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terça-feira, 12 de maio de 2026

NO MERCY - "WHERE DO YOU GO": 30º ANIVERSÁRIO!!

 NO MERCY —  A BOYBAND COM TOQUE LATINO QUE LANÇOU O HÍT "WHERE DO YOU GO" HÁ 30 ANOS!

No Mercy teve o seu auge entre 1995 e 1998

O No Mercy foi uma boyband de dance/pop que fez sucesso aqui no Brasil antes dos Backstreet Boys, embora estes já fossem bem conhecidos na Europa, principalmente na Alemanha. 

Criado e produzido em 1995 pelo produtor Frank Farian (sim, o mesmo cara por trás de La Bouche, Boney M e Milli Vanilli), o No Mercy era formado por Marty Cintron e os irmãos gêmeos Ariel e Gabriel Hernández, que juntos misturavam Eurodance, Pop e sons latinos em seus discos, e por fim, conseguindo se destacar em uma época de grande apelo latino na Dance Music.

Marty Cintron nasceu no dia 24 de setembro de 1971, no Bronx, Nova York. Ele é americano de ascendência porto-riquenha (assim como as americanas Lina Santiago e Angelina, mas no caso, elas são de ascendência mexicana). Embora possua raízes e ascendência porto-riquenhas por parte de sua árvore familiar, ele confirmou em entrevistas que seus pais nasceram e migraram especificamente de território cubano para os EUA. Essa forte herança latina influenciou diretamente o estilo musical do No Mercy, unindo a música pop/dance com a sonoridade do violão flamenco e ritmos caribenhos.

Já Ariel Hernández e Gabriel Hernández (os irmãos gêmeos) nasceram no dia 3 de junho de 1971, em Havana, Cuba, e se mudaram para Miami ainda crianças, onde foram criados, possuindo também a cidadania americana. A produção de suas músicas já acontecia num país totalmente diferente desses citados…. A Alemanha. 

Quer saber como eles se conectaram e deram início a tudo??


O INÍCIO DO NO MERCY

O produtor alemão Frank Farian conhece Marty Cintron

Em 1992, o alemão Frank Farian estava de férias, passeando em Miami Beach, nos EUA, quando passou em frente a um café ao ar livre onde Marty Cintron trabalhava tocando violão e cantando covers de sucessos pop. Farian ficou impressionado com o talento vocal de Marty e com a sua habilidade no violão espanhol (influenciado pelo estilo flamenco de grupos como o Gipsy Kings), então abordou o jovem e o convidou imediatamente para ir à Alemanha fazer testes/gravar em seu estúdio.

Marty Cintron aceitou a proposta, mas com uma condição: ele gostaria de montar um grupo real ao lado de seus amigos de Miami, os irmãos gêmeos Ariel e Gabriel Hernández. O alemão deu o aval, os três viajaram para a Alemanha e o trio No Mercy foi oficialmente criado. 

Diferente de outros projetos polêmicos do produtor (como o Milli Vanilli), os integrantes do No Mercy realmente cantavam e tocavam nos palcos, assim como tocaram nos estúdios durante as gravações de seus discos. Bom, como o produtor alemão estava com sua reputação mais "suja que pau de galinheiro" no mercado musical, então ele criou o No Mercy como uma estratégia direta para recuperar a sua credibilidade após protagonizar o maior escândalo de fraude da história da música. 

Resumidamente, Frank Farian usou o grupo especificamente como uma "virada de chave" em sua carreira, com o objetivo de limpar seu nome após o escândalo "Milli Vanilli".


"Eu aceito trabalhar com você, se meus amigos também entrarem nessa comigo!"
Marty Cintron para Frank Farian

Como o controverso produtor passou a ser visto pela indústria e pelo público como um criador de farsas, a sua busca incessante por talentos reais veio para provar ao mundo que ele era um músico de verdade (e não apenas um manipulador de marionetes e modelos dubladores), e assim, Farian mudou drasticamente a sua abordagem nos anos seguintes. 

Quando ele ouviu Marty Cintron cantar pela primeira vez, o que chamou a sua atenção não foi a aparência física do jovem (como havia acontecido no Milli Vanilli), mas sim o fato de Cintron ser um vocalista talentoso e também um grande habilidoso no violão. 

Definitivamente, com a boyband No Mercy, o alemão Frank Farian conseguiu provar ao mercado que seus projetos podiam sim carregar artistas reais, estes que sabiam cantar e tocar instrumentos perfeitamente, além de desempenharem comercialmente ótimos feitos nos charts. 

Enfim, o No Mercy foi um verdadeiro talento da Dance-Pop que se espalhou pelo mundo, em especial no continente europeu, até chegar finalmente também no Brasil.


O SUCESSO NO BRASIL E NO MUNDO

Aqui no Brasil, o boom da "latinidad" aconteceu por volta de 1995 com o estouro do Los Del Rio e sua faixa esmagadora "Macarena", então na sequência recebemos diversos singles de outros expoentes da América Latina, como El Simbolo, Shakira, Thalia, Angelina, Lina Santiago, Fey, Rebeca, Ricky Martin, Rochelle, e claro, também o No Mercy entre esta enxurrada de artistas hermanos.


Os irmãos gêmeos Ariel e Gabriel se juntaram com Marty Cintron e lançaram alguns singles bem sucedidos na Dance/Pop


Foi no início de 1997 que o grupo teve o seu auge aqui no Brasil, embora eles já tivessem lançado em 1995 o seu primeiro single - "Missing", que é um cover do mega fenômeno do duo Everything But the Girl

Martyn Cintron relembrou deste seu início na boyband com esse primeiro single: "Essa foi a primeira música lançada pelo No Mercy. Eu conheci Frank Farian em Miami Beach e conversamos sobre formar um projeto. Ele teve a ideia de usar 'Missing' como a primeira música do grupo, e essa foi mais uma daquelas músicas cativantes que tocam até hoje nas rádios do mundo todo. Gravamos também dois videoclipes para essa mesma música. O primeiro vídeo de 'Missing' foi gravado em um estúdio na Áustria. O que as pessoas não sabem é que trabalhamos com a banda EBTG para criar uma versão masculina dessa música. Foi o nosso primeiro lançamento na Alemanha e fico surpreso que ainda é tocada!".

Na onda ainda de EBTG e sua "Missing", o grupo resolveu usar as mesmas batidas de Todd Terry para criar o seu segundo single — "Where Do You Go", um cover agora do alemão La Bouche e sendo um trabalho lançado oficialmente no dia 13 de maio de 1996... ou seja, há 30 anos!


No Mercy e La Bouche: A Era de Ouro da Dance-Pop Mundial

Nesse período, o projeto Nell estava estouradaço com a maravilhosa "Better Life" (que, inclusive, carrega consigo aquele belo violão flamenco totalmente inspirado no No Mercy), o Datura agradando geral com o hit "Voo Doo Believe", a Dama executadíssima com "Beautiful Ones" e a baixinha Alexia reinando nas paradas com a envolvente "Number One". 

