uma integrante oficial, porém, mesmo assim ela tem atuado de maneira desrespeitosa em diversos festivais pela Europa. Resumindo: a mulher não quer mais largar o osso! Para piorar, Kelly Overett ainda tem recebido algum espaço por parte da imprensa "desavisada" e reclamado que não recebeu uma divisão de lucros justa pelas vendagens dos discos. Ou seja, Kelly Overett mais uma vez visa o oportunismo ao requisitar ganhos financeiros por algo que não exerceu, afinal, ela nunca gravou música alguma para o projeto que a lançou. 

Kelly continua muito bonita e carismática atualmente, mas infelizmente não é honesta com os fãs em suas redes sociais. Ela disse algumas vezes que gravou os famosos trechos vocais do Cappella e que estes foram mixados com as vozes originais dos artistas, porém essa é mais uma mentira, é mais um jogo sujo com a intenção de surfar em talentos alheios e em depreciar as limitações cognitivas do fã da Eurodance. Kelly Overett quer confundir os fãs para abocanhar um legado de "cantora" da qual ela nunca foi. A bela garota foi paga para apenas dançar e dublar no Cappella, e ela fez isso em apenas dezenove meses (1993-1995).

Para entendermos essa história, é melhor recapitularmos um pouco no tempo e darmos os devidos créditos aos verdadeiros artistas do Cappella. Vamos lá?

O Cappella é um projeto espetacular, altamente dançante e que lançou músicas lendárias que marcaram os anos 90, e esse tipo de produção "farsa" não oculta todo o trabalho brilhante que eles fizeram ao longo de sua trajetória, no entanto, o legado do grupo precisa ser recontado às próximas gerações com base na verdade. A verdade não pode ser maquiada!

Para começar, o Cappella nem deve ser levado tão a sério assim, devido tamanha bagunça que é o seu histórico de membros que já entraram e saíram, além da inserção de modelos que apenas dublavam —  algo que desrespeita totalmente o público que paga ingressos para ver os artistas. O negócio é apenas curtir e dançar as músicas, nada além disso. 

O Cappella ganhou vida em 1987 e não tinha muitas pretensões. Seu single de estreia "Bauhaus" foi lançado em 1988 (na Espanha e Alemanha saiu escrito "Capella" na capa do vinil - com apenas um "P") e também foi distribuído com um segundo título, "Push The Beat" [mas é a mesmíssima música].

Assim como nos demais primeiros singles do Cappella, este aqui não tem nenhum vocalista dedicado. Todas as vozes que ouvimos são de samples vocais retirados de várias músicas antigas. Uma outra  curiosidade, é que Lee Marrow foi um dos colaboradores de "Bauhaus" (pegar samples de outras produções é com ele mesmo!). Este single foi lançado em conjunto com a Discomagic, uma outra mitológica gravadora de Italo Dance que marcou o segmento;

-"Helyom Halib" (1988) foi o segundo single do Cappella, também lançado em 1988. Mais samples foram encaixados neste House italiano que fez um relativo sucesso nas pistas européias. Foi gravado um videoclipe que focava num dançarino masculino chamado Ettore Foresti — o primeiro modelo utilizado como imagem para diversas produções de Gianfranco Bortolotti, como os projetos Superbowl, G.G. Near e aqui no Cappella em seus primeiros anos. 

-"House Energy Revenge" (1989) foi o terceiro single do Cappella. Ettore Foresti dubla agora o sample de "I've Got Your Pleasure Control" do Simon Harris. Atualmente, o modelo continua trabalhando como dançarino em Milão (Itália), mas é tranquilo, aparenta lucidez/ sensatez e nunca quis provar para o público que cantou música alguma.

-"Get Out Of My Case" (1989) foi o quarto single e segue a mesma levada House italiana que ouvimos nos singles anteriores. O vocal masculino cantando "Everybody listen to me" foi retirado de Electra - "Jibaro" (que por sua vez é uma regravação da música original de 1974 de Elkin & Nelson). Em 1990, o Cappella relançou este mesmo single, mas com um outro título - "Everybody Listen To It", talvez numa tentativa de abranger mais ainda o seu sucesso.

No ano de 1989 foi lançado o primeiro álbum do Cappella – "Helyom Halib", que traz os singles citados acima, além de "Be Master In One's Own House", sendo a quinta faixa inédita de trabalho desta Era oitentista do Cappella. Confira a track-list deste primeiro álbum:


1 Helyom Halib 3:48

2 House Of Al-Kalì 3:42

3 Be Master In One's Own House 3:36

4 House Energy Revenge 3:43

5 Push The Beat-Bauhaus 3:47

6 Get Out Of My Case 3:37

7 The Rotation Of The House 4:06

8 Helyom Halib (Remix) 4:40

9 House Energy Revenge (Remix) 4:02


Carl Fanini gravou com sua voz a faixa "Everybody" para o Cappella (versão remix)

Em 1991 o Cappella retornou com novos trabalhos, mas o modelo Ettore Foresti deixou de acompanhar o grupo. Um dos novos sons apresentados foi "Everybody", que na versão de DJ Sasha ("Hypnotic Cyber Mix") traz alguns samples interessantes de "Gonna Make You Sweat" do C&C Music Factory. Neste mesmo single há também versões com Carl Fanini nos vocais, o cantor original do projeto East Side Beat, então, é sensato dizer que Carl Fanini (creditado aqui como Carl K.) foi o primeiro vocalista a trabalhar nos estúdios da Media Records para o Cappella.


Loleatta Holloway passou a ser rejeitada por sua gravadora, que não queria lançar mais seus álbuns. Por outro lado, a sua voz foi parar em alguns projetos de Italo-House e fez o maior sucesso com lindas modelos dublando-a


Em 1991 tivemos o single de Cappella With Loleatta Holloway"Take Me Away", que como podemos ver, evidencia o nome da verdadeira artista: Loletta Holloway (falecida em 2011). 

Loleatta Holloway foi uma cantora muito talentosa que gravou vários álbuns nas décadas de 70, contudo, nos anos 80 a gravadora parou de lançar seus discos, focando apenas em alguns singles dela. De repente, muitos destes seus singles foram adaptados por alguns produtores de House Music, como ouvimos no projeto italiano Black Box, este que, sampleou seus vocais do hit de 1980 "Love Sensation" para a faixa estrondosa "Ride On Time" (1989). A voz de Loleatta foi inicialmente usada ​​sem crédito pelo Black Box, então ela os processou e os venceu nos tribunais. No Cappella, Lolleatta Holloway foi sampleada também através da mesma faixa "Love Sensation" (1980), porém, foi creditada explicitamente por todos os meios possíveis [os produtores do Cappella ficaram extremamente receosos, devido ao recente escândalo envolvendo o Black Box].

Interessante que, devido ao sucesso do grupo Cappella, o produtor Gianfranco Bortolotti resolveu criar um outro grupo parecido no mesmo gênero musical e que levava um nome "derivado": Anticappella. Lembro que, nos anos 90 conheci este grupo e no mesmo instante me lembrei do Cappella. Era como um peça de publicidade de um produto para um outro produto. Seu primeiro single foi "2√231", uma instrumental que se tornou um sucesso nas pistas de dança em 1991. 


