SIN WITH SEBASTIAN - "SHUT UP" (1995). VOCÊ SE LEMBRA DELE?
Sin With Sebastian, de "Shut Up" (1995), está de volta após superar hemorragia cerebral
Sin With Sebastian é um projeto de Eurodance que traz o vocalista andrógino Sebastian Roth, um alemão que fez sucesso com o seu conhecido single "Shut Up (And Sleep With Me)", de 1995.
Antes de embarcar neste seu projeto solo, Sebastian Roth fez parte ainda de três projetos musicais amadores e colaborativos entre os anos de 1989 e 1993, mas saiu frustrado de todos eles com as limitações de suas experiências comerciais. Depois, ele resolveu seguir de forma totalmente independente. Estes grupos e projetos nesse período inicial foram:
-Two And A Dog: Um duo musical formado em parceria com a cantora Stephanie Mohr.
-Just Married: Outro projeto em formato de dupla, estruturado ao lado do músico Jens Bader.
-Consequently Pink (CP): Este último, um projeto conceitual inspirado no grupo britânico The KLF. Nessa iniciativa, Roth trabalhava com vários vocalistas ao mesmo tempo, misturando as vozes sob uma sonoridade pop eletrônica suave, fortemente influenciada por Pet Shop Boys. Foi justamente durante a existência do Consequently Pink que ele escreveu e guardou a demo do megahit "Shut Up (And Sleep With Me)", seu grande sucesso na Eurodance.
Sin With Sebastian (1996)
O artista possui formação acadêmica com um mestrado em Design de Mídia (Media Design) que influenciou o controle criativo de sua carreira, fazendo com que Sebastian Roth concebesse por ele mesmo a identidade visual andrógina e de toda a parte conceitual do projeto Sin With Sebastian.
Depois de concluir seus estudos, Sebastian Roth mudou-se para Londres, conseguiu um emprego em um pequeno teatro no West End e fazia música quando o tempo lhe permitia. Ele já disse em entrevistas que Neil Tennant e Chris Lowe (do Pet Shop Boys) o persuadiram a investir na carreira musical, embora já o vi comentando também em postagens do Soft Cell (via facebook) e dizendo o quanto ele sempre foi fã deles.
Sin With Sebastian - "Shut Up" (1995)
Video Official
Foi em 1995 que Sin With Sebastian lançou a canção "Shut Up (And Sleep With Me)", que em pouco tempoalcançou o topo das paradas musicais em muitos países. Aqui no Brasil, o single foi representado pela BMG, que incluiu a faixa numa coletânea bem conhecida daquele ano, o CD "Turbo Mix" da Jovem Pan — sendo um produto brasileiro que ajudou a trazer popularidade aqui também para Sin With Sebastian.
O álbum completo, "Golden Boy", foi gravado e mixado no Boogie Park Studios (Alemanha) em outubro de 1995, sendo lançado em dezembro daquele mesmo ano, mas, infelizmente, não chegou ao Brasil.
Sin With Sebastian: Capa do single "Shut Up (And Sleep With Me)" (1995)
Influenciado por Boy George, Jimmy Somerville e Pet Shop Boys, o single "Shut Up (And Sleep With Me)" explorou a androginia de Sebastian Roth e toda a sua personalidade, se tornando bastante popular e um grande sucesso na cena gay européia. Aqui no Brasil não tinha essa divisão, os DJ’s tocavam o single deste projeto em boates para jovens, independente de sua orientação sexual (o mesmo caso para a Nicki French, tão adorada pelo público gay inglês, mas aqui no Brasil era conhecida como "a rainha dos adolescentes"). Isso que eu sempre achei legal na cena eletrônica brasileira, pois os DJ's, as rádios e toda a cultura clubber daqui não tinha preconceito, não dividia categorias, e muito menos tratava a dance music com fronteiras. Era dançante e as pessoas gostavam; isso bastava.
O segundo single do Sin With Sebastian, "Golden Boy", não teve a mesma sorte, com isso o projeto foi rapidamente relegado à categoria de "grupos de um único hit".
Sebastian Roth, além de vocalista também é compositor e produtor musical. Ele é nascido no dia 20 de setembro de 1971, em Neustadt an der Weinstraße, na Alemanha, tendo atualmente 55 anos de idade.
Sin With Sebastian: O sucesso bate a sua porta através da BMG
Com este projeto, que significa "Pecado com Sebastian", o vocalista Sebastian Roth apresentou uma imagem andrógina marcante e letras satíricas, tudo isso lá em 1995.
Pois é, se no pop dos anos 80 tínhamos Boy George como referência máxima da androginia, nos anos 90 Sebastian Roth estava sendo associado a este papel, como se o próprio fosse dar "continuidade" nesta caminhada iniciada pelo famoso cantor do Culture Club.
Seu single "Shut Up (and Sleep with Me)" atingiu o primeiro lugar em países como Áustria, Espanha e Finlândia, virando um hino nas pistas de dança, além de se tornar o seu único grande sucesso.
CD "Turbo Mix" by Jovem Pan
BMG Ariola (Brasil)
"Shut Up (and Sleep with Me)" é a faixa nº9
"Shut Up (and Sleep with Me)" fala de forma direta, bem-humorada e satírica sobre o desejo puramente físico, sobre a intimidade casual e também evidencia a frustração com o excesso de conversa antes do sexo. A letra rejeita totalmente o romantismo tradicional para focar na atração imediata:“Cale a boca e venha dormir comigo”.
Basicamente é isso. É algo que acompanha muito o universo gay e também os jovens da atualidade, que fogem dos atos de romance e partem logo para o sexo. O eu lírico de "Shut Up" reclama que a outra pessoa fala demais sobre assuntos entediantes, quando o objetivo real de ambos deveria ser o ato sexual. A música é sincera e ácida ao dizer: "Eu amo o seu corpo, não gosto tanto da sua mente. Na verdade, você é entediante".
Quanto ao marcante refrão em vocais femininos e operísticos, diz "Você é jovem, você é livre; por que não dorme comigo?", incentivando as pessoas a viverem seus desejos sem culpa ou julgamentos morais. Taí o possível motivo do nome do projeto: "Pecado e Sebastian". O próprio vocalista faz essa associação com o pecado, talvez para criar uma polêmica?…Ou talvez porque, no seu íntimo, ele considerava esse conteúdo parte do pecado?
Nitidamente há uma provocação aberta contra tabus e regras antigas de comportamento, com a intenção de criar um hino de libertação e provocação cultural, algo mais ou menos como a Madonna fazia (e continua fazendo) em suas músicas.
A androginia e a eurodance de Sin With Sebastian
Sin With Sebastian mistura batidas eletrônicas aceleradas da Eurodance com os belos vocais de ópera de Donna Lynn Bowers (ela é modelo e cantora, segundo Sebastian disse numa entrevista), além dos vocais do próprio Sebastian. O projeto conseguiu se destacar na cena com essa vibrante mistura e também com a sua notável estética andrógina no videoclipe, ironizando a hipocrisia das pessoas que fingiam "mente aberta", mas tinham medo de agir de acordo com o que queriam.
Em 1997, o artista fez um dueto com a cantora alemã Marianne Rosenberg na faixa "He Belongs to Me", que chegou ao topo das paradas mexicanas, mas aqui no Brasil (e em muitos países do mundo) não chegou a ser recepcionada.
Dolly Buster - Atriz de filmes adultos: Uma parceria estranha
Após o ano de 1997, Sebastian Roth passou por um longo período de hiato comercial e reestruturação criativa, retornando à cena de forma totalmente independente a partir de 2006. Ele abandonou o formato das grandes gravadoras (BMG) e criou seu próprio selo, o Lipstick Confusion Records, que lançou seus novos trabalhos nos anos seguintes, incluindo o single "Fuck You (I am in Love)" (2007) e parcerias inusitadas como a que fez com uma ex-atriz de filmes adultos (!), chamada Dolly Buster, em 2011.
Aparentemente Sebastian queria continuar "causando" em sua nova Era, mas o que ele conseguiu foi dar uma pausa em seus trabalhos pelos próximos anos.
HEMORRAGIA CEREBRAL QUASE O MATA
ASSISTA AO VÍDEO DE SEBASTIAN ROTH, ONDE ELE FALA SOBRE SEU PROBLEMA DE SAÚDE E ANUNCIA MÚSICA NOVA
"Não se trata do que perdi. Trata-se do que me recusei a abandonar. Continuo valioso." (Sebastian Roth)
Em 2023, há três anos, Sebastian Roth sofreu uma hemorragia cerebral, sendo algo que quase o levou a morte. Após o susto e um longo período focado em sua reabilitação, o cantor compartilhou atualizações de sua recuperação nas redes sociais e recentemente acabou retomando aos trabalhos musicais.