O que "Where Do You Go" tem em comum com todas estas tracks?? Todas elas também tinham estas batidas do EBTG sampleadas, então, não demorou muito para que as rádios brasileiras começassem a tocar "Where Do You Go" no meio deste "bolo". Aliás, eu acho que essa canção combinou muito melhor na interpretação dos três garotos que na faixa original gravada na voz da Melanie Thornton

Para ser mais preciso, até o produtor Frank Farian percebeu que, no vocal de Marty Cintron a "Where Do You Go"  funcionava melhor, então ele simplesmente optou que o No Mercy trabalhasse comercialmente com este singlemesmo a faixa já tendo sido inclusa no álbum "Sweet Dreams" do La Bouche.


Frank Farian escolheu promover o single de "Where Do You Go" com o No Mercy

É interessante isso, pois "Where Do You Go" tinha sido projetada inicialmente para o La Bouche, no entanto, Frank Farian percebeu (embora tarde) o melhor a ser feito. Então, num impulso certeiro, o controverso músico escolheu não lançá-la mais como um single do La Bouche e nem encomendou um videoclipe com a dupla Melanie Thornton e Lane McCray. Mr Farian — que era o autor de "Where Do You Go" e empresário dos dois projetos — promoveu a música com o trio masculino, e que acabaram por fazer um excelente trabalho.

Algo parecido já havia acontecido com o Le Click em 1994, projeto que estourou com a faixa "Tonight Is The Night", mas, como a vocalista era a mesma, os produtores resolveram incluir o hit na compilação do La Bouche - "All Mixed Up" (BMG). Estratégias de mercado, como chamamos.


"Where Do You Go" entrou até para trilha sonora de novela global 

"Where Do You Go" foi adicionada ainda na trilha de sonora da novela "Anjo de Mim", além de ser muito tocada nos clubs e FM's brasileiros. É, na minha opinião, a melhor música da boyband até hoje, me lembrando muito o início de 1997, da escola de informática "Data Control", do meu 2º ano do Ensino Médio, da rádio Jovem Pan Sat, da MTV, da revista DJ Sound, das lojas de CDs físicas, e da já mencionada canção "Better Life" do projeto italiano Nell, que estourou por aqui na mesmíssima época. E apesar deste hít do No Mercy ter sido todo cantado em inglês, houve também uma versão disponibilizada em espanhol, que inclusive foi tocada ao vivo no Festival Viña Del Mar, da qual a transmissão aconteceu no SBT em março de 1997. Memorável demais!

Marty Cintron avaliou a popularidade deste seu hit de 1996: "Ainda não sei por que essa música fez tanto sucesso no mundo todo, tanto em espanhol quanto em inglês, mas não estou reclamando! É a música mais pedida para tocarmos e é incrível ver a reação das pessoas quando a apresentamos. O vídeo foi gravado em South Beach, Miami Beach, Flórida, e nos divertimos muito durante as filmagens!"

Quanto a música mais lenta, "When I Die", foi o terceiro single do No Mercy e aqui no Brasil não chamou tanto a atenção das rádios, mas em várias partes do mundo obteve um bom reconhecimento. Marty Cintron disse: "Essa foi uma das melhores baladas que já gravamos. A letra foi escrita por uma das compositoras mais famosas do mundo, Dianne Warren. O videoclipe foi gravado em Veneza, na Itália. Foi eleita também como a música do ano na Europa anos atrás, e a versão em espanhol se chama 'Cuando Muera'. Sempre dedico essa música a todos que perderam um amigo ou um familiar. É mais uma daquelas músicas que a gente ouve no rádio de vez em quando, sendo também outra das minhas favoritas. Sinto-me muito sortudo por ter participado da sua criação".


ÁLBUM NO MERCY - "MY PROMISE"

No Mercy com Lionel Richie

O álbum de estreia do No Mercy tornou-se um sucesso mundial, especialmente na Europa e na América Latina. Nele contem o primeiro single já mencionado "Missing", além de "Where Do You Go" e "When I Die", que foram respectivamente o 2º e 3º singles do No Mercy (todos lançados em 1996).

Em 1997 eles lançaram o quarto single "Please Don't Go",  que acerta em todos os pontos mais uma vez, alternando entre a alegria e a melancolia com uma facilidade encantadora, além de estar repleto daquela batida luxuosa de Todd Terry (novamente!). Vale lembrar ainda que não se trata de um cover do KC The Sunshine Band, pois, como a boyband estava sempre envolvida com regravações, é fácil fazer essa correlação com o clássico que já foi regravado por Double You.


No Mercy - "Please Don't Go" (1997)
A época mais mágica da minha vida foi quando essas Eurodance's tocavam no rádio...

"Please Don't Go" foi escrita originalmente por Marty Cintron/Frank Farian e teve uma boa passagem pelos charts brasileiros —  sucesso que garantiu uma visita do trio ao Brasil em fevereiro de 1997, e digo ainda mais: Eles se apresentaram no programa "Domingo Legal", onde a Shakira, Enrique IglesiasRicky Martin também haviam brilhado em domingos anteriores. 

Quanto ao vídeo da música, lembro que o Gugu ficava mostrando seus trechos e também trechos do vídeo de "Where Do You Go" na introdução de seu programa, enquanto anunciava a "atração internacional" do No Mercy para aquele domingo. 

E a título de curiosidade, temos no vídeo oficial acima uma participação especial (e mega rápida) do produtor Frank Farian, que aparece aos 2'53" mexendo no porta-malas de um carro/taxi.

É bom ressaltar também que o No Mercy realizou algumas apresentações fechadas aqui na cidade de São Paulo, além de conceder uma entrevista para o "Vídeo Show" (extinto programa da Rede Globo).

O grupo veio ao Brasil justamente para promover o disco "My Promise", que foi o primeiro álbum do trio, e lançado oficialmente em 21 de outubro de 1996. Na maioria dos países, o tal disco foi distribuído com este título "My Promise" (incluindo o Brasil), mas nos EUA os produtores resolveram lançá-lo com o título homônimo: "No Mercy". 

Lembro ainda que a Paradoxx Music estava divulgando massivamente o CD "TV Dance Vol. 2" nos intervalos comerciais do SBT, e enquanto esperava a performance do No Mercy acontecer no "Domingo Legal", vi umas dezenas de vezes a publicidade desta coletânea. Que tremenda saudade!


Encontro de gigantes: Backstreet Boys e No Mercy. Os Backstreet Boys começaram a ficar conhecidos no Brasil no segundo semestre de 1997, com o hit “Everybody”, diferente do No Mercy, que já tinha um fã clube formado desde o início daquele ano e com duas músicas nas paradas brasileiras.

