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domingo, 17 de maio de 2026

DWA/EXTRAVAGANZA - A HISTÓRIA DA EURODANCE

 O INÍCIO DA DWA E A RECENTE VENDA DE SEU CATÁLOGO DE EURODANCE PARA A WARNER

Roberto Zanetti foi o fundador da DWA e criador de inúmeros híts 

Roberto Zanetti nasceu em Massa, no dia 28 de novembro de 1956. Aos quatorze anos, começou a estudar piano e logo se apaixonou pela música. Naquele momento, percebeu que a música seria o foco de sua futura carreira.

Durante o ensino médio, Roberto tocou em grupos musicais antes de entrar para a universidade. O trabalho com diferentes grupos tornou-se tão importante para ele que Roberto decidiu seguir carreira musical. Como resultado, ele formou um grupo profissional chamado Taxi, no qual Zucchero Fornaciari tocava guitarra.

Foi nessa época que Roberto começou a compor músicas – inicialmente em um estilo melódico e comercial – e mais tarde mudou para a “Italo Disco”.

Em 1983, ele gravou o primeiro single de seu grupo Taxi, chamado "To Miami". A música se tornou um sucesso local (foi lançada apenas na Itália central) e abriu caminho para uma outra canção, chamada "Angelica", de Joey Moon.

Após essas experiências, Roberto foi contatado por dois DJs e juntos produziram “Incantation” de Gang.

Esta música – uma versão cover de uma canção de Mike Oldfield – fez sucesso na Itália e foi o início de uma colaboração com a Discomagic de Severo Lombardoni, que a distribuiu e se tornou parceira de Roberto Zanetti em seus lançamentos iniciais. 

De outubro a novembro de 1983, Roberto produziu mais quatro músicas: “Buenas Noches”, de Kamillo; “Starman”, de Claudio Mingardi; “Magic Carillon”, de Rose; e “Don't Cry Tonight”, lançada no final de 1983 com o pseudônimo de Savage, e que marcou a sua carreira. Essa música foi o primeiro grande sucesso de Roberto. Nesse meio tempo, ele decidiu adotar o nome artístico “ROBYX”, utilizando-o como produtor (ele achou melhor organizar suas carreiras, já que era um cantor e também produtor para outros cantarem).

"Don't Cry Tonight" de Savage tornou-se um grande sucesso em toda a Europa e foi remixada inúmeras vezes. A popularidade deste single foi tão grande que Savage decidiu seguir com outros singles para o projeto, e no mesmo ano de 1983, gravou sua próxima faixa, que seguia o mesmo estilo da anterior…. Era "Only You"

Esse segundo single do Savage tornou-se um clássico da Italo Disco (de batida mais lenta), resultando no lançamento de seu primeiro álbum, "Tonight".

Quanto a este seu nome artístico, surgiu na escola, quando Roberto desenhava histórias em quadrinhos com seu amigo Fabrizio Bonini. Um de seus personagens desenhados era um roqueiro rico, famoso, e levava esse nome: "Savage".


Savage é o projeto onde Roberto Zanetti compõe e canta

Nos anos seguintes (1984-1986), Roberto continuou dedicando-se ao seu projeto Savage, então trabalhou na divulgação do seu álbum "Tonight" e fez os lançamentos de seus outros singles, como "Celebration", "Radio", "A Love Again", "Love Is Death", "Loosing You" e "Goodbye". Nessa época, sua única produção (além do álbum "Savage") foi "Life Is Life", de Stargo. Essa música era uma versão dance do famoso grupo Opus. A versão de Roberto alcançou o topo das paradas francesas, conquistando um disco de ouro por 250.000 cópias vendidas.

Como era o intérprete do Savage, cantando todas as músicas, Roberto começou a concentrar seu trabalho em shows e turnês por toda a Europa, tornando-se uma estrela conhecida em alguns países do Leste Europeu, como Polônia e Rússia.

No final de 1986, Roberto decidiu criar seu próprio estúdio de gravação, chamado Casa Blanca Recordings, onde também ficava a sede de sua produtora, denominada “Robyx” (Todos os discos anteriores foram gravados em um estúdio italiano chamado Scacomatto)

Roberto começou sua carreira como produtor autodidata. Como tecladista, aprendeu rapidamente a utilizar computadores e equipamentos digitais, que logo se tornaram a base da música eletrônica.

Uma das etapas mais significativas desse progresso tecnológico foi marcada pelo fato de sua empresa ter sido uma das pioneiras no uso das baterias eletrônicas Linn Drums em 1984, do sintetizador Yamaha DX7 em 1984 e dos computadores Roland MC 700/500 em 1985.

Entre os primeiros projetos realizados no novo estúdio de gravação, está o House-Fever. Pois é, o gênero House Music começava a invadir o mundo com suas produções altamente dançantes, causando grande sensação no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas ainda não havia chegado à Itália. Nesse percurso, Roberto conheceu a música “The Party” do grupo Craze e decidiu fazer uma versão cover em italiano com uma letra espirituosa, nascendo então a canção “Non Toccarmi Il Culo Dai”, que imediatamente se tornou um sucesso imitado por Salvi com “A Car Needs To Be Moved”. Este foi, sem dúvidas, um período de transição no mundo da música, então sai a Italo Disco e a Eurodance começa a dar seus primeiros passos…

Em apenas alguns meses, Roberto lançou cerca de 10 discos desse gênero. O sucesso foi tão grande que ele vendeu 200 mil cópias. Um número enorme para o mercado italiano!


O INÍCIO DOS PROJETOS 'DANCE': ICE MC, CORONA, DOUBLE YOU

Em 1988, Robyx iniciou um novo projeto, da qual se previa que se tornaria um grande sucesso internacional. Era o “ICE MC”

A origem deste projeto foi um tanto peculiar: Roberto compôs uma música para si mesmo, que também cantava. Posteriormente, decidiu eliminar a letra dos versos e substituí-la por rap. Para isso, convidou Ian Campbell, um britânico de origem jamaicana, para ser o rapper, que antes trabalhava como dançarino de discoteca. Dessa forma, Roberto compôs a música “Easy”, que se tornou um grande sucesso em toda a Europa.


Ice MC foi destaque em toda a Europa e sua fama chegou também ao Brasil

Apesar de cantar todas as partes vocais, com exceção do rap, Roberto decidiu não participar ativamente do grupo, mas a sua voz continuou num pequeno trecho dessa música, na parte que ouvimos no refrão “Easy To Remember”. Sim, essa voz é dele, apesar de estar sem os créditos no disco. O grupo passou então a existir oficialmente como conhecemos: Ice Mc.

Além disso, os singles “Scream” e “Cinema” se tornaram grandes sucessos, assim como o álbum que incluía essas duas músicas. Os gritos femininos que ouvimos em “Scream” são de Vivianne Zanetti, a irmã do próprio Roberto. Na época, Vivianne trabalhava no escritório da DWA, mas também era uma boa cantora e, às vezes, era gravada pelo irmão. Já alguns vocais masculinos são de Roberto, enquanto que os backing vocals são de Alessia Aquilani, que se tornaria conhecida futuramente como Alexia. Aliás,Vivianne Zanetti foi quem conheceu a Alexia primeiramente, e depois acabou apresentando-a ao irmão. 

A demanda por Ice MC começou a crescer em todo o mundo, e o grupo decidiu sair em turnê. Enquanto Ian Campbell viajava, fazendo shows e promovendo sua imagem, Roberto cuidava da organização e da composição de novas músicas. Robyx dedicou toda a sua energia ao projeto Ice MC, pois podia considerá-lo seu.

Por volta de 1990, Robyx lançou apenas alguns discos, além dos materiais do Ice MC. O mais significativos foram: “Pianonegro” de Pianonegro, “Party Children” de Wareband Feat. Tad Robinson e “Vocalize” de Scatt.

Em 1990, o Robyx conheceu por acaso o grupo Double You e uma colaboração emocionante começou, resultando no single “Please Don't Go”.

Nessa ocasião também, a intuição de Roberto provou que ele estava certo, quando lançou um novo estilo chamado “Covermania”, posteriormente seguido e copiado por muitos outros na Europa.

O lançamento da música “Please Don't Go” tornou-se um sucesso instantâneo, sendo uma daquelas canções que sobem nas paradas sem a ajuda de qualquer publicidade específica. Na Inglaterra, essa música chamou a atenção de uma gravadora de música eletrônica, conhecida como Network. Eles solicitaram a licença para lançar a música no Reino Unido. A resposta de Robyx foi negativa, porque outra empresa naquele país já possuía a permissão. Mesmo assim, isso não impediu a Network de fazer uma cópia de “Please Don't Go”.


Double You sofre golpe dos ingleses

A versão cantada pelo projeto inglês KWS alcançou o topo das paradas musicais inglesas, graças à conduta incorreta do distribuidor (Ele era o editor de ambas as versões do grupo, Double You e KWS, apoiando apenas a última).

Mais tarde, a DWA venceu um processo judicial contra a Network, que foi condenada a pagar uma indenização. Foi impossível avaliar o valor da multa, considerando o sucesso da KWS tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. No entanto, o Double You triunfou no resto do mundo.