Morando em Berlim atualmente, Sebastian Roth lançou no dia 10 de julho de 2026 o seu último single, "Queen of the Night", que é uma regravação e lançamento oficial de uma demo gravada originalmente em 1997. A canção foi originalmente escrita e gravada como uma versão demo para compor o que seria o segundo álbum de estúdio do projeto Sin With Sebastian. No entanto, o disco acabou arquivado e nunca foi lançado comercialmente pelas grandes gravadoras na época.
Sebastian Roth em fisioterapia
Após Sebastian Roth se recuperar da hemorragia cerebral, ele decidiu resgatar essa composição antiga de seu arquivo pessoal, retrabalhando a faixa com uma produção totalmente nova e moderna, batizada de "Fighter Mix", e lançando-a oficialmente nas plataformas digitais.
Essa nova canção funciona como uma "carta de amor" dedicada às criaturas da noite, artistas, sonhadores e pessoas que vivem à margem dos padrões sociais. O single (que foi lançado de forma independente), marca o retorno oficial do projeto Sin With Sebastian após uma pausa de três anos gerada pela mencionada hemorragia cerebral sofrida pelo artista.
De acordo com o próprio cantor, a letra e o conceito de "Queen of the Night" abordam os seguintes temas fundamentais: Força e Superação. Ele disse se tratar de uma resposta direta ao seu processo de recuperação, focando na resiliência para superar os caminhos inesperados da vida. A nova canção é também uma celebração sobre "encontrar o seu próprio rumo" e "viver sob suas próprias regras", além de ser uma homenagem à autenticidade dos performers, outsiders e frequentadores das pistas de dança, resgatando as batidas clássicas do dance-pop que o consagraram nos anos 90.
Sucesso e Sáude para Sebastian (com ou sem seus pecados), afinal ele é um ser humano que merece muita longevidade e reconhecimento pela sua arte rara e notável talento.
LIBRA - MAIS UM PROJETO DA EURODANCE PRODUZIDO PELA S.A.I.F.A.M.
Os 30 anos do LIBRA: "Love and Passion!"
Olá, pessoal! Hoje vamos revelar uma grande novidade para os fãs da Eurodance, sendo esta mais uma descoberta exclusiva do Blog Rikardo.Music! Tal informação provavelmente também será compartilhada em outras páginas e canais do YouTube — mesmo que, às vezes, "esqueçam" de nos dar os devidos créditos.
A motivação desse artigo é fruto da minha curiosidade quanto aos projetos da S.A.I.F.A.M., aquele label italiano que lançou muitos clássicos da Italo Dance nos anos 90, e que, infelizmente, não soltou muitas informações referentes aos seus artistas (sendo registros bem escassos), e por isso tais músicas nos permanecem ainda como verdadeiras incógnitas.
Quem cantava no projeto Libra, afinal? Descobri algumas infos há mais de um ano e quis muito vir aqui publicar no blog, mas era um período que exigia muito do meu tempo livre. Quando finalmente resolvi dividir este trabalho com vocês, eis que acabei adquirindo uma pneumonia recentemente, o que atrasou mais ainda esta tão aguardada postagem.
No entanto, mesmo em repouso, consegui finalizar a matéria que segue abaixo. Foi desafiador, mas ao mesmo tempo muito gratificante, pois sei o quanto vocês adoram descobrir os bastidores da Eurodance dos anos 90.
E tem mais, se ver por aí esses dados da cantora do Libra, saiba que foi daqui que a informação foi copiada. Ok?
Boa leitura!
LIBRA E SEUS SINGLES "DREAMING OF YOU", "ANOTHER NIGHT" E "A SECOND CHANCE"
O ITALIANO LIBRA E SEUS SINGLES
Há alguns anos, a Ana Paula do Blog Aninhahy Dance fez uma descoberta fantástica que nos trouxe a identidade da vocalista de muitos projetos da gravadora S.A.I.F.A.M.: a cantora britânica Jackie Bodimead(matéria linkada).Achei simplesmente sensacional a descoberta da blogueira curitibana (uma pena ela não atualizar mais seu blog!), visto que sempre fui fã das produções de Mauro Farina e também de suaequipe de produtores e músicos da Factory Team.
Quanto as demais produções do time de Mauro Farina, um dos projetos que eu sempre tive grande curiosidade em relação ao seu vocalista, era o Libra (não confundir com o Libra que teve a participação da cantora Jenny B, na música “Closer To Me”), então iniciei uma pesquisa há alguns anos.
Bom, o Libra foi um projeto italiano de Eurodance criado (também) pela S.A.I.F.A.M., mais especificamente por seu subselo 21st Century Records, e que tinha o seu propósito de lançar algumas músicas dançantes cantadas em inglês.
Libra - "Dreaming Of You" (1996)
21th Century (SAIFAM)
(Stefano Ghilardi, Danny Roosen, Mauro Farina e Fabio Serra)
Na minha opinião, essa é a melhor música do projeto!!
Uma pena nenhuma das músicas ter ganho um vídeo oficial...
O primeiro single do projeto foi a música "Dreaming Of You" (1996), que saiu na coletânea brasileira de eurodance "Italian Dance" da Paradoxx Music, além de ter sido tocada em algumas rádios e clubs brasileiros. Foi produzida por Stefano Ghilardi (que havia trabalhado antes no selo Dig It International) e por Danny Roosen (que havia trabalhado no projeto de Eurobeat NRG Boys), além de ser uma track composta e escrita por Stefano Ghilardi, Danny Roosen, Mauro Farina (produtor executivo e presidente do grupo S.A.I.F.A.M.) e Fabio Serra.
"Dreaming Of You"é um dos grandes tesouros da Italo Dance dos anos 90, e encapsula com perfeição a engrenagem de produção dos músicos daS.A.I.F.A.M.
Este primeiro single foi lançado em 1996, e assim como os singles seguintes, saiu apenas em vinil (os colecionadores de CDs singles só lamentam).
A música ficou marcada por apresentar uma fórmula de altíssima energia, elementos hipermelódicos e vocais dramáticos, tudo estruturado para explodir nas pistas de dança e nas rádios. Detalhe também para a melodia emprestada do clássico da italo disco "I Like A Chopin" do Gazebo.
“Dreaming Of You” me faz lembrar muito do inverno de 1997, quando ia trabalhar de bicicleta e ligava o walkman na Jovem Pan 2, ia pedalando e ouvindo este clássico nos foninhos: “Love and passion!”
Ainda em 1996, foi a vez do Libra retornar ao cenário da Eurodance com a mesma vocalista da track anterior. A S.A.I.F.A.M. entregou em "Another Night", uma dinâmica impecável dividida entre a melancolia e a euforia neste segundo trabalho do Libra.
Libra - "Another Night" (1996)
21th Century (SAIFAM)
(Stefano Ghilardi, Danny Roosen, Mauro Farina e Fabio Serra)
Energia, vocais e batidas contagiantes!!
"Another Night" brilha com um vocal feminino potente, emotivo e carregado de eco no refrão, mas não podemos nos esquecer ainda de sua base instrumental, que rapidamente explode em um riff de sintetizador bem "pra cima".
Diferente do Eurodance tradicional focado na fórmula "rapper + cantora", as faixas do Libra seguiam uma estrutura diferente: uma introdução instrumental longa, um riff de sintetizador marcante, versos melódicos crescentes e um refrão explosivo cantado inteiramente pela vocalista, sem a necessidade de rap.
Eu imaginei que “Another Night” não havia saído em nenhuma coletânea brasileira de Eurodance, mas a faixa foi disponibilizada no CD “Dance Ecstasy Vol.2” (1996), da Paradoxx Music. Uma coletânea bem difícil de achar, inclusive.
Já em 1997, um novo trabalho do Libra foi colocado no mercado. O DNA do terceiro single, intitulado agora de "A Second Chance", ecoa diretamente na mesma fórmula dos singles anteriores. Fica claro aqui que os produtores da S.A.I.F.A.M. e a vocalista refinaram a sua parceria, trazendo um vocal agudo, expressivo e com um toque de drama romântico, ditando a mesma urgência emocional que escutamos nas estrofes de "Dreaming Of You" e "Another Night".
Libra - "A Second Chance" (1997)
21th Century (SAIFAM)
(Stefano Ghilardi, Danny Roosen, Mauro Farina e Fabio Serra)
"Meu bem, por favor, me dê uma segunda chance..."