Xaviera Gold não gravou exatamente para o Cappella, mas a sua voz gravada para Ralphi Rosario foi sampleada pelos produtores do Cappella

Mas voltando ao Cappella, um dos maiores sucessos do projeto surgiu em 1992: "U Got 2 Know". Tinha algo ali na sonoridade que tornava o Cappella mais atual e que flertava com o jovem clubber dos anos 90. Com certeza, a base sonora mais moderna e a presença do rapper MC Fixx-It ajudou a diferenciar bastante essa fase noventista daquele velho som Italo iniciado em 1988. 

Nessa época, o projeto ainda contratou uma cantora chamada Anna Ross  que realmente cantava ao vivo  para algumas performances do Cappella, porém, o vocal original que ouvimos é da vocalista Xaviera Gold, sendo um sample vocal retirado da música "You Used To Hold Me" de Ralphi Rosario.  

Depois, o Cappella resolveu apostar na mesma fórmula e trouxe novamente o rapper MC-Fixx-It, que chegou a fazer algumas apresentações ao vivo lá no início do Cappella, mas logo ele foi substituído pelo modelo Rod Bishop. O rapper MC-Fixx-It é conhecido também pelo seu nome original Ricardo Overman, e a música da vez que ganhou uma nova participação dele foi a explosiva "U Got 2 Let The Music", lançada em 1993 e tornando-se um dos maiores triunfos do Cappella. 


O sorriso do talentoso rapper MC-Fixx-It (Ricardo Overman) e o olhar "sedutor" do modelo que aparecia nos vídeos, capas de discos e shows. A galera foi muito "lograda" nos anos 90!

Apesar da atualização para a dance music da época, o Cappella ainda continuava investindo em samples de outras faixas clássicas, e por isso ouvimos também a melodia de Alphaville - "Sounds Like A Melody", além de um trecho vocal principal da música de J.M. Silk - "Let The Music Take Control". [trecho que se tornou o famoso refrão de "U Got 2 Let The Music"]

Foi nessa fase de ouro do Cappella, de 1993, que Kelly Overett foi contratada para atuar visualmente no projeto. Ou seja, Kelly Overett dublava a voz de um homem (!), visto que o verdadeiro vocalista do refrão de "U Got 2 Let The Music" é  Keith Nunnally —  que foi um cantor e compositor real do projeto J.M. Silk [Infelizmente ele faleceu no último 7 de setembro, 2025].


A voz que ouvimos no mega-hit do Cappella "U Got 2 Let The Music" é do cantor Keith Nunnally. Kelly apenas dublou o cara...

Antes de ser descoberta pelos produtores do Cappella, Kelly Overett apenas dançava e enfeitava com sua notável beleza em vários programas de TV. Posteriormente, ela ficou conhecida como uma dançarina de um grupo chamado SL2, e depois, foi notada por Gianfranco Bortolotti e levada ao Cappella. E na minha opinião, foi aí que ele deu um dos maiores "tiros no próprio pé"!

De 1993 até 1995, Kelly Overett esteve no Cappella ao lado de Rodney Bishop (o modelo que dublava do rapper original MC-Fixx-It), e juntos eles eram a parte visual do Cappella. Os produtores e toda a equipe estavam cientes disso, é claro! Era um esquema que tomava conta das produções européias, então não há nenhum "santo" ou um único "culpado" no projeto Cappella (e em nenhuma outra produção de Eurodance). Todos sabiam destes remanejamentos e segredos internos, exceto o público, é óbvio!


Eileina Dennis e Vicki Shepard: Duas vocalistas escondidas por tras do sucesso "U & Me"

O próximo single foi "U & Me", lançado em 1994 e sendo uma das faixas favoritas dos fãs. Muito tocada na época, essa obra-prima da Eurodance traz agora os vocais das cantoras Vicki Shepard e Eileina Dennis. O Rap? Novamente ​​dele: MC Fixx It. Aliás, neste mesmo ano o rapper holandês também veio a participar do projeto "familiar" Anticappella - "Move Your Body" (1994), sendo um novo sucesso na cena clubber européia. 

O rapper não aparecia no Cappella, será por que ele era tímido?? Nada disso! Ele fazia muitas aparições físicas no Anticappella, assim como também apareceu em seu projeto solo, também esteve no Twenty 4 Seven (ele participou de um remix de sucesso de 'I Can't Stand No More'), além de algumas performances mais antigas e já citadas do Cappella — antes da entrada de Kelly Overett e Rod Bishop. MC Fixx It estava também a frente de um projeto chamado R'n'G, que conseguiu uma certa popularidade na Alemanha. Ufa! Ele era, na verdade, uma máquina de rimas (continua sendo)!


Jackie Rawe é a cantora verdadeira da música "Move It Up" do Cappella, no entanto, quem ganhou os créditos foi a modelo Kelly Overett

Ainda em 1994, o Cappella lançou um outro single - "Move It Up". Trata-se de uma excelente faixa Dance que conta com a participação vocal da fantástica cantora britânica Jackie Rawe, aquela mesma vocalista de "I Believe in Dreams" que a Paradoxx Music licenciou aqui no Brasil em 1997. Lembrou? Caso não, até escrevi um artigo sobre ela recentemente aqui no Blog...

Quanto as apresentações do Cappella nos palcos, elas eram sempre um arraso! Não tem como escrever o contrário aqui para vocês. Quem relatar que Kelly Overett fazia um péssimo trabalho, está errado, pois ela deu vida às performances do projeto, mostrando realmente a que veio com sua energia surreal que explodia no ar, com muitas coreografias bem ensaiadas e com suas caras e bocas mostrando que ela gostava de estar ali. Kelly Overett tinha carisma, beleza, presença de palco, sabia dançar e arriscava (raramente) cantando ao vivo, se diferenciando das outras modelos da Eurodance que só “mexiam a boca”, tomavam água e iam embora sem dar tchau.


No auge do Cappella, os modelos Kelly Overett e Rod Bishop

Mas, apesar de todo este esforço da bela integrante, Kelly Overett nunca gravou nos estúdios para o Cappella. Sua voz não era boa o suficiente para os profissionais, e Gianfranco Bortolotti sabia muito bem disso, apesar do produtor gostar muito da sua imagem e da energia contagiante que ela levava ao Cappella.

Nos estúdios era totalmente diferente do que assistíamos nos palcos. Uma outra realidade. Chega a ser bizarra a enorme listagem de participações dentro do Cappella, que eram colaborações que ninguém via, só ouvia.


Eileina Dennis é a cantora verdadeira do sucesso "Move On Baby" do Cappella, embora os nossos olhos sempre viam Kelly Overett recebendo toda a atenção e aplausos.

Ok, é sempre interessante essa soma de artistas, principalmente se a lista apresentar artistas competentes e dotados de talentos, mas... é aí também que vem o grande dilema: Como levar um projeto desses a sério se colocam uma mulher e um rapper para dublar todas essas vozes??? Isso é ofender o público na cara dura, pois são tantas vozes explicitamente diferentes, e a modelo Kelly Overett seguia dublando todas essas cantoras mulheres, cantores homens e samples vocais... [rs, rs]

Lembrando ainda que essa falcatrua partiu do roteiro daquela época, e que não foi uma ideia criada pela modelo, vamos esclarecer isso também... pois foi uma criação que surgiu dos próprios mentores do Cappella e tendo uma aprovação de todos os membros.

O que eu quero dizer é o seguinte: Naquela época tudo bem, passou, o mundo muda, as pessoas mudam, mas... Hoje em dia, a pessoa ainda insistir nessas mentiras? Continuar tirando proveito dos fãs e de um projeto que não te pertence? Isso é ridículo! E é aí onde a Kelly Overett erra! 