Na Austrália o disco "My Promise" foi muito bem recebido pelo público, gerando certificação de platina dupla. O top 5 também foi alcançado em países como Áustria, Bélgica, Holanda e Suíça com os dois singles "Where Do You Go" e "When I Die". Em seguida foi a vez do single "Please Don't Go", que entrou no top 5 na Áustria e no Reino Unido.

O trio ainda lançou uma versão retrabalhada de uma música da banda Exile, de 1978, "Kiss You All Over", que obteve um sucesso menor nas paradas, mas ainda assim conseguiu entrar no top 20 na Áustria, Holanda e Reino Unido.


 NO MERCY E SEUS ÚLTIMOS LANÇAMENTOS 

0 obscenidades, 0 nudez, 0 palavrões, 100% talento.

O segundo álbum do No Mercy, "More", foi lançado na Alemanha em 12 de outubro de 1998 e incluiu singles como "Hello How Are You", "More than a Feeling" (originalmente gravada por Boston) e "Tu Amor" (originalmente de Jon B.). Embora "More" não tenha alcançado o mesmo sucesso que seu antecessor, ainda assim obteve um bom resultado na Alemanha, Suíça e Áustria, chegando ao 7º, 9º e 9º lugar, respectivamente. Aqui no Brasil este álbum foi lançado nas lojas, mas não chamou tanto a atenção do público, DJs e programadores de rádios.

Em 1998, aqui no Brasil só estava dando Backstreet Boys, NSync e Hanson nas paradas. Mas..., mesmo assim eles conseguiram um espaço com "Baby Come Back", faixa pop romântica que entrou para a trilha sonora da novela "Meu Bem Querer". Bom, isso já está ficando um pouco repetitivo, mas, se trata de mais uma regravação feita pelo No Mercy, e a "vítima da vez" foi a banda americana The Player, no entanto podemos dizer que agradou bastante e virou uma ótima versão pop! 


"Baby Come Back" só teve divulgação no Brasil

Uma curiosidade, é que "Baby Come Back" só fez sucesso aqui em solo brasileiro, e tudo graças aos responsáveis pelas trilhas sonoras da TV Globo. A música em questão entrou em milhares de lares de brasileiros através da novela já citada, então a gravadora BMG Brasil resolveu lançar o seu CD single aqui no país do carnaval. Detalhe: Aparentemente, somente o Brasil recebeu oficialmente este single. E apesar do sucesso que fez (no Brasil), não foi filmado um videoclipe oficial para essa faixa de trabalho.

"Baby Come Back" é uma música mais pop, mais lenta, diferente das dançantes anteriores, porém conservou o som do violão clássico e tão característico do No Mercy.

Em 2002 o No Mercy fez ainda um cover para a clássica do Santa Esmeralda - "Don't Let Me Be Misunderstood", mas que não foi bem nas paradas. 


Os latinos do No Mercy com o alemão Frank Farian

Depois disso, pouco se ouviu falar na boyband. Mas, adivinha quem retorna em 2007? Sim, os meninos do No Mercy! Eles voltaram com um novo álbum intitulado de "Day By Day", por uma gravadora nova e apenas em formato digital. 

Não preciso nem dizer que este trabalho passou totalmente despercebido pelos brasileiros, né? 

Simplesmente estávamos vivendo em uma outra realidade, em um outro momento da música, inclusive, já tinha passado a febre das boybands fazia tempo (nenhuma estava fazendo sucesso nesse período), sendo que, o que fazia sucesso nas pistas de dança nessa época era o Electro, e nas FMs era o gênero R&B.


Marty Cintron em 2020


NO MERCY ATUALMENTE

A parceria profissional de Frank Farian com o No Mercy durou de 1995 até 2007, e nesse período ele produziu os dois álbuns de maior sucesso comercial do trio: "My Promise" (1996) e "More" (1998), além de colaborar no álbum de retorno do grupo, "Day By Day" (2007). 

Após esse terceiro disco, o grupo entrou em um longo hiato de estúdio e passou a viver exclusivamente de apresentações ao vivo. 

Após anos sem colaborações, os três integrantes originais (Marty, Ariel e Gabriel) se reuniram em estúdio com Frank Farian uma última vez em 2021, e gravaram um mashup comemorativo especial das faixas "Cherish" (Kool & the Gang) e "Rivers of Babylon" (Boney M). Essa também foi a última gravação oficial deles.

Atualmente, o violonista e vocalista Marty Cintron se apresenta na Europa sob o nome No Mercy e demonstra o mesmo ímpeto e talento nos palcos, como podemos ver em vídeos registrados no Youtube, no entanto, faz basicamente seis anos que seu instagram está totalmente desatualizado — confundindo as pessoas que podem achar que o No Mercy está desativado temporariamente.


Provavelmente a última foto do trio registrada (2020)
No Mercy: Onde vocês estão?

Quanto aos gêmeos, eles decidiram se aposentar definitivamente das turnês e dos palcos, optando por focar em suas vidas pessoais e em outros projetos de bastidores, deixando de acompanhar Marty Cintron nas apresentações ao vivo do No Mercy (simplesmente desapareceram dos holofotes, assim como a Linn Berggren do Ace Of Base).

Em raras declarações sobre a fama, os irmãos já mencionaram que valorizam imensamente o fato de poderem andar pelas ruas tranquilamente sem serem reconhecidos ou precisarem de guarda-costas. Para eles, a privacidade conquistada após o fim do trio é considerada o maior patrimônio atual. Mas, apesar desse afastamento do mundo musical, os gêmeos mantem uma boa relação com o fundador Marty Cintron, e deram a ele total liberdade e as bênçãos para continuar se apresentando sozinho e utilizando o nome da marca pelo mundo. Aliás, o No Mercy sempre foi um trio pacífico, um sinônimo de respeito/amizade, sem vestígios de brigas, escândalos ou de abusos (mesmo o produtor sendo Frank Farian, rs).


NO MERCY - UMA HISTÓRIA DE AMIZADE E BOA MÚSICA

Muito do sucesso do No Mercy se deveu a Marty Cintron, sendo ele um talentoso violonista e dotado também de uma voz segura (e muito boa). Em 2021, ele disse ao documentário sobre a vida de Frank Farian:

"Conheci Frank pela primeira vez em Miami, em 1992, antes da banda começar, e naquela época eu era um grande fã de violão espanhol. Eu estava ouvindo os Gipsy Kings antes deles estourarem de vez, e eles me mostraram todas essas técnicas de violão. Acabei incorporando isso ao som do No Mercy". - Marty Cintron

Sobre o produtor que o descobriu, Marty mencionou: "O interessante sobre o Frank é que ele era cozinheiro antes de começar na música, e é assim que ele encara o estúdio, participando de tudo. Ele opera o console de som diretamente, compõe as músicas, grava os vocais principais e de apoio e faz a mixagem. Mas, ao mesmo tempo, ele também nos deixa no estúdio para terminarmos a música ou para criarmos algo novo, que ele então rearranja." - Marty Cintron

Frank Farian faleceu no dia 23 de janeiro de 2024, e atualmente os "garotos" do No Mercy — que estão prestes a completar 55 anos de idade — não estão mais em evidência como estavam nos anos 90, mas o impacto que eles deixaram na música Dance/Pop é inegável! 