A minha segunda favorita do Libra!! A galera vinha aqui em casa e adorava dançar essa! O CD "Hits Of The World" da Paradoxx não saía do CD-Player!!! Que tempo maravilhoso!!!
"A Second Chance" também foi tocado em algumas rádios, como a Jovem Pan Sat, além de entrar em coletâneas conhecidas da Paradoxx Music, como "Hits Of The World" (1997).
Um detalhe interessante, é que os singles do Libra sempre foram originais, apesar de ser uma época bem propícia para as regravações de Eurodance. As três produções tiveram letras compostas pela equipe criativa da Factory Team.
Já a vocalista do projeto, cristalizou o padrão S.A.I.F.A.M. de vocais femininos enérgicos e refrões explosivos de apoio, técnica que dá o tom grandioso ao clímax das conhecidas produções da empresa.
Em suma, o projeto Libra funciona como uma síntese perfeita do ecossistema do produtor Mauro Farina: traz o drama romântico de Ken Laszlo, o mistério de Morgana, os ganchos melódicos de Orlando e a potência de pista de Kikka, unindo tudo sob a assinatura rítmica e inconfundível da S.A.I.F.A.M.
Depois, o projeto continuou com novos singles, todos cantados por uma cantora diferente e sem o mesmo sucesso das faixas anteriores (apesar de serem também ótimas faixas):
-"Take Me With Your Love" (1998);
-"Listen" (2000);
-"So Close To The Heavens" (2000).
Para deixar este artigo mais completo e informativo, hoje vamos entrevistar a vocalista original do Libra, Daniela Ferrari Boschi; e ela, que continua na música e trabalhando com muitas apresentações ao vivo, conseguiu um tempinho extra para responder algumas de nossas perguntas.
Vamos lá, aproveitar essa rara e exclusiva entrevista?
ENTREVISTA COM DANIELA FERRARI BOSCHI - A VOCALISTA ORIGINAL DO PROJETO LIBRA
Material Exclusivo do Blog Rikardo.Music
1• Olá Daniela, você poderia contar aos leitores do blog quantos anos você tinha quando começou a cantar?
Daniela Ferrari Boschi:Comecei a cantar profissionalmente aos 17 anos, mas eu canto desde que nasci, desde que meu pai fazia vocalizações, e eu estava sentada na minha cadeirinha com uns 3 ou 4 meses, e comecei a fazer entonações estranhas (risos).
2 • Como surgiu o convite para gravar nos lendários estúdios da SAIFAM? Você pode explicar aos brasileiros como os empresários/produtores te encontraram?
Daniela Ferrari Boschi: Eu já havia lançado dois singles de Dance com a gravadora DIG IT INTERNATIONAL (sob os nomes artísticos DANIELA F. e DANA E.) quando, um dia, uma pessoa que trabalhava na DIG IT entrou em contato comigo para me apresentar à SAIFAM, dizendo que eles tinham ouvido os meus singles e que ficariam felizes em iniciar uma colaboração comigo. Quando cheguei ao escritório, encontrei Mauro Farina e demos início ao projeto.
3 • Como Mauro Farina a tratou no estúdio? Ele foi gentil e profissional? Ele lhe ensinou algo importante sobre estúdios de gravação?
Daniela Ferrari Boschi: Mauro Farina foi uma pessoa muito profissional e gentil e, sim, ele conseguiu captar em mim várias maneiras de me expressar no estúdio de gravação no que diz respeito à música dance, mesmo eu já tendo gravado músicas de outros gêneros, como jazz, blues, etc, que depois adicionei ao meu currículo.
Daniela Ferrari Boschi: Ela também gravou ítalo dance para a gravadora Dig It (em 1995), e depois foi contratada para a SAIFAM.
4 • Daniela, em que período da década de 90 você trabalhou na SAIFAM?
Daniela Ferrari Boschi: O período da SAIFAM foi de 1996 a 1997.
5 • Você já colaborou com outras gravadoras? Se sim, quais outros gêneros já gravou?
Daniela Ferrari Boschi: Sim, já colaborei com diversas gravadoras de jazz, blues, música latina, rock'n'roll e até mesmo com gravadoras independentes como convidada, participando de uma ou mais músicas. Então, em 2010, eu mesma produzi meu álbum de músicas italianas de Swing Jive, intitulado DFJive. Em 2017, lancei um álbum com minhas músicas inéditas, em italiano, intitulado "LaSignoraDelleFavole"
6 • Daniela, como seus pais reagiram à sua carreira artística? Sua família sempre te apoiou?
Daniela Ferrari Boschi:Minha família sempre me apoiou. Eles sempre foram meus primeiros "fãs", especialmente minha mãe, sempre na primeira fila das minhas primeiras apresentações teatrais, onde quer que fosse o lugar. Ela sempre me acompanhava nos diversos programas de televisão ou teatro em que eu era dançarina, quando eu ainda era menor de idade. O fato de minha família, desde meus bisavós, ser composta inteiramente por artistas em diversas áreas: Meu bisavô e meu avô eram editores, minha mãe era pintora e ilustradora, minha avó materna era dançarina, meu pai era tenor lírico e minha avó paterna era massagista esportiva e de entretenimento. Não considero como garantido o fato de que eles sempre me apoiaram. No entanto, apesar da minha predisposição para as áreas das Artes e do Desporto, sempre me preparei da melhor forma possível, com muito orgulho, e desejava fazer um longo estágio.
Daniela Ferrari Boschi: Além de talentosa, ela é uma artista muito simpática
7 • Sua voz é realmente cativante e enérgica. Você já fez aulas de canto ou tem algum segredo para manter uma voz tão bonita?
Daniela Ferrari Boschi: Obrigada! Que elogio maravilhoso! Com certeza fiz aulas de canto, começando aos 17 anos. Nunca me esquecerei do que minha primeira professora de canto me disse após a audição para ver se eu era adequada: "Se você quer que isso se torne sua profissão, faremos respiração diafragmática, se ficar apenas nas vocalizações, você não poderá cantar por dois anos." E eu disse: "Ok". Estou lhe dizendo isso porque é muito importante treinar sua voz da maneira correta e tudo o que vem junto com isso, porque ela será a sua vida. Ser cativante e enérgica faz parte da minha personalidade desde o nascimento.
8 • Você foi a cantora nos três primeiros singles do projeto Libra. Você já gravou para outros projetos da SAIFAM?
Daniela Ferrari Boschi: Depois dos três primeiros singles do LIBRA, parei de cantar para eles e, infelizmente, como não registrei o nome LIBRA, então outros o usaram depois de mim. Esse nome "Libra" foi eu que escolhi, justamente por ser libriana, mas apenas gravei estas três músicas para eles.
9 • Você já cantou alguma dessas músicas do Libra ao vivo?
Daniela Ferrari Boschi: Infelizmente não. Na época, eu havia recebido uma proposta, através da SAIFAM, para fazer uma turnê na Espanha, mas o negócio acabou não se concretizando.
Daniela ama gatos
10 • Daniela, você sabia que essas músicas do Libra chegaram ao Brasil e foram tocadas em algumas das nossas rádios e casas noturnas?
Daniela Ferrari Boschi: Eu não sabia que as estações de rádio e as casas noturnas no Brasil me conheciam. Na verdade, quando recebi sua mensagem pelo Messenger, fiquei agradavelmente surpresa e honrada.
11 • Quais outras músicas Dance que você gravou?
Daniela Ferrari Boschi: Confirmo que também coloquei a minha voz no projeto DANA E. - "I Only Want To Be With You" com a gravadora DIG IT, em 1995. Mesmo antes de DANA E., eu já havia gravado para o projeto U Need Sound!, também lançado pelo selo DIG IT. A música deste último projeto é "Heaven Can Wait", onde fui creditada como "Daniela F.". E quanto a esses pseudônimos, foi eu que os criei, porque não podia usar meu nome verdadeiro. E através desses singles lançados pela DIG IT que fui levada depois para a SAIFAM.
Dana E. – "I Only Want To Be With You" (1995)
(Dig It International)
Daniela Ferrari Boschi e seu vocal inconfundível
Essa faixa está disponível na coletânea "Ritmo das Pistas Vol. 2" (Paradoxx Music)
12 • Durante sua estadia na SAIFAM, você conheceu outros cantores? Como foi interagir com eles?
Daniela Ferrari Boschi: Lembro-me de que uma vez, no estúdio de gravação, havia um cara com quem fizemos alguns vocais de apoio, mas não para os meus projetos. Foi divertido e artisticamente interessante.