Ela representou muito bem o Cappella naquela época, mas continuar fingindo que é a cantora até os dias atuais, é um atentado ao bom senso! O que temos visto ultimamente é a modelo/dançarina dando algumas informações falsas, dizendo que regravou as músicas e que a sua voz também está nas produções do projeto... porém, isso é irreal, é invenção, é total falta de respeito e desonestidade! 


Na minha opinião, a imprensa também erra em ceder espaço para que Kelly Overett continue contando suas "ladainhas", pois assim ela ganha combustível e se sente engajada/comprometida para agir de tal forma, afinal, ela tem seu intuito de fazer as pessoas acreditarem que ela gravou com sua voz as músicas do Cappella, sendo que não participou criativamente das produções, não gravou, não produziu, não compôs... Kelly Overett apenas "animou" a plateia como uma animadora de torcida faz, contudo, os campeões do jogo são sempre os verdadeiros artistas e os produtores do projeto. 

Como ouvinte de Eurodance, eu não tenho absolutamente nada contra a modelo, mas essa sua falta de noção e sensatez é bastante incômoda. É nítido que ela segue um roteiro criado em sua cabeça simplesmente para continuar com esse "conto de fadas"... Enfim, deve ser triste não ter um amigo de verdade que tenha a liberdade de olhar para você e dizer: "Olha filhota, pára que tá feio!". Com todo o respeito, mas é constrangedor ver as tentativas dessa senhora em querer transformar uma fantasia em realidade!

Quanto à discografia do Cappella, tivemos uma sequência em andamento; O 2º album "U Got 2 Know" foi lançado em 1994, e atualmente esse título soa também como uma mensagem sublimar aos fãs da época: "Você tem que saber".


"Don't Be Proud" do Cappella contem os vocais de Eileina Dennis, embora ela nunca tenha sido creditada

"Don't Be Proud" foi lançado como single na primavera européia de 1995, sendo o último single com Kelly Overett (também conhecida como Kelly-O-) como integrante do grupo Cappella. Ela se desligou e até iniciou uma carreira solo, que resultou em um único single chamado "Follow Your Heart", uma música que fracassou nas paradas.

Kelly disse na época que o Cappella sempre trabalhava com antecedência e que eles tinham muito material novo guardado em sua sede na Media Records. E olha só, se uma faixa soasse datada (o que não acontece com muita frequência) ou se Gianfranco Bortolotti não gostasse do som de uma música específica, eles ainda tinham uma dúzia de DJs rondando o prédio da Media Records e que podiam dar uma cara nova a faixa. Isso faz parte do conceito de renascimento, do qual tinha muito no projeto. 

Do álbum "U Got 2 Know", apenas quatro faixas foram escritas e gravadas originalmente pelos produtores do Cappella: "Don't Be Proud", "U & Me" (os versos da versão do álbum e apenas o rap), "Move On Baby" e "Move It Up" (As demais faixas são todas de músicas retrabalhadas de outros sons antigos!).

Saiba mais sobre estes trabalhos:

"U & Me"Eileina Dennis cantou os versos, porém, para o refrão, a equipe de produção usou um sample vocal extraído da música "Love Has Changed My Mind" de Vicki Shepard. Ou seja, mais uma voz foi acrescentada para Kelly Overett dublar! [rs, rs]

Uma curiosidade, é que os versos cantados por Eileina Dennis foram removidos da versão single de "U & Me" e dos remixes subsequentes, restando apenas os vocais sampleados de Vicki Shepard, juntamente com o rap de MC Fixx It. Outra curiosidade, é que a cantora Vicki Shepard tentou processar o Cappella por usar seus vocais sem seu consentimento e sem lhe pagar os direitos autorais, no entanto, os tribunais americanos não puderam ajudá-la, pois o single ainda não havia sido lançado nos EUA e o processo não prosseguiu. Vicki Shepard nunca recebeu créditos ou royalties por isso.


A cantora Vicki Shepard ficou indignada ao saber que sua voz foi parar indevidamente na música "U & Me" do Cappella. O talento era dela, mas o reconhecimento do público estava indo para uma outra mulher -  Kelly Overett, que simplesmente a dublava.

"U & Me" acabou sendo um grande sucesso para o Cappella, especialmente em alguns países europeus como a Itália, Holanda e Reino Unido, onde alcançou o top 10. Vicki Shepard, como informado, nunca foi recompensada financeiramente por essa música, e também nunca foi perguntada se poderiam usar a sua voz para tal produção... Simplesmente "roubaram" a sua voz e uma garota qualquer passou a levar todo o crédito, dublando-a no videoclipe e nas apresentações de playback. Injusto, não?

• "Move On Baby" e "Don't Be Proud" foram gravadas pela cantora Eileina Dennis. MC Fixx It era o verdadeiro rapper em todas as músicas deste álbum do Cappella, e se você ouvir com calma a letra do rap de "Move On Baby", o primeiro verso é: "Back in the track, it's me MC Fixx It" (Estou de volta na faixa, sou eu MC Fixx It), mas quem estava no palco dublando isso era o modelo Rodney Bishop, meio que entregando a farsa; [rs,rs]

• "Move It Up" — A versão do álbum conta apenas com os vocais de Jackie Rawe. Para a versão single, foram adicionados também o rap de MC Fixx It, e alguns versos da versão do álbum foram removidos;

• "U Got 2 Know" — Vocais sampleados de "You Used To Hold Me", de Ralphi Rosario. A cantora real é Xaviera Gold.

• "U Got 2 Let The Music" — Vocais sampleados originais do cantor Keith Nunnally, retirados da música "Let The Music Take Control" de JM Silk , além de outros samples como "Moving Power (To The Music)" de Korda , "Dance Now" de Mosaic"Sounds Like A Melody" do Alphaville"Dance To The House" de The House Crew. Ouça todas essas músicas e identifique cada fragmento."U Got 2 Let The Music" é animadíssima, uma das melhores do Cappella e fez um sucesso absurdo nas pistas, porém, a produção é apenas uma colcha de retalhos envolvendo várias vozes sampleadas, e nenhuma delas é a de Kelly Overett. É mole?

• "Everybody" — Contem vocais sampleados de "Sex Machine (Live at Studio 54)" de James Brown. Sim, até o "Mr. Dinamyte" aparece aqui para ser dublado pela modelo Kelly Overett. [Coitado, que decadência!]

• "What I Gotta Do" —  Essa música já havia sido lançada pela gravadora Media Records sob o nome de Antico, ao invés de Cappella. Para preencher o repertório do segundo disco, os produtores fizeram este resgate de 1991 e o inseriram neste álbum de 1994, como se essa fosse uma faixa original do grupo. Vocais sampleados originalmente de "My Family Depends On Me" da cantora Simone

• "Shake Your Body" — Vocais sampleados de "We Got Our Own Thang" de Heavy D. & The Boyz.


Capa do álbum (escandinavo) do Cappella - "U Got 2 Know": Apesar de tantas vozes inseridas de diversos artistas, o Cappella era oficialmente liderado pelos dois modelos/dançarinos: Kelly Overett e Rodney Bishop. E não se esqueçam disso: Nenhum deles cantavam/gravavam.


Sobre a cantora Eileina Dennis, ela é britânica de Birmingham e emprestou a sua voz poderosa para vários sucessos que definiram a Eurodance dos anos 90. Sem dúvidas, Eileina foi uma outra cantora de grande talento escondida pelos produtores do Cappella.

Lembram-se do projeto Chase? Acredito que sim... Então, ela foi a cantora dos primeiros singles deles, como "Take My Soul" (conhecida em solo brasileiro no início de 1995). 