Depois disso, a empresa Robyx produziu outros grandes sucessos, enquanto o grupo KWS e a gravadora Network desapareceram do mercado.

Naquela época, o KC & The Sunshine Band, da original “Please Don't Go”, também estava interessado na empresa de Robyx e de firmar uma parceria.

Certo dia, ele decidiu visitar a Itália para gravar um álbum, que foi produzido por Robyx.


KC & The Sunchine Band grava com Double You, e a DWA também fez novos remixes para “Give It Up”, que foi lançado em vinil com 4 versões, em 1993.

Quanto ao Netzwerk, muitos pensam que foi produzido pessoalmente também por Robyx, mas na verdade, ele era apenas o dono da gravadora, e não necessariamente assinava tal produção musical. O time de produção oficial era composto pelos produtores e músicos Fulvio Perniola, Gianni Bini, Marco Galeotti e Maurizio Tognarelli, mas todos grandes parceiros da DWA, além de possuir até hoje um vínculo de amizade com Zanetti. A marca DWA estava impressa no Netzwerk pois foi lançado e gerenciado pela empresa de Robyx, então compartilhava a mesma estrutura de estúdio e as mesmas vocalistas que Robyx utilizava em suas próprias produções.

Entre 1992 e 1993, Roberto mudou-se para uma nova sede e, com seu novo estúdio, ele inaugurou uma série interminável de sucessos, como os de Ice MC e Corona. Foi também no novo estúdio que ele criou o som único “DWA”, que foi copiado por muitas outras gravadoras nos anos seguintes.

O primeiro sucesso dessa leva foi “The Rhythm Of The Night” (1993) de Corona. Nessa música, Robyx deu algumas sugestões ao produtor Francesco Bontempi e foi somente a partir do segundo single, “Baby Baby” (1995), que Roberto se tornou uma parte muito importante do projeto, fazendo mixagens e contribuindo ativamente na criação de todas as músicas. 


DJ BoBo e Robyx (ao fundo)

O caso do DJ BoBo é um pouco semelhante com o caso do Netzwerk, ou seja, não era um grupo produzido por Robyx, mas seus primeiros singles (que eram produzidos pela Fresh Records) passaram também a serem representados pela DWA.

Tudo começou quando DJ BoBo conheceu o produtor Robyx durante a edição de 1993 da MIDEM, a famosa feira e convenção internacional de música realizada anualmente em Cannes, na França. Na feira, a equipe do DJ BoBo (que incluía o gerente Oliver Imfeld e o produtor suíço Gutze Gautschi) estava promovendo uma faixa dançante recém-lançada chamada "Somebody Dance With Me". Robyx ouviu a música, adorou a pegada e viu um enorme potencial comercial, então ele abordou a equipe do DJ BoBo para negociar o seu licenciamento e lançá-la na Itália e em vários outros territórios ao redor do mundo, e assim, o lançamento internacional ocorreu e estourou conforme sua previsão. 

A partir desse primeiro contato de sucesso com a DWA, Robyx e sua equipe lançaram outros primeiros híts de DJ BoBo, como “Take Control”, “Everybody” e “There Is A Party”

Inclusive, por volta de 1994, eu achava que DJ BoBo era italiano e integrante oficial da DWA, ao lado de Double You, Corona e Ice MC, por vê-lo sempre nas coletâneas da Spotlight ao lado destes artistas e projetos italianos. Aqui no Brasil, por exemplo, o artista suíço ficou conhecido nessa época pois seus fonogramas estavam nas mãos da DWA/Robyx, que trouxe na mesma mala, para a gravadora brasileira Spotlight, seus singles juntamente com os singles de Double You, Corona e Ice Mc.

Em uma entrevista ao fan-site húngaro de DJ Bobo, o produtor suíço Gutze Gautschi rasgou elogios para Roberto Zanetti/Robyx, e explicou melhor como a parceria entre eles aconteceu:

“Como isso aconteceu? Em 1993, estávamos na feira de música em Cannes (França). Todos os anos, a cena musical do mundo todo se encontra lá. Conhecemos o Robyx lá também. Ele veio até a nós, demonstrou interesse na nossa música ("Somebody Dance With Me") e nos perguntou sobre a licença para o lançamento na Itália e em outros países. Como resultado, negociamos um contrato. Naquela época, eu também queria fazer um remix de "Somebody Dance With Me" e "Keep On Dancing" e perguntei ao Robyx se ele estaria interessado. Ele concordou e, então, passamos de três a quatro dias na Itália, no estúdio dele, onde os remixes foram produzidos. Além disso, acho que ele é um dos produtores mais brilhantes e, apesar de tudo, continua humilde. Ele não tem nenhuma pretensão e, acima de tudo, é uma pessoa muito tranquila. Nos encontramos algumas vezes em Lugano a negócios. Hoje não nos vemos mais, mas nunca se sabe.”

A foto acima (com Robyx e DJ BoBo juntos) foi justamente tirada nessa época, em 1993, durante uma apresentação em Cannes. 


Ice Mc e sua backing vocal (Alexia) vendo se vai chover (só se for chuva de sucessos)


Em suas produções próprias que estavam sendo criadas em 1994, como “Think About The Away” e “It's A Rainy Day” de Ice MC, Roberto Zanetti buscava uma nova sonoridade. Novos sons e elementos então passaram a caracterizar a Eurodance, sendo utilizados pela primeira vez nessas músicas. A vocalista Simone Jackson, que mais tarde se tornaria conhecida na Eurodance como Simone Jay, também trabalhou com Ice Mc (além de Alexia) e gravou a agitada “Take Away The Colour”, sendo mais um single bem sucedido do rapper.

Em 1994, houve também o lançamento de "Run To Me" do Double You, um estouro nas pistas de dança e rádios que tocavam a legítima Eurodance! 

"Run to Me" foi lançada oficialmente no dia 13 de maio de 1994, ou seja: está completando seus 32 anos! 

O single foi um dos grandes sucessos do Double You e fez parte de seu álbum "The Blue Album", além de consolidar a popularidade do grupo nos charts dos melhores clubs mundiais.


Os 32 anos de "Run To Me" de Double You

A brasileira Spotlight Records - que licenciava as faixas da italiana DWA nos anos 90 - nos inundou de coletâneas com "Run To Me", além de ceder o fonograma para a super compilação da Som Livre - "Disco 95". 

Ah, e uma curiosidade interessante, é que o rap que ouvimos aqui em "Run To Me" é de Ice Mc, e numa entrevista há algum tempo, o vocalista William Naraine comentou que o rap nessa música era originalmente para a música "I Just Died In Your Arms Tonight" regravada pelo Savage, mas que acabou não sendo lançado nesse projeto. 

Não podemos nos esquecer também que, em "Run To Me" há o famoso sample da oitentista e clássica "Don't Go" do Yazoo, além de apresentar as batidas idênticas de Culture Beat e sua obra-prima “Mr.Vain”, que tecnicamente é conhecida como a batida Four-on-the-Floor, destacando o bumbo que bate forte nos 4 tempos do compasso (1, 2, 3, 4).

Que produção caprichada e incrivelmente dançante ficou, né?


Corona e seu álbum "The Rhythm Of The Night" (1995)

No dia 10 de abril de 1995 foi lançado pela primeira vez o aguardado álbum "The Rhythm Of The Night" do projeto italiano Corona.

As vocalistas deste álbum são Jenny B e Sandy Chambers, duas das maiores vozes da Dance Music européia, enquanto que na parte da divulgação tivemos a modelo brasileira Olga de Souza, que fez decoração e viajou o mundo promovendo o "merchan" do disco.

Aqui no Brasil o produto foi licenciado pela gravadora brasileira Spotlight Records, assim como todo o material produzido pela gravadora italiana.

Em poucos anos, Robyx se catapultou para o grupo dos produtores mais importantes, vendendo só com Ice Mc e Corona mais de 6 milhões de singles e 2 milhões de álbuns em todo o mundo.


Alexia e Ice Mc: Mudanças e promoções à vista

Em 1995, Alexia lançou o seu primeiro single solo: "Me And You". Depois de colaborar com Double You em alguns singles fazendo o seu backing vocal, agora foi a vez do vocalista William Naraine retribuir e emprestar o seu vocal para a sua grande companheira de estúdio. Nascia ali um novo hít para a DWA, assim como também houve no mesmo período uma tentativa de dar uma carreira solo para Sandy Chambers, com sua faixa "Bad Boy"

A música de Sandy foi bem nas paradas, mas a cantora tinha que cuidar de vários outros projetos, inclusive ela estava gravando e saindo em turnês com Double You, então a sua carreira solo não vingou, como a carreira solo de sua colega Alexia.


Sandy Chambers fez aniversário de 59 anos no dia 11 de abril de 2026. Definitivamente, ela foi um dos maiores talentos que já passaram pela DWA.


No final de 1995, Robyx decidiu reorganizar suas atividades. Começou com a conversão de seus escritórios em instalações novas e mobiliadas, além de reformular sua equipe artística.