13 • Havia outros cantores no projeto Libra, que participaram das músicas lançadas em 1998, 1999 e 2000. Você se lembra por que se desligou da S.A.I.F.A.M.?
Daniela Ferrari Boschi: Sim, saí da SAIFAM porque meu contrato expirou e eu não quis renová-lo, pois também tinha outros objetivos e projetos. Gosto de explorar novos horizontes. Se eu tivesse assinado por mais anos, não teria conseguido gravar nem produzir mais músicas.
14 • Você sabe quem canta essas músicas que vieram depois de seu desligamento?
Daniela Ferrari Boschi: Não, eu não sei quem as canta.
15 • Das músicas que você gravou — "Another Night", "Dreaming of You" e "A Second Chance" — você tem uma favorita?
Daniela Ferrari Boschi: Adoro as três porque foram gravadas em momentos diferentes da minha vida. Gosto de "Dreaming of You" de 1996 porque é o primeiro e, olhando atentamente para a capa, minha foto está impressa várias vezes e encolhida verticalmente.
"Another Night" de 1996 é o segundo single e, portanto, mais maduro na interpretação deste gênero musical.
"A Second Chance" de 1997, sendo o terceiro single, representa a explosão de tudo o que eu havia aprendido até então sobre Dance Music.
"Olhando atentamente para a capa, minha foto está impressa várias vezes e encolhida verticalmente” (Daniela Ferrari Boschi)
Depois numa outra conversa, a cantora confirmou que ela também está na capa do terceiro single do Libra:
“Na capa do vinil de ‘A Second Chance’ também tem uma arte com a minha imagem, algo abstrato e não muito nítido, mas sou eu ‘editada’.Infelizmente, não tenho essa capa porque a tiragem esgotou. Então, eles reimprimiram algumas, mas com uma capa branca." (Daniela Ferrari Boschi).
16 • No início da música "Dreaming of You", há uma passagem muito semelhante a "I Like Chopin", do Gazebo. Você se lembra quem teve a ideia de adicionar essa bela melodia a este single do Libra?
Daniela Ferrari Boschi: O início de "Dreaming of You", com a melodia de "I Like Chopin" do Gazebo, foi um dos turbilhões de ideias dos caras (D.Roosen-M.Farina-F.Serra e S.Ghilardi, esse último é o cara que me levou da DIG IT para a SAIFAM), autores das minhas músicas do LIBRA.
U Need Sound! - "Heaven Can Wait" (Extended Mix) (1995)
(Dig It International)
Produtores: Claudio Accatino, Federico Rimonti , S. Ghilardi
17 • Ken Laszlo também trabalhava na S.A.I.F.A.M. nessa mesma época, você chegou a conhecê-lo pessoalmente?
Daniela Ferrari Boschi: Ken Laszlo e eu trocamos olhares e cumprimentos durante algumas reuniões que aconteciam de vez em quando no escritório da SAIFAM, mas nada além disso.
18 • Daniela, o que você fez depois de sair da SAIFAM? Você continuou trabalhando na indústria da música?
Daniela Ferrari Boschi: Eu já estava no mundo do entretenimento e das gravadoras, então, depois do parêntese SAIFAM, dois caras da DIESEL Records, A. Bressan e P. Logambino, entraram em contato comigo para interpretar uma de suas músicas inéditas, "SottoSopra" de 1999 e nesse caso eu me chamei BAMBOLINA. Em seguida, fizemos um remix de "L'Estate sta Finendo" em italiano e espanhol sob meu nome, Daniela Ferrari. Entretanto, continuei sendo o que sempre fui: dançarina, coreógrafa, artista performática, atriz, dubladora, apresentadora, locutora de rádio e, nos últimos anos, autora e escritora. Sim, eu me apropriei de vários gêneros musicais, do Musical ao Jazz, da Bossa Nova ao Blues, do Swing ao Rock. Assim, tive diversas experiências em diferentes áreas, além de muitas apresentações ao vivo com pianistas, bandas, orquestras e big bands. Hoje, levo comigo a tradição do Swing italiano e internacional das décadas de 1930 a 1960. Também escrevo espetáculos relacionados a esse gênero e crio festivais, como o "Milano Swing Italiano", entre outros. Sou uma "Portadora Saudável do Swing" e por isso recebi o apelido de Rainha do Swing Italiano. Também amo a Bossa Nova do Brasil e canto algumas músicas do seu pais aqui na Itália.
19 • Como os fãs brasileiros podem te encontrar? Pode fornecer suas redes sociais?
Daniela Ferrari Boschi: Abaixo estão minhas redes sociais, incluindo o meu canal do YouTube; ainda não consegui postar tudo o que faço lá no Youtube, mas um dia conseguirei (risos). Não assistam aos vídeos com o nome "IRIS"... porque a pessoa copiou meus vídeos e repostou com o nome dela. Vocês poderão me encontrar no Facebook, Instagram e Youtube digitando e procurando por: Daniela Ferrari Boschi.
Acrescentei Boschi ao meu sobrenome porque é o nome da minha mãe e, por volta da década de 1950, o irmão do meu bisavô Boschi mudou-se de Monza-Milão para o Brasil e abriu uma editora. Então, entre vocês, há alguns parentes distantes meus.
20 • E você poderia mandar uma mensagem para os brasileiros que ainda ouvem as suas músicas dos anos 90?
Daniela Ferrari Boschi: Graças a você, Rikardo, posso celebrar o 30º aniversário da LIBRA com todos vocês. Fico tão emocionada em falar com vocês. Espero que os brasileiros sintam toda a minha gratidão e carinho, envio um mundo de abraços e muitos beijos a vocês, que me ouviram no passado e atualmente ainda continuam me ouvindo! Obrigada!
Daniela Ferrari Boschi canta "Corcovado", clássico da Bossa Nova aos leitores do Blog
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Espero que vocês, leitores do Blog, tenham aproveitado cada detalhe desta entrevista e que a leitura tenha sido enriquecedora. Foi um verdadeiro privilégio conversar com a cantora Daniela Ferrari Boschi e mergulhar em sua trajetória. Agradecemos a sua companhia até aqui e esperamos que todas as suas dúvidas sobre os bastidores e os conceitos do projeto Libra tenham sido completamente esclarecidas.
Muito obrigado à Daniela Ferrari Boschi, por tanta atenção e dedicação nessa entrevista. Ah, e claro, parabéns pelos 30 anos do Libra!
GRUPO SANTAMARIA ESTAVA IMPEDIDO DE CANTAR DOIS DE SEUS MAIORES SUCESSOS
Santamaria sabe fazer Dance Music européia, mas perdeu um de seus integrantes para o suicídio, e consequentemente, enfrentou problemas na justiça...
O grupo Santamaria foi fundado em Porto, Portugal, no ano de 1998, revolucionando o mercado musical daquele país ao misturar as batidas de eurodance com vocais melódicos cantados em português.
O quarteto de Portugal, que já vendeu mais de 1 milhão de cópias ao longo de sua carreira, conquistou também 21 discos de platina e 2 discos de ouro devido ao enorme sucesso alcançado. Um de seus principais hits é a música "Eu Sei, Tu És", que foi o primeiro estouro que os lançou ao estrelato, em 1998.
Outra canção bem popular do Santamaria é "Quero Saber (Se Me Amas)" - um dos maiores hinos das pistas de dança de Portugal, além de "Falésia do Amor" e "Não Dá P'ra Viver Sem Ti", três faixas que consolidaram a sonoridade da banda com suas pitadas de teclados "trance" e muito visual pop do final dos anos 90 (embora algumas músicas apresentam um estilo "euroragga").
Santamaria - "Eu Sei, Tu És" (1998)
Video Official
Primeiro hit do Santamaria, e o meu favorito deles! Mas, grupo português enfrentou um processo recente, proibindo a sua música de ser tocada ao vivo.
Aqui no Brasil, o Santamaria foi descoberto pelos fãs do projeto italiano Whigfield, já que a cantora Annerley Gordon gravou em 1999 uma parceria para o grupo português, trabalho que foi divulgado na mídia como: Santamaria featuring Whigfield.
A música em questão chama-se "Happy Maravilha", uma faixa cantada com letras em português e inglês. Com a ascensão da internet discada no início dos anos 2000, vários fãs brasileiros do Whigfield acabaram descobrindo essa parceria dos portugueses com a cantora inglesa, e assim, consequentemente também acabaram conhecendo a discografia do Santamaria.
"Happy Maravilha" fez parte do segundo álbum de estúdio do grupo português, intitulado "Sem Limite". O lançamento oficial da música ocorreu no dia 28 de abril de 1999, junto com o lançamento do álbum pela gravadora Vidisco (uma espécie de "Paradoxx Music" dos portugueses).