Em 1997, Eileina Dennis gravou também uma música escrita por Annerley Gordon (a real voz do Whigfield) chamada "It Could Be Love", faixa que foi lançada pelo projeto Elektra e que traz ótimas batidas, melodia cativante e interpretação vocal intensa. Vale a pena conhecer o legado e a discografia de Eileina Dennis!


Jackie Rawe gravou para diversos produtores e artistas, além de seus discos solo, como o álbum "My Truth"

Quanto à cantora Jackie Rawe, do sucesso "Move It Up", ela escreveu um relato ao amigo português Miguel Santos:

"Recebi um valor para viajar até a Itália, acho que era Milão, para fazer a gravação para o Cappella, passar a noite lá e voltar no dia seguinte. Os produtores pagaram a passagem aérea, o hotel, a comida e a taxa da sessão de estúdio. Nunca mais vi ou falei com os produtores depois daquele dia.

Não me disseram para que serveria o vocal, nem mesmo depois do lançamento. Só descobri que era eu cantando naquele disco quando alguém que, conhecia a minha voz, a ouviu e me disse que era eu. Obviamente, depois de ouvi-la, eu reconheci que era realmente o meu vocal.

Mas é assim que funciona para um cantor de estúdio, você nem sempre sabe em qual projeto está trabalhando. Além disso, esses produtores poderiam ter decidido que não seria uma faixa para o Cappella, poderiam estar trabalhando em outros projetos e terem atribuído essa música e minha voz para estes. É assim que funciona às vezes, você se surpreenderia. Se a performance de um vocalista não se encaixa no projeto em que está trabalhando, eles a usam para outra coisa.

Como cantora de estúdio, participei de muitas gravações em que o produtor usou um pseudônimo e me pediu para não revelar que era eu. Nunca precisei assinar um acordo de confidencialidade, então agora, depois de muitos anos, o segredo foi revelado e as pessoas sabem que essas gravações/artistas são, na verdade, eu. Os verdadeiros fãs do meu canto reconhecem a minha voz em qualquer lugar. Fui cantora profissional por mais de 44 anos e participei de muitas gravações.

Existe uma expressão que cantores e músicos usam: 'Pegar o dinheiro e sair correndo'. A sessão para o Cappella foi exatamente uma dessas situações: sem direitos autorais, apenas o cachê. Nessa ocasião, eu não peguei o dinheiro e saí correndo, eu peguei o dinheiro e voltei voando, rsrs.

Meu filho nasceu em 1993 e, essa viagem de avião à Itália para gravar 'Move it up' foi a primeira vez que passei uma noite longe dele. Comprei para ele um ursinho de pelúcia da British Airways no avião, na volta, e ainda o tenho até hoje." - Jackie Rawe


Seguindo novamente com o histórico de lançamentos do Cappella:

Como dito anteriormente, Kelly Overett ficou fazendo decoração visual no Cappella até o ano de 1995. Kelly foi substituída por uma outra beldade, Alison Jordan, que permaneceu no Cappella até o ano de 1998. Embora Alison estivesse se saindo muito bem nos vídeos, nos palcos e nas entrevistas, muitos fãs diziam que Kelly Overett seria a eterna frontwoman do Cappella e que ela era "infinitamente" muito melhor. [Aquelas picuinhas de fãs adolescentes que toda fã-base conhece.]

Independente do achismo popular, dessa vez era a linda Alison Jordan que assumia os palcos, os vídeos e as lentes dos fotógrafos, e sinceramente, eu até vejo uma lógica em colocar modelos para dublar em projetos como o Cappella. Não tinha como os produtores irem atrás de todas as cantoras oficiais e solicitar à elas que os acompanhassem em suas turnês. Eram muitas artistas, algumas moravam longe e tinham também seus compromissos a cumprir, cantavam em outros projetos, além de terem seus filhos para cuidar (como Jackie Rawe), então, por questões de compatibilidade de agenda/logística, creio que, para não ficarem presos nesta situação "entre a cruz e a espada", contratar modelos foi a alternativa ideal para o Cappella. Contudo, eles podiam fazer melhor do jeito que foi feito, né?

No ato de suas apresentações, os modelos poderiam citar também os artistas reais (mesmo que brevemente), mas por comodidade e vaidade eles optaram em permanecer em silêncio e, assim, o público se iludiu e imaginou que aqueles (que eles viam) eram os artistas reais. Seria jogo limpo com o público pagante, além de soar como uma dedicatória aos artistas reais, um reconhecimento. 

Muita gente pode até estar me criticando neste exato momento, dizendo que a Dance Music era assim mesmo, que eu só quero causar sensacionalismo, e que este era um procedimento normal da época e etc... Mas, se era algo tão comum, por que esse pessoal escondia essa "normalidade" do público? Não havia motivos para isso, ou será que havia? 

Na minha humilde opinião, penso que as pessoas só escondem aquilo que elas sabem que é errado, aquilo que é feio, aquilo que é desonesto e aquilo que causa vergonha, não acham? Percebam também que eles mesmos estão sofrendo as consequências daquilo que eles mesmos “plantaram”: Uma MODELO querendo reconhecimento e usando a MARCA de quem escolheu enganar o público. 

Repito, se era algo tão normal (como vocês tanto dizem), por que eles não assumiram isso numa boa nos anos 90? 

Analisando bem, não tem nada de normal, não. Enganar as pessoas é feio, é indecente, é sujo, e quem tenta defender só está tentando normalizar uma prática fraudulenta, trapaceira e também é conivente com tal deslealdade.


Segue a track list do terceiro álbum do Cappella - "War In Heaven" , lançado em 1996: 

1 - Tell Me The Way

2 - I Need Your Love

3 - Back In Your Life

4 - Stay With Me

5 - Another You

6 - Do You Run Away Now

7 - You Took My Heart

8 - War In Heaven

9 - Turn It Up And Down

10 - Music And Harmony


Disco 2 - Special Remixes:

1 - U Got To Let The Music (Unreleased Mix)

2 - Move On Baby (Km.1972 Mix)

3 - Don't Be Proud (Techno Kingdom Mix)


Bom, vamos continuar com os bastidores do Cappella, desta vez envolvendo este terceiro álbum do projeto.

Uma curiosidade, é que Alison Jordan deu uma entrevista no programa francês "Zone Interdite" e disse que fez uma cirurgia na boca e nos seios a pedido do produtor Gianfranco Bortolotti. Não sei se ela realmente fez a tal cirurgia, mas isso mostra que ela estava bem disposta ao Cappella. Provavelmente foi só marketing que ela aproveitou para fazer, pois antigamente tinha muito dessa publicidade "falsa", apenas para se tornarem assuntos nos tablóides e gerar algum "buzz". 

Outra coisa, é que muitos pensam que os vocais deste novo álbum são da cantora Zeeteah Massiah, porém, o disco "War In Heaven" contem os vocais da cantora Katherine Ellis. Quanto à Zeeteah Massiah, ela confirmou para alguns fãs que nunca trabalhou para o Cappella, apenas para o projeto italiano J.K., então, talvez seja daí que surgiu a confusão envolvendo o seu nome [sendo um boato que nasceu de um site gringo de Eurodance]. 

Sobre a nova vocalista do grupo, Katherine Ellis, ela é uma aclamada cantora, compositora e vocalista britânica de Dance/House Music. Ela cantou também a faixa-título do filme vencedor do Oscar, "Gravidade (2013)", além de colaborar com artistas como The Freemasons, Roger Sanchez, e de marcar presença em prestigiados festivais, como o Glastonbury.

