domingo, 17 de maio de 2026

DWA/EXTRAVAGANZA - A HISTÓRIA DA EURODANCE

 O INÍCIO DA DWA E A RECENTE VENDA DE SEU CATÁLOGO DE EURODANCE PARA A WARNER

Roberto Zanetti foi o fundador da DWA e criador de inúmeros híts 

Roberto Zanetti nasceu em Massa, no dia 28 de novembro de 1956. Aos quatorze anos, começou a estudar piano e logo se apaixonou pela música. Naquele momento, percebeu que a música seria o foco de sua futura carreira.

Durante o ensino médio, Roberto tocou em grupos musicais antes de entrar para a universidade. O trabalho com diferentes grupos tornou-se tão importante para ele que Roberto decidiu seguir carreira musical. Como resultado, ele formou um grupo profissional chamado Taxi, no qual Zucchero Fornaciari tocava guitarra.

Foi nessa época que Roberto começou a compor músicas – inicialmente em um estilo melódico e comercial – e mais tarde mudou para a “Italo Disco”.

Em 1983, ele gravou o primeiro single de seu grupo Taxi, chamado "To Miami". A música se tornou um sucesso local (foi lançada apenas na Itália central) e abriu caminho para uma outra canção, chamada "Angelica", de Joey Moon.

Após essas experiências, Roberto foi contatado por dois DJs e juntos produziram “Incantation” de Gang.

Esta música – uma versão cover de uma canção de Mike Oldfield – fez sucesso na Itália e foi o início de uma colaboração com a Discomagic de Severo Lombardoni, que a distribuiu e se tornou parceira de Roberto Zanetti no futuro.

De outubro a novembro de 1983, Roberto produziu mais quatro músicas: “Buenas Noches”, de Kamillo; “Starman”, de Claudio Mingardi; “Magic Carillon”, de Rose; e “Don't Cry Tonight”, lançada no final de 1983 com o pseudônimo de Savage, e que marcou a sua carreira. Essa música foi o primeiro grande sucesso de Roberto. Nesse meio tempo, ele decidiu adotar o nome artístico “ROBYX”, utilizando-o como produtor.

"Don't Cry Tonight" tornou-se um grande sucesso em toda a Europa e foi remixada inúmeras vezes. A popularidade deste single foi tão grande que Savage decidiu seguir com outros singles para o projeto, e no mesmo ano de 1983, gravou sua próxima faixa, que seguia o mesmo estilo da anterior…. Era "Only You"

Esse segundo single do Savage tornou-se um clássico da Italo Disco (com batida mais lenta), resultando no lançamento de seu primeiro álbum, "Tonight".

Quanto ao seu nome artístico, surgiu na escola, quando Roberto desenhava histórias em quadrinhos com seu amigo Fabrizio Bonini. Um de seus personagens desenhados era um roqueiro rico, famoso, e levava esse nome: "Savage".


Savage é o projeto onde Roberto Zanetti compõe e canta

Nos anos seguintes (1984-1986), Roberto continuou dedicando-se ao seu projeto Savage, então trabalhou na divulgação do seu álbum "Tonight" e fez os lançamentos de seus outros singles, como "Celebration", "Radio", "A Love Again", "Love Is Death", "Loosing You" e "Goodbye". Nessa época, sua única produção (além do álbum "Savage") foi "Life Is Life", de Stargo. Essa música era uma versão dance do famoso grupo Opus. A versão de Roberto alcançou o topo das paradas francesas, conquistando um disco de ouro por 250.000 cópias vendidas.

Como era o intérprete do Savage, cantando todas as músicas, Roberto começou a concentrar seu trabalho em shows e turnês por toda a Europa, tornando-se uma estrela conhecida em alguns países do Leste Europeu, como Polônia e Rússia.

No final de 1986, Roberto decidiu criar seu próprio estúdio de gravação, chamado Casa Blanca Recordings, onde também ficava a sede de sua produtora, denominada “Robyx”.

É importante lembrar que todos os discos anteriores foram gravados em um estúdio italiano chamado Scacomatto. Roberto começou sua carreira como produtor autodidata. Como tecladista, aprendeu rapidamente a utilizar computadores e equipamentos digitais, que logo se tornaram a base da música eletrônica.

Uma das etapas mais significativas desse progresso tecnológico foi marcada pelo fato de a empresa ter sido uma das pioneiras no uso das baterias eletrônicas Linn Drums em 1984, do sintetizador Yamaha DX7 em 1984 e dos computadores Roland MC 700/500 em 1985.

Entre os primeiros projetos realizados no novo estúdio de gravação, está o House-Fever. O fenômeno é notável. Foi um período de transição no mundo da música. O primeiro "House" começou a causar grande sensação no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas ainda não havia chegado à Itália.

Roberto conheceu a música “The Party” do grupo Craze e decidiu fazer uma versão cover em italiano com uma letra espirituosa. Assim nasceu a canção “Non Toccarmi Il Culo Dai”, que imediatamente se tornou um sucesso imitado por Salvi com “A Car Needs To Be Moved”.

Em apenas alguns meses, Roberto lançou cerca de 10 discos desse gênero. O sucesso foi tão grande que ele vendeu 200 mil cópias. Um número enorme para o mercado italiano!


O INÍCIO DOS PROJETOS 'DANCE': ICE MC, CORONA, DOUBLE YOU

Em 1988, Robyx iniciou um novo projeto, da qual se previa que se tornaria um grande sucesso internacional. Era o “ICE MC”

A origem deste projeto foi um tanto peculiar: Roberto compôs uma música para si mesmo, que também cantava. Posteriormente, decidiu eliminar a letra dos versos e substituí-la por rap. Para isso, convidou Ian Campbell, um britânico de origem jamaicana, para ser o rapper, que antes trabalhava como dançarino de discoteca. Dessa forma, Roberto compôs a música “Easy”, que se tornou um grande sucesso em toda a Europa.


Ice MC foi destaque em toda a Europa e sua fama chegou também ao Brasil

Apesar de cantar todas as partes vocais, com exceção do rap, Roberto decidiu não participar ativamente do grupo. O grupo passou então a existir oficialmente como conhecemos desde então: Ice Mc.

Além disso, os singles “Scream” e “Cinema” se tornaram grandes sucessos, assim como o álbum que incluía essas duas músicas. A demanda por Ice MC começou a crescer em todo o mundo, e o grupo decidiu sair em turnê. Enquanto Ian Campbell viajava, fazendo shows e promovendo sua imagem, Roberto cuidava da organização e da composição de novas músicas. Robyx dedicou toda a sua energia ao projeto Ice MC, pois podia considerá-lo seu.

Por volta de 1990, Robyx lançou apenas alguns discos, além dos materiais do Ice MC. O mais significativos foram: “Pianonegro” de Pianonegro, “Party Children” de Wareband Feat. Tad Robinson e “Vocalize” de Scatt.

