domingo, 14 de junho de 2026

COMO FOI O FESTIVAL PLANET POP 2026?

SÃO PAULO — Mesmo residindo não muito distante ao local que sediou a última edição do Planet Pop Festival, realizado no último dia 23 de maio de 2026, um choque de datas na agenda de shows impediu a minha cobertura presencial do evento. Compromissos firmados previamente para o Festival Floripa 90's, em Santo Amaro da Imperatriz (SC), motivaram o meu embarque para o estado catarinense, pois o objetivo era de realizar o antigo desejo de assistir à apresentação de Andrew Sixty (e valeu a experiência pois Andrea Alberghi canta demais, além de ser uma pessoa fantástica pessoalmente).

A aquisição das passagens aéreas e dos ingressos ocorreu antes mesmo de a organização do Planet Pop anunciar a data da edição 2026. Havia a expectativa de que os cronogramas não coincidissem, o que permitiria a presença em ambos os festivais para prestigiar também os principais expoentes dos anos 2000. Contudo, o anúncio tardio fixou os dois eventos para o mesmo dia, forçando a minha escolha pelo sonho antigo de ver o show do projeto noventista.


ACLAMAÇÃO DA CRÍTICA AO DAYTONA 

A cobertura da imprensa especializada destacou a performance do Daytona, projeto nacional liderado pelo vocalista Drico Mello. Descoberto inicialmente no circuito de rock acústico, o cantor foi convidado a transpor clássicos do gênero para as pistas de dança, fórmula que garantiu ao grupo projeção expressiva nos anos 2000 sob o selo da gravadora Building Records

O sucesso atual da performance do vocalista no palco do Planet Pop 2026 estabelece um paralelo direto com o Dalimas, outro expoente brasileiro da mesma época e gravadora, célebre por suas apresentações totalmente ao vivo que fundiam a energia do rock às batidas eletrônicas. Chama a atenção como a história se repete: enquanto o Dalimas foi coroado pelos críticos como a melhor performance do Planet Pop Festival em 2004, o Daytona colhe elogios semelhantes na edição de 2026. Em ambas as ocasiões, o diferencial que encantou os especialistas foi o mesmo: o compromisso com a execução ao vivo, a entrega artística e a forte presença de palco dos artistas nacionais. 

Inclusive, o site Correio Braziliense destacou em seu portal: "DAYTONA finalmente está de volta! Depois de um hiato de 17 anos, o projeto artístico de Drico Mello, voltou com tudo ao Planet Pop 2026. O evento reuniu os maiores nomes da Dance Music dos anos 2000, mas foi o show de DAYTONA que roubou a cena. Com sua presença de palco inconfundível, ele apresentou releituras dançantes de grandes clássicos do rock, levando o público ao delírio."

O mesmo site ainda afirmou que o projeto brasileiro está entrando em início de uma nova fase, pois se prepara para rodar o Brasil com o mesmo show empolgante que marcou época entre 2005 e 2008, quando o artista realizou mais de 100 apresentações pelo país.


PÚBLICO SE EMOCIONA FRENTE AOS ARTISTAS DOS ANOS 2000, MAS CRITICA O SOM DA CASA QUE SEDIOU O EVENTO

Embora ausente, consegui colher depoimentos de espectadores que compareceram ao festival em São Paulo. O amigo curitibano Lucas Hideki viajou até a capital paulista para prestigiar o evento nostálgico e relatou ter chegado ao local às 16h30, garantindo um lugar na primeira fileira do palco. 

Apesar de classificar a experiência geral como "incrível", Hideki apontou problemas na execução técnica do evento. Segundo o nosso amigo, houve falhas severas no microfone de Trix, do projeto Magic Box, além de um desconforto visível por parte dos artistas com os equipamentos. O início das apresentações também registrou atrasos, o que estendeu o horário de encerramento além do previsto.

"De resto foi ótimo. Fiquei um pouco chateado por não conseguir tirar fotos com eles, mas só de ter ficado perto do palco já valeu a pena", concluiu Hideki.