Mas, e quanto a nova modelo?  Alison Jordan não foi apenas um rosto bonito, ela teve um pouco de seus vocais inseridos também neste novo álbum do Cappella, embora a maior parte vocal seja de Katherine Ellis. Creio que, desta vez, Gianfranco Bortolotti quis uma modelo que realmente cantasse e que já tivesse gravado algum disco, por isso o Cappella a contratou. Tanto é que, se você pesquisar mais a fundo verá que Alison gravou dois singles no início dos anos 90: "Boy From New York City" (1992) e "Heart & Soul" (1993).

Sinceramente eu acho que Alison Jordan tem uma ótima voz, porém, é uma voz que combina muito melhor com o Pop, e não muito com o House do Cappella. Acho que ela não perdia em nada para a popstar americana Debbie Gibson, por exemplo.

Ou seja, podemos afirmar que Alison Jordan foi uma modelo que fez algo de relevante para o Cappella? Sim, na minha opinião, sim. Bem diferente de Kelly Overett, que não gravou nenhuma faixa e que ainda dá a entender ao Universo que gravou todos aqueles vocais e samples nos estúdios... Delírio completo ou má fé?

Rodney Bishop também foi demitido inicialmente, e Patrick Osborne assumiu seu lugar. Para quem não se lembra dele, Patrick Osborne era da boyband Worlds Apart (e rapper do grupo Patric). Ele chegou a ficar por pouquíssimo tempo nesta nova formação do Cappella, mas pulou fora rapidinho.

Alison Jordan foi escolhida entre milhares de vocalistas. Quando ela entrou para o Cappella, Patrick Osborne ainda estava lá. Os dois gravaram uma música cujo título é desconhecido, lançada como single na Itália antes do lançamento de "Tell Me The Way". Dizem que esse single era tão fraco que nem sequer foi tocado nas rádios locais. Foi depois disso que Patrick Osborne deixou o Cappella e Rodney Bishop voltou. "Tell Me The Way" (com sua melodia que lembra "It's Just A Feeling", do Terrorize, e que faz um cover, em vez de um sample, de "Kickin' In The Beat", de Pamela Fernandez) foi lançada. Obteve grande sucesso nas paradas oficiais italianas e em vários outros países. Alison foi a vocalista do single, com a participação de Katherine Ellis.

Este é, de longe, um dos melhores trabalhos do Cappella após a mudança de formação em 1995. Tem tudo o que se espera do Cappella. O som típico da Media, mas com uma construção muito melhor do que outras faixas pós-1995. A parte vocal é emotiva e meio sombria ao mesmo tempo, e quando o riff principal começa, dá vontade de dançar. Há vários remixes legais, com artistas como Todd Terry e R.A.F., mas a melhor versão é a "Mars Plastic Mix".

O rapper verdadeiro nos estúdios continuava sendo Mr. Ricardo Overman (MC Fixx It), sendo este o seu último álbum no Cappella.

Os vocais femininos ouvidos neste terceiro álbum do Cappella - "War in Heaven" são definitivamente de Katherine EllisAlison Jordan, que variam de música para música; às vezes, ambas aparecem, com Alison cantando os versos e Katherine o refrão, e algumas músicas são inteiramente cantadas por Alison ou apenas por Katherine. É confuso, pois Gianfranco Bortolotti nunca manteve consistência e nem honestidade sobre quem estava cantando, nunca. 

Atualmente, Alison Jordan trabalha como médium e mudou até de nome! Leia mais aqui sobre ela.

Em 1997, uma nuvem de novidades pairou sobre o grupo Cappella. Este foi também o ano que a Dance Music mudou bastante de estilo, pois o Trance e o Techno estavam cada vez mais fortes nos clubs mundiais...

Naquele mesmo ano o Cappella lançou a música "Be My Baby", que inclusive foi tocada por alguns DJs, além de ser adicionada em alguns programas de mixagens como o "Ritmo da Noite" da Jovem Pan 2. Aqui no Brasil, esta produção ainda foi licenciada pela Paradoxx Music e esteve em coletâneas clássicas, como "TV Dance 3" (faixa no CD e clipe na fita VHS). 

Em 1998, Gianfranco Bortolotti voltou inspirado com um novo álbum do Cappella chamado simplesmente de "Cappella". Foi o quarto e, até então, último álbum do projeto.

Mas, apesar de Alison Jordan continuar sendo o rosto do Cappella, estes vocais femininos no disco "The Cappella" são inteiramente da cantora Lorna Bannon. Diferente do álbum anterior, a modelo Alison Jordan apareceu apenas dublando nos shows e vídeos...

Quanto ao rapper que ouvimos neste 4º álbum, ele é Tiziano Pagani, um dos caras que trabalhou nos bastidores do Cappella nesta época e que substituiu MC Fixx It (o rapper dos álbuns anteriores). Nos palcos e vídeos ainda víamos Rod Bishop, o mesmo rapaz negro que "iludia" com Kelly Overett.

Uma outra curiosidade, é que este último álbum "The Cappella" foi lançado em CD apenas no Japão, e como mencionado, todas as faixas contem os vocais femininos de uma única cantora: Lorna Bannon. Leram bem isso? Foram quatro álbuns, dezenas de vozes diferentes, mas nenhuma é de Kelly Overett. Nenhuma! 

Confira a track-list do álbum "The Cappella":


1 - Be My Baby 5:32

2 - Hey Paluppa 4:55

3 - Throwin' Away 4:52

4 -U Turn Me On 5:11

5 - Enough Is Enough 4:51

6 - Gimme The Power 4:48

7 - Busted Up 4:11

8 - Walkin' Away 4:59

9 - Ain't No Sunshine 3:53

10 - Can U Feel It Babe 5:38

11 - U Tore My World Apart 5:17

12 - Come On Up And Dance 4:15

Bonus Tracks

13 - The Big Beat (Latin Mix) 4:21

14 - Cappella Mega-Mix (8:14)


Após 1998, o Cappella deu uma "adormecida" e desapareceu do mapa de shows e lançamentos. Eles lançaram um novo single apenas em 2004, "Angel", mas que foi um fracasso.

Entre os produtores notáveis ​​do Cappella estavam sempre Gianfranco Bortolotti (o chefão, e também conhecido por seus outros projetos The 49ers, East Side Beat e DJ Creator), Mauro Picotto, Mars Plastic,  Alessandro Pasine, Diego Leoni, Gianpiero Viani, Simone Pagliari, Max Persona, Pieradis Rossini e Paola Peroni. Os dois últimos também trabalharam no projeto Schwarzcopf, conhecido aqui no Brasil em 1996 através do hit "Everybody Get Down" (lembrou-se?). Em 2021, Paola Peroni me contou que foram enviados ao Brasil dois modelos para representar o Schwarzcopf, aqueles que vimos "cantando" nos shows do Dance Philco Music Festival (outubro/1996).

Em 2013, o famoso Cappella retornou à cena da Eurodance com o produtor original Gianfranco Bortolotti e um casal: Lis Birks como vocalista e Marcus Birks como rapper. O casal não gravou nenhuma música [apenas apresentavam os antigos sucessos do Cappella em shows de revival dos anos 90]. 

Marcus Birks morreu em 27 de agosto de 2021 de COVID-19, aos 40 anos. Ele deixou esposa, Lis, e um filho. Na época, ele foi um negacionista da doença e até deu entrevistas dizendo que não iria tomar a vacina, e não tomou mesmo.