Em 1990, o Robyx conheceu por acaso o grupo Double You e uma colaboração emocionante começou, resultando no single “Please Don't Go”.

Nessa ocasião também, a intuição de Roberto provou que ele estava certo, quando lançou um novo estilo chamado “Covermania”, posteriormente seguido e copiado por muitos outros na Europa.

O lançamento da música “Please Don't Go” tornou-se um sucesso instantâneo, sendo uma daquelas canções que sobem nas paradas sem a ajuda de qualquer publicidade específica. Na Inglaterra, essa música chamou a atenção de uma gravadora de música eletrônica, conhecida como Network. Eles solicitaram a licença para lançar a música no Reino Unido. A resposta de Robyx foi negativa, porque outra empresa naquele país já possuía a permissão. Mesmo assim, isso não impediu a Network de fazer uma cópia de “Please Don't Go”.


Double You sofre golpe dos ingleses

A versão cantada pelo projeto inglês KWS alcançou o topo das paradas musicais inglesas, graças à conduta incorreta do distribuidor (Ele era o editor de ambas as versões do grupo, Double You e KWS, apoiando apenas a última).

Mais tarde, a DWA venceu um processo judicial contra a Network, que foi condenada a pagar uma indenização. Foi impossível avaliar o valor da multa, considerando o sucesso da KWS tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. No entanto, o Double You triunfou no resto do mundo.

Depois disso, a empresa Robyx produziu outros grandes sucessos, enquanto o grupo KWS e a gravadora Network desapareceram do mercado.

Naquela época, o KC & The Sunshine Band, da original “Please Don't Go”, também estava interessado na empresa de Robyx e de firmar uma parceria.

Certo dia, ele decidiu visitar a Itália para gravar um álbum, que foi produzido por Robyx.


KC & The Sunchine Band grava com Double You, e a DWA também fez novos remixes para “Give It Up”, que foi lançado em vinil com 4 versões, em 1993.

Entre 1992 e 1993, Roberto mudou-se para uma nova sede e, com seu novo estúdio, ele inaugurou uma série interminável de sucessos, como os de Ice MC e Corona. Foi também no novo estúdio que ele criou o som único “DWA”, que foi copiado por muitas outras gravadoras nos anos seguintes.

O primeiro sucesso dessa leva foi “The Rhythm Of The Night” (1993) de Corona. Nessa música, Robyx deu algumas sugestões ao produtor Francesco Bontempi e foi somente a partir do segundo single, “Baby Baby” (1995), que Roberto se tornou uma parte muito importante do projeto, fazendo mixagens e contribuindo ativamente na criação de todas as músicas. 

Agora vamos falar da parceria que Robyx teve com o suíço DJ BoBo, mas para isso teremos que regressar um pouco mais a fundo no passado. Em 1983, Roberto Zanetti lançou o clássico da Italo Disco "Don't Cry Tonight" sob o nome artístico de Savage. Quase dez anos depois, em 1992, DJ BoBo gravou lá na Suíça a bela e dançante track "Somebody Dance With Me", que foi muito bem nos charts, mas que, também lhe trouxe inúmeros problemas devidamente ao plágio da melodia original que veio do refrão de "Somebody's Watching Me" de Rockwell. Mas, pensa que ficou apenas nisso?


DJ BoBo e Robyx (ao fundo)

Nessa mesma música, DJ BoBo também usou exatamente a mesma progressão de acordes, o andamento de sintetizadores e a melodia marcante do teclado de "Don't Cry Tonight" do italiano Savage para construir a base da sua música.

Quando "Somebody Dance With Me" estourou na Europa, em 1993, Roberto Zanetti (Robyx) reconheceu imediatamente os arranjos de sua própria obra e acionou seus advogados por violação de direitos autorais. O DJ BoBo corria o risco real de ter os seus discos retirados das lojas europeias e pagar uma indenização astronômica, mas, para selar a paz de forma lucrativa, Zanetti fez uma proposta comercial ao DJ BoBo em vez de seguir com o processo nos tribunais. O acordo envolveu duas frentes: Créditos e Royalties. 

DJ BoBo cedeu os direitos de licenciamento e a distribuição de suas músicas para a Itália à gravadora de Zanetti, a DWA Records. A partir dali, o som que nasceu de um plágio de "Don't Cry Tonight"  e "Somebody's Watching Me" virou o passaporte para DJ BoBo entrar no mercado italiano, fazendo com que o próprio Robyx passasse os anos seguintes produzindo remixes oficiais para o artista suíço. Inclusive, por volta de 1994, eu achava que DJ BoBo era italiano e integrante oficial da DWA, ao lado de Double You, Corona e Ice MC, por vê-lo sempre na coletâneas da Spotlight ao lado destes artistas e projetos italianos. Foi algo que começou mal, mas não terminou em desavenças ou com eles brigados. Robyx soube negociar de maneira inteligente e satisfatória para ambos, então trabalharam e venceram juntos. Aqui no Brasil, por exemplo, o artista DJ BoBo ficou conhecido nessa época pois seus fonogramas estavam nas mãos da DWA/Robyx, que trouxe na mesma mala, para a gravadora brasileira Spotlight, seus singles juntamente com os singles de Double You, Corona e Ice Mc.

A foto acima (com Robyx e DJ BoBo juntos) foi justamente tirada nessa época, em 1993, durante uma apresentação em Cannes. 


Ice Mc e sua backing vocal (Alexia) vendo se vai chover (só se for chuva de sucessos)


Em suas produções próprias que estavam sendo criadas em 1994, como “Think About The Away” e “It's A Rainy Day” de Ice MC, Roberto Zanetti buscava uma nova sonoridade. Novos sons e elementos então passaram a caracterizar a Eurodance, sendo utilizados pela primeira vez nessas músicas. A vocalista Simone Jackson, que mais tarde se tornaria conhecida na Eurodance como Simone Jay, também trabalhou com Ice Mc (além de Alexia) e gravou a agitada “Take Away The Colour”, sendo mais um single bem sucedido do rapper.

Em 1994, houve também o lançamento de "Run To Me" do Double You, um estouro nas pistas de dança e rádios que tocavam a legítima Eurodance! 

"Run to Me" foi lançada oficialmente no dia 13 de maio de 1994, ou seja: está completando seus 32 anos! 

O single foi um dos grandes sucessos do Double You e fez parte de seu álbum "The Blue Album", além de consolidar a popularidade do grupo nos charts dos melhores clubs mundiais.


Os 32 anos de "Run To Me" de Double You

A brasileira Spotlight Records - que licenciava as faixas da italiana DWA nos anos 90 - nos inundou de coletâneas com "Run To Me", além de ceder o fonograma para a super compilação da Som Livre - "Disco 95". 