Conversei também com Sônia Pires, minha conterrânea daqui de São Paulo, e ela também descreveu a experiência no Planet Pop Festival 2026 de forma positiva, mas apesar da forte nostalgia proporcionada pelas apresentações, ela também teceu críticas severas à estrutura de som. Sônia ressaltou que a platéia no geral reclamou do som da casa Terra SP, dizendo que teve muitas falhas e que em muitas músicas nem conseguia ouvir os artistas:

"É inadmissível que um local que realiza shows ao público ofereça um som tão ruím, foi constrangedor para o público e também para os artistas. Estava nítido em seus olhares o descontentamento. Jamais quero vivenciar isso novamente, era para ter sido um entretenimento mágico e saudável, mas no fim foi uma desilusão. Foi frustrante, e espero que, se tiver mais alguma edição do Planet Pop, que os realizadores escolham um local mais preparado e mais profissional... o que vivenciamos ali foi uma falta de respeito. Deu vontade de pedir o ressarcimento do meu dinheiro". - Sônia Pires

As principais reações e relatos do público nas redes sociais destacaram os mesmos pontos: a nostalgia e a emoção de estar ali, mas também a decepção em relação a estes problemas técnicos. O show do Daytona, que incluiu a participação especial do guitarrista prodígio Ben Zorza, de 13 anos, foi elogiado também por Sônia: 

"Me surpreendi positivamente com a apresentação do Daytona, ele fez um show e tanto, tudo ao vivo. Ele levou também no palco um garoto guitarrista que é muito talentoso. Foi pura energia, e foi tudo sem perder o propósito do projeto, aquela coisa tradicional que segue fielmente até hoje: dance e rock misturado". -Sônia Pires

Sônia também elogiou as apresentações de DJs conhecidos da cena, como Tiko's Groove, Adriano Pagani e Tom Hopkins, que conseguiram segurar a energia de quem ficou até o final do evento.

O leitor Marcos Ferreira Godoy disse que esperou muito por este momento, de viver uma noite no Planet Pop, mas que acabou se frustrando com a péssima qualidade do som. Marcos afirmou que não apenas ele, mas muitos fãs expressaram profunda decepção com a sonorização. Houve reclamações frequentes de que o "grave estava estourando" e de que a acústica do local prejudicou a experiência. Godoy apontou também o uso de playback de vários artistas internacionais, pois era perceptível que estavam com seus microfones desligados/baixos, quebrando o clima da pista. 

"Quando a gente vai num show, espera-se que eles cantem ao vivo. Se for para ouvir playback eu fico em meu quarto ouvindo os CDs que tenho na minha coleção, achei chato da parte deles. Tá certo que desde a primeira edição há o uso do playback, mas acho que agora ficou mais acentuado ainda devido aos problemas técnicos que se somaram ao evento. Eu acho que poucos foram os cantores que se dedicaram aos fãs de verdade nesse dia 23 de maio" - Marcos Godoy

Nosso leitor também elogiou o show do Daytona, apesar de não criar expectativa nenhuma para o artista, e de confessar que o projeto jamais foi o seu favorito, mas reconhece que foi uma performance feita "com alma" e que o cantor tinha "muita vontade de estar ali e fez uma entrega vibrante"

Outro ponto positivo da noite, segundo Marcos Godoy, foi o set de Tiko's Groove com Gosha, que segundo ele, foi um dos poucos momentos em que o vocal ao vivo pôde ser ouvido com clareza.

 "Gosha e Daytona fizeram apresentações realmente dignas de serem chamadas de shows, colocaram vozes ao vivo, e apesar dos problemas técnicos, eles se empenharam ao máximo para agradar a platéia" - Marcos Godoy

Diante das falhas técnicas na execução dos shows, alguns fãs presentes relataram ainda que o valor total investido (entre ingressos e consumo) não foi justificado pela entrega final do evento. Sônia Pires e Marcos Godoy disseram que "não compensou por tudo o que foi gasto e prometido pelos organizadores". 

Nas redes sociais as reações foram as mesmas, muita gente gostou de sentir um pouco da nostalgia dos anos 2000, mas relataram que a magia poderia ter sido completa caso houvesse mais organização e profissionalismo por parte da casa e também dos realizadores do Planet Pop Festival 2006.

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