Em janeiro de 2022, o grupo informou que a vocalista viúva deixaria o Cappella, e então eles apresentaram uma nova cantora chamada Vikki Waters, uma bela moça que realmente canta, e que continua até hoje na formação atual do Cappella. 

Quanto aos rappers do Cappella da nova geração, fica difícil apresentar informações sobre eles pois é um histórico infinito de entradas e saídas. De 2022 até a data atual, os rappers tem sido Steve Lewis, Jay McCurdy, Andrew "Aggz" Gidney e Rikki Dallas. Em apenas 3 anos, tivemos todas essas substituições!

A formação de 2025 tem sido Vikki e Rikki, mas não se apeguem muito à dupla pois tudo pode mudar...

E mesmo com a formação do Cappella plenamente em atividades, a modelo Kelly Overett reapareceu na atualidade e também está se autopromovendo como uma integrante "Cappella". Ela ainda utiliza das músicas originais em seus shows (como se tivesse o direito da marca e das produções de Gianfranco Bortolotti) e com isso deixando o "the boss" enfurecido.

Kelly Overertt tem dado a entender aos fãs que regravou estes sucessos do Cappella, numa mixagem que inclui a sua voz original, mas não existiu nenhum relançamento ou tratamento no estúdio que incluiu o seu vocal. As versões existentes são as mesmas de sempre. É só uma armadilha na tentativa de garantir o seu futuro no legado de "cantora" do Cappella. Kelly foi apenas dançarina/modelo, e não cantora.

Fãs perguntam sobre sua legimitidade vocal, mas Kelly Overett 'enrola' dizendo que gravou as músicas, e que nas faixas há a sua voz junto com as vozes de outros artistas: 
"Não é só a minha voz. Foi por isso que saí do grupo Cappella. Eles me creditavam nas gravações, mas não eu recebia o pagamento. Usavam uma mistura de vocais, davam crédito a ninguém e não pagavam ninguém. Em setembro de 1994, eu já sabia o que estavam fazendo. Pedi que corrigissem a situação e fossem honestos, mas eles disseram não. Então, saí. Fui a única que disse não. Se eu tivesse assinado para ser apenas o rosto do grupo, haveria um contrato e certamente teria sido compartilhado, mas não teve, porque não existe contrato e eu não o cumpri. Não enganei ninguém, mas fui usada para enganar os outros e fui explorada de forma grosseira, e isso continua até hoje. Eu achava que era algo pessoal até eu retornar. Desde então, tenho ouvido falar de muitas outras pessoas que também foram enganadas. Deveria ficar só nos 90, mas fazer o quê."

Na verdade, os produtores do Cappella usavam várias vozes sim em suas produções, mas a da Kelly Overett não foi inclusa, então ela se aproveita deste "mix de vocais" que o Cappella usava incansavelmente em seus trabalhos para dar a entender aos leigos que sua voz também está nas músicas, entre todas aquelas outras vozes. Kelly ainda se aproveita muito da questão "vitimismo", visto que a cantora Gala, entre muitos outros artistas injustiçados dos anos 90, estão denunciando seus antigos produtores, com isso Kelly Overett quer se incluir no hall dos artistas jovens e oprimidos dos anos 90. Kelly Overett - sendo um fruto da minha observação - viu uma brecha, uma oportunidade, e assim resolveu agir para se manter como uma integrante do Cappella para as próximas gerações, e também ganhar algum dinheiro se apresentando pelos festivais de Revivals 90's. 

Gianfranco Bortolotti, seu ex-manager, também se pronunciou no final de 2025 sobre o seu projeto Cappella e deixou bem clara a sua opinião sobre as controvérsias causadas pela ex-membro:

"Todos os discos do Cappella foram produzidos por mim. Pessoalmente, em meus próprios estúdios.

Ela foi escolhida por mim e um dos meus sócios para apenas ser a imagem do projeto, em Londres, após uma breve reunião. Todos os discos do Cappella já estavam gravados e masterizados antes da modelo fazer seu primeiro show. Pelo que sei, ela ficou instável, provavelmente um pouco depressiva, e certamente agora está demonstrando ser uma mitomaníaca (mania descontrolada em mentir). Ela tem tentado agradar a muita gente e agora está perambulando pela indústria musical proferindo absurdos como: '… O grupo Cappella ficou famoso graças a mim e às minhas apresentações...'.

Infelizmente, ela encontrou idiotas que acreditam nela e tentam especular sobre ela, então ela se faz de tola todos os dias na frente de qualquer pessoa do ramo.

Lamentamos muito a situação dela, que agora se tornou um assunto muito discutido pelos fãs no Facebook e em outras redes sociais, mas, infelizmente, ela não passa de uma palhaça para as pessoas da indústria rirem dela." - Gianfranco Bortolotti

Bem, na minha opinião de fã e de blogueiro, o Cappella é muito mais do que aparência física; é sobre música, sentimento, energia, dança, inspiração e todo o poder que a Eurodance nos transmite. Kelly Overett foi uma modelo de bastante energia, dedicação e entrega nos palcos, mas foi contratada apenas para ser isso: a modelo visual. Ela não pode mudar essa realidade. E ao que parece, ela foi remunerada corretamente para ser a modelo nos 19 meses em que esteve no projeto.

O Cappella é um projeto de EuroHouse que teve a colaboração de muitas pessoas, e essa SENHORA foi contratada na época para fazer o seu trabalho e dançar as músicas dos PRODUTORES. Ela foi um rosto promocional, foi paga para isso, e aceitou espontaneamente em fazer este trabalho.

Não estou dizendo que Kelly não foi uma pessoa importante, ou menosprezando o seu trabalho de modelo, muito pelo contrário! A loira foi uma figura incrível e fundamental para criar uma ilusão ao público, mas no campo da criação de músicas, toda essa parte essencial do Cappella ficou à cargo de seus produtores e vocalistas que atuaram nos estúdios. Onde estava Kelly enquanto eles produziam as faixas? Provavelmente num salão de beleza, num shopping-center ou numa sessão de fotos!

Lembrando também que o projeto começou no final dos anos 80 com Ettore Foresti à frente, depois teve ainda a entrada de uma outra modelo, que podia cantar ao vivo nas performances, Anna Ross, tudo isso bem antes da chegada de Kelly Overett em 1993. Ou seja: o Cappella não é apenas sobre Kelly Overett, como ela tenta insinuar. Foi o Cappella que a transformou famosa, e não o contrário!

Kelly Overett simplesmente se convenceu de que construiu o projeto do zero, quando na verdade ele já estava pronto desde 1987. Segundo o produtor e detentor da marca "Cappella", Kelly Overett não tem direito a nada e, na minha opinião, deveria parar de espalhar idiotices como "a minha voz está misturada com a dos cantores de estúdio" ou se autodenominar como "Cappella", porque isso está muito longe de ser verdade. 

O rapper e fundador do projeto Twenty 4 Seven, Stay-C, também se decepcionou muito com a modelo recentemente. Kelly Overett se apresentou à ele como a cantora oficial do Cappella e, juntos, fecharam uma parceria desastrosa! 