Ah, e uma curiosidade interessante, é que o rap que ouvimos aqui em "Run To Me" é de Ice Mc, e numa entrevista há algum tempo, o vocalista William Naraine comentou que o rap nessa música era originalmente para a música "I Just Died In Your Arms Tonight" regravada pelo Savage, mas que acabou não sendo lançado nesse projeto. 

Não podemos nos esquecer também que, em "Run To Me" tem o famoso sample "roubado" da oitentista e clássica "Don't Go" do Yazoo. Que produção caprichada e incrivelmente dançante ficou, né?


Corona e seu álbum "The Rhythm Of The Night" (1995)

No dia 10 de abril de 1995 foi lançado pela primeira vez o aguardado álbum "The Rhythm Of The Night" do projeto italiano Corona.

As vocalistas deste álbum são Jenny B e Sandy Chambers, duas das maiores vozes da Dance Music européia, enquanto que na parte da divulgação tivemos a modelo brasileira Olga de Souza, que fez decoração e viajou o mundo promovendo o "merchan" do disco.

Aqui no Brasil o produto foi licenciado pela gravadora brasileira Spotlight Records, assim como todo o material produzido pela gravadora italiana.

Em poucos anos, Robyx se catapultou para o grupo dos produtores mais importantes, vendendo só com Ice Mc e Corona mais de 6 milhões de singles e 2 milhões de álbuns em todo o mundo.


Alexia e Ice Mc: Mudanças e promoções à vista

Em 1995, Alexia lançou o seu primeiro single solo: "Me And You". Depois de colaborar com Double You em alguns singles fazendo o seu backing vocal, agora foi a vez do vocalista William Naraine retribuir e emprestar o seu vocal para a sua grande companheira de estúdio. Nascia ali um novo hít para a DWA, assim como também houve no mesmo período uma tentativa de dar uma carreira solo para Sandy Chambers, com sua faixa "Bad Boy"

A música de Sandy foi bem nas paradas, mas a cantora tinha que cuidar de vários outros projetos, inclusive ela estava gravando e saindo em turnês com Double You, então a sua carreira solo não vingou, como a carreira solo de sua colega Alexia.


Sandy Chambers fez aniversário de 59 anos no dia 11 de abril de 2026. Definitivamente, ela foi um dos maiores talentos que já passaram pela DWA.


No final de 1995, Robyx decidiu reorganizar suas atividades. Começou com a conversão de seus escritórios em instalações novas e mobiliadas, além de reformular sua equipe artística.

Foi durante esse período que surgiram algumas divergências com Ian Campbell, o rapper do projeto Ice MC, que, sem avisar ninguém, assinou um contrato com outro empresário, ignorando o contrato com Robyx, que ainda estava em vigor. A justificativa dada por ele foi que queria mudar seu estilo.

Essa divergência surgiu porque Ian queria usar o nome “ICE MC”, que é uma marca registrada da empresa Robyx. Roberto foi, por muito tempo, o vocalista do projeto, além de compositor de todas as músicas. Ele também tocava todos os instrumentos em todas as gravações que compôs.

Ian assinou um contrato com uma gravadora alemã, a conhecida Polydor, e Roberto foi forçado a romper todas as relações com o artista, que continuava a usar sem direitos o nome “ICE MC” com a Polydor. O single novo do rapper veio em 06 de maio de 1996, mas não chamou tanto a atenção dos DJs e programadores de FM's.


Ian Campbell abandona Robyx e a DWA para trabalhar com o grupo alemão Masterboy e a Polydor

O single "Give Me The Light" do Ice MC foi lançado exatamente há 30 anos, no dia 06 de maio de 1996, marcando uma nova transição na carreira do rapper, um dos mais icônicos da Eurodance dos anos 90. 

"Give Me The Light" foi o primeiro single de seu quarto álbum de estúdio, intitulado "Dreadatour". A canção conta com os vocais femininos da cantora italiana Valentina Ducros, que substituiu a dance-star Alexia.

Produzido por Enrico Zabler (do Masterboy), "Give Me The Light" seguiu o auge da Eurodance dos anos 90, misturando batidas eletrônicas aceleradas com rimas de influência raggamuffin. Apesar de ser uma boa música, e do novo álbum ser muito esperado pelos fãs, toda a produção foi um grande fracasso, pondo fim a um projeto tão importante.

Em 1996, a DWA lançou o single de Alexia - "Summer Is Crazy", a vocalista feminina dos maiores sucessos de Ice MC. 

Enquanto Ice MC experimentava o amargo do fracasso, Alexia e Roberto Zanetti conseguiram sucesso garantido com o single "Summer Is Crazy", que, coincidentemente ou não, foi lançado exatamente no mesmo dia de lançamento de "Give Me The Light" de Ice MC. Parece até que foi coisa pensada por Roberto Zanetti.


Ice Mc foi embora para a Polydor, e Alexia assume de vez a sua carreira solo com um hít que é a cara do verão

Foi no outono europeu de 1996 que Alexia e seu produtor Robyx lançaram o clássico da Eurodance - "Summer Is Crazy", pensando nos resultados que a música poderia alcançar no verão que se aproximava. 

"Summer Is Crazy" foi lançado oficialmente em 6 de maio de 1996, ou seja, está celembrando o seu 30º aniversário! Foi também o segundo single da carreira solo de Alexia e causou um enorme sucesso, chegando ao primeiro lugar nas paradas da Itália e o Top 5 em países como Finlândia e Espanha.

A letra de "Summer Is Crazy" foi escrita pela Alexia (ela escreveu todos os seus híts) e foi produzida por Roberto Zanetti, sob o selo DWA Records.

O reconhecimento e a popularidade de Alexia foram garantidos e a cantora embarcou em uma bem-sucedida carreira solo, que resultou na distribuição de seu 3º single ainda no ano de 1996: "Number One" (finalzinho daquele ano); além do lançamento de seu primeiro álbum, "Fan Club" (1997), que nos trouxe o seu novo explosivo single: "Uh La La la" (1997).

Depois, em 1998, Alexia foi trabalhar com a Sony Music, deixando a DWA e lançando poucas faixas no estilo Eurodance, até assumir de vez o Pop italiano que em nada lembrava as produções da DWA.


A Era de Ouro da Eurodance aconteceu com estes protagonistas da cena: os projetos da DWA

Estes foram os mais importantes projetos e artistas da DWA, durante estas décadas de glória e criatividade da Italo Dance. Obviamente que faltaram outros projetos que ficaram de fora, como Netzwerk, além de outros projetos menores com a Alexia fazendo os vocais (mas não mostrando o seu rosto, como o Due, Fourteen 14, e etc), mas esse outro lado deixaremos para detalhar numa possível "Parte 2".