Mais do que um fenômeno passageiro de uma era dourada, os três fincaram raízes profundas na memória afetiva de uma geração inteira, afinal, mesmo que as pistas de dança mudem e o tempo passe, a música do No Mercy garante que a nostalgia nunca morra. 


No Mercy - "Where Do You Go" (1996)
30 ANOS!!
O violão, as castanholas, a dança, as vozes, a melodia, as batidas, o suplício romântico... Ah, tudo torna essa música muito especial ❤

Parabéns, No Mercy! E Obrigado por acreditar, Mr. Farian!


sexta-feira, 21 de abril de 2023

CRYSTAL B. - "I DON'T WANNA BE" (1994)



 CRYSTAL B - "I DON'T WANNA B" (1994) É MAIS UM EURODANCE SENSACIONAL LANÇADO PELA DWA

Hoje vamos falar rapidamente sobre uma deliciosa faixa da Eurodance intitulada de "I Don't Wanna Be", do projeto italiano Crystal B. Conhecem??


CRYSTAL B - "I DON'T WANNA BE" (1994)
"Você não ouve as minhas orações!!!"


Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


Depois de escrever linhas quilométricas sobre a minha aventura em Curitiba-PR (no show de Annerley Gordon), resolvi dar uma pausa nos textões e poupar os leitores com algum conteúdo mais prático e rápido, hahaha.

Acho que alguns leitores devem conhecer a música desta postagem, pois aqui no Brasil saiu pela Spotlight Records, podendo ser encontrada na excelente compilação "Summer Dance". Aliás, este CD foi lançado em 1994 e nos trouxe outros híts fenomenais que você deve conhecer, como Ice MC - "It's A Rainy Day", Playahitty - "The Summer Is Magic", Fourteen 14 - "Don't Leave Me", Double You - "She's Beautiful", Gottsha - "You Can Do Magic", DJ Bobo - "Everybody", DUE - "Under The Same Sun", entre outros.

Sinceramente eu indico essa coletânea à todos os fãs do gênero, pois, além de conter grandes hinos da época, ainda os apresenta em suas versões estendidas. Um outro detalhe interessante, é que a música "Under The Same Sun" do DUE aqui não é cantada pela conhecida voz da Alexia (Alessia Aquilani). Trata-se de uma outra intérprete, além da versão ostentar alguns versos comandados por um rapper... Contudo, a produção continua sendo da DWA e a vocalista não nos decepciona.

Outra curiosidade a cerca dessa coletânea, é que temos duas faixas na voz da cantora Gottsha... Sim meus amigos, além da já citada "You Can Do Magic", você poderá ouvir a música "Mania de Você" - uma regravação pop-dance do clássico de Rita Lee - na voz de Sandra Maria "Gottsha", que saiu apenas com o seu primeiro nome: Sandra.


CRYSTAL B. 

"Eu não quero ser algo para você fazer..."

O projeto Crystal B. é mais uma produção do selo italiano DWA, que como vocês já sabem, é uma marca lendária de Eurodance fundada por Roberto Zanetti (conhecido também como Savage e dono de sucessos como "Don't Cry Tonight" e "Don't You Want Me"). 

Uma outra característica marcante da DWA, é que a empresa é muito lembrada pelos fãs da Dance Music por ter lançado Alexia, Double You, Netzwerk, Ice MCCorona e vários outros artistas ao estrelato...

Os produtores do Crystal B?? Eles foram Francesco Alberti, Massimo Gianfranceschi, Sabrina Marchetti e Pasquale Scarfi, que infelizmente só trabalharam nesse único single para o referido projeto. Dá para acreditar? Eu fico imaginando aqui, como seria legal se tivessemos mais músicas do Crystal B...


Francesco Alberti
Crédito da foto: Facebook de Renzo Cantarelli

Francesco Alberti (que compôs alguns sucessos de Po.Lo., Alexia, Double You, Tracy Ann, Blizzard...) foi também o Engenheiro de Som nas gravações de Crystal B., além de ter colaborado como um dos produtores, como citado acima.

Os créditos da composição também trazem os mesmos nomes: Francesco Alberti, Massimo Gianfranceschi, Pasquale Scarfi Sabrina Marchetti.


"EU NÃO QUERO CAIR EM SEUS BRAÇOS NOVAMENTE..."

"I Don't Wanna Be" infelizmente não é tão conhecida do grande público, pois saiu em pouquíssimas coletâneas ao redor do mundo (aqui no Brasil, parece que só saiu no disco "Summer Dance"), mas é um grande single, super viciante, com um estupendo vocal, uma vibe lá pra cima, melodia envolvente até o talo, e possui aquela produção magnífica com o carimbo da DWA/ Extravaganza Publishing Srl.

Sobre o nome do projeto, "Crystal B" é uma referência ao Kristal Studio, onde o single foi gravado e mixado em 1994. Nesse mesmo estúdio também foram gravadas diversas produções de esplêndidos projetos, como Blizzard (X-Energy), Corona (DWA), Netzwerk (DWA), entre outros.  

A música é muito boa, tem uma energia a lá Rozalla “Everybody’s Free” e “Are You Ready To Fly”, assim como tem as batidas e teclados que nos remetem muito às produções do Ice MC - “Think About The Way”, artista da mesma casa discográficaO single foi tocado nos clubs brasileiros em meados de 1994, assim como apareceu nas listas dos singles mais vendidos de algumas lojas:


JULHO DE 1994
Crystal B apareceu nos charts de alguns clubs paulistas, como Arena e Broadway, sempre divindo o espaço com músicas mais radicais, embora também era bem disputada pelos DJs das "dance" mais comerciais. Já a loja Flash (do Rio de Janeiro) listou o single como o 2º mais vendido do mês de julho de 1994.

Quanto à sua vocalista, demorei alguns meses para descobrir a sua real identidade, mas finalmente consegui localizá-la, e trazer também aos leitores a sua devida e necessária materialidade.

Uma observação importante, é que consta o nome dela no time de produtores / compositores, então isso facilitou muito o meu trabalho, embora não há nenhum crédito à ela como "vocalista", nem no CD-single, nem no Vinil.