Foi durante esse período que surgiram algumas divergências com Ian Campbell, o rapper do projeto Ice MC, que, sem avisar ninguém, assinou um contrato com outro empresário, ignorando o contrato com Robyx, que ainda estava em vigor. A justificativa dada por ele foi que queria mudar seu estilo.

Essa divergência surgiu porque Ian queria usar o nome “ICE MC”, que é uma marca registrada da empresa Robyx. Roberto foi, por muito tempo, o vocalista do projeto, além de compositor de todas as músicas. Ele também tocava todos os instrumentos em todas as gravações que compôs.

Ian assinou um contrato com uma gravadora alemã, a conhecida Polydor, e Roberto foi forçado a romper todas as relações com o artista, que continuava a usar sem direitos o nome “ICE MC” com a Polydor. O single novo do rapper veio em 06 de maio de 1996, mas não chamou tanto a atenção dos DJs e programadores de FM's.


Ian Campbell abandona Robyx e a DWA para trabalhar com o grupo alemão Masterboy e a Polydor

O single "Give Me The Light" do Ice MC foi lançado exatamente há 30 anos, no dia 06 de maio de 1996, marcando uma nova transição na carreira do rapper, um dos mais icônicos da Eurodance dos anos 90. 

"Give Me The Light" foi o primeiro single de seu quarto álbum de estúdio, intitulado "Dreadatour". A canção conta com os vocais femininos da cantora italiana Valentina Ducros, que substituiu a dance-star Alexia.

Produzido por Enrico Zabler (do Masterboy), "Give Me The Light" seguiu o auge da Eurodance dos anos 90, misturando batidas eletrônicas aceleradas com rimas de influência raggamuffin. Apesar de ser uma boa música, é perceptível também que a Polydor tentou fazer um som muito semelhante ao que Ian Campbell já fazia com Robyx, ou seja, o rapper não queria mudar de estilo??

O novo álbum de Ice MC também chegou, e apesar de ser um item muito esperado pelos fãs, toda a produção foi um grande fracasso, pondo fim a um projeto tão importante. 

Enquanto isso, a DWA lançava o single de Alexia - "Summer Is Crazy", a vocalista feminina dos maiores sucessos de Ice MC. 

Durante o tempo em que Ice MC experimentava o amargo do fracasso, Alexia e Roberto Zanetti conseguiam sucesso garantido com o single "Summer Is Crazy", que, coincidentemente ou não, foi lançado exatamente no mesmo dia de lançamento de "Give Me The Light" de Ice MC. Parece até que foi coisa pensada por Roberto Zanetti.


Ice Mc foi embora para a Polydor, e Alexia assume de vez a sua carreira solo com um hít que é a cara do verão

Foi no outono europeu de 1996 que Alexia e seu produtor Robyx lançaram o clássico da Eurodance - "Summer Is Crazy", pensando nos resultados que a música poderia alcançar no verão que se aproximava. 

"Summer Is Crazy" foi lançado oficialmente em 6 de maio de 1996, ou seja, está celembrando o seu 30º aniversário! Foi também o segundo single da carreira solo de Alexia e causou um enorme sucesso, chegando ao primeiro lugar nas paradas da Itália e o Top 5 em países como Finlândia e Espanha.

A letra de "Summer Is Crazy" foi escrita pela Alexia (ela escreveu todos os seus híts) e foi produzida por Roberto Zanetti, sob o selo DWA Records.

O reconhecimento e a popularidade de Alexia foram garantidos e a cantora embarcou em uma bem-sucedida carreira solo, que resultou na distribuição de seu 3º single ainda no ano de 1996: "Number One" (finalzinho daquele ano); além do lançamento de seu primeiro álbum, "Fan Club" (1997), que nos trouxe o seu novo explosivo single: "Uh La La la" (1997).

Depois, em 1998, Alexia foi trabalhar com a Sony Music, e lançou poucas faixas no estilo Eurodance, até assumir de vez o Pop italiano que em nada lembrava as produções da DWA.


A Era de Ouro da Eurodance aconteceu com estes protagonistas da cena: os projetos da DWA

Estes foram os mais importantes projetos e artistas da DWA, durante estas décadas de glória e criatividade da Italo Dance. Obviamente que faltaram outros projetos que ficaram de fora, como aqueles menores com a Alexia fazendo os vocais (mas não mostrando o seu rosto, como o Due, Fourteen 14, e etc), tratando-se do mesmo caso do Netzwerk, com produtores terceirizados e amigos de Zanetti trabalhando na DWA em produções que não levavam a assinatura do “The Boss”. Quem sabe, não detalhemos sobre estes numa possível "Parte 2"?

O lendário músico também conta em algumas entrevistas que nunca quis transformar a sua empresa numa fábrica de inúmeros lançamentos, e que sempre prezou por produções onde ele tivesse total controle, envolvimento e contato pessoal, ou seja, diferente de suas contemporâneas, como a Time Records, a Discomagic e a S.A.I.F.A.M., que sempre lançavam centenas de singles simultaneamente e com a assinatura de muitos produtores/colaboradores. 

Zanetti fazia questão de lançar poucas produções, mas desde que tivessem seu dedo ali (embora o Netzwerk, o Po.Lo, o Black And White, o Digilove, e muitos outros projetos tenham sido produzidos por outras pessoas ligadas à ele nos anos 90, e não exatamente por ele).

Inclusive, em 2023 Zanetti montou uma lista de suas 10 canções favoritas que foram produzidas e lançadas pelo estúdio, e ele apenas escolheu as produções onde realmente esteve focado, dedicado e envolvido:


TOP 10 HITS DWA - BY ROBYX


 1) SAVAGE – "Don't Cry Tonight"

Tudo começou ali… Foi meu primeiro sucesso como produtor e artista.


2) ICE MC – "Easy"

O primeiro sucesso com o logotipo DWA e a primeira música produzida para o artista ICE MC.


3) PIANONEGRO – "Pianonegro"

O primeiro sucesso nas pistas de dança do Reino Unido. Não foi um grande sucesso comercial, mas fez muito sucesso nas paradas de música eletrônica.


4) Double You - "Please Don't Go"

O primeiro sucesso pop, que alcançou as paradas musicais em todo o mundo e transformou a DWA em uma grande gravadora de música dance.


5) CORONA – "The Rhythm Of The Night"

Sem dúvida, um dos 10 maiores sucessos da história da música dance. Ainda é tocado e dançado hoje em dia, mais de 30 anos depois.


6) CORONA – "Baby Baby" + "Try Me Out"

Os melhores singles que deram sequência a The Rhythm of the Night.


7) ICE MC – "Think About The Away"

A criação do estilo Eurodance e o início do Europop.


8) DOUBLE YOU – "Dancing With An Angel"

Um grande sucesso do verão e um momento de grande destaque para o artista Double You.


9) ALEXIA – "Me And You"

O primeiro sucesso Dance da artista Alexia. Seu primeiro single solo após a carreira com ICE MC.


10) ALEXIA – "Uh la la la"

O primeiro sucesso pop da artista Alexia, e seu primeiro hit no top 10 do Reino Unido.


Snap! e Taleesa: Uma curiosidade, é que em 2021 durante uma entrevista ao brasileiro Erik Rizzatto, Roberto Zanetti informou que, dos artistas que não pertenceram ao seu cast ele adoraria ter trabalhado com o alemão Snap!, além de ter elogiado a sua conterrânea Taleesa e citado que adoraria de ter trabalhado com ela.

Outra curiosidade: O vocalista do Po.Lo nos disse em uma entrevista que seus antigos produtores tentaram "manchar" a sua reputação depois que ele saiu da DWA, mas eu não acredito muito nessa versão dele, visto que Roberto Zanetti e sua equipe sempre foram bem tranquilos e compreensíveis com seus artistas e colaboradores. Zanetti até voltou a trabalhar com Ice MC, em 2004, após o rapper romper contrato com ele em 1996 e ir embora trabalhar na Polydor, então, creio que algo mais sério possa ter ocorrido nessa história... 

Zanetti é o tipo de pessoa que não guarda rancor, é aquele indivíduo raro que sempre procura ver algo de positivo nas pessoas. Você só encontra pessoas que falam bem dele, como profissional e como ser humano também. Já o vocalista do Po.Lo. agiu de má fé com uma fã brasileira em 2024. A pedido do próprio artista, ela escreveu a letra de 'You Don't Let Me Go', mas acabou ficando de fora dos créditos de composição da música. Como se não bastasse, o sujeito citou em entrevistas outros nomes que compuseram a letra. Ou seja, eu tenho muito mais motivos para ficar do lado do grande Zanetti/Savage/Robyx e da sua DWA. Me parece muito mais íntegro.

Leia aqui sobre o projeto Po.Lo e toda essa situação triste envolvendo a fã brasileira.


Savage - "Eternity" (2026)
Novo álbum de Savage

Outra curiosidade, é que Savage lançou recentemente o seu mais novo álbum "Eternity" (2026), que marca o retorno do mestre da Italo Disco aos holofotes da música eletrônica melódica, resgatando a essência e a atmosfera nostálgica dos anos 80.