Por que desastrosa? Simplesmente por que Stay-C acreditou que Kelly Overett fosse a verdadeira voz do Cappella e aceitou trabalhar com ela em sua turnê: 

"Fiz uma turnê com a Kelly no Twenty 4 Seven em 2023 como ‘Twenty 4 Seven featuring Stay-C & Kelly’. Ela substituiu a nossa vocalista (Li-Ann) durante a sua gravidez, então trabalhei com a Kelly no palco, fora do palco, na estrada e durante os ensaios. Sempre fui um grande fã dos sucessos do Cappella e também da ‘cantora’ que eu achava que a Kelly fosse. Mas, na verdade, trabalhar com ela foi só drama, mentiras e enganos. Quando eu disse a ela que nunca mais queria trabalhar com ela por causa da sua falta de talento e habilidades vocais, o seu verdadeiro lado sombrio apareceu. Gianfranco Bortolotti pode contar a história antiga dele com ela, mas eu posso contar a mais recente que eu tive, no entanto, é a mesma coisa, porque ela não melhorou em nada nestes anos. Eu não falaria nada sobre isso, mas ela me prejudicou, prejudicou o Twenty 4 Seven, além de prejudicar a formação atual do Cappela (Vikki Waters) e à Lis & Marcus (Lis Birks), que são muito queridos por mim. Isso tem que acabar!" - Stay C

Stay-C também contou em outras mensagens que Kelly Overett só queria dublar nos shows do Twenty 4 Seven, enquanto Stay-C queria que ela cantasse ao vivo para o público. Quando ela arriscou no ao vivo, foi aí então que o rapper percebeu que estava diante de uma modelo que não havia gravado nenhuma música no Cappella.

Vamos esclarecer também que, Kelly Overett não ter gravado nenhuma faixa no Cappella não é problema nenhum. Ninguém tira o fato de que ela deu muita visibilidade ao projeto com sua imagem. Isso é reconhecido e respeitado. O que é criticado, por outro lado, é que ela continua a afirmar que a sua voz foi retrabalhada no estúdio para se tornar aquela voz que ouvimos nas músicas do Cappella. São as mentiras repetidas que ela conta que causam irritações e indignações nos produtores e fãs do Cappella (e também em integrantes de outros grupos). A questão é justamente essa: Kelly continua com essa mania de mentir, prejudicando fãs, produtores e outros artistas, apenas para massagear o seu ego.

Eu não ficaria surpreso se Anita Doth do 2 Unlimited, Evi Goffin do Lasgo ou Tania Evans do Culture Beat não saibam da verdade, que Kelly Overett não é a verdadeira voz do Cappella — assim como o Stay-C também não sabia (elas estão trabalhando num novo projeto com Kelly), afinal, na indústria da música nem sempre os artistas tem tempo ou oportunidade para ver os bastidores e os créditos exatos.

Kelly Overett teria tudo a ganhar falando a verdade e reconhecendo os fatos, como fez Zohra do projeto 2 Fabiola, que admite sem problema nenhum que não foi a voz dos primeiros singles. Os fãs ainda a amam, ou até mais, por causa da sua honestidade. Se um dia a Kelly realmente abrir o seu coração e ser sincera com o público e imprensa, eu prometo que vou compartilhar aqui a versão dela. 
Se teremos a continuação deste artigo? Bom, só depende dela.

sexta-feira, 20 de março de 2026

NICKI FRENCH, TALEESA E GOTTSHA FARÃO SHOWS JUNTAS

NICKI FRENCH ANUNCIA QUE EM OUTUBRO FARÁ SHOWS EM PARCERIA COM GOTTSHA E TALEESA

Nicki French, Taleesa e Gottsha juntas no mesmo palco? Sim, será possível.

Uma das maiores rainhas da Eurodance, Nicki French, veio ao Brasil pela primeira vez há exatos 30 anos, em março de 1996, onde realizou a sua primeira turnê em solo brasileiro. 

Pois é, Eurodance Lovers.... Depois de 30 anos cravados, Nicki French continua a nos encantar e retorna ao Brasil com sua mais nova turnê neste mês de março de 2026!! 

A novidade da vez conta com a inclusão de dois híts nestes seus novos shows  - "Give It Up Now" (1997) e "Te Amo" (1996), sucessos que ela não costuma cantar, mas que desta vez está abrindo uma exceção.


Trecho de "Give It Up Now" ao vivo de Nicki French (Santo André/SP)


Nicki French tem presença confirmada ainda numa festa que acontecerá no próximo dia 28 de março (sábado), tratando-se do evento badalado "Krypton Remember" que celebrará a maravilhosa casa noturna paulistana Krypton, um dos templos da Eurodance dos anos 90 e que sempre tocava Nicki French, Ken Laszlo, Whigfield, Andrew Sixty, DJ Tururu, Gala, The Tamperer, entre outros nomes lendários que nos marcaram através das mãos do mago DJ Ronaldinho.


Nicki French sendo entrevistada no programa "Viva A Noite" do SBT

Atualmente hospedada em São Paulo, a cantora britânica disse que o Brasil é a sua segunda casa, além de fazer uma aguardada apresentação no SBT (Programa "Viva A Noite"). Nesta performance na TV, Nicki apresentou “Total Eclipse of the Heart”, “Did You Ever Really Love Me” e “Stop! In the Name of Love”, que foram sucessos absolutos nas rádios, pistas de dança e nas coletâneas dance dos anos 90. 

Com voz poderosa, muita simpatia e presença de palco inconfundível, Nicki French demonstrou mais uma vez por que continua sendo uma artista fundamental no cenário da Eurodance. A cantora aproveitou ainda a sua participação no "Viva A Noite" do SBT para revelar uma turnê especial que terá início em outubro deste ano. Estamos referindo aos shows que a colocarão no palco com a diva brasileira Gottsha e com a dance-star italiana Taleesa

Prontos para essa turnê?


Nicki French e Gottsha em São Paulo: Uma nova Era de Shows

Gottsha também se apresentou no SBT e falou sobre a turnê que fará ao lado de Nicki e Taleesa, numa transmissão que deverá ir ao ar no dia 28 de março para todo o Brasil. Ou seja, além dos shows de Nicki French, ainda teremos esse momento único na TV brasileira, onde as duas cantoras definitivamente levarão o nome da Eurodance para todo o Brasil através de uma das nossas maiores emissoras de TV. Será uma divulgação necessária e extraordinária!

Gottsha, amplamente considerada como uma das principais artistas Dance do Brasil, continua a enlouquecer o público com performances de músicas inesquecíveis como “No One to Answer”, “Break Out”,“Do You Wanna Love Me?” e “Dance The Night Away”, reforçando a sua influência duradoura no cenário nacional.

Já Taleesa, ela trará um repertório que inclui “Because the Night”, “I Found Luv”, “Let Me Be” e “Burning Up”, prometendo um show repleto de nostalgia e performances animadas, contudo, a estrela italiana se apresentará antes ao lado do lendário vocalista Andrea Alberghi do Andrew Sixty, no Festival Floripa Festiva 90's (que acontecerá em 22 de maio na cidade de Santo Amaro da Imperatriz - SC).


Taleesa, Karina, John Matthews (Undercover), Nicki French e Julia J, há 30 anos!


Taleesa e Nicki French já se apresentaram juntas há quase 30 anos aqui no Brasil, no Festival "Dance Philco Music" (outubro de 1996). No ano de 2025 elas se reencontraram no Festival "Love The 90s" em Barcelona (Espanha) e Nicki French disparou em seu instagram: 

"Foi maravilhoso rever a talentosa Taleesa e me apresentar ao lado dela novamente depois de tantos anos. Fizemos uma turnê juntas no Brasil em 1996 - ótimas lembranças!"