O nome dela está anunciado ali em cima como uma das produtoras e compositoras do single: SABRINA MARCHETTI


A voz do Crystal B - "I Don't Wanna Be"


SABRINA MARCHETTI, A VOCALISTA TAMBÉM COLABOROU NA COMPOSIÇÃO  E PRODUÇÃO DO SINGLE

Aliás, sempre quando quiserem descobrir o nome de algum vocalista, primeiro deem uma olhada nesses créditos, pois em muitas vezes o nome dele/dela está informado ali, junto aos compositores. Mas também tenham muito cuidado ao fazer essa checagem, porque às vezes o compositor não gravou a música, ele apenas a compôs e colocaram um outro artista para gravar, vide o caso de Regina - que escreveu "Tough Girl" para o Martine (Maria Capri gravou), e Annerley Gordon - que escreveu "Melody" para o Black Rose (Rossella Graziani gravou). Enfim, a Dance Music é isso aí, uma verdadeira balbúrdia, mas acho que é por isso também que a amamos!! hahaha

"Tá, Rikardo, mas como você tem certeza que ela é a cantora?"

Por que procurei por ela, então depois de "vasculhar" por dezenas de perfis de pessoas com o mesmo nome, finalmente encontrei-a e fiz aquela pergunta clássica e indispensável: "É VOCÊ, A VOCALISTA??"


Sabrina Marchetti confirmou, com exclusividade ao Blog, ser a vocalista de "I Don't Wanna Be" (Crystal B)


Sabrina Marchetti confirmou que sim, que é a vocalista do Crystal B, além de citar que gravou outras músicas com a sua voz, e de ter escrito letras para outros artistas (assim como fez Annerley, Taleesa, Regina, Nathalie Aarts nos anos 90). É por isso que ressalto que, temos que ter muita atenção em averiguar se a composição é de fato da mesma pessoa que está cantando. Aqui, simplesmente tivemos sorte; uma coincidência de ser a mesma vocalista que escreveu a letra.


A VOZ

Uma voz que arrepia!

Sabrina Marchetti tem uma voz forte, contagiante, enfática e que causa arrepios e afinidades no ouvinte. Ela nasceu em Viareggio, Toscana, Itália, e apesar de ser uma excelente artista (produtora, compositora e cantora), se formou em Turismo em 1989. Ela ainda é fã da banda Queen e se apresenta em bares, bistrôs e cafés, além de trabalhar nos bastidores dos estúdios. 

Para gravar o projeto Crystal B, Sabrina Marchetti recebeu o convite de Francesco Alberti, mas já gravou também para outros estúdios e produtores.

Percebi também que Sabrina é super discreta, e creio que tive muita sorte em conseguir alguma resposta (a cantora pouco atualiza as redes sociais). Outro ponto que nos deixa "perdidos", é que não se encontra nada sobre a pessoa e nem sobre a artista pelos sites.

Por exemplo, se você fizer uma busca com o seu nome "Sabrina Marchetti", aparecerá diversas matérias e links sobre uma outra italiana que possui essa mesma identidade... Mas, essa senhora (com cabelos tingidos de vermelho) que os sites de busca lhe trarão, não tem relação alguma com a verdadeira vocalista do Crystal B... A indivídua em questão ganhou fama ao falar sobre a síndrome de Tourette, se tornando atualmente numa web-star italiana.


Sabrina Marchetti - Ela é mais uma Diva da Italodance

Infelizmente também não existe nenhum video-clipe para Crystal B - "I Don't Wanna Be", distanciando ainda mais essa música do grande público. 

Mas, há uma chance de ver essa talentosa morena em ação, e eu lhes digo como. Sabrina Marchetti pode ser vista pelos curiosos de plantão (assim como eu, hahaha) num outro trabalho visual... Olha ela aqui nesse video do projeto Heart Of Space:


Heart of Space - "Lose Your Love"
Video Official

Sabrina Marchetti gravou com a sua voz para o projeto Heart Of Space  – na música  "Lose Your Love" (2009). Esse projeto é de Alessandro "Alex" Barattini, um músico que já participou de uma turnê como tecladista para o Netzwerk (outro projeto da DWA), em 2004, na Espanha. 

Por consequência desse trabalho com o Netzwerk, Barattini fez uma parceria com o selo Smilax Records, que é uma propriedade de Alberto Margheriti (produtor que já trabalhou na DUE Records, com Nell, Black 4 White...), nascendo então a música "Lose Your Love" (2009), com Sabrina Marchetti nos vocais.

A parceria entre Alex Barattini, Andrea Margheriti e Sabrina Marchetti continuou em outras faixas, como "Free To Love" (2010), onde a vocalista foi creditada como "Sabry", assim como lançou músicas de house music sob o nome de Solange (como "The Way I am"), e também compondo alguns singles de eletro.


SABRINA MARCHETTI
FOTO DE 2017
Crédito da foto: Facebook de Sabrina Marchetti

Infelizmente Sabrina Marchetti não ficou tão conhecida como Double You, Alexia e Corona, mas a sua pérola "I Don't Wanna Be" para o projeto Crystal B continua empolgante, envolvente e merece ser redescoberta pelos fãs mais fiéis da Eurodance. 

Ouça, e tente ficar parado.


AGRADECIMENTOS:

À Sabrina Marchetti.


domingo, 3 de abril de 2022

A DANCE MUSIC NO BRASIL HÁ EXATOS 25 ANOS - ABRIL DE 1997

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


Para dar zoom nas imagens, clique sobre elas


AS MÚSICAS QUE ERAM DESTAQUE NO BRASIL HÁ 25 ANOS

É meus caros, há exatos 25 anos, em abril de 1997, tínhamos muita música 'Dance' e 'Pop' rolando nos clubs e rádios de todo o Brasil... E agora só me resta dizer à todos vocês: Que saudades!

Olhem só o grande #1 nas pistas de São Paulo: O projeto brasileiro Ricco Robit -“I Don’t Let You Go”, que na época eu sentia uma similaridade muito nítida com as produções da Angelina

Por falar na Angelina, a febre latina ainda estava em alta no Brasil em abril de 1997, incluindo as novelas mexicanas que tanto passavam no SBT, lembram-se? 

Então, devidamente a essa popularidade, a cantora e atriz Thalia tinha o seu espaço reservado nas pistas e FM's, mesmo não sendo exatamente uma cantora do gênero Dance Music...

Com alguns remixes de suas canções conhecidas, como "Amandote" e "Piel Morena", ela conquistou os fãs do Pop Latin daquele ano. Não que eu gostasse dessas músicas, mas estes eram hits até que suportáveis, ainda mais se compararmos com o que a nação brasileira vem ouvindo atualmente.

Outra latina que fazia muito sucesso nesse período, foi com certeza a colombiana Shakira, que apareceu na TV por diversas vezes e fez muitos shows no Brasil. Em setembro de 1996, em sua primeira vinda ao país, Shakira ainda fez turnês em cidades relativamente pequenas [para o porte artístico que a cantora tem hoje] como a paulistana Taubaté.