Para Roberto Zanetti, estes foram os projetos e grupos mais relevantes de sua DWA. Inclusive, em 2023 ele montou uma lista de suas 10 canções favoritas que foram produzidas e lançadas pelo estúdio:


TOP 10 HITS DWA - BY ROBYX


 1) SAVAGE – "Don't Cry Tonight"

Tudo começou ali… Foi meu primeiro sucesso como produtor e artista.


2) ICE MC – "Easy"

O primeiro sucesso com o logotipo DWA e a primeira música produzida para o artista ICE MC.


3) PIANONEGRO – "Pianonegro"

O primeiro sucesso nas pistas de dança do Reino Unido. Não foi um grande sucesso comercial, mas fez muito sucesso nas paradas de música eletrônica.


4) Double You - "Please Don't Go"

O primeiro sucesso pop, que alcançou as paradas musicais em todo o mundo e transformou a DWA em uma grande gravadora de música dance.


5) CORONA – "The Rhythm Of The Night"

Sem dúvida, um dos 10 maiores sucessos da história da música dance. Ainda é tocado e dançado hoje em dia, mais de 30 anos depois.


6) CORONA – "Baby Baby" + "Try Me Out"

Os melhores singles que deram sequência a The Rhythm of the Night.


7) ICE MC – "Think About The Away"

A criação do estilo Eurodance e o início do Europop.


8) DOUBLE YOU – "Dancing With An Angel"

Um grande sucesso do verão e um momento de grande destaque para o artista Double You.


9) ALEXIA – "Me And You"

O primeiro sucesso de dança da artista Alexia. Seu primeiro single solo após a carreira com ICE MC.


10) ALEXIA – "Uh la la la"

O primeiro sucesso pop da artista Alexia, e seu primeiro hit no top 10 do Reino Unido.



DWA FOI VENDIDA PARA A WARNER EM 2025

À esquerda: Renato Tanchis, Raffaele Razzini, Pico Cibelli, Roberto Zanetti, Francesco Bontempi, Santiago Menéndez Pidal, Luca Gentili e Filippo Pardini. Os fundadores da mitológica DWA repassam para a Warner Italy todo o seu catálogo de Italo Disco e Italo Dance.

Foi anunciado publicamente no dia 07 de janeiro de 2025, que a icônica gravadora italiana DWA (Dance World Attack) e sua divisão de publicidade Extravaganza tiveram seus extensos catálogos adquiridos pela Warner Music.

A Warner Music e a Warner Chappell Music (ambas da Itália) compraram todo o catálogo da DWA numa transação que incluiu mais de 250 gravações originais ("masters") de grandes clássicos da Italo Disco e Eurodance, incluindo sucessos como "The Rhythm of the Night" (Corona), "Happy" e "Uh La La La" (Alexia), "Baila" (Zucchero), além de muitos outros.

O lendário selo independente foi fundado em 1989 pelo produtor italiano Roberto Zanetti (também conhecido como Robyx, ou como cantor Savage) com a ajuda de Francesco Bontempi (produtor Lee Marrow), mas com o recente acordo de aquisição, a propriedade total da DWA Records e de seu braço editorial, a Extravaganza, foram transferidos para as mãos da Warner Music Italy e da Warner Chappell Music Italy.


"Adeus, DWA"

A marca "DWA Records" e seu logotipo agora pertencem legalmente à Warner, que detém os direitos exclusivos de comercialização e exploração do nome da gravadora. Roberto Zanetti só poderá usá-lo em contextos históricos, biográficos ou promocionais autorizados (como ao dar entrevistas sobre o seu passado na empresa).

Zanetti vendeu o controle comercial, mas ainda mantém alguns direitos essenciais, por exemplo, ele continuará recebendo sua fatia de compositor por todas as faixas que escreveu ou coescreveu (como "Baila" de Zucchero). A Warner Chappell agora administra essas composições globais, mas repassa a parte correspondente ao autor de forma obrigatória.

No direito europeu e italiano, Zanetti mantém o direito de ser creditado como criador e produtor das obras originais, bem como o direito de contestar modificações que possam prejudicar sua integridade artística.

Roberto Zanetti e seu sócio Francesco Bontempi provavelmente receberam uma boa "bolada" (um pagamento financeiro irrecusável) pela venda definitiva de todo o ativo, valor este não divulgado. O seu catálogo extenso, com mais de 250 híts, também deixou os executivos da Warner bem satisfeitos:

Pico Cibelli acrescentou: “Estamos muito satisfeitos por Roberto e Francesco terem depositado sua confiança em nós como guardiões de seu catálogo e esperamos retribuir essa confiança nos próximos anos. Gostaríamos de agradecer aos nossos diretores financeiros, Raffaelle Razzini e Luca Gentili, pelo apoio e trabalho árduo para concretizar este negócio.”


Catálogo da DWA, que era de Roberto Zanetti, agora pertence à Warner

O gênero, que surgiu na Itália no final da década de 1970 e atingiu seu auge na década de 1980, é caracterizado por bateria eletrônica, sintetizadores e letras em inglês. Embora sua proeminência como gênero distinto tenha diminuído no final da década de 1990, sua influência continua presente nos estilos contemporâneos da música eletrônica.

“A Italo Disco é a essência da cena musical italiana e a DWA está no centro dessa cena há mais de três décadas”, afirmou Pico Cibelli, presidente da Warner Music Itália.

“Nossa equipe global está agora empenhada em aproveitar as oportunidades para levar esse incrível repertório a novos patamares e ajudar a garantir que uma nova geração de fãs em todo o mundo possa se conectar com essa música que celebra a vida.” - Guy Moot e Carianne Marshall , Warner Chappell Music

E se você, leitor, verificar os lançamentos digitais atuais, como os singles do Netzwerk ("Memories" e "Passion"), notará que os créditos de direitos fonográficos (P) nas plataformas como Apple Music e Amazon Music já constam oficialmente sob a etiqueta: "℗ a Warner Music Italy Release, DWA - Warner Music Italy". Portanto, todo o legado do Netzwerk agora também é gerido e distribuído globalmente pela divisão italiana da Warner Music.

Mas, qual será o próximo passo dado pelos novos donos? Quais são seus planos, afinal? Fazer novos remakes? Aproveitar samples? Ficaram deslumbrados com o sucesso de Black Eyed Peas e sua música "Ritmo", e agora querem investir em resgates de outros clássicos?

“A seguir, cenas dos próximos capítulos”.


Você pode conferir mais detalhes sobre a venda da DWA apartir do link abaixo:

https://www.musicbusinessworldwide.com/warner-music-group-acquires-dwa-records-expanding-italian/








terça-feira, 12 de maio de 2026

NO MERCY - "WHERE DO YOU GO": 30º ANIVERSÁRIO!!