Taleesa e Nicki French se reencontram em famoso festival europeu


Taleesa respondeu: "Você continua sendo a pessoa maravilhosa, bondosa e grande artista que eu me lembro. Espero que possamos nos ver em breve, quem sabe até passar um tempo juntas. Um abraço bem apertado".

Bom, esse reencontro mencionado pela Taleesa, felizmente, irá acontecer!

Detalhe que a Taleesa também já fez shows com a brasileira Gottsha, e juntas se apresentaram em junho de 2025 no estado do Pará, mas, as três vocalistas juntas... no mesmo palco... só veremos nesta nova turnê!

Tais shows prometem oferecer aos fãs uma vibrante viagem ao passado, onde relembrarão um gênero que continua respirando e pronto para viver uma nova Era!

Bora assistí-las?

domingo, 15 de fevereiro de 2026

ACE OF BASE - "LUCKY LOVE" VIDEO 30º ANIVERSÁRIO

ACE OF BASE - "LUCKY LOVE" (1996) COMPLETA 30 ANOS

Sorte no amor?

Uma das minhas músicas favoritas do grupo sueco Ace Of Base sempre foi "Lucky Love", sendo este um single que completou recentemente o seu 30º aniversário   juntamente com o 2º álbum "The Bridge" (1995).

A primeira vez que tive acesso essa faixa inesquecível foi no ano de 1996, ouvindo a rádio Jovem Pan. No ato reconheci que era uma música dos quatro suecos, devido ao reconhecimento das vozes da dupla feminina Malin e Jenny, além da sonoridade da instrumental já bem característica do grupo.


A revista brasileira DJ Sound indicou o single de "Lucky Love" do Ace Of Base em 1996, em sua coluna "Dance Floor". Eu adquiri a revista na época e fiquei maravilhado em ver este destaque na página. Eu já gostava da banda, mas com essa música a minha paixão só cresceu...é uma das minhas favoritas até hoje!

O videoclipe de "Lucky Love" assisti pela primeira vez no final de 1996, num programa de TV local chamado "Clip Thathi" (TV Thathi, canal 8 de Campinas-SP). Imediatamente peguei uma fita VHS e coloquei o videocassete para gravar na "velocidade da luz". Na época, eu não sabia que existiam dois vídeos para a música, mas hoje eu sei que eu assisti a versão americana.


Ace Of Base - "Lucky Love" (1996)
Este é o primeiro video (europeu), que só fui conhecer no início dos anos 2000


POR QUE TEVE DOIS VÍDEOS PARA "LUCKY LOVE"?

A gravadora não gostou muito do videoclipe europeu de "Lucky Love" lançado alguns meses antes. Há nele diversas cenas da natureza européia e também muitas características das casas pitorescas da Suécia, ficando claro aos executivos da BMG/Arista que o material filmado não era adequado aos espectadores americanos.

Em vez de "paisagens", eles exigiram para a nova produção uma imagem mais pop, jovem, e com cenas dinâmicas. A Arista Records (que representava o Ace of Base nos EUA) e a BMG (América do Sul e Japão) também tinham objeções aos penteados das vocalistas Malin e Jenny. No novo clipe, as garotas deveriam se apresentar em uma estilização mais interessante e moderna, e assim então foi feito.


CURIOSIDADES SOBRE ESTE SEGUNDO VÍDEO

O videoclipe foi dirigido por Rocky Schenck –  um fotógrafo americano e criador de vídeos musicais para artistas como Gloria Estefan, Martika, Lisa Stansfield, Rod Stewart, Donna Summer e Van Halen. Dois de seus vídeos mais conhecidos são "Where the Wild Roses Grow" de Nick Cave & Kylie Minogue e "Hometown Glory" da Adele.

Este segundo vídeo de "Lucky Love" foi filmado entre 29 e 30 de janeiro de 1996 na Inglaterra, e foi lançado nos EUA em fevereiro de 1996, ou seja, há exatos 30 anos! 


Há 30 anos estreava este video icônico do Ace Of Base - "Lucky Love" (1996)


O interior de Hampton Court House foi o local escolhido para a filmagem. Para quem não sabe, este é um edifício histórico do século XVIII e localizado nos arredores sudoeste de Londres. Existe lá uma escola privada, mas o local também pode ser usado para vários outros fins. Casamentos e sessões fotográficas também acontecem por lá, além de vários tipos de filmagens, inclusive, neste mesmo edifício aconteceu uma outra gravação para um videoclipe, neste caso, da cantora Leona Lewis - "Better In Time" (2009).


Leona Lewis - "Better in Time" (Official Video)


Site Oficial de Hampton Court House - https://www.fengarievents.com/hampton-court-house

Fotos dos bastidores ser vistas aqui - https://www.imdb.com/title/tt6754032/

O videoclipe da versão americana de "Lucky Love" traz a música na versão "acoustic", lançada como faixa de trabalho nos EUA. O video retrata cenas românticas da vida de quatro jovens casais apaixonados. Há muitas cenas memoráveis, como aquela em que alguns figurantes aparecem pintando paredes com pincéis e rolos de pintura, e que depois ainda se abraçam, se beijam e se mancham um ao outro com tinta. Todos os casais aparecem em salas diferentes e estão interligados com os membros da banda, que gravaram separadamente nas mesmas salas. 


Figurantes "in love"

Este vídeo é também o único videoclipe da carreira do Ace of Base onde as cenas retratadas têm uma certa coloração erótica. Talvez o público americano se interessasse muito mais por essa temática que os europeus. Foi uma estratégia pensada, estudada e executada pela BMG/Arista para atrair o público americano.

Em uma das cenas, o casal deitado na cama acidentalmente liga a TV, onde é possível ver fragmentos do vídeo anterior da banda - "Beautiful Life". Lembro quando eu vi essa cena na época e exclamei: "Ei, eu percebi isso, é o video de ´Beautiful Life´!!!"

Além do vídeo original rejeitado pela Arista, a empresa criou duas edições deste vídeo americano de "Lucky Love". A primeira edição foi ao ar na televisão americana, já a segunda versão, com algumas cenas diferentes, foi transmitida no canal VH1 do Canadá:


Versão 1

Versão Alternativa


Todo mundo sabe que a América inclui outros países, além dos EUA, certo? É lógico que o principal alvo da gravadora era os EUA, mas o segundo video de "Lucky Love" também foi destinado a outros países do continente americano.

Na América do Sul, o vídeo alcançou o #3 na versão latina da MTV (MTV-LA, em março de 1996). No Canadá também fez sucesso, vide transmissões no VH1 evidenciado acima.


As irmãs do Ace Of Base mudaram o visual para atender a solicitação da BMG/Arista

Outra curiosidade, é que esse vídeo de "Lucky Love" é o mais raro que os demais, aparecendo muito pouco nas edições especiais dos DVDs lançados pelo grupo. É também o único que ainda não apareceu no canal oficial da banda no YouTube. No entanto, o vídeo foi usado para outras duas músicas deles: "Would You Believe" e "My Déjà Vu".

Abaixo está um artigo do jornal sueco Expressen (Fevereiro de 1996) –  o primeiro relatório do mundo em que estas fotografias foram utilizadas. O autor foi novamente Michael Johansson, que fez muitas sessões anteriores para a banda.



Na minha opinião, este é o melhor vídeo para "Lucky Love" do Ace Of Base, e fico triste em ver que foi pouco distribuído em DVDs e também sendo bem difícil de encontrá-lo no Youtube com boa qualidade. E para você, este também é o seu favorito ou prefere a versão européia?