Mas, a polêmica não está aí, apesar de conter essa parceria com o controverso projeto Whigfield.
Tudo teve início em 1998, com a fundação do Santamaria, que nasceu originalmente com os membros Filipa Lemos, Lucas Jr, Luís Marante e Tony Lemos, que lançaram para o mercado da Dance-Pop os seus 17 álbuns de estúdio (!).
As músicas "Eu Sei, Tu És" e "Não Dá P'ra Viver Sem Ti" são dois dos maiores sucessos do grupo, mas foram escritas pelo membro Tony Lemos, que infelizmente veio a falecer no dia 13 de outubro de 2020.
Santamaria - "Tudo P'ra Te Amar" (1999)
Video Official
O tecladinho na vibe Trance marcou época, mas essa música também esteve proibida de ser tocada nos shows recentes do Santamaria...
O que ocorreu depois foi o seguinte: O grupo foi impedido de cantar estes dois hits em seus shows devido a um processo judicial relacionado aos direitos de composição e um litígio familiar envolvendo a herança de Tony Lemos.
Inclusive, este impedimento gerou revolta e levou a banda a ser vaiada pelo público em junho de 2026, durante um concerto em Lisboa, por não tocarem estes dois singles para o público português.
Santamaria - Melhor grupo português de Eurodance
A restrição deu-se pois a viúva e um dos filhos do integrante falecido processaram o grupo, na expectativa de recolherem uma "fatia financeira" desses dois trabalhos. Ou seja, o dinheiro falou mais alto para a família de Tony Lemos. Nas redes sociais, os fãs desabafaram: "Lamentável essa atitude vinda da viúva e de seu filho, pois o grupo sempre foi conhecido pela sua união, sendo preciso Tony falecer para que seus familiares recorressem à justiça para se beneficiarem de algo".
Mas, tudo foi sem sucesso, pois o tribunal declarou nessa semana como cessado o impedimento e permitindo que a banda voltasse a interpretar as duas canções nos palcos.
"Tu és loucura, és o meu prazer."
Filipa Lemos está feliz, pois voltará a cantar suas canções
A interdição obrigou o grupo, que hoje é liderado por Filipa Lemos, a manter estas duas produções de fora dos palcos durante vários meses, até a recente decisão favorável, que deu razão absoluta aos membros do Santamaria.
O Santamaria celebrou em suas redes sociais a vitória nos tribunais com a frase "Foi feita a justiça!", anunciando o retorno imediato das canções aos seus shows.
MÚSICO TONY LEMOS COMETEU SUICÍDIO
Funeral de Tony Lemos: Depressão do artista se agravou com o lockdown em 2020 (Pandemia covid-19)
O músico Tony Lemos cometeu suicídio no dia 13 de outubro de 2020, aos 48 anos de idade. O artista lutava contra uma depressão severa.
De acordo com os relatos da irmã e vocalista da banda, Filipa Lemos, o músico enfrentava um quadro depressivo profundo que se arrastava desde 2017, mas acredita-se que a crise da Covid-19 e o consequente confinamento agravaram o seu estado psicológico. O cancelamento dos shows mexeu com a sua rotina e aumentou a sua ansiedade em relação ao seu futuro (e também ao futuro da banda).
A sua função principal no grupo era a de compositor, produtor musical e tecladista, embora fizesse algumas vozes de apoio, atuando nos bastidores da criação musical, e sendo também o grande cérebro por trás dos arranjos eletrônicos da banda.
Santamaria - "Quero Tudo (E Muito Mais)" (2000)
Video Official
Sonoridade (e visual) que lembra Vengaboys e Alice Deejay
Filipa Lemos, sua irmã, sempre foi a vocalista principal da banda desde a fundação. Luís Marante atuava como o segundo vocalista e cantor de apoio ao lado de Filipa, também desde o início do grupo. Lucas Jr era um dos produtores, tecladista, responsável também pelos arranjos, pelas composições e pela modernização das batidas de eurodance nas produções do Santamaria.
Tony Lemos foi encontrado sem vida na sua residência em Fornelos, Portugal. Na época, o produtor aguardava o nascimento do seu terceiro filho com a sua companheira.
Leia mais sobre o falecimento de Tony Lemos, uma notícia que foi bastante veiculada também na época aqui no Brasil:
MORRE JANUARY ORDU, A VOCALISTA DO DJ COMPANY, PROJETO QUE NOS BRINDOU HITS COMO "RHYTHM OF LOVE" E "HEY EVERYBODY"
Adeus à January Ordu
A cantora alemã Angela Chinyere Ordu, conhecida entre os fãs da Eurodance como January Ordu, faleceu no último dia 27 de junho de 2026. Embora a causa exata de seu falecimento não tenha sido divulgada publicamente por sua família, sua morte foi amplamente lamentada pela comunidade musical de Berlim, onde seu grupo atual, Free Spiritz, estava sediado.
January Ordu cantou no gênero Eurodance nos anos 90, onde foi muito admirada por seu talento vocal ao se apresentar, tanto nos palcos como nos estúdios de gravações. Como mencionado, não foi divulgada a causa de seu falecimento, mas o que sabemos é que ela teve grande resiliência diante de alguns problemas de saúde que havia enfrentado — como a lúpus e também a um acidente vascular cerebral (AVC) que sofreu quando tinha apenas 35 anos de idade.
A Lúpus Eritematoso, que é uma doença autoimune, a forçou a interromper a carreira por vários anos. January Ordu era uma apoiadora ativa da Sociedade Alemã de Pesquisa de Lúpus.
DJ COMPANY - A HISTÓRIA E RELAÇÃO DE JANUARY ORDU COM A EURODANCE
DJ Company com January Ordu nos vocais: Uma Era de Ouro da Eurodance
DJ Company foi um grupo alemão de Eurodance que fez muito sucesso com músicas como "Rhythm Of Love" e "Hey Everybody", e que foram gravadas pela vocalista January Ordu, já os rappers eram dos mais variados conforme os singles.
Os rap's nas faixas "Rhythm Of Love", "Hold Me Now Forever" e "Holiday In The Land Of Love" são de Carlos Cool-Rage. O rap em "Hey Everybody" foi interpretado por Soul SK. O canto ragga em "Fly Away" foi interpretado por Mark Jeffries, assim como em "Number One" foi interpretado por Michael Romeo, ex-membro do Le Click e que também colaborou com a Taleesa na faixa "I Found Luv".
DJ Company - "Hey Everybody" (1994)
O primeiro sucesso na voz de January Ordu
O DJ Company teve quatro hits nas paradas dos Estados Unidos. Esses singles de sucesso são "Rhythm of Love", "Forever Young", "Hey Everybody" e "I Can Be Your Lover". A música "Number One '97" também foi lançada como single, e o álbum de estreia do DJ Company, "Rhythm of Love", foi o único lançado pelo projeto alemão.
Entre os destaques deste álbum está a canção "Wishing on the Same Star", composta por Dianne Warren, além dos hits já citados.
January Ordu emprestou seus fantásticos vocais para importantes faixas da Dance Music dos anos 90
O hit "Rhythm of Love" permaneceu 19 semanas na Billboard Hot 100, alcançando a 53ª posição.
January Ordu fez um belo trabalho vocal representando o grupo de Eurodance, e sendo um sucesso na cena musical em 1994, quando o seu primeiro single de destaque, "Hey Everybody", chegou ao 1º lugar na parada canadense de Dance Music, e onde permaneceu por 3 semanas.
Seu segundo single chegou no final de 1994, era a música "Rhythm of Love", que tem umas batidas bem semelhantes com as batidas do clássico do Culture Beat - "Mr. Vain". Sem dúvidas, "Rhythm Of Love" é o meu trabalho favorito dos alemães do DJ Company, e foi muito tocada nas danceterias brasileiras por volta de 1995.
DJ Company - "Rhythm Of Love" (Official Video) 1994
Esse som continua arrebatador, e essa é a imagem que guardarei para sempre de January Ordu.
"Rhythm Of Love" trouxe grande popularidade ao DJ Company, sendo também um enorme sucesso instantâneo no Canadá e chegando direto ao Top 5 nos charts Dance. A música se manteve em alta até julho/agosto de 1995, alcançando a 27ª posição na Billboard e o Top 10 na Europa.
O terceiro single, "Cybersex-Lovegame", foi lançado por volta de maio de 1995, mas não obteve (obviamente) o mesmo sucesso de "Rhythm Of Love", mas foi tocada e recebeu algum destaque por algumas semanas.