O álbum "Eternity" foi lançado digitalmente no dia 30 de janeiro de 2026, mas no dia 06 de fevereiro chegaram ao mercado as versões em CD e vinil, sendo itens indispensáveis aos colecionadores da mídia física.

Neste novo disco, Zanetti assume (mais uma vez) o papel principal como compositor, arranjador e produtor da grande maioria das faixas, mas Elisa Gaiotto (Eliza G) também atua como letrista e fornece vocais de apoio em faixas importantes, como na música-título "Eternity"Thomas McAleese e William Campbell assinam como compositores e letristas especificamente na faixa "Reflections Of My Life" (que é uma releitura que acabou sendo incluída). Há ainda letras escritas pelos ícones Sandy Chambers e William Naraine: William compôs "Symphony" e "The End", enquanto que Sandy Chambers colaborou em "The Reason Of My Life", "Over The Rain", "Take Me" e "Talk To Me".

A mixagem ficou sob a responsabilidade do renomado engenheiro de som Marco Canepa, que também atuou como tecladista e arranjador no projeto. A masterização foi finalizada por Stefan Noltemeyer; e embora a base do álbum seja eletrônica (sintetizadores e baterias programadas), os bastidores contaram com instrumentistas orgânicos para dar mais profundidade às músicas. 

"Eternity" foi lançado pela Warner Music Italy, já que todas as produções (antigas e atuais) da DWA foram vendidas para o mercado da Warner no ano passado.


DWA FOI VENDIDA PARA A WARNER EM 2025

À esquerda: Renato Tanchis, Raffaele Razzini, Pico Cibelli, Roberto Zanetti, Francesco Bontempi, Santiago Menéndez Pidal, Luca Gentili e Filippo Pardini. Os fundadores da mitológica DWA repassam para a Warner Italy todo o seu catálogo de Italo Disco e Italo Dance.

Foi anunciado publicamente no dia 07 de janeiro de 2025, que a icônica gravadora italiana DWA (Dance World Attack) e sua divisão de publicidade Extravaganza tiveram seus extensos catálogos adquiridos pela Warner Music.

A Warner Music e a Warner Chappell Music (ambas da Itália) compraram todo o catálogo da DWA numa transação que incluiu mais de 250 gravações originais ("masters") de grandes clássicos da Italo Disco e Eurodance, incluindo sucessos como "The Rhythm of the Night" (Corona), "Happy" e "Uh La La La" (Alexia), "Baila" (Zucchero), além de muitos outros.

O lendário selo independente foi fundado em 1989 pelo produtor italiano Roberto Zanetti (também conhecido como Robyx, ou como cantor Savage) com a ajuda de Francesco Bontempi (produtor Lee Marrow), mas com o recente acordo de aquisição, a propriedade total da DWA Records e de seu braço editorial, a Extravaganza, foram transferidos para as mãos da Warner Music Italy e da Warner Chappell Music Italy.


"Adeus, DWA"

A marca "DWA Records" e seu logotipo agora pertencem legalmente à Warner, que detém os direitos exclusivos de comercialização e exploração do nome da gravadora, e Zanetti só poderá usá-lo em contextos históricos, biográficos ou promocionais autorizados (como ao dar entrevistas sobre o seu passado na empresa).

Zanetti vendeu o controle comercial, mas ainda mantém alguns direitos essenciais, por exemplo, ele continuará recebendo sua fatia de compositor por todas as faixas que escreveu ou coescreveu (como "Baila" de Zucchero). A Warner Chappell agora administra essas composições globais, mas repassa a parte correspondente ao autor de forma obrigatória.

No direito europeu e italiano, Zanetti mantém o direito de ser creditado como criador e produtor das obras originais, bem como o direito de contestar modificações que possam prejudicar sua integridade artística.

Roberto Zanetti e seu sócio Francesco Bontempi provavelmente receberam uma boa "bolada" (um pagamento financeiro irrecusável) pela venda definitiva de todo o ativo, valor este não divulgado. O seu catálogo extenso, com mais de 250 híts, também deixou os executivos da Warner bem satisfeitos:

Pico Cibelli acrescentou: “Estamos muito satisfeitos por Roberto e Francesco terem depositado sua confiança em nós como guardiões de seu catálogo e esperamos retribuir essa confiança nos próximos anos. Gostaríamos de agradecer aos nossos diretores financeiros, Raffaelle Razzini e Luca Gentili, pelo apoio e trabalho árduo para concretizar este negócio.”


Catálogo da DWA, que era de Roberto Zanetti, agora pertence à Warner

O gênero, que surgiu na Itália no final da década de 1970 e atingiu seu auge na década de 1980, é caracterizado por bateria eletrônica, sintetizadores e letras em inglês. Embora sua proeminência como gênero distinto tenha diminuído no final da década de 1990, sua influência continua presente nos estilos contemporâneos da música eletrônica.

“A Italo Disco é a essência da cena musical italiana e a DWA está no centro dessa cena há mais de três décadas”, afirmou Pico Cibelli, presidente da Warner Music Itália.

“Nossa equipe global está agora empenhada em aproveitar as oportunidades para levar esse incrível repertório a novos patamares e ajudar a garantir que uma nova geração de fãs em todo o mundo possa se conectar com essa música que celebra a vida.” - Guy Moot e Carianne Marshall , Warner Chappell Music

E se você, leitor, verificar os lançamentos digitais atuais, como os singles do Netzwerk ("Memories" e "Passion"), notará que os créditos de direitos fonográficos (P) nas plataformas como Apple Music e Amazon Music já constam oficialmente sob a etiqueta: "℗ a Warner Music Italy Release, DWA - Warner Music Italy". Portanto, todo o legado do Netzwerk agora também é gerido e distribuído globalmente pela divisão italiana da Warner Music.

Mas, quais serão os planos dos novos donos, afinal? Fazer novos remakes? Aproveitar samples? Ficaram deslumbrados com o sucesso de Black Eyed Peas e sua música "Ritmo", e agora querem investir em resgates de outros clássicos? Ou apenas seguirão desfrutando do amplo catálogo nos serviços de streaming?

“A seguir, cenas dos próximos capítulos”.


Você pode conferir mais detalhes sobre a venda da DWA apartir do link abaixo:

https://www.musicbusinessworldwide.com/warner-music-group-acquires-dwa-records-expanding-italian/


Leia também a história sobre Larry Pignagnoli e sua empresa Off Limits (que foi vendida para a BMG EM 2015):

https://rikardomusic.blogspot.com/2025/04/east-side-beat-feat-max-back-for-good.html






sexta-feira, 20 de março de 2026

NICKI FRENCH, TALEESA E GOTTSHA FARÃO SHOWS JUNTAS

NICKI FRENCH ANUNCIA QUE EM OUTUBRO FARÁ SHOWS EM PARCERIA COM GOTTSHA E TALEESA

Nicki French, Taleesa e Gottsha juntas no mesmo palco? Sim, será possível.

Uma das maiores rainhas da Eurodance, Nicki French, veio ao Brasil pela primeira vez há exatos 30 anos, em março de 1996, onde realizou a sua primeira turnê em solo brasileiro. 

Pois é, Eurodance Lovers.... Depois de 30 anos cravados, Nicki French continua a nos encantar e retorna ao Brasil com sua mais nova turnê neste mês de março de 2026!! 

A novidade da vez conta com a inclusão de dois híts nestes seus novos shows  - "Give It Up Now" (1997) e "Te Amo" (1996), sucessos que ela não costuma cantar, mas que desta vez está abrindo uma exceção.


Trecho de "Give It Up Now" ao vivo de Nicki French (Santo André/SP)


Nicki French tem presença confirmada ainda numa festa que acontecerá no próximo dia 28 de março (sábado), tratando-se do evento badalado "Krypton Remember" que celebrará a maravilhosa casa noturna paulistana Krypton, um dos templos da Eurodance dos anos 90 e que sempre tocava Nicki French, Ken Laszlo, Whigfield, Andrew Sixty, DJ Tururu, Gala, The Tamperer, entre outros nomes lendários que nos marcaram através das mãos do mago DJ Ronaldinho.


Nicki French sendo entrevistada no programa "Viva A Noite" do SBT

Atualmente hospedada em São Paulo, a cantora britânica disse que o Brasil é a sua segunda casa, além de fazer uma aguardada apresentação no SBT (Programa "Viva A Noite"). Nesta performance na TV, Nicki apresentou “Total Eclipse of the Heart”, “Did You Ever Really Love Me” e “Stop! In the Name of Love”, que foram sucessos absolutos nas rádios, pistas de dança e nas coletâneas dance dos anos 90. 

Com voz poderosa, muita simpatia e presença de palco inconfundível, Nicki French demonstrou mais uma vez por que continua sendo uma artista fundamental no cenário da Eurodance. A cantora aproveitou ainda a sua participação no "Viva A Noite" do SBT para revelar uma turnê especial que terá início em outubro deste ano. Estamos referindo aos shows que a colocarão no palco com a diva brasileira Gottsha e com a dance-star italiana Taleesa

Prontos para essa turnê?