Dá para imaginar, um anúncio da Shakira se apresentando em Taubaté-SP, hoje em dia?


Donde estás corazon? Estoy aqui en Taubaté

As latinas Thalia e Shakira eram do Pop em 1997, mas nessa época era comum os artistas trabalharem com DJs e produtores em remixes, então bombavam também nas pistas de dança com suas versões mais agitadas


Outro merecido destaque do chart acima fica por conta do projeto Hysteric Ego - “Want Love”, track avassaladora que esteve nos topos dos clubs do Rio de Janeiro e São Paulo. Ah, e atentem-se também para a estreia da hipnotizante “Insomnia” de Faithless nas pistas brasileiras… Uma obra eternizada do Trance fazendo história pela primeira vez em território brasileiro, mais especificamente em São Paulo. Um enorme marco da Dance Music!


AS MÚSICAS LICENCIADAS PELAS GRAVADORAS DE DANCE MUSIC:

E claro, em abril de 1997 as gravadoras estavam pegando fogo com diversos lançamentos da Eurodance, como a Paradoxx Music, que apostava todas as suas fichas em Tatjana - "Your Love Is Magic", faixa que infelizmente não decolou como "Santa Maria", seu grande sucesso de 1995. 

Outra canção que a Paradoxx acolheu em seu cast foi a novidade da inglesa Suzann Rye, que tinha estourado poucos meses antes com a versão Dance de "Because You Loved Me". Entretanto, sua nova música "Trapped In My Heart" não repetiu o êxito da anterior, mesmo sendo uma faixa interessante para os fãs de Dance.

Em compensação, a gravadora paulistana vibrou com a ascensão da italiana Gala e de seus dois singles explosivos "Freed From Desire" e "Let A Boy Cry"; além do auge supremo do The Prodigy com seus big tunes mais radicais, como "Firestarter". Vejam abaixo, a relação das 10 músicas que a gravadora estava divulgando aos DJ's e fãs da dance music no mês de abril de 1997:


A Paradoxx Music com seus destaques em singles e coletâneas, há 25 anos!

Já a carioca Spotlight Records tinha em seu acervo muita coisa boa também, como o belo e inesquecível single de "Better Life" do projeto Nell...  Que classicão, não é amigos? Trata-se de uma produção italiana que havia estreado nas pistas brasileiras em fevereiro de 1997, e que insistia em não sair dos charts.

Outros hits surpreendentes e que estavam na boca dos brasileiros eram: "Number One" da Alexia; "Beautiful Ones" do projeto Dama; os brasileiros do Sect com a cativante "Get Away"; o freestyle eletrizante do Acid Factor - "Fantasy"; e a fofinha Debbie Clark com "Your Baby". 

Sem dúvidas, a Spotlight sabia mesmo agradar à todos os públicos...

A propósito, a vocalista dessa ultima faixa é a simpática e talentosa Nathalie Aarts (no site da artista tem uma lista com muitas de suas participações vocais, e ela informa que realmente aqui é a sua voz).

Agora veja os principais destaques que a gravadora Spotlight nos apresentou no mês de abril de 1997:


A Spotlight Records tinha o slogan de "A Melhor em Dance Music". Com esse playlist maravilhoso, ela realmente fez jus e soube abrilhantar a cena Dance brasileira!!


Muitos fãs da música nacional atual dizem que não valorizamos a música feita no Brasil e que apenas exaltamos os artistas de fora, mas isso é uma mentira sem tamanho... Também gostamos da música brasileira, mas obviamente que somos seletivos e recusamos ouvir essas produções cheias de baixarias, apelações, e que apresentam sempre uma produção cafona. E atualmente, aqui em nosso país "democrático", só existe espaço para dois gêneros musicais: a música que lembra o "brega" e a música que lembra o "crime". Nada além disso!

O caso do grupo Fincabaute - que aparece na lista acima da Spotlight Records - se aplica aos artistas nacionais dos anos 90 que queriam investir mais na Dance Music, e como havia espaço para todos os gêneros, então o Brasil se rendeu com a divertida faixa "Coisa de Maluco". 

Esse hit uniu muitos amigos, vizinhos, colegas de trabalho, familiares, em diversas comemorações saudáveis, pois apresenta uma letra simples e descompromissada, sem precisar fazer apologia as drogas ou apelar para a mesmice da "bunda music" - que só tem o intuito de jogar o órgão genital do "cantor" na fuça do ouvinte.

Se a música é boa, dançante, com cantores que sabem cantar [e não só bater na mesma tecla da "cachaça" ou da "raba"] já tem o nosso interesse, não importa se é internacional ou nacional. 

Não há preconceito com a cultura brasileira da nossa parte, mas há sim um seletivismo: em saber escolher o que é bom e saudável para si. 

Resumindo: Todo mundo procura aquilo que condiz à sua índole, sua moral, seus costumes e sua educação, então, democraticamente deveria existir espaço para todos os  gêneros, não essa censura assombrosa que poucos percebem.


Em 1997 o sol raiava ao som de Deborah Blando em todos os cantos do Brasil


Outra cantora que estava em alta nessa época, e cantando em português, era a talentosa Deborah Blando...  Agora compare essa autêntica cantora com o que temos fazendo sucesso atualmente... A sua música "Unicamente"  tocava em todas as rádios em abril de 1997, assim como o seu vídeo que não saía da MTV Brasil

Era dance music? Não! Era cantada em inglês? Não! Simplesmente era a música Pop Nacional, e nós a amávamos... Por que? Simples. Porque tinha qualidade! 

Não tem essa de "vamos valorizar os artistas nacionais"... A indústria nacional é que tem que valorizar os nossos ouvidos. O nosso papel é de apenas exigir mais qualidade e diversidade. 

Tá, eu sei que "qualidade" é algo muito subjetivo; pois o que pode ter qualidade para mim pode ser que não tenha para você, mas... e a diversidade musical? O significado da palavra diversidade será sempre diversidade. Então, cadê a diversidade? Por que essa ganância em controlar toda a indústria musical e restringir outros gêneros?


A Dance Music tinha o seu espaço reservado em muitas rádios e danceterias em abril de 1997 e chovia lançamentos deste gênero, um dos favoritos do público juvenil (ao lado do rock)... 
Um destes singles que saiu há 25 anos foi a novidade da Jocelyn Enriquez (que já era bem conhecida através de seu outro sucesso "Do You Miss Me?"). Seu novo eletro-freestyle era a sensacional "A Little Bit Of Ecstasy", que foi mais um hit da cantora.
 A Building Records? Conseguiu se destacar nessa época com um de seus maiores acertos de licenciamentos... trouxeram a italianíssima "Show Me Your Body" do projeto Mesopotamia. Dois Hitaços de 1997!!