Os singles seguintes do DJ Company, "Holiday In The Land Of Love" e "Fly Away", foram lançados aproximadamente na mesma época. "Fly Away" foi incluída em algumas coletâneas de sucesso da Sony/Dance Pool, enquanto que "Holiday In The Land Of Love" recebeu atenção em diversos programas de rádio específicos de Eurodance, além de entrar para a trilha sonora da novelinha para adolescentes “Malhação”.
"Fly Away" chegou ao top 5 nos charts canadenses de Eurodance e alcançou aproximadamente a 2ª posição.
DJ Company - "Holiday In The Land Of Love" (1995)
"Holiday In The Land Of Love" fez sucesso também no Brasil, principalmente após ter sido inclusa na trilha sonora de "Malhação" (Volume 3)
Em meados de novembro de 1995, o álbum oficial do DJ Company foi lançado. Trouxe 10 músicas, uma introdução e um remix especial de "Rhythm Of Love". A gravação ocorreu principalmente no Northend 22, em Frankfurt, Alemanha.
1997 foi o ano em que a DJ Company alcançou grande sucesso nos Estados Unidos. Eles assinaram com a Crave, a gravadora de Mariah Carey, então uma nova versão de "Rhythm Of Love" foi criada com mais vocais e sem rap. Alcançou a 53ª posição na Billboard Hot 100 e a 8ª posição na parada Dance Maxi Single Sales (um grande sucesso para um artista de Dance Music com seu primeiro hit).
O álbum deles também foi relançado como "Rhythm Of Love", que incluiu versões novas de "Hey Everybody", "Hold Me Now Forever", um remake de "Forever Young" do Alphaville e algumas músicas novas.
January Ordu escreveu sua história nas páginas da Eurodance e hoje nos despedimos dela
January Ordu faleceu no último de 26 de junho de 2026, e tinha 55 anos de idade. Ela era natural da cidade de Saarbrücken, Alemanha. Filha de pais nigerianos, a cantora cresceu transitando entre a Alemanha, os Estados Unidos, a Nigéria e a Grã-Bretanha.
Ao longo de sua carreira, Angela Chinyere Ordu utilizou diferentes nomes artísticos (como Chi Chi Ordu e o próprio January Ordu) e colaborou com diversos grupos, além do DJ Company.
Ela também emprestou os seus belos vocais para B.G. The Prince of Rap, outro impactante grupo de Eurodance do início dos anos 1990, sob o nome de Chi Chi Ordu, e participando inclusive do álbum "The Time Is Now", do também já falecido rapper Bernard Greene.
B.G. The Prince Of Rap - "Round and Round" (Live in Brasil Faustão) 1994
É a voz dela nessa sensacional faixa de Eurodance!
Sua voz levou emoção para a linda faixa "Round And Round" do B.G. The Prince Of Rap, mas é bom frisar que ela não esteve no Brasil durante essa passagem do grupo, já que muita gente se confunde com tal apresentação do B.G. The Prince Of Rap no Faustão (e onde o grupo também performou essa música que foi gravada originalmente por ela).
Outra observação importante, é que se trata da própria January Ordu no antológico vídeo de "The Colour Of My Dreams" do B.G. Prince Of Rap (apesar dos vocais deste clássico serem da cantora Paris Red, a primeira vocalista do Masterboy).
BG The Prince Of Rap - "The Colour Of My Dreams" (1994)
Nos anos 2000, a artista colaborou com diferentes formações musicais, incluindo o octeto da famosa atriz e cantora alemã Katja Riemann.
Seu projeto mais recente e duradouro, Free Spiritz,fundado por ela em 2020 em Berlim, era uma formação multicultural feminina focada em misturar Afrobeat, Reggae e ritmos tradicionais de países como Nigéria, Gana e Brasil. Os músicos do grupo informaram que continuarão a se apresentar em memória de Angela Chinyere Ordu.
O que se sabe sobre a vida pessoal e a trajetória da cantora Debra Michaels? Infelizmente, são bastante limitadas as informações. Ela foi uma cantora de dance music nos anos 90, e a maior parte de sua história fora da música permanecia um mistério, já que ela acabou se afastando dos holofotes, e na época de seu sucesso, a internet ainda estava começando...
Por conta dessa escassez de informações, há alguns anos consegui localizar a cantora de "How Do I Live", e assim, muito prontamente ela nos concedeu uma entrevista esclarecedora.
E você, se lembra da versão dance dela para "How Do I Live"? Fez sucesso aí na sua cidade??
Aqui em São Paulo foi uma música muito tocada nas rádios, com excessão da Jovem Pan, que estava meio "perdida" ali em 1998 (estava mergulhada na música popular, e até Padre Marcelo Rossi estava sendo tocado na emissora).
A CARREIRA DE DEBRA MICHAELS
Nos anos 90, Debra Michaels assinou um contrato com o selo fonográfico independente Robbins Entertainment, bastante conhecido por lançar faixas de dance music nos Estados Unidos, sendo uma vertente mais puxada para o Freestyle (uma especialidade que os americanos adoram!).
A música "How Do I Live" é uma versão dance de LeAnn Rimes, um sucesso pop romântico de 1997, mas que não teve grande fama no Brasil. Foi gravada por Debra Michaels também em 1997, e apenas no início de 1998 que a versão dela chegou ao Brasil. Foi um considerável sucesso e muitos ainda julgaram que era uma música original, pois como mencionado, a versão da LeAnn Rimes não se tornou conhecida por aqui.
Além deste seu trabalho solo, que se destacou bastante nas FMs, danceterias, e até foi inclusa em uma novela da TV Globo, Debra Michaels ainda emprestou seus vocais para o single "Foolish Games" do projeto Jem, lançado pelo selo Street Beat Records.
No ano de 1998, ela lançou também um segundo single solo chamado "Don't You Wanna Fly?", que teve foco nas pistas de dança, mas falhou em entrar nas paradas musicais.
Apesar de ter desaparecido da cena mainstream, a artista americana informou ao Blog que fez colaborações mais recentes no gênero eletrônico, como o single "Voices", feito com Mr. Mig (entre 2012 e 2013), além de uma participação na música "Daydreaming" (2012), do produtor Mike Rizzo. Debra Michaels é americana e tem uma carreira artística desde seus tempos de infância, quando já se apresentava nos palcos, mesmo ainda muito pequena.
DEBRA MICHAELS E A VERSÃO DANCE DE "HOW DO I LIVE"
Essa é a misteriosa Debra Michaels
Sobre como exatamente surgiu a ideia para gravar o cover de "How Do I Live" em versão dance, não existiam entrevistas ou artigos de bastidores que detalhassem a produção. No entanto, o Blog conseguiu esta exclusividade com a misteriosa vocalista!
Lembrando que sempre é muito interessante saber como que nascem essas relíquias que tomaram conta das rádios, clubs e coletâneas noventistas, visto que também era muito comum que selos de dance music encomendassem regravações aceleradas de grandes baladas pop, como é o caso deste projeto aqui.
"How Do I Live" foi o primeiro single da carreira de Debra Michaels. Ele foi lançado oficialmente no dia 26 de novembro de 1997 em diversos formatos físicos, como Vinil (12 polegadas), CD e fita cassete.
Na entrevista cedida ao Blog, Debra conta que não teve nem tempo para tirar uma foto para a capa de seu single, que fez um sucesso da noite para o dia e que os produtores correram para lançá-lo. Na verdade, Debra contou-nos que nem o contrato ela ainda havia assinado com eles, fazendo tudo de última hora.
O disco promocional e o vinil contam com vários remixes focados para que os DJs tocassem a "How Do I Live" nas baladas de 1997/1998, como as versões "1:00 AM Club Mix" e o "5:00 AM Club Mix", além da versão rádio e uma acappela.
Ai meu Deus do céu.... como eu ouvi essa música tocar naquele ano de 1998...
Na entrevista, Debra Michaels contou-nos ainda que não sabia que a versão dela para "How Do I Live" havia feito tanto sucesso no Brasil, e muito menos que tinha sido trilha sonora de uma novela. Ela ficou contente de saber sobre estes feitos no Brasil, além de detalhar que passou por uns "perrengues" bem desagradáveis nas últimas décadas, como problemas familiares e até com um câncer que a atingiu.
Hoje, Debra Michaels está bem de saúde, continua trabalhando com música, tem uma família, e profissionalmente atua como mentora/professora de crianças que nasceram com a aptidão para o canto.
Não deixe de ler a entrevista no Blog, que em breve será republicada após um problema resolvido com o Html.