 NO MERCY —  A BOYBAND COM TOQUE LATINO QUE LANÇOU O HÍT "WHERE DO YOU GO" HÁ 30 ANOS!

No Mercy teve o seu auge entre 1995 e 1998

O No Mercy foi uma boyband de dance/pop que fez sucesso aqui no Brasil antes dos Backstreet Boys, embora estes já fossem bem conhecidos na Europa, principalmente na Alemanha. 

Criado e produzido em 1995 pelo produtor Frank Farian (sim, o mesmo cara por trás de La Bouche, Boney M e Milli Vanilli), o No Mercy era formado por Marty Cintron e os irmãos gêmeos Ariel e Gabriel Hernández, que juntos misturavam Eurodance, Pop e sons latinos em seus discos, e por fim, conseguindo se destacar em uma época de grande apelo latino na Dance Music.

Marty Cintron nasceu no dia 24 de setembro de 1971, no Bronx, Nova York. Ele é americano de ascendência porto-riquenha (assim como as americanas Lina Santiago e Angelina, mas no caso, elas são de ascendência mexicana). Embora possua raízes e ascendência porto-riquenhas por parte de sua árvore familiar, ele confirmou em entrevistas que seus pais nasceram e migraram especificamente de território cubano para os EUA. Essa forte herança latina influenciou diretamente o estilo musical do No Mercy, unindo a música pop/dance com a sonoridade do violão flamenco e ritmos caribenhos.

Já Ariel Hernández e Gabriel Hernández (os irmãos gêmeos) nasceram no dia 3 de junho de 1971, em Havana, Cuba, e se mudaram para Miami ainda crianças, onde foram criados, possuindo também a cidadania americana. A produção de suas músicas já acontecia num país totalmente diferente desses citados…. A Alemanha. 

Quer saber como eles se conectaram e deram início a tudo??


O INÍCIO DO NO MERCY

O produtor alemão Frank Farian conhece Marty Cintron

Em 1992, o alemão Frank Farian estava de férias, passeando em Miami Beach, nos EUA, quando passou em frente a um café ao ar livre onde Marty Cintron trabalhava tocando violão e cantando covers de sucessos pop. Farian ficou impressionado com o talento vocal de Marty e com a sua habilidade no violão espanhol (influenciado pelo estilo flamenco de grupos como o Gipsy Kings), então abordou o jovem e o convidou imediatamente para ir à Alemanha fazer testes/gravar em seu estúdio.

Marty Cintron aceitou a proposta, mas com uma condição: ele gostaria de montar um grupo real ao lado de seus amigos de Miami, os irmãos gêmeos Ariel e Gabriel Hernández. O alemão deu o aval, os três viajaram para a Alemanha e o trio No Mercy foi oficialmente criado. 

Diferente de outros projetos polêmicos do produtor (como o Milli Vanilli), os integrantes do No Mercy realmente cantavam e tocavam nos palcos, assim como tocaram nos estúdios durante as gravações de seus discos. Bom, como o produtor alemão estava com sua reputação mais "suja que pau de galinheiro" no mercado musical, então ele criou o No Mercy como uma estratégia direta para recuperar a sua credibilidade após protagonizar o maior escândalo de fraude da história da música. 

Resumidamente, Frank Farian usou o grupo especificamente como uma "virada de chave" em sua carreira, com o objetivo de limpar seu nome após o escândalo "Milli Vanilli".


"Eu aceito trabalhar com você, se meus amigos também entrarem nessa comigo!"
Marty Cintron para Frank Farian

Como o controverso produtor passou a ser visto pela indústria e pelo público como um criador de farsas, a sua busca incessante por talentos reais veio para provar ao mundo que ele era um músico de verdade (e não apenas um manipulador de marionetes e modelos dubladores), e assim, Farian mudou drasticamente a sua abordagem nos anos seguintes. 

Quando ele ouviu Marty Cintron cantar pela primeira vez, o que chamou a sua atenção não foi a aparência física do jovem (como havia acontecido no Milli Vanilli), mas sim o fato de Cintron ser um vocalista talentoso e também um grande habilidoso no violão. 

Definitivamente, com a boyband No Mercy, o alemão Frank Farian conseguiu provar ao mercado que seus projetos podiam sim carregar artistas reais, estes que sabiam cantar e tocar instrumentos perfeitamente, além de desempenharem comercialmente ótimos feitos nos charts. 

Enfim, o No Mercy foi um verdadeiro talento da Dance-Pop que se espalhou pelo mundo, em especial no continente europeu, até chegar finalmente também no Brasil.


O SUCESSO NO BRASIL E NO MUNDO

Aqui no Brasil, o boom da "latinidad" aconteceu por volta de 1995 com o estouro do Los Del Rio e sua faixa esmagadora "Macarena", então na sequência recebemos diversos singles de outros expoentes da América Latina, como El Simbolo, Shakira, Thalia, Angelina, Lina Santiago, Fey, Rebeca, Ricky Martin, Rochelle, e claro, também o No Mercy entre esta enxurrada de artistas hermanos.


Os irmãos gêmeos Ariel e Gabriel se juntaram com Marty Cintron e lançaram alguns singles bem sucedidos na Dance/Pop


Foi no início de 1997 que o grupo teve o seu auge aqui no Brasil, embora eles já tivessem lançado em 1995 o seu primeiro single - "Missing", que é um cover do mega fenômeno do duo Everything But the Girl

Martyn Cintron relembrou deste seu início na boyband com esse primeiro single: "Essa foi a primeira música lançada pelo No Mercy. Eu conheci Frank Farian em Miami Beach e conversamos sobre formar um projeto. Ele teve a ideia de usar 'Missing' como a primeira música do grupo, e essa foi mais uma daquelas músicas cativantes que tocam até hoje nas rádios do mundo todo. Gravamos também dois videoclipes para essa mesma música. O primeiro vídeo de 'Missing' foi gravado em um estúdio na Áustria. O que as pessoas não sabem é que trabalhamos com a banda EBTG para criar uma versão masculina dessa música. Foi o nosso primeiro lançamento na Alemanha e fico surpreso que ainda é tocada!".

Na onda ainda de EBTG e sua "Missing", o grupo resolveu usar as mesmas batidas de Todd Terry para criar o seu segundo single — "Where Do You Go", um cover agora do alemão La Bouche e sendo um trabalho lançado oficialmente no dia 13 de maio de 1996... ou seja, há 30 anos!


No Mercy e La Bouche: A Era de Ouro da Dance-Pop Mundial

Nesse período, o projeto Nell estava estouradaço com a maravilhosa "Better Life" (que, inclusive, carrega consigo aquele belo violão flamenco totalmente inspirado no No Mercy), o Datura agradando geral com o hit "Voo Doo Believe", a Dama executadíssima com "Beautiful Ones" e a baixinha Alexia reinando nas paradas com a envolvente "Number One". 