Nessa época também existia muita música ruim, na linhagem "tira o pé do chão", como o Netinho, Banda Eva, Só Pra Contrariar, É o Tchan, entre outros, mas é aquele negócio... havia espaço para outros estilos e assim podíamos escolher! Havia a necessária e citada: DIVERSIDADE

Hoje, você só ouve "fuck*-music", músicas de bêbado ou sons de "zé droguinhas" em todos os lugares. Não tem mais aquela opção... E isso também explica o porque de tantas pessoas ficarem estagnadas nos flashes backs e de não conhecerem as novidades da Dance Music, pois não existe mais nenhuma "ponte", como a Paradoxx Music, Jovem Pan, Fieldzz...

De 2015 para cá, eu tenho percebido que vivemos numa verdadeira ditadura musical, e se você critica essa falta de espaço no mercado [que antes existia], ou demonstra que não está satisfeito com a sonoridade musical de determinado artista, é repreendido pela militância e taxado de preconceituoso. Praticamente somos obrigados a gostar desses 'artistas', caso contrário, preparemo-nos então para enfrentar a ira dos reboladores de bundas!!


As músicas recém licenciadas da Building Records e as mais tocadas na Krypton (abril de 1997)


Mas voltando ao passado: Há 25 anos a Building Records estava ficando cada vez mais conhecida entre os fãs da música eletrônica. 

Fundada em 1995, muita gente não tem muitas lembranças da gravadora antes do ano de 1997, o ano que a empresa de Alain Chehaib licenciou músicas marcantes, vide Prima - "Don't Cry For Me Argentina", Alex - "Te Extraño, Te Amo, Te Olvido", e a maravilhosa e já citada "Show Me Your Body" do projeto Mesopotamia. E foi bem aí que eu comecei a me interessar pelos produtos dessa gravadora...

Em abril de 1997 tivemos também outras visitas internacionais no Brasil, além de Shakira... E agora estou falando de artistas reais da Dance Music!

Faz exatos 25 anos que o canadense Outta Control e o alemão Real McCoy estiveram no Brasil para cumprir com suas agendas de apresentações. Inclusive, o Outta Control também performou na TV aberta e mostrou todo o poder da sua "Sinful Wishes" em rede nacional aos brasileiros. 


Outta Control e Real McCoy tinham hits "até dizer chega" e vieram ao Brasil para divulgar seus trabalhos. Atualmente esses artistas da Dance Music passam reto e vão para outros países sul-americanos... Triste saber que não existe mais público aqui para esse gênero musical.

O grupo Real McCoy aparentemente não se apresentou em nenhuma emissora de TV com o hit "One More Time" (sua faixa de trabalho naquele momento), mas é de nosso conhecimento que ele deu uma entrevista à MTV brasileira e fez pequenos shows em clubs.

Em abril de 1997 tivemos ainda o lançamento de outras faixas da Eurodance, hoje considerados clássicos inesquecíveis... Estou falando da baladinha "Just For You" do Masterboy e também "Thinkin' About You" do Discover (na voz da italiana Simone Jay):


Um pouco antes de "Wanna Be Like A Man", Simone Jay gravou para o projeto Discover, que chegou ao Brasil há 25 anos!


E não estou apenas levantando a bandeira da Dance Music aqui nessa postagem, mas tínhamos também bons grupos de Pop, como Spice Girls (auge total) e Boyzone

Engraçado que, na época, o Backstreet Boys ainda não era um grupo pop conhecido por nossas bandas, então quando começaram a se destacar por aqui (com "Everybody", no 2º semestre de 1997), a gravadora Virgin resolveu trazer aos brasileiros a música "I'll Never Break Your Heart", que já era um single antigo e que tinha sido sucesso em 1995 na Europa...  

Contudo, nem foi tão novidade assim, se é que vocês me entendem... Acontece que os brasileiros já conheciam a versão Eurodance dessa música, produzida pelos sensacionais músicos da italiana S.A.I.F.A.M.

"I'll Never Break Your Heart" foi lançada pelo projeto italiano Bakerstreet, em 1996, inclusive foi por esse motivo que muita gente confundiu e achou que essa era a versão original (!).

O mesmo aconteceu com dezenas de outros singles da Eurodance, como as regravações do projeto britânico Natalie Browne (Almighty Records), que tocavam nas rádios, nos clubs, nas TVs, antes mesmo das originais chegarem por aqui.

Tudo muito diferente da nossa atualidade, onde temos que correr para "garimpar" e conhecer algo audível do gênero. E o pior: Fazer isso fugindo da poluição sonora que invadiu o país, e se esquivando dos defensores de todo esse esgoto musical a céu aberto.

Pensando aqui o que será dos próximos 25 anos... Medo.



quarta-feira, 31 de março de 2021

BLACK 4 WHITE, DE "CANNIBAL" E "DO YOU KNOW", NO BRASIL (1995)

BLACK 4 WHITE NO BRASIL EM 1995
 FOTOS EXCLUSIVAS

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA

"Oh-la-la-la-la -La-oh-la-la-ê..."
Credito da foto: Sergio Silva


Olá amigos do Eurodance!
Estamos aqui mais uma vez para recordar de um grande momento da década de 90, agora envolvendo o projeto Black 4 White!!!
Pois é meus jovens, este querido projeto italiano fez bastante sucesso com seus 3 ótimos singles, "Do You Know" (1994), "Cannibal" (1995) e "So I Love You Baby" (1996), que foram representados aqui no nosso país pela gravadora Spotlight Records (atual Spottlight Record).


Black And White - "Do You Know" (1994)
Como não aplaudir esse adorável eurodance? Mais um produto da DWA em sua mais pura essência ítalodance!!


Quem acompanha o Blog sabe que consegui localizar a vocalista em 2018, época que ainda era apontada como a modelo que só dublava, mas como já justifiquei aqui, a moça sempre foi a verdadeira vocalista do Black 4 White. Conhecem aquela velha história, sobre Clara Moroni ser a voz real do Black 4 White? Então... esqueçam isso! Foi apenas uma falsa especulação que confundiu muitos fãs do gênero...

EDIT.: Apenas lembrando que o nosso blog publicou essa informação em 2018, depois disso alguns "pesquisadores" passaram a citar essa informação em fóruns fechados como se essa fosse uma de suas exclusividades... Aí fica "mamão com açúcar", meu jovem! 

O nome da verdadeira cantora é Francesca Ceselli, que inclusive até nos concedeu a 1ª entrevista do Blog, e que você pode conferir aqui

"Asha", como a cantora também é conhecida, nos informou que primeiramente gravou a demo de "Do You Know" e através dessa gravação foi escolhida para cantar oficialmente no Black 4 White. 