PLANET POP 2026: NOSTALGIA, LÁGRIMAS E PROBLEMAS TÉCNICOS
Planet Pop Festival: 17 anos depois, o Festival mais amado dos anos 2000 retornou
SÃO PAULO — Mesmo residindo não muito distante ao local que sediou a última edição do Planet Pop Festival, realizado no dia 23 de maio de 2026, um choque de datas na agenda de shows impediu a minha cobertura presencial do evento. Compromissos firmados previamente para o Festival Floripa 90's, em Santo Amaro da Imperatriz (SC), motivaram o meu embarque para o estado catarinense, pois o objetivo era de realizar o antigo desejo de assistir à apresentação de Andrew Sixty (e valeu a experiência pois Andrea Alberghi canta demais, além de ser uma pessoa fantástica pessoalmente).
A aquisição das passagens aéreas e dos ingressos ocorreu antes mesmo de a organização do Planet Pop anunciar a data da edição 2026. Havia a expectativa de que os cronogramas não coincidissem, o que permitiria a presença em ambos os festivais para prestigiar também os principais expoentes dos anos 2000. Contudo, o anúncio tardio fixou os dois eventos para o mesmo dia, forçando a minha escolha pelo sonho antigo de ver o show do projeto noventista.
PÚBLICO SE EMOCIONOU, MAS TAMBÉM CRITICOU O SOM DA CASA
Artistas e DJs que se apresentaram na edição 2026 do "Planet Pop Festival"
Embora ausente, consegui colher depoimentos de espectadores que compareceram ao festival em São Paulo. O amigo curitibano Lucas Hideki viajou até a capital paulista para prestigiar o evento nostálgico e relatou ter chegado ao local às 16h30, garantindo um lugar na primeira fileira do palco.
Apesar de classificar a experiência geral como "incrível", Hideki apontou problemas na execução técnica do evento. Segundo o nosso amigo, houve falhas severas no microfone de Trix, do projeto Magic Box, além de um desconforto visível por parte dos artistas com os equipamentos. O início das apresentações também registrou atrasos, o que estendeu o horário de encerramento além do previsto.
"De resto foi ótimo. Fiquei um pouco chateado por não conseguir tirar fotos com eles, mas só de ter ficado perto do palco já valeu a pena", concluiu Hideki.
Conversei também com Sônia Pires, minha conterrânea daqui de São Paulo, e ela descreveu a experiência no Planet Pop Festival 2026 de forma não tão positiva, ressaltando que apesar da forte nostalgia proporcionada pelas apresentações, se incomodou muito com a estrutura de som. Sônia ressaltou que a platéia no geral reclamou do som da casa Terra SP, dizendo que teve diversas falhas e que em muitas músicas nem se conseguia ouvir os artistas:
"É inadmissível que um local que realiza shows ao público ofereça um som tão ruím, foi constrangedor para o público e também para os artistas. Estava nítido em seus olhares o descontentamento. Jamais quero vivenciar isso novamente, era para ter sido um entretenimento mágico e saudável, mas no fim foi uma desilusão com misto de estresse. Foi frustrante, e espero que, se tiver mais alguma edição do Planet Pop, que os realizadores escolham um local mais preparado e mais profissional... o que vivenciamos ali foi uma falta de respeito. Deu vontade de pedir o ressarcimento do meu dinheiro". - Sônia Pires
As principais reações e relatos do público nas redes sociais destacaram os mesmos pontos, a nostalgia e a emoção de estar ali, mas também a decepção em relação a estes problemas.
O show do Daytona, que incluiu a participação especial do guitarrista prodígio Ben Zorza, de 13 anos, foi elogiado também por Sônia:
"Me surpreendi positivamente com a apresentação do Daytona, ele fez um show e tanto, tudo ao vivo. Ele levou também ao palco um garoto guitarrista que é muito talentoso. Foi pura energia, e foi tudo sem perder o propósito do projeto, aquela coisa tradicional que segue fielmente até hoje: dance e rock misturado". -Sônia Pires
Sônia também elogiou as apresentações de DJs conhecidos da cena, como Tiko's Groove, Adriano Pagani e Tom Hopkins, que conseguiram segurar a energia de quem ficou até o final do evento.
O leitor Marcos Ferreira Godoy disse que esperou muito por este momento, de viver uma noite no Planet Pop, mas que acabou se frustrando com a péssima qualidade do som. Marcos afirmou que não apenas ele, mas muitos fãs expressaram profunda decepção com a sonorização. Houve reclamações frequentes de que o "grave estava estourando" e de que a acústica do local prejudicou a experiência. Godoy apontou também o uso de playback de vários artistas internacionais, pois era perceptível que estavam com seus microfones desligados/baixos, quebrando o clima da pista.
"Quando a gente vai num show, espera-se que eles cantem ao vivo. Se for para ouvir playback eu fico em meu quarto ouvindo os CDs que tenho na minha coleção, achei chato da parte deles. Tá certo que desde a primeira edição há o uso do playback, mas acho que agora ficou mais acentuado devido aos problemas técnicos que se somaram. Eu acho que poucos foram os cantores que se dedicaram aos fãs de verdade nesse dia 23 de maio" - Marcos Godoy
Nosso leitor também elogiou o show do Daytona, apesar de não ter criado expectativa nenhuma para o artista, e de confessar que o projeto nunca foi o seu favorito, mas reconhece que foi uma performance feita "com alma" e que o cantor tinha "muita vontade de estar ali e fez uma entrega vibrante".
Outro ponto positivo da noite, segundo Marcos Godoy, foi o set de Tiko's Groove com Gosha, que segundo ele, foi um dos poucos momentos em que o vocal ao vivo pôde ser ouvido com clareza.
"Gosha e Daytona fizeram apresentações realmente dignas de serem chamadas de shows, colocaram vozes ao vivo, e apesar dos problemas técnicos, eles se empenharam ao máximo para agradar a platéia" - Marcos Godoy
Diante das falhas técnicas na execução dos shows, alguns fãs presentes relataram ainda que o valor total investido (entre ingressos e consumo) não foi justificado pela entrega final do evento. Sônia Pires e Marcos Godoy disseram que "não compensou por tudo o que foi gasto e prometido pelos organizadores".
Com outros fãs as reações foram as mesmas, muita gente gostou de sentir um pouco da nostalgia dos anos 2000, mas pontuaram que a magia poderia ter sido completa caso houvesse mais organização e profissionalismo por parte da casa e também dos realizadores do Planet Pop Festival 2006.
DAYTONA
Drico Mello detonou no palco do Terra SP com seu projeto nacional Daytona
A cobertura da imprensa especializada destacou a performance do Daytona, projeto nacional liderado pelo vocalista Drico Mello, como uma das melhores atrações de todo o Festival. Descoberto inicialmente no circuito de rock, o cantor foi convidado a transpor clássicos do gênero para as pistas de dança, fórmula que garantiu ao grupo projeção expressiva nos anos 2000 sob a gravadora Building Records.
A performance elogiada do vocalista neste palco estabelece um paralelo direto com o Dalimas, outro expoente brasileiro da mesma época e célebre por suas apresentações totalmente ao vivo que fundiam a energia do rock às batidas eletrônicas. Chama a atenção como a história se repete: enquanto o Dalimas foi coroado pelos críticos como a melhor performance do Planet Pop Festival 2004, o Daytona colhe elogios semelhantes na edição de 2026. Em ambas as ocasiões, o diferencial que encantou os especialistas foi o mesmo: o compromisso com a execução ao vivo, a entrega artística e a forte presença de palco dos artistas nacionais.
Inclusive, o site Correio Braziliense destacou em seu portal: "O evento reuniu os maiores nomes da Dance Music dos anos 2000, mas foi o show de DAYTONA que roubou a cena. Com sua presença de palco inconfundível, ele apresentou releituras dançantes de grandes clássicos do rock, levando o público ao delírio."
O mesmo site ainda afirmou que o projeto brasileiro está entrando em início de uma nova fase, pois se prepara para rodar o Brasil com o mesmo show empolgante que marcou época entre 2005 e 2008, quando o artista realizou mais de 100 apresentações pelo país.
TIKO'S GROOVE FEAT. GOSHA
Gosha mostrou competência ao cantar seu hit "I Don't Know What To Do" (uma parceria com o DJ brasileiro Tiko's Groove)
O festival também contou com outras grandes estreias e parcerias da cena eletrônica na mesma noite, como a apresentação surpresa do DJ Alok dividindo o palco com Tiko's Groove.