O que "Where Do You Go" tem em comum com todas estas tracks?? Todas elas também tinham estas batidas do EBTG sampleadas, então, não demorou muito para que as rádios brasileiras começassem a tocar "Where Do You Go" no meio deste "bolo". Aliás, eu acho que essa canção combinou muito melhor na interpretação dos três garotos que na faixa original gravada na voz da Melanie Thornton

Para ser mais preciso, até o produtor Frank Farian percebeu que, no vocal de Marty Cintron a "Where Do You Go"  funcionava melhor, então ele simplesmente optou que o No Mercy trabalhasse comercialmente com este singlemesmo a faixa já tendo sido inclusa no álbum "Sweet Dreams" do La Bouche.


Frank Farian escolheu promover o single de "Where Do You Go" com o No Mercy

É interessante isso, pois "Where Do You Go" tinha sido projetada inicialmente para o La Bouche, no entanto, Frank Farian percebeu (embora tarde) o melhor a ser feito. Então, num impulso certeiro, o controverso músico escolheu não lançá-la mais como um single do La Bouche e nem encomendou um videoclipe com a dupla Melanie Thornton e Lane McCray. Mr Farian — que era o autor de "Where Do You Go" e empresário dos dois projetos — promoveu a música com o trio masculino, e que acabaram por fazer um excelente trabalho.

Algo parecido já havia acontecido com o Le Click em 1994, projeto que estourou com a faixa "Tonight Is The Night", mas, como a vocalista era a mesma, os produtores resolveram incluir o hit na compilação do La Bouche - "All Mixed Up" (BMG). Estratégias de mercado, como chamamos.


"Where Do You Go" entrou até para trilha sonora de novela global 

"Where Do You Go" foi adicionada ainda na trilha de sonora da novela "Anjo de Mim", além de ser muito tocada nos clubs e FM's brasileiros. É, na minha opinião, a melhor música da boyband até hoje, me lembrando muito o início de 1997, da escola de informática "Data Control", do meu 2º ano do Ensino Médio, da rádio Jovem Pan Sat, da MTV, da revista DJ Sound, das lojas de CDs físicas, e da já mencionada canção "Better Life" do projeto italiano Nell, que estourou por aqui na mesmíssima época. E apesar deste hít do No Mercy ter sido todo cantado em inglês, houve também uma versão disponibilizada em espanhol, que inclusive foi tocada ao vivo no Festival Viña Del Mar, da qual a transmissão aconteceu no SBT em março de 1997. Memorável demais!

Marty Cintron avaliou a popularidade deste seu hit de 1996: "Ainda não sei por que essa música fez tanto sucesso no mundo todo, tanto em espanhol quanto em inglês, mas não estou reclamando! É a música mais pedida para tocarmos e é incrível ver a reação das pessoas quando a apresentamos. O vídeo foi gravado em South Beach, Miami Beach, Flórida, e nos divertimos muito durante as filmagens!"

Quanto a música mais lenta, "When I Die", foi o terceiro single do No Mercy e aqui no Brasil não chamou tanto a atenção das rádios, mas em várias partes do mundo obteve um bom reconhecimento. Marty Cintron disse: "Essa foi uma das melhores baladas que já gravamos. A letra foi escrita por uma das compositoras mais famosas do mundo, Dianne Warren. O videoclipe foi gravado em Veneza, na Itália. Foi eleita também como a música do ano na Europa anos atrás, e a versão em espanhol se chama 'Cuando Muera'. Sempre dedico essa música a todos que perderam um amigo ou um familiar. É mais uma daquelas músicas que a gente ouve no rádio de vez em quando, sendo também outra das minhas favoritas. Sinto-me muito sortudo por ter participado da sua criação".


ÁLBUM NO MERCY - "MY PROMISE"

No Mercy com Lionel Richie

O álbum de estreia do No Mercy tornou-se um sucesso mundial, especialmente na Europa e na América Latina. Nele contem o primeiro single já mencionado "Missing", além de "Where Do You Go" e "When I Die", que foram respectivamente o 2º e 3º singles do No Mercy (todos lançados em 1996).

Em 1997 eles lançaram o quarto single "Please Don't Go",  que acerta em todos os pontos mais uma vez, alternando entre a alegria e a melancolia com uma facilidade encantadora, além de estar repleto daquela batida luxuosa de Todd Terry (novamente!). Vale lembrar ainda que não se trata de um cover do KC The Sunshine Band, pois, como a boyband estava sempre envolvida com regravações, é fácil fazer essa correlação com o clássico que já foi regravado por Double You.


No Mercy - "Please Don't Go" (1997)
A época mais mágica da minha vida foi quando essas Eurodance's tocavam no rádio...

"Please Don't Go" foi escrita originalmente por Marty Cintron/Frank Farian e teve uma boa passagem pelos charts brasileiros —  sucesso que garantiu uma visita do trio ao Brasil em fevereiro de 1997, e digo ainda mais: Eles se apresentaram no programa "Domingo Legal", onde a Shakira, Enrique IglesiasRicky Martin também haviam brilhado em domingos anteriores. 

Quanto ao vídeo da música, lembro que o Gugu ficava mostrando seus trechos e também trechos do vídeo de "Where Do You Go" na introdução de seu programa, enquanto anunciava a "atração internacional" do No Mercy para aquele domingo. 

E a título de curiosidade, temos no vídeo oficial acima uma participação especial (e mega rápida) do produtor Frank Farian, que aparece aos 2'53" mexendo no porta-malas de um carro/taxi.

É bom ressaltar também que o No Mercy realizou algumas apresentações fechadas aqui na cidade de São Paulo, além de conceder uma entrevista para o "Vídeo Show" (extinto programa da Rede Globo).

O grupo veio ao Brasil justamente para promover o disco "My Promise", que foi o primeiro álbum do trio, e lançado oficialmente em 21 de outubro de 1996. Na maioria dos países, o tal disco foi distribuído com este título "My Promise" (incluindo o Brasil), mas nos EUA os produtores resolveram lançá-lo com o título homônimo: "No Mercy". 

Lembro ainda que a Paradoxx Music estava divulgando massivamente o CD "TV Dance Vol. 2" nos intervalos comerciais do SBT, e enquanto esperava a performance do No Mercy acontecer no "Domingo Legal", vi umas dezenas de vezes a publicidade desta coletânea. Que tremenda saudade!


Encontro de gigantes: Backstreet Boys e No Mercy. Os Backstreet Boys começaram a ficar conhecidos no Brasil no segundo semestre de 1997, com o hit “Everybody”, diferente do No Mercy, que já tinha um fã clube formado desde o início daquele ano e com duas músicas nas paradas brasileiras.