Francesca "Asha" Ceselli no club Moustache Sound & Dance (MS&D), em Curitiba-PR
Credito da foto: Sergio Silva


O Black 4 White foi um projeto de eurodance criado em 1994 por Massimo Traversoni e Roberto Calzolari, conhecidos também como Max Black & Robert White. A dupla produziu a linda faixa "Do You Know" ao lado de Claudio Mingardi, Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani
Nessa época o projeto se chamava ainda Black and White, mas em 1995, quando lançou o 2º single "Cannibal", aproveitou para trocar o seu nome para Black 4 White. A cantora, que tem uma voz agradável e cativante, nos esclareceu isso também:

"O projeto foi originalmente intitulado de Black & White, mas devido a um problema com direitos autorais envolvendo o nome, que já era usado, variou para Black 4 White no segundo single."
-Francesca Ceselli (Asha)

O ótimo single "Cannibal" foi produzido por Claudio Mingardi e arranjado por Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani. O conhecido Francesco Alberti (que trabalhou em Po.Lo - "I Want You") foi o engenheiro de som, enquanto que os criadores do Black 4 White (Max Black & Robert White) foram os compositores desse inesquecível hit de 1995.



Asha (Black 4 White) com o DJ Wendell Renatto (DJ Diabão)
Credito da foto: Sergio Silva


Devido ao sucesso desses dois singles, a equipe da Spotlight Promotions trouxe Francesca Ceselli ao nosso país em agosto de 1995. Com ela vieram também outros astros da Dance Music italiana, como Lorenz D, Martine e Fourteen 14, numa turnê que durou um mês e que passou por diversas cidades do interior paulista (como Campinas e Itatiba), São Paulo capital, Manaus, Belém, Blumenau, Curitiba, entre outros. Uma pena que na época eu tinha apenas 14 anos de idade, então não pude comparecer em nenhum desses espetáculos...

Na casa noturna Babel (em Itatiba - SP), essas apresentações fizeram parte do "2º Babel Dance Festival", que aconteceu no dia 26 de agosto de 1995 e que contou ainda com o show de Ice MC (com Alexia). 


Black 4 White - "Cannibal" (1995)
Nesse período em que esteve no Brasil, o Black 4 White também se apresentou em alguns programas de TV, como Raul Gil (TV Manchete) e Xuxa Hits (Globo). "Cannibal" estourou nas rádios e clubs, repetindo o sucesso do 1º single...


Em todos os shows pelo Brasil, Francesca Ceselli contou com a participação do cantor e dançarino Laurent N'Diaye (artisticamente conhecido como Lorenz D.), que também era um artista da mesma gravadora do Black 4 White, a respeitada Due Records (que lançou também alguns excelentes singles do Fourteen 14, Dama, Nell, entre outros). 

Lorenz D. interpretou o rap de "Do You Know" ao lado da vocalista, e em seguida, também fez a sua dancinha animada na performance de "Cannibal". Não sei qual foi o setlist nas demais cidades brasileiras, mas aqui em Itatiba-SP a dupla além de interpretar e dançar essas duas canções, também cantou um cover de "Black Or White" de Michael Jackson, um outro cover de John Paul Young - "Love Is In The Air", além de fazer uma versão do clássico brasileiro "Garota de Ipanema", de Antonio Carlos Jobin (a revista DJ Sound informou que eles mudaram a letra, trocando o famoso bairro carioca por Itatiba). 

Lorenz D. com Asha, no palco da Moustache Sound & Dance (MS&D), em Curitiba-PR
Credito da foto: Sergio Silva

Finalizando a apresentação do Black 4 White em Itatiba-SP, Lorenz D também cantou "Mistery", seu single de trabalho solo. Então, todas as músicas interpretadas foram: 
"Do You Know"
"Cannibal"
"Black or White"
"Love Is In The Air"
"Garota de Ipanema"
"Mistery"

Os shows aconteceram nessa ordem:
-FOURTEEN 14
-BLACK 4 WHITE
-MARTINE
-ICE MC (com Alexia)

O "2º Babel Dance Festival" de Itatiba-SP aconteceu no dia 26/08/1995, começando à meia-noite e terminando às 6 da manhã.


Belos tempos com as grandes estrelas da italodance no Brasil!!!
Crédito da foto: Sérgio Silva

Uma curiosidade, é que quando Ice MC cantou a sua última música da noite, todos esses artistas se juntaram no palco para cantar "Parabéns" à Adilson Luciano, o proprietário da casa noturna e também empresário que trouxe todos eles ao Brasil. 

Obviamente que o Black 4 White não performou o 3º single "So I Love You Baby" nesses shows, pois esta última faixa ainda não existia, sendo lançada apenas no ano seguinte. Esse disco também foi produzido e arranjado pelos talentosos produtores Claudio Mingardi, Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani. Vale ressaltar ainda que todos os singles do Black 4 White foram gravados no Gallery Studio (Itália), propriedade também desse grande trio citado. 


Black 4 White - "So I Love You Baby" (1996)


Eu perguntei à simpática vocalista sobre o rapper de "Do You Know", quem seria ele, mas ela infelizmente não tem a tal resposta. 
"Essa voz de estúdio, eu não faço ideia de quem seja.. Me desculpe".
-Francesca Ceselli (Asha)

A voz de "Do You Know", "Cannibal" e "So I Love You Baby" nasceu na cidade de Sestri Levante, na Itália, no dia 12 de fevereiro de 1974, e atualmente mora na cidade de Módena. 
Quando deixou de ser a vocalista do Black 4 White, ela gravou também outras músicas dance, como as belas "La Noche de La Luna" (1998) e "Symbol Of Love" (2000), ambas do projeto Francisca:


Francisca - "La Noche de La Luna" (1998)


Francisca - "Symbol Of Love" (2000)


Asha também gravou a música romântica "Prima della pioggia" com o grupo Totem, em 1998. Hoje ela tem um filho adolescente, trabalha em um banco (chamado Bper) e ainda continua cantando, emprestando os seus vocais à banda Spending Review
Geralmente ela faz alguns shows ao vivo com a sua banda, porém, o repertório agora é mais puxado para o pop / rock. 


A vocalista do Black 4 White atualmente
Crédito da foto: Facebook pessoal de Francesca Ceselli


Ela define cantar como: "Uma grande paixão! Comecei aos 16 anos e não parei mais... Graças à minha mãe e ao meu pai".

Na entrevista que ela concedeu ao Blog, em 2018, Asha também disse sobre essa turnê no Brasil: "A turnê no Brasil foi certamente o momento mais emocionante da minha carreira. Lembro-me do carinho e do calor do público brasileiro!"


A vocalista do Black 4 White atualmente
Crédito da foto: Facebook pessoal de Francesca Ceselli



Desejamos que Francesca Ceselli continue exercendo o seu dom de cantar por muitos e muitos anos, e que continue se lembrando do Brasil com muito carinho, pois é dessa forma também que sempre iremos nos lembrar dessa simpática italiana...