Alok revelou ao público, em primeira mão, que havia acabado de produzir um remix inédito e oficial do clássico "I Don't Know What To Do". A pista do Terra SP vibrou intensamente com o anúncio, embora que, quem estivesse ali não fazia muita questão desse remix, já que pra eles a Dance Music dos anos 2000 é a que importa de verdade. Por falar nisso, o vocalista Gosha (que é russo) cantou a original ao vivo, e teve sua performance muito elogiada por todos.
Além de suas próprias músicas, o set list de Tiko's Groove passeou por grandes hinos eletrônicos mundiais, incluindo clássicos como "One More Time" do Daft Punk.
DAMAE (EX-FRAGMA)
Damae representou o Vocal Trance dos anos 2000 no Planet Pop Festival 2026
O show da cantora alemã Damae (ex-vocalista do projeto Fragma) no Planet Pop Festival 2026 foi descrito pelo público como um dos momentos mais emocionantes da noite. E se eu estivesse no evento, esta, com certeza, seria a minha atração mais aguardada.
Segundo os depoimentos, a apresentação de Damae se destacou com a performance ao vivo de "Toca's Miracle". O público (especialmente na faixa dos 30 e 40 anos) cantou em coro absoluto, criando uma atmosfera descrita pelos fãs como "surreal", além de detalharem que o show dela trouxe de volta memórias marcantes da juventude, das primeiras baladas e dos antigos CDs de eurodance (“Celso Portiolli Faz A Festa Vol.2” by Paradoxx Music).
Além de "Toca's Miracle" (gravada originalmente pela vocalista Coco Star), fãs afirmaram que Damae cantou o sucesso de 2001 "Everytime You Need Me" (gravada originalmente pela vocalista Maria Rubia) e "You Are Alive" (gravada originalmente pela própria Damae).
Damae compartilhou seu carinho pelo país em seu perfil oficial no Instagram, recebendo centenas de comentários de fãs que agradeceram a ela pela oportunidade de reviver "os velhos tempos" com uma das vozes originais do Fragma.
Resumindo: O show da alemã Damae cumpriu com exatidão a proposta do festival: entregar a "viagem" do trance das pistas dos anos 2000 em uma noite histórica para os órfãos da vertente.
Damae cantou ao vivo em cima de uma base pré-gravada, então houve relatos de playback também, assim como todas as atrações (exceto o Daytona e o Gosha).
Para ler sobre Maria Rubia, a vocalista de "Everytime You Need Me" do Fragma, clique aqui.
THE UNDERDOG PROJECT
Vai Brasil, vai The Underdog Project!
O show do The Underdog Project ficou marcado pela euforia que seus clássicos causaram. Os fãs disseram que foi emocionante rever o vocalista Vic Krishna no palco, e que isso resgatou a essência dos tempos de "Summer Eletrohits" (a música "Saturday Night" do projeto fez parte da tracklist do Volume 1, lançado em janeiro de 2005).
O auge da apresentação, segundo quem estava no evento, foi a execução de "Summer Jam" - o maior hit do projeto. Recebi vídeos da galera pulando e cantando o refrão em uníssono, criando uma atmosfera descrita como histórica. Em um desses vídeos, notei alguns fãs que chegaram a chorar durante a performance. Mas nem tudo foi emoção...
Houve também algumas queixas pontuais sobre a organização dos horários, que a transição da atração anterior demorou demais, principalmente o set do DJ Frank (que acompanhou a atração) que se estendeu por cerca de duas horas antes da entrada principal do The Underdog Project, tornando a espera um pouco cansativa. O show foi cantado ao vivo em cima de uma base pré-gravada, então os mais exigentes também relataram o uso do playback.
DJ ROSS + ERIKA + MAGIC BOX (BLOCO DE APRESENTAÇÕES)
Erika, DJ Ross e Magic Box: A força da Italo Dance dos anos 2000
O show do trio "itália" (ou trio "família", também chamado assim por muitos) foi apontado como um dos mais aguardados da noite. A plateia respondeu com muita vibe na pista de dança, cantando do início ao fim os clássicos da eurodance executados por DJ Ross e a dupla de irmãos Erika e Trix (Magic Box).
Quanto a apresentação de DJ Ross, fãs relataram que a atmosfera criada pelo DJ/Produtor foi "de arrepiar a alma", revivendo fielmente a era de ouro dos CDs e DVDs da Building Records.
DJ Ross feliz no palco do Planet Pop Festival 2026
O ápice do show contou com a execução ao vivo de hinos atemporais como "Emotion", que incendiou o público com jogos de luzes marcantes. Algumas pessoas na plateia disseram que ele foi o único do trio que cantou de verdade, entregando mais sua emoção e voz real ao espetáculo. Curioso isso, visto que o DJ Ross não é o cantor verdadeiro de suas músicas, então provavelmente ele planejou que sua voz se sobressaísse, algo intencional para ocultar a voz do cantor original que também estava na base;
O show da italiana Erika dividiu a opinião do público. Se por um lado ela entregou altas doses de emoção, por outro foi alvo de duras reclamações devido ao playback e falhas técnicas graves no sistema de som da casa. Fãs relataram que ouvir hits grandiosos como "Relations" (minha favorita dela), e "I Don't Know" transportou a pista de volta aos anos 2000, e que a artista tentou fazer o melhor para a sua plateia, embora também foi muito notado que o microfone da cantora estava extremamente baixo ou simplesmente desligado em diversos momentos.
A italiana Erika em seu belo vestido vermelho, 22 anos após sua primeira apresentação no Planet Pop (2004)
O público considerou desrespeitosa a qualidade técnica da transmissão e captação do áudio, que afetou todos os shows, principalmente os de Erika, Magic Box e DJ Ross. Os artistas tentavam interagir com a plateia, mas o som sofria com microfonias ("apitava"). Li diversos comentários que diziam que a cantora saiu do palco com expressão de "estresse" em seu rosto, e que nem se despediu do público.
O show do Magic Box foi também marcado pelo forte sentimento clubber dos anos 2000. Quem viveu a experiência destacou o repertório de hits do cantor Trix, que entregou exatamente o que se esperava, muitos clássicos das pistas, como o hino máximo "If You", que causou lágrimas, gritos e muita dança entre os fãs do Dance 2000.
Tristano De Bonis (Trix) do Magic Box interagindo com a plateia brasileira
Como Erika, DJ Ross e Magic Box se apresentaram em um bloco conjunto (eles compartilham juntos o palco do Planet Pop desde a primeira edição), a sinergia entre eles foi um dos pontos altos destacados pelo festival. Mas, é aquilo, ficou nítido nos artistas que eles não gostaram da produção precária envolvendo o som.
Ao contrário de Damae, o trio que já veio ao Brasil inúmeras vezes, não postou nada em suas redes sociais sobre esse evento, nenhum storie ou um simples agradecimento sequer! Será que foram embora chateados?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Fãs que não puderam ir às edições históricas do Planet Pop destacaram o sentimento de "sonho realizado" ao ver finalmente (e pessoalmente) as performances entregues no palco desta edição de 2026, mas as falhas gritantes foram bem observadas e também incomodaram muito. Os organizadores precisam agora analisar tudo isso com bastante atenção, para que tal situação não torne a se repetir num evento futuro.
Willian Bernardino, um fã da Dance 2000 e principalmente do Planet Pop, confirmou em nosso instagram a desorganização do evento: "Som abafado, grave ao extremo, microfonia, telão com delay… time técnico no fundo que parecia ignorar tudo isso durante o evento todo". Um relato muito desanimador, dando a entender que o público de Eurodance não é levado a sério no Brasil. Os responsáveis estavam presentes, enquanto ao mesmo tempo faziam vista grossa para o festival em ruínas. Completo desrespeito num visível "dane-se o público!"
Detalhe que Willian Bernardino disse ainda que seus comentários sobre os problemas técnicos foram todos apagados do perfil oficial do Planet Pop, sendo este mais um retrato do descaso.
Quem acompanhou o festival notou também o uso nítido de bases vocais pré-gravadas e dublagens (o famoso lip sync), o que gerou algumas críticas pontuais de puristas, que estão em seu direito de reclamar e se decepcionar, mas é bom lembrar que o playback sempre esteve presente no festival, desde a sua primeira edição de 2004. No entanto, os artistas ainda cantaram trechos por cima e puxavam os refrões para o público cantar junto, criando uma atmosfera de uma "celebração compartilhada".
No fim, para a imensa maioria dos clubbers veteranos presentes, o uso de playback não estragou a noite, o que estragou foi o problema técnico no som, a microfonia, o grave, a falta de profissionalismo em geral no ambiente.
Agradecimentos: Lucas Hideki (as fotos são dele também), Sônia Pires e Marcos Godoy por seus relatos e opiniões.