Na Austrália o disco "My Promise" foi muito bem recebido pelo público, gerando certificação de platina dupla. O top 5 também foi alcançado em países como Áustria, Bélgica, Holanda e Suíça com os dois singles "Where Do You Go" e "When I Die". Em seguida foi a vez do single "Please Don't Go", que entrou no top 5 na Áustria e no Reino Unido.

O trio ainda lançou uma versão retrabalhada de uma música da banda Exile, de 1978, "Kiss You All Over", que obteve um sucesso menor nas paradas, mas ainda assim conseguiu entrar no top 20 na Áustria, Holanda e Reino Unido.


 NO MERCY E SEUS ÚLTIMOS LANÇAMENTOS 

0 obscenidades, 0 nudez, 0 palavrões, 100% talento.

O segundo álbum do No Mercy, "More", foi lançado na Alemanha em 12 de outubro de 1998 e incluiu singles como "Hello How Are You", "More than a Feeling" (originalmente gravada por Boston) e "Tu Amor" (originalmente de Jon B.). Embora "More" não tenha alcançado o mesmo sucesso que seu antecessor, ainda assim obteve um bom resultado na Alemanha, Suíça e Áustria, chegando ao 7º, 9º e 9º lugar, respectivamente. Aqui no Brasil este álbum foi lançado nas lojas, mas não chamou tanto a atenção do público, DJs e programadores de rádios.

Em 1998, aqui no Brasil só estava dando Backstreet Boys, NSync e Hanson nas paradas. Mas..., mesmo assim eles conseguiram um espaço com "Baby Come Back", faixa pop romântica que entrou para a trilha sonora da novela "Meu Bem Querer". Bom, isso já está ficando um pouco repetitivo, mas, se trata de mais uma regravação feita pelo No Mercy, e a "vítima da vez" foi a banda americana The Player, no entanto podemos dizer que agradou bastante e virou uma ótima versão pop! 


"Baby Come Back" só teve divulgação no Brasil

Uma curiosidade, é que "Baby Come Back" só fez sucesso aqui em solo brasileiro, e tudo graças aos responsáveis pelas trilhas sonoras da TV Globo. A música em questão entrou em milhares de lares de brasileiros através da novela já citada, então a gravadora BMG Brasil resolveu lançar o seu CD single aqui no país do carnaval. Detalhe: Aparentemente, somente o Brasil recebeu oficialmente este single. E apesar do sucesso que fez (no Brasil), não foi filmado um videoclipe oficial para essa faixa de trabalho.

"Baby Come Back" é uma música mais pop, mais lenta, diferente das dançantes anteriores, porém conservou o som do violão clássico e tão característico do No Mercy.

Em 2002 o No Mercy fez ainda um cover para a clássica do Santa Esmeralda - "Don't Let Me Be Misunderstood", mas que não foi bem nas paradas. 


Os latinos do No Mercy com o alemão Frank Farian

Depois disso, pouco se ouviu falar na boyband. Mas, adivinha quem retorna em 2007? Sim, os meninos do No Mercy! Eles voltaram com um novo álbum intitulado de "Day By Day", por uma gravadora nova e apenas em formato digital. 

Não preciso nem dizer que este trabalho passou totalmente despercebido pelos brasileiros, né? 

Simplesmente estávamos vivendo em uma outra realidade, em um outro momento da música, inclusive, já tinha passado a febre das boybands fazia tempo (nenhuma estava fazendo sucesso nesse período), sendo que, o que fazia sucesso nas pistas de dança nessa época era o Electro, e nas FMs era o gênero R&B.


Marty Cintron em 2020


NO MERCY ATUALMENTE

A parceria profissional de Frank Farian com o No Mercy durou de 1995 até 2007, e nesse período ele produziu os dois álbuns de maior sucesso comercial do trio: "My Promise" (1996) e "More" (1998), além de colaborar no álbum de retorno do grupo, "Day By Day" (2007). 

Após esse terceiro disco, o grupo entrou em um longo hiato de estúdio e passou a viver exclusivamente de apresentações ao vivo. 

Após anos sem colaborações, os três integrantes originais (Marty, Ariel e Gabriel) se reuniram em estúdio com Frank Farian uma última vez em 2021, e gravaram um mashup comemorativo especial das faixas "Cherish" (Kool & the Gang) e "Rivers of Babylon" (Boney M). Essa também foi a última gravação oficial deles.

Atualmente, o violonista e vocalista Marty Cintron se apresenta na Europa sob o nome No Mercy e demonstra o mesmo ímpeto e talento nos palcos, como podemos ver em vídeos registrados no Youtube, no entanto, faz basicamente seis anos que seu instagram está totalmente desatualizado — confundindo as pessoas que podem achar que o No Mercy está desativado temporariamente.


Provavelmente a última foto do trio registrada (2020)
No Mercy: Onde vocês estão?

Quanto aos gêmeos, eles decidiram se aposentar definitivamente das turnês e dos palcos, optando por focar em suas vidas pessoais e em outros projetos de bastidores, deixando de acompanhar Marty Cintron nas apresentações ao vivo do No Mercy (simplesmente desapareceram dos holofotes, assim como a Linn Berggren do Ace Of Base).

Em raras declarações sobre a fama, os irmãos já mencionaram que valorizam imensamente o fato de poderem andar pelas ruas tranquilamente sem serem reconhecidos ou precisarem de guarda-costas. Para eles, a privacidade conquistada após o fim do trio é considerada o maior patrimônio atual. Mas, apesar desse afastamento do mundo musical, os gêmeos mantem uma boa relação com o fundador Marty Cintron, e deram a ele total liberdade e as bênçãos para continuar se apresentando sozinho e utilizando o nome da marca pelo mundo. Aliás, o No Mercy sempre foi um trio pacífico, um sinônimo de respeito/amizade, sem vestígios de brigas, escândalos ou de abusos (mesmo o produtor sendo Frank Farian, rs).


NO MERCY - UMA HISTÓRIA DE AMIZADE E BOA MÚSICA

Muito do sucesso do No Mercy se deveu a Marty Cintron, sendo ele um talentoso violonista e dotado também de uma voz segura (e muito boa). Em 2021, ele disse ao documentário sobre a vida de Frank Farian:

"Conheci Frank pela primeira vez em Miami, em 1992, antes da banda começar, e naquela época eu era um grande fã de violão espanhol. Eu estava ouvindo os Gipsy Kings antes deles estourarem de vez, e eles me mostraram todas essas técnicas de violão. Acabei incorporando isso ao som do No Mercy". - Marty Cintron

Sobre o produtor que o descobriu, Marty mencionou: "O interessante sobre o Frank é que ele era cozinheiro antes de começar na música, e é assim que ele encara o estúdio, participando de tudo. Ele opera o console de som diretamente, compõe as músicas, grava os vocais principais e de apoio e faz a mixagem. Mas, ao mesmo tempo, ele também nos deixa no estúdio para terminarmos a música ou para criarmos algo novo, que ele então rearranja." - Marty Cintron

Frank Farian faleceu no dia 23 de janeiro de 2024, e atualmente os "garotos" do No Mercy — que estão prestes a completar 55 anos de idade — não estão mais em evidência como estavam nos anos 90, mas o impacto que eles deixaram na música Dance/Pop é inegável! 