Nicki French e Gottsha em São Paulo: Uma nova Era de Shows

Gottsha também se apresentou no SBT e falou sobre a turnê que fará ao lado de Nicki e Taleesa, numa transmissão que deverá ir ao ar no dia 28 de março para todo o Brasil. Ou seja, além dos shows de Nicki French, ainda teremos esse momento único na TV brasileira, onde as duas cantoras definitivamente levarão o nome da Eurodance para todo o Brasil através de uma das nossas maiores emissoras de TV. Será uma divulgação necessária e extraordinária!

Gottsha, amplamente considerada como uma das principais artistas Dance do Brasil, continua a enlouquecer o público com performances de músicas inesquecíveis como “No One to Answer”, “Break Out”,“Do You Wanna Love Me?” e “Dance The Night Away”, reforçando a sua influência duradoura no cenário nacional.

Já Taleesa, ela trará um repertório que inclui “Because the Night”, “I Found Luv”, “Let Me Be” e “Burning Up”, prometendo um show repleto de nostalgia e performances animadas, contudo, a estrela italiana se apresentará antes ao lado do lendário vocalista Andrea Alberghi do Andrew Sixty, no Festival Floripa Festiva 90's (que acontecerá em 22 de maio na cidade de Santo Amaro da Imperatriz - SC).


Taleesa, Karina, John Matthews (Undercover), Nicki French e Julia J, há 30 anos!


Taleesa e Nicki French já se apresentaram juntas há quase 30 anos aqui no Brasil, no Festival "Dance Philco Music" (outubro de 1996). No ano de 2025 elas se reencontraram no Festival "Love The 90s" em Barcelona (Espanha) e Nicki French disparou em seu instagram: 

"Foi maravilhoso rever a talentosa Taleesa e me apresentar ao lado dela novamente depois de tantos anos. Fizemos uma turnê juntas no Brasil em 1996 - ótimas lembranças!"


Taleesa e Nicki French se reencontram em famoso festival europeu


Taleesa respondeu: "Você continua sendo a pessoa maravilhosa, bondosa e grande artista que eu me lembro. Espero que possamos nos ver em breve, quem sabe até passar um tempo juntas. Um abraço bem apertado".

Bom, esse reencontro mencionado pela Taleesa, felizmente, irá acontecer!

Detalhe que a Taleesa também já fez shows com a brasileira Gottsha, e juntas se apresentaram em junho de 2025 no estado do Pará, mas, as três vocalistas juntas... no mesmo palco... só veremos nesta nova turnê!

Tais shows prometem oferecer aos fãs uma vibrante viagem ao passado, onde relembrarão um gênero que continua respirando e pronto para viver uma nova Era!

Bora assistí-las?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

CD TV DANCE: 30 ANOS DO MAIS PURO EURODANCE

 TV DANCE: FAMOSA COLETÂNEA DE EURODANCE COMPLETA 30 ANOS

CD TV DANCE: Há 30 anos você estava antenado com o melhor da tecnologia e assistindo ao sucesso de "Santa Maria"


Esta publicação orgulhosamente tem o intuito de relembrar e enaltecer o volume 1 da trilogia "TV DANCE", uma série de discos da sempre saudosa gravadora Paradoxx Music.

Este primeiro volume foi lançado em dezembro de 1995 (há exatos 30 anos) e foi um grande sucesso comercial, fazendo com que a gravadora Paradoxx retornasse com outras sequências, sendo "TV Dance Vol.2" (1996) e "TV Dance Vol.3" (1998).


Imagem do CD "TV Dance" em execução no microcomputador 486. Vemos o clipe de "Santa Maria" sendo tocado. Essa imagem foi capturada por Rikardo.Rocha em seu PC antigo.
A tecnologia era mínima, mas a satisfação era imensa!


Na minha opinião, "TV Dance" (1995) é uma das melhores coletâneas de dance music dos anos 90, pois além de trazer a "inédita" faixa multimídia (clipe de Tatjana - "Santa Maria"), que era algo tão revolucionário para aquela época, ainda trazia um excelente repertório de hits daquele fantástico e produtivo ano. Aqui é a dance music raíz, nada parecido com a cena eletrônica que a geração Alok costuma ouvir atualmente - que inclui algumas misturas desagradáveis que passeiam até pelo sertanejo, reggaeton e funk (!!). Simplesmente, em "TV Dance" é a DANCE MUSIC dos anos 90 em sua essência mais pura!

Até aqueles "covers" enfadonhos que a Paradoxx Music adicionava em suas coletâneas estão ótimos aqui, inclusive, alguns até melhores que as próprias versões originais, como Minie Mine - "Dub I Dub" (um cover das meninas dinamarquesas do Me & My).


Imagem da tela "Mixed Mode CD" de "TV Dance" . Se clicasse sobre a imagem de Tatjana, você acessaria ao clipe da música "Santa Maria", mas se clicasse sobre o CD à esquerda, teria acesso ao menu para ouvir as faixas do disco (veja abaixo como era esse menu). Essa imagem foi capturada por Rikardo.Rocha em seu PC antigo.


TRACK LIST DE "TV DANCE": FAIXA A FAIXA

Em dezembro de 1995, a revista DJ Sound destacou "TV Dance" 


Bom, este clipe era a grande cereja do bolo, certo? Mas não se engane, pois essa era uma novidade um pouco "problemática", se é que você me entende...

Esta faixa número 1 não rodava em seu aparelho de som, então você tinha que pulá-la rapidamente em seu cd-player para ouvir a faixa 2 em diante. Caso não fizesse isso, existia até o risco de suas caixas de som serem deterioradas. Uma certa vez, eu apertei "play" sem querer e emitiu um ruído ensurdecedor, que fez com que minhas caixas de som queimassem completamente. Pensa num prejuízo!

Você apenas conseguia acessar esta faixa em seu computador (a configuração 486 era o auge naqueles áureos tempos) e assim, você conseguia visualizar o video de Tatjana - "Santa Maria", música cantada pela deliciosa loira e que também era sucesso com seus filmes adultos. Recomendo a leitura do artigo sobre Tatjana Simic (disponível aqui no Blog), para saber mais sobre a sua curiosa carreira de cantora e atriz.

Segue o vídeo oficial de "Santa Maria", agora numa qualidade bem melhor que aquela apresentada na tal faixa mixed mode:


FAIXA 01 - Vídeo oficial: TATJANA / SANTA MARIA


  • Depois da faixa multimídia, temos na sequência a faixa nº2, que é "Tell Me" do projeto Tenessee. Este foi um outro grande hít das pistas e FM’s, trazendo batidas fortes e empolgantes, além de um vocal feminino poderosíssimo. A vocalista é a italiana Giada Masoni, embora na capa do CD-single italiano vemos uma outra mulher desconhecida. Essa produção me traz memórias de um tempo que não volta mais, pessoas queridas que a cantarolavam na época de escola, e que, com o tempo, fomos perdendo o contato;

  • Ondas se quebram e anunciam o verão de 1995. Este é o som que ouvimos na introdução de "Santa Maria", num perfeito contraste com repetitivos sussurros angelicais que são adicionados logo em seguida. Como temos o seu clipe na faixa nº1, é claro que teríamos a sua faixa de áudio para ouvirmos naquele nosso microsystem Aiwa ou Cougar, não é mesmo? Bom, quanto a cantora croata Tatjana Simic, ela gravou vários singles de Dance Music nos anos 90, porém, aqui no Brasil "Santa Maria" foi o seu maior sucesso (apesar de "Feel Good" também ter sido conhecida pelo público brasileiro uns dois anos antes). O que pouca gente sabe, é que no refrão de "Santa Maria" ouvimos a voz de uma outra cantora, e não a voz de Tatjana. No refrão temos a voz da norueguesa Kirsti Johansen — a compositora de "Santa Maria" (enquanto que, nos versos cantados realmente ouvimos a voz de Tatjana);

  • "Macarena" é a faixa nº 3, mas não se trata da conhecida versão do Los Del Rio — o grupo que explodiu com esse hino latino. Aqui temos um cover feito por Carlos Oliva & Los Sobrinos, no entanto, essa versão deles foi super elogiada por George Rizov —  um dos músicos que criaram a versão original (ele gostou muito dos arranjos dessa versão). Aliás, em 2026 pretendo fazer uma matéria contando quem foi a verdadeira vocalista da versão em inglês do Los Del Rio;


Sannie Carlson em 1995


  • "Sexy Eyes" foi um dos grandes sucessos do projeto Whigfield e aqui ela também não poderia ficar de fora. Muito tocada no segundo semestre de 1995, "Sexy Eyes" entrou em outras inúmeras coletâneas da gravadora Paradoxx, como "As 7 Melhores Vol. 4" (outra série de discos que marcou demais os anos 90). A cantora verdadeira do Whigfield é Annerley Gordon, inclusive, além da voz nas canções ser totalmente sua, o nome do projeto ainda foi batizado por ela, que resolveu homenagear a sua querida mãe: Gwendoline Wighfield. A loira que aparecia nos vídeos, capas de discos e shows? Ah, essa daí todo mundo está careca de saber que era apenas uma modelo que dublava...;

  •  A próxima música é "Dub I Dub" do projeto Minie Mine, que como já citado, é um cover que soou muito bem. Essa produção é da lendária gravadora S.A.I.F.A.M., um grande grupo italiano que investiu fortemente nas criações de Italodance e que "copiou" aqui a dupla do Me & My, representado oficialmente pela gravadora internacional EMI. O curioso, é que os italianos batizaram este projeto cover de The Twins ("As Gêmeas", uma alusão às irmãs do original, hahaha), mas a Paradoxx trocou este nome por simplesmente "Minie Mine"... muito provavelmente pela pronúncia soar parecidamente com "Me & My", né? Enfim, gosto mais dessa versão que da original. Sorry girls;

  • "Diana" é uma produção do Andrew Sixty, projeto de eurodance que também estourou no ano de 1995 com vários outros singles, como "Oh Carol" e "Caterina" (quantos nomes femininos, não?). O vocalista Andrea Alberghi gravou essa cover de "Diana" em 1995, mas em 1994 já havia gravado a mesma música para um outro projeto chamado Perfect Style (no disco havia uma versão gravada com sua voz e uma outra versão com um outro vocalista). O resultado desta gravação de 1994 foi positivo, então seus produtores (Max Moroldo e Gianluca Mensi) resolveram investir em um futuro projeto, nascendo então o Andrew Sixty (que conhecemos em 1995);


Imagem da tela onde selecionávamos as músicas de "TV Dance" para ouvirmos no microcomputador. Foi capturada por Rikardo.Rocha em seu PC antigo


  • O Playahitty fez um "arregaço" em 1994 com o hino dos verões "The Summer Is Magic", e através dessa feliz experiência resolveu voltar no verão seguinte e trazer a mesma vocalista, Jenny B, para o seu novo sucesso: "1,2,3! (Train With Me)". Este segundo single traz um ingrediente muito animado, sendo o famoso som da Maria Fumaça, um apito clássico que foi adicionado logo após ao refrão cantado lindamente por Jenny B (lembrando que ela também foi a verdadeira cantora do Corona - "The Rhythm Of The Night", além de vários outros hinos da Eurodance). É óbvio que "1,2,3! (Train With Me)" se tornou em mais um trabalho bem sucedido do Playahitty, sendo bem executado tanto nas FMs quanto nos clubs, além de ser a faixa nº7 desta excelente coletânea que está completando 30 anos;

  • "No More I Love You's" é uma canção original da cantora Annie Lennox, lançada em 6 de fevereiro de 1995 e que se tornou num sucesso enorme em todos os charts mundiais, além de ter virado um tema de novela aqui no Brasil ("A Próxima Vítima", 1995). Na onda da Eurodance, é claro que alguns produtores tiveram a brilhante idéia de criar suas variadas versões da premiada música, e diante de tantos covers que recebemos, creio que a versão euroragga do projeto Betty Blue tenha sido a melhor. Trata-se de um lançamento do selo Blanco & Nero, e a vocalista é a italiana Beatrice Baccarini. Betty Blue - "No More I Love You's" é a faixa nº8, bem reggaezinha, bem clima praia, bem no rítmo do verão — justamente a estação que recebeu o lançamento de "TV Dance", em 1995;

  •  "Back For Good" é outra cover emocionante e ao mesmo tempo dançante. As "vítimas" da vez são os garotos britânicos do Take That, que haviam lançado a original em 27 de março de 1995. Essa cover que está em "TV Dance" é mais uma produção italiana, lançada como East Side Beat feat Max. Há algumas controvérsias por parte da gravadora (Media Records), pois a empresa lançou essa regravação como se fosse uma produção do já conhecido East Side Beat, mas que não tem nenhuma relação com eles (que já eram conhecidos através de seus vários singles, como "Ride Like the Wind"). Foi uma jogada de marketing da gravadora, com a finalidade de usar um nome já conhecido e consagrado para vender essa regravação do Take That. O vocalista dessa versão dançante é o italiano Max Sensioni, e sua excelente voz ecoa muito bem em "Back For Good", faixa nº9 de "TV Dance". Para saber mais, leia aqui.

  • Aqui no Blog já falamos muito sobre Melody Castellari, uma das vocalistas por traz do projeto A.D.A.M. Feat Amy e seu arraso "Zombie". Sim, aqui é mais um cover, desta vez do grupo de rock The Cranberries. No refrão, assim como em "Santa Maria", temos uma outra vocalista desconhecida oferecendo os seus fortes vocais (não se trata de Melody Castellari). De qualquer forma, Melody cantou lindamente nos versos e fez uma animada versão dance, apesar das críticas que os produtores receberam na época, já que a original é bem triste e retrata uma tragédia que tirou a vida de algumas crianças, então, fazer uma versão dance para as pessoas se divertirem nas baladas...?? Essa não pareceu ser uma das ideias mais adequadas. Mas, enfim, a música explodiu nas dance floors do mundo inteiro e mereceu o seu sucesso;


“Ridin’ High”: Serenamente dançante

  • O que falar de "Ridin' High" de Serena? Cara, essa música é super nostálgica, né? Lembra as produções do italiano Whigfield, apesar de ser uma produção britânica criada por Matt Aitken e Mike Stock, dois do genial trio que criou alguns dos primeiros hits de Kylie Minogue. Há 5 anos consegui localizar duas das artistas apontadas como as verdadeiras cantoras do projeto Serena, contudo, essa história teve uma reviravolta tremenda há um 1 ano e meio, e agora terei que alterar algumas informações na postagem que criei em 2020 sobre o projeto e seus dois únicos singles: "Ridin' High" e "Denis". Vocês irão ficar de boca aberta;

  • Taleesa era uma máquina de fazer sucesso nos anos 90, e quando você pegava em mãos alguma coletânea que tinha uma faixa dela, então você já ficava aliviado pois sabia que ali, um sucesso (ao menos) já estava garantido. Depois de "Let Me Be" (que foi licenciada no Brasil pela Sony Music), Taleesa lançou "Burning Up" pela Paradoxx Music, faixa que foi adicionada em diversas coletâneas clássicas da gravadora, como "As 7 Melhores Vol.3". É uma música original escrita pela própria artista Emanuela Gubinelli (nome real dela) e lançada pela icônica Time Records. Está disponível na coletânea "TV Dance" em sua faixa nº12;

  • "El Tiburón" é mais uma outra cover, desta vez feita pelo projeto italiano Los Locos para a música de 1993 do grupo de origem dominicana Proyecto Uno. Essa cover foi lançada em 1995 e é sensacional, super dançante, lembrando bastante também as produções do The Outhere Brothers. Se você gosta de "merenhouse" (fusão de merengue e house), com certeza dançou muito essa. Uma pena que a gente não conheceu os verdadeiros vocalistas, creditados no single como F. Ponte e Willie Ortiz Berdecia;

  • Ih, lá vem outra cover..."La Solitudine" é uma balada cantada em italiano que chegou no Brasil em 1995, apesar de seu lançamento e sucesso inicial ter sido em 1993. A cantora Laura Pausini então caiu nas graças do público brasileiro, e até o cantor Renato Russo fez uma versão para aquela que era a música mais tocada no segundo semestre de 1995. A gravadora da Laura era a internacional Wea, que obviamente não liberaria os fonogramas originais para a pequena Paradoxx lançar em suas coletâneas, então a empresa de pequeno porte teve que recorrer à sua fiel e escudeira amiga, a italiana S.A.I.F.A.M., que já havia preparado no jeito a sua cover para Laura Pausini: Milena K - "La Solitudine". A Paradoxx adquiriu essa produção italiana mas, estrategicamente, a lançou nas suas coletâneas como Lara P (para confundir o público e este achar que é a Laura Pausini, hahaha). A versão ficou bem parecida com a original, totalmente lenta, apesar da cantora ter uma voz bem longe da grandeza e da potência de Laura Pausini. Quebrou o galho, vai!


30 anos depois, "TV Dance" ainda continua a nos emocionar com suas interpretações, melodias, arranjos, super vocais, composições... No ano em que comemora-se o seu 30º aniversário, eu tive que comprar este vinil. O CD? Tenho também, e faz só três décadas que está na coleção!!

Obs.: O vinil NÃO tem as duas últimas faixas citadas (Los Locos e Lara P.)


"Tell Me", "Santa Maria", "Macarena","Sexy Eyes", "Dub I Dub", "Diana", "1,2,3! (Train With Me)", "No More I Love You's", "Back For Good", "Zombie", "Ridin High", "Burning Up", "El Tiburón" e "La Solitudine", todas foram sucessos e marcaram a vida de muitas pessoas. Músicas divertidas, dançantes e inesquecíveis! Hits que estão guardados nas nossas memórias, sendo eternas trilhas sonoras de momentos felizes!

Obrigado à todos estes artistas/vocalistas e à extinta Paradoxx Music por este presente de natal que já dura 30 anos!!!


quinta-feira, 31 de julho de 2025

TEEKI - COLOURS IN MY EYES (1997) - A HISTÓRIA

TEEKI - "COLOURS IN MY EYES" (1997)

AS CORES AINDA ESTÃO VIVAS EM NOSSA MEMÓRIA


Chegou o momento de exaltar mais um vocal "dance" dos anos 90!! É o hit "Colours In My Eyes" do projeto Teeki, lembram-se dele?

Pois é... Essa música foi originalmente lançada em 1997, porém, começou a fazer sucesso aqui no Brasil no primeiro semestre de 1998, onde se destacou ao lado de outros clássicos da Eurodance, vide "Suddenly" da Gala, "You And Me" da Taleesa, "You're Not Alone" do Olive, "When I Fall In Love" do Ken Laszlo, e etc. 

Atenção: Toda pesquisa, entrevista e texto digitado abaixo pertencem à Rikardo Rocha. Caso você ver este conteúdo em algum site, fórum, youtube, ou qualquer outra plataforma, saiba que foi copiado daqui. O dono do blog não autoriza o compartilhamento das informações postadas abaixo sem o seu consentimento. Para maiores informações, clique aqui.

-RIKARDO ROCHA


É importante dizer que "Colours In My Eyes" não foi uma produção voltada para o eurodance (termo popular que abrange o Euro-House alemão e o Dance italiano, principalmente).

Trata-se de um sub-estilo gerado com a mescla do "house clássico" norte-americano com alguns synths genéricos de guitarras distorcidas. Algo que lembra muito também a cantora Gala e o projeto Gaya com as suas produções; dois nomes que deram o ponta-pé inicial neste sub-estilo pós italodance (1993/1997). Algo similar aconteceu com a "You And Me" da Taleesa que, evidentemente, preserva as nuances sonoras das guitarras. Todd Terry foi o grande precursor dessa geração 'pós-eurodance' quando trabalhou no remix de "Missing" do EBTG.


OS COLABORADORES PRODUTIVOS

Há sete anos, quando conversei com Matteo Cremolini (um dos principais idealizadores do projeto Teeki), observei que ele ficou muito feliz pela minha lembrança a este seu trabalho. Cremolini ainda foi gentil em revelar em primeira mão o nome da vocalista — Sara Grimaldi — que, até então, era uma grande incógnita para nós, os fãs da Eurodance. 


A vocalista Sara Grimaldi

A letra de "Colours In My Eyes" foi, na verdade, escrita pela irmã de Matteo Cremolini, Chiara Cremolini, que hoje é uma oncologista de renome internacional. Naquela época, Chiara tinha apenas 13 anos de idade e Matteo pediu que ela imaginasse uma letra simples para a sua futura "Colours In My Eyes"

A música foi construída por Matteo Cremolini em parceria com seu amigo Davide D'Ambrosio.


Dra. Chiara Cremolini 

Chiara Cremolini graduou-se em Medicina em 2008, e em 2011 concluiu um mestrado em Desenvolvimento de Medicamentos. Em 2014 especializou-se em Oncologia Médica. 

Dra. Chiara Cremolini é especialista em oncologia gastrointestinal e já escreveu mais de 200 artigos sobre câncer colorretal. 


INSPIRAÇÕES COLORIDAS

A poeta Wisława Szymborska

Matteo Cremolini tinha lido o poema "Lovers" de Wisława Szymborska, onde é mencionado um arco-íris na noite, então pediu à sua pequena irmã que incluísse essa ideia na letra. 

Cremolini também contou ao blog que o refrão da música foi inspirado em um fragmento da canção "I Don't Know How to Love Him" ​​do musical Jesus Cristo Superstar (1972).


Jesus Christ Superstar - "I Don't Know How to Love Him" (1972)

Como Matteo Cremolini e a cantora Sara Grimaldi moravam na mesma cidade, isso facilitou para que se conhecessem pessoalmente e fossem trabalhar juntos. Ele ainda disse que, na época, também conheceu a professora de canto de Sara, e como a cantora já havia gravado em outros projetos de Dance dos anos 90, então acabou envolvendo-a no projeto Teeki.


Sara Grimaldi 

"Colours In My Eyes" do Teeki foi lançada na Itália e, acredita-se que em outros países europeus também, mas, como Cremolini mencionou, ele não tinha nenhuma evidência de sua distribuição comercial.

"Tive algumas noites de trabalho em estúdio, e depois não recebi nenhuma novidade sobre a música... até me encontrar com você na internet. Obrigado!"  (Matteo Cremolini)


A HISTÓRIA DE TEEKI NO BRASIL

A música “Colours In My Eyes” brilhou no primeiro semestre de 1998, principalmente no mês de fevereiro/98. Em agosto de 1998 (mês referente ao chart da imagem acima), ainda era tocada nos principais clubs de São Paulo.

Cremolini ficou sabendo do lançamento de "Colours In My Eyes" aqui no Brasil através do primeiro contato que tive com ele, em 2018. A partir daí, o músico me solicitou mais detalhes dos feitos de sua obra conquistados em terras brasileiras, incluindo as posições alcançadas nos charts, os nomes dos clubs que tocaram-na, os títulos das coletâneas de discos em que foi inserida... entre outros dados interessantes ao seu criador, pois segundo Cremolini, foi uma grande surpresa descobrir que a música havia sido tocada por aqui.

"Olá Rikardo, espero que tudo esteja bem!!

Estou tentando reconstruir a história da nossa querida canção 'Colours In My Eyes' e minha agência (SIAE) me perguntou se eu sei os lugares (os mais importantes) onde a música foi tocada. Você acha que pode me ajudar? (Matteo Cremolini)


TEEKI: UM SUCESSO DA DANCE MUSIC QUE MERECIA TER IDO MUITO MAIS LONGE

Pelos registros buscados, não encontrei nenhuma evidência da música ter sido trabalhada em outros países (além do Brasil), mas sei que na Romênia "Colours In My Eyes" tem alguns fãs, e se tem fãs, é possível que tenha chegado por lá também. Na Itália, a música foi distribuída em dois vinis 12": um white label e posteriormente em um single de capa azul  —  ambos com três versões e pelo selo Volumex.

O que podemos afirmar, é que na década de 90 as informações não eram registradas pontualmente como hoje, então, pode ser que a música tenha sido tocada em mais países, no entanto, seguiu com pouco deste histórico registrado. 

Também já é sabido com absolutismo que nenhum outro país do mundo destacou tanto Teeki - "Colours In My Eyes" como o Brasil. Aqui tocava-se muito nas boates e nas FMs, além da faixa ter sido inserida em seis compilações oficiais (fora os piratinhas que também traziam a track).

Quando a ouvi pela primeira vez, eu tinha 16 anos de idade e no ato reconheci a beleza e a qualidade de "Colours In My Eyes" do Teeki. Acredito que foi no programa "Ritmo da Noite" da Jovem Pan 2, no final de 1997 ou início de 1998 — um período que dava início a saturação das produções da Eurodance e também onde crescia com força a onda da Axé Music e seus derivados. 


TEEKI - "COLOURS IN MY EYES" (1997) 
Imaginem agora os adolescentes de 1998 descobrindo essa preciosidade nas rádios ...  Involuntariamente de boca aberta e olhos brilhando!!

Lembro ainda que, a Paradoxx Music publicou um TOP 10 de músicas novas licenciadas em uma das páginas da revista DJ Sound. Ou seja, muito provavelmente a gravadora paulistana estava negociando com o selo Volumex para licenciar a faixa aqui no Brasil, porém, algo deve ter acontecido no meio desse caminho e a negociação não se concretizou. Na sequência, a carioca Spotlight Records acabou licenciando Teeki - "Colours In My Eyes" com eles. Esta foi a primeira vez que vimos Teeki entrar num chart brasileiro, numa divulgação da Paradoxx Music em novembro de 1997:

Novembro de 1997 na Paradoxx Music. 
Há exatos 28 anos…

Outra recordação marcante: Quando o DJ tocou "Colours In My Eyes" na abertura do show da Taleesa, em Itatiba /SP, ao lado de outras canções que marcaram aquela época, como Alexia "Gimme Love"Dario G - "Sunchyme"Gala -"Suddenly"O.M.C - "How Bizarre"Debra Michaels - "How Do I Live?", e etc. Não tem como se esquecer da energia do público itatibense ao dançar e cantar essa música! Uma vibe positiva e contagiante sem igual!!

"Colours In My Eyes" de Teeki também foi muito executada em outras rádios além da Jovem Pan 2, como a 97 FM (São Paulo-SP), Metropolitana (São Paulo-SP), Educadora FM (Campinas-SP), Dumont FM (Jundiaí-SP), e etc. Uma curiosidade é que, quando os locutores informavam o nome do projeto, eu logo imaginava que se tratava de uma cantora coreana — devido a pronúncia do nome ("tiqui"), mas às vezes também idealizava uma cantora negra  devido a voz ser bem característica, potente, forte, daquelas que chamam a atenção logo na primeira ouvida.

Nos charts anexados à revista DJ Sound é possível presenciar também o sucesso que a música atingiu entre dezembro-97/ maio-98, sendo tocada nos mais conhecidos clubs do Brasil, como os icônicos Moinho Santo Antonio, Krypton, Atlanta, Queop's, Florestta, Shampoo, Ilha de Capri, Ludovico, e etc...

No endereço abaixo você pode visualizar todos estes charts, além dos vídeos e fotos da cantora Sara Grimaldi:

https://rikardomusic.blogspot.com/2018/12/a-vocalista-do-projeto-teeki-e-seu-hit.html (copie e cole pois essa url não está linkada).

Mesmo com o crescimento do Axé Music no cenário brasileiro, essa música do Teeki se destacou bastante por aqui em 1998, mas, em muitos países não obteve a mesma sorte... 

Teeki - "Colours Im My Eyes" - Em fevereiro de 1998 foi uma das mais tocadas das noites brasileiras

Mundialmente, "Colours In My Eyes" foi ofuscada por um mar de produções de Techno e Trance que começaram a emergir em 1997/1998, o que é uma grande pena pois a faixa tinha muito potencial para explodir mundo a fora, justamente por ser uma produção classuda, original, envolvente, e por nos apresentar uma linha melódica profunda e uma vibe misteriosa, tudo isso combinado a um vocal pra lá de poderoso. 

Para completar, Teeki teve o azar de ter sido lançada por uma gravadora que não fazia marketing nenhum de suas produções, dando a "Colours In My Eyes" uma divulgação totalmente inexistente e, consequentemente, fazendo com que a faixa nunca ganhasse uma exposição realmente merecida. 

A música não ganhou um vídeo-clipe, uma performance ao vivo, e nem uma edição em CD-Single sequer! 

No Spotify??? Nada também, até hoje!!!

Definitivamente, um completo descaso e uma infeliz subestimação por parte da gravadora para com Teeki e sua fantástica, mas desvalorizada, "Colours In My Eyes".


TEEKI - "COLOURS IN MY EYES"

VOCAIS NÃO CREDITADOS: SARA GRIMALDI

ANO DE PRODUÇÃO: 1997

ANO DE LANÇAMENTO: FINAL DE 1997

ATINGIU AS PARADAS DE SUCESSO: 1998

LABEL: VOLUMEX (ITALY) - SPOTLIGHT RECORDS (BRASIL)

PRODUTORES: A. KASERER, G. VIGNALI

COMPOSITORES: M. CREMOLINI, D'AMBROSIO, RANEAR

LETRA: CHIARA CREMOLINI


Chiara Cremolini e Matteo Cremolini: Com 13 anos de idade ela escreveu a letra de “Colours In My Eyes” para o projeto de seu irmão
(Foto de Carlo Antonio Carcangiu)


A GRAVADORA SPOTLIGHT RECORDS AJUDOU A ESPALHAR AS CORES DE TEEKI PELO BRASIL

Em suas redes sociais, Matteo Cremolini disse: "Essa é a minha faixa de estreia no mundo da Dance dos anos 90 e não vi nenhum centavo de retorno. Teeki: 'Colours in my eyes' teve uma colaboração de meu amigo Davide D'Ambrosio e depois recebeu alguma divulgação no Brasil. 

Alguns anos atrás um blogueiro brasileiro (nostálgico) se lembrou deste trabalho como uma música mágica de um verão que marcou as noites (e que noites... ).

Graças a web também achei uma coletânea brasileira que continha a faixa, comprei e meses depois chegou.

Então, recapitulando, este foi um projeto de dance music antigo, mas que, mesmo depois de todos estes anos, ainda causa emoções nas pessoas, traz sonhos e descobertas, ou seja: isso é algo que não tem preço. Posso dizer que eu participei disso!" Matteo Cremolini em seu facebook.


Matteo Cremolini comprou o CD brasileiro "Ritmo da Noite Volume 7". Ele mesmo tirou a foto do CD e postou em seu facebook

"Colours In My Eyes" do projeto Teeki marcou presença em algumas coletâneas brasileiras de Dance Music, e abaixo estão elas, num total de seis títulos — todos lançados no mercado no ano de 1998 (via Spotlight Records):

-Spotlight Project - "Radio/DJ": Na verdade, este é um CD Promo distribuído aos DJs, não teve venda direta para o público. No CD encontram-se duas versões de "Colours In My Eyes": Radio Vocal Mix (Radio Edit) e Long Mix. Como não existe o CD Single oficial da música (saiu apenas em vinil 12"), vale a pena ter esse promo lançado pela Spotlight;

-Spotlight Dance Hits: Coletânea com 14 faixas variadas, incluindo "Colours In My Eyes" na "Long Mix" de 6 minutos;

-Ritmo da Noite Volume 7: Mais um CD muito bom da Spotlight que traz diversos hits da Dance Music, e é claro, entre as dezenas de faixas, lá está ela: "Colours In My Eyes" ("Radio Vocal Mix");

-Dance Hits: Esta é mais uma compilação nota 10 que foi lançada nas lojas brasileiras, mais precisamente no início de 1998. "Colours In My Eyes" é a faixa #8 ("Radio Vocal Mix");

Terceiro Milênio Vol. 2: Este é um CD bem raro...creio que a Spotlight lançou em tiragem reduzida. Teeki com sua implacável "Colours In My Eyes" está presente na versão "Radio Vocal Mix" de 3 minutos e 42 segundos.

Teeki - "Colours In My Eyes" sendo indicada na coluna "Dance Floor" (quadro de lançamentos) da Revista DJ Sound (Fevereiro / 1998). Este belo Dance marcou  também os melhores anos do programa “Super Pista” da Educadora FM, comandado na época por Lui Mazini e DJ Carlinhos… Que saudades!!


SARA GRIMALDI - A VOCALISTA DO TEEKI 

Aqui está ela: Sara Grimaldi, conhecida também como Sarah Gee

Sara é cantora / compositora, além de ser uma treinadora vocal. Sara nasceu em 20 de novembro de 1966, ou seja, completará seus 59 anos de idade nos próximos dias. 

A artista nasceu na cidade de La Spezia (a mesma em que nasceu Alexia) e sua poderosa voz está classificada como soprano, se estendendo em 4 oitavas. Quando criança, Sara começou a cantar no coral da igreja e seguiu aulas de piano e dança em sua cidade natal. Com apenas 14 anos de idade, começou a praticar como DJ e poucos meses depois, passou a colaborar em algumas rádios regionais, gravando jingles publicitários.


Sara Grimaldi gravou muitas faixas de Eurodance


Sara Grimaldi trabalhou ainda para uma produtora de vídeos na área de filmagem e edição, e assim apareceu em alguns vídeos de artistas italianos e internacionais, como KC & Sunshine Band, Pino Daniele, Gianni Morandi, e etc.

Em 1994, Sara lançou um single solo chamado "Did You Love Me" sob o nome Sarah e em ritmo de Dance Music, a grande moda da época. A canção foi escrita por S. Tubelli, M. Franciosa e Sarah (a própria). Ela também gravou para diversos outros projetos de Eurodance, como XL"Fluxland" (1994), Wild $"Forever Love" (1995), Sinny"Give Me Your Love" (1995) e Queen Of Heart "All Of Your Love" (1997).

Depois, Sara Grimaldi se tornou backing vocal de alguns artistas conhecidos da Dance Music, como Jenny B, Tony Di Bart e Double You, além de contribuir como compositora em diversos trabalhos. 

Mas, se você pensa que Sara Grimaldi só trabalhou na Dance Music, está enganado. Sara também cantou Pop, Blues, Ópera, e participou de shows Gospel com artistas como Leona Laviscount.

Nestes diversos trabalhos no segmento da Eurodance, está o projeto Teeki com a nossa aclamada "Colours In My Eyes", talvez o único hit da cantora aqui no Brasil, embora não tenha sido creditada (estamos aqui para isso).

Sara Grimaldi apenas gravou um single para o projeto Teeki...

No início dos anos 2000 ela gravou para os projetos Sarah Nelson - "The One" (2000) e Valery Verga - "Higher" (2001). Foi em 2004 que Sara Grimaldi fez os vocais para os novos singles de Ice MC, "It's A Miracle" e "My World", além de contribuir nas demais faixas do novo álbum deste veterano da Eurodance.

Sara Grimaldi ainda colaborou em um disco com renda destinada às crianças do Paquistão e também gravou um single solidário para uma associação italiana contra a leucemia.

A talentosa Sara continua até hoje em atividades. Atualmente ele segue realizando performances ao vivo e gravando novas músicas de Eurodance, como as últimas Sarah & Sbeng Allstars"Heart Of Fire" (2024) e Sarah & Sbeng Allstars"Je T'Adore" (2025), que são dois lançamentos da Revamp (gravadora nova que está investindo em Italo Dance).


Matteo Cremolini continua como músico, mas criando sons e trilhas sonoras para a área do cinema e TV:

"Hoje em dia eu componho músicas para filmes e televisão, e esse projeto Teeki é apenas uma lembrança querida que ainda me encanta!!!" (Matteo Cremolini)

 Matteo Cremolini Atualmente - Insolito Stage Live (Novembro / 2025)


AGRADECIMENTOS:

Ao italiano Matteo Cremolini por ter colaborado com seus relatos e por ter cedido o nome da vocalista aqui nesta singela homenagem. 

Grazie!



Para ler sonre Mesopotamia - "Vaffanculo" (1994), clique no link abaixo:

https://rikardomusic.blogspot.com/2026/05/tiziana-negrello-e-vocalista-de.html