Mais do que um fenômeno passageiro de uma era dourada, os três fincaram raízes profundas na memória afetiva de uma geração inteira, afinal, mesmo que as pistas de dança mudem e o tempo passe, a música do No Mercy garante que a nostalgia nunca morra. 


No Mercy - "Where Do You Go" (1996)
30 ANOS!!
O violão, as castanholas, a dança, as vozes, a melodia, as batidas, o suplício romântico... Ah, tudo torna essa música muito especial ❤

Parabéns, No Mercy! E Obrigado por acreditar, Mr. Farian!


domingo, 3 de maio de 2026

ENTREVISTA MARIA RUBIA (FRAGMA) 2001

ENTREVISTA DE 2001 

REVISTA OK! - MARIA RUBIA



Tradução: Rikardo Rocha


Como você conheceu o Fragma

MARIA RUBIA: Eles ouviram minha demo e me perguntaram se eu poderia participar da música deles. Foi ótimo porque eu queria conhecê-los e teria sido uma bobagem recusar. No começo foi meio intimidante, mas logo nos tornamos amigos e eu estava fazendo chá e dando bronca neles por não terem guardado o leite na geladeira!


Há tanta gente tentando entrar na indústria da música. Você se sente com sorte por ter conseguido? 

MARIA RUBIA: Não. Sorte não é a palavra. Meus pais e meus amigos podem confirmar: assim que eu acordava, já estava ligando para as gravadoras. Comecei aos 18 anos, tocando campainhas e ligando para todo mundo. Gastei meu último centavo para vir a Londres de trem. Eu estava determinada.


Foi difícil chamar a atenção das pessoas? 

MARIA RUBIA: Comecei fazendo alguns trabalhos como modelo na escola e, depois de três anos, acabei com um monte de contatos. Me ofereceram um contrato com uma gravadora se eu fingisse tocar guitarra e eu pensei: 'Vocês estão brincando comigo?' Tem muita criança por aí que toca guitarra de verdade.


Ouvi dizer que você recusou um filme do Terry Gilliam... 

MARIA RUBIA: Eu tinha 15 anos e estava fazendo meus exames do GCSE (exames nacionais do Reino Unido). Comecei a fazer trabalhos como modelo. Comprei muitas roupas e saí para muitas festas. Tudo deslanchou e o telefone não parava de tocar. Aí meus pais disseram: "Não, você tem que priorizar seus estudos. No fim das contas, se não der certo para você, pelo menos você consegue um bom emprego."


Conte-nos um pouco sobre seu primeiro single solo... 

MARIA RUBIA: Chama-se "Say It" e eu o escrevi há alguns meses. Meu produtor fez a música. É basicamente sobre uma garota que gosta de um cara, mas ela é muito tímida em relação a isso. Mas não é uma balada romântica. Quando faço meus shows ao vivo, todo mundo dança ao som dela. Os seguranças cantam junto e depois dizem: "Por que estamos cantando essa música? Nem a conhecemos!"


Você co-escreveu essa música? 

MARIA RUBIA: Eu tinha "Say It" na cabeça, mas não sei tocar nenhum instrumento. Gravei minha voz em uma fita e entreguei para o meu produtor, que já sabia como eu queria que a faixa soasse antes mesmo de eu dizer a ele - e ele criou a música três dias depois. Levou 15 minutos para gravar a versão final. Às vezes acontece assim.


Fale-me sobre o álbum... (Esse álbum não chegou a ser lançado)

MARIA RUBIA: Espero que seja lançado neste verão. O seu sabor é misto, como um tutti-frutti. Tem uma balada, um pouco de R&B, garage/dance. Acho importante ter variedade, porque quando você ouve alguns álbuns, eles começam a soar iguais. Muitas bandas, quando descobrem que uma fórmula funciona, lançam todas as faixas da mesma maneira.


Você fica nervosa quando faz trabalhos solo? 

MARIA RUBIA: Fiquei nervosa na semana passada na minha primeira premiação, porque havia muitas celebridades e elas são as mais críticas. Mas o Suggs, do Madness, foi muito gentil comigo. Ele disse: "Muito bem, cara, você se saiu muito bem".


Que tipo de música você curte? 

MARIA RUBIA: Vários estilos. Eu ouço Destiny's Child, Coldplay, Feeder, e também gosto de Andrea Bocelli. Espero um dia gravar uma música com ele, pois eu acho que ele é um cara muito legal. Eu o conheci em Maiorca. Eu estava em um restaurante comendo lagosta, mas estava cozida. Andrea estava na mesa ao lado. Como eu falo francês fluentemente, ele conseguiu me entender e tentou me ajudar. No fim, tudo correu bem e acabamos conversando sobre gravar uma música juntos. 


O que você faz no seu tempo livre? 

MARIA RUBIA: Eu adoro festas de celebridades e, como sou solteira, tenho uma boa desculpa para sair e festejar. Também gosto de sair e fazer compras. Adoro nadar, andar de jet ski e mergulhar.


Você se preocupa muito com moda? 

MARIA RUBIA: Compro roupas em brechós, na TopShop, na Morgan e também algumas peças caras. Não me importo muito com frescuras e mimos, mas tenho meu próprio estilo. Sou mais do tipo que usa jeans e blusas estilosas. 

Você já recebeu algum conselho de celebridades? 

MARIA RUBIA: Pergunto à Gail Porter sobre roupas para sair e o que vestir. Conversamos sobre essas coisas com a Celena, do Honeyz. É preciso ouvir quem já passou por isso.


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Para mim, o projeto Fragma foi um dos melhores projetos de Vocal Trance da história, e apesar de apreciar cada single lançado, a faixa "Everytime You Need Me" é a minha favorita deles. Marcou uma época incrível da minha vida e tem uma estrutura harmoniosa que acho magnífica. 

O meu irmão, que não pegou essa fase do Vocal Trance, ouviu essa música tocando no meu celular e me perguntou quem cantava, pois ele também se impressionou com a melodia, com os vocais e com toda a sonoridade envolvente do hit. É aquela coisa, passam-se anos, mas a qualidade continua, algo realmente A-TEM-PO-RAL!

Para ler mais sobre a vocalista Maria Rubia e o seu retorno ao estúdio com o Fragma, 25 anos depois, clique no link abaixo:

https://rikardomusic.blogspot.com/2026/05/maria-rubia-do-hit-everytime-